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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

"A VIDA DE UM ENDOMARIDO": "A ENDOMETRIOSE DE MINHA ESPOSA E NOSSA LUTA PARA TER NOSSOS GÊMEOS"!



Faby e Igor Cayres com os gêmeos Mariana e Gabriel - Foto: divulgação

Começamos 2016 com mais uma ideia  em "A Vida de um EndoMarido". Que tal os maridos também contarem a história de suas esposas com a endometriose, com a infertilidade? Passaremos a ter endomaridos convidados na coluna para falar como é viver com suas endomulheres. Como é ter alguém ao nosso lado que sente dor o tempo todo? Como é conviver com a infertilidade e a incerteza de ser pai? O estreante desta nova linha da coluna - que continua com o nosso querido Alexandre, nosso endomarido português como titular - é Igor Cayres casado com a querida Fabiana, a Faby. A história deles é longa e emocionante, mas Igor soube muito bem resumi-la. 

Achei muito bacana as dicas do Igor de como os companheiros podem ajudar suas mulheres a conviver e a passar pela infertilidade e ainda fortalecer o vínculo entre o casal. Vou convidar a Faby para contar detalhadamente sua história aqui. Mais um testemunho que vai levar muita fé e esperança a milhares de mulheres que sofrem com a endo. Por mais doloroso que seja o caminho percorrido, não desistam de seus sonhos. Se você, companheiro de uma endomulher, quiser ter a história de sua companheira no A Endometriose e Eu envie para o email carolinesalazar7@gmail.com com o título "A endometriose de minha esposa". Beijo carinhoso! Caroline Salazar



“Posso afirmar que se há algo que a maioria dos homens não entende, é sobre o tema “menstruação” e se perguntarem a respeito de “endometriose”, as respostas seriam ainda mais vagas! Comigo não seria diferente alguns anos atrás... Mas hoje, falar de endometriose para mim é relembrar momentos marcantes da minha vida. O ano era 2011, mês de agosto, estava em Salvador, BA, quando, enfim, a minha esposa cruzou pelo meu caminho como um “passe de mágica”, confesso que não mais acreditava na realização do meu maior sonho, encontrar a minha “alma gêmea” e, por ironia do destino, essa palavra (gêmeos) iria me acompanhar para o resto da minha vida, e me trazer muitas alegrias!

Após meses de conversa (namoro, risos!) e algumas vindas para São Paulo, em março de 2012 eu me transferi para a capital paulista. Sim, me mudei de cidade porque tinha a certeza que tinha encontrado aquela que iria amar por um tempo não menor do que a “eternidade”. Tudo ia bem, mas algo me deixava com a “pulga” atrás da orelha! Minha noiva sentia dores intensas a cada ciclo menstrual, os remédios não faziam mais efeito. Até que um dia, algumas semanas antes do nosso casamento - celebrado em 21 de agosto de 2012, que dia! Inesquecível! - recebo uma ligação do seu trabalho. "Senhor Igor, a Fabiana (minha noiva) desmaiou aqui, e foi levada de urgência para o hospital”. Me desesperei, o que seria? Meu Deus, a mãe dela tinha falecido de câncer (!) e eu já pensava no pior. 


Chegando ao hospital, a vi convalescente, mas bem, a dor estava passando por meio de medicação intravenosa, mas como sou muito 'questionador', não aceitei a justificativa do médico plantonista que seria algo normal. Foi, então, que argumentei “Doutor não é possível uma pessoa sentir tanta dor ao menstruar, isso não é normal! Pelo seu conhecimento, existe alguma doença ‘rara’, pouco conhecida, que justifique esse desmaio?” BINGO! O médico disse: ”Ah! Pode ser endometriose”. No mesmo momento, ali mesmo no hospital, fiz uma pesquisa no meu celular, e não tive dúvidas, minha noiva era portadora de endometriose. A partir daí não medi esforços para iniciar o tratamento dela (vídeolaparoscopia e quatro fertilizações in vitro foram necessárias ao longo de dois anos de tratamento), e como não estávamos preparados financeiramente para arcar com tantas despesas, resolvemos processar nosso plano de saúde, e ganhamos a ação para custeio do nosso tratamento. Hoje somos pais dos gêmeos Gabriel e Mariana, e que completam 10 meses de vida em janeiro de 2016! 

E o que um marido pode fazer para ajudar a sua esposa superar a infertilidade e passar, da melhor forma, sob o estresse desse tipo de tratamento?

1. Ser um ouvinte. Deixe-a saber que você está disponível para ela. Enquanto estiver ouvindo, tente manter uma mente aberta e seja companheiro. Lembre-a de que você a ama não importa o que aconteça!

2. Ser sensível. Não tente fingir que tudo está as “mil maravilhas”, ou é algo simples de resolver, não é! Não podemos banalizar os sentimentos dela.

3. Ser extremamente paciente. O tratamento da infertilidade é um processo que toma tempo. Não há garantias, nenhuma resposta certa, e nenhuma escolha rápida. Precisamos ter paciência com seus sentimentos e não minimizá-los.

4. Manter-se informado para que quanto mais informação você tiver, mais decisões sábias você tomará.

5. Jamais esquecer que são um casal, e fazer as coisas como um casal, como sair, passear, viajar, ajuda a sentir que existem outras coisas na vida além da infertilidade.

Hoje ainda quando me lembro de tanta dor, dúvidas e sofrimento que passamos, minha voz até “embarga”, mas só tenho a agradecer todos os profissionais que fizeram parte da nossa luta e dizer que sou o pai mais feliz do mundo por ter os meus filhos aqui comigo! Abraço, Igor Cayres”


Se quiserem acompanhar a história deles no Instagram, sigam @papaipig e
@faby_mamaedegemeos

quinta-feira, 11 de abril de 2013

3 ANOS DE BLOG: "A VIDA DE UM ENDO MARIDO" SÓ O AMOR SALVA!!!

Hoje na seção “A Vida de um Endo Marido” vamos abordar um dos assunto mais importantes entre um casal: o amor. Como já falei milhões de vezes no blog, pra mim, só o amor salva. Salva da depressão, da tristeza e de muitas coisas... eu sou a prova viva disso! A cumplicidade entre qualquer casal é essencial para haver a harmonia na vida a dois, seja na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença. Aliás, eu acho que realmente testamos o amor quando há doença e tristeza, viu. Este texto do endo marido Alexandre Vaz foi escrito sete dias após a cirurgia de sua esposa Susana, em agosto de 2012, mas ele será sempre atual. Até porque a endometriose pode ocasionar as cirurgias recorrentes. Este foi o primeiro texto que ele me enviou, e foi a partir dele que fiz o convite para escrever no blog e ajudar os maridos das endomulheres. Além do amor, o que me chamou atenção foi o companheirismo, a cumplicidade, a dedicação à companheira, dentre outros... Escolhi este texto para celebrar o amor nos 3 anos do A Endometriose e Eu. Escolhi este texto porque quero muitos endo maridos acreditando no amor. A data de nascimento do blog é dia 12, amanhã, mas iremos festejar o mês todo  Aqui, ele sente-se frágil e sem saída por ter de ir trabalhar a acompanhar o retorno pós-cirúrgico de sua esposa Susana.

O ser humano é frágil e sempre tem de optar por uma ou outra coisa, mesmo a contragosto. Não tem jeito, sempre é preciso escolher. A dedicação de um marido à sua esposa também é outro destaque do texto. Assim é um casamento, mesmo que seja para quem junte os trapos. Assumir um ao outro como “marido” ou “esposa”, é dedicar-se um ao outro por inteiro, independente da situação que tanto um ou o outro se encontre. Aproveito para pedir sugestões aos endo maridos sobre os artigos ao Alexandre. Peço que enviem sugestões de tema para alexandre.vaz.endo@gmail.com com cópia para carolinesalazar7@gmail.com e coloque no título Endo Marido, pois assim irei arquivá-lo sem abrir. E só para termos controle nas respectivas pastas. Ele também aceita sugestões para escrever o artigo sobre a falta de libido, dentre outros, ligados ao sexo, e como solucionar esta  conseqüência que acomete muitas de nós. Beijos com carinho! Caroline Salazar

"Sete dias após a operação de minha Susana, ela teve o retorno pós-cirurgia. Ao contrário daquilo que esperava, tive de ir trabalhar. E eu tive de contar com a irmã dela para acompanhá-la ao hospital enquanto eu fui trabalhar. Não é um momento crítico como foi o da cirurgia, mas era importante na mesma proporção. Porque quero que ela saiba sempre que estou ao seu lado, que a apoio, que somos um casal. Que para mim acabou a definição de “meu destino”, tendo sido substituída por “nosso destino”. Para onde formos, vamos os dois. Ainda que bastantes vezes isso significa que mesmo com ela doente eu tenho de ir trabalhar. Vê-la com dores, por vezes sem saber o que fazer ou pensar da situação em que se encontra, com a ausência de respostas, a espera pelo fim do dia em que eu chego. E, por vezes, o dia tem 16 horas em vez de 8, em que eu tenho de deixar a vida compartimentada, separada pelos portões de uma empresa. Aquela fronteira precisa de ser intransponível e impermeável. Mal o torniquete roda à minha passagem, aconteça o que acontecer, eu preciso isolar a outra parte da minha vida. Deixar pensamentos, angústias e dúvidas para trás. Porque na hora do patrão, eu tenho de conseguir dar sempre o meu melhor. E acho que até nem disfarço mal, mas cá dentro sei que poderia ser melhor. Nem que fosse 1% melhor, mas podia.

Porque nenhum de nós, que seja saudável emocional e psicologicamente, deixa de ser afetado pelo sofrimento de quem amamos. Porque nos dói no peito ver um olhar sofrido e, por vezes, desesperado antes de fecharmos a porta de casa enquanto saímos. Porque ali fica alguém que redimensionou a nossa vida, as nossas prioridades viraram o mundo ao contrário, e está a precisar de colo. E, por vezes, esquecemo-nos de coisas importantes que prometemos. E, por vezes, levamos broncas dos superiores porque não fizemos tudo o que estava combinado. E, por vezes, temos de brincar e rir com os colegas para manter a capacidade de funcionar mais um dia. Entretanto, quem precisa urgentemente de colo ficou em casa, sem capacidade de funcionar. E dói. Dói muito. Dói não estar sempre que seria preciso. No retorno médico de minha amada esposa foi um dia em que doeu, justamente por não estar onde e enquanto era preciso para quem é mais importante para mim. Porque minha equipe do trabalho estava desprovida. E lá fui eu. A minha cunhada, que sabe Deus tem problemas e cansaço de sobra, tomou o meu lugar e levou minha Susana à consulta em seu retorno pós-operatório. E eu fui trabalhar, imaginando que levaria 8 horas até ter a minha liberdade. Tal não aconteceu. Após regressar para casa, durante a tentativa de fazer o jantar, tive de interrompê-lo e retornar ao trabalho e ajudar na resolução de uma avaria. E sete dias após a cirurgia da minha Susana, tornei a não ter tempo para estar com ela, nem sequer no final do dia.

A minha Susana é de uma compreensão extraordinária. Também tem momentos em que se queixa, o que é perfeitamente normal. E eu sinto-me muitas vezes dividido entre o que fazer. Porque se por um lado está a minha família, que é para quem eu trabalho e essa é a minha prioridade número 1, se não trabalhar e não for capaz de colocar em casa o necessário para manter as nossas coisas, tudo desmorona. E lá tenho de lhe negar colo mais uma vez. Mas o meu amor por ela nunca abandona o meu coração. Onde quer que esteja, é por nós que eu lhe nego o colo que por vezes ela tanto precisa, e que me custa tanto dizer-lhe que não. E nunca se compensa. É impossível compensar um momento de carência, porque quando não o fazemos na hora, puff... já foi. Tenta-se que não seja sempre assim. Mas enquanto consigamos chegar a casa, ou telefonar a meio do dia para saber como estão as coisas, às vezes para dar um encorajamento, marcamos uma pequena presença que apesar de tudo é importante. Aqueles 2 ou 3 minutos, vilmente roubados ao patrão durante a sua hora, são para dar a quem mais precisa, e aguente-se o patrão e o chefe e o resto daquela corja que me rouba o tempo que eu preciso para dar a quem amo. Aguentem-se antes que eu vire bicho. Porque durante o dia, tenho a necessidade de fazer um exercício mental e relembrar-me de quem mais importa para mim, e porque é que eu trabalho.

Por isso, neste dia amar a minha Susana foi pedir-lhe desculpa enquanto lhe explicava que tinha de regressar à empresa, negando-lhe quase por completo o meu dia. O 7º dia após a cirurgia, em que eu devia tê-la acompanhado e afinal nem sequer restou o final. Fiz o trajeto até casa para simular um jantar e pedir desculpa à minha esposa por ter de regressar ao trabalho. Mas levei comigo o amor que temos, e que me lembra o porquê de eu lhe negar colo quando ela precisa para manter o meu posto e a confiança dos meus superiores. Apesar disso, não deixa de doer. Mas a esperança faz-me acreditar que um destes dias, vou vê-la a sorrir continuadamente como até hoje só tive alguns exemplos espaçados no tempo. Neste dia amá-la foi assim. Abraço!"