Por ter sido citado em Insensato Coração, no dia 07 de março, em plena segundona de carnaval, o A Endometriose e Eu está com seguidores e leitores no mundo todo. Gente, eu confesso que fiquei impressionada com a repercussão que o blog teve. Com isso, tenho recebido muitos e-mails, até mesmo de minhas seguidoras antigas, pedindo para eu explicar o que é a endo. Eu não sou médica e, muito menos, especialista na doença, mas como portadora e jornalista, acho que dou conta de explicar do meu jeito. Aliás, esse será o tema do meu segundo artigo no site Muriaé na Web, que vou escrever na próxima semana.
Mas, o que é a endometriose? A endometriose nada mais é do que a presença do tecido semelhante ao endométrio (que reveste a cavidade uterina) fora dele. O endométrio é o tecido mais funcional do útero, ou seja, com estímulo hormonal do ovário aumenta sua espessura e diferencia-se para receber o embrião. Caso não ocorra a gravidez, o endométrio descama formando assim a menstruação, e, desta forma, vão ocorrendo os ciclos menstruais. A endometriose não acomete apenas órgãos da pelve ou próxima à ela. A doença também atinge órgãos distantes como pulmão, pleura, olhos, nariz, sistema nervoso central, dentre muitos outros.
A endometriose não tem idade. Uma mulher pode ter endo aos 10, aos 20 anos, como também aos 40. Inclusive, já falei sobre isso aqui. Em agosto de 2010, conheci a Cris, uma mulher de 39 anos, que teve o começo de sua endometriose aos 38. Esse é um dos motivos, pelo qual, a doença é tão perigosa. Da menarca, a primeira menstruação, a menopausa, a última, qualquer uma está sujeita a ter endo. No início do século XX, a mulher tinha cerca de 40 ciclos menstruais ao longo de sua vida reprodutiva. Atualmente, como priorizamos a nossa carreira, menstruamos muito mais, e temos 400 ciclos na vida moderna.
Hoje, a endometriose atinge cerca de 10 a 15% das mulheres em "idade reprodutiva". Na verdade com o estímulo dos ovários a doença se torna mais presente nesta faixa etária. Mas o certo mesmo é falar que a endometriose atinge a mulher em qualquer fase de sua vida. A estatística baseada apenas nas mulheres em idade reprodutiva (leia-se de 15 a 45 anos) fala em seis milhões, mas de acordo com o Censo 2010, a população está mais feminina. Mais um motivo, pelo qual, a endometriose merece toda atenção e tratamento adequado. Já somos 97.342.162 contra 93.390.532 homens. Então, cerca de 10 a 15% das mulheres que têm seus ciclos menstruais têm endo. No mundo são mais 176 milhões. Muita gente, não, quase um Brasil todo de mulheres doentes! Pois é, mas pelo fato de nós, mulheres, adiarmos cada vez mais a maternidade, infelizmente, esse número só tende a aumentar. Por isso, além da importância de informar, o Brasil tem que ter uma nova atitude e traçar nova diretriz na chamada Saúde da Mulher.
Infelizmente, a endo não está nos planos da presidente Dilma Rousseff e, muito menos, nos dos ministros Iriny Lopes, da secretaria de políticas para as mulheres, e Alexandre Padilha, da Saúde, como algo a ser abordado em 2011. Aliás, conforme pesquisei, a endometriose cai como uma luva no capítulo III intitulado "Saúde das mulheres, direitos sexuais e direitos reprodutivos", da reunião realizada no Ministério da Saúde, em Brasília, com a presença de Iriny e Alexandre, no dia 7 de fevereiro de 2011. Qual outra moléstia agrega em uma só: saúde das mulheres, direitos sexuais e reprodutivos? A endometriose! Mas o governo só tem políticas de resultado para doenças letais, como alguns cânceres e a AIDS. Precisamos de mudanças sérias na pauta Saúde da Mulher, já em 2011. Não podemos deixar para discutir em 2012, que vai deixar para 2013, 2014 aí vai, do jeito que muitos políticos no Brasil gostam: sempre adiar, mas nunca resolver nada. Temos que ter políticas mais sérias ainda, mas não só aquelas que ficam no papel ou no papo. Temos que ter um forte engajamento para disseminar informações sobre a doença em palestras, campanhas, mas também temos que realizar ações de verdade, que estejam presentes no dia a dia das portadoras. Só nós, portadoras, sabemos o nosso sofrimento e as nossas limitações.
Conforme já falado no A Endometriose e Eu, desde 2004, a endo já é considerada uma doença social na Europa. Sabe por quê? Porque o governo gastava mais dinheiro com as portadoras de endometriose, do que com quem tinha câncer de mama, que, infelizmente, é um dos mais propensos a metástase. Será que o assunto é sério? Ou não? De acordo com especialistas, que abordaram o tema no programa Medicina & Saúde, é a segunda causa de cirurgias em todo o mundo, só perdendo para a cesárea. Só que, no caso da endo, não tem como tentar o parto normal! Bom, enquanto não vamos a Brasília mostrar aos nossos políticos, o quanto endo é perigosa, vamos fazer a nossa parte. Por ora, eu faço a minha, que é a de informar o maior número de mulheres possível.
O principal sintoma é a cólica menstrual muito forte. Mas, atenção: você pode ter essas dores de ‘cólica’, antes, durante ou depois da menstruação. É só ficar atenta! Se, a sua cólica, não melhorar com um primeiro remédio, investiga. É melhor descobrir que não tem nada, do que ser surpreendida, cerca de sete a 10 anos depois (tempo médio para o diagnóstico), que você pode ter a endo severa, com a possibilidade de perder parte ou a totalidade de algum órgão. A dispareunia, a dor na relação sexual, a meu ver, é uma das piores consequências da endo. É também um dos principais sintomas. Outra que chama a atenção é a alteração do nosso intestino, quando estamos menstruadas. Mulheres fiquem atentas!! Espero que gostem do post. Beijos com carinho!!
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domingo, 27 de março de 2011
MAS AFINAL, O QUE É E COMO A ENDOMETRIOSE COMEÇA??
Postado por
A Endometriose e Eu
às
23:13
12 comentários:
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