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domingo, 4 de junho de 2017

"SAÚDE E BEM-ESTAR": DISPAREUNIA - O QUE É E COMO TRATAR A DOR DURANTE AS RELAÇÕES SEXUAIS!

imagem cedida por Free Digital Photos



Por meio dos meus relatos pessoais por conta de um grave sintoma da endometriose, a dispareunia, o A Endometriose e Eu quebrou paradigma e foi o primeiro blog a descrever nua e crua as dores durante o ato sexual. O começo não é a dor precisamente dita, mas um desconforto que vai aumentando, aumentando até a mulher não conseguir sentir prazer num ato que deve ser apenas de puro prazer: o sexo. Já escrevi inúmeros artigos no blog sobre o tema, bem como o tratamento que fiz para melhorar a minha dispareunia que tinha nome e sobrenome: de profundidade. A pior das dispareunias. O tratamento foi longo, demorado, mas valeu muito a pena. Foram mais de dois anos de fisioterapia uroginecológica. Para falar um pouco mais sobre esse problema que atinge muitas mulheres (portadoras e não portadoras) convidei a fisioterapeuta Ana Paula Bispo, que na época participou do meu tratamento. A dispareunia tem tratamento e cura. Cabe ao seu especialista diagnosticar e te encaminhar a um profissional especializado e apto a te tratar. Compartilhe mais um texto exclusivo A Endometriose e Eu e espalhe a correta conscientização da endometriose. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Por doutora Ana Paula Bispo
Edição: Caroline Salazar

Dispareunia - o que é e os tratamentos para a dor durante e após as relações sexuais


Mulheres com endometriose possuem alterações musculoesqueléticas que expressam-se frequentemente em desvios posturais, afecções musculares, articulares e ligamentares que afetam a região da pelve, quadril e membros inferiores, podendo provocar também alterações nos músculos do assoalho pélvico, ocasionando a dispareunia.

A dispareunia é definida como uma dor genital recorrente ou persistente associada com o intercurso sexual, que pode ser subdividida em: superficial, de entrada ou de intróito e dispareunia profunda ou de profundidade, com diferentes etiologias. A dor também pode ocorrer após a relação sexual, denominada dispareunia tardia.

Entre as causas de dispareunia superficial podemos destacar a hormonal, inflamatória, neurológica, psiquiátrica, gastrointestinal, vascular, anatômica e muscular (espasmos e pontos-gatilhos), que são alterações no estado de tensão muscular, que normalmente estão aumentados e provocam dor.

Em mulheres com endometriose profunda é comum encontrarmos a dispareunia de profundidade que pode ser resultante da distensão e inflamação de tecidos pélvicos, como útero em retroversão fixa, pressão exercida em ovários, ligamentos úterossacros ou região retrocervical afetados pela doença. Em razão da dispareunia estas mulheres sentem uma diminuição importante da satisfação sexual e, em alguns casos optam pela abstinência sexual.

Dependendo da queixa, a fisioterapia empregará os recursos comumente utilizados na prática da uroginecologia, objetivando a normalização da mobilidade da pelve e do tônus dos músculos pélvicos, em especial do assoalho pélvico. Basicamente, os recursos comumente utilizados no tratamento da dispareunia são a cinesioterapia, eletroterapia, biofeedback e massagem perineal.

A massagem perineal consiste na introdução de um ou dois dedos a três ou quatro centímetros na vagina, aplicando e mantendo uma pressão primeiramente na parte muscular da parede posterior da vagina e depois de cada lado da entrada vaginal. É realizado também movimentos para trás e para e para frente nos músculos, assim quando um ponto-gatilho e/ou espasmo muscular é identificado realiza-se uma pressão no local.

Como a dispareunia é uma queixa frequente nas portadoras de endometriose, é muito importante uma avaliação criteriosa dos músculos do assoalho pélvico por um fisioterapeuta pélvico afim de que a identificação destas alterações permita uma abordagem específica à musculatura somado ao tratamento da doença de base, visando melhor taxa de sucesso e melhora da qualidade de vida e sexual dessas mulheres.

      Sobre a fisioterapeuta Ana Paula Bispo:


Ana Paula Bispo é fisioterapeuta, atualmente faz doutorado em Urologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é mestre em Ginecologia pela Unifesp, mesma instituição que fez especialização em Reabilitação do Assoalho Pélvico, e docente do curso  de Pós Graduação de Fisioterapia em Uroginecologia da Universidade Estácio de Sá. Siga a fanpage da doutora Ana Paula Bispo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

PUBLIEDITORIAL: VOCÊ SABIA QUE A DOR NO SEXO IMPACTA A VIDA DE CERCA DE 50% DAS PORTADORAS DE ENDOMETRIOSE!!




Por Caroline Salazar

Uma a cada 10 mulheres tem endometriose. A endometriose é uma doença muito séria, e como qualquer outra é preciso ser tratada com especialista que realmente entende. De acordo com pesquisa americana, a atividade sexual é uma das mais prejudicadas, já que a dispareunia, a dor durante e após as relações, é um sintoma predominante em muitas endomulheres. Cerca de 50% das portadoras têm sua vida sexual impactada pela doença. Infelizmente muitos casamentos são desfeitos por conta da dispareunia. Já falamos muito de dispareunia no blog. 

O correto tratamento da endometriose pode mudar a qualidade de vida daquela mulher que sofre com as dores severas da doença, seja a cólica forte ou a dispareunia. Para aquelas que não querem ou que não podem realizar o tratamento invasivo da videolaparoscopia, há no mercado novas drogas que minimizam os sintomas da doença. Dentre elas está o Alurax, da Momenta Farmacêutica, o dienogeste que você já conhece, mas com 30 comprimidos e com o melhor custo benefício – o concorrente custa 82% mais caro. Segundo especialistas o dienogeste 2mg reduz a dor logo no primeiro mês, com diminuição progressiva nas próximas 24 semanas de uso. 

Nos últimos meses a Drogasil e a Drogaria São Paulo, ambas online, estão vendendo o Alurax ainda mais barato, seguem os links: http://www.drogariasaopaulo.com.br/alurax-dienogeste-2mg-momenta-30-comprimidos-revestidos/p e http://www.drogasil.com.br/alurax-2-mg-30-comprimidos.html

O Alurax é fabricado pela Momenta Farmacêutica. Uma das missões da Momenta é justamente "promover o acesso à saúde e à qualidade de vida com tratamentos a preço justo”. Com cerca de três anos de atuação, a Momenta tem qualidade garantida e já é reconhecida pela comunidade médica, pelos farmacêuticos e pelos farmacistas. Converse com seu especialista em endometriose a respeito do Alurax. Vale lembrar que todo medicamento deve ser prescrito pelo seu especialista. Não tome nenhum remédio sem o consentimento de seu médico.

Se você tiver dificuldade de encontrar o Alurax em sua cidade, vou deixar o telefone do SAC para você saber quando ele estará disponível na farmácia mais próxima de sua casa: 0800 703 1550 ou se preferir envie email para central@momentafarma.com.br.  

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

"SAÚDE E BEM-ESTAR": A SEXUALIDADE DE UMA ENDOMULHER!!



imagem cedida por Free Digital Photos

No texto a seguir, a psicóloga Ana Rosa Detilio Mônaco aborda uma questão muito delicada, especial e muito importante para todas endomulheres: nossa sexualidade. A endometriose é uma doença muito complicada especialmente por afetar a mulher num todo e cada uma de uma forma única. O texto a seguir é muito importante não só para as mulheres com endometriose, mas, principalmente, para os companheiros. A perda da sexualidade e, consequentemente, da libido traz sérios danos às portadoras. Muitas, infelizmente, são abandonadas por seus companheiros. Mas tantas outras não, têm a compreensão, o carinho e o cuidado do parceiro. Por ter vivido isso na pele, acho que a compreensão e o entendimento do parceiro sobre o assunto e o estado de saúde de sua companheira são fundamentais para não pirar a nossa cabeça e, assim, procurarmos tratamento adequado. Atenção mulheres! Leia o texto com muita atenção e mostre ao seu companheiro. Mesmo com a dispareunia, não podemos perder nossa autoestima e, principalmente, nossa sexualidade. O A Endometriose e Eu quebrou paradigmas e também tabus ao falar abertamente sobre as várias facetas da endometriose. E dentre esses tabus podemos falar que o blog foi o primeiro a não só descrever, mas a de falar abertamente sobre a dor da dispareunia - dor durante e após a relação sexual ( artigo 1, artigo 2, artigo 3, artigo 4, artigo 5, artigo 6), dentre muitos outros. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

A sexualidade de uma endomulher

Por Ana Rosa Detilio Mônaco

Falar em sexualidade não é uma tarefa fácil num país machista como o Brasil, em especial, quando abordamos a da mulher. E quando falamos na da mulher com endometriose, então... A sexualidade da mulher com endometriose se apresenta de forma especial e merece muita atenção, tanto das pessoas as quais ela convive e, principalmente, do parceiro, como também da comunidade médica. As endomulheres, muitas vezes, têm sua sexualidade comprometida, já que a doença é muito complexa e atinge a mulher de forma abrangente e pode trazer sérios prejuízos à sua vida conjugal.

A sexualidade é um conjunto das condições anatômicas, fisiológicas e psicológicas que caracterizam cada sexo, seja masculino ou feminino. O termo também se refere ao apetite sexual e ao conjunto de fenômenos emocionais e comportamentais relacionados com o sexo. Para a OMS (Organização Mundial da Saúde), a sexualidade abarca tanto as relações sexuais (o coito), como o erotismo, a intimidade e o prazer. A sexualidade é experimentada e expressada através de pensamentos, de ações, de desejos e de fantasias.

Para muitas mulheres, a sexualidade também é expressada pela possibilidade de gerar uma nova vida, o que também pode ser ameaçada pela endometriose e apresentar para mulher a realidade de não poder engravidar ou ainda de necessitar de técnicas de reprodução assistida para alcançar seu objetivo. Afinal temos como referência que as mulheres devem engravidar por meio do ato sexual, e ter que necessitar da medicina para realizar esse feito pode levar o casal ou um dos membros do par, a desvalorizar o ato sexual, já que não necessitariam deste para engravidar, comprometendo assim todo o contexto da relação sexual.

Frente às características da doença que pode causar dores pélvicas de vários níveis e algumas vezes constantes, onde graus mais avançados da patologia interferem de forma significativa na vida da mulher, a paciente em menor ou maior grau pode desenvolver dificuldades na esfera sexual podendo, portanto, comprometer seus relacionamentos e paralelamente sua autoestima.

A endometriose apresenta a possibilidade de progressão do quadro e o risco de aderências entre os órgãos o que pode deixar a pelve muito sensível e dolorida, impedindo as sensações positivas que o ato sexual proporciona e, muitas vezes, gerando dores insuportáveis fazendo com que a mulher passe a evitar a proximidade com o parceiro, se isolando em sua dor. Outro fator que se dirige ao tema é o nível de informação dos parceiros frentes aos possíveis sintomas relacionados à doença. Os companheiros devem ser informados e conscientizados de tal realidade, para que o casal busque através da criatividade e da intimidade, formas de se relacionarem sexualmente que sejam satisfatória para ambos, o que se torna muito possível se o casal se propuser a não deixar de investir na relação, fazendo com que se mantenham unidos. O carinho, a compreensão e o companheirismo de ambos, em especial, do parceiro são essenciais para manter a chama acesa nos momentos mais delicados.  

Dependendo do grau da doença, as dores durante a relação sexual, principalmente, no momento da penetração (dispareunia) se tornam uma realidade que pode fazer com que a mulher perca o desejo sexual evitando assim contatos íntimos com seu parceiro, possibilitando a queda na autoestima e a autodesvalorização frente sua feminilidade. Muitas mulheres sentem dores também após o ato sexual e muitas podem permanecer com essas dores alguns dias após a relação. Outras por conta do tratamento poderão perder sua libido e, com isso, tem seu desejo sexual reduzido ou quase a zero mesmo.

A endometriose é uma doença que mexe muito com o corpo e com a cabeça da mulher. Por isso reforço que a compreensão do parceiro é muito importante neste processo. Pois é por ele que a mulher espera e deve ser desejada e, é claro, que ela não poderá desistir de sua feminilidade. Inventar novas posições e encontrar novas formas de buscar prazer na hora do sexo, é um caminho para o casal se adaptar frente às possíveis dores que a mulher poderá manifestar durante e após as relações sexuais.

A criatividade pode ser um bom caminho para resgatar o prazer na relação, pois é construído pela intimidade que o casal apresenta e o conhecimento da própria sexualidade de cada um. Alimentar a intimidade pode ser uma boa saída para retomar a relação do casal. Investir na aparência também pode fazer a diferença, tanto para a mulher se sentir mais atraente, quanto para o parceiro que a verá mais atraente, sedutora e desejável. Portanto reinventar a sexualidade supera o ato sexual (coito) e percorre o caminho do amor próprio, da feminilidade e do poder de sedução que toda mulher possui como algo natural. Cada mulher tem seu poder de atração único, e é preciso resgatar isso também para que a relação a dois se torne muito mais que apenas sexo, mas sim, um ato de amor e cumplicidade. Até o próximo! Beijo carinhoso!!

Sobre Ana Rosa Detilio Mônaco:


Há 17 anos atuando na área cínica, a doutora Ana Rosa foi residente e atuou como psicóloga hospitalar no Centro de Referência da Mulher no Hospital Pérola Byington, em São Paulo. É especialista em saúde, em psicoterapia breve e atua também em reprodução assistida. É professora convidada do Instituo Gerar e atende em seu consultório em São Paulo.  

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

"SAÚDE & BEM-ESTAR": AS DISFUNÇÕES MUSCULARES, DENTRE ELAS, A DISPAREUNIA E SEUS TRATAMENTOS!!

Na coluna "Saúde & Bem-estar", a fisioterapeuta Ana Paula Bispo fala sobre as disfunções osteomusculares, entre elas, a dispareunia, a dor durante e ou após a relação sexual. Infelizmente, muitas portadoras de endometriose conhecem muito bem esta consequência que, além de causar dor, traz às mulheres uma impotência muito grande pelo fato de muitas.  Ela explica os tipos de dispareunia, os tratamentos, como as disfunções musculares e as alterações musculoesqueléticas podem também afetar e agravar os músculos do assoalho pélvico, os músculos da vagina. Este texto vai ajudar muitas endomulheres e também muitos endomaridos a entenderem melhor como a doença e o diagnóstico demorado podem agravar ainda mais os músculos de quem sofre com a endometriose. 

A partir de meus relatos, o A Endometriose e Eu foi o pioneiro no Brasil a falar abertamente sobre a dor durante e após o sexo. Segue aqui os principais textos (têm muitos outros) que relatei essa minha consequência da endo (dispareunia 1, dispareunia 2, dispareunia 3), inclusive, meu tratamento, escrito pela fisioterapeuta Ana Paula Bispo. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Por doutora Ana Paula Bispo 

As disfunções osteomusculares - a dispareunia e seus tratamentos

O tempo entre o início dos sintomas e diagnóstico e tratamento da endometriose é de cerca de oito anos. Durante este período de tempo, a mulher permanece com a queixa dolorosa sem diagnóstico o que pode ocasionar inúmeras alterações secundárias à doença como disfunções osteomusculares e emocionais.

Dentre estas alterações, destacam-se as do sistema osteomuscular que podem causar, agravar ou perpetuar os sintomas da dor. Disfunções da musculatura perineal ou das articulações sacro-ilíacas e seus ligamentos também podem ser causa de dor, já que podem ter irradiação para a vagina e ou períneo.       

Além dos sintomas clássicos da doença, alterações musculoesqueléticas, devido à postura antálgica por tempo prolongado adotada pelas mulheres podem estar presentes. Esses padrões de desequilíbrio muscular podem exercer força de alongamento constante sobre os músculos do assoalho pélvico (músculos da vagina), levando a flacidez (relaxamento) que pode exacerbar ou perpetuar a dispareunia, mesmo após o tratamento da doença de base. Este fato se justifica já que a tentativa de ajuste do corpo para aliviar a dor, que leva às alterações no alinhamento da pelve, do quadril e dos membros inferiores, ocasiona danos fisiológicos e, consequentemente, alteração na função dos músculos do assoalho pélvico, interferindo na fisiologia da pelve.

Alterações nos músculos do assoalho pélvico podem ocasionar a dispareunia que é a dor durante ou após a relação sexual. A dispareunia pode ser subdividida em dois tipos: a dispareunia superficial, de entrada ou de introito, e a dispareunia profunda ou de profundidade, com diferentes etiologias.

Em mulheres com endometriose, principalmente, a endometriose profunda não é infrequente encontrarmos a dispareunia de profundidade que pode ser resultante da distensão e inflamação de tecidos pélvicos, como útero em retroversão fixa, pressão exercida em ovários, ligamentos úterossacros ou região retrocervical afetados pela doença. A dor também pode acorrer após a relação sexual, denominada dispareunia tardia. Em razão da dispareunia estas pacientes sentem uma diminuição importante da satisfação sexual e, em alguns casos, optam pela abstinência sexual.

Fisioterapeutas especializados podem utilizar diversas modalidades terapêuticas para tratar as pacientes com alterações posturais e alterações nos músculos do assoalho pélvico decorrentes da endometriose e da DPC (dor pélvica crônica). O objetivo principal do tratamento é a melhora do padrão postural, normalização do tônus muscular, aumento da consciência e propriocepção da musculatura do assoalho pélvico, dessensibilização dos pontos dolorosos na vagina. A liberação miofascial é um dos tratamentos utilizados para a melhora do padrão postural e da dor, pois promove a liberação das restrições das camadas profundas da fáscia, favorecendo estiramento de interligações fibrosas e trocas de viscosidade das camadas miofasciais de um músculo sobre outro.

Visando a normalização do tônus muscular e dessensibilização dos pontos dolorosos dos músculos do assoalho pélvico, a massagem perineal que consiste na introdução de um dedo na vagina e, realização de  movimentos para trás e para e para frente, de um lado para o outro por cima dos músculos elevadores do ânus e obturadores internos, pode ser indicada.

Desta forma, será possível reduzir o quadro álgico dessas pacientes a fim de que elas possam desfrutar de uma melhor qualidade de vida e satisfação sexual.

Sobre a fisioterapeuta Ana Paula Bispo:

Ana Paula Bispo é fisioterapeuta, atualmente faz doutorado em Urologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é mestre em Ginecologia pela Unifesp, mesma instituição que fez especialização em Reabilitação do Assoalho Pélvico, e docente do curso  de Pós Graduação de Fisioterapia em Uroginecologia da Universidade Estácio de Sá. Siga a fanpage da doutora Ana Paula Bispo.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

MINHA CONSULTA COM O GINECO-NEURO, NA UNIFESP!!

No último dia 19 de abril passei em consulta com o dr. Nucélio Lemos, uroginecologista especializado em neurodisfunção pélvica, que atende na Unifesp, para verificar se a minha endo havia comprometido algum de meus nervos. A Unifesp tem o primeiro ambulatório de Neuropelveologia do Brasil, mais um motivo que comprova que este ambulatório de algia pélvica e endometriose é o local mais apropriado para tratar uma mulher com endometriose. Graças a Deus, minha endometriose não atingiu nenhum nervo pélvico do meu corpo. Porém, descobri algo de que eu já tinha certeza e, que já havia falado ao dr. Hélio: de que sofro com a maldita endometriose desde os meus 13 anos. Todas as conclusões que o dr. Nucélio chegou foi durante a anamnésia bem detalhada que ele fez e, praticamente, uma regressão da dor pélvica e, só depois, é que se realizou o exame de toque. Digo regressão, pois ele me fez lembrar a primeira vez que senti dores na pelve. E tudo começou quando tive de retirar meu apêndice, aos 13 anos. Ou melhor, quando meus pais pediram a um clínico-geral da minha cidade, em Rio Verde, no interior de Goiás, para me abrir. Sim, parece uma história absurda, mas isso foi necessário, pois meu apêndice havia se deslocado de seu local habitual e, se escondeu, atrás do meu intestino. Por isso, em nenhum exame que eu realizava, inclusive, o ultrassom, não apontava nada anormal dentro de mim. Só que eu já estava há mais de um mês sem conseguir andar, não ia à escola, tinha muita dor na perna direita, vomitava e tinha febre muito alta. Confesso que ouvir isso do dr. Nucelio foi um alívio e um desespero ao mesmo tempo. O cisto de ovário que retirei aos 15, que voltou aos 19, e que continuou voltando, já era um endometrioma (cisto no ovário). A conclusão do dr. Nucélio é que eu sofro de fortes dores por quase 20 anos, até obter o diagnóstico da endometriose. Só fui diagnosticada aos 31 anos já para 32, após longos 19 anos de muitas, mas muitas dores. Ufa, ao ouvir isso pensei comigo: “Nossa como sou forte. Sempre me achei superfraca, em especial, às dores. Não sei como aguentei. De fato fui muito abençoada por Deus, pois, até então, minha endometriose ainda não atingiu nenhum órgão meu.” Na verdade, eu já penso isso todos os dias. Desde que eu conheci a Maria Helena Nogueira, todos os dias ao levantar, eu agradeço a Deus por ter essa oportunidade de andar, mesmo com dores. Também sei que fui escolhida por nosso Pai para uma missão muito especial por aqui: tornar a endo uma doença reconhecida por nossos governantes, onde poderemos incluir as portadoras em tratamento e, àquelas que já se encontram inválidas, em programas de benefícios do governo. Para realiza-la precisarei da ajuda de todas vocês, pois a união faz a força. Não morri, não fiquei infértil, minha endo não atingiu nem meus nervos e nenhum órgão. Isso é uma glória ao se tratar de uma doença tão enigmática e tão destruidora quanto à endometriose. Por isso, eu preciso me manter em pé e continuar lutando todos os dias contra as fortes dores que eu sinto.

Com isso, a conclusão final do dr. Nucélio é de que este diagnóstico tardio maltratou muito os meus músculos. Eu tenho dores em todos, literalmente, todos os músculos do meu corpo. Até dormindo meus músculos latejam, pulam sem parar. Foi por isso que eu tive a dispareunia de profundidade. A pior das dispareunias. Pior do que esta é só o vaginismo, onde todos os músculos da vagina se contraem e daí não entra nenhum grampo pela vagina, quanto mais um dedo (para a fisio) ou um pênis (no sexo). A meu ver, a dispareunia é a pior sequela da endo. Ter dores durante a relação sexual mata a mulher que existe dentro de nós, pois nos deixa assexuada. Um dos maiores sofrimentos é  não conseguir transar com o namorado, mesmo tendo um. Ficar anos e anos assexuada, mesmo tendo um namorado. Dormir ao lado de quem você ama e não sentir nenhum frio na barriga, nenhuma libido. Isso é desesperador. É um sofrimento sem fim para quem conhece esta dor. O pior é que acordei, no dia 19, p. da vida, por conta de cobranças indevidas do banco. Cheguei ao ambulatório de Neuropelveologia da Unifesp doida e aos prantos. Claro que o dr. Nucélio falou do meu psicológico, pois toda mulher com endometriose tem de tratar esse lado também. É óbvio que eu sei disso, só que prefiro a terapia espiritual. Afinal, foi no centro espírita que encontrei todas as respostas para tudo que estou passando nesta vida. Nenhum outro médico foi tão certeiro quanto Deus. O dr. Nucélio afirmou que qualquer terapia psicológica é válida e que sua noiva também é espírita. Por isso disse acreditar de que isso é possível. Eu prefiro escutar Deus a pessoas que vestem roupas brancas e que se acham Deus, só porque tem um título de doutor na frente do nome. E ainda me dar mais remédios. Já me medico e me automedico demais. O dr. Nucelio disse que iria falar com o dr. Schor e o dr. Hélio para ver como seria minha operação. Ele confirmou que, aparentemente, tenho poucos focos de endometriose, mas que será necessário retirá-los. Ele me receitou mais um remédio para a minha coleção, um relaxante muscular mais forte, o Coltrax 4mg. Enquanto estou sob efeito deste remédio, minhas dores no corpo melhoram muito, mas quando o efeito passa, é impressionante como tudo volta! É como se um trator ou um caminhão tivesse passado por cima do meu corpo. Porém, só tinha duas caixas deste remédio no ambulatório de urogineco da Unifesp, com 10 comprimidos em cada uma, e é o que tenho para tomar, já que estou desempregada e sem grana para comprar o Coltrax, que custa cerca de 40 reais cada caixa. Um absurdo! Demorei um pouco para escrever, pois ando com fortes crises, algo que não era muito comum, após minha primeira cirurgia. Estou preparando um post sobre endometriose e apendicite, qual a relação da primeira com a segunda ou vice-versa? Alguém tem alguma opinião? Aproveitem para curtir e compartilhar o A Endometriose e Eu no facebook: http://www.facebook.com/pages/A-Endometriose-e-Eu/107795342665783 Beijos com carinho!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O QUE SIGNIFICA O TERMO "PELVE CONGELADA"?

Quando passei a conhecer um pouco mais sobre a endometriose, muitas palavras, até então, desconhecidas foram agregadas em meu vocabulário. Um termo muito comum que escutamos entre as portadoras é a tal da “pelve congelada.” Confesso que eu também fiquei surpresa quando ouvi, pela primeira vez, esta palavra. A pelve congelada nada mais é do que as aderências entre os órgãos. Aderência? Outra esquisita, não?! Podemos relacionar a aderência como se fosse um chiclete grudado em nosso cabelo, que só sai ao cortar. Antes da minha cirurgia, a minha pelve estava congelada. O termo congelado é usado para designar que os órgãos abdominais (útero, ovários, trompas, intestino, etc) estão todos grudados, colados uns aos outros por uma membrana, o famoso “unidos venceremos”. Quem nunca ouviu esta expressão? As aderências são faixas anormais de tecidos cicatriciais que se formam na pelve. Com a pelve congelada, em muitos casos, não dá nem para saber onde começa e onde termina as aderências. O grude dos órgãos não tem tempo certo para acontecer. Depende do grau e dos focos. O certo mesmo é ter todos os órgãos da pelve soltos para que eles deslizem uns sobre os outros. Ter uma pelve congelada é muito perigoso. Durante a ovulação, por exemplo, que, teoricamente, deveria acontecer todos os meses, os ovários não estão livres para realizarem a movimentação necessária para que ocorra a ovulação. A pelve congelada causa muita dor na mulher. Até mesmo para quem tem os focos inativos. Era o meu caso. Mesmo sem ter focos ativos, eu morria de dor, o que foi confirmado pelo dr. Hélio após a cirurgia. Com a pelve congelada, quando há a aderência do intestino, o simples movimento fisiológico natural do órgão durante a progressão de gases e fezes torna-se extremamente doloroso. Imaginem morrer de dor em todas as evacuações, urinas e etc. E, como disse o dr. Hélio, no meu caso, eu tinha dor simplesmente pelo fato de respirar. Pois, para respirar, é realizamos o movimento abdominal. As aderências dos órgãos também causam muita dor durante a relação sexual. O mal da pelve congelada só pode ser tratado com a cirurgia. Só eu sei o que passei até chegar a minha operação. Mas, para cortar o mal pela raiz mesmo, só a cirurgia por videolaparoscopia. O tecido cicatricial, que causa as aderências, pode ser formado também no processo de cicatrização da cirurgia aberta, ou seja, a laparotomia, o vulgo corte de cesárea. Na cirurgia a laser, o risco de voltar é muito pequeno, mas não impossível. Para quem sente muita dor após ter feito a cirurgia é preciso averiguar o que está acontecendo. No meu retorno pós-cirurgia, a primeira pergunta que fiz foi: qual a chance de as aderências voltarem? Ouvi que, pela a de vídeo (que eu fiz) é mais ou menos 5%, enquanto a aberta é quase 80%. Entenderam a diferença? Portanto, conversar com o seu médico e esclarecer todas as dúvidas é muito importante. Aos poucos vou explicando sobre todos os termos esquisitos, que, nós portadoras de endometriose, temos que nos acostumar. Beijos com carinho!!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

POR QUE ALGUMAS MULHERES TÊM MAIS DORES DO QUE OUTRAS?

Faz tempo que quero escrever sobre a dor. Essa é uma palavra tão comum no dia a dia de quem tem endo. Por que algumas mulheres têm dores e outras não? Como eu não sou médica, aliás, nunca quis ser e quase não gostava de brincar de médico quando criança, explico o que vivo e o que leio. Também escrevo o que vivenciei e aprendi no ambulatório da Unifesp e o que recebo por e-mail das minhas leitoras. Nunca imaginei que o destino me colocaria nessa situação. Quando a minha irmã cursou fisioterapia, o máximo que eu fazia era traduzir do inglês para o português alguns de seus artigos. Mas, como jornalista, eu posso escrever sobre todos os assuntos que eu quiser. Por isso, aceitei a missão proposta por Deus. E agora digo... Por que algumas mulheres têm mais dores do que outras? O meu caso, por exemplo. Quando operei, eu não tinha focos ativos de endometriose. Ok, mas a minha pelve estava toda congelada, ou seja, todos os órgãos abdominais estavam grudados uns aos outros e não se mexiam. A dor dessas aderências, segundo o Dr. Hélio, é muito maior do que a da própria endometriose. Mas, e agora, por que ainda sinto dores? Elas não são diárias, mas quase todos os dias eu sofro com elas. Nesta semana, metade foi com dor e a outra metade sem dor. É claro que eu prefiro a última opção. Às vezes sei que as pessoas não acreditam muito em nós. Antes, eu ficava bem triste com isso. Quem é a louca que inventa estar com dor da endo? Eu não conheço, até porque, a dor é muito, mas muito forte. Pesquisando sobre o tema li algumas cosias e quero compartilhar com vocês.  A dor independe do grau da endometriose. Sim, eu já ouvi algo do tipo: “Nossa, mas a minha endo é muito pior do que a sua e eu não sinto essa dor que você sente”. Quando eu estava com o meu psicológico abalado ficava muito chateada quando escutava isso. Hoje, já não estou mais nem aí, sabe por quê? Quem fala isso é mais ignorante do que aqueles que ainda não acreditam em nós.

A dor da endo independe de grau e de onde ela está. Agora, se ela está próxima de alguma terminação nervosa, a dor é muito mais intensa. A dor pode ser a abdominal, a da dispareunia (durante as relações sexuais), na lombar, nas pernas e durante a evacuação e a urina. É importante lembrar que não são todas as portadoras que têm dores. Cerca de 30% das portadoras não sentem nenhuma dor. Eu queria muito estar entre essa pequena porcentagem. Por isso, digo: não deixem que as pessoas se intrometam na dor de cada uma de vocês. Certa vez, o meu médico disse que as minhas dores eram por conta do blog, acredita. É claro que eu não acreditei nisso. E falei isso pra ele. E, agora, que estou trabalhando, aliás, num trabalho que estou amando e feliz da vida de onde vêm as minhas dores? Juro que a última coisa que eu queria era sentir dor. A única coisa que peço a todos é respeitem a dor de cada uma. Porque elas não têm nada a ver com o grau da endometriose. Talvez, seja por isso que a doença ainda é tão enigmática para a medicina. Beijos com carinho!!

terça-feira, 7 de junho de 2011

UM OIZINHO!!!!!

Vocês leram o meu terceiro artigo no Muriaé na Web? Está muito bacana, vale à pena ler e mostrar ao companheiro, aos amigos, às amigas. Eu falo sobre a dispareunia. Esse é o meu primeiro artigo de muitos sobre o assunto que vou escrever lá. Afinal, essa foi à grande consequência da endo em minha vida. Foi por ela que fui parar na UNIFESP-EPM (Unversidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina), foi por ela que resolvi montar o blog, foi por ela que decidi lutar em prol das portadoras, foi por ela que eu levei tantos nãos do mercado de trabalho e foi ela o estopim da minha depressão profunda. Até então, eu nunca tinha escutado sobre isso. E olha que eu já havia me queixado da dor durante a relação sexual para outros ginecologistas, mas nada. Até hoje, quase dois anos após a primeira sessão de fisio, ainda sinto os efeitos desta drástica consequência em meu corpo. Os meus músclos ainda latejam sem eu nem me mexer. Posso estar sentada e até dormindo que lá estão eles pulando. É muito louco. Eu sei que cada um pensa de um jeito. Por isso, como disse o meu professor de ética na faculdade, nunca devemos julgar ninguém. A meu ver, a dor durante a relação sexual é a pior consequência da endo. Eu sei que a infertilidade para muitas, vem em primeiro lugar. Mas, como eu tenho uma cabeça mais aberta, sou super a favor da adoção. Portanto, eu não penso assim. Se eu não pudesse ter filhos e quissesse muito um, com certeza, eu adotaria. Sempre tive em minha mente que o pai e a mãe não são aqueles que fazem, ou seja, o biológico, mas sim, aquele que cria, que da amor, que ensina a pessoa a ser digna, a ter um bom caráter, uma boa índole. Apesar disso, eu entendo também aquelas mulheres que têm a opinião contrária. Hoje, praticando o espiritismo, eu sei que, até mesmo nas adoções, tudo vem do plano espiritual, assim como os biológicos. Tudo já está previamente traçado. Eu ia recomeçar a fisio amanhã, dia 08, mas vou esperar mais um pouco. Na verdade, eu quero e preciso muito de um trabalho. Portanto, estou torcendo para ser contratada na revista que estou frilando. Estou gostando muito de trabalhar lá, completamente diferente da minha outra experiência. Como tem uma vaga, estou torcendo muito para ser contratada e, como ontem, segunda-feira, dia 05, eu passei mal, não consegui ir à redação. Segunda-feira é o pior dia do fechamento. Por isso, preferi esperar para ver o que vai dar o trabalho e só depois continuar a fisio. Aos poucos, volto a ter minha a vida de volta. Mas, só pelo fato de que eu posso ter a minha vida e a minha profissão de volta, eu entro em êxtase total. Geralmente, não damos valores as pequenas coisas da vida, como ter o trabalho ou, até mesmo, ter as rédeas dela. Doente, você passa a depender de pessoas que não gostam de você. Eu nunca pensei que, um dia, eu iria à padaria e ficaria com vontade de comer um doce, mas eu não tinha o dinheiro para comprá-lo. Confesso que nesse dia, eu fiquei muito mal. Nossa! Depois de muitas lágrimas, que ainda derrubo, eu sei que nada é por acaso. Eu sofri muito e, ainda sofro com a endo, mas a minha endometriose me ensinou muito, entre elas, de que eu sou uma pessoa muito forte. Não só eu, mas todas nós, portadoras. Desde a minha cirurgia no dia 26 dejulho de 2010, eu passei a agradecer todos os dias o simples fato de estar viva. E, isso, era o que a minha amada vozinha, Dinah Salazar, fazia. Ao acordar, todos os dias, ela abria a janela e dizia: “Bom dia, sol. Obrigada Deus por mais um dia e obrigada por esse sol lindo.”. Jamais vou me esquecer deste exemplo de ser humano que eu tive nessa vida. Outra coisa que aprendi foi a confiar e areditar em Deus. Hoje, eu sei que Ele existe e, melhor do que existir, é saber que Ele olha por nós e que tudo o que acontece em nossa vida, inclusive, os momentos ruins é para nós tirarmos um aprendizado, uma grande lição. Hoje, sei que o trabalho é fundamental na minha vida. Não só pra livrar-me das minhas dívidas, que está em torno de 20 mil reais, mas até mesmo para recuperar a minha vida sexual. Beijos com carinho!!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

MAIS UM ARTIGO NO MURIÉ NA WEB!!

Confesso a vocês que estou morrendo de saudade de postar no blog, mas chego sempre exausta. O que posso dizer é que estou amando esse período de trabalho. Um trabalho gostoso, num ambiente mais gostoso ainda e com pessoas maravilhosas. Por ora, eu dei um tempo na fisio. Talvez, eu volte a fazê-la na próxima semana. Hoje, liguei para a Ana Paula, uma das fsios da UNIFESP, para ver se tinha um horário pela manhã, que encontrei e já reservei para a próxima semana. Mas preciso ver se irei conseguir conciliar o tratamento com o trabalho. A minha correria está tanta (graças a Deus) que quase não tive tempo de escrever o meu artigo mensal para o site mineiro Muriaé na Web. Confesso que deu um branco, mas a Ludmila Gusman, editora do site, fez o seu papel de lembrar-me. Nesse terceiro atigo, eu falo sobre a dispareunia. A meu ver, uma das piores consequências da endo, e o principal motivo que me fez engajar e difundir o assunto, criando o blog. Espero que curtam e comentem lá no site. Ah, hoje durante o lanche da tarde, conheci uma portadora de endo que trabalha na revista, mas em outro setor. Fabiana é mais uma guerreira que luta contra a endo. Ela contou-me um pouco de sua história. Difícil e triste como a de todas nós, mas ela não deixou se abater e seguiu em frente, mesmo com a sua vida desmoronando e um filho pequeno. Vou convidá-la a contar sua história aqui. Sei que estou devendo histórias de muitas leitoras no blog, mas estou tentando organizá-las para postar. Peço paciência que, em breve, voltarei com tudo. Afinal, parei até a fisio para trabalhar. Aos poucos, vou respondendo aos e-mails e comentários do blog. Só quero que saiba que jamais irei abandonar esse nosso cantinho tão especial. Ele é uma das razões da minha vida. No entanto, nesse exato momento, preciso recuperar a minha vida profissional e financeira, que foram interrompidas abruptamnete por quase dois anos, por conta da endo. Beijos com carinho!!

Artigo no Muriaé na Web:
http://www.muriaenaweb.com.br/dicas/?texto=1918

quinta-feira, 14 de abril de 2011

FUI PERSONAGEM NA MATÉRIA DE ENDO NOS JORNAIS METRONEWS E FOLHA METROPOLITANA!!

Ontem, quarta-feira, dia 13, eu fui personagem de uma matéria sobre a endometriose feita pela repórter Edilene Ribeiro, na Folha Metropolitana que circula na região Metropolitana de São Paulo, e no Metronews, veiculado nas estações de metrô da capital.

A matéria está bem bacana. Eu adorei!! Eu, particularmente, adoro ler o Metronews. Achei maravilhoso sair uma matéria de endo lá, que vai de acordo com a minha proposta: informar a população sobre a doença. Tem algo mais popular do que as saídas das estações de metrô? A Edilene enviou-me o PDF da matéria para colocar no blog, mas o meu computador não abre mais esse programa. Ele abria, mas aí levou um tombo, no meu ex-trabalho, e ficou meio louco, e eu não sei como colocar aqui. Enquanto isso, peguei o que saiu no site mesmo. Espero que vocês gostem.

Endometriose atinge até 10% das mulheres em idade fértil

Por Edilene Ribeiro

A endometriose – caracterizada pelo endométrio, tecido localizado dentro do útero, que se desprende durante a menstruação e que fora da cavidade uterina representa a doença – atinge até 10% das mulheres em idade fértil, e é encontrada com mais frequência em mulheres que estão entre 30 e 35 anos.

Segundo especialistas, não existe uma causa aparente para o surgimento da doença, no entanto, o estilo de vida da mulher moderna vem sendo apontado como o grande responsável pelo aumento de casos, que foi mostrado na novela ‘Insensato Coração’, da Rede Globo, pela personagem Carol Miranda, interpretada pela atriz Camila Pitanga.

“A tendência mundial é que a mulher se case e engravide mais tarde e tenha menos filhos. Em consequência desse comportamento, a mulher fica mais exposta aos ciclos menstruais, o que a torna mais suscetível à doença”, explicou o ginecologista da Clinica Gera, Aléssio Calil Mathias.

O problema é que 20% das mulheres não sabem que têm a doença por não apresentar nenhum sintoma. “A paciente que tem algum parente em primeiro grau com endometriose corre mais risco de desenvolver a doença, que começa na adolescência. Entretanto, o diagnóstico, geralmente, só é feito entre mulheres de 25 a 35 anos”, observou Mathias.

Entre as consequências da endometriose e sintomas estão a dismenorréia, uma cólica menstrual que muitas vezes ocorre de forma intensa, dores durante a relação sexual, fluxo menstrual irregular, dificuldade em engravidar e alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação. Segundo os médicos, essas cólicas menstruais que caracterizam a endometriose não melhoram com medicação, apresentam-se muito severas e requerem repouso. Já a dor, que acontece durante a relação sexual, em geral, aparece quando a penetração é profunda e tende a ser mais intensa no período pré-menstrual.

Apesar da razão do surgimento da doença não ter sido completamente esclarecida pela ciência, os médicos acreditam pelo conhecimento adquirido que a doença pode se instalar em algumas mulheres devido a algum distúrbio no sistema imunológico. Em geral, quando as células do endométrio se alojam em outras regiões do organismo feminino, o sistema imunológico entra em ação para que seja realizada a limpeza ou a eliminação dos focos de endométrio fora do útero. “Mas, por algum problema no sistema imunológico, esta ‘limpeza do organismo’ não acontece. Daí, as células se implantam nesses locais, sofrem a ação dos hormônios e acabam por desenvolver a endometriose”, explicou Mathias.

Endometriose X infertilidade

A relação entre a endometriose e a infertilidade feminina pode manifestar-se em alguns casos. “Pacientes em estágio mais avançado da doença e obstrução na tuba uterina têm um fator anatômico que justifica a infertilidade. Questões hormonais e imunológicas também podem ser a causa para mulheres com endometriose não engravidarem. Mas após o tratamento, parte das pacientes conseguem engravidar, principalmente as mulheres em que as tubas não tiverem sofrido obstrução”, esclarece a ginecologista do Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa, Emanuelli Alvarenga Silva.

Histórico clínico ajuda diagnóstico

O diagnóstico inicial da endometriose pode ser feito por meio do histórico clínico da paciente e dos sintomas característicos da doença. “Nesses casos, um exame ginecológico também pode ajudar. A avaliação física é igualmente essencial na investigação da doença. O exame do abdome pode revelar ao ginecologista se há aumento abdominal ou dores localizadas. Já o exame do colo do útero pode detectar a doença no colo e/ou na parede vaginal, enquanto o toque ginecológico avalia possíveis aumentos nos ovários, dores atrás do útero e eventuais nódulos dolorosos presentes na endometriose profunda”, detalhou o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias.

Dentre os exames complementares, que podem auxiliar a compor um diagnóstico preciso, destacam-se o ultra-som transvaginal especializado, que permite ao ginecologista obter imagens do útero, dos ovários e de lesões profundas causadas pela endometriose. A ressonância magnética e a videolaparoscopia, considerada por muitos o melhor método para diagnosticar a doença e para iniciar o tratamento, nos casos em que a cirurgia é indicada. “Uma das vantagens deste exame é que ele permite ao médico enxergar pequenos focos da doença, nem sempre perceptíveis nos outros exames”, explicou Mathias.

O uso de medicamentos é realizado nos casos mais brandos da doença, em mulheres que não desejam engravidar. É feito com a indicação do uso de anticoncepcionais orais ou injetáveis. “Outros medicamentos utilizados são os que paralisam as funções dos ovários e, com isso, diminuem a produção do hormônio estrógeno. Assim, quanto menor a concentração desse hormônio, menor o risco de a doença progredir”, explicou o médico.

Em alguns casos, após o tratamento ou retirada das lesões, há possibilidades de a doença voltar, já que ela está ligada ao retorno da função menstrual. “É necessário o bloqueio da menstruação para que a paciente se recupere”, esclareceu a ginecologista do Hospital Beneficência Portuguesa, Emanuelli Alvarenga Silva.

“A doença vai além do risco de não poder engravidar”


A jornalista Caroline Salazar, 32 anos, descobriu em 2009 ser portadora da endometriose. Mas antes de receber o diagnóstico, ela passou por experiências que mostram um histórico doloroso. Desde os 13 anos sofria com dores abdominais, lombares e cólicas, enfrentou uma apendicite e, com 15 anos, precisou retirar um cisto do ovário. “Até saber que tinha endometriose fiz vários exames, tomei injeções de morfina, pedi demissão do meu emprego porque não suportava ficar sentada de tanta dor e tive muitas cólicas, independente do período menstrual”, contou. Além disso, era comum sentir dores durante a relação sexual, um dos sintomas da endometriose, chamado de dispareunia.

Foi quando o namorado de Caroline esteve em uma palestra sobre endometriose que a ficha caiu. “Ele me ligou dizendo que todos os sintomas batiam e fui atrás de um ginecologista para fazer a ressonância magnética, exame que identifica a doença. O primeiro médico disse que eu não tinha nada. O segundo confirmou a doença.”

Caroline conta que o risco de não poder engravidar não a afligiu. “Ainda não está nos meus planos ter filhos e o tipo de minha endometriose não prejudicou a minha fertilidade. Mas as consequências vão além do risco de não poder engravidar. Ela impede que a mulher tenha relação sexual saudável por conta das dores, o que pode acabar com o casamento, a libido e até a autoestima. Deixei de trabalhar e tive depressão.”

Disposta a dar novo rumo à vida e à carreira, a jornalista criou o blog ‘A Endometriose e Eu’ (http://aendometrioseeeu.blogspot.com), com a intenção de dividir suas experiências.

terça-feira, 12 de abril de 2011

QUERO DAR PALESTRAS PARA DIFUNDIR A DISPAREUNIA E A ENDOMETRIOSE!!!

Escrevo este post para reforçar o meu engajamento em prol das portadoras de endometriose. Não é fácil ter uma doença tão enigmática. Infelizmente, a endo não vem sozinha. Junto com ela, outras doenças também surgem, como a depressão. Como a maioria das mulheres não tem o apoio da família e, nem do parceiro, ou tem de um, não do outro e, muitas vezes, de nenhum dos dois, a depressão vem em um piscar de olhos. Acho que não existe nenhuma portadora que não teve, pelo menos, um pouquinho de depressão. A minha foi bem braba, viu.... hahaha

Nos piores momentos, quem me deu ajuda psicológica foi o meu namorado e o centro espírita que frequento. Coitado do meu namorado!! Se fosse eu no lugar dele, eu não teria aguentado. Na fase mais depressiva da minha vida, eu só pensava em morrer. Digo isso sem vergonha. Não temos que ter vergonha de expor algo tão perigoso, que pode tirar a nossa vida. Mas, graças a Deus, eu tenho um Pai Superior muito grande e um Anjo da Guarda muito forte.

Por conta do meu engajamento no tema, eu devo começar em breve um tratamento com um psicoterapeuta. Em comparação há um ano, eu estou superbem, mas terapia faz bem para todas as pessoas e, em especial, para a mulher com endo. Nós precisamos muito. Antes, eu vivia chorando. Eu não conseguia falar nada, principalmente, sobre a doença sem chorar. Ah, eu também faço um tratamento espiritual com a minha querida Lia, outra portadora de endo, uma pessoa que sofreu muito, mil vezes mais do que eu. Outro dia, ela mesma falou: “Carol, que coisa boa. Você já não fala mais chorando. Continua falando vai”. Eu fiquei feliz!! Eu estou conhecendo muitas histórias de sofrimento. Portanto, os médicos me recomendaram a psicoterapia.

Outra consequência da endo que eu quero difundir, até mais do que a depressão, é a dispareunia. Gente é horrível ter a tal da dor durante a relação sexual. Primeiro, porque a dor não vem assim, digamos, do dia para a noite. Aos poucos, a mulher vai perdendo a libido. Por mais que ela ame o seu parceiro, sem a libido, não temos vontade de fazer sexo e nem nada. A mulher que não tem um companheiro bacana, ela pira viu. Eu tive muita sorte. Eu tenho um namorado maravilhoso, mas mesmo assim, eu pirei. Pirei porque eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Aos poucos, eu fui descobrindo o quanto a endo é perigosa. Mas digo, a dispareunia tem tratamento e, é isso que quero informar também. O tratamento é a massagem uroginecológica. Delicadamente, as fisioterapeutas dissolvem os nódulos de tensão da nossa vagina, com os dedos. É como se os ombros estivessem tensos, cheios de nódulos.

Ninguém gosta de ficar assexuada, não é. Por isso, quero me engajar não só com a questão da endometriose, mas também a da dispareunia. Foi meio que, por ela, que criei o blog. O meu sofrimento ficou com as dores da endo – na lombar, no abdômen, nas pernas -, mas sofri muito por conta da dispareunia. A pior coisa é você não saber o que está acontecendo com o seu corpo. Quero informar não só as mulheres, mas também os seus parceiros. Se algum parceiro de uma endomulher ler este post, peço para ter muito carinho, muita paciência e compreensão. Eu digo que não é fácil, principalmente, para você, parceiro. Mas a doença é como uma loucura, que pensamos não ter fim. Eu penso também em dar palestras nas escolas, para que a informação seja difundida, desde cedo e, assim, ensinar pessoas que farão um futuro melhor. Até porque a endo já é chamada de a doença da mulher moderna.

Na UNIFESP, descobri que a dispareunia é mais comum do que a endometriose. Então, imagina quantas pessoas não estão sofrendo e, muitas vezes, em silêncio. A questão é séria. Sem o apoio da família e do parceiro a mulher fica, de fato, louca podendo até tirar a sua própria vida. Mesmo no auge da minha depressão, mesmo sempre falando que queria morrer, eu nunca tive coragem de fazer absolutamente nada, contra a minha vida. Por muitas vezes, eu me sentia covarde, mas eu sempre tive FÉ, que o meu sofrimento teria um fim e, que dias melhores viriam. Outro motivo, pelo qual eu nunca tive coragem de tirar a minha própria vida, é por saber que, cometendo o suicídio, eu não teria paz e jamais encontraria com a minha amada vozinha, Dinah Salazar, a principal razão do meu viver.

Era ela a pessoa que eu mais queria ao meu lado. Mas, em muitos momentos, eu sei que ela sempre esteve ao meu ladinho, pedindo e me dando forças para eu continuar na luta, não só por mim, mas por todas as portadoras do Brasil e do mundo. Até porque, em um de seus últimos recados a mim, que guardo com muito carinho, ela escreveu: “Cultiva sempre em seu coração a bondade e a generosidade, sentimentos que enobrecem as grandes almas e, Deus, estará sempre ao seu lado". Ela é o exemplo de mulher que quero ser.

Para entrar em contato comigo para palestras e apoio é só escrever para carolinesalazar7@gmail.com Amanhã, quarta-feira, dia 13, eu e o A Endometriose e Eu seremos notícias no jornal Metronews e na Folha Metropolitana, de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. A repórter Edilene ligou hoje e fez uma entrevista bem bacana comigo. Esperem que gostem!! Beijos com carinho!!

domingo, 10 de abril de 2011

SESSÃO DE ACUPUNTURA E A CHEGADA DO FRIO DO OUTONO!!

Na última quinta-feira, dia 7, tive mais uma sessão de acupuntura, na ABA –Associação Brasileira de Acupuntura. Nesse dia, eu conheci a professora Fernanda, que se interessou muito pelo meu caso, quando falei ser portadora de endometriose.

Antes de nos atenderem, os alunos sempre fazem uma pré-avaliação para saberem como passamos da última sessão até o dia da próxima. Por conta da endo, da dispareunia e das tensões musculares, Fernanda pediu para colocar mais agulhas em meu corpo. Durante o tratamento, ficamos sozinhas em uma sala, com a luz apagada e relaxando. Mas, dessa vez, Fernanda foi lá falar comigo.

Após fazer um questionário oral, ela começou a explicar a relação da endo com os chacras. Gente, eu fiquei passada! Fernanda explicou-me sobre todos os chacras, as ligações com o nosso corpo e, consequentemente, com a endo.

Ela se interessou muito pelo blog. Até a convidei para escrever sobre isso aqui. Toda informação é de grande valia para nós. Vamos torcer para ela aceitar o convite.

Eu amo o frio, aliás, o inverno é a estação a qual mais gosto. As pessoas estão sempre cheirosas, bem arrumadas, chiques! Eu adoro!! Eu não gosto do calor, de suar o tempo inteiro. Ainda mais depois do Zoladex, quando induzi a menopusa, em março de 2010, a minha vida nunca mais foi a mesma. Porém, o frio faz muito mal para nós, portadoras de endo. Eu já percebi que, quando o meu pé fica com frio, a minha dor vem. Alguém já percebeu isso?? Beijos com carinho!!

sábado, 19 de março de 2011

VOLTA DA LIBIDO E AVALIAÇÃO DE FISIOTERAPIA NA UNIFESP!!

Desculpa pelo meu sumiço, mas eu estava correndo com algumas coisas. Em breve, terei mais uma grande novidade para contar. Na quarta-feira, dia 16, voltei a UNIFESP para a minha avaliação de fisioterapia. Desde outubro de 2009, eu estou lá para tratar a minha dispareunia. Daí percebe-se o quanto eu estava debilitada. Na verdade, a avaliação foi apenas uma conversa para preenchimento da minha ficha. Para continuar o tratamento, preciso fazer alguns exames que o Dr. Hélio pediu, para confirmar se as minhas dores são apenas musculares mesmo, ou se a endo voltou. Se for só muscular, começo o tratamento na fisio de osteomuscular que mistura exercícios de alongamento, RPG e cinesioterapia. Mas, o mais importante é a normalização da minha libido. Como nada é perfeito, só é uma pena o meu namorado não morar mais em Sampa, pelo menos por ora. Mas tudo bem, não tem problema. O importante é que depois de muito, mas muito tempo mesmo, não me sinto mais como uma pessoa assexuada. Posso dizer que rolou uma vez e, que, foi muito bom. Fazer sexo é bom sim, mas desde que seja com prazer. Porém, quem tem a dispareunia, infelizmente, não consegue ter um pingo de prazer. Porque dói muito, muito mesmo. Dá até um trauma. Lá na UNIFESP até acharam que eu estava com um bloqueio psicológico, o que pode acontecer, viu gente. Porque a dor é muito intensa, é uma das mais incapacitantes que existe. Infelizmente não são todos os parceiros que entendem. É uma pena! Por isso, se algum companheiro de uma mulher com endometriose ler este post, peço a ele para ter muita compreensão, respeitar e ter muito carinho por suas mulheres. A endo é cruel justamente por ‘matar’ a mulher que existe dentro de nós. Não temos prazer, não temos vontade nenhuma de fazer sexo. Essa é a grande verdade! Não foi a mulher que mudou de uma hora pra outra. Isto é uma das consequências e, a meu ver, uma das mais graves que a endometriose nos traz, pois, caso a mulher não tenha um parceiro com uma cabeça legal, ela vai ainda mais pro fundo do poço. Daí muitas tentam até o suicídio. Graças a Deus, eu tive esta sorte. O meu namorado nunca me cobrou nada, mesmo antes de nós sabermos que eu estava doente. Com a dispareunia, o orgasmo não vem com prazer, mas sim, com muita, mas muita dor. Além de ter uma cabeça legal, a compreensão e ajuda do companheiro é fundamental para a recuperação de nós, mulheres. Com muito amor e carinho voltaremos a ter a nossa vida de volta, em todos os sentidos! Beijos com carinho!!

sexta-feira, 4 de março de 2011

PASSO A SER COLUNISTA MENSAL DO SITE MINEIRO MURIAÉ NA WEB

A partir de agora, passo a assinar uma coluna mensal no site mineiro Muriaé na Web. Agradeço imensamente à editora do site, Ludmila Gusman, pelo convite. Por conta de Insensato Coração, ela começou a pesquisar o assunto na internet, e chegou até o A Endometriose e Eu. Agradeço também a todos que acessam e fazem parte do blog. Informar é muito importante. Eu sei e, inclusive, enviei e-mail ao Ricardo Linhares, um dos autores da novela global das nove, falando que a doença é muito mais grave do que se mostra. Ele respondeu dizendo que ficou impressionado com tudo o que descobriu, mas que as cenas já estavam todas gravadas. Portanto, sem chance de mudá-las. O folhetim não mostrou a realidade de muitas mulheres. A maioria das portadoras tem a sua vida destruída, devastada pela doença. As dores são muito fortes, como disse o Dr. Namir Cavalli, no programa Medicina & Saúde, da minha querida Soraia David, são incapacitantes. Perdemos tudo: trabalho, namorado/ marido, vida social, vida sexual, enfim, tudo o que temos e toda a nossa qualidade de vida! Porém, ainda existe um pequeno percentual, daquelas que não sente nenhuma dor. Essas só descobrem a doença quando querem engravidar, e como não conseguem, descobrem que são inférteis. Aprendi na minha primeira aula de Ética, com o extraordinário jornalista João Wady Cury, que, a partir daquele momento, como jornalistas e ser humano nunca poderiam julgar ninguém. Por isso, mesmo sabendo que novela é uma ficção, só agradeço por terem mencionado a doença. Foi por ela que recebi o convite de ser colunista e, a partir de agora, informar mais pessoas. Não julgo nem os ginecologistas que não conhecem a doença. Mas isso é ainda mais grave. Eu passei por um, mas a Hosana Santana passou por várias. Conheci a querida Maria Helena Nogueira, portadora de endometriose há 25 anos. Lia como é conhecida, é autora do livro O Sequestro de uma Vida – Endometriose, Dor crônica, Perseverança e Fé. Gente é impressionante como ela sofreu. Por conta da endometriose severa, de grau IV e dos fortes remédios que toma há tempos, a morfina é um deles, ela não tem pulsação no quadril. Por isso, quase não anda. Usa cadeira de rodas e toma morfina a cada quatro horas. Vale muito à pena ler! É uma lição de vida e Fé. Falei a ela, que não aguentaria metade do que ela passou. Ainda bem que ela sempre teve anjos em sua vida e, seus filhos, são alguns deles. Insensato Coração abre a primeira porta, mencionando uma doença, raramente falada e que os especialistas sabem muito pouco. Ainda é considerada como enigmática! Até para a medicina é um enigma. Vamos torcer para que outros autores passem a retratar o tema, mostrando outras consequências da doença. E, que a medicina em breve, descubra a cura! Portanto é o que eu falo: vamos fazer a diferença!! Se você conhecer alguma mulher com cólicas muito fortes, passe a informação. A partir de agora, não esquecam de acessar: www.muriaenaweb.com.br Beijos com carinho!!!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ENDOMETRIOSE EM INSENSATO CORAÇÃO, NOVELA GLOBAL DAS 9!!!

Na última semana, recebi um e-mail da minha querida leitora Sirlene com o assunto: Endometriose na novela da Globo. Rapidamente, abri-o e dei de cara com uma matéria de um jornal carioca, datada em 15 de janeiro. Mas, para minha desilusão e, tenho certeza, para a de muitas portadoras de endometriose, o folhetim vai tratar apenas daquilo que já se conhece sobre o tema: a infertilidade. Eu não tenho tempo de assistir novelas e, para ser sincero, após estudar jornalismo, onde eu tive algumas aulas só sobre esse tema, eu não assisto mais a elas com o mesmo olhar da antiga espectadora. Corri para ver se eu tinha o e-mail de alguns dos autores, mas sem sucesso. Aí, recorri à minha superamiga Marina. Ela tinha apenas o do Ricardo Linhares, que garantiu ser supersimpático. Imediatamente escrevi para ele. Em primeiro lugar, agradeci por serem os primeiros autores a falarem sobre esse drama que afeta, hoje, de 10 a 15 milhões de brasileiras. Depois, contei um pouco do meu caso, da minha endometriose, da minha cirurgia, da dispareunia e, principalmente, sobre a minha fisioterapia, a uroginecológica. De fato, Ricardo é supersimpático e atencioso! Enviei na madrugada e, no dia seguinte, quando acordei, já tinha a resposta dele na minha caixa de entrada. Ele ficou chocado com o meu caso, disse que o meu depoimento é impressionante e, que não tinha noção de tudo isso. Falou também que o caso da Carol (personagem de Camila Pitanga) foi inspirado no de uma conhecida deles, que, no caso dela, a doença ‘regrediu’e, que, por isso, ela conseguiu e engravidar. Expliquei a ele que a doença é progressiva, por isso é impossível ela regredir. Ricardo disse ainda que, se tivesse conhecido o meu caso antes, poderia servir de inspiração para enriquecer a trama e também para alertar às mulheres de como a doença é cruel. Mas, como as cenas já foram escritas e gravadas há algum tempo, não tem como mudar. Uma pena! Prontamete, respondi-o agradecendo por tudo e falei que, se eles usarem a gravidez como um tipo de ‘tratamento’ está certo, mas se usarem como ‘cura’ para a endo está errado, pois, infelizmente a doença ainda não tem cura. Queria eu dizer aqui, que a endo tem cura, mas não, não tem. Pelo menos por ora! Mesmo assim, eu já estava com a ideia e, com um e-mail pronto para enviar a outro autor, que eu conheci em 2009. Ainda não vou falar qual é, mas depois dele, tenho outra lista de autores para tentar. Essa é a primeira vez que alguém trata do tema e, quem sabe, não é uma porta que precisávamos para outros autores passarem a falar sobre a endometriose também. Vamos acompanhar Insensato Coração e ver como ficará a endometriose da Carol. A verdade é que nem os próprios ginecologistas conheceme acreditam na doença. Por isso, não podemos julgar ninguém, pela falta de conhecimento. O que falta mesmo, para que todos tenham noção do quanto ela é perigosa, é informação e uma campanha esclarecedora. Mas também, falta a boa vontade, por parte das pessoas em querer ouvirem e entender a complexidade da endometriose. Beijos com carinho!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

RETORNO À FISIOTERAPIA NA UNIFESP!!

Na quarta-feira, dia 11, voltei à fisioterapia na UNIFESP. Meu Deus, já estou lá há um ano e três meses. E, o pior, ainda continuo com tensão muscular no meu assoalho pélvico. Como ainda não chegou a nova turma (nossa, já vou pegar a quarta!) são as coordenadoras que fazem este papel. Agora, além da Ana Paula Bispo e da Chris (não lembro o sobrenome) tive mais uma companhia, a da Cris, acupunturista e professora da ABA que faz mestrado em dispareunia na UNIFESP. Na verdade, eu já conhecia a Cris. Foi ela quem me chamou para fazer acupuntura gratuita na ABA, duas vezes ao mês. Agora, Cris também faz a massagem perineal e os alongamentos. Cheguei com dor. Aí, Cris me colocou naquela bola de pilates para eu relaxar. Mesmo assim não adiantou muita coisa. Além da dor pulsante que sinto no lado esquerdo da barriga, ando com uma terrível em toda a lombar. A mesma dor que sentia em 1998, quando tive que sair de um trabalho, porque eu trabalhava sentada, e eu mal podia sentar. Deve ser a ‘bichina’ de novo. Tive muito estresse em dezembro e, tenho certeza que a endometriose voltou. Ao fim da sessão, Chris disse que o meu caso é sim, um pouco sério. Faz muito tempo que estou lá, já era para eu ter melhorado. Ela vai dar o prazo de um mês, se a minha dispareunia não melhorar, ela terá uma reunião com os médicos para saber o que há de errado. Neste tempo, ela vai me encaminhar para a psicóloga da UNIFESP. É, realmente, não é brinquedo não ser portadora de endometriose. Infelizmente, só quem tem para saber e sentir como é. Como a endometriose, a dispareunia também é desconhecida da maioria das mulheres. Porém, ela é muito mais frequente do que a endo. Graças à dispareunia, eu conheci pessoas maravilhosas: as fisioterapeutas da UNIFESP. Agradeço todos os dias a Deus por elas existirem e por Ele ter dado este dom a elas. São mãos abençoadas que fazem a diferença. Obrigada a todas que já me trataram: Ana Paula, Chris, Thais, Ana Carolina, Laise e Aline. Obrigada por existirem!! Beijos com carinho!!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A HISTÓRIA DA LEITORA BETH GOMES DE LIMA E SUA ENDOMETRIOSE!!!

Depois da história da Sirlene Moraes, agora é a vez da minha querida leitora Elizabeth Gomes de Lima, de 31 anos, que mora em Guarulhos, na Grande São Paulo, contar como é a sua vida com a endometriose.

“Em janeiro de 2010 fiz uma ultrassonografia e apareceu um teratoma (tumor cístico preenchido por cabelos e materiais sebáceos e pode ser benigno e maligno), no meu ovário esquerdo. Tomei vários remédios para o cisto diminuir ou desaparecer, mas nada. Também fiz exames de sangue de dosagem hormonal, o CA 125, e nenhum deu a endometriose. Foi uma luta, pois a médica que passo há anos não faz a cirurgia por videolaparoscopia. Com isso ela indicou para eu passar no Nipo-Brasileiro, mas o hospital não atendia o meu convênio. Comecei, então, a passar em vários médicos. Alguns faziam a vídeo, mas nunca casava o hospital com o médico e plano. Com isso o cisto aumentou e as dores também. Eu já não conseguia ter relações sexuais com meu o meu marido e, ir ao banheiro e fazer o intestino fucionar era um sofrimento! Sempre fui muito ressecada e, com o cisto, a coisa piorou e sentia cólicas horríveis, mas nunca reclamei e acho que me acostumei com as dores. Afinal, as pessoas não são muito compreensivas quando falamos que estamos com cólica, acham que é frescura de mulher. Depois de muito procurar passei no Hospital San Paolo com um especialista em vídeo. Com esse médico eu senti segurança, afinal de contas, depois que descobri que a minha médica não poderia me operar, a minha insegurança aumentou muito. Mas com esse médico senti-me bem e, o mais importante, ele passou a segurança de que eu precisava. Já na consulta ele pediu os exames pré-operatórios, pois nos casos de teratoma, o qual fui diagnosticado, o prodecimento é cirurgico, mesmo. Não tem outra coisa a fazer. Durante este processo, o meu esposo foi mandado embora e, o meu convênio era pela empresa que ele trabalhava. Quase surtei e isso já era dia 09 de junho. Corri para fazer tudo antes da homologação e, por conta disso, a cirugia foi já no dia 30. Horas antes da cirurgia bateu um medo, pois o cisto estava grande e eu corria o risco de perder o ovário esquerdo. A certeza de ser portadora de endometriose veio depois da vídeo, no período da tarde. Dr. Guiliano me informou que eu já estava com focos no peritônio e com aderências. O meu intestino estava colado ao ovário esquerdo que, graças a Deus, foi preservado. O teratoma, na verdade, era um endometrioma (endometriose nos ovários) e confesso que fiquei assustada, pois ao contrário de muitos, eu já sabia da doença e tudo o que ela poderia causar com a mulher. Depois da conversa no consultório, veio a decisão de que não posso engravidar agora. Financeiramente ainda não é possivel e o sonho de ter um filho foi adiado, pois além da vontade de ser, mãe não podemos tapar os olhos e achar que não há gastos. Estou terminando a minha casa e depois de tanta informação, eu já teria que começar a tentar a engravidar. Mas, nas tentativas por conta da menstruação, corro o risco de ter novos focos. Aí, não dá para correr esse risco, pelo menos agora. Depois do resultado da biópsia confirmando a endometriose, dei entrada no Posto de Saúde para pegar o Zoladex 10,8 mg. Nem mesmo com cirurgia e o cisto, a minha menstruação atrasou, acredita. Veio no dia certinho 21 de julho e, no dia 23, dei entrada no remédio. No mês seguinte, quando fui buscar o remédio, fiquei menstruada de novo. Estou com medo de ter novos focos e muito angustiada com esse remédio e com todos os efeitos colaterais que ele pode causar. Entre eles, o de não conseguir engravidar depois, de que tudo isso estrague a minha vida conjugal. O meu marido é dez, uma pessoa maravilhosa, mas também não dá para conviver com tantos problemas de uma vez só, né. Apliquei o Zoladex dia 25 de agosto, uma quarta-feira. Nos primeiros dias fiquei normal e não tive dores. Mas, em 15 dias, veio novo sangramento, que segundo a bula é normal. Os efeitos colaterais não demoraram muito para aparecerem. Tive muita enxaqueca e insônia. Também tenho muito calor, mas muito mesmo, é uma coisa de doido. Ainda não voltei a ter a minha vida de mulher com o meu marido. Ter relações sexuais é raro, pois além da dispareunia (dor forte durante o ato sexual), o ressecamento é horrível. Receitaram-me um creme vaginal, o Ovestrion, que tira um pouco o ressecamento, mas ainda não é suficiente. Após a aplicação do Zoladex voltei ao médico e, de acordo com o ultrassom, o meu ovário esquerdo está normal, sem focos e com o tamanho reduzido, que segundo o doutor é normal. Agora, só não sei quando vou começar a tentar realizar o sonho da maternidade. Mas quero começar ainda em 2011. O meu marido voltou a trabalhar e, com isso, posso continuar as obras para terminar a minha casa. Sou casada há quatro anos e quem mais me ajudou a enfrentar a doença foi o Marcos, o meu amado esposo. Mas sempre achamos que era uma simples cólica, embora eu sempre tivesse medo da endometriose. Tenho total apoio dele, que é supercalmo e tranquilo, ao contrário de mim que sou superagitada, estressada e muito perfeccionista. Antes da cirurgia, eu tinha dores fortes durante as relações sexuais. Após a cirurgia, tentamos e senti um pouco de dor, não muito forte, mas uma dor mais concentrada no lado esquerdo. O meu esposo tem sido um parceiro compreensivo e está sempre ao meu lado. Aliás, agradeço todos os dias a Deus por ter colocado Marcos em minha vida. Já a minha família não tem muito conhecimento sobre a doença, mas nunca me julgou e sempre entendeu as minhas dores e me apoiou. Sempre sofri com cólicas horríveis, mas achava que era do período menstrual. Com o tempo, a cólica foi ficando mais intensa. Eu sempre fazia exames, mas nada especifico que fosse a fundo ao problema. Suspeito que tenho endometriose desde os meus 19 anos. O meu primeiro diagnóstico foi errado. Ao invés do teratoma, eu tive um endometrioma (endometriose nos ovários). Confesso que, a única coisa que tenho medo, depois da cirurgia e do Zoladex é continuar com as dores. Só quem sente sabe como é. Tenho FÉ que Deus está ao meu lado, me dando força e conforto para superar o que tiver que ser. Outra coisa importante e que tem me ajudado muito é buscar conhecimento e amizade de quem tem o mesmo problema e saber que somos solidários com quem precisa e com quem está no mesmo barco que o meu! Em fevereiro voltou ao médico para fazer novos exames. Sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer, pois a endometriose ainda não tem cura, mas com FÉ e o amor do meu marido sei que estou no caminho e tratamento certos.“

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

RETORNO AO DR° HÉLIO SATO, NO NIPO!!

Sumi do blog, mas foi por uma boa causa. Tenho trabalhado muito... Graças a Deus! No dia 04 foi o meu retorno no dr. Hélio Sato, no Nipo-Brasileiro. Este foi, de fato, o meu primeiro retorno após a cirurgia. O tratamento consistiu em tomar 3 cartelas do anticoncepcional Level, ou seja, 63 comprimidos, dar uma pausa de sete dias, e com isso, a minha primeira menstruação desde fevereiro de 2009. Confesso que fiquei um pouco apreensiva quando pensei na possibilidade de todas aquelas dores voltarem. Nem sabia mais o que era absorvente. Conviver todos esses dias com isso em mente... Nem pensar! Alguns dias depois nem lembrava mais sobre o assunto. Fim de outubro, semana que deveria ter vindo a menstruação e nada! Fiquei muito ansiosa e apreensiva. Quando contei ao dr. Hélio, a primeira possibilidade que ele pensou foi numa gravidez. Aí eu disse: “Imagina, só se for do Espírito Santo”, disse, rindo. Aí falei que não ando muito bem da dispareunia e que não tenho libido, nada, nada. Ele ficou um pouco preocupado. Falou também que, antes de fazer com que minhas dores melhorassem – hoje, bem menos, mas cada vez mais forte -, ele está mais empenhado em resgatar o meu prazer. Pediu um monte de exames para ver como estão os meus hormônios. Vou fazer e voltar lá. Como a menstruação não veio, continuei tomando o Level. A segunda semana do mês foi pauleira. Além da assessoria, comecei a frilar para uma revista. As pautas, geralmente, são a noite. Estou feliz a vida! Nem importo de dormir pouco. A sexta-feira, dia 12, foi um dia estressante. A noite, eu já sentia um cansaço enorme. Sábado foi meio esquisito. Eu estava estranha. No domingo, a dor veio que veio e, claro, a menstruação também. Fiquei de cama, tomei alguns remédios. Eu precisava melhorar. Na segunda, o meu dia começava bem cedo, às 5 da manhã, pois às 6h30, tinha de estar na Represa Billings. O trabalho só parou no meio da tarde. Nossa, a essa altura, o meu corpo estava todo dolorido. Meus pés e minha barriga doíam muito. Mas, como dizem por aí....menos mal! Agora, vou fazer os exames e voltar ao dr° Hélio. Prometo não sumir! Beijos com carinho!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A DISPAREUNIA 3!!

Nossa, faz tanto tempo que quero escrever este post. Duas semanas após a minha cirurgia, realizada no dia 26 de julho, fui liberada pelo Dr. Hélio Sato para voltar à fisioterapia. Agora, quem me atende é a Aline, que, aliás, já está seguindo o blog. As sessões não têm mistério. Já acostumei. É a tal da massagem perineal. Aline é delicada e atenciosa. Parabenizo, mais uma vez, a equipe de fisioterapia da UNIFESP de endometriose. É maravilhosa!! No fim de outubro, faz um ano que estou lá. Até brinquei com as meninas: “Acho que mereço um bolo para comemorar o meu primeiro aniversário aqui”. Já passei por várias profissionais. Elas são sempre muito atenciosas e gentis. Confesso que, no começo, quando soube que trocaria as fisioterapeutas fiquei um pouco preocupada e, pensei que ficaria também com um pouco de vergonha, sei lá, algo do tipo. Mas, elas nos fazem tão bem, não importa quem trata. O importante é que todas aquelas mãos abençoadas que fazem delicadamente a massagem perineal agem com o coração e, principalmente, com amor. A minha primeira sessão após a cirurgia foi ótima. Nossa, foi impressionante ver como a cirurgia foi benéfica para a melhora da minha dispareunia. Eu não acreditei, até parecia um sonho. O lado esquerdo, que era completamente dolorido, teve uma ótima evolução. Fiquei tão feliz!! Mas, infelizmente, depois de algumas semanas sinto que a melhora estagnou. Não está evoluindo mais. E, quase todos os dias, eu tenho dor. Não é aqueeeelaaaa dor que eu sentia antes, agora eu tiro de letra, mas é aquela dor latente chata, que faz questão de nos lembrar: “olha eu estou aqui viu”rsrss. Tenho FÉ que em breve estarei melhor. Por conta de alguns problemas da vida, até o lado direito agora deu para piorar. O meu namorado ainda não voltou a fazer a massagem. Aliás, vou ver se ele começa neste fim de semana. Quem sabe aí melhora um pouco mais. Já tentei ter relação sexual, mas, como a minha dispareunia está agora no intróito (entrada da vagina) ainda dói. Dói muuiiito na entrada e também um pouco no fundo. Ah, e a minha libido ainda não melhorou. Ainda não tenho vontade de transar. É muito esquisito, mas ainda bem que tenho um grande homem ao meu lado. Que realmente me ama e entende. Obrigada amor, sempre!! Ainda continuo na fisio semanalmente. É um compromisso muito sério. E, infelizmente, só quem tem endometriose sabe o que é ter esta terrível doença. Não é fácil. Aproveito o post para agradecer o meu amigo Lu, que ao abrir a sua assessoria de imprensa, já sabendo do meu caso e do meu tratamento, deu-me a oportunidade de trabalhar novamente. Fiquei quase um ano sem trabalhar. Foi uma barra! Muito difícil. A endometriose mostrou que tenho múltiplas capacidades e, por conta dela, mudei de área. Não sou mais repórter. Ser repórter era o que seu sempre quis, mas Deus não quis. Na verdade, o meu sonho era ser repórter de TV, mas infelizmente, por não ter QI´s (o tal quem indica), eu não consegui. Agora estou em assessoria de imprensa, outra área do jornalismo, onde terei beeeem menos estresse. Até porque, ele é bem educado e respeita muito o próximo. É superinteligente e estou aprendendo muito. E adorando!!! Confesso que jamais passou pela minha cabeça ser assessora de imprensa. Mas estou amando esta nova vida, sem editor estressado, xingando vc, pedindo mil notas e tendo chiliques. Ah, e o melhor é não ter que varar a madrugada na redação fechando matérias. Não tenho hora para entrar. Tenho que fazer o trabalho e, olha, estou me saindo muito bem. Descobri que competência eu tenho e, de sobra! Preciso dormir para acordar cedo. Agora eu trabalho!! Ah, quero agradecer à Aline, a fisioterapeuta que me trata, por já fazer parte do blog. Ajude-me a divulgá-lo. Beijos com carinho!