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quinta-feira, 11 de abril de 2013

3 ANOS DE BLOG: "A VIDA DE UM ENDO MARIDO" SÓ O AMOR SALVA!!!

Hoje na seção “A Vida de um Endo Marido” vamos abordar um dos assunto mais importantes entre um casal: o amor. Como já falei milhões de vezes no blog, pra mim, só o amor salva. Salva da depressão, da tristeza e de muitas coisas... eu sou a prova viva disso! A cumplicidade entre qualquer casal é essencial para haver a harmonia na vida a dois, seja na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença. Aliás, eu acho que realmente testamos o amor quando há doença e tristeza, viu. Este texto do endo marido Alexandre Vaz foi escrito sete dias após a cirurgia de sua esposa Susana, em agosto de 2012, mas ele será sempre atual. Até porque a endometriose pode ocasionar as cirurgias recorrentes. Este foi o primeiro texto que ele me enviou, e foi a partir dele que fiz o convite para escrever no blog e ajudar os maridos das endomulheres. Além do amor, o que me chamou atenção foi o companheirismo, a cumplicidade, a dedicação à companheira, dentre outros... Escolhi este texto para celebrar o amor nos 3 anos do A Endometriose e Eu. Escolhi este texto porque quero muitos endo maridos acreditando no amor. A data de nascimento do blog é dia 12, amanhã, mas iremos festejar o mês todo  Aqui, ele sente-se frágil e sem saída por ter de ir trabalhar a acompanhar o retorno pós-cirúrgico de sua esposa Susana.

O ser humano é frágil e sempre tem de optar por uma ou outra coisa, mesmo a contragosto. Não tem jeito, sempre é preciso escolher. A dedicação de um marido à sua esposa também é outro destaque do texto. Assim é um casamento, mesmo que seja para quem junte os trapos. Assumir um ao outro como “marido” ou “esposa”, é dedicar-se um ao outro por inteiro, independente da situação que tanto um ou o outro se encontre. Aproveito para pedir sugestões aos endo maridos sobre os artigos ao Alexandre. Peço que enviem sugestões de tema para alexandre.vaz.endo@gmail.com com cópia para carolinesalazar7@gmail.com e coloque no título Endo Marido, pois assim irei arquivá-lo sem abrir. E só para termos controle nas respectivas pastas. Ele também aceita sugestões para escrever o artigo sobre a falta de libido, dentre outros, ligados ao sexo, e como solucionar esta  conseqüência que acomete muitas de nós. Beijos com carinho! Caroline Salazar

"Sete dias após a operação de minha Susana, ela teve o retorno pós-cirurgia. Ao contrário daquilo que esperava, tive de ir trabalhar. E eu tive de contar com a irmã dela para acompanhá-la ao hospital enquanto eu fui trabalhar. Não é um momento crítico como foi o da cirurgia, mas era importante na mesma proporção. Porque quero que ela saiba sempre que estou ao seu lado, que a apoio, que somos um casal. Que para mim acabou a definição de “meu destino”, tendo sido substituída por “nosso destino”. Para onde formos, vamos os dois. Ainda que bastantes vezes isso significa que mesmo com ela doente eu tenho de ir trabalhar. Vê-la com dores, por vezes sem saber o que fazer ou pensar da situação em que se encontra, com a ausência de respostas, a espera pelo fim do dia em que eu chego. E, por vezes, o dia tem 16 horas em vez de 8, em que eu tenho de deixar a vida compartimentada, separada pelos portões de uma empresa. Aquela fronteira precisa de ser intransponível e impermeável. Mal o torniquete roda à minha passagem, aconteça o que acontecer, eu preciso isolar a outra parte da minha vida. Deixar pensamentos, angústias e dúvidas para trás. Porque na hora do patrão, eu tenho de conseguir dar sempre o meu melhor. E acho que até nem disfarço mal, mas cá dentro sei que poderia ser melhor. Nem que fosse 1% melhor, mas podia.

Porque nenhum de nós, que seja saudável emocional e psicologicamente, deixa de ser afetado pelo sofrimento de quem amamos. Porque nos dói no peito ver um olhar sofrido e, por vezes, desesperado antes de fecharmos a porta de casa enquanto saímos. Porque ali fica alguém que redimensionou a nossa vida, as nossas prioridades viraram o mundo ao contrário, e está a precisar de colo. E, por vezes, esquecemo-nos de coisas importantes que prometemos. E, por vezes, levamos broncas dos superiores porque não fizemos tudo o que estava combinado. E, por vezes, temos de brincar e rir com os colegas para manter a capacidade de funcionar mais um dia. Entretanto, quem precisa urgentemente de colo ficou em casa, sem capacidade de funcionar. E dói. Dói muito. Dói não estar sempre que seria preciso. No retorno médico de minha amada esposa foi um dia em que doeu, justamente por não estar onde e enquanto era preciso para quem é mais importante para mim. Porque minha equipe do trabalho estava desprovida. E lá fui eu. A minha cunhada, que sabe Deus tem problemas e cansaço de sobra, tomou o meu lugar e levou minha Susana à consulta em seu retorno pós-operatório. E eu fui trabalhar, imaginando que levaria 8 horas até ter a minha liberdade. Tal não aconteceu. Após regressar para casa, durante a tentativa de fazer o jantar, tive de interrompê-lo e retornar ao trabalho e ajudar na resolução de uma avaria. E sete dias após a cirurgia da minha Susana, tornei a não ter tempo para estar com ela, nem sequer no final do dia.

A minha Susana é de uma compreensão extraordinária. Também tem momentos em que se queixa, o que é perfeitamente normal. E eu sinto-me muitas vezes dividido entre o que fazer. Porque se por um lado está a minha família, que é para quem eu trabalho e essa é a minha prioridade número 1, se não trabalhar e não for capaz de colocar em casa o necessário para manter as nossas coisas, tudo desmorona. E lá tenho de lhe negar colo mais uma vez. Mas o meu amor por ela nunca abandona o meu coração. Onde quer que esteja, é por nós que eu lhe nego o colo que por vezes ela tanto precisa, e que me custa tanto dizer-lhe que não. E nunca se compensa. É impossível compensar um momento de carência, porque quando não o fazemos na hora, puff... já foi. Tenta-se que não seja sempre assim. Mas enquanto consigamos chegar a casa, ou telefonar a meio do dia para saber como estão as coisas, às vezes para dar um encorajamento, marcamos uma pequena presença que apesar de tudo é importante. Aqueles 2 ou 3 minutos, vilmente roubados ao patrão durante a sua hora, são para dar a quem mais precisa, e aguente-se o patrão e o chefe e o resto daquela corja que me rouba o tempo que eu preciso para dar a quem amo. Aguentem-se antes que eu vire bicho. Porque durante o dia, tenho a necessidade de fazer um exercício mental e relembrar-me de quem mais importa para mim, e porque é que eu trabalho.

Por isso, neste dia amar a minha Susana foi pedir-lhe desculpa enquanto lhe explicava que tinha de regressar à empresa, negando-lhe quase por completo o meu dia. O 7º dia após a cirurgia, em que eu devia tê-la acompanhado e afinal nem sequer restou o final. Fiz o trajeto até casa para simular um jantar e pedir desculpa à minha esposa por ter de regressar ao trabalho. Mas levei comigo o amor que temos, e que me lembra o porquê de eu lhe negar colo quando ela precisa para manter o meu posto e a confiança dos meus superiores. Apesar disso, não deixa de doer. Mas a esperança faz-me acreditar que um destes dias, vou vê-la a sorrir continuadamente como até hoje só tive alguns exemplos espaçados no tempo. Neste dia amá-la foi assim. Abraço!"



segunda-feira, 11 de março de 2013

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO": DICAS DE COMO ECONOMIZAR TEMPO E DINHEIRO NA COZINHA!!!



A estreia de “A Vida de um Endo Marido” foi um sucesso tão grande que  resolvemos fazer a coluna quinzenal. Eu sempre achei o apoio do companheiro fundamental para uma endo mulher. Saber que muitos maridos passarão a compreender e a entender melhor a vida de sua companheira foram os ensejos principais para idealizar a coluna. Aqueles que entendem e compreendem poderão trocar figurinhas com Alexandre, pedir ajuda a ele e o mais importante: conversar com quem passa pela situação semelhante. Ninguém é melhor do que ninguém e estamos todos em busca de uma evolução. Por isso acho que a união, o apoio, o amor e o carinho são premissas fundamentais para começar a ajudar alguém, mas não pode ter o egoísmo ou pensar “eu vou fazer”. Alguém pode ter a ideia, claro, mas é preciso de outros para torná-la realidade. Então, não se realiza nada sozinho. Aos poucos, Alexandre vai discorrendo sobre os diversos temas já sugeridos. O de hoje achei muito relevante e de extrema importância, pois trata de algo que traz muitos transtornos à vida não só da mulher, mas de toda família: a questão financeira. Por que economizar? E em que podemos economizar? Tenho certeza que o artigo de hoje vai ajudar muitos "Endo Casal". Afinal, como já falamos aqui, a endometriose é uma doença cara, muito cara e que leva muitas famílias à falência. Falo isso porque conheço histórias com este triste final. E não é só para quem é humilde ou não tem dinheiro. Falo isso, para servir de alerta, principalmente, para quem tem dinheiro. Não se deixe enganar por promessas milagrosas e muito menos por quem cobra uma fortuna para tratar uma endo mulher. Uma hora o dinheiro acaba, já que ele não brota em árvores e nem na terra. Por isso, faço questão de indicar o ambulatório de endometriose e açgia pélvica da Unifesp, o melhor lugar do Brasil para tratar uma endo mulher e ainda de graça, sem gastar um tostão, pelo SUS.

Nosso endo marido português (é marido de minha amada Susana V., mas acho que ela não irá se importar com o pronome “nosso” que usei!) conta a respeito de uma medida que tomou em casa há 3 anos e que está ajudando-os a terem alimentos mais saudáveis, a economizar tempo na cozinha e a economizar dinheiro também, o que é muito importante no nosso caso. Bom, a questão financeira até hoje é um tormento na minha vida. Mas faz parte de meu aprendizado e sei também que quando se tem fé, ela move montanhas, e em especial nesse momento delicado, é quando estamos à prova. Quem tem fé, a ajuda vem no último segundo, mas vem. Quem nunca teve sua graça recebida, mesmo quando estava quase tudo perdido? E quando envolve a questão financeira. Exemplo: Quando precisa pagar algo, mas não tem o dinheiro, mas na última hora, o tal aparece. E ainda dizemos “nossa caiu do céu”. Esta expressão bastante comum no Brasil é uma dádiva para quem tem fé. A fé é à base de tudo na vida e ela está à prova a todo o momento, todos os dias. É com e por ela que acordamos todos os dias para escrever um novo capítulo na nossa vida. Mesmo que não estejamos bem, é ela que nos permite ter a esperança de um novo e abençoado dia. Espero que artigo possa ajudar muitas famílias. Estamos anotando as sugestões dos endo maridos e saiba que todas são muito bem-vindas! Ah, e estamos trabalhando sem parar para preparar nosso I Brasil na Consicentização da Endometriose. Estou muito feliz em saber que mulheres de outros estados, como as queridas Adriana Heinz e Livia Lorenzini, do Endometriose Brasil, estarão em São Paulo conosco. A caminhada é longa, dolorosa, mas a vitória é certa! Beijos com carinho!! Caroline Salazar

“Hoje escrevo com múltiplos propósitos, sendo um deles o dar apoio à minha mulher. Como sabem, é duro chegar a casa e ver quem amamos com dores, em desespero, lutando. Mais triste ainda é por não saber quando vai parar as dores, quando vai saber novamente o que é uma vida normal. No meio dos maiores desesperos, por vezes falha-nos as forças e a razão significa pouco. Os braços parecem pesar toneladas, teimam em ir para baixo como se não quisessem obedecer. A tal fé é testada, por vezes de formas muito violentas. Nem sempre conseguimos ver a importância que temos na vida dos outros, a falta que lhes faríamos se desaparecêssemos. As pessoas que lutam lado a lado conosco, que riem e choram conosco, por quem enfrentamos o cansaço extremo, por quem permitimos que a nossa carne seja machucada e o sangue escorra. Aquelas pessoas por quem nenhum sacrifício será grande demais. E, no entanto, por vezes queremos desistir, ainda que apenas por momentos. É humano. Cair do cavalo faz parte da aprendizagem. A diferença entre vencedores e vencidos está muitas vezes na rapidez com que voltamos a subir. Somos todos dotados de limites à nascença. Alguns possuem a ilusão de que não os têm, mas tal não é verdade. E para esses o confronto com a realidade pode ser mais duro do que para os restantes.

Porque quem se sente invencível, capaz de tudo, acaba por se convencer de que é mesmo assim, que é uma força indomável. Quando a vida lhes prova o contrário, o contraste chega a ser tão grande que não se quer encarar. O sofrimento é maior por se comparar uma ilusão que durou enquanto foi perfeita, com uma realidade que não se quer aceitar por ser feia. Surgiu um espelho que é mentiroso, que mostra o que não pode ser verdade. Para quem acredita que tem uma missão a desempenhar, tudo o que é significativo na sua vida deve ter um propósito. E o sofrimento pela sua própria natureza é muito significativo. Essas pessoas podem encará-lo de duas formas: como punição ou como preparação. Não vou abordar a vertente da punição, mas a da preparação terá a sua lógica e é mais interessante. Um estudante tem de ler os livros, fazer os exercícios e prestar provas. Viver com a endometriose não é diferente. É preciso aprender sobre a doença, lendo, vendo vídeos, falando com as pessoas que sabem; dar muito apoio e ajuda em casa; e prestar provas passando o testemunho e ajudando quem agora começou a sua interação com a doença. Talvez eu não esteja a ser tão rápido como gostariam a falar mais sobre como lidar com esta questão, mas prometo que não será sempre assim.

A paciência é fundamental para resistir, e a única forma de desenvolvê-la é exercitando-a. Como eu sei muito bem, e vocês saberão também, a endo absorve a maior parte do nosso tempo, tirando a do trabalho. A mulher está doente, não pode fazer muitas das tarefas domésticas e por vezes tem alturas que não consegue fazer nenhuma. Vai sobrar para o companheiro e familiares. E não há outra forma, portanto, uma gestão correta do tempo é fundamental. Hoje vou abordar a questão da comida. Tratando-se de uma necessidade básica vou dar-lhe prioridade. É importante uma alimentação correta, e passar os dias com comida rápida porque se está exausto não é solução. Não é muito saudável, acaba por ficar caro e não sabemos o que iremos comer. Reparem nas notícias na Europa, muita comida processada que contém ingredientes não declarados como a carne de cavalo. O problema não é a ingestão dessa carne, mas o perigo de não ter sido sujeita a controlo sanitário e a possibilidade de alergia alimentar. Bom, aqui em casa, uma das melhores opções que tomamos foi a de comprar uma congeladora vertical (nota da editora: freezer vertical) com 6 gavetas. A minha esposa não queria que fosse tão grande, mas eu bati o pé e escolhi esta. Por vezes as mulheres erram, ainda que não gostem de admitir. E porque senti a necessidade de comprar esta congeladora? Na família temos quem nos ofereça vegetais cultivados nas hortas e por vezes rejeitávamos porque sabíamos que não íamos consumir a tempo. Era melhor que fossem entregue a outras pessoas do que estragarem conosco. Poucos dias depois eu tinha de comprar as mesmas coisas, pagando do meu bolso o que poderia ter sido grátis.

Outro motivo foram as promoções. Por vezes surgiam promoções de carne ou de peixe, que não aproveitava porque não tinha onde congelar. E a possibilidade de poupar 1 ou 2eurow por quilo era perdida. Ao longo do mês eu perdia facilmente de 10 a 15euros em promoções. A decisão estava tomada. Procurei nas lojas a congeladora que eu precisava, e quando encontrei um bom negócio nem pensei mais. O custo ficou em 300 euros (estou a falar em valores apenas para poderem avaliar se procedi bem!). Já a temos em casa vai para 3 anos (36 meses). Considerando uma poupança média de 10 euros por mês, são 360 euros, e a congeladora continua a funcionar bem. Ou seja, até o custo da energia já está pago, e continuará a gerar poupança. Nunca mais tive problemas de faltar comida em casa e ter de sair com pressa para o mercado. Sempre que surge uma promoção, eu aproveito. Nós adoramos salmão. O custo cortado em postas é geralmente 2euros  mais caro do que o peixe inteiro. Então quando o preço é bom, compramos um salmão entre 4 a 6 quilos. Em casa congelamos o equivalente a uma refeição para o casal em cada saquinho. É só descongelar, salgar e cozinhar. É raro faltar peixe ou carne aqui em casa por esse motivo. Com os vegetais, também os congelamos, mas há algum tempo percebemos uma coisa. Os produtos ocupam muito mais espaço antes de cozinhados. Por esse motivo, e também porque é muito cansativo cozinhar todos os dias (para não falar no custo da energia para a máquina da louça), escolhemos uma tarde do final de semana para cozinhar aqui em casa. O ideal é na volta do supermercado quando tudo está fresquinho. Compramos os ingredientes para as refeições que já planejamos, evitando assim o desperdício e a tentação de comprar alguma coisa apenas porque ficamos com vontade. 

Demoramos umas 3 horas a cozinhar algumas comidas diferentes. Quando terminamos, colocamos tudo em caixas de plástico e vai para a congeladora. Depois, quando vamos para o trabalho é só retirar a caixa e aquecer no micro-ondas. Continua a ser comida congelada, mas nós sabemos quais são os ingredientes, quando foi confeccionada e quanto tempo tem no gelo. E, claro, sai mais barato. Demora mais 1 hora para lavar as panelas e o restante louça e está tudo pronto. Temos as noites da semana livres para outras atividades que podem incluir o estudo, namoro, saídas, visitas a familiares e amigos, quando minha esposa está melhor, claro. Conseguimos alguma liberdade e poupança assim. Espero que as dicas sejam úteis. Pensei que dar alguns conselhos práticos sobre cuidar da família, algumas estratégias para economizar tempo e dinheiro ajudariam a diminuir o esforço, permitindo maior disponibilidade de tempo e emocional para aquilo que é mais importante. Como dizia uma personalidade muito acarinhada do povo português de seu nome Raúl Solnado, infelizmente, já falecido, mas que deixou muitas saudades e ainda hoje nos faz rir através dos registros dos seus trabalhos: ‘Façam o favor de ser felizes’. Abraços.”