terça-feira, 7 de maio de 2013

"SUPERANDO A ENDO INFERTILIDADE", A NOVA COLUNA DO BLOG!!



É com grande alegria que o A Endometriose e Eu estreia sua nova coluna, a “Superando a Endo Infertilidade”.  Faz um tempo que penso em levar esperança e fé às endomulheres que até o momento não conseguiram realizar um dos desejos femininos acalentados por muitas mulheres: a maternidade. Na última semana, recebi o  email da nossa querida Karina Mosconi pedindo uma coluna assim no blog: para ajudar àquelas que não conseguiram ainda serem mães. Como diz um grande amigo meu: "Confirmou!". A cinco dias da data dedicada às mães lanço esta coluna com o objetivo de levar confiança e ainda mais fé àquelas que não conseguiram gerar filhos até o momento. Sei que essas mulheres podem ficar mais tristes, pra baixo nesses dias que antecedem o segundo domingo de maio.... percebo isso em alguns emails que recebo. Porém, muitas se esquecem de que somos filhas de um Deus do impossível e que para Ele quando se tem fé, o impossível se torna possível. Para esta nova empreitada, contamos com a ajuda de uma endomulher guerreira (assim, como todas nós!) e muito querida, a fisioterapeuta Juliana Sinelli. Hoje é um resumo de sua trajetória até a realização de seu sonho, mas mês a mês, ela vai contar os passos e tudo que enfrentou rumo sua vitória Divina.

Sei que a endometriose nos dá momentos muitos tristes. Mas eu quero espalhar a palavra de uma forma diferente. Claro, sempre lutar pelos nossos direitos e falar a verdade sobre a doença. É uma doença triste, traiçoeira, que nos leva pra baixo, mas também não posso esconder que se não fosse a endo e, inclusive, meu sofrimento, muito do que tenho na vida hoje não existiria, como o blog. E vocês, razão pela qual eu faço o que faço. Esse filhote lindo aqui está levando muita esperança às endomulheres no mundo todo e quero continuar com este lado também otimista. De coisa ruim, já basta as dores, a depressão, a incerteza que cada uma e nós temos. Se não fosse o blog e cada um que passa por aqui, eu não teria vontade de trabalhar duro em busca de um futuro melhor para todas nós, principalmente, para as próximas gerações.  E outras colunas vêm por aí. Já que o A Endometriose e Eu é referência internacional no assunto, quero que ele seja o blog mais completo sobre endometriose. E isso só será possível com a união com pessoas do bem! Beijo carinhoso! Caroline Salazar

“Meu nome é Juliana Sinelli, tenho 30 anos, sou fisioterapeuta e estreio a nova coluna do A Endometriose e Eu: Superando a EndoInfertilidade. Neste primeiro artigo, vou contar resumidamente minha história até a chegada do meu milagre, a Mariana. Em 2007 tive episódio de desmaio no primeiro dia de menstruação, que também se repetiu no mês seguinte, o qual me levou para o pronto-socorro! Sem diagnóstico e com melhora dos sintomas fui embora e resolvi ir a minha ginecologista. Ela pediu que eu fizesse vários e exames. Todos deram normais com exceção do CA 125 (nota da editora: exame de sangue que originalmente foi instituído para medir câncer de ovário, e que hoje é utilizado para auxiliar no diagnóstico da endometriose) que estava pouco acima do normal. Foi nesse momento que fui diagnosticada com endometriose. Foi-me receitado anticoncepcional contínuo. 

Comecei o tratamento confiando nesta profissional! Como não tinha mais episódios de dores, vivi assim por três anos, sem dor , com alguns escapes, mas achando que estava tudo bem . Em 2010 fui fazer exame de rotina e constou endometrioma no ovário esquerdo e meu caso era cirúrgico. Fui em inúmeros médicos bam bam bans na área e acabei descobrindo que era endometriose grau IV (profunda), que já estava no intestino e que precisava retirar um pedaço deste órgão! Quantos médicos eu fui, quantos mercenários encontrei no meio do caminho, até que quando já estava sem esperança me indicaram o doutor Hélio Sato, que é um excelente médico. Além de ético, é muito humano e honesto. Fiz minhas duas cirurgias com ele. Na primeira cirurgia retirei um endometrioma no ovário esquerdo e 15 cm do intestino, com também o proctologista doutor Roberto Hiroshi. Na segunda retirei a trompa esquerda e parte do ovário esquerdo! Nesta época estava me preparando pra casar e meu mundo desabou. Como a endometriose é associada de forma direta com a infertilidade, e como ser mãe sempre foi meu sonho, imaginem como fiquei com meu casamento à vista!  Este era o meu maior pesadelo quando diziam a palavra endometriose: a infertilidade. Já que minhas dores eram suportáveis e superáveis, a incerteza de poder ou não ter filho, de fato, foi meu maior drama! Mas com muita fé, com tratamento clínico adequado que irei falar aqui superei este monstro que é a endometriose e sua maior consequência em minha vida, a tão temida infertilidade!!! 

Minha Mariana, de 1 ano, me fez acreditar que por mais dores que já passei, por mais incertezas dos tratamentos que temos, por mais medo que já tive: hoje agradeço a Deus a cada sofrimento que passei, pois com eles me tornei uma pessoa melhor, com outros valores e aprendi que nós mulheres não podemos desistir jamais!  Somos guerreiras e irei contar nesta coluna como enfrentei e venci o medo da infertilidade, já que gerar um filho era uma missão quase impossível, porém, possível com minha fé, esperança e perseverança. Estes foram alguns dos ingredientes que tornaram meu sonho realidade. Aliados a ajuda até mesmo psicológica de meu médico, de meu marido e de minha mãe, pessoas especiais que foram fundamentais nesta longa jornada e da realização deste sonho. Espero com esta coluna ajudar muitas endomulheres a realizarem os seus também. Beijo carinhoso! Juliana.”

segunda-feira, 6 de maio de 2013

MATTHEW ROSSER: AFINAL, COMO SURGE A ENDOMETRIOSE??


Mais um artigo maravilhoso da parceria exclusiva A Endometriose e Eu e o cientista inglês Matthew Rosser. Já faz tempo que quero falar sobre isso aqui. Bom, eu não sou médica, nem tenho a pretensão de ser, nunca nem gostei de brincar de médico (risos), mas eu tenho um cérebro pensante e tem algo dentro de mim que diz que essa teoria da menstruação retrógrada, não sei não, era algo lá do século 20. Se a maioria das mulheres ou como escutei outro dia com meus próprios ouvidos no programa Bem-Estar, da Globo, e até mesmo como diz no texto do Matthew, que todas as mulheres têm menstruação retrógrada por que só parte delas a doença se manifesta? Ok, genética, deficiência do sistema imunológico, fatores ambientais, má-alimentção, dentre outros fatores... Sorte, azar? Bom, eu queria ter a sorte de ganhar na loteria isso sim e não ter endometriose. A única coisa que sei é que desde bem criança eu sentia uma dor "tipo pontada de faca" no meu abdômen. Muito, muito antes da minha menarca. Eu não podia correr que lá vinha essa maldita "dor de lado". 

Era assim que eu a chama "ai, minha dor de lado". Essa dor me limitava em minhas brincadeiras, pois tive uma infância maravilhosa no interior de Goiás. Brincava em árvores, corria na rua, brincava de pique-esconde e pega-pega na rua, dentre muitas outras brincadeiras incríveis, algo impossível de se fazer nas grandes cidades. Com o passar do tempo, essa dor foi se intensificando aí com a menstruação, elas aumentaram ainda mais. Bom, mas o texto aqui é do Matthew Rosser, que fala de algumas pesquisas e do surgimento de novas teorias, o que iremos falar muito no blog. Quero saber de vocês, como apareceram as primeiras dores? Afinal, como diz Matthew: "Talvez, se nós tivéssemos uma ideia contrária, talvez não seja o endométrio, que dita o destino de endometriose, mas sim a endometriose, que dita o destino do endométrio" Tipo é meio que "quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha!". Afinal, somos mais de 10 milhões de endomulheres no Brasil e 176 milhões no mundo todo. Ah, nova coluna chegando no blog nesta quarta-feira, preparem-se! Tudo para tornar o A Endometriose e Eu, o blog mais completo do mundo sobre endometriose. Agradeço aos parceiros Marilia Jorge, pela tradução, e ao nosso endo marido, Alexandre Vaz. Afinal, juntos somos mais fortes. Beijo carinhoso!

Afinal, como surge a endometriose?

Por Matthew Rosser
Tradução: Marilia Jorge
Edição: Alexandre Vaz 

A endometriose é geralmente descrita como uma variação de "focos de endométrio crescendo em outras partes do corpo". Esta descrição levanta várias questões. Por exemplo, se a endometriose está relacionada ao endométrio normal, o que isso pode nos dizer sobre a doença e qual é a conexão entre os dois tipos de tecido? Inicialmente, a semelhança da endometriose ao endométrio normal levou acadêmicos a crer que lesões de endometriose foram semeadas em seus locais pelo fluxo de células endometriais durante a menstruação. Isso fazia sentido na época,  porque o movimento inverso da menstruação (menstruação retrógrada) é uma coisa que acontece, e o fato de que as células do endométrio estavam entrando na cavidade pélvica, e a endometriose que parece ser tecido endometrial era um fator de demasiada coincidência.
 
No entanto, a menstruação retrógrada ocorre quase que universalmente nas mulheres em idade reprodutiva. Porém, a doença afeta somente cerca de 10 a 15% das mulheres. Claramente ainda falta alguma coisa nesse argumento. Talvez, o endométrio de mulheres destinadas a ter endometriose seja um pouco diferente do das outras mulheres. A tecnologia atualmente é tal que nos proporciona analisar milhares de propriedades das células a nível molecular, o que nos permite analisar em um grau sem precedente as características detalhadas de todos os tipos de tecidos do corpo humano. Vários estudos tem se centrado em caracterizar o endométrio de mulheres com e sem endometriose, e descobriu que, sim o endométrio em mulheres com endometriose é realmente diferente. O endométrio de mulheres com endometriose parece ter uma maior capacidade de sobreviver, proliferar e invadir, aparentemente preenchendo a parte que falta da teoria da menstruação retrógrada.

Mas, como em todas historias de suspense, o desfecho do caso nunca ocorre tão cedo. Nos últimos anos, mais e mais evidências estão vindo à tona, desafiando a teoria da menstruação retrógrada. Em particular, há agora uma quantidade bastante significativa de evidências para mostrar que o endométrio deslocados que define a endometriose é, de fato, presente antes de você ter nascido. Existem também raros casos documentados de endometriose em homens (como já falamos aqui), mulheres que não menstruam e em primatas que não menstruam; fica claro a necessidade de repensarmos. Talvez, se nós tivéssemos uma ideia contrária, talvez não seja o endométrio, que dita o destino de endometriose, mas sim a endometriose, que dita o destino do endométrio. Uma pesquisa colaborativa tem dado indícios de que este mesmo fim. Os autores deste estudo de endometriose induzida experimentalmente em babuínos, injetando células do endométrio para a cavidade pélvica e deixá-los formar implantes de endometriose. Em seguida, compararam a expressão de genes dentro do endométrio dos babuínos com endometriose e doença induzida experimentalmente babuínos livres ao longo de 16 meses. O que eles descobriram foi que a presença de endometriose (mesmo em seus estágios iniciais), levou a mudanças marcantes (um total de 4.331 genes foram alterados) no endométrio normal.


Isto tem potencial de ser uma teoria aceite, em que as mulheres com endometriose não nasceram com um endométrio defeituoso que dá origem a endometriose através da menstruação retrógrada. Ao contrário, se levarmos todas as evidências acima em conta, parece que a endometriose é uma condição nata, quando os implantes de endometriose amadurecem levam a mudanças no endométrio normal, assim, talvez, talvez, seja uma das razões que afetam a fertilidade nas mulheres que sofrem de endo. A primeira ideia que vem à mente é algo a ver com a produção de fatores inflamatórios por lesões de endometriose. Lesões produzem uma série de fatores inflamatórios que também são reguladores da expressão de genes que, hipoteticamente, poderia viajar para o endométrio normal e alterar a sua expressão genética, mas isso é apenas um palpite. 


Mesmo com novas evidências nos fazendo repensar o desenvolvimento da endometriose, invariavelmente, nos encontramos com mais perguntas do que respostas - por exemplo:

Se os implantes forem removidos, as mudanças fazem o endométrio voltar ao normal, ou as mudanças induzidas pela endometriose são permanentes? 


Se endométrio deslocado for encontrado antes do nascimento, como ele chegou ali? Müllerianosis? Células tronco mesenquemais? Ambos? Outra Coisa?  

Quais são os fatores genéticos/ epigenéticos/ ambientais que influenciam o deslocamento das células endometriais? 

Porque a endometrioses só ocorre em primatas de certas espécies? 

A menstruação retrógrada tem papel na endometriose se não porque não? 

Poderia alguns casos de endometriose serem devido a mentruação retrógrada e outros não, significando que tem outro caminhos para o desenvolvimento da endometriose? 

Ainda tem um longo caminho antes de compreendermos completamente a endometrioses, mas com o passar dos anos as barreiras que bloqueiam o conhecimento vão sendo derrubadas até que eventualmente, a verdade será revelada.

Versão original:

Endometriosis is usually described as some variation of ‘patches of endometrium-like tissue growing elsewhere in the body’. This description though throws up several questions. For example, if endometriosis is related to the normal endometrium, what can this tell us about the disease and what is the connection between the two tissue types?

Initially the similarity of endometriosis to the normal endometrium led academics to believe endometriotic lesions were seeded in their locations by the backward flow of endometrial cells during menstruation. This made sense at the time because backward flowing menstruation (retrograde menstruation) is a thing that happens and the fact that endometrial cells were entering the pelvic cavity and endometriosis appeared to be endometrial in character seemed too much of a coincidence.

However, retrograde menstruation occurs almost universally in women of reproductive age, yet endometriosis affects around 10% of women, so clearly there was still something missing from this argument. Maybe the normal endometrium of women destined to have endometriosis is somehow different from other women. These days technology is such that we can analyse thousands of properties of cells at the molecular level, allowing an unprecedented degree of detailed characterisation of all the tissue types in the human body. Several studies have focussed on characterising the endometrium of women with and without endometriosis and found that; yes the endometrium in women with endometriosis is indeed different. The endometrium from women with endometriosis appears to have a higher ability to survive, proliferate and invade, seemingly filling in the missing part of the retrograde menstruation theory.

But, like all great mystery stories, the case is never wrapped up in a neat little package so early on. In recent years more and more evidence is coming to the fore, challenging the theory of retrograde menstruation. In particular there is now quite a significant amount of evidence to show the displaced endometrium that defines endometriosis is, in fact, present before you were even born. There are also rare documented cases of endometriosis in men, women who cannot menstruate and non-menstruating primates; so clearly there is the need for some radical re-thinking.

Maybe we’ve had the whole thing upside-down; maybe it is not the endometrium that dictates the fate of endometriosis, but endometriosis that dictates the fate of the endometrium. A collaborative research effort has provided some evidence to this very end. The authors of this study experimentally induced endometriosis in baboons by injecting endometrial cells into the pelvic cavity and letting them form endometriotic implants. They then compared the expression of genes within the endometrium of the baboons with experimentally induced endometriosis and disease free baboons over the course of 16 months. What they found was that the presence of endometriosis (even in its very early stages) led to marked changes (a total of 4,331 genes were altered) in the normal endometrium. 

This potentially turns accepted wisdom on its head, in that women with endometriosis are not born with a defective endometrium that gives rise to endometriosis via retrograde menstruation. Rather, if we are to take all the above evidence into account, it appears endometriosis is a condition you are born with that, when the endometriotic implants ‘mature’ lead to changes in the function of the normal endometrium, thus perhaps also accounting for the fertility issues women with endo suffer from. 

However, one big questions still remains – how does endometriosis communicate with the normal endometrium to illicit these changes?  If we disregard the notion that endometrial cells can display quantum entanglement then there must be a signalling pathway between the two cell types. The first idea that comes to mind is something to do with the production of inflammatory factors by endometriotic lesions. Lesions produce a number of inflammatory factors that are also regulators of gene expression which, hypothetically, could travel to the normal endometrium and alter its gene expression, but that’s just an educated guess.
Even with new evidence making us rethink the development of endometriosis, invariably we find ourselves with more questions than answers - for example:

If the endometriotic implants are removed, do the changes to the normal endometrium revert back, or are the changes induced by endometriosis permanent?

If displaced endometrium is found before birth, how does it get there? Müllerianosis? Mesenchymal stem cells? Both? Something else?

What are the genetic/epigenetic/environmental factors that influence the displacement of endometrial cells?
Why does endometriosis only occur in certain primates species?

Does retrograde menstruation have any role to play in endometriosis and if not, why not? Could some cases of endometriosis be due to retrograde menstruation and others not, meaning there are multiple pathways to endometriosis development?

There is still a long way to go before we completely comprehend endometriosis, but with each passing year the walls blocking our understanding are chipped away until eventually, the truth will be revealed.


sábado, 4 de maio de 2013

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO" O PRIMEIRO CONTATO DO CASAL COM A ENDOMETRIOSE!!!

Em “A Vida de um Endo Marido”, Alexandre fala do primeiro contato do endocasal com a endometriose. Ele também já aponta sobre a vida sexual desse casal e discorre sobre alguns pontos principais de um relacionamento entre casais e que vai ajudar e muito nossos casais. Porque só quem passa pela mesma situação para entender tudo que a endo nos traz. Neste artigo, nosso endo marido português também fala sobre a vida sexual de um endocasal. Este é o primeiro de uma trilogia que ele escreveu sobre “O primeiro contato com a endometriose”. Queremos transformar a angústia de como lhe dar com endometriose, numa relação de amor, de cumplicidade e de muito carinho. Porque só o amor salva e já falamos sobre isso aqui.  Queremos que todos os casais, principalmente, os endocasais tenham momentos alegres, positivos, alto-astral. Porque todos nós merecemos ser felizes e a felicidade pode estar escondida aí bem ao seu lado, talvez, ela precisa apenas ser regada com uma palavra, com um gesto, com alguma coisa. E se você, marido, precisar de um ponta-pé para isso, estamos aqui, principalmente, o Alexandre, para ajudá-lo a entender melhor tudo que passa com sua esposa. Porque o Alexandre também passa por momentos dolorosos com sua esposa Susana, mas eles decidiram serem felizes mesmo com a endometriose na vida deles. Aqui também abordamos alguns pontos sobre o sexo. E estamos esperando as sugestões dos maridos para esta seção. Ah, e na próxima semana estrearemos nova coluna no blog!!! Aguardem!!!! Porque queremos que o A Endometriose e Eu seja o blog mais completo do mundo sobre endometriose. Sozinha jamais teria condições de tanto. Em minha cabeça brota milhões de ideias, mas sem meus colaboradores, jamais almejaria transformar o blog em algo tão grande. Tenho certeza que a nova coluna levará ainda mais fé e esperança às endomulheres. Aproveito para agradecer a Deus todas as pessoas do bem que Ele tem enviado a mim. Sei que ainda tem laranjas podres que tentam se aproximar, mas no fim Deus irá mostrar a todos que realmente é cada um de nós. Então, pra que temer? Beijo carinhoso! Caroline Salazar

“Essa minha participação começou de um jeito meio desorganizado, mas eu acho que no início tudo começa assim quando é espontâneo. Hoje pensei em dar uma organizada nesse negócio de escrever para o blog, e então vamos lá. Como sempre o melhor ponto de partida é o começo. Então, hoje, vamos abordar o ponto de partida para um endocasal. O momento em que a endo começa se revelando e complicando as cabeças e a vida do casal. Podem ocorrer duas situações distintas: o casal se conhece e a mulher já tinha endo diagnosticada, ou estão juntos e descobrem que ela tem endo. Problemão, coisa complicada, mula sem cabeça... certo ou errado? Certo porque é um problemão; tem o choque inicial, os tratamentos são caros, tem muita dor envolvida para a maioria das mulheres, a sexualidade do casal será afetada também na maioria dos casos, correm vários médicos, depois vocês passam para os especialistas, quem pode pagar recorre ao tratamento particular e descobre que poucos possuem respostas. E muitos deles ainda estão aprendendo como a doença funciona, fazendo tratamentos experimentais, mas pelo menos existe alguma evolução. E se vocês observarem direito vão descobrir que os avanços da ciência, médica ou não, é assim mesmo. Um dia alguém vai ter um progresso maior e passar esse conhecimento para outros médicos e será mais fácil seguir em frente.  E errado por quê? Porque a complicação maior está na cabeça das pessoas. E essa é a única parte que você pode mudar sozinho. O resto é com os médicos e com Deus. Por agora, vamos isolar o casal. Mais a frente falarei sobre a forma como a sociedade encara as portadoras.

Eu identifico três áreas complicadas onde o comportamento da mulher se altera profundamente: sexual, profissional/doméstica e social. Vamos analisar uma de cada vez. Na sexual, tem dois sintomas principais. A dor e a perda da libido. Isso faz com que a mulher não tenha vontade de ter sexo, mas por conta da dor chega a temer a penetração e ganha trauma, como já foi muitas vezes descrito pela Caroline. Não é fácil para o homem lidar com isso. Por isso, aqui é fundamental o diálogo. Vai ser necessária total honestidade entre o casal. A solução não é a fuga como a mulher vai ter vontade, de evitar o assunto. Não dá para tapar o sol com a peneira. O problema está aí, não vai embora sozinho e um milagre é altamente improvável. Façam a vossa parte. A mulher fala, o homem escuta. Depois falam os dois. Consultem o blog, vejam outras publicações, leiam folhetos, assistam vídeos... tudo o que conseguirem. Parece massacre, mas quanto mais informados estiverem os dois sobre a doença, melhor vão conseguir enfrentar.

Muito importante: além de ser fundamental consultar um ginecologista experiente em tratar a doença. Quando a mulher suspeitar que possa ser portadora da doença, não deixe o homem de fora. Ela vai à consulta e ele deve ir junto. Essa história de que o médico pode não gostar é frescura, viu? O problema é dos dois e um médico responsável tem que tratar não só a mulher, mas o casal. De nada vale fazer tratamento pra mulher, se o homem cair fora por não entender o que está acontecendo com ela. Muitas mulheres acabam se suicidando decorrente de uma depressão profunda. Se a mulher afasta o homem das consultas, vai esperar o quê? Que ele esteja presente, sorrindo feito anjinho quando não ele não tem na cama o que os colegas gabam ter com as mulheres deles? Porque homem é assim mesmo, fica sempre contando vantagem. Seu companheiro não vai sofrer apenas em casa, no trabalho e junto com os amigos vai ter a mesma coisa. Então, envolva o seu homem quando for ao médico. O doutor vai tratar seu corpo e de quebra trata a cabeça dele, fornecendo informação que combate a ignorância e facilita a compreensão. Nessa essa vocês podem estar pensando que eu tenho um remédio para a libido. Não tenho gente, mas se conseguir uma dica comprovada eu coloco aqui.

E peço o favor de quem conheça, que envie e-mail pra Caroline que ela postará aqui. É claro que apenas o diálogo não é suficiente. Precisa de carinho. Não fuja do seu homem na cama. Permita namoro, carícias, descubra a sexualidade com ele do jeito que conseguirem que funcione. Estabeleçam limites nos quais ambos concordam e confie nele. Porque vou falar para vocês, se a mulher fica escondida num canto da cama, um dia esse homem vai estourar. O homem não está com problema algum exceto que a sua amada não consegue ter sexo com ele. Mas lembrem-se sempre, poderia ser o contrário. O homem poderia ter dificuldade em alguma parte, e não ia gostar que a mulher cobrasse dele. Então, na vida do casal com ou sem endometriose, a primeira regra é respeito. Respeitem as limitações um do outro, porque amanhã poderá ser com você (marido) e daí você vai precisar de ajuda também. Seja humilde.

A segunda regra é compreensão. Procure se informar sobre tudo o que está acontecendo com sua mulher, porque os diagnósticos são tão difíceis de obter, em que ponto os médicos estão no conhecimento da doença, e sobretudo, como ela afeta a sua mulher em particular. Porque todas terão uma endo diferente, ela afeta cada mulher de um jeitinho especial. A terceira regra é cumplicidade. Brinquem muito, namorem bastante, partilhem atividades juntos, coloquem um som bem alegre em casa. Inundem as vossas vidas de coisas que dão prazer, porque sofrimento vai ter de sobra. Se for preciso estabeleçam tempos em que cada um faz as suas coisas. Imagina que o homem gosta de ler um livro sentado no alpendre... ou que a mulher gosta de um bom banho de sais para relaxar... se permitam esse tipo de coisas dentro das possibilidades de cada um. Se morarem perto do mar, experimentem ir à praia juntos. O ar do mar ajuda nos problemas respiratórios, é bom pra relaxar e sempre é um programa legal para ambos. Até ir ao supermercado pode ser uma atividade divertida se ambos estiverem com bom astral e brincarem o tempo todo. Positivismo gente.

A quarta regra é paciência. Seja paciente, saiba esperar. Quando for a hora certa, a cura surgirá. Quem sabe se não acontece nessa geração e ajuda as 176 milhões de portadoras? Seria muito bom, mas se não for agora, estressar só vai piorar as coisas. Vocês esquentam a cabeça, acabam discutindo, não resolve nada, e adivinha... acabou de piorar a frequência do sexo. Perdeu em todas. Então vamos ser inteligentes e dar amor em vez de guerra. Aqui em Portugal nós falamos “Não é com vinagre que a gente pega mosca”. Mel é bem mais atrativo. Vou terminar essa parte com votos de que para alguns casais, esse texto seja um bom ponto de partida para darem uma melhorada em suas vidas conjugais. Não esqueçam que todo o edifício começa sendo construído nas fundações. Reforcem suas fundações, para que a vossa casa seja firme e não desmorone com a primeira tempestade. Como vocês falam aí no Brasil, samba no pé minha gente. Abraço.”

quinta-feira, 2 de maio de 2013

EU E O BLOG NO PROGRAMA "PROFISSÃO SAÚDE", DA TV UOL!!

No artigo de hoje minha participação e a do A Endometriose e Eu no programa "Profissão Saúde", exibido no último dia 23 de abril, pela internet. Sei que tem muitas pessoas que não conseguirão assistir, acho que deu um congestionamento no site, já que tinha pessoas em várias partes do mundo, como em Portugal, conectadas no programa e até nosso parceiro, o cientista inglês Matthew Rosser, apesar de não entender nada em português, estava nos assistindo de Londres, na Inglaterra. Em breve teremos mais novidades. Quero saber a opinião de vocês sobre o programa. Achei que foi bem esclarecedor, mas é claro que para abordar tudo que passamos é preciso horas e horas de programa.Para me acompanhar ao programa, como o doutor Hélio Sato estava com compromissos fora, convidei o doutor Eduardo Schor, chefe do ambulatório de algia pélvica e endometriose da Uniefsp, o lugar que considero a minha escola sobre a endometriose, e o lugar que me acolheu com muito carinho em 2009.

Bom, nos próximos dias irei colocar no blog nossa linha de camisetas em prol da conscientização da endometriose, que lançamos no I Brasil na Conscientização da Endometriose. Um dos modelos é a que estou vestindo no vídeo. Minha ideia foi criar uma linha para mulheres do mundo todo poderem usar e passar mais consciência da doença . Como o blog é referência internacional no assunto, nada mais justo. Para tornar realidade esse meu sonho alimentado há mais de um ano, contamos com a parceria da Santa Graça, que me ajudou a desenvolver os 4 modelos femininos e um masculino (estão chegando mais modelos!) com a qualidade que impera nos produtos da marca - tanto no material quanto nas estampas exclusivas - que faz sucesso no Brasil e no exterior há mais de 10 anos. Todas as estampas são exclusivas by Santa Graça e A Endometriose e Eu e por isso não podem ser copiadas e ou vendidas por quem não está autorizado a vender. Beijo carinhoso!

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