Na última quinta-feira, dia 7, tive mais uma sessão de acupuntura, na ABA –Associação Brasileira de Acupuntura. Nesse dia, eu conheci a professora Fernanda, que se interessou muito pelo meu caso, quando falei ser portadora de endometriose.
Antes de nos atenderem, os alunos sempre fazem uma pré-avaliação para saberem como passamos da última sessão até o dia da próxima. Por conta da endo, da dispareunia e das tensões musculares, Fernanda pediu para colocar mais agulhas em meu corpo. Durante o tratamento, ficamos sozinhas em uma sala, com a luz apagada e relaxando. Mas, dessa vez, Fernanda foi lá falar comigo.
Após fazer um questionário oral, ela começou a explicar a relação da endo com os chacras. Gente, eu fiquei passada! Fernanda explicou-me sobre todos os chacras, as ligações com o nosso corpo e, consequentemente, com a endo.
Ela se interessou muito pelo blog. Até a convidei para escrever sobre isso aqui. Toda informação é de grande valia para nós. Vamos torcer para ela aceitar o convite.
Eu amo o frio, aliás, o inverno é a estação a qual mais gosto. As pessoas estão sempre cheirosas, bem arrumadas, chiques! Eu adoro!! Eu não gosto do calor, de suar o tempo inteiro. Ainda mais depois do Zoladex, quando induzi a menopusa, em março de 2010, a minha vida nunca mais foi a mesma. Porém, o frio faz muito mal para nós, portadoras de endo. Eu já percebi que, quando o meu pé fica com frio, a minha dor vem. Alguém já percebeu isso?? Beijos com carinho!!
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domingo, 10 de abril de 2011
SESSÃO DE ACUPUNTURA E A CHEGADA DO FRIO DO OUTONO!!
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A Endometriose e Eu
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22:18
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
EM RECUPERAÇÃO!!
Terça-feira, dia 03, retornei ao consultório do Dr. Hélio Sato. Como o Marcão estava trabalhando, o meu grande amigo, Marcelo Schainer, daqueles amigos que deve ter sido meu irmão em alguma outra existência e, que, graças a Deus, o reconhecei na faculdade. Como dizia o poeta e compositor Vinícius de Moraes:" A gente não faz amigos, reconhece-os", levou-me até o Nipo-Brasileiro. Como era encaixe esperamos por quase 2 horas. Quando Dr. Hélio me viu, logo perguntou: “Está tudo bem com vc?”. “Nossa, está sim. Estou até me sentindo mais leve”. “Você estava, e pelo visto, sentia muita dor. Você tinha muitas aderências, principalmente do lado direito”, continuou Dr. Hélio. Ainda bem que ele, como médico e especialista na doença, acreditava em minhas dores. Por muito e muito tempo, para muitas pessoas, as minhas dores horroroooooosas eram inventadas, coisa de psicológico. Aí eu me perguntava: “Não gente, eu não estou louca a este ponto, porque dói muito. Ou estou?!”. Mas, graças a Endometriose, todas as minhas dores foram comprovadas, e de fato, eram reais. No consultóroio, pensei que o Dr. até fosse tirar algum ponto. Ele só tirou os curativos, e falou que os pontos seriam absorvidos pelo meu organismo. Achei fantástica a evolução da medicina. Que maravilha!!! Até então, as minhas operações eram tão antigas, que não teve esta modernidade toda. Como eu já havia dito a ele, que no momento não quero engravidar,o Dr. disse que o meu ovário precisa descansar mais um pouco. Tadinho ele sofreu tanto!! Com isso, receitou o anticoncepcional Level, a ser tomado de uma forma diferente, para eu ainda não menstruar. Na verdade, só vou menstruar após 63 dias. E aí vamos ver no que vai dar!Para nós, portadoras de Endometriose, menstruar é um sofrimento, e praticamente um veneno. Faz mais de um ano e meio que não menstruo. Daqui a três meses retornarei com o Dr. Hélio. Ufa, ele ter receitado o anticoncepcional, foi um superalivio!! Na semana anterior, ainda no hospital, ele havia dito que eu retomaria o tratamento com o Zoladex 10.8. Se a menopausa da idade, já traz desconfortos terríveis, imagina a induzida por Zoladex, um remédio que trata vários tipos de cânceres, mas apenas controla a Endometriose. Estou torcendo para dar tudo certo com o anticoncepcional. Mas, se não der, antes mil vezes o Zoladex, do que as terríííveis dores. Estava tudo perfeito, até rolar um pequeno estresse na minha vida, com isso,a dor voltou. Desde o meio da tarde desta quarta feira, não estou me sentindo bem. O meu lado esquerdo está com uma dor latente, aquela bem chatinha que não dá descanso, sabe. Vamos torcer para não ser nada!! Há 10 dias sinto todos os meus órgãos abdominais mexendo. Acho que deve tá rolando uma grande festa lá dentro, agora que estão todos separados, em seus devidos lugares, e funcionando perfeitamente. Por hoje é só, vou dormir para ver se a dor passa. Beijos com carinho!!
OBS: Vi um recadinho da Lilian, que operou no dia 20. Lilian querida, falei de vc em outro post, mais abaixo. A nossa história foi bem parecida. Se vc quiser contar a sua história aqui, o blog está aberto. Hoje, por e-mail, convidei a Sirlene, que já fez quatro videolaparoscopias, para contar sua história. Já que a função do blog é ajudar muitas mulheres, que estão doentes, mas ainda não sabem, qualquer narração que envolva a Endometriose é muito bem-vinda! Obrigada pelo carinho!
OBS: Vi um recadinho da Lilian, que operou no dia 20. Lilian querida, falei de vc em outro post, mais abaixo. A nossa história foi bem parecida. Se vc quiser contar a sua história aqui, o blog está aberto. Hoje, por e-mail, convidei a Sirlene, que já fez quatro videolaparoscopias, para contar sua história. Já que a função do blog é ajudar muitas mulheres, que estão doentes, mas ainda não sabem, qualquer narração que envolva a Endometriose é muito bem-vinda! Obrigada pelo carinho!
quinta-feira, 17 de junho de 2010
ENFIM, A CIRURGIA!!
Ufa, é com muito alívio e até um pouco emocionada que escrevo este post. Desde ontem, quando voltei do ginecologista da UNIFESP, estava ansiosa para saber qual seria a decisão do médico. Opero, ou não opero? Mas como tinha consulta com o Dr. Hélio Sato, hoje, no ambulatório do Hospital Nipo-Brasileiro, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, a ginecologista que me atendeu disse que o Dr. Hélio conversaria comigo e decidiríamos o que fazer. E finalmente, a cirurgia vai sair. Como sempre, Marcão me levou até lá e vibrou comigo. Ele também sofre com a minha Endometriose. Como pretendo pegar um frila de 30 dias, decidimos marcar para o dia 26de julho. Daí eu tenho tempo de trabalhar (ebaaaaaa), de fazer todos os exames pré-operatórios e passar com o anestesista antes da cirurgia, para saber se está tudo bem. Nossa, saí de lá aliviada e muito feliz. Faz um ano e três meses, desde que recebi o diagnóstico da doença, que espero por esta notícia. Sei que ainda tenho uma longa batalha pela frente, que não é só fazer a cirurgia e pronto, estou curada. E foi exatamente isto que ouvi do Dr. Sato hoje, que preciso continuar o tratamento. Mas pelo menos terei a oportunidade de tentar melhorar a dispareunia. E assim, quem sabe arrumar um trabalho logo. Já estou pirando e desesperada, porque a minha vida parou nestes últimos seis meses. Só estou em função da Endometriose. Porque a minha fisio, toda quarta-feira à tarde, é para melhorar a dispareunia. Por conta disso, quando falo deste tratamento, só levei NÃO até agora dos empregadores. Nem para entrevistas as pessoas me chamam. Eu acho um absurdo! É um preconceito enorme com quem está doente e precisa se tratar. E fora, que perdi a primeira oportunidade que tive de trabalhar em uma tevê aberta. Mas, enfim, o tempo de Deus não é o mesmo do nosso! E paciência e ainda mais perseverança (porque sempre fui uma pessoa com FÉ e perseverante) é o que estou aprendendo a ter. Agora é só aguentar os últimos efeitos da menopausa induzida (eu ando todo dia com dor de cabeça! E o calor é enorme!), e torcer para não tomar mais este remédio!! Ah, e depois da cirurgia e um pouco mais de fisio, pelo menos posso tentar, sem medo, ter relação sexual e melhor, ter vontade de fazer sexo. Porque a Endometriose tira toda a libido sexual da mulher. E com isso, não temos vontade de fazer sexo. Ah, e a minha decisão em operar no hospital Nipo-Brasileiro, e não na UNIFESP, apesar do Dr. Hélio Sato fazer parte da equipe da Escola, foi para não tirar a oportunidade da cirurgia de outras mulheres, que lá se tratam e não tem um convênio médico, como eu. Por hoje é só. Ainda estou na comemoração da cirurgia! Beijos!
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A Endometriose e Eu
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19:26
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terça-feira, 20 de abril de 2010
UM OIZINHO!!!
Estou sumida alguns dias do blog. É verdade, eu sei disso, mas infelizmente tenho sentido muita dor e, a minha cabeça, não consegue pensar com dor! Porque além da dor abdominal, a minha cabeça dói muito. É resultado do Zoladex LA 10,8 mg, que tomei para inibir os hormônios e entrar na menopausa. Bom, mas prometo amanhã escrever aqui. Quero muito falar sobre a fisioterapia que faço na UNIFESP. Beijo com carinho!!
sexta-feira, 16 de abril de 2010
DO GESTINOL À MENOPAUSA!!!!!
Quarta-feira foi uma correria total. Não deu nem tempo de postar. É que toda quarta, às 15h, tenho um compromisso muito sério. É dia de fisioterapia na UNIFESP. Mas isso é assunto para outro post. Afinal de contas, elas me tratam com tanto carinho, que merecem a minha eterna gratidão. Bom, mas o assunto agora é outro. Mas, enfim, com a paralisação da minha menstruação, eu parei de sentir dor? Bom, era tudo o que eu mais desejava, que o tal dr. Bruno – aquele que afirmou que eu não estava com endometriose - estivesse certo. Infelizmente não foi o que aconteceu. Muito pelo contrário, a cada dia, as dores eram ainda mais intensas. Muito fortes mesmo que, por muitas noites, eu acordava gemendo e gritando de dor. Ainda bem que, quase sempre, era fim de semana e eu estava na casa do meu namorado. Eu mal conseguia me mexer, imagina, então, levantar da cama. Nem pensar! Meu namorado acordava correndo para pegar o remédio. Eu já estava no buscopan composto, e apenas um comprimido não adiantava. No começo das dores, há muitos anos, o ponstan até resolvia, mas depois não deu mais. Tinha que ser dois e, às vezes, até três comprimidos de buscopan composto de uma vez.
Como já disse, quando as dores começavam, eu já falava: “Ai, a minha dor.” Sim, eu sempre as chamei de 'minhas', pois eram inexplicáveis. Por muitas vezes eu implorava para que elas dessem um tempo. As dores começam na região do abdômen, mas, não me pergunta aonde ela começava ou terminava, pois não sei explicar. De repente, ela se espalhava por todo o abdômen e para as pernas. Pronto! A minha barriga inchava, parecia que estava grávida e não conseguia mais andar. Eu tinha que deitar e colocar as minhas pernas para o alto. Sempre atencioso, meu namorado ficava desesperado perguntando o que poderia fazer e, como eu não conseguia respondê-lo, por algum tempo ele passava suas mãos carinhosamente em minha barriga. A barriga, por sinal, ficava muita, mas muita inchada e, imediatamente, eu tinha que desabotoar a calça. E, como as dores, já eram constantes em minha vida, não importava onde eu estava, na rua, no ônibus, no trabalho, eu abria mesmo a calça ou a bermuda. O meu rosto ficava pálido, esquisito e aonde quer que eu estivesse dava na cara que algo não ia bem. Parecia uma morta-viva. Li em alguns sites, que é normal algumas pessoas, principalmente, nossa família, achar que a dor é inventada. E isso também aconteceu comigo. Mas, como digo só quem está com endometriose sabe a dor que é. Até hoje não consigo explicar.
Em dezembro de 2009, fiz o ultrassom transvaginal e, pela primeira vez, apareceu concretamente o órgão e, como estava a endometriose: profunda no útero. O tratamento com anticoncepcional é a primeira etapa do tratamento, mas não melhorou em nada a minha dor. Na verdade, o que os médicos tentam em primeiro lugar é dar mais qualidade de vida para nós, e isso, significa tirar a tal dor. Cada mulher reage de um jeito e, como a doença ainda é considerada como 'nova' e enigmática, estamos sempre em teste, para saber qual tratamento se adequa ao nosso corpo. Aí, eu falo é preciso ter muita paciência. No meu caso, como o gestinol (anticoncepcional) não resolveu em nada, em março de 2010, iniciei a segunda etapa do tratamento: a menopausa induzida por remédios. Era preciso barrar a minha produção de hormônios. Acho que é isso que o dr. Bruno não sabe, que o simples fato de produzir hormônios pode causar a dor. A dor vem independente da menstruação. Como faço tratamento na UNIFESP, já tinha o cartão do SUS e do Hospital São Paulo, fui ao Posto de Saúde encomendar o Zoladex 10.8. Esta foi a minha sorte. Porque cada dose do remédio é quase 2 mil reais. Uma fortuna, que infelizmente está fora da minha realidade de jornalista, e com certeza, da maioria das mulheres que sofre com a doença. Encomendar?? Sim, como o remédio é de alto custo seriam necessários 30 dias para ele chegar.
Pronto, encomenda feita era só esperar. Como a data coincidia com a do Carnaval, esperei mais alguns dias e lá fui eu ao Posto de Saúde, na Vila Mariana. Cheguei por volta das 11h e gente, não preciso dizer que a fila estava quilométrica. Saí de lá quase 17h e por todo o tempo permaneci em pé. Não sentei nem por um minuto. Tinha pouco mais de duzentas pessoas na minha frente. Que loucura é aquilo ali. Mil coisas passaram pela minha cabeça. Naquele dia conheci algumas pessoas e muitas histórias de vida. Para quem vai todo mês, o que é a realidade da maioria daquelas pessoas, é um desespero total. Ainda bem que a minha dose, por ser a mais forte, a 10.8, vale por três meses. Como o remédio tem que ficar na geladeira levei uma caixa de isopor, que peguei no ambulatório da UNIFESP. No dia seguinte, liguei lá e agendei com a enfermeira o dia que iria tomar o Zoladex: 3 de março. Marquei neste dia, na quarta-feira, pois queria muito conversar com dr. Eduardo Schor. E é somente este dia da semana, que tem atendimento no ambulatório, tanto dos médicos, quanto das fisioterapeutas. Em minha cabeça, eu estava certa que esta seria a única dose a tomar. Caso não desse certo, eu queria a operação. Mas, em janeiro, dr. Carlos Sigolo, meu ginecologista, já havia me alertado que seria necessário pelo menos duas doses, ou seja, 6 meses.
Sempre atencioso dr. Schor me ouviu prontamente. Desabafei: “Dr. como será este tratamento. Eu sei que a endometriose é uma doença nova, que precisa ser testada e que cada organismo reage de um jeito. Mas não posso parar a minha vida por conta dela. Estava prestes a conseguir o trabalho que sempre desejei. Pela primeira vez, fui indicada por um grande amigo numa emissora de TV, que é o trabalho dos meus sonhos. Aliás, isso é tudo o que mais quero na vida. Esperei sete anos por esta oportunidade. Aí falei da endometriose e acabei perdendo a vaga. E, provavelmente, quando fui demitida do meu último trabalho, em dezembro de 2009, a doença também teve uma parcela de culpa. Estou completamente sem grana, desesperada e não posso ficar sem trabalho”, falei, aos prantos. Ele olhou nos meus olhos e disse: “Caroline, entendo tudo o que me disse. Mas temos que ter FÉ. Você tem FÉ?", perguntou. “Claro que tenho e muita dr.”, respondi. "Vou acompanhar o seu caso. E, em breve, conversaremos novamente", disse dr. Schor. Depois, a enfermeira Ângela me aplicou o Zoladex. Gente, a agulha é muito grossa e, a seringa, beeem grande. Não é aquela injeção que estamos acostumados a tomar em farmácias e hospitais, sabe. Passados quase dois meses ainda têm a marca da agulha bem nítida em minha barriga. Ela é aplicada próximo ao umbigo. Nesse tempo, confesso que as dores diminuíram em sua intensidade. E, graças ao Zoladex, ainda não acordei nenhuma noite berrando de dor. Mas, elas ainda existem, quase todos os dias, e dói, ainda dói muito.
Mas mesmo moreeeendo de dor, nunca faltei ao trabalho. Até mesmo quando era freelancer e tinha que ir à redação, eu ia rastejando, mas ia. Eu sempre fui extremamente responsável com o meu trabalho e sempre lutei muito contra essa terrível dor. Agora, com a menopausa, o mais engraçado é que quando realizo algum exame ou comento com alguém que estou na menopausa, ninguém acredita. “Como assim 31 anos”. Aí tenho que contar toda a minha história. Olha, e não demorou muito para eu sentir os efeitos da tão falada menopausa, e digo viu, que calorãããããõ. Uma loucura! Parece que estou com uma bola de fogo em minha cabeça e as minhas bochechas estão sempre rosadas. E a cabeça também dói, viu. Dói muito! Ufa, falei demais! Por hoje é só! Beijos com carinho!!
Como já disse, quando as dores começavam, eu já falava: “Ai, a minha dor.” Sim, eu sempre as chamei de 'minhas', pois eram inexplicáveis. Por muitas vezes eu implorava para que elas dessem um tempo. As dores começam na região do abdômen, mas, não me pergunta aonde ela começava ou terminava, pois não sei explicar. De repente, ela se espalhava por todo o abdômen e para as pernas. Pronto! A minha barriga inchava, parecia que estava grávida e não conseguia mais andar. Eu tinha que deitar e colocar as minhas pernas para o alto. Sempre atencioso, meu namorado ficava desesperado perguntando o que poderia fazer e, como eu não conseguia respondê-lo, por algum tempo ele passava suas mãos carinhosamente em minha barriga. A barriga, por sinal, ficava muita, mas muita inchada e, imediatamente, eu tinha que desabotoar a calça. E, como as dores, já eram constantes em minha vida, não importava onde eu estava, na rua, no ônibus, no trabalho, eu abria mesmo a calça ou a bermuda. O meu rosto ficava pálido, esquisito e aonde quer que eu estivesse dava na cara que algo não ia bem. Parecia uma morta-viva. Li em alguns sites, que é normal algumas pessoas, principalmente, nossa família, achar que a dor é inventada. E isso também aconteceu comigo. Mas, como digo só quem está com endometriose sabe a dor que é. Até hoje não consigo explicar.
Em dezembro de 2009, fiz o ultrassom transvaginal e, pela primeira vez, apareceu concretamente o órgão e, como estava a endometriose: profunda no útero. O tratamento com anticoncepcional é a primeira etapa do tratamento, mas não melhorou em nada a minha dor. Na verdade, o que os médicos tentam em primeiro lugar é dar mais qualidade de vida para nós, e isso, significa tirar a tal dor. Cada mulher reage de um jeito e, como a doença ainda é considerada como 'nova' e enigmática, estamos sempre em teste, para saber qual tratamento se adequa ao nosso corpo. Aí, eu falo é preciso ter muita paciência. No meu caso, como o gestinol (anticoncepcional) não resolveu em nada, em março de 2010, iniciei a segunda etapa do tratamento: a menopausa induzida por remédios. Era preciso barrar a minha produção de hormônios. Acho que é isso que o dr. Bruno não sabe, que o simples fato de produzir hormônios pode causar a dor. A dor vem independente da menstruação. Como faço tratamento na UNIFESP, já tinha o cartão do SUS e do Hospital São Paulo, fui ao Posto de Saúde encomendar o Zoladex 10.8. Esta foi a minha sorte. Porque cada dose do remédio é quase 2 mil reais. Uma fortuna, que infelizmente está fora da minha realidade de jornalista, e com certeza, da maioria das mulheres que sofre com a doença. Encomendar?? Sim, como o remédio é de alto custo seriam necessários 30 dias para ele chegar.
Pronto, encomenda feita era só esperar. Como a data coincidia com a do Carnaval, esperei mais alguns dias e lá fui eu ao Posto de Saúde, na Vila Mariana. Cheguei por volta das 11h e gente, não preciso dizer que a fila estava quilométrica. Saí de lá quase 17h e por todo o tempo permaneci em pé. Não sentei nem por um minuto. Tinha pouco mais de duzentas pessoas na minha frente. Que loucura é aquilo ali. Mil coisas passaram pela minha cabeça. Naquele dia conheci algumas pessoas e muitas histórias de vida. Para quem vai todo mês, o que é a realidade da maioria daquelas pessoas, é um desespero total. Ainda bem que a minha dose, por ser a mais forte, a 10.8, vale por três meses. Como o remédio tem que ficar na geladeira levei uma caixa de isopor, que peguei no ambulatório da UNIFESP. No dia seguinte, liguei lá e agendei com a enfermeira o dia que iria tomar o Zoladex: 3 de março. Marquei neste dia, na quarta-feira, pois queria muito conversar com dr. Eduardo Schor. E é somente este dia da semana, que tem atendimento no ambulatório, tanto dos médicos, quanto das fisioterapeutas. Em minha cabeça, eu estava certa que esta seria a única dose a tomar. Caso não desse certo, eu queria a operação. Mas, em janeiro, dr. Carlos Sigolo, meu ginecologista, já havia me alertado que seria necessário pelo menos duas doses, ou seja, 6 meses.
Sempre atencioso dr. Schor me ouviu prontamente. Desabafei: “Dr. como será este tratamento. Eu sei que a endometriose é uma doença nova, que precisa ser testada e que cada organismo reage de um jeito. Mas não posso parar a minha vida por conta dela. Estava prestes a conseguir o trabalho que sempre desejei. Pela primeira vez, fui indicada por um grande amigo numa emissora de TV, que é o trabalho dos meus sonhos. Aliás, isso é tudo o que mais quero na vida. Esperei sete anos por esta oportunidade. Aí falei da endometriose e acabei perdendo a vaga. E, provavelmente, quando fui demitida do meu último trabalho, em dezembro de 2009, a doença também teve uma parcela de culpa. Estou completamente sem grana, desesperada e não posso ficar sem trabalho”, falei, aos prantos. Ele olhou nos meus olhos e disse: “Caroline, entendo tudo o que me disse. Mas temos que ter FÉ. Você tem FÉ?", perguntou. “Claro que tenho e muita dr.”, respondi. "Vou acompanhar o seu caso. E, em breve, conversaremos novamente", disse dr. Schor. Depois, a enfermeira Ângela me aplicou o Zoladex. Gente, a agulha é muito grossa e, a seringa, beeem grande. Não é aquela injeção que estamos acostumados a tomar em farmácias e hospitais, sabe. Passados quase dois meses ainda têm a marca da agulha bem nítida em minha barriga. Ela é aplicada próximo ao umbigo. Nesse tempo, confesso que as dores diminuíram em sua intensidade. E, graças ao Zoladex, ainda não acordei nenhuma noite berrando de dor. Mas, elas ainda existem, quase todos os dias, e dói, ainda dói muito.
Mas mesmo moreeeendo de dor, nunca faltei ao trabalho. Até mesmo quando era freelancer e tinha que ir à redação, eu ia rastejando, mas ia. Eu sempre fui extremamente responsável com o meu trabalho e sempre lutei muito contra essa terrível dor. Agora, com a menopausa, o mais engraçado é que quando realizo algum exame ou comento com alguém que estou na menopausa, ninguém acredita. “Como assim 31 anos”. Aí tenho que contar toda a minha história. Olha, e não demorou muito para eu sentir os efeitos da tão falada menopausa, e digo viu, que calorãããããõ. Uma loucura! Parece que estou com uma bola de fogo em minha cabeça e as minhas bochechas estão sempre rosadas. E a cabeça também dói, viu. Dói muito! Ufa, falei demais! Por hoje é só! Beijos com carinho!!
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