A estreia de “A Vida de um Endo Marido” foi um sucesso
tão grande que resolvemos fazer a coluna
quinzenal. Eu sempre achei o apoio do companheiro fundamental para uma
endo mulher. Saber que muitos maridos passarão a compreender e a entender melhor
a vida de sua companheira foram os ensejos principais para idealizar a coluna. Aqueles
que entendem e compreendem poderão trocar figurinhas com Alexandre, pedir ajuda
a ele e o mais importante: conversar com quem passa pela situação semelhante.
Ninguém é melhor do que ninguém e estamos todos em busca de uma evolução. Por
isso acho que a união, o apoio, o amor e o carinho são premissas fundamentais
para começar a ajudar alguém, mas não pode ter o egoísmo ou pensar “eu vou
fazer”. Alguém pode ter a ideia, claro, mas é preciso de outros para torná-la
realidade. Então, não se realiza nada sozinho. Aos poucos, Alexandre vai
discorrendo sobre os diversos temas já sugeridos. O de hoje achei muito
relevante e de extrema importância, pois trata de algo que traz muitos
transtornos à vida não só da mulher, mas de toda família: a questão financeira.
Por que economizar? E em que podemos economizar? Tenho certeza que o artigo de hoje vai ajudar muitos "Endo Casal". Afinal, como já falamos aqui, a endometriose é uma doença cara, muito cara e que leva muitas famílias à falência. Falo isso porque conheço histórias com este triste final. E não é só para quem é humilde ou não tem dinheiro. Falo isso, para servir de alerta, principalmente, para quem tem dinheiro. Não se deixe enganar por promessas milagrosas e muito menos por quem cobra uma fortuna para tratar uma endo mulher. Uma hora o dinheiro acaba, já que ele não brota em árvores e nem na terra. Por isso, faço questão de indicar o ambulatório de endometriose e açgia pélvica da Unifesp, o melhor lugar do Brasil para tratar uma endo mulher e ainda de graça, sem gastar um tostão, pelo SUS.
Nosso endo marido português (é marido de minha amada
Susana V., mas acho que ela não irá se importar com o pronome “nosso” que usei!)
conta a respeito de uma medida que tomou em casa há 3 anos e que está ajudando-os a terem alimentos mais saudáveis, a economizar tempo na
cozinha e a economizar dinheiro também, o que é muito importante no nosso caso.
Bom, a questão financeira até hoje é um tormento na minha vida. Mas faz parte
de meu aprendizado e sei também que quando se tem fé, ela move montanhas, e em
especial nesse momento delicado, é quando estamos à prova. Quem tem fé, a ajuda
vem no último segundo, mas vem. Quem nunca teve sua graça recebida, mesmo
quando estava quase tudo perdido? E quando envolve a questão financeira. Exemplo:
Quando precisa pagar algo, mas não tem o dinheiro, mas na última hora, o tal aparece.
E ainda dizemos “nossa caiu do céu”. Esta expressão bastante comum no Brasil é
uma dádiva para quem tem fé. A fé é à base de tudo na vida e ela está à prova a
todo o momento, todos os dias. É com e por ela que acordamos todos os dias para
escrever um novo capítulo na nossa vida. Mesmo que não estejamos bem, é ela que
nos permite ter a esperança de um novo e abençoado dia. Espero que artigo possa
ajudar muitas famílias. Estamos anotando as sugestões dos endo maridos e saiba
que todas são muito bem-vindas! Ah, e estamos trabalhando sem parar para preparar nosso I Brasil na Consicentização da Endometriose. Estou muito feliz em saber que mulheres de outros estados, como as queridas Adriana Heinz e Livia Lorenzini, do Endometriose Brasil, estarão em São Paulo conosco. A caminhada é longa, dolorosa, mas a vitória é certa! Beijos com carinho!! Caroline Salazar
“Hoje escrevo com múltiplos propósitos, sendo um
deles o dar apoio à minha mulher. Como sabem, é duro chegar a casa e ver quem
amamos com dores, em desespero, lutando. Mais triste ainda é por não saber quando
vai parar as dores, quando vai saber novamente o que é uma vida normal. No meio
dos maiores desesperos, por vezes falha-nos as forças e a razão significa
pouco. Os braços parecem pesar toneladas, teimam em ir para baixo como se não
quisessem obedecer. A tal fé é testada, por vezes de formas muito violentas. Nem
sempre conseguimos ver a importância que temos na vida dos outros, a falta que
lhes faríamos se desaparecêssemos. As pessoas que lutam lado a lado conosco,
que riem e choram conosco, por quem enfrentamos o cansaço extremo, por quem permitimos
que a nossa carne seja machucada e o sangue escorra. Aquelas pessoas por quem
nenhum sacrifício será grande demais. E, no entanto, por vezes queremos
desistir, ainda que apenas por momentos. É humano. Cair do cavalo faz parte da aprendizagem.
A diferença entre vencedores e vencidos está muitas vezes na rapidez com que voltamos
a subir. Somos todos dotados de limites à nascença. Alguns possuem a ilusão de
que não os têm, mas tal não é verdade. E para esses o confronto com a realidade
pode ser mais duro do que para os restantes.
Porque quem se sente invencível, capaz de tudo,
acaba por se convencer de que é mesmo assim, que é uma força indomável. Quando
a vida lhes prova o contrário, o contraste chega a ser tão grande que não se
quer encarar. O sofrimento é maior por se comparar uma ilusão que durou
enquanto foi perfeita, com uma realidade que não se quer aceitar por ser feia.
Surgiu um espelho que é mentiroso, que mostra o que não pode ser verdade. Para
quem acredita que tem uma missão a desempenhar, tudo o que é significativo na
sua vida deve ter um propósito. E o sofrimento pela sua própria natureza é
muito significativo. Essas pessoas podem encará-lo de duas formas: como punição
ou como preparação. Não vou abordar a vertente da punição, mas a da preparação
terá a sua lógica e é mais interessante. Um estudante tem de ler os livros,
fazer os exercícios e prestar provas. Viver com a endometriose não é diferente.
É preciso aprender sobre a doença, lendo, vendo vídeos, falando com as pessoas que
sabem; dar muito apoio e ajuda em casa; e prestar provas passando o testemunho
e ajudando quem agora começou a sua interação com a doença. Talvez eu não
esteja a ser tão rápido como gostariam a falar mais sobre como lidar com esta questão,
mas prometo que não será sempre assim.
A paciência é fundamental para resistir, e a única
forma de desenvolvê-la é exercitando-a. Como eu sei muito bem, e vocês saberão
também, a endo absorve a maior parte do nosso tempo, tirando a do trabalho. A
mulher está doente, não pode fazer muitas das tarefas domésticas e por vezes
tem alturas que não consegue fazer nenhuma. Vai sobrar para o companheiro e familiares.
E não há outra forma, portanto, uma gestão correta do tempo é fundamental. Hoje
vou abordar a questão da comida. Tratando-se de uma necessidade básica vou
dar-lhe prioridade. É importante uma alimentação correta, e passar os dias com
comida rápida porque se está exausto não é solução. Não é muito saudável, acaba
por ficar caro e não sabemos o que iremos comer. Reparem nas notícias na
Europa, muita comida processada que contém ingredientes não declarados como a
carne de cavalo. O problema não é a ingestão dessa carne, mas o perigo de não ter
sido sujeita a controlo sanitário e a possibilidade de alergia alimentar. Bom,
aqui em casa, uma das melhores opções que tomamos foi a de comprar uma
congeladora vertical (nota da editora: freezer vertical) com 6 gavetas.
A minha esposa não queria que fosse tão grande, mas eu bati o pé e escolhi esta.
Por vezes as mulheres erram, ainda que não gostem de admitir. E porque senti a
necessidade de comprar esta congeladora? Na família temos quem nos ofereça
vegetais cultivados nas hortas e por vezes rejeitávamos porque sabíamos que não
íamos consumir a tempo. Era melhor que fossem entregue a outras pessoas do que estragarem
conosco. Poucos dias depois eu tinha de comprar as mesmas coisas, pagando do
meu bolso o que poderia ter sido grátis.
Outro motivo foram as promoções. Por vezes surgiam
promoções de carne ou de peixe, que não aproveitava porque não tinha onde
congelar. E a possibilidade de poupar 1 ou 2eurow por quilo era perdida. Ao
longo do mês eu perdia facilmente de 10 a 15euros em promoções. A decisão
estava tomada. Procurei nas lojas a congeladora que eu precisava, e quando
encontrei um bom negócio nem pensei mais. O custo ficou em 300 euros (estou a
falar em valores apenas para poderem avaliar se procedi bem!). Já a temos em casa
vai para 3 anos (36 meses). Considerando uma poupança média de 10 euros por mês,
são 360 euros, e a congeladora continua a funcionar bem. Ou seja, até o custo
da energia já está pago, e continuará a gerar poupança. Nunca mais tive
problemas de faltar comida em casa e ter de sair com pressa para o mercado.
Sempre que surge uma promoção, eu aproveito. Nós adoramos salmão. O custo
cortado em postas é geralmente 2euros mais
caro do que o peixe inteiro. Então quando o preço é bom, compramos um salmão
entre 4 a 6 quilos. Em casa congelamos o equivalente a uma refeição para o
casal em cada saquinho. É só descongelar, salgar e cozinhar. É raro faltar peixe
ou carne aqui em casa por esse motivo. Com os vegetais, também os congelamos, mas há algum
tempo percebemos uma coisa. Os produtos ocupam muito mais espaço antes de
cozinhados. Por esse motivo, e também porque é muito cansativo cozinhar todos
os dias (para não falar no custo da energia para a máquina da louça),
escolhemos uma tarde do final de semana para cozinhar aqui em casa. O ideal é na
volta do supermercado quando tudo está fresquinho. Compramos os ingredientes
para as refeições que já planejamos, evitando assim o desperdício e a tentação
de comprar alguma coisa apenas porque ficamos com vontade.
Demoramos umas 3 horas a cozinhar algumas comidas diferentes. Quando terminamos, colocamos tudo em caixas de plástico e vai para a congeladora. Depois, quando vamos para o trabalho é só retirar a caixa e aquecer no micro-ondas. Continua a ser comida congelada, mas nós sabemos quais são os ingredientes, quando foi confeccionada e quanto tempo tem no gelo. E, claro, sai mais barato. Demora mais 1 hora para lavar as panelas e o restante louça e está tudo pronto. Temos as noites da semana livres para outras atividades que podem incluir o estudo, namoro, saídas, visitas a familiares e amigos, quando minha esposa está melhor, claro. Conseguimos alguma liberdade e poupança assim. Espero que as dicas sejam úteis. Pensei que dar alguns conselhos práticos sobre cuidar da família, algumas estratégias para economizar tempo e dinheiro ajudariam a diminuir o esforço, permitindo maior disponibilidade de tempo e emocional para aquilo que é mais importante. Como dizia uma personalidade muito acarinhada do povo português de seu nome Raúl Solnado, infelizmente, já falecido, mas que deixou muitas saudades e ainda hoje nos faz rir através dos registros dos seus trabalhos: ‘Façam o favor de ser felizes’. Abraços.”
Demoramos umas 3 horas a cozinhar algumas comidas diferentes. Quando terminamos, colocamos tudo em caixas de plástico e vai para a congeladora. Depois, quando vamos para o trabalho é só retirar a caixa e aquecer no micro-ondas. Continua a ser comida congelada, mas nós sabemos quais são os ingredientes, quando foi confeccionada e quanto tempo tem no gelo. E, claro, sai mais barato. Demora mais 1 hora para lavar as panelas e o restante louça e está tudo pronto. Temos as noites da semana livres para outras atividades que podem incluir o estudo, namoro, saídas, visitas a familiares e amigos, quando minha esposa está melhor, claro. Conseguimos alguma liberdade e poupança assim. Espero que as dicas sejam úteis. Pensei que dar alguns conselhos práticos sobre cuidar da família, algumas estratégias para economizar tempo e dinheiro ajudariam a diminuir o esforço, permitindo maior disponibilidade de tempo e emocional para aquilo que é mais importante. Como dizia uma personalidade muito acarinhada do povo português de seu nome Raúl Solnado, infelizmente, já falecido, mas que deixou muitas saudades e ainda hoje nos faz rir através dos registros dos seus trabalhos: ‘Façam o favor de ser felizes’. Abraços.”