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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO": MENSAGEM DE NATAL E UM RECADO IMPORTANTE AOS ENDO CASAIS!

imagem cedida por Free Digital Photos


E hoje é Natal, dia de alegria! E logo quando acordei tinha este texto especial de Natal para os endo casais. Sabemos que apesar da mensagem de Cristo para o dia de hoje, ter a intrusa da endometriose num relacionamento não é tão fácil quanto a maioria pensa. Essa doença mexe tanto com a mulher, que as pessoas que não entendem da doença acham que estamos malucas, que somos bipolares, dentre muitos outros "achismos". Eu falo isso com propriedade porque eu também era assim: maluca, doida. Eu só percebi que toda aquela loucura, maluquice não era minha, que aquela não era eu, após minha abençoada cirurgia, em junho de 2012, quando finalmente fiquei livre das dores. É claro que aqueles que me julgaram não falaram nada, porque a ignorância do ser humano muitas vezes não deixa a pessoa te pedir desculpas, mas vi que muitas pessoas perceberam minha mudança. E cada dia que passa, eu estou mais "mudada", mudando para melhor. Como todo ser humano, a mudança é gradual, e é preciso ser assim para a gente mudar por completo. Uma das coisas que eu aprendi e estou aprendendo é ouvir mais e falar menos. Afinal, temos dois ouvidos e uma boca. Outra mudança que me propus a fazer é: respirar fundo, agir com o cérebro e não com a emoção quando escuto abobrinha das pessoas. Principalmente, quando falam besteira sobre nós, endo mulheres. 

Hoje, a nova Caroline evita discussão. Porque entreguei tudo para Deus. Gente, um dia Ele vai mostrar para cada um de nós, quem realmente é as pessoas. Então, porque eu tenho de provar algo? Não, mudei e estou mudando para melhor. Se até Jesus foi julgado, quem sou eu para não ser? Quem somos nós? Não é fácil fazer caridade, mas a generosidade está na criação de cada um de nós. E graças a Deus, eu posso me orgulhar da minha. Por isso, minhas queridas, eu sei que é difícil, porque a endo nos deixa com os nervos à flor da pele, e realmente, esta doença nos deixa piradinha, mas respire fundo, conta até dez e evite discussões para o vosso próprio bem.  O texto de Alexandre é especial de Natal e também especial para quem está brigado com o companheiro. Vamos ser felizes, independente, desta praga. Não deixem que a doença destrua os vossos relacionamentos. É isso que a endo quer! 

Continue votando no A Endometriose e Eu no prêmio TopBlog Brasil 2013. (clique aqui e dê seu voto) e compartilhe a votação entre seus amigos. O primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza em compartilhar a votação entre seus amigos. E nisso, a Marcha Mundial contra a Endometriose, será muito importante. Inscreva-se e venha marchar conosco. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar


Mensagem de Natal para os endo casais 


Por Alexandre Vaz

Esse negócio de botar endo em tudo o que é palavra tá virando moda por conta deste blog. Por isso resolvi colocar no título, já que a coluna é direcionada. Não é que me agrade muito, mas fazer o quê? É o jeito que tem. Hoje vou abordar uma questão bem importante, as discussões entre o casal. Pode parecer meio estranho falar disso no dia de Natal, quando supostamente tudo é perdão, amor e alegria, mas todos nós sabemos que não é bem assim para todo o mundo a toda a hora.

Por natureza a quadra natalícia é uma pressão para que as coisas corram bem, sobretudo quando existem dificuldades no seio da família. Por vezes as pessoas querem desesperadamente que o Natal seja um dia bom, que tudo dê certo, acabam pressionando demais, e tudo acaba dando errado. O povo da casa acaba a noite numa tremenda discussão, todo o mundo chutando o pau do barraco e cada um acaba desejando que o Natal desse ano tivesse sido cancelado.

Esse texto de hoje inclui todos, mas é sobretudo dirigido aos que se encontram com o rosto enfiado nas mãos, perguntando pra Deus porque as coisas precisam ser assim. A resposta é que não precisa. Existe uma tendência de colocar a responsabilidade dos nossos atos em Deus, mas lá no fundinho sabemos que somos nós mesmos quem faz as ações. Nossa responsabilidade, nossa liberdade, nossa culpa inclusive. Mas com tudo isso vem uma coisa, o poder de agir como quisermos.

Quando estamos bem psicologicamente, é fácil perceber quando pinta um clima de discussão e a gente já se impõe ou então sai de fininho e deixa esfriar. Com a endo parece que todos os nossos sentidos estão em alerta, mas a gente não entende nada do que está acontecendo. E quando percebemos, está todo o mundo transformando a mobília em serradura numa baita zaragata. Depois que termina e vai cada um para seu canto lamber as feridas, não tem quem não se interrogue como foi que essa situação aconteceu. Aconteceu por dois motivos, fadiga emocional extrema e falha em reconhecer os sinais de que estava pintando uma discussão.

É bem complicado para quem vive com um quadro de endo por muito tempo (e a maioria das pessoas vive com endo por muitos anos) reconhecer que está navegando num braço de rio que acaba numa cachoeira bem grandona. Se não remar para a margem, vai acabar caindo e se quebrando todo lá em baixo.

Toda a rotinas do endo casal se altera muito, isso não é novidade. A vida sexualcai, e isso cria instabilidade emocional, tem as pressões social, familiar e profissional... tudo cobra um preço bem elevado. Mas tem pelo menos uma coisa que talvez seja controlável. Discipline seus horários de descanso. Durma tanto quanto puder, seu cérebro precisa de tréguas, seja amigo dele. É facílimo varar noites sem dormir por conta das preocupações. Por vezes as pessoas estão tão cansadas que nem conseguem dormir, quando dormem é caindo de exaustão. Dá pra imaginar o que isso faz com o seu emocional, né?

Pelo menos o descanso precisa ser mantido para que as pessoas não percam todas as suas defesas. Com isso, talvez fique mais fácil enxergar aquelas cachoeiras no rio em que você está navegando, a tempo de remar para a margem. Vai dar um pouco de trabalho carregar a canoa nas costas, mas pelo menos não se lascou inteiro. Logo depois da cachoeira, você coloca a canoa no rio de novo e segue sem esforço.

Não é apenas o descanso que faz falta. Certos rituais do casal são muito importantes, e a gente só percebe isso quando a vida fica difícil. Muitas vezes poderão ter escutado isso, e é a verdade: "Não deitem brigados. Resolvam as vossas diferenças antes de ir pra cama. Dormir brigado com a mulher é pior do que deitar sem janta. Se entendam, se beijem e durmam fazendo conchinha. É bem mais gostoso e ajuda a ir levando".

Num clima de discussões constantes quase que a gente começa a acreditar que o companheiro ou a companheira são o inimigo. O inimigo de vocês é a doença, não o cônjuge. Se amem, tenham manifestações de carinho, façam a manutenção do vosso relacionamento. Sejam felizes tanto quanto possível. Um casal que se encontrou, se gostou, e se mantêm junto através de uma doença dessas, isso é uma benção. Só pode ser amor. 

Em resumo, quando pintar um clima de discussão, cada um feche a matraca e vá para o seu canto esfriar a cabeça. Evitem se culpar pelo estado de nervos em que cada um se encontra, nem todos temos a mesma resistência emocional e psicológica. Decorem o vosso dia com manifestações de carinho e amor. Pequenos gestos como um beijo surgido do nada ou um abraço (atenção companheiros: elas valorizam muito os abraços, fiquem espertos) fazem milagres. Uma mulher agradecida é das coisas mais gostosas que tem. Só o olhar de felicidade delas vale qualquer sacrifício.

Meninas, peguem leve com os vossos homens. A coisa não é nada fácil pra gente. Vocês estão presas à situação, mas nós estamos por escolha. Por vezes precisamos voltar a ser crianças, explodir, ir ao boteco tomar umas com os amigos... é a nossa manutenção emocional. Nem que chegue em casa de porre uma vez por acaso, perdoe seu homem. A gente fica junto de vocês, entrega tudo o que tem. Sangue, coração, lágrimas, mas não somos de ferro. Nos ajudem a entender o que está acontecendo com vocês.

Ontem falei com minha esposa quando estávamos regressando à casa sobre esse mesmo tema. A gente atravessa a endo esperando a cirurgia, vive a situação, mas verdadeiramente, não entendemos o que está acontecendo. Vamos levando que nem zumbis, desligados da realidade. Mais tarde, se acompanharmos outros casais passando pelo mesmo, só aí vamos entender aos poucos o que aconteceu conosco. É como se tratasse de um lento despertar e vamos lembrando de pedaços de um sonho muito longo e confuso.

Feliz Natal para todos, procurem reforçar a vossa amizade e se puderem apoiem outros casais com endo. De dinheiro todo o mundo precisa, mas tem horas que ter com quem desabafar e que nos possa ajudar a entender o que está acontecendo é a maior riqueza desse mundo. Pratique essa caridade, ofereça um pouco do seu tempo e experiência ao próximo. É seu irmão aos olho
s de Deus. Abraço. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO": ACEITAÇÃO DOS DESÍGNIOS DE DEUS!!



A coluna “A Vida de um Endo Marido” traz mais uma vez uma história surpreendente de fé, perseverança e, sobretudo, de aceitação perante aos desígnios de Deus. Após a surpreendente história de superação do australiano Nick Vujicic, Alexandre nos apresenta hoje a história de vida de Dick Hoyt e seu filho, Rick, a dupla esportista mais fantástica do mundo. A vida não é fácil, não é sempre que estamos bem, todos nós temos nossos problemas, seja de saúde, financeiro, pessoal, profissional e tantos outros. A maioria dos seres humanos tem todos e parece que eles vêm tudo junto. Esmorecer, ficar triste, cair, levantar, cair de novo, e tem hora que a gente pergunta: “Por que comigo?” A verdade é que somos testados todos os dias por Deus. Mas por ironia do destino podemos por meio de outras histórias aceitar tudo que acontece conosco. Não é fácil lidar com tudo que a endometriose nos traz. Não são só as dores físicas e na alma. Mas você acha que vai adiantar ficar chorando e reclamando com Deus o porquê de tanto sofrimento? Você acha que ele tem uma varinha mágica e vai falar: “Essa minha filha está reclamando tanto que vou fazê-la ficar bem! Não, não tem e Ele não vai fazer isso para quem vive reclamando. Eu sei que muitas endo mulheres estão presas em suas camas incapacitadas pela doença, que não aguentam nem andar, eu mesma já passei por isso e eu mesma fazia isso que estou falando para não fazer. Mas chegou uma hora que tive um insight e resolvi botar pra fora todo o sofrimento que estava vivendo.

Daí nasceu esse cantinho maravilhoso chamado A Endometriose e Eu. E tenho certeza também que se eu estou boa hoje, é porque eu aceitei tudo que Deus propôs para minha vida de coração aberto. Cai na maioria das vezes, não conseguia levantar de tanta dor, esfolava cotovelos, joelhos e até o rosto mesmo, mas mesmo assim insisti inúmeras vezes. Parei de questionar Deus o porquê de todo meu sofrimento e arregacei as mangas, sem copiar ninguém, sem falar mal de ninguém, sem malandragem ou falcatruas, sendo apenas quem eu sou e da maneira como fui criada. Porque o homem pode não ver hoje, mas Deus está vendo tudo que fazemos 24 horas por dia e um dia irá mostrar a todos quem é realmente cada um de nós. Qual o caráter, a índole e a intenção de cada um de seus filhos. Busquei nos ensinamentos de minha criação quem realmente eu era. Afinal, sou de uma família de mulheres guerreiras por parte materna, em duas gerações nasceram 6 mulheres e apenas 1 homem.

Hoje, olho para trás e vejo que perdi um tempão só reclamando, chorando, mas sei que sem isso também eu não estaria hoje firme e forte, cada dia melhor e com essa cabeça que tenho hoje, passando a fé que passo e transmitindo a alegria que transmito atualmente. Hoje até nos meus dias tristes eu me esforço ao máximo para estar feliz. A felicidade é um estado de espírito e isso é algo que poucos sabem.  Estar triste é diferente de ser mal educada. Como no Brasil não há educação na maioria das escolas, ou sua educação vem de casa ou então ela não existe. Não tem o meio termo. Aprendi a estar feliz mesmo quando estou triste. Quando tudo está dando errado, quando tudo está perdido, quando você quer dar aquele piti, experimente ir para um espelho, olhe como sua cara está feia, ranzinza. Não é melhor você colocar um sorriso nos lábio e dizer: “Eu posso tudo e contra mim ninguém pode, porque eu tenho o Deus do impossível ao meu lado e eu vou conseguir.”Esse é um dos meus mantras diários. Não descarregue em ninguém sua ira do mundo, pois uma hora ela vai voltar para você e contra você. E antes de qualquer ação, pense em ser feliz, bote um sorriso nos lábios e alegria em seu coração. Porque não adianta você sorrir e ser uma pessoa amarga por dentro. Eu não tenho paladar para nada amargo, graças a Deus. Nunca tive. E você, quer tentar ser feliz? Tente e verás como tudo a sua volta vai mudar da água para o vinho!! E rapidamente! Me conta depois! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar


A aceitação dos desígnios de Deus!

Por Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar

Mais uma vez estamos trazendo para vocês um exemplo de luta e coragem. Já conheço a história do Team Hoyt há bastante tempo, mas nunca tinha encontrado esse vídeo legendado em português. Embora para mim e para a Caroline não seja um problema entender a língua inglesa, para muitas pessoas seria impossível entender todo o conteúdo da mensagem apenas pelo vídeo. Por isso, alguém teve esse trabalho e hoje estou aproveitando a carona para mostrar aos leitores do A Endometriose e Eu uma equipe de pai e filho extraordinários.

Sabendo como funciona a cabeça da mulher com endo (sou o orgulhoso marido de uma), muitas vão encarar a mensagem de um jeito errado, que são um fardo para os seus maridos. Vejam com atenção o que diz o pai Dick acerca do que juntos conseguiram até hoje. Que como é o filho Rick, que é o verdadeiro competidor, aquele que dá força para saírem de casa.

Esses dois enfrentam aquela que provavelmente é a mais dura prova desportiva no mundo, o Iron Man. Os dois competem, e Dick que já conta com 70 anos, consegue fazer o que muitos homens de 20 anos não conseguiriam, e ainda leva o seu filho junto, puxando, empurrando e carregando.

Esse homem teve a coragem de aceitar o que Deus lhe entregou, um filho que nasceu com uma deficiência mental por ter ficado com o cordão umbilical enrolado no pescoço durante o parto. Contra a opinião dos médicos ele o levou para casa, criando-o como uma criança normal. Pelo amor a esse filho ele conseguiu coisas que gente sem limitações não faria.

Vocês vão ter oportunidade de ver como esse amor e esse exemplo se espalhou para muitas outras pessoas, e como o exemplo deles já salvou uma senhora que após perder o seu marido, não conseguia mais enfrentar o sofrimento e estava prestes a cometer uma grande loucura. Vendo o vídeo na hora H, quando tinha tudo pronto para terminar a sua vida, ela desistiu desse propósito. O vídeo contendo o exemplo desses dois salvou uma vida. Mas eu acho que essa dupla admirável salvou muitas outras.  Eu só posso desejar estar à altura de honrar a postura e capacidade de amar desses grandes seres humanos.

Senhoras e senhores, com vocês uma das manifestações divinas, Team Hoyt




segunda-feira, 24 de junho de 2013

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO": QUANDO A FÉ FAZ A DIFERENÇA!!!

Uma das premissas da coluna "A Vida de um Endo Marido" é trazer acalento, é levar mais fé e firmeza no caminhar de quem sofre com a doença e de quem está ao lado de uma portadora de endometriose. Por isso, o texto de hoje é de extrema importância não só para nós, endomulheres, mas para todos os seres humanos do mundo.Sofrer? Em sã consciência, quem quer sofrer? Quantas de nós no auge da dor, não indagamos a Deus: “Por que comigo?” Por que eu mereço tanto sofrimento?” Uma vez escutei de um sábio que somente os corajosos desafiam Deus. Porque fazer esse tipo de pergunta é, sem dúvida, desafiar Deus. Eu vivia assim, vivi anos e anos aos prantos e implorando a Deus uma resposta às minhas dores. E isolada do mundo. Porque sabemos que quem sofre de dor forte acaba ficando sozinha. Nos meus piores momentos, eu tive apenas uma pessoa que acreditava em tudo que eu sentia, mesmo não tendo ainda o diagnóstico. E depois do diagnóstico, optar pelo tratamento e deixar temporariamente minha carreira me levou à depressão profunda. Eu passava dia e noite, noite e dia na cama chorando implorando para Deus me levar embora daqui e questionando: "Por que comigo?" "O que eu fiz para merecer isso?" É difícil aceitar tal sofrimento.

Daí um dia eu tive um sonho onde Deus dizia: “Em vez de se lamentar filha, por que não usa os dons que te dei para ajudar outras pessoas ou você acha que só você passa por isso?” Eu acordei e fiquei com aquilo na cabeça. Um tempo depois conversando com outro sábio veio a ideia do blog. É óbvio que eu nunca imaginei que alguém iria ler alguma linha desse blog. Eu pensara que somente eu era a louca que sentia tanta dor. Era assim que eu era chamada. Confesso que quando Alexandre me mostrou outro vídeo do Nick Vujicic eu fiquei muito emocionada com a história dele. Neste dia, ajoelhei e falei: “Obrigada meu Deus por tudo que me deste.” Aliás, desde quando soube que o blog estava salvando vidas femininas no mundo todo, eu comecei a ter isso como um ritual diário. Desde 2010, quando estava no auge da minha depressão, ao questionar com um amigo (o sábio) sobre minha solidão e a dificuldade em ser ouvida por alguém, ele me disse: “Por que você não conversa com quem nunca nos abandona e sempre nos escuta?” Foi a partir deste dia, que comecei a conversar com Deus durante o banho. E saio de lá, literalmente, de alma lavada. Porque eu falo tudo. No começo era muito chororô, lamentações,  indagações, questionamentos. Hoje, eu apenas agradeço por todo sofrimento que Ele me deu e que ainda me dá. Porque eu estou sem dores fortes, mas eu ainda passo por algumas provações. Quem de nós não passamos?

Afinal, se estamos aqui na Terra é porque somos pecadores. E quando você vê alguém que sofre mais que você, aí você agradece mesmo. Mas hoje estou forte, de cabeça erguida e com a fé que fui criada para ter. Porém, o mais importante é você aceitar o que se passa conosco de coração. As coisas começaram a mudar na minha vida quando um belo dia virei para o espelho e disse: “Ok, Deus se estou passando por tudo isso é porque você sabe o motivo. Eu aceito este sofrimento de coração aberto, desde que Tu me mostre o caminho a seguir.” Se somente Deus sabe porque sofremos tanto, então, será Ele que terá de mostrar a direção. E nada é por acaso, mas tudo vem de acordo com o merecimento de cada um. E tenho certeza que este vídeo do Nick vai ajudar a levantar muitas endomulheres, muitos endo maridos, endonamorados e a todos que assistirem. Porque Deus está dentro de nós, independente, da dor, da provação que passamos. Deus é Deus, é nosso Pai, independente da crença de cada um. E quando você é um ser humano do bem, honesto, verdadeiro e de fé, a vitória é certa. Quem tem fé, não desiste. Eu não desisto e você? Não desista de Deus, porque Deus não desistirá de você. Ah, e sorria sempre, mesmo na dor tente colocar um sorriso nos lábios, com certeza Deus estará sorrindo ao seu lado. Só o nosso endo marido para nos trazer essa benção! E hoje eu agradeço também pelas bênçãos que estão chegando! E eu quero todos (as) conosco na Marcha Mundial em março de 2014. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Um gigante entre nós

Todos nós passamos por períodos dificeis em nossas vidas. Cada um sabe de sua casa, das dificuldades que sofre, da dor em seu coração. Nenhum sofrimento é comparável a outro. Mas sofrer não sendo bom, não é motivo para desistir. Nada é. Alguns de vós já terão ouvido falar de Nick Vujicic, um jovem australiano que corre o mundo dando esperança para muita gente. Eu navego na internet bastantes horas, pra falar a verdade nem assisto mais televisão. Cansei de violência gratuita, reportagem chocante, notícia negativa. Na internet, onde tem de tudo, eu escolho o que eu assisto. E em uma dessas vezes, eu descobri esse cara.

O sofrimento que ele passou é por demais evidente, mas não maior ou menor do que o de outros. É apenas o seu, eu tenho o meu, e você que está lendo isso também sabe o que dói em seu coração. Mas ele me fez pensar muito. Desde então, eu não tive mais tanta dificuldade em subir no cavalo depois de cair. Eu não me importo como ele é, a cor que ele tem, a religião dele. Importa que ele dá conforto para muita gente, ajuda imensa gente a subir no cavalo de novo e a continuar seu caminho.

A sua história é comovente, eu confesso que muitas vezes chorei lendo seu livro, assistindo o DVD dele e pensando que se esse cara consegue, eu conseguirei também. Ele não desistiu, e eu não vou desistir. Ele ajuda pessoas, eu também posso ajudar. Em toda a volta existem pessoas sofrendo de um jeito ou de outro. Talvez, eu possa chegar em algumas delas. Talvez, eu possa dispensar uma hora para sentar com alguém, talvez, tomando uma cervejinha, e perguntar olho no olho se essa pessoa está bem; insistir para que fale, mostrando que pode confiar e dar a mão. Um abraço é uma coisa tão poderosa para quem está precisado... por vezes pode ser o que impede alguém de pular do precipício.

Perto do Nick eu sou bem pequeno, pois ele é um gigante. Fiquei um grande fã desse cara. Se eu pudesse estar na sua presença eu abraçaria ele na hora. Muito respeito pela sua luta pessoal e pelo que ele faz. Sinto muito respeito pela sua luta também, você que está lendo. Não estou falando que sairia de casa correndo, procurando a primeira pessoa que encontrar pelo caminho e tentar ajudar na marra. Desse jeito vão acabar pensando que você ficou abilolado. Se tiver algum tempo, apenas fique atento. Você vai acabar vendo alguém com quem vai falar de forma bem natural. Escute essa pessoa, lhe ofereça a sua solidariedade. Seja generoso com seu sorriso, não custa dinheiro para oferecer. Se sentir que consegue fazer isso, faça. Um dia você já encontrou um estranho que sem qualquer motivo, com um pequeno gesto deu uma melhorada no seu dia? Experimente ser esse estranho para outro alguém. Dê sem esperar em troca, apenas porque quer dar.

Senhoras e senhores, com vocês Nick Vujicic.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO": ALEXANDRE E SUSANA CELEBRAM 3 ANOS DE CASAMENTO!!

O que dizer do amoooooor?? Ah, ele é lindo, um sentimento maravilhoso, que enche corações, a mente… bate aquele frio na barriga quando escuta a voz do ser amado, dá aquele gelo no estômago quando beija, abraça, ai que delícia! Ah, como seria bom se todos os seres humanos experimentassem esse sentimento sublime. E experimentar o amor independe de estar com alguém ao nosso lado. Sabe quando a pessoa fica mais poderosa? Quando ela se ama. Esse é um dos segredos daquela pessoa que é bem resolvida, de bem com a vida, afinal, nós temos de nos amar acima de tudo e não podemos depender dos outros para isso. Agora, quando esse amor é somado e multiplicado a outra pessoa, torna-se ainda mais incrível. Hoje, quando nosso endo marido pediu para escrever um texto especial e que eu tinha de publicá-lo hoje, quando perguntei por quê? E ouvi: “Eu e Susana completamos três anos de casados e quero presenteá-la com este artigo”. Eu respondi: “É claro que sim, não posso falar não!” Eu fiquei emocionada, porque quero que esse amor de Alexandre e Susana passe a inspirar muitos casais no Brasil e no mundo todo. E, inclusive, amo esse casal maravilhoso. Não consigo mais viver sem eles. 

O mais incrível é ver como Deus é realmente maravilhoso. Jamais imaginei que redes sociais pudessem criar esse vínculo do amor entre pessoas que nunca se encontraram antes. E isso não é só com eles não. O A Endometriose e Eu é o blog mais lido do mundo, com 2 mila acessos diários, porque há 3 anos ajudo mulheres a entenderem melhor o que é e como é viver com endometriose no mundo todo. E também porque o blog propaga o amor, mesmo quando eu vivia com muitas dores, o amor sempre prevaleceu em mim. Nunca ultimei o ódio, a raiva e nenhum sentimento negativo, somente o amor, o carinho. Mas como quem comanda está lá em cima e sabe de todas as coisas, eu só tenho a agradecer a Ele por ter me apresentado pessoas tão especiais. Ah, se não fosse essa tal de endometriose. Eu sou tão feliz por ser quem eu sou, como Deus me fez, com endometriose, e princialmente, por estar cercada de amor e vibrando amor aos quatros cantos do mundo e passando esse amor às endoirmãs!!! E viva o amor e a boda de couro de Alexandre e Susana. Beijo com muito carinho e muito amor! Caroline Salazar

"Hoje faz 3 anos que casei com a minha Susana. Juntos desde 2006, pode parecer uma história idílica, mas a nossa é acompanhada pela endometriose. Desde o início, a Susana foi honesta comigo. Tentou dizer-me que era portadora desta doença, o que significava, e eu tentei compreender. E lá fomos namorando. Eu tinha um carango bem velho na época, a que carinhosamente chamava "o chasso do amor". E 2007 foi um ano em que nós conhecemos um ao outro, passeamos bastante apesar dos magros recursos e das preocupações dos pais dela acerca de sua saúde e da possibilidade de o carro cair aos pedaços logo na primeira curva. Esse ano foi recheado de lugares especiais para nós, batemos muitas fotos e acabou gerando um álbum a que eu chamei de “2007, Odisseia no chasso”. Não tínhamos muitos recursos, ir de carro a qualquer lado era bem caro para as nossas posses. Mas fomos muito felizes, rimos muito, fizemos piquenique, fomos à praia... aprendemos aos poucos a amar e a ser companheiros e cúmplices. Interessamo-nos pelos assuntos do outro, ajudamos nos objetivos que tínhamos, e aos poucos, conseguíamos umas coisas e outras não, mas sempre juntos. Eu recordo que vivendo em cidades separadas por 30 km, algumas foram as vezes em que eu a deixei em casa à noite, e depois de ela deitar na cama eu ia ajeitar as cobertas e dar um beijo de boa noite. Depois regressava no chasso para casa, sabendo que tinha deixado a minha menina bem entregue e a descansar.

Atravessamos muita coisa juntos, coisas boas e nem tão boas. Em 2010 casamos num santuário próximo da nossa casa. A endo já estava bem presente na nossa vida da forma que todos os casais afetados pela doença conhecem. Isso não me demoveu. Desde que a conheci soube que ela é especial, que íamos acertar os dois se ela me aceitasse. E, desde então, tenho sido feliz com essa mulher, minha melhor amiga e companheira. O fato de ela estar hoje com dor, de não poder ser como gostaríamos, não faz com que seja menos especial. Sempre temos tido a sensação de que estamos juntos a dezenas de anos, é como se sempre nos conhecêssemos, apesar de apenas a ter encontrado aos 30 anos. Sou feliz com ela. Nem sempre é fácil enfrentar a doença, nem sempre é fácil compreender o outro lado, nem sempre evitamos uma briga, mas isso não nos separou até hoje e eu imagino que não nos venha a separar nunca.

Eu espero que esta homenagem que faço aqui hoje à minha esposa, sirva também de testemunho de que é possível viver com a endo como escolha e por amor. Eu não fui pego de surpresa. Sempre soube que ela tinha um problema. Para quem não sabe, em agosto passado ela teve uma histerectomia total. Não podemos mais ter filhos. E eu nunca amei tanto a minha mulher. Aceito o que a vida nos traz, agradeço as bençãos e os desafios. Muitos dias dói vê-la com dor. Muitos dias o sentimento de impotência para a ajudar me invade, muitas vezes vou trabalhar de coração partido quando ela fica em casa sofrendo. Mas todos os dias eu sou feliz por tê-la comigo. E agradeço tudo o que ela faz por mim, a paciência que tem para as minhas manias, os meus hábitos irritantes, o meu ronco que acorda os vizinhos, minha falta de jeito para algumas coisas. Recordo quando estávamos em uma reunião de preparação para o casamento, e me pediram para dizer na frente de todo o mundo o que eu gostava mais na Susana. Ainda hoje mantenho a resposta que dei, e que saiu do fundo do coração: “a forma como ela sabe esperar que eu revele o melhor de mim”. 
Obrigado por estes sete anos e meio juntos, com três de casamento. Nenhum arrependimento, nenhum lamento. Que viagem alucinante tem sido, e como tem sido gostoso acordar a teu lado todos os dias Susana."

terça-feira, 28 de maio de 2013

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO" O PRIMEIRO CONTATO DO CASAL COM A ENDOMETRIOSE - PARTE 3

No último texto da trilogia intitulada “O primeiro contato com a endometriose”, Alexandre fala sobre os aspectos sociais da doença. Após falar sobre o primeiro contato e alguns momentos delicados do endocasal, dentre eles o sexo, mas que podem ser transformados em momentos descontraídos, e sobre as limitações de uma mulher com endometriose, entre elas, a atividade doméstica, nosso endo marido português vai abordar a questão social da doença. O que falar quando alguém te olha e fala: “Nossa, não vai se queixar de dor hoje?” ou “até que cara tá boa para quem tava morrendo de dor ontem!” ou "ela precisa é de colo" e pior ainda: "essas dores são psicológicas, coisas da sua cabeça." Tipo coisas ignorantes de mentes mesquinhas e ignorantes. Olha, quando eu estava louca de tanta aderência (sim, a endo e suas consequências, como as aderências, nos deixam loucas e já falamos aqui no blog), quem falava isso pra mim, eu tinha ate dó. Porque do mesmo jeito que entrava no meu ouvido voltava. Agora, que estou bem, eu fico quieta e peço para Deus perdoar este ser sem cérebro. Porque me dá muito, mas muito dó de quem acha que a endometriose é apenas um fricote feminino. Mas como Deus é maravilhoso, eu tou sentindo cheiro de vitória no ar. Porque enquanto eu não comprovar pra todo mundo do que essa doença é capaz, o quanto ela é cruel com as mulheres, eu não sossego. Eu dou um boi para não entrar numa briga, mas quando entro dou uma boiada para não sair dela. Como diz nosso lema do blog: “O caminho é longo, doloroso, mas a vitória é certa para quem é do bem e faz o bem!”.  E sabe uma coisa que eu admiro? Quem é feliz, e muito feliz mesmo com dores. Não era o meu caso, mas existem pessoas assim e eu falo: “caraca, tiro o chapéu pra ela”. É vivendo e aprendendo. Se um dia eu voltar a ter dores (rezo todos os dias para não!, claro), eu vou pelo menos pensar em ser diferente. O importante é mesmo ser feliz, já que cada vida é única. Aproveitar a dádiva da vida, cada minuto e cada segundo! Beijo carinho! Caroline Salazar

“Para terminar essa triologia, vamos então falar sobre o aspecto social da doença. E começando pelo mais óbvio, as pessoas sabem que certa mulher tem endo, que um dos principais sintomas é a dor, mas frequentemente falam: “Puxa, mas até que você está com boa cara, nem parece doente.” Ô gente, não basta ter endometriose, sofrer com dor durante anos, todos os dias, ainda tem que ficar de cara fechada para os outros acreditarem que está sofrendo? Pôxa, deixa a gente ter uns momentos de felicidade e normalidade, ser positivo e reagir como possível. Socialmente a endo tem outro aspecto muito cruel. As pessoas nem se tocam sobre o quanto estão magoando a portadora quando falam: “Para quando será o bebê? Tá demorando hein? Olha que o tempo passa...” Se no fundo você não soubesse que a pessoa está falando isso com boa intenção ou desconhecendo a sua doença, a resposta mais suave seguramente seria mandar para o raio que a parta. Isso para não descer completamente do salto e rodar a baiana. Depois que você lida com a doença por uns tempos, acaba percebendo que para a portadora passa um turbilhão de emoções na cabeça dela nos momentos de cobrança. Muitos deles contraditórios. Para os caras, eu recomendo que se uma coisa dessas acontecer segurem na mão de sua companheira e mantenham a compostura. Brigar não vai resolver nada, aliás, vai agravar. Pode ter um pequeno alívio na hora, mas acredite em mim, a mulher vai ficar péssima depois.

Esperemos que depois que a sociedade aprenda mais sobre a endometriose, ganhe conhecimento, surja a compreensão. E muita gente vai entender que essa doença é uma doença. Não é culpa de ninguém, não é castigo divino, e apesar do sofrimento, ainda é possível viver e ser feliz apesar de tudo que a endo causa. A infertilidade é uma questão muito difícil de ultrapassar para a maioria dos casais. Sobretudo se o cara casou com a futura mãe dos seus filhos ao invés da mulher que ele levou ao altar. Se a esperança de filho foi muito grande, exagerada até, pode ser muito complicado superar isso. A aceitação da nova realidade é o caminho mais fácil. Seja por a mulher ter endometriose, com todas as complicações tantas vezes já relatadas, ou também por ser infértil e não realizarem o sonho de ter filhos. Eu não ia abordar essa parte já, mas está fazendo o maior sentido (e será tema de outro artigo). A vida pra lá da endo, a felicidade é possível sim. Infertilidade sexual não é infertilidade no coração. Peito sofrido muitas vezes é terreno fértil para o nascimento de amor profundo, de generosidade para com o próximo. Uma coisa não substitui a outra, mas como minha sábia avó fala, o que não tem remédio remediado está.

Não vou ficar passando lição de moral para ninguém. Gostaria que entendessem essa parte como a exposição de um ponto de vista, não a desvalorização do sofrimento alheio. Recordo que eu e minha esposa somos um dos casais que não pode ter filho nunca por conta da endometriose. Ela fez histerectomia total com retirada dos ovários, Foi necessário muito trabalho junto dela para arrumar esse assunto, falando como casal, muitas vezes com lágrimas regando as nossas conversas. Aos poucos as coisas foram se ajustando. Vou fazer uma confidência pra vocês, estou escrevendo e vendo minha esposa saracoteando pela casa, cuidando das coisinhas dela, sendo feliz (mesmo com algumas dores!). Essa visão faz tudo valer o esforço, a luta que travamos, o sofrimento juntos. A sociedade não tem o direito de exigir nada de vocês, a família também não. Quem não sabe o que é sentir a dor da endo fala sem conhecimento, pura ignorância. Muitas vezes precisamos lembrar as palavras de Jesus na cruz, “Pai, perdoa, pois eles não sabem o que fazem”. Nunca peçam desculpa pelo vosso amor. Ninguém tem o direito de exigir isso apenas porque gostariam que a vossa vida tivesse tudo o que a sociedade espera como padrão da normalidade. Com amor, união e companheirismo há momentos felizes apesar dos contratempos da doença. Abraço e até o próximo. Alexandre."

quinta-feira, 16 de maio de 2013

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO" O PRIMEIRO CONTATO DO CASAL COM A ENDOMETRIOSE - PARTE 2

Na segunda parte da trilogia intitulada “Primeiro contato com a endometriose”, Alexandre fala das limitações de uma endomulher nas atividades corriqueiras que toda mulher deve exercer muito bem, a profissional e a doméstica. Pois é, quem não tem endometriose adora falar mal da dor alheia. Mas, ora bolas, eu queria ver essa pessoa aí que vive falando como ela seria se a dor da endo a incapacitasse de realizar tarefas simples e que muitas gostam. Eu digo isso, pois como já falei aqui tem uma coisa que eu sempre adorei fazer, mas que a dor me impedia: como lavar os banheiros, a cozinha. Também sei dar uma boa faxina em casa, mas confesso que adoro mexer com água. Talvez por eu ser de um signo do elemento água, será? O fato é que eu tive de parar de executar essas tarefas. E hoje se a executo faço com muito cuidado e bem devagar. Vai fazer um ano no dia 1° de junho que estou livre das dores da endo (parece um sonho, meu grande milagre!), mas isso também gera um trauma. Eu sempre quis que ele abordasse a questão “doméstica”, porque muitos pensam que “se nasceu mulher então tem de fazer tudo em casa.” Muitas mulheres morrendo de dores são obrigadas a exercerem as tarefas de casa só porque estão em casa por conta das dores. Graças a Deus nunca apareceu na minha vida um homem com uma mente pequena dessa. E que Deus continue me abençoando! Amém! E a questão profissional também é de suma importância. Eu que o diga, já que tive de parar a minha por dois anos para me tratar, para fazer a fisioterapia uroginecológica para melhorar a dispareunia. Mas como Deus é sempre maravilhoso com seus filhos do bem, aos poucos vou retomando aquilo que eu era antes de tudo começar e virar minha vida de cabeça pra baixo. Mas hoje quem dita a coluna é nosso endo marido Alexandre. Um texto para ler, refletir, pensar... e para que muitas pessoas que convivem com as portadoras, e não só os endo maridos, passem a ter uma nova atitude perante as dores desta doença. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

“Tal como prometido, vamos continuar. Agora falando sobre a vertente profissional/doméstica. Como vocês sabem portadora de endometriose tem muitas limitações nas atividades que pode realizar. Se a mulher for bem prendada, ela saberá como fazer as coisas em casa. Cozinha, tanque, engomar roupa, supermercado, etc. Mas a mulher que tem endo morre de dor quando surgem as crises da doença, e fica difícil fazer as tarefas domésticas. Para os homens vou dar o seguinte exemplo: quase todo o mundo já teve dor de dente. Imaginem que estão tendo que cuidar da casa com dor de dente, mas não tem dentista. Se for um dente, no limite você pode até arrancar o dente em casa, arriscar uma infecção, mas se tratando da endometriose, isso não é possível. Você irá viver com essa dor por anos, com pouco alívio pela medicação, e tendo que cumprir com suas obrigações. Na esfera profissional, acontece a mesma coisa. Você tem dor, tem hora que fica sem funcionar, mas enquanto que em casa você pode deixar pra depois, no trabalho isso tem consequências maiores. Ficar faltando ao trabalho é complicado, mesmo com justificação do médico. Você arrisca o seu emprego porque está doente, não tem culpa, parece que não tem nada que alguém possa fazer para lhe ajudar, e aos poucos, seu emprego e seu salário estão indo pro brejo. Pior, você vai ao hospital e quando fala que precisa de analgésico forte porque está morrendo de dor, lhe xingam de toxicodependente. Isso não é exagero, aconteceu com a minha esposa. Tem mulher que tem dor na relação sexual e o marido acha que ela está de frescura. Aguentar tudo isso não é mole.


Vamos voltar à questão da mulher prendada. Ela foi educada para cuidar da casa e da família. Quando consegue, ela parece um furacão, vira a casa do avesso. Deixa tudo brilhando, cheiroso, bem bonito. Em seguida cai na cama com dor, poderá ficar vários dias sem conseguir fazer mais nada, se enchendo de drogas para aliviar os sintomas da doença. Claro que já adivinhou, não vai ter sexo. A mulher profissional, que não larga o serviço para os colegas, gosta de ser vista como alguém em quem podem confiar, e tem orgulho em seu trabalho, dá o máximo na empresa. Ela vai chegar em casa e muitas vezes ainda vai ter que fazer a janta, o almoço do dia seguinte, cuidar dos filhos... desse jeito não vai demorar pra ela cair na cama morrendo de dor de novo. E mesmo antes disso, no final do dia ela vai estar quebrada, morta de cansaço. Se a medicação já rouba a libido dela, imagina cansada também. Ninguém é de ferro, né? Você é bem esperto, e já logo pensa: não vai ter sexo de novo. Essa vida é bem complicada para gerir, nas tarefas e emocionalmente. É por isso que eu insisto tanto na comunicação entre o casal. Mas sempre tem um jeito de melhorar, e eu vou dar umas dicas para isso.


Divisão de tarefas: Sejam organizados. Sentem os dois com caneta e papel. Façam uma lista das tarefas que são realizadas em casa. Para os caras que não estão acostumados a dividir as tarefas domésticas, isso vai mostrar a capacidade enorme de trabalho que as mulheres têm. Assinale as tarefas que ela não consegue realizar. Essas geralmente incluem movimentar coisas pesadas e fazer trabalhos muito curvada. Essas tarefas podem ser realizadas pelo homem. Eu garanto que não é tanta coisa assim, se todos os dias fizerem um pouco. Então, o truque é fazer uma escala de tarefas. Quando eu bolei isso aqui para casa, imaginei que poderia dedicar duas horas de trabalho em casa por dia. Ela de um canto, eu no outro. Cada um fazendo as suas coisas, e depois desse tempo poderíamos jantar e ter tempo para nós. E funciona gente, se tiverem a disciplina para cumprir a escala. Quando chegar o fim de semana, poderão sair os dois pra namorar, visitar família, ou simplesmente descansar. Dá para imaginar que um funcionamento regular das tarefas domésticas reduzirá a ansiedade da mulher, e a divisão das tarefas permitirá que a mulher esteja menos cansada. Adivinhou, maior disponibilidade para o sexo. Tenham em atenção que muitas vezes a mulher não vai conseguir cumprir as tarefas. Mas o cara não pode se matar compensando o que ela não fez. Faz as suas e no final de semana compensa o que não deu para fazer no tempo normal. Nunca se deve cair no erro de esgotar as forças, pensando que aguenta tudo. Até Deus precisou de descanso.

Se você quiser ir trabalhar todos os dias estando ao seu melhor nível, respeite o seu descanso. Se não o fizer, vai ser nossa esposa arriscando o emprego dela e nós também o nosso. Usar duas ou três horas pra cozinhar no domingo de tarde, por exemplo, também pode ajudar. Você faz a comida para a semana inteira e já economiza tempo, energia e terá sempre refeições econômicas e saudáveis para levar para o serviço. Se alimentem direito. Comer bem não significa comer caro nem comer muito. Consulte uma tabela nutricional para ver como deve equilibrar a sua dieta. Geralmente, uma dieta equilibrada até que fica barata. Nos projetos profissionais, se apoiem mutuamente. Não é fácil a mulher se manter ativa e confiante profissionalmente, por isso sempre que ela tiver um novo desafio, apoie –a. E a mulher apoie também os projetos do homem. Quando eu falo apoiar, não é concordar com tudo. É ajudar um ao outro a ver onde estão os pontos fortes e as fragilidades de cada projeto. Sejam bons parceiros. Ter projetos ajuda a pensar em outras coisas, não ficar focado apenas na endo. Não permitam que as vossas vidas sejam absorvidas pela doença. Sei que nos momentos de dor isso é impossível e a tendência vai ser essa, mas vocês precisam contrariar.Ter planos para o futuro é ter esperança. Mas não faça planos apenas para longo prazo. Crie metas a curto, médio e longo prazo. Assim você vai ver as coisas acontecendo, podendo comemorar pequenas vitórias, celebrando que está vivo e mexendo, batalhando para ultrapassar as dificuldades. Façam tudo se amando, ajudando alguém se possível. Não estamos sozinhos nesse mundo, e todas as pessoas precisam de um abraço de vez em quando. Hoje estou deixando aqui o meu para vocês. Alexandre.”

sábado, 4 de maio de 2013

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO" O PRIMEIRO CONTATO DO CASAL COM A ENDOMETRIOSE!!!

Em “A Vida de um Endo Marido”, Alexandre fala do primeiro contato do endocasal com a endometriose. Ele também já aponta sobre a vida sexual desse casal e discorre sobre alguns pontos principais de um relacionamento entre casais e que vai ajudar e muito nossos casais. Porque só quem passa pela mesma situação para entender tudo que a endo nos traz. Neste artigo, nosso endo marido português também fala sobre a vida sexual de um endocasal. Este é o primeiro de uma trilogia que ele escreveu sobre “O primeiro contato com a endometriose”. Queremos transformar a angústia de como lhe dar com endometriose, numa relação de amor, de cumplicidade e de muito carinho. Porque só o amor salva e já falamos sobre isso aqui.  Queremos que todos os casais, principalmente, os endocasais tenham momentos alegres, positivos, alto-astral. Porque todos nós merecemos ser felizes e a felicidade pode estar escondida aí bem ao seu lado, talvez, ela precisa apenas ser regada com uma palavra, com um gesto, com alguma coisa. E se você, marido, precisar de um ponta-pé para isso, estamos aqui, principalmente, o Alexandre, para ajudá-lo a entender melhor tudo que passa com sua esposa. Porque o Alexandre também passa por momentos dolorosos com sua esposa Susana, mas eles decidiram serem felizes mesmo com a endometriose na vida deles. Aqui também abordamos alguns pontos sobre o sexo. E estamos esperando as sugestões dos maridos para esta seção. Ah, e na próxima semana estrearemos nova coluna no blog!!! Aguardem!!!! Porque queremos que o A Endometriose e Eu seja o blog mais completo do mundo sobre endometriose. Sozinha jamais teria condições de tanto. Em minha cabeça brota milhões de ideias, mas sem meus colaboradores, jamais almejaria transformar o blog em algo tão grande. Tenho certeza que a nova coluna levará ainda mais fé e esperança às endomulheres. Aproveito para agradecer a Deus todas as pessoas do bem que Ele tem enviado a mim. Sei que ainda tem laranjas podres que tentam se aproximar, mas no fim Deus irá mostrar a todos que realmente é cada um de nós. Então, pra que temer? Beijo carinhoso! Caroline Salazar

“Essa minha participação começou de um jeito meio desorganizado, mas eu acho que no início tudo começa assim quando é espontâneo. Hoje pensei em dar uma organizada nesse negócio de escrever para o blog, e então vamos lá. Como sempre o melhor ponto de partida é o começo. Então, hoje, vamos abordar o ponto de partida para um endocasal. O momento em que a endo começa se revelando e complicando as cabeças e a vida do casal. Podem ocorrer duas situações distintas: o casal se conhece e a mulher já tinha endo diagnosticada, ou estão juntos e descobrem que ela tem endo. Problemão, coisa complicada, mula sem cabeça... certo ou errado? Certo porque é um problemão; tem o choque inicial, os tratamentos são caros, tem muita dor envolvida para a maioria das mulheres, a sexualidade do casal será afetada também na maioria dos casos, correm vários médicos, depois vocês passam para os especialistas, quem pode pagar recorre ao tratamento particular e descobre que poucos possuem respostas. E muitos deles ainda estão aprendendo como a doença funciona, fazendo tratamentos experimentais, mas pelo menos existe alguma evolução. E se vocês observarem direito vão descobrir que os avanços da ciência, médica ou não, é assim mesmo. Um dia alguém vai ter um progresso maior e passar esse conhecimento para outros médicos e será mais fácil seguir em frente.  E errado por quê? Porque a complicação maior está na cabeça das pessoas. E essa é a única parte que você pode mudar sozinho. O resto é com os médicos e com Deus. Por agora, vamos isolar o casal. Mais a frente falarei sobre a forma como a sociedade encara as portadoras.

Eu identifico três áreas complicadas onde o comportamento da mulher se altera profundamente: sexual, profissional/doméstica e social. Vamos analisar uma de cada vez. Na sexual, tem dois sintomas principais. A dor e a perda da libido. Isso faz com que a mulher não tenha vontade de ter sexo, mas por conta da dor chega a temer a penetração e ganha trauma, como já foi muitas vezes descrito pela Caroline. Não é fácil para o homem lidar com isso. Por isso, aqui é fundamental o diálogo. Vai ser necessária total honestidade entre o casal. A solução não é a fuga como a mulher vai ter vontade, de evitar o assunto. Não dá para tapar o sol com a peneira. O problema está aí, não vai embora sozinho e um milagre é altamente improvável. Façam a vossa parte. A mulher fala, o homem escuta. Depois falam os dois. Consultem o blog, vejam outras publicações, leiam folhetos, assistam vídeos... tudo o que conseguirem. Parece massacre, mas quanto mais informados estiverem os dois sobre a doença, melhor vão conseguir enfrentar.

Muito importante: além de ser fundamental consultar um ginecologista experiente em tratar a doença. Quando a mulher suspeitar que possa ser portadora da doença, não deixe o homem de fora. Ela vai à consulta e ele deve ir junto. Essa história de que o médico pode não gostar é frescura, viu? O problema é dos dois e um médico responsável tem que tratar não só a mulher, mas o casal. De nada vale fazer tratamento pra mulher, se o homem cair fora por não entender o que está acontecendo com ela. Muitas mulheres acabam se suicidando decorrente de uma depressão profunda. Se a mulher afasta o homem das consultas, vai esperar o quê? Que ele esteja presente, sorrindo feito anjinho quando não ele não tem na cama o que os colegas gabam ter com as mulheres deles? Porque homem é assim mesmo, fica sempre contando vantagem. Seu companheiro não vai sofrer apenas em casa, no trabalho e junto com os amigos vai ter a mesma coisa. Então, envolva o seu homem quando for ao médico. O doutor vai tratar seu corpo e de quebra trata a cabeça dele, fornecendo informação que combate a ignorância e facilita a compreensão. Nessa essa vocês podem estar pensando que eu tenho um remédio para a libido. Não tenho gente, mas se conseguir uma dica comprovada eu coloco aqui.

E peço o favor de quem conheça, que envie e-mail pra Caroline que ela postará aqui. É claro que apenas o diálogo não é suficiente. Precisa de carinho. Não fuja do seu homem na cama. Permita namoro, carícias, descubra a sexualidade com ele do jeito que conseguirem que funcione. Estabeleçam limites nos quais ambos concordam e confie nele. Porque vou falar para vocês, se a mulher fica escondida num canto da cama, um dia esse homem vai estourar. O homem não está com problema algum exceto que a sua amada não consegue ter sexo com ele. Mas lembrem-se sempre, poderia ser o contrário. O homem poderia ter dificuldade em alguma parte, e não ia gostar que a mulher cobrasse dele. Então, na vida do casal com ou sem endometriose, a primeira regra é respeito. Respeitem as limitações um do outro, porque amanhã poderá ser com você (marido) e daí você vai precisar de ajuda também. Seja humilde.

A segunda regra é compreensão. Procure se informar sobre tudo o que está acontecendo com sua mulher, porque os diagnósticos são tão difíceis de obter, em que ponto os médicos estão no conhecimento da doença, e sobretudo, como ela afeta a sua mulher em particular. Porque todas terão uma endo diferente, ela afeta cada mulher de um jeitinho especial. A terceira regra é cumplicidade. Brinquem muito, namorem bastante, partilhem atividades juntos, coloquem um som bem alegre em casa. Inundem as vossas vidas de coisas que dão prazer, porque sofrimento vai ter de sobra. Se for preciso estabeleçam tempos em que cada um faz as suas coisas. Imagina que o homem gosta de ler um livro sentado no alpendre... ou que a mulher gosta de um bom banho de sais para relaxar... se permitam esse tipo de coisas dentro das possibilidades de cada um. Se morarem perto do mar, experimentem ir à praia juntos. O ar do mar ajuda nos problemas respiratórios, é bom pra relaxar e sempre é um programa legal para ambos. Até ir ao supermercado pode ser uma atividade divertida se ambos estiverem com bom astral e brincarem o tempo todo. Positivismo gente.

A quarta regra é paciência. Seja paciente, saiba esperar. Quando for a hora certa, a cura surgirá. Quem sabe se não acontece nessa geração e ajuda as 176 milhões de portadoras? Seria muito bom, mas se não for agora, estressar só vai piorar as coisas. Vocês esquentam a cabeça, acabam discutindo, não resolve nada, e adivinha... acabou de piorar a frequência do sexo. Perdeu em todas. Então vamos ser inteligentes e dar amor em vez de guerra. Aqui em Portugal nós falamos “Não é com vinagre que a gente pega mosca”. Mel é bem mais atrativo. Vou terminar essa parte com votos de que para alguns casais, esse texto seja um bom ponto de partida para darem uma melhorada em suas vidas conjugais. Não esqueçam que todo o edifício começa sendo construído nas fundações. Reforcem suas fundações, para que a vossa casa seja firme e não desmorone com a primeira tempestade. Como vocês falam aí no Brasil, samba no pé minha gente. Abraço.”

quinta-feira, 11 de abril de 2013

3 ANOS DE BLOG: "A VIDA DE UM ENDO MARIDO" SÓ O AMOR SALVA!!!

Hoje na seção “A Vida de um Endo Marido” vamos abordar um dos assunto mais importantes entre um casal: o amor. Como já falei milhões de vezes no blog, pra mim, só o amor salva. Salva da depressão, da tristeza e de muitas coisas... eu sou a prova viva disso! A cumplicidade entre qualquer casal é essencial para haver a harmonia na vida a dois, seja na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença. Aliás, eu acho que realmente testamos o amor quando há doença e tristeza, viu. Este texto do endo marido Alexandre Vaz foi escrito sete dias após a cirurgia de sua esposa Susana, em agosto de 2012, mas ele será sempre atual. Até porque a endometriose pode ocasionar as cirurgias recorrentes. Este foi o primeiro texto que ele me enviou, e foi a partir dele que fiz o convite para escrever no blog e ajudar os maridos das endomulheres. Além do amor, o que me chamou atenção foi o companheirismo, a cumplicidade, a dedicação à companheira, dentre outros... Escolhi este texto para celebrar o amor nos 3 anos do A Endometriose e Eu. Escolhi este texto porque quero muitos endo maridos acreditando no amor. A data de nascimento do blog é dia 12, amanhã, mas iremos festejar o mês todo  Aqui, ele sente-se frágil e sem saída por ter de ir trabalhar a acompanhar o retorno pós-cirúrgico de sua esposa Susana.

O ser humano é frágil e sempre tem de optar por uma ou outra coisa, mesmo a contragosto. Não tem jeito, sempre é preciso escolher. A dedicação de um marido à sua esposa também é outro destaque do texto. Assim é um casamento, mesmo que seja para quem junte os trapos. Assumir um ao outro como “marido” ou “esposa”, é dedicar-se um ao outro por inteiro, independente da situação que tanto um ou o outro se encontre. Aproveito para pedir sugestões aos endo maridos sobre os artigos ao Alexandre. Peço que enviem sugestões de tema para alexandre.vaz.endo@gmail.com com cópia para carolinesalazar7@gmail.com e coloque no título Endo Marido, pois assim irei arquivá-lo sem abrir. E só para termos controle nas respectivas pastas. Ele também aceita sugestões para escrever o artigo sobre a falta de libido, dentre outros, ligados ao sexo, e como solucionar esta  conseqüência que acomete muitas de nós. Beijos com carinho! Caroline Salazar

"Sete dias após a operação de minha Susana, ela teve o retorno pós-cirurgia. Ao contrário daquilo que esperava, tive de ir trabalhar. E eu tive de contar com a irmã dela para acompanhá-la ao hospital enquanto eu fui trabalhar. Não é um momento crítico como foi o da cirurgia, mas era importante na mesma proporção. Porque quero que ela saiba sempre que estou ao seu lado, que a apoio, que somos um casal. Que para mim acabou a definição de “meu destino”, tendo sido substituída por “nosso destino”. Para onde formos, vamos os dois. Ainda que bastantes vezes isso significa que mesmo com ela doente eu tenho de ir trabalhar. Vê-la com dores, por vezes sem saber o que fazer ou pensar da situação em que se encontra, com a ausência de respostas, a espera pelo fim do dia em que eu chego. E, por vezes, o dia tem 16 horas em vez de 8, em que eu tenho de deixar a vida compartimentada, separada pelos portões de uma empresa. Aquela fronteira precisa de ser intransponível e impermeável. Mal o torniquete roda à minha passagem, aconteça o que acontecer, eu preciso isolar a outra parte da minha vida. Deixar pensamentos, angústias e dúvidas para trás. Porque na hora do patrão, eu tenho de conseguir dar sempre o meu melhor. E acho que até nem disfarço mal, mas cá dentro sei que poderia ser melhor. Nem que fosse 1% melhor, mas podia.

Porque nenhum de nós, que seja saudável emocional e psicologicamente, deixa de ser afetado pelo sofrimento de quem amamos. Porque nos dói no peito ver um olhar sofrido e, por vezes, desesperado antes de fecharmos a porta de casa enquanto saímos. Porque ali fica alguém que redimensionou a nossa vida, as nossas prioridades viraram o mundo ao contrário, e está a precisar de colo. E, por vezes, esquecemo-nos de coisas importantes que prometemos. E, por vezes, levamos broncas dos superiores porque não fizemos tudo o que estava combinado. E, por vezes, temos de brincar e rir com os colegas para manter a capacidade de funcionar mais um dia. Entretanto, quem precisa urgentemente de colo ficou em casa, sem capacidade de funcionar. E dói. Dói muito. Dói não estar sempre que seria preciso. No retorno médico de minha amada esposa foi um dia em que doeu, justamente por não estar onde e enquanto era preciso para quem é mais importante para mim. Porque minha equipe do trabalho estava desprovida. E lá fui eu. A minha cunhada, que sabe Deus tem problemas e cansaço de sobra, tomou o meu lugar e levou minha Susana à consulta em seu retorno pós-operatório. E eu fui trabalhar, imaginando que levaria 8 horas até ter a minha liberdade. Tal não aconteceu. Após regressar para casa, durante a tentativa de fazer o jantar, tive de interrompê-lo e retornar ao trabalho e ajudar na resolução de uma avaria. E sete dias após a cirurgia da minha Susana, tornei a não ter tempo para estar com ela, nem sequer no final do dia.

A minha Susana é de uma compreensão extraordinária. Também tem momentos em que se queixa, o que é perfeitamente normal. E eu sinto-me muitas vezes dividido entre o que fazer. Porque se por um lado está a minha família, que é para quem eu trabalho e essa é a minha prioridade número 1, se não trabalhar e não for capaz de colocar em casa o necessário para manter as nossas coisas, tudo desmorona. E lá tenho de lhe negar colo mais uma vez. Mas o meu amor por ela nunca abandona o meu coração. Onde quer que esteja, é por nós que eu lhe nego o colo que por vezes ela tanto precisa, e que me custa tanto dizer-lhe que não. E nunca se compensa. É impossível compensar um momento de carência, porque quando não o fazemos na hora, puff... já foi. Tenta-se que não seja sempre assim. Mas enquanto consigamos chegar a casa, ou telefonar a meio do dia para saber como estão as coisas, às vezes para dar um encorajamento, marcamos uma pequena presença que apesar de tudo é importante. Aqueles 2 ou 3 minutos, vilmente roubados ao patrão durante a sua hora, são para dar a quem mais precisa, e aguente-se o patrão e o chefe e o resto daquela corja que me rouba o tempo que eu preciso para dar a quem amo. Aguentem-se antes que eu vire bicho. Porque durante o dia, tenho a necessidade de fazer um exercício mental e relembrar-me de quem mais importa para mim, e porque é que eu trabalho.

Por isso, neste dia amar a minha Susana foi pedir-lhe desculpa enquanto lhe explicava que tinha de regressar à empresa, negando-lhe quase por completo o meu dia. O 7º dia após a cirurgia, em que eu devia tê-la acompanhado e afinal nem sequer restou o final. Fiz o trajeto até casa para simular um jantar e pedir desculpa à minha esposa por ter de regressar ao trabalho. Mas levei comigo o amor que temos, e que me lembra o porquê de eu lhe negar colo quando ela precisa para manter o meu posto e a confiança dos meus superiores. Apesar disso, não deixa de doer. Mas a esperança faz-me acreditar que um destes dias, vou vê-la a sorrir continuadamente como até hoje só tive alguns exemplos espaçados no tempo. Neste dia amá-la foi assim. Abraço!"