Escrevo este post para reforçar o meu engajamento em prol das portadoras de endometriose. Não é fácil ter uma doença tão enigmática. Infelizmente, a endo não vem sozinha. Junto com ela, outras doenças também surgem, como a depressão. Como a maioria das mulheres não tem o apoio da família e, nem do parceiro, ou tem de um, não do outro e, muitas vezes, de nenhum dos dois, a depressão vem em um piscar de olhos. Acho que não existe nenhuma portadora que não teve, pelo menos, um pouquinho de depressão. A minha foi bem braba, viu.... hahaha
Nos piores momentos, quem me deu ajuda psicológica foi o meu namorado e o centro espírita que frequento. Coitado do meu namorado!! Se fosse eu no lugar dele, eu não teria aguentado. Na fase mais depressiva da minha vida, eu só pensava em morrer. Digo isso sem vergonha. Não temos que ter vergonha de expor algo tão perigoso, que pode tirar a nossa vida. Mas, graças a Deus, eu tenho um Pai Superior muito grande e um Anjo da Guarda muito forte.
Por conta do meu engajamento no tema, eu devo começar em breve um tratamento com um psicoterapeuta. Em comparação há um ano, eu estou superbem, mas terapia faz bem para todas as pessoas e, em especial, para a mulher com endo. Nós precisamos muito. Antes, eu vivia chorando. Eu não conseguia falar nada, principalmente, sobre a doença sem chorar. Ah, eu também faço um tratamento espiritual com a minha querida Lia, outra portadora de endo, uma pessoa que sofreu muito, mil vezes mais do que eu. Outro dia, ela mesma falou: “Carol, que coisa boa. Você já não fala mais chorando. Continua falando vai”. Eu fiquei feliz!! Eu estou conhecendo muitas histórias de sofrimento. Portanto, os médicos me recomendaram a psicoterapia.
Outra consequência da endo que eu quero difundir, até mais do que a depressão, é a dispareunia. Gente é horrível ter a tal da dor durante a relação sexual. Primeiro, porque a dor não vem assim, digamos, do dia para a noite. Aos poucos, a mulher vai perdendo a libido. Por mais que ela ame o seu parceiro, sem a libido, não temos vontade de fazer sexo e nem nada. A mulher que não tem um companheiro bacana, ela pira viu. Eu tive muita sorte. Eu tenho um namorado maravilhoso, mas mesmo assim, eu pirei. Pirei porque eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Aos poucos, eu fui descobrindo o quanto a endo é perigosa. Mas digo, a dispareunia tem tratamento e, é isso que quero informar também. O tratamento é a massagem uroginecológica. Delicadamente, as fisioterapeutas dissolvem os nódulos de tensão da nossa vagina, com os dedos. É como se os ombros estivessem tensos, cheios de nódulos.
Ninguém gosta de ficar assexuada, não é. Por isso, quero me engajar não só com a questão da endometriose, mas também a da dispareunia. Foi meio que, por ela, que criei o blog. O meu sofrimento ficou com as dores da endo – na lombar, no abdômen, nas pernas -, mas sofri muito por conta da dispareunia. A pior coisa é você não saber o que está acontecendo com o seu corpo. Quero informar não só as mulheres, mas também os seus parceiros. Se algum parceiro de uma endomulher ler este post, peço para ter muito carinho, muita paciência e compreensão. Eu digo que não é fácil, principalmente, para você, parceiro. Mas a doença é como uma loucura, que pensamos não ter fim. Eu penso também em dar palestras nas escolas, para que a informação seja difundida, desde cedo e, assim, ensinar pessoas que farão um futuro melhor. Até porque a endo já é chamada de a doença da mulher moderna.
Na UNIFESP, descobri que a dispareunia é mais comum do que a endometriose. Então, imagina quantas pessoas não estão sofrendo e, muitas vezes, em silêncio. A questão é séria. Sem o apoio da família e do parceiro a mulher fica, de fato, louca podendo até tirar a sua própria vida. Mesmo no auge da minha depressão, mesmo sempre falando que queria morrer, eu nunca tive coragem de fazer absolutamente nada, contra a minha vida. Por muitas vezes, eu me sentia covarde, mas eu sempre tive FÉ, que o meu sofrimento teria um fim e, que dias melhores viriam. Outro motivo, pelo qual eu nunca tive coragem de tirar a minha própria vida, é por saber que, cometendo o suicídio, eu não teria paz e jamais encontraria com a minha amada vozinha, Dinah Salazar, a principal razão do meu viver.
Era ela a pessoa que eu mais queria ao meu lado. Mas, em muitos momentos, eu sei que ela sempre esteve ao meu ladinho, pedindo e me dando forças para eu continuar na luta, não só por mim, mas por todas as portadoras do Brasil e do mundo. Até porque, em um de seus últimos recados a mim, que guardo com muito carinho, ela escreveu: “Cultiva sempre em seu coração a bondade e a generosidade, sentimentos que enobrecem as grandes almas e, Deus, estará sempre ao seu lado". Ela é o exemplo de mulher que quero ser.
Para entrar em contato comigo para palestras e apoio é só escrever para carolinesalazar7@gmail.com Amanhã, quarta-feira, dia 13, eu e o A Endometriose e Eu seremos notícias no jornal Metronews e na Folha Metropolitana, de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. A repórter Edilene ligou hoje e fez uma entrevista bem bacana comigo. Esperem que gostem!! Beijos com carinho!!
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terça-feira, 12 de abril de 2011
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