domingo, 23 de julho de 2017

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR ALYSSON ZANATTA!!


Na segunda parte de “Com a Palavra, o Especialista” deste mês de julho, o doutor Alysson Zanatta tira alguns mitos sobre a doença. Pois é, infelizmente, a endometriose ainda não é tão levada a sério por conta de seus muitos mitos. Vejo constantemente o pavor que a maioria das endomulheres tem em menstruar por achar que a cada menstruação a doença irá se espalhar pelo seu corpo. Será que a doença se espalha? Ou ela é uma doença previsível? Mito ou Verdade? Outro mito já esclarecido várias vezes pelo doutor Alysson no A Endometriose e Eu é a respeito da possível cura da doença. Há uma idade certa para as mulheres terem todos os seus focos desenvolvidos? Beijo carinhoso! Caroline Salazar

– Ouvi de um especialista que a endometriose é progressiva. É verdade que ela se espalha na mulher conforme a idade e o passar dos anos?  Ana Clara – Recife – PE

Doutor Alysson Zanatta: Não Ana Clara, a endometriose não se espalha. Esse mito (mais um) deriva da ideia de que a endometriose venha de menstruação, e que então ela poderia se espalhar por qualquer lugar na pelve. O doutor. David Redwine já demonstrou que as lesões de endometriose são previsíveis, ocorrendo sempre nos mesmos lugares, e, portanto não se espalham. Essa é também a minha observação durante as cirurgias: as lesões estão sempre no mesmo lugar.

Por outro lado a endometriose pode sim ser progressiva. Em algum momento da vida ela progrediu, pois quando encontramos lesões avançadas, significa que elas certamente começaram como lesões menores. O mais provável é que aquelas células de endometriose já presentes no feto (sim, elas estão presentes no feto, fato comprovado leia os textos já publicados no blog texto 1, texto 2 e texto 3) progridam para lesões nodulares e aderências de endometriose ao longo da vida, talvez até no máximo 35 anos de idade. Após essa idade, não costumamos observar novas lesões, exceto talvez por cistos endometrióticos nos ovários.

- A endometriose tem cura? Já fiz uma videolaparoscopia, mas a minha voltou. Anônima, Rio de Janeiro

Doutor Alysson Zanatta: Cura significa ausência de doença. Ou ausência de sinais e sintomas de uma doença. No caso da endometriose, ausência de dor e de sinais da doença por exames de imagem (ultrassonografia e/ou ressonância) com especialista. Os dados científicos mais robustos que dispomos citam mulheres operadas por endometriose que foram acompanhadas por até 10 a 12 anos após a cirurgia. Cerca de 60 a 70% delas não tiveram nem sinais e nem sintomas de endometriose durante todo esse tempo. Podemos dizer que é a cura? Talvez sim. Todas essas mulheres passaram por laparoscopia de remoção máxima da doença e as cirurgias foram realizadas por cirurgiões especialistas e experientes.

Ninguém pode afirmar com certeza, mas é possível que a mulher desenvolva todos os focos de endometriose de sua vida até cerca de 30 a 35 anos. Ou seja, aquela mulher que é operada antes dessa idade, mesmo que bem operada, pode vir a desenvolver novos focos, mas jamais na mesma intensidade desde que tenham sido adequadamente removidos. Por outro lado, mulheres operadas após essa idade têm menos chance de ter sintomas da doença, desde que tenham sido bem operadas.


Sobre o doutor Alysson Zanatta:


Graduado e com residência médica pela Universidade Estadual de Londrina, doutor Alysson Zanatta tem especializações em uroginecologia e cirurgia vaginal pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cirurgia laparoscópica pelo Hospital Pérola Byington de São Paulo e doutorado pela Universidade de São Paulo, USP. Suas principais áreas de atuação são a pesquisa e o tratamento da endometriose, com ênfase na cirurgia de remoção máxima da doença. Seus inter­esses são voltados para iniciativas que promovem a conscientização da população sobre a doença, como forma de tratar a doença adequadamente. É diretor da Clínica Pelvi Uroginecologia e Cirurgia Ginecológica em Brasília, no Distrito Federal, onde atende mulheres com endometriose, e ex-professor-adjunto de Ginecologia da Universidade de Brasília (UnB). (Acesse o currículo lattes do doutor Alysson Zanatta). 

2 comentários:

  1. Amei o texto Carol e Dr Allysson.
    Vejam só estou com 34 indo pra 35 anos em Setembro, primeira vídeo em março de 2015, segunda vídeo 15/05/17 e continuo com dores, que acentuam muito com a menstruação. Estamos tentando uma nova gestação, agora através da FIV pelo setor de reprodução humana do Pérola Byington, no qual aonde eu também fiz as minhas duas cirurgias. Porque será que com 70 dias de cirurgia praticamente eu ainda continue a sentir essas dores ? Em qual desses quadros eu me encaixo ? Me pergunto muito isso �� pois seria um sonho poder ficar curada. Com o andar da carroagem, em questão das dores, nem sei se terei estrutura emocional em seguir com a FIV até o final, com medo das dores piorarem até lá, já que estou no começo ainda das etapas pra FIV, exatamente nos exames de sorologia e espermograma do marido. Já me disseram que a caminhada é um pouquinho demorada, sem contar em ter que entrar pra fila de espera.

    ResponderExcluir
  2. Olá! Tenho 31 anos e fiz a cirurgia com remoção de vários nódulos, inclusive pedaço do intestino em dezembro de 2016. Foi colocado mirena e tomei allurene por 5meses. Em março desse ano as dores voltaram principalmente no cóccix já fiz RM de pelve e ñ mostra nada e dores são tão fortes que tomo Tramadol diariamente. Será que pode ter votado a endometriose? O médico que me operou falou q tinha foco próximo ao reto e foi limpo. O que posso fazer??? Sou do rs!!!

    ResponderExcluir