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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA DOUTOR HÉLIO SATO!!

Na primeira parte da coluna, “Com a Palavra, o Especialista”, deste mês, o doutor Hélio Sato explica do ponto de vista médico temas já retratados por mim no blog, mas que ainda geram dúvidas entre muitas leitoras A primeira é sobre as fezes das mulheres com endometriose. Eu adorei esta pergunta feita por nossa endoirmã de Salvador, na Bahia, que deixou apenas as iniciais de seu nome. Aliás, o artigo que escrevi sobre minha dificuldade em evacuar, o mau cheiro dasfezes e todas as agonias que passamos no banheiro é um dos mais lidos no blog e foi elogiado por especialistas internacionais. Agora, o doutor Hélio esclarece porque nossas fezes são finas e saem na maioria das fezes como diarreia. Essa é mais uma de nossas aflições, jáque essa vontade vem em momentos que não estamos em casa, no nosso banheiro. Já repararam? Para aquelas que passam por apuros na rua, meu conselho é levar na bolsa uma calcinha reserva. Temos de se prevenir em tudo na vida! A outra pergunta é da querida Cristina R. Lira Teixeira, de Marília, interior de São Paulo. Ela tem adenomiose e quer saber a diferença entre adenomiose e endometriose. Já falamos sobre as várias formas da endometriose (que inclui o endometrioma) e nos comentários deste artigo, ainda têm muitas dúvidas. Nada melhor que um especialista na doença para falar sobre isso. Quem quiser participar da “Com a Palavra, o Especialista”, deixe seu comentário nos artigos da coluna no blog. O ideal é deixá-la com nome e um sobrenome, cidade e estado onde mora, pois esta é a ideia pioneira do A Endometriose e Eu desde agosto, quando estreamos a parceria com o doutorHélio Sato. Espero que muitas dúvidas sejam sanadas! 

Para quem já assinou a Petição Pública em prol das portadoras de Endometriose Brasileiras, compartilhe-a com o maior número de pessoas. Todos os cidadãos brasileiros, mesmo aqueles que vivem no exterior, mas que tenham RG e endereço no Brasil podem assinar. E não é só mulheres com endometriose não. Homens, mulheres, idosos, todos podem assinar e compartilhar entre seus contatos, seja por facebook, email... Já estamos com 511 assinaturas em menos de 15 dias! Só este documento poderá mudar a vida de muitas endomulheres, em especial, de quem mora em locais sem acesso ao tratamento (pelo SUS), e, principalmente, para evitar que a próxima geração passe por tudo que passamos... sofrimento, dificuldade, por médicos errados... ou seja, que elas não sofra tudo que nós já sofremos. Precisamos de 1 milhão de assinaturas, pois só assim nossa presidente da República, Dilma Rousseff, será obrigada a nos receber e anos escutar. Eu tenho fé que iremos conseguir! Assim, como tive fé que o A Endometriose e Eu seria TOP 1, no prêmio Top Blog Brasil 2012! Aproveito para agradecer aos mais de 350 mil acessos do blog. Quando comecei com ele, há quase 3 anos, como um diário, jamais imaginei que alguém poderia lê-lo e se identificar com tudo que era retratado aqui. E nem em sonho passava pela minha cabeça, que este cantinho, um dia se tornaria o blog mais lido do mundo sobre endometriose Agradeço a Deus por esta oportunidade e a vocês que fazem o blog ser o que é hoje, sucesso de audiência! Peço às portadoras que continuem preenchendo nosso Cadastro Nacional das Portadoras de Endometriose. É com ele que iremos comprovar à nossa presidente que somos muitas! Já estamos com 821 endomulheres cadastradas! Ah, e já estamos fazendo a planilha das mulheres com suas respectivas cidades/ estados que querem participar do I Brasil na Conscientização da Endometriose, a primeira vez que teremos um evento sobre a doença no mês mundial de conscientização da doença, em março. Faremos a votação das datas nos grupos participantes. Queremos muitas mais!! Beijos com carinho!!!


1 - Por que as fezes não são normais, ou elas saem muito finas, mas na maioria das vezes são moles como diarreia? V.S. – Salvador – Bahia

Doutor Hélio Sato: A parte final do intestino conhecido como sigmoide e o reto são estruturas que estão posicionadas atrás do útero e frequentemente sofrem influências, tanto no seu funcionamento quanto pela possibilidade de ser extensão de doenças ginecológicas. Da parte do funcionamento, sustenta-se que os fatores inflamatórios liberados pelo útero no período menstrual ou por decorrência da cólica do útero que promove um reflexo neurológico. Esses dois fatores podem acelerar o peristaltismo (movimento) intestinais e assim as mulheres frequentemente têm diarreia neste período. Cabe referir que este fenômeno ocorre tanto em mulheres com ou sem endometriose. Já nas mulheres com endometriose, habitualmente, pode manifestar dor em pontada que irradia para a região do ânus no ato da evacuação ou quando solta gases. Destaca-se que este sintoma, não necessariamente, ocorre somente na endometriose de intestino, mas, sugere algum acometimento nesta porção do órgão. Finalmente, a fezes finas ou em fita sugerem algum estreitamento no reto e/ou sigmoide e pode ser decorrente da endometriose intestinal na forma de nódulo que progrediu para a luz do intestino e assim diminuindo o seu diâmetro interno. A diarreia com frequência deve ser investigada, pois diversas enfermidades podem cursar com este sintoma como intolerância a alguns alimentos, verminoses, retocolite (inflamação intestinal) e outras tantas.

2 - Descobri poucos dias atrás que tenho adenomiose e estou muito confusa. Qual a diferença entre adenomiose e endometriose?  Cristina R. Lira Teixeira – Marília – São Paulo

Doutor Hélio Sato: O endométrio, tecido que reveste o útero internamente, exerce o papel funcional de acolher o embrião dentro do útero nas primeiras semanas de vida ofertando nutrientes e sangue para o seu desenvolvimento. Quando a gravidez não ocorre, ele se descama formando a menstruação. Este tecido - o endométrio - grupamento organizado de células - pode se implantar fora da cavidade uterina elevar a endometriose para fora do útero e de adenomiose quando se infiltra na parede uterina. Apesar desta semelhança, a adenomiose é classificada como uma afecção diversa da endometriose, pois o quadro clínico é diferente. O sintoma mais comum da adenomiose é o aumento da duração ou quantidade do fluxo menstrual, já a da endometriose é a dor no período menstrual. Cumpre, também, apontar que a endometriose, via de regra, acomete mulheres entre 15 a 35 anos de vida que nunca engravidaram ou tiveram poucas gestações. Já a adenomiose em mulheres de 35 a 50 anos que já tiveram filhos e, principalmente, aquelas que já tiveram mais de duas gestações. O tratamento de ambas afecções, também, se assemelha no que se refere às alternativas medicamentosas (progesterona, componente da pílula anticoncepcional ou análogos de GnRH, medicação que inibe a produção de estrogênios), mas, o tratamento cirúrgico varia de caso a caso. Porém, em situações de adenomiose que há indicação de cirurgia e a paciente não deseja mais ter filhos, basta a histerectomia, já na endometriose demanda em alguns casos específicos a retirada dos ovários.

Sobre o doutor Hélio Sato:



Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose e em laparoscopia. Ele tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo. É pesquisador principal de projeto regular da FAPESP.


Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é membro associado da clinica GERA de reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato).

quarta-feira, 9 de março de 2011

COMO SÃO AS FEZES DE QUEM TEM ENDOMETRIOSE??




Já faz um tempão que quero escrever sobre este assunto, mas sempre tenho algo na frente. Também é um assunto bem delicado, que faz parte de nossa intimidade. Preciso relatar o quanto às portadoras de endometriose sofrem quando vão evacuar. Infelizmente, a endometriose é uma doença muito mais complexa do que se pode imaginar. Só quem tem sabe o quanto é ela é cruel, maldita, maligna não só na invasão dos focos, mas por privar mulheres de terem as rédeas de sua vida. A doença traz muitas consequências desagradáveis a nós portadoras, não são só as dores na pelve, no abdômen, durante as relações sexuais, a infertilidade. Esses são algumas das principais sintomas, mas a endo mexe com todo nosso corpo. Quando leio alguma matéria sobre a doença, acho curioso quando leio a expressão: “... as mulheres têm dificuldades e dores ao evacuar, ao urinar, que podem ser ou não com sangue...”. Toda vez que eu leio essa frase, eu acho até engraçado. Penso eu: “Como os repórteres escrevem isso, mas até hoje, não vi nenhum perguntar: 'Como são essas dificuldades, o que vocês sentem de verdade? ’”. O que me chama atenção na profissão de repórter é o que me faz ainda mais querer ser repórter: é a curiosidade sobre determinado assunto. Eu sou muito curiosa e sempre quero fazer a pergunta que ninguém pensa em fazer. Como jornalista, repórter e portadora de endometriose, eu falo e desvendo o que, até então, ninguém perguntou: Como são as fezes, quais são as tais dificuldades que todo mundo fala, mas ninguém ousou em perguntar?

No meu primeiro dia de fisioterapia na Unifesp, logo após a avaliação, deram-me um questionário para preencher e, para minha surpresa, adivinha qual era o tema? Fezes. No começo achei esquisito, mas logo depois, a Ana Paula veio explicar do que tratava. Participei de uma pesquisa que a Unifesp estava fazendo sobre como são as fezes de uma portadora de endometriose. Eu já percebia há algum tempo que minhas fezes estavam esquisitas. A começar evacuava a maior parte do tempo como diarreia. Com o passar do tempo, percebi também que o odor, nossa esta terrível! Eu sei que nenhum cocô é cheiroso, mas as nossas fezes são muito mais fétidas, do que às de uma pessoa sem a doença. Até aí, tudo bem, todo cocô fede mesmo! Qual o problema? Aquilo que eu mencionei o que toda matéria tem, mas de forma incompleta. Que dificuldades são essas? E eu digo: e coloca dificuldade nisso, viu. Ficamos horas e horas no banheiro para não fazer quase nada. A dificuldade que todo mundo fala, na real, é que não conseguimos fazer mesmo. Aí, sai só um pouquinho. O pior é que não acreditamos nisso. É uma grande decepção. Mas o pior vem depois de tanto esforço, parece que fica tudo entalado dentro da gente e a sensação é horrível, muito horrível! Só sentindo mesmo. Parece que está tudo ali querendo sair, mas não sai. Elas podem ser acompanhadas de sangue, e também pode arder. E uma dor aguda na barriga. Agora, uma grande saia-justa é quando estamos em algum lugar, que não dá para fazer, que não tem banheiro, e dá aquela vontade, que não dá para segurar. Você precisa dar um jeito de ir a qualquer lugar. Nesse caso, a diarreia vem acompanhada de uma dor barriga.

Outro fator que chama a atenção é quanto ao formato das fezes. Isso é algo que nunca falam. Também eu tive de preencher na pesquisa de qual forma sai meu cocô. Na maioria das vezes, elas são disformes, não tem aquela forma certa de um cocô normal. Mas ela pode sair como bolinhas, ou então, bem fininha tipo uma tripinha. Mas sempre muito fétida. Outra coisa que me chama atenção é que muitas vezes, ao evacuar, também sinto muito enjoo. Não é nem ânsia, mas um enjoo esquisito. Raros sãos os momentos que uma portadora de endometriose sai satisfeita do vaso sanitário. Teoricamente, quando falam que isso é um dos sintomas, deveria ser sentido apenas no período menstrual, ou antes. Mas muitas de nós temos isso constantemente. Sem contar que é algo chato, sabe, dá vergonha de fazer cocô em qualquer lugar. Comecei a adotar um hábito de ter sempre uma caixa de fósforos na bolsa para disfarçar o cheiro. Além de todo este incômodo de evacuar, ainda tem a perda de fezes, já que alguns dos gazes que soltamos escapole e sai como fezes. Tem coisa pior do que acontecer isso no meio da rua? Minha dica é sair com uma calcinha extra. Se em todos os nossos gazes tiver de ser feitos dentro de um vaso sanitário por conta das perdas... é melhor andar com um pinico pendurado no pescoço! Era só o que faltava, ainda muitos acham que não temos nada. Santa ignorância!

Agora, acho bem enigmático passar por tudo isso mesmo não tendo endometriose intestinal. É isso que me preocupa. Parece que a doença impregna em nosso corpo. Gruda e não quer soltar mais. Não é uma loucura? E é sempre bom consultar um coloproctologista para ver se está com ok. Quem não passa por isso, pode até achar engraçado, mas é muito sério e a doença também é séria e, por isso, tem de ser levada a sério pelos nossos governantes. Por isso que o A Endometriose e Eu luta pelo reconhecimento da doença como social e de saúde pública no Brasil. Além de ser uma situação muito desconfortável ainda passamos por cada saia-justa! As consequências que a doença traz a nós, portadoras, são imensuráveis. Só passando por isso para entender mesmo. Por isso digo somos as mulheres mais guerreiras deste universo. Portanto, informar é preciso! Beijos com carinho!!!