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terça-feira, 30 de maio de 2017

"GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": O MEU PRIMEIRO DIA DAS MÃES COM MEU FILHO, DANILO!!

Foto: arquivo pessoal

Para encerrar o mês do Dia das Mães, nossa querida colaboradora-voluntária, Ane, nos conta em um texto emocionante como foi seu primeiro Dia das Mães ao lado de seu filho, Danilo. Ane fala sobre como passou seu dia, do presente que o filho lhe deu, e também abre seu coração sobre o pouco convívio que teve com sua mãe, o que aflorou ainda mais a vontade de ser a mãe 100% presente que é hoje. Mais um texto que vai levar fé e esperança aquelas que ainda sonham com a maternidade. Se você ainda não recebeu sua benção, confie, mantenha sua fé, pois o agir de Deus é maravilhoso e, em breve, você estará com seu tão desejado bebê em seus braços. O que não pode acontecer é desanimar. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


Por Ane Bulcão
Edição: Caroline Salazar

Olá meninas!

O mês de maio de 2017 foi muito especial e será para sempre inesquecível, pois comemorei meu primeiro Dia das Mães. Neste texto vou compartilhar com vocês como um pouco da minha vida e como foi esse grande dia. Sempre sonhei em ser mãe, principalmente porque só tive o privilégio e a alegria de conviver com minha mãe até meus sete anos de idade. Depois que meus pais se separaram, fui morar com meu pai, pois, por problemas de saúde, minha mãe não podia cuidar de mim e de meus dois irmãos. Não posso tirar o crédito do meu pai, que cuidou de nós com todo amor e carinho, mas por mais que meu pai tenha se esforçado, e, com certeza, foi muito presente em minha vida, não preencheu o vazio que sentia de minha mãe.

Os anos foram se passando e voltamos o contato com minha querida mãezinha, o que foi uma alegria sem fim. Mas eu sempre pensava: quando tiver filhos quero estar presente sempre ao lado deles para que não sofram como eu. O meu sonho da maternidade se realizou há oito meses. Quando meu príncipe chegou para completar nossa família, confesso que tenho vivido experiências maravilhosas. Admito também que minhas expectativas têm sido superadas, Deus me presenteou com o melhor filho do mundo (risos).

No meu primeiro Dia das Mães, tive a alegria de ver meu filho apresentar uma cantata junto com as demais crianças de minha igreja. Foi muito lindo! As crianças também aprenderam as músicas em Libras (Língua Brasileira de Sinais), me senti muito especial e querida. A emoção foi indescritível, e essa sensação é melhor do que qualquer presente que o dinheiro possa comprar. Como foi bom ver meu filho declarando seu amor por mim de forma tão singela e pura.

O sentimento que tomou conta de meu coração é de eterna gratidão a Deus, que nos dá infinitamente mais do que pensamos ou podemos imaginar, pois eu tenho um filho muito carinhoso e prestativo, que sempre me ajuda quando estou mal por conta das dores da endometriose, que cuida de mim, e é muito fofo quando ele ora pedindo a Deus para “curar o dodói da mamãe”. O meu primeiro Dia das Mães foi muito cheio de mimos, com muitos beijos e abraços. Ele não poderia ser melhor.

Continuo lutando diariamente por qualidade de vida, afinal de contas, agora eu tenho uma motivação maior que me impulsiona a seguir em frente, que é cuidar de meu filho. Não posso esmorecer. Ele é muito carinhoso. E eu conheci o que é amar incondicionalmente. Ele, com certeza, é o amor de minha vida. Para aquelas que ainda passaram o Dia das Mães sem seu tão sonhado bebê não percam a fé. Em breve Deus dará a cada uma de vocês a mesma benção que recebi. Beijo carinhoso e até o próximo!

domingo, 23 de abril de 2017

7 ANOS DE BLOG! "GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": A ADAPTAÇÃO À MINHA NOVA VIDA DE MAMÃE PARTE 1!!

Foto: arquivo pessoal


Há seis meses a vida de nossa querida Ane está mais colorida, mais alegre e também muito mais agitada. A maternidade é realmente uma experiência maravilhosa, mas nos vira do avesso. Com ela nós, mulheres, descobrimos nosso outro eu. São tantas descobertas e novidades que muitas vezes a alegria imensa que passamos a sentir se mistura com uma grande tristeza. Vários sentimentos se misturam.... é a chamada depressão pós-parto. Pois é e não é que Ane começou a ter sinais desta terrível doença? Mamães do coração também estão suscetíveis a terem depressão pós seu parto do coração. Neste texto Ane conta como foi os primeiros seis meses de convivência com Danilo e também relata como descobriu que estava uma doença que ainda é pouco conhecida e aceita pela sociedade: a depressão pós-parto na adoção. Ane e Paulo optaram por adotar uma criança mais velha, a chamada adoção tardia. Danilo também é surdo.  Quem perdeu leia o texto sobre as primeiras contrações de Ane e o texto sobre seu tão sonhado parto. Beijo carinhoso!  Caroline Salazar


A adaptação à minha nova vida de mamãe - parte I


Olá meninas,

Estou de volta!! A vida de mãe aliada ao trabalho e a dedicação ao meu esposo (mais saúde que não está tão bem) estão me consumindo tanto, que não estou conseguindo escrever aqui todo mês, como eu gostaria. Desta vez quero compartilhar com vocês como tem sido nossa adaptação com nosso filho durante esses seis meses de convivência. É isso mesmo que vocês estão lendo, já se passaram seis meses desde que Danilo chegou em nossa vida e temos vivido uma experiência única e indescritível.

Neste texto vou abordar a adaptação de como tem sido a minha vivência, os sentimentos envolvidos, os medos e as alegrias de ser mãe. Pois bem vamos lá então! Quando Danilo chegou eu pensei sou mãe e agora? Um misto de alegria e medo tomou conta de mim: alegria por estar realizando meu grande sonho de ser mãe e medo, aliás, muito medo de não saber cuidar dele direito. Penso que toda mulher é tomada desses sentimentos quando chega à maternidade. Eu ficava olhando pra ele e pensava: nossa ele chegou e agora é nosso pra sempre! Mas como é que vou conseguir cuidar dele, ainda agora depois que a endometriose voltou e tem dias que a dor é tão intensa que mal consigo levantar da cama? 

Até hoje não consigo passar um pano na casa sem que no outro dia praticamente fico me arrastando de dor. Dá para acreditar? Mas por incrível que pareça, mesmo com dor, me vem uma força que só posso atribuir a Deus para cuidar dele e de meu esposo. Lembro-me de certa feita, minha tia ter me falado: “Seu filho vai ser a cura da sua endometriose (risos)”. E realmente mesmo nos dias mais difíceis encontro uma razão maior para não desistir. Tem dias que não tem jeito mesmo, tenho que parar um pouco e repousar, mas graças a Deus fui abençoada com um marido maravilhoso que sempre me ajuda nas tarefas de casa e a cuidar de nosso pequeno. Lembro também de um dia que não estava bem e Danilo chegou pra mim colocou sua mão em minha barriga e orou a Deus pedindo minha cura. Momento como esses são emocionantes e não tem como explicar.

Confesso que no começo também tive medo de não sentir o tal amor incondicional que as mães biológicas têm. Hoje garanto que foi pura bobagem minha, pois quando me vi já estava fisgada por aqueles olhinhos tão vivazes e sorriso cativante sem possibilidade alguma de me imaginar viver longe dele. Os desafios foram chegando. Como e quando impôr limites, quando dizer sim, quando dizer não e como sustentar o não sem ceder à chantagem emocional. Educar, procurar escola especial, ir atrás de terapia e de fonoaudióloga, ambas especializadas em Libras, foram situações que tivemos o cuidado de nos preparar buscando sempre o apoio de profissionais e de pessoas queridas que poderiam compartilhar suas experiências no trato com seus filhos.

 Mesmo assim com todas as alegrias, percebi que em alguns momentos me vinha uma tristeza e uma angústia, principalmente, quando estava fragilizada por conta da endometriose. Não conseguia ir mais à academia por causa da dor e voltei a engordar tudo que havia lutado os últimos dois anos para emagrecer com sacrifício. Sinceramente não conseguia entender o porquê disso, uma vez que já tinha decidido não me deixar abater pela doença. Afinal, tenho agora uma família linda que foi presente de Deus em minha vida. Mas eu tinha momentos que me sentia ansiosa, não estava satisfeita comigo mesma, sempre cobrando muito de mim, me recriminando por não estar fazendo tudo 100%, não estava gostando do que via no espelho, enfim, tinha muito mais motivos pra agradecer do que pra reclamar, mas, mesmo assim, passava por momento de grande tristeza.

Diante de tudo isso resolvi passar com um psiquiatra e com psicóloga, pois já era indicação do fórum para toda família que passa pelo processo de adoção. Pra meu alivio, minha médica e terapeuta tranquilizaram meu coração explicando que no meu caso todas essas mudanças que eu estava vivendo nesse curto espaço de tempo, juntando com a reincidência da endometriose, nada mais do que normal era que eu estava passando por um tipo de “depressão pós-parto”, se é que podemos dar essa nomenclatura. Foi essa analogia muito bem colocada por minha terapeuta, uma vez que há um turbilhão de hormônios envolvidos. Esses altos e baixos dizem respeito a essa briga desses hormônios que trazem alegria ou sentimento de tristeza por causa da dor. Devo dizer que esse apoio profissional tem sido de fundamental importância para a superação dessa fase.

Também voltei ao Hospital São Paulo para retomar o tratamento da endometriose e tudo indica que o procedimento a ser seguido será encaminhamento para nova cirurgia. E assim espero, pois desejo mais do que nunca ter qualidade de vida para curtir cada vez mais minha linda família, sem murmurações e queixas, para que, em breve, daqui a uns dois anos pretendemos adotar novamente. Dessa vez nossa pretensão será adotar uma bebezinha, e para tanto, preciso estar bem para dar colo à nossa princesinha. Pois é esse negócio de ser mãe é delicioso, sou imensamente grata ao Senhor por todas as bênçãos que sem merecer ele me concedeu. Mês que vem será muito especial, pois será meu primeiro dia das Mães. Com certeza quero comemorar e compartilhar mais da minha maternidade com vocês. Beijo carinhoso.