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terça-feira, 30 de maio de 2017

"GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": O MEU PRIMEIRO DIA DAS MÃES COM MEU FILHO, DANILO!!

Foto: arquivo pessoal

Para encerrar o mês do Dia das Mães, nossa querida colaboradora-voluntária, Ane, nos conta em um texto emocionante como foi seu primeiro Dia das Mães ao lado de seu filho, Danilo. Ane fala sobre como passou seu dia, do presente que o filho lhe deu, e também abre seu coração sobre o pouco convívio que teve com sua mãe, o que aflorou ainda mais a vontade de ser a mãe 100% presente que é hoje. Mais um texto que vai levar fé e esperança aquelas que ainda sonham com a maternidade. Se você ainda não recebeu sua benção, confie, mantenha sua fé, pois o agir de Deus é maravilhoso e, em breve, você estará com seu tão desejado bebê em seus braços. O que não pode acontecer é desanimar. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


Por Ane Bulcão
Edição: Caroline Salazar

Olá meninas!

O mês de maio de 2017 foi muito especial e será para sempre inesquecível, pois comemorei meu primeiro Dia das Mães. Neste texto vou compartilhar com vocês como um pouco da minha vida e como foi esse grande dia. Sempre sonhei em ser mãe, principalmente porque só tive o privilégio e a alegria de conviver com minha mãe até meus sete anos de idade. Depois que meus pais se separaram, fui morar com meu pai, pois, por problemas de saúde, minha mãe não podia cuidar de mim e de meus dois irmãos. Não posso tirar o crédito do meu pai, que cuidou de nós com todo amor e carinho, mas por mais que meu pai tenha se esforçado, e, com certeza, foi muito presente em minha vida, não preencheu o vazio que sentia de minha mãe.

Os anos foram se passando e voltamos o contato com minha querida mãezinha, o que foi uma alegria sem fim. Mas eu sempre pensava: quando tiver filhos quero estar presente sempre ao lado deles para que não sofram como eu. O meu sonho da maternidade se realizou há oito meses. Quando meu príncipe chegou para completar nossa família, confesso que tenho vivido experiências maravilhosas. Admito também que minhas expectativas têm sido superadas, Deus me presenteou com o melhor filho do mundo (risos).

No meu primeiro Dia das Mães, tive a alegria de ver meu filho apresentar uma cantata junto com as demais crianças de minha igreja. Foi muito lindo! As crianças também aprenderam as músicas em Libras (Língua Brasileira de Sinais), me senti muito especial e querida. A emoção foi indescritível, e essa sensação é melhor do que qualquer presente que o dinheiro possa comprar. Como foi bom ver meu filho declarando seu amor por mim de forma tão singela e pura.

O sentimento que tomou conta de meu coração é de eterna gratidão a Deus, que nos dá infinitamente mais do que pensamos ou podemos imaginar, pois eu tenho um filho muito carinhoso e prestativo, que sempre me ajuda quando estou mal por conta das dores da endometriose, que cuida de mim, e é muito fofo quando ele ora pedindo a Deus para “curar o dodói da mamãe”. O meu primeiro Dia das Mães foi muito cheio de mimos, com muitos beijos e abraços. Ele não poderia ser melhor.

Continuo lutando diariamente por qualidade de vida, afinal de contas, agora eu tenho uma motivação maior que me impulsiona a seguir em frente, que é cuidar de meu filho. Não posso esmorecer. Ele é muito carinhoso. E eu conheci o que é amar incondicionalmente. Ele, com certeza, é o amor de minha vida. Para aquelas que ainda passaram o Dia das Mães sem seu tão sonhado bebê não percam a fé. Em breve Deus dará a cada uma de vocês a mesma benção que recebi. Beijo carinhoso e até o próximo!

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A HISTÓRIA DA LEITORA SORAIA SABINO LARA, SUA ENDOMETRIOSE PROFUNDA E SUA GESTAÇÃO DO CORAÇÃO!!

A mineira Soraia Sabino Lara, seu marido, Wellington Lara de Souza,
e o filho, que ainda não pode mostrar o rosto por decisão judicial


Neste mês de maio o A Endometriose e Eu conta uma história muito especial da leitora mineira Soraia Adriana Sabino Lara, de 40 anos, que descobriu ser portadora de endometriose profunda anos após ser diagnosticada com infertilidade sem causa aparente, e quase 10 anos após iniciar suas primeiras tentativas de gestar seu bebê. Cerca de 20% da infertilidade feminina e masculina não tem causa aparente, ou seja, não tem diagnóstico. Como muitas endomulheres, a Adriana só descobriu sua infertilidade após dois anos de frustradas tentativas para engravidar. Mesmo com esse possível diagnóstico, ela seguiu sua intuição e foi atrás por conta própria tentar descobrir o que tinha. No meio do caminho o marido de Adriana também se descobriu infértil. Com o desejo de ser pais, o casal optou pela adoção. Ser mãe é mais que gerar um filho no ventre, é gerar seu filho primeiramente no coração, lugar onde todos os filhos devem ser gerados. Eu gosto muito de contar histórias de leitoras que se tornaram mães no Mês das Mães, e neste ano, minha emoção é maior, pois é a primeira vez que contamos um testemunho de adoção na coluna. É impressionante como nossos filhos são os escolhidos de Deus, sejam eles gerados no ventre ou no coração. E o emocionante testemunho de Adriana é a prova disso. Afinal, quando sabemos se é essa ou aquela criança? E se eu sentir aquela identificação com a criança? Isso aconteceu com Adriana e seu marido. Após o relato de Adriana temos certeza que precisamos espalhar a correta conscientização da endometriose para que outras mulheres não passem o que ela passou. O descaso e o despreparo dos médicos são absurdos e temos de mudar esta realidade o mais urgente possível. E juntas iremos conseguir. Mais um texto que vai inspirar muitas endomulheres que desejam alcançar o sonho da maternidade. Segurem as lágrimas. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Nota da editoraA Adriana entrou em contato comigo após os textos da coluna "Gestação do Coração", onde nossa querida Ane relata sua maternidade por meio da adoção. Por questão judicial, a Adriana ainda não pode mostrar o rosto do filho e nem falar seu nome, mas com certeza ela voltará na coluna "Gestação do Coração", quando sair a guarda definitiva para mostrar sua preciosidade.

“Meu nome é Soraia Adriana Sabino Lara, tenho 40 anos e sou casada com o Wellington Lara de Souza, de 43, e sou de Ibirité, região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais. Estamos casados há 20 anos e, desde namorados, sempre planejamos filhos em nossas vidas. Dizíamos que iríamos ter três filhos, mas a história não foi tão simples como imaginávamos.

Quando tínhamos quatro anos de casados, em 2001, começamos a tentar ter filhos. Tentamos por meios naturais por quase dois anos. Como não conseguimos começamos a nos preocupar. Então, procurei médicos e fiz vários exames, mas nenhum deles detectava nada de errado comigo. Com isso meu marido começou a fazer exames também. E ora ele tinha alguma coisa, ora não apresentava nada. Ou seja, parecia que nem mesmo os médicos sabiam o que tínhamos.

Nisso se passaram mais uns dois anos fazendo exames e nada. Aí resolvemos ir a uma clínica de reprodução humana. Fizemos novos exames e o resultado foi: "esterilidade sem causa aparente". Não sei se era bom ou ruim ouvir isso. Mas mesmo assim nunca me pediram para fazer uma vídeolaparoscopia para verificarem se eu tinha algo mais grave ou não.

Decidiram que nós deveríamos fazer uma inseminação artificial na esperança de conseguirmos a tão sonhada gravidez. Fizemos a tal inseminação, mas eles não nos explicaram nada sobre os custos de todo o tratamento. Também não nos falaram que talvez precisássemos fazer três tentativas ou até mais, e que talvez teríamos que partir para fertilização a vitro, que é mais caro que a inseminação.

Fizemos apenas uma tentativa, que não deu nada certo. Quando soube que teria de fazer, pelo menos, três tentativas antes da FIV, desisti do tratamento. Na época não tínhamos conhecimento sobre valores e não sabíamos se dava para investir o pouco que tínhamos, já que os médicos não sabiam direito o que eu tinha. É bom ressaltar que nesta época ainda não se falava muito em endometriose. Comecei a ler muito sobre a infertilidade e suas causas e até achei que eu poderia ter a doença, cheguei a falar para alguns médicos, que não me derem ouvidos. Foi aí que resolvemos entrar na fila de adoção, pela a primeira vez. Eu já tinha certeza que queria adotar, mas meu marido entrou na fila meio que obrigado. Nessa época ele não queria muito a adoção, mas aceitou. E começamos a investigar a infertilidade de meu esposo.

Na época eu mesma falei que se meu marido tivesse feito um ou dois exames tinha sido muito. Ele foi a vários urologistas e depois de muitos, mas muitos exames constatou que ele tinha varicocele leve (nota da editora: inflamação das veias que drenam o sangue dos testículos e é a principal causa de infertilidade masculina, e mesmo tendo boa qualidade de esperma, eles tinham variações, uns eram mortos, outros lentos, outros deficientes e o restante guerreiros (risos). Até aí já era meados de 2003.

Enquanto esperávamos na fila continuei procurando a causa da minha infertilidade. Até que encontrei uma médica, que apesar de ela não tratar a endometriose, sugeriu que eu poderia ter a doença, e me indicou um médico. Passei em consulta com esse médico que me indicou outra. E aí depois de mais e mais consultas e exames, ela solicitou uma vídeolaparoscopia e foi constatada endometriose grau III quase IV. Depois de tanto tempo, em maio de 2010, descobri a causa da minha infertilidade.

Eu tinha focos em vários órgãos, em praticamente toda a minha pelve estava tomada de focos de endometriose. Eu tinha foco em toda a cavidade abdominal, nas paredes abdominais, no intestino, no fígado, na vesícula e meus ovários estavam aderidos ao útero.

Minha pelve também estava toda congelada. Fiz a cirurgia e ouvi da minha médica: “Você é louca de adotar filho. Você vai conseguir engravidar naturalmente agora. Sai da fila que você tem 90% de chance de engravidar”.

Como não conhecia nada sobre a endometriose e nunca tinha ouvido falar dessa doença, saímos da fila de adoção. Na expectativa de engravidar, tomei muitos hormônios, engordei 10 quilos e fiquei com menopausa precoce. Sofri muito nesta época.

Menos de um ano da primeira fiz outra videolaparoscopia para ver como estava minha endometriose e viram que estava tudo limpinho. Disseram que estava pronta para engravidar, mas como meu marido também tinha problema - mesmo simples -, mas o suficiente para não conseguirmos nosso positivo.

Eu e meu marido entramos numa depressão por causa de toda a situação. A partir daí decidimos entrar na fila de adoção novamente, e desta vez, decidimos que não iríamos mais sair dela. E se eu engravidasse naturalmente, ótimo se não iríamos ter filhos do mesmo jeito (nesta época meu marido já desejava muito a adoção).

Desse dia em diante se passaram mais um ano e eu precisei fazer nova cirurgia, pois com as tentativas para engravidar e os hormônios para ovular, a minha endometriose já estava no grau IV. Era agosto de 2014. Porém, desta vez, a cirurgia foi aberta. Foram 32 pontos com o corte igual da cesárea, e foram retirados 11 miomas, muitos, mas muitos cistos e metade de um dos meus ovários. Depois desta terceira cirurgia minha chance de engravidar já estava em quase 0.

Pelo fato de nesta época já estar na fila da adoção, me dei a chance de pensar mais em cuidar de mim e da minha saúde. Alguns meses depois coloquei o DIU Mirena e, desde então, estou ótima. Hoje faço somente controles anuais. Minha endometriose está controlada. Nesse período em que estivemos na fila apareceu algumas crianças para conhecermos, mas em nenhuma houve a identificação de pais e filho.

Mas seguimos em busca do nosso tão sonhado filho. No dia 16 de fevereiro de 2015 recebemos uma ligação de que tinha um menino de 1 ano e 5 meses à nossa espera. Ele tinha tamanho e trejeitos de um bebê de 10 meses. Os genitores eram usuários de drogas. A genitora era moradora de rua e o genitor desconhecido. Ele tinha micro pênis, hérnia inguinal, um leve problema cardíaco, baixo peso devido a não ter recebido alimento no período gestacional, não andava e não falava nada cm 1 ano e 5 meses.

Mas mesmo com todos “esses problemas” meu coração e o do meu marido diziam que ele era o nosso filho. Quatro dias depois do telefonema, no dia 20, fomos conhecer nosso tão esperado filho. E realmente foi confirmado que ele era o nosso filho. Durante uma semana o visitamos no abrigo. E finalmente no dia 27 o levamos para casa.

Tivemos apenas uma semana para comprar todo o enxoval, pintar o quarto, comprar móveis, comidinha de neném e tudo que um bebê tem direito. Na primeira noite em casa ele dormiu em nossa cama e parecia um sonho. Tudo era um sonho. Fizemos um chá de boas-vindas para ele, onde ele ganhou muitos presentes e a recepção dos amigos. Neste dia todos viram a nossa alegria por termos formado nossa família. Foi lindo. Mas nem tudo foi  flores.

Nos primeiros meses dele em casa eu ia com ele aos médicos, pois ele fazia alguns acompanhamentos e foi muito desgastante, pois eu não estava acostumada com nada disso e tudo foi diferente. Perdi os 10 quilos que eu tinha ganhado (risos) nos tratamentos de reprodução assistida. Mas tudo foi uma fase.

Ao passo que nosso filho ia ganhando amor, cuidados só para ele, atenção, comidinha caprichada, ele foi ganhando alta dos médicos também. Nessa época ele fazia acompanhamento com as seguintes especialidades: fisioterapeuta, cardiologista, endocrinologista pediátrico, nutricionista, geneticista, ortopedista, neurologista. Hoje ele só vai ao endocrinologista e ao geneticista.

Ele é um menino esperto, corre por todo canto, fala demais, já está na escolinha, conhece o Abc completo e conta de um a 100. Conhece as cores, inclusive, em inglês. O que nosso filho precisava para ajudar em seu desenvolvimento era de uma família que o amasse, de muito amor e cuidados, mais nada.

Hoje ele está com 3 anos e meio e posso dizer que agora sim nossa vida está completa. Agora estamos muito perto de ele ganhar definitivamente nosso sobrenome. Por isso não vamos mostrar ele de frente. Estamos seguindo uma orientação judicial de não expor ele ainda sem nosso sobrenome. Mas em breve vocês o verão de frente.

Eu sempre quis ser mãe, mas não necessariamente precisaria engravidar para realizar esse sonho. Eu tentei e muito ter meu biológico, mas Deus tinha outros planos para mim. Eu queria construir minha família ao lado de meu marido e hoje sou muito feliz e grata por ter conseguido. Meu filho não foi gerado em minha barriga, mas sim no meu coração e na minha mente.

Se você está passando por uma situação semelhante, meu conselho è: “Família é quem você escolhe para você. Família é quem você escolhe para viver”.  Quero muito agradecer o grupo Gaabh - Grupo de Apoio à Adoção de Belo Horizonte, que me manteve focada no nosso sonho e nos ajudou a conquistá-lo.

Um beijo carinhoso a todas que leram minha história e que você possa realizar o sonho da maternidade e da família, independente de onde eles venham. Eu amo minha família e espero que minha história inspire muitas endomulheres que lutam contra a infertilidade. Soraia”.



domingo, 23 de abril de 2017

7 ANOS DE BLOG! "GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": A ADAPTAÇÃO À MINHA NOVA VIDA DE MAMÃE PARTE 1!!

Foto: arquivo pessoal


Há seis meses a vida de nossa querida Ane está mais colorida, mais alegre e também muito mais agitada. A maternidade é realmente uma experiência maravilhosa, mas nos vira do avesso. Com ela nós, mulheres, descobrimos nosso outro eu. São tantas descobertas e novidades que muitas vezes a alegria imensa que passamos a sentir se mistura com uma grande tristeza. Vários sentimentos se misturam.... é a chamada depressão pós-parto. Pois é e não é que Ane começou a ter sinais desta terrível doença? Mamães do coração também estão suscetíveis a terem depressão pós seu parto do coração. Neste texto Ane conta como foi os primeiros seis meses de convivência com Danilo e também relata como descobriu que estava uma doença que ainda é pouco conhecida e aceita pela sociedade: a depressão pós-parto na adoção. Ane e Paulo optaram por adotar uma criança mais velha, a chamada adoção tardia. Danilo também é surdo.  Quem perdeu leia o texto sobre as primeiras contrações de Ane e o texto sobre seu tão sonhado parto. Beijo carinhoso!  Caroline Salazar


A adaptação à minha nova vida de mamãe - parte I


Olá meninas,

Estou de volta!! A vida de mãe aliada ao trabalho e a dedicação ao meu esposo (mais saúde que não está tão bem) estão me consumindo tanto, que não estou conseguindo escrever aqui todo mês, como eu gostaria. Desta vez quero compartilhar com vocês como tem sido nossa adaptação com nosso filho durante esses seis meses de convivência. É isso mesmo que vocês estão lendo, já se passaram seis meses desde que Danilo chegou em nossa vida e temos vivido uma experiência única e indescritível.

Neste texto vou abordar a adaptação de como tem sido a minha vivência, os sentimentos envolvidos, os medos e as alegrias de ser mãe. Pois bem vamos lá então! Quando Danilo chegou eu pensei sou mãe e agora? Um misto de alegria e medo tomou conta de mim: alegria por estar realizando meu grande sonho de ser mãe e medo, aliás, muito medo de não saber cuidar dele direito. Penso que toda mulher é tomada desses sentimentos quando chega à maternidade. Eu ficava olhando pra ele e pensava: nossa ele chegou e agora é nosso pra sempre! Mas como é que vou conseguir cuidar dele, ainda agora depois que a endometriose voltou e tem dias que a dor é tão intensa que mal consigo levantar da cama? 

Até hoje não consigo passar um pano na casa sem que no outro dia praticamente fico me arrastando de dor. Dá para acreditar? Mas por incrível que pareça, mesmo com dor, me vem uma força que só posso atribuir a Deus para cuidar dele e de meu esposo. Lembro-me de certa feita, minha tia ter me falado: “Seu filho vai ser a cura da sua endometriose (risos)”. E realmente mesmo nos dias mais difíceis encontro uma razão maior para não desistir. Tem dias que não tem jeito mesmo, tenho que parar um pouco e repousar, mas graças a Deus fui abençoada com um marido maravilhoso que sempre me ajuda nas tarefas de casa e a cuidar de nosso pequeno. Lembro também de um dia que não estava bem e Danilo chegou pra mim colocou sua mão em minha barriga e orou a Deus pedindo minha cura. Momento como esses são emocionantes e não tem como explicar.

Confesso que no começo também tive medo de não sentir o tal amor incondicional que as mães biológicas têm. Hoje garanto que foi pura bobagem minha, pois quando me vi já estava fisgada por aqueles olhinhos tão vivazes e sorriso cativante sem possibilidade alguma de me imaginar viver longe dele. Os desafios foram chegando. Como e quando impôr limites, quando dizer sim, quando dizer não e como sustentar o não sem ceder à chantagem emocional. Educar, procurar escola especial, ir atrás de terapia e de fonoaudióloga, ambas especializadas em Libras, foram situações que tivemos o cuidado de nos preparar buscando sempre o apoio de profissionais e de pessoas queridas que poderiam compartilhar suas experiências no trato com seus filhos.

 Mesmo assim com todas as alegrias, percebi que em alguns momentos me vinha uma tristeza e uma angústia, principalmente, quando estava fragilizada por conta da endometriose. Não conseguia ir mais à academia por causa da dor e voltei a engordar tudo que havia lutado os últimos dois anos para emagrecer com sacrifício. Sinceramente não conseguia entender o porquê disso, uma vez que já tinha decidido não me deixar abater pela doença. Afinal, tenho agora uma família linda que foi presente de Deus em minha vida. Mas eu tinha momentos que me sentia ansiosa, não estava satisfeita comigo mesma, sempre cobrando muito de mim, me recriminando por não estar fazendo tudo 100%, não estava gostando do que via no espelho, enfim, tinha muito mais motivos pra agradecer do que pra reclamar, mas, mesmo assim, passava por momento de grande tristeza.

Diante de tudo isso resolvi passar com um psiquiatra e com psicóloga, pois já era indicação do fórum para toda família que passa pelo processo de adoção. Pra meu alivio, minha médica e terapeuta tranquilizaram meu coração explicando que no meu caso todas essas mudanças que eu estava vivendo nesse curto espaço de tempo, juntando com a reincidência da endometriose, nada mais do que normal era que eu estava passando por um tipo de “depressão pós-parto”, se é que podemos dar essa nomenclatura. Foi essa analogia muito bem colocada por minha terapeuta, uma vez que há um turbilhão de hormônios envolvidos. Esses altos e baixos dizem respeito a essa briga desses hormônios que trazem alegria ou sentimento de tristeza por causa da dor. Devo dizer que esse apoio profissional tem sido de fundamental importância para a superação dessa fase.

Também voltei ao Hospital São Paulo para retomar o tratamento da endometriose e tudo indica que o procedimento a ser seguido será encaminhamento para nova cirurgia. E assim espero, pois desejo mais do que nunca ter qualidade de vida para curtir cada vez mais minha linda família, sem murmurações e queixas, para que, em breve, daqui a uns dois anos pretendemos adotar novamente. Dessa vez nossa pretensão será adotar uma bebezinha, e para tanto, preciso estar bem para dar colo à nossa princesinha. Pois é esse negócio de ser mãe é delicioso, sou imensamente grata ao Senhor por todas as bênçãos que sem merecer ele me concedeu. Mês que vem será muito especial, pois será meu primeiro dia das Mães. Com certeza quero comemorar e compartilhar mais da minha maternidade com vocês. Beijo carinhoso.


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

"GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": COMO FOI NOSSA ENTREVISTA COM A PSICÓLOGA E COM A ASSISTENTE SOCIAL!

Imagem cedida por Free Digital Photos

Após o sucesso do texto de estreia da coluna "Gestação do Coração", nossa querida Ane conta mais um passo que ela e seu esposo deram, aliás, dois: a entrevista com a psicóloga e com a assistente social. O protocolo de adoção no Brasil é rígido e tudo é averiguado, desde o local e como vive o casal, sua condição financeira, psicológicas, dentre muitas outras. Aos poucos Ane vai nos trazer esse novo mundo, com novas informações e estritamente importantes para quem pensa em gerar seu filho no coração e até mesmo estimular quem já pensou no assunto, mas que depois virou tabu, e até mesmo colocar em discussão a adoção que eles desejam: a tardia, algo mais raro hoje em dia quando pensamos em adoção. Só posso agradecer Ane por cada artigo, pois eu sou uma das que está aprendendo muito com seus textos. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por Ane Bulcão 

Após a correria do fim do ano, estou de volta para continuar minha contando nossa saga em busca do meu tão sonhado filho que estou gerando em meu coração. Primeiro desejo a todas(os) um excelente 2015, que ricas bênçãos do Senhor esteja sobre a vida de cada um de nós, que o tão sonhado positivo se concretize na vida de muitas endoguerreiras, se assim for a vontade de Deus, e também que muitas possam realizar o sonho da maternidade por meio da adoção.

No artigo de hoje, vou contar como foi a visita da assistente social e da psicóloga, que aconteceu no dia 29 de setembro de 2014. Nossa, vocês nem podem imaginar como eu e Paulo ficamos eufóricos. Afinal de contas, a gente tinha colocado os papeis no fórum no final de agosto e, não esperávamos que, um mês após dar a entrada, já teríamos a entrevista, mas eu não me canso de dizer que Deus é lindo!

 Eu lembro que quando recebi a ligação sendo informada de que no mesmo dia teríamos a visita da assistente social aqui em casa e a entrevista com psicóloga no fórum, fiquei imensamente grata ao Senhor. Amigos nossos que já adotaram nos disseram que entre colocar os papeis e serem chamados para o primeiro contato demorou quase um ano. Estou falando isso para mostrar a vocês que as coisas acontecem em nossa vida no tempo de Deus, cada um de nós precisa passar por um determinado processo, que é único e intransferível, mas podem ter certeza que cada fase é muito importante para nos prepararmos devidamente para chegada do filho(a) tão sonhado(a) e esperado(a).

Confesso a vocês que na véspera da visita mal consegui dormir (risos). Me virei de um lado para o outro a noite toda, mas enfim estava pronta para este primeiro contato. Caprichamos na arrumação da casa como a gente costuma fazer quando vamos receber uma visita não é verdade meninas? Essa era uma das visitas mais importantes de nossas vidas. A assistente social chegou cedo e logo começou a anamnese, fazendo questão de me deixar à vontade conduzindo todo processo com serenidade. Foi um bate-papo gostoso e bem descontraído, onde ela nos perguntou várias coisas, como por exemplo: por que queremos adotar uma criança, como é a nossa rotina, qual nossa profissão, qual nossa renda mensal entre outras coisas. Essas perguntas são muito importantes e devo dizer que ninguém precisa se sentir invadido com tantas perguntas. Elas fazem parte do protocolo como uma medida de prevenção e cuidado para com as crianças que possivelmente serão adotadas pelos candidatos.

No decorrer da conversa fizemos questão de deixar claro que a opção pela adoção não era apenas porque não podíamos ter filhos, mas que já era um desejo do nosso coração e uma decisão consciente. Falamos que queremos fazer adoção atípica, fora dos padrões convencionais. Com isso, ela se mostrou profundamente entusiasmada com nosso relato, nos parabenizou e comentou que desde que havia chegado a essa comarca nunca tinha atendido um casal com convicções tão firmes e esclarecidas como a gente estava demonstrando ter. Disse também que estava profundamente emocionada com a nossa história. Ao ouvirmos isso nosso coração se aqueceu e se acalmou, e pudemos sentir que as coisas estavam fluindo naturalmente e, assim, conseguimos nos desprender daquela ansiedade própria de quem está sendo avaliado. Por fim a assistente social já finalizando a visita fez uma breve inspeção em nossa humilde casinha e se despediu nos desejando “boa sorte”.

Já no período da tarde, a segunda etapa era no fórum: a entrevista com a psicóloga. Ao chegarmos lá devo dizer que essa entrevista foi um pouco mais tensa que a primeira. Afinal vocês sabem bem que nesse momento cada palavra ou gesto nosso estava sendo muito bem analisado por ela. Por isso tentamos ao máximo demonstrar naturalidade. Foram feitas as mesmas perguntas da assistente social, porém acrescida de muitas outras, como por exemplo: ela afunilou bastante a questão da adoção tardia, querendo saber se estávamos com essa opção por sentir “peninha” dessas crianças. Tranquilamente respondemos com convicção nossas razões e motivações que nos levaram a essa opção: que é permitirmo-nos nos deixar amar e ser amados por essas pequeninas vidas que também têm direito de ter um lar. Depois ela fez um questionário com inúmeras perguntas a fim de traçarmos o perfil detalhado da criança que queremos adotar, com perguntas do tipo: qual a cor da criança, se aceita adotar criança deficiente, com doenças crônicas, ou doenças tratáveis, soro positivo para AIDS, se aceita adotar irmãos... E muitas outras perguntas que pareciam infindáveis.

De todo processo até agora, essa foi a parte mais chata, pois em um dado momento parecia que eu estava em um supermercado olhando nas prateleiras “qual tipo de criança” levar. Mas a psicóloga nos explicou que esse procedimento é extremamente importante não só para proteger a criança, como também para ajudar muitos candidatos a adoção, que muitas vezes chegam lá com uma visão bastante romântica ou até mesmo equivocada sobre a adoção. Graças a Deus a psicóloga também ficou encantada com nossa escolha, nos parabenizou e nos orientou a participarmos de um grupo de apoio a adoção. Ela disse que pela forma como expomos nossas convicções e como nos portamos durante toda entrevista, nós iríamos contribuir e ajudar a desmistificar muitos tabus sobre a adoção nesse grupo.


A gente se despediu, fomos para casa esperançosos e satisfeitos por ver o processo caminhando direitinho. Ficamos muito felizes por tudo e imensamente gratos ao Senhor por sempre cuidar de nós. Agradeço muito por compartilhar com vocês cada passo desta minha “gestação do coração”. Obrigada pelo carinho do primeiro texto. Um dos motivos que aceitei escrever a coluna quando recebi o convite da Caroline, foi justamente o que disse a psicóloga: desmistificar e tirar os tabus sobre a adoção. No próximo texto falarei como foi o encontro com o grupo de apoio a adoção que aconteceu no fórum em dezembro do ano passado. Um beijo carinhoso e até o próximo artigo.