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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

MITOS E EQUÍVOCOS SOBRE A ENDOMETRIOSE!!

Apesar dos avanços dos últimos anos, em comparação a décadas atrás, a endometriose ainda é uma doença pouco compreendida e cercada de muitos mitos e equívocos. Infelizmente esses mitos e equívocos ainda não proferidos por médicos que se dizem especialistas. Não é raro ver um médico dando como opção de cura da doença à sua paciente a gravidez ou algum tratamento hormonal. Ambos são paliativos e certamente são ótimos controladores dos sintomas. Outra opção de cura de tantos médicos é a histerectomia, ou seja, a retirada do útero. Tadinho do útero! Tornou-se um grande vilão de uma doença que nada tem a ver com o útero. E junto ainda levam os ovários, impossibilitando a mulher de ser mãe. Como o doutor Alysson Zanatta já disse aqui no blog, "a endometriose é caracterizada pela presença de um tecido semelhante ao endométrio". Veja que ele usou a palavra semelhante e não igual. Em 2014, durante uma Jornada de Endometriose a qual participei, escutei na aula do doutor Ricardo Pereira que o endométrio do útero e o endométrio dos implantes de endometriose são diferentes. Ou seja, eles não são iguais. 

É preciso haver um melhor entendimento da doença por parte dos médicos. Outra frase do doutor Alysson em seus artigos aqui no blog é que "os médicos só vão saber tratar a doença corretamente quando eles entenderem de onde ela vem". Mas ainda bem que hoje existe a internet, e uma das missões do A Endometriose Eu é propagar a correta conscientização da doença com informações sérias e com embasamento científico e nunca baseada no achismo. Há cerca de três anos começamos a propagar que a doença não vem da menstruação retrógrada com os artigos do médico e cientista americano doutor David Redwine e os do doutor Alysson Zanatta. Sei que temos um longo caminho pela frente, mas tenho esperança de que muito em breve possamos mudar as informações erradas pelas certas. Tenho esperança de que vá surgir algum jornalista inteligente que irá ler os textos seja do doutor Alysson ou do doutor Redwine e começar a questionar sobre a real origem da doença. 

Neste artigo damos às boas-vindas a mais uma colaboradora-voluntária, a portuguesa Miriam Ávila, portadora da doença que irá traduzir textos para o blog. Seja bem-vinda! Obrigada por acreditar no trabalho do A Endometriose e Eu. Na nota de tradutor, no rodapé, Miriam conta sua história com a doença, e fiquei muito emocionada quando soube que ela encontrou o alento e as informações que tanto precisava aqui no blog. Beijo carinhoso! Caroline Salazar



                                                        Mitos e equívocos na endometriose.

Por Ross Wood, Heather Guidone e Lone Hummelshoj
Tradução: Miriam Ávila
Edição: Caroline Salazar


Questões de gênero e a natureza complexa da endometriose levaram a uma infeliz criação de muitos mitos e equívocos sobre uma doença que afeta cerca de 176 milhões de mulheres (e suas famílias) em todo o mundo.


Aqui estão alguns fatos sobre a endometriose - e iremos dissipar alguns mitos também!

- Endometriose: uma doença difícil de entender:



Do ponto de vista de uma mulher, a endometriose é uma doença cercada por tabus, mitos, diagnóstico tardio, tratamentos errados e uma falta de consciência sobrepostos a uma ampla variedade de sintomas que cercam uma teimosa, frustrante e, para muitos, uma dolorosa condição crônica.

Ela afeta mulheres e jovens durante o auge de suas vidas e não tem qualquer ligação com falhas pessoais por suas escolhas de estilos de vida.

O bem-estar físico, mental e social dessas pessoas é afetado pela doença, afetando potencialmente sua capacidade de terminar seus estudos, manter uma carreira, tendo como consequência um efeito sobre suas relações, atividades sociais e, em alguns casos, fertilidade. Cerca de metade das mulheres com endometriose também sofrem de dor associada nas relações sexuais.


O acesso a um diagnóstico e tratamento atempados para esta grande população de mulheres e jovens não deveria ser afetado pelos mitos e concepções errôneas que, infelizmente, continuam a existir. 

- Dor severa durante o período menstrual não é normal:


Os "problemas das mulheres" deixaram perplexos os médicos do século XIX, que os encararam como indicadores das condições psicológicas instáveis e delicadas das mulheres.

Embora as atitudes em relação às mulheres tenham melhorado durante o século XX, algumas das velhas crenças ainda persistem inconscientemente, e afetam as atitudes dos profissionais médicos em relação às queixas das mulheres, incluindo a dor dourante o período menstrual.

Como resultado, ao procurar ajuda para a dor pélvica (que pode ocorrer fora da menstruação), muitas mulheres com endometriose são informadas de que sua dor (frequentemente severa) durante o período é "normal", "que faz parte de ser mulher" ou "que está tudo na sua cabeça". Outras são informadas de que têm "um limiar de dor baixo" ou são "psicologicamente inadequadas".

A verdade é que se a dor interfere na sua vida diária (seja na escola, no trabalho ou participando de atividades cotidianas), não é normal.

Se a dor interfere com o seu dia-a-dia, por favor, procure ajuda e peça para ser examinada para determinar a causa de sua dor.


- Ninguém é jovem demais para ter endometriose:

Muitos médicos ainda acreditam que a endometriose é rara em adolescentes e mulheres jovens. (nota da editora: leia o texto do médico e cientista americano doutor David Redwine sobre o assunto, o do cientista inglês Matthew Rosser e a história da adolescente Clara Flaviane, de 16 anos, que confirmam que a doença pode acometer tanto a mulher como a menina).

Consequentemente, eles não têm em conta um diagnóstico de endometriose quando meninas e mulheres jovens vão até eles queixando-se de sintomas como dor no período, dor pélvica e relações sexuais dolorosas.

Infelizmente, essa crença já persiste há algum tempo. Antes da introdução da laparoscopia na década de 1970, a endometriose só poderia ser diagnosticada durante uma laparotomia, uma cirurgia importante envolvendo uma incisão de 10-15 cm no abdômen. Os riscos e custos de uma laparotomia significava que normalmente era feito apenas em um último recurso em mulheres com sintomas mais graves que já tivessem passado a idade fértil. Porque somente mulheres com 30 ou 40 anos eram operadas, então a doença era diagnosticada somente em mulheres dessa idade. Subsequentemente surgiu "o fato” de que a endometriose era uma doença que surgia apenas nas mulheres em seus 30 e 40 anos.

Foi apenas com a introdução nos anos 1970 e 1980 da laparoscopia para investigar as mulheres com problemas de infertilidade, que os ginecologistas começaram a diagnosticar a doença em mulheres nos seus 20 anos de idade e início dos seus 30 anos, a faixa etária a ser investigada. Assim, eles revisaram a faixa etária típica para a endometriose até o final dos anos 1920 e início dos 1930 anos. Mais uma vez, eles não consideraram que poderiam estar "encontrando" porque eles estavam "olhando" para ele (o diagnóstico).

A descoberta de que a endometriose podia ser observada em adolescentes e mulheres jovens surgiu como resultado de uma pesquisa feita pelos grupos nacionais de apoio à endometriose em meados dos anos 1980, o que chamou a atenção de alguns ginecologistas eminentes na década de 1990. O doutor Marc Laufer, do Children's Hospital Boston, conduziu estudos em adolescentes com dor pélvica crônica. Um de seus estudos mostrou que as adolescentes cuja dor pélvica crônica não era aliviada por uma pílula anticoncepcional oral e um anti-inflamatório não-esteróide como Ponstan tinham uma alta presença de endometriose - até 70%.

Mais recentemente, o Estudo Global de Saúde da Mulher (The Gobal Study of Women’s Health), realizado em 16 centros em 10 países, mostrou que dois terços das mulheres procuraram ajuda para os seus sintomas antes dos 30 anos, muitas com sintomas desde o início da primeira menstruação.

Adolescentes e mulheres jovens com 20 anos de idade não são muito jovens para ter endometriose - na verdade, a maioria das mulheres já têm sintomas durante a adolescência, mas infelizmente não são diagnosticados e tratados até que elas atinjam os 20 ou 30 anos.

- Tratamentos hormonais não curam a endometriose:


Medicamentos hormonais sintéticos como a pílula, progestina, Danazol e análogos de GnRH têm sido usados ​​por muitos anos para "tratar" a endometriose.

No entanto, estes tratamentos hormonais não têm qualquer efeito a longo prazo sobre a própria doença. Eles temporariamente suprimem (silenciam) os sintomas, mas apenas enquanto as drogas são tomadas. Uma vez cessado o uso dos medicamentos, os sintomas voltam com mais frequência.

Isto significa que os tratamentos hormonais não têm um papel no tratamento (erradicação) da endometriose. Se pretende erradicar a doença, a cirurgia realizada por um ginecologista com vasto conhecimento e experiência das técnicas especializadas utilizadas para endometriose é o único tratamento médico eficaz.

Significa também que os tratamentos hormonais não devem ser usados ​​para melhorar as chances das mulheres de conceber. Não só eles não têm nenhum efeito sobre a doença em si, mas também reduzem o tempo disponível para conceber, porque a concepção não é possível enquanto a mulher está sob o efeito de drogas. Se é necessário um tratamento para a infertilidade, a cirurgia feita por um ginecologista especialista é imperativa.

- Gravidez não cura a endometriose:

Felizmente, o mito de que a gravidez cura endometriose está desaparecendo aos poucos. (Nota da editora: leia o texto do doutor David Redwine "A gravidez é a cura para a endometriose?"

No entanto, não está desaparecendo rápido o suficiente! A realidade é que a gravidez - assim como os tratamentos medicamentosos hormonais - pode temporariamente suprimir os sintomas da endometriose, mas não erradicar a doença em si. Portanto, os sintomas geralmente reaparecem após o nascimento da criança. Algumas mulheres podem retardar o retorno dos sintomas por conta da amamentação, mas somente enquanto a amamentação é frequente e intensa o suficiente para suprimir o ciclo menstrual.

- A endometriose não é o endométrio:

Muitos artigos, "recursos" on-line e artigos de imprensa referem-se à endometriose como "endométrio" (o revestimento do útero ou tecido fora do útero). Isso não é correto. Investigadores-especialistas concordam que a “endometriose ocorre quando o endométrio - tecido semelhante ao endométrio (camada que reveste ao útero) é encontrado fora do útero”.

- A endometriose não é sinônimo de infertilidade:

Muitas mulheres jovens têm a ideia de que ter endometriose inevitavelmente significa que elas serão inférteis. Isso não é verdade. A maioria das mulheres com endometriose consegue ter filhos.

Infelizmente, não existem estatísticas confiáveis ​​que indiquem qual a porcentagem de mulheres com endometriose que não têm problemas para ter filhos, ou que têm dificuldades, mas acabam tendo sucesso ou nunca conseguem. Portanto, é impossível dar às mulheres uma informação confiável sobre suas chances em ter problemas de fertilidade. No entanto, no geral, acredita-se que a probabilidade de haver problemas de fertilidade aumenta com a gravidade da doença e, tal como em mulheres sem endometriose, com a idade.

Acredita-se geralmente que 60 a 70% das mulheres com endometriose são férteis. Além disso, cerca de metade das mulheres que têm dificuldades em engravidar eventualmente concebem com ou sem tratamento.

- Infertilidade não é causada apenas pela endometriose nas trompas:

A afirmação de que a cicatrização das trompas de falópio devido à endometriose é uma causa comum de infertilidade está aparecendo cada vez mais nas publicações leigas. Os autores de tais publicações são geralmente pessoas que têm pouca compreensão da condição e provavelmente estão confundindo as causas da infertilidade associada à endometriose com as causas de infertilidade associada à doença inflamatória pélvica.

A doença inflamatória pélvica é uma infecção que danifica ou bloqueia as trompas de falópio. Ela provoca infertilidade, impedindo o movimento do óvulo e esperma através da trompa. Em contraste, a endometriose nas trompas é menos comum e nem sempre causa infertilidade.
Os mecanismos pelos quais a endometriose causa infertilidade ainda são amplamente desconhecidos, apesar de anos de pesquisa. Podem passar anos ou mesmo décadas antes que os enigmas da infertilidade e da subfertilidade da endometriose sejam resolvidos e ou descobertos.


- Histerectomia não cura endometriose:

A endometriose é definida como "tecido semelhante ao endométrio fora do útero".
Remover o útero e ou os ovários sem remover os implantes de endometriose fora do útero não vai eliminar os sintomas da endometriose. 

A endometriose é fisiológica e não emocional:


"Distúrbios emocionais" não são a origem da endometriose.
A endometriose é uma doença que está enraizada e muito real, altamente complexa com causa hereditária, epigenética e com bases moleculares – uma verdadeira doença multifatorial e fisiológica.
Mulheres com endometriose lutam com a angústia emocional causada pelos sintomas implacáveis ​​de dor e infertilidade, mas essas emoções são um resultado do impacto da doença - eles não causam a doença.




- Aborto não causa endometriose:

Não existem evidências científicas que liguem o aborto ao consequente desenvolvimento da endometriose. Aqueles que afirmam o contrário podem estar a confudir "endometriose" com "endometrite" (nota da editora: inflamação do endométrio provocada por uma infecção).

- Ducha vaginal não causa endometriose:

Não existem evidências científicas que liguem a ducha vaginal – (lavagem vaginal) a um consequente desenvolvimento de endometriose. Aqueles que afirmam o contrário podem estar a confudir "endometriose" com "endometrite".


Nota da tradutora:

Olá, meu nome é Miriam Ávila, tenho 34 anos e sou natural e residente nos Açores, Portugal.

Foi-me diagnosticada endometriose em janeiro de 2015 por meio de uma citologia. Como foi feita colheita para biópsia, ficou-se aguardar a resposta para depois escolher um tratamento adequado. Seis meses depois voltei a fazer nova citologia, pois não apareceram resultados da primeira biópsia, e a médica que me avaliou na altura apenas receitou-me uma pílula diferente da que estava a tomar. Quatro meses depois dei entrada em internamento devido a hemorragias e por já estar anêmica. Fiz a ressonância e tomografia axial computadorizada que confirmaram a endometriose no canal vaginal com cisto. A resposta que me foi dada foi que não havia solução, que não se podia operar aquela zona. Então decidi procurar por ajuda na internet, quando me deparei com o blog “A Endometriose e Eu”, de Caroline Salazar. Foi meu porto seguro.
Li muitos dos posts coloquei dúvidas nos comentários que me foram respondidas pelo amigo Alexandre Ferreira (um endomarido, também colaborador-voluntário do blog) que em seguida me passou o contato da Associação MulherEndo em Portugal, que por sua vez encaminharam-me para consulta com o doutor Helder Ferreira na Maternidade Júlio Dinis da cidade do Porto.

Tive a primeira consulta já em maio de 2016 e fui logo diagnosticada com endometriose retovaginal, depois fizemos exames (ressonancia, tac, ecoanal e análises) e fiquei logo em lista de espera para cirurgia.
Minha primeira laparoscopia foi feita em 9 de dezembro de 2016 e estou feliz de dizer que neste momento não tenho qualquer foco de endometriose. Claro que continuo fazendo pílula contínua, que é muito importante, pois a menstruação piora nossa situação e como eu não pretendo ser mãe pelo menos por enquanto.

Para além de endometriose, tenho colite ulcerosa o que ainda agrava mais a situação, por isso tem sido uma luta constante! Mas cá estou! Vencendo!

E esta é minha história! Sobre minha personalidade: sou muito sociável, brincalhona, mente aberta, gosto de ajudar, e tenho ganhado muita confiança e espírito positivo, força de vontade de fazer mais por mim e pelas mulheres que passam pela mesma situação e que infelizmente não tem quem lhes ajude e fale por elas!

Por isso, amigas endoguerreiras! Vamos à luta!  A vida é muito para ser insignificante e despercebida! 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

3 ANOS DE BLOG: "COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA", O DOUTOR HÉLIO SATO!!!!

Abril é um mês muito especial para nós, afinal, "nosso filhote completa" 3 anos de vida. O dia do aniversário é dia 12, mas iremos festejar o mês todo. Porque eu sou uma mãe orgulhosa e muito coruja e acho que cada um que acessa o blog merece ler o melhor conteúdo que só o A Endometriose e Eu tem. Nunca imaginei que este blog serviria de inspiração para mulheres no mundo todo (e não só no Brasil) a criar seus blogs sobre esta enigmática doença. Eu reitero a importância de difundir informações corretas sobre a doença. E fico muito, mas muito feliz, até porque cada um é cada, tem seu jeito de pensar, de escrever e não dá para fazer nada igual. Aliás, esta é uma das frases que mais escuto quando dou uma entrevista: "Como surgiu a ideia do blog, porque como ele não existe." Ele é meu grande orgulho e hoje ele é também minha história de superação, já que a endometriose é algo muito bem resolvido em minha cabeça e, principalmente, na minha vida. Agradeço muito a Deus por ter me enviado meus anjos de branco, o doutor Hélio Sato, hoje parceiro do blog e que se dispõe a tirar dúvidas das leitoras sem se interferir nos tratamentos, com ética e respeito aos colegas, e o doutor Roberto Hiroshi Ieiri, meu amado proctologista e gastroenterologista, e quem contribuiu para a perfeição da minha segunda videolaparoscopia, em junho de2012. Hoje agradeço a Deus até mesmo pelos meus 21 anos de sofrimento com as dores fortes. Afinal, sem ela nada disso teria existido, nem o blog e a minha luta e a luta dele (o blog) para que nossa presidente, Dilma Rousseff, reconheça a doença como social no Brasil. Esta é a grande missão do A Endometriose e Eu. E tenho certeza que minha fé me salvou! O mais importante é ter fé e acreditar que tudo nesta vida tem um propósito de nosso Criador.

Por isso, a primeira seção “Com a Palavra, o Especialista” do mêsversário do blog é especial, porque são duas perguntas de duas leitoras além de muito queridas, são assíduas no blog e as quais ajudamos também em nosso grupo de apoio no facebook. A primeira é da manauara Tanísia Vital, que operou no começo do ano, e que teve de retirar todos seus órgãos reprodutores aos 35 anos, já que a doença estava bem avançada, e que agora precisa fazer a reposição hormonal. Já falamos aqui que apenas a retirada do útero, a histerectomia, não leva à cura da doença, mas também já explicamos como se dá a possível cura para quem não deseja mais ter filhos. A segunda pergunta vem da pernambucana Helitiany Nobre, que fez sua cirurgia no último mês, e que está muito em dúvida em relação ao tratamento. E eu tenho ceretza que estas dúvidas não são só delas, mas de muitas leitoras também. Se você tem alguma dúvida e quer saná-las, ou deixe sua pergunta aqui com nome, cidade e estado, ou envie para carolinesalazar7@gmail.com e coloque o título “Com a Palavra o Especialista”. E por falar em email, peço a todas muita paciência, pois ando com uma demanda grande de emails, e como trabalho cerca de 10 horas por dia, quase todos os dias, eu preciso dividir meu tempo livre entre pesquisa de textos, escrever textos, responder aos emails e ainda cuidar da minha vida, resolver meus problemas e sair um pouco com os amigos. Todos os emails serão respondidos, como faço desde 2010, respondo um a um com muito carinho e amor. Só peço para não replicarem os emails, como muitas estão fazendo, pois assim os 79 que tenho hoje irão virar quase 200. Beijos com carinho!!

- Tenho 35 anos e fiz a histerectomia total por conta da endometriose, há possibilidade de ela voltar fazendo a reposição hormonal? Receitaram-me o Natifa em pílulas. Qual seria a melhor reposição pra quem tem (ou tinha) endometriose? Tanísia Vital, Manaus, Amazonas

Doutor Hélio Sato: A endometriose raramente retorna após a histerectomia com retirada dos ovários e de todos os focos. Porém, dado os sintomas da falta do hormônio sexual (estrogênio) faz necessário o uso de terapia hormonal, e via de regra, nas pacientes que não tem mais útero basta o estrogênio, no seu caso o natifa. Mas, se estiver com alguma dor sugiro associar alguma progesterona, pois, este hormônio inibe a endometriose.  

- Fiz a cirurgia uma laparotomia em março e minha endometriose é grau III. Tinha focos em vários órgãos como bexiga, útero, ovário e trompas do lado direito. Já a minha trompa e ovários do lado esquerdos foram retirados. Receitaram-me o tratamento com análogo de GnRH, mas no meu estado só tem Lupron. Qual a diferença entre ele e o Zoladex? Eu quero muito engravidar, em sua opinião é preciso este tratamento antes da tentativa de engravidar? Existe um tempo ideal para tentar engravidar após esta cirurgia? Helitiany Nobre – Olinda, Pernambuco 

Doutor Hélio Sato: Não existe diferença entre as medicações, somente Zoladex é aplicado no subcutâneo e o Lupron é aplicado intramuscular, porém, a ação é idêntica. O uso do Lupron evita que a endometriose recidive em médio prazo, porém, inibe a ovulação no período do efeito da medicação, assim, dependendo da sua idade e do espermograma (exame do homem), talvez, seja melhor tentar engravidar e depois usar a medicação, se a gravidez não vier. Ou em alguns casos partir para uma fertilização, ou seja, os caminhos são vários e por isso recomendo conversar sobre todas as possibilidades com seu médico(a). Sim, habitualmente, aguarda-se 6 meses após o tratamento, mas, este tempo pode ser maior ou menor dependendo de caso a caso.  

Sobre o doutor Hélio Sato:





Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose e em laparoscopia. Ele tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo. É pesquisador principal de projeto regular da FAPESP.

Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é membro associado da clinica GERA de reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

HISTERECTOMIA: POR QUE RETIRAR O ÚTERO NÃO É A CURA DA ENDOMETRIOSE?



Já faz um tempão que quero escrever sobre isso. E agora não dá para esperar mais. Ando com o coração dilacerado por ver tantas coisas erradas sendo feitas e não poder fazer muito mais, além daquilo que está ao meu alcance. Ando assustada com estes seres humanos que se dizem médicos no Brasil. Bom, fazer uma faculdade de medicina é fácil, já que a cada esquina tem uma e, para fazê-la, basta ter dinheiro para pagar. Agora, fazer “a faculdade”, é difícil, pois é beem mais difícil de passar no vestibular. Depois fazer pós, mestrado e doutorado... Sim, qualquer pessoa de qualquer profissão que fizer um doutorado usa a nomenclatura de “doutor” antes do nome. Em seguida dedicar sua vida aos estudos, estudar muito, entender e esmiuçar a fundo a especialidade escolhida, não é para qualquer um. Estou espantada, porque milhares de mulheres e de meninas estão operando a torto e a direito e, muitas vezes, perdendo parte de seus órgãos reprodutores, como se isso fosse livrá-las da endometriose. Principalmente, perdendo seus úteros e, assim, tirando o sonho alimentado por muitas dessas mulheres, o da maternidade. Isso é uma mutilação!! Quem disse que o útero causa endometriose? E quem disse que ao retirá-lo, a mulher ficará livre da endometriose? Quem alimenta a doença não é o útero, mas sim os ovários. São eles que injetam hormônios em nosso corpo. Então, retirar este órgão não é jamais à cura para a endo.

Sabe o que me preocupa mais? As cirurgias realizadas num curto espaço. Por exemplo, o meu caso. Eu sou toda cheia de aderências por conta de duas cirurgias erradas que fiz no passado, a de apêndice, aos 13 anos, e a de cisto de ovário, uma laparotomia (a aberta, tipo cesárea) aos 15 anos. Todas já eram a endo, mas só recebi o diagnóstico aos 31, em março de 2009. Primeiro tentei controlar minhas terríveis dores com remédios. O que é correto para quem vai a um especialista que sabe tratar a doença. Nesta época estava na Unifesp, mas comecei o tratamento com Gestinol 28, com meu antigo gineco, que adoro, e que não é especialista em endo, mas um médico mais velho e muito inteligente. Lembro-me bem dele falar: “vamos ver se suas dores melhoram o anticoncepcional contínuo primeiro.” Não entendi direito porque não iria me operar, mas obedeci. As dores não melhoraram mesmo sem menstruar. Em outubro, fui indicada por uma amiga no ambulatório de endometriose e algia pélvica da Unifesp. Afinal, era preciso continuar meu tratamento com quem entendia do assunto. Mesmo com o AC contínuo, minhas dores não melhoraram, mas mesmo assim o dr. Rodrigo pediu para continuar com o Gestinol até fevereiro de 2010. Se as dores não melhorassem, o próximo passo seria entrar em menopausa induzida com o Zoladex 10,8. “E a cirurgia, meu Deus!”, perguntava.

Confesso que fiquei desapontada, pois pensei que assim que chegasse ao ambulatório já seria operada. Na época, ainda me encontrava numa depressão profunda onde só queria morrer. A endo e minha chegada a Unifesp ensinaram-me coisas preciosas, dentre elas: aprender a esperar e a ter paciência. Eu continuava com muita dor. Mas era necessário ter a sabedoria de saber esperar o tempo certo. Lembro-me do meu primeiro dia lá, quando perguntei: “Eu não vou operar.” “A cirurgia Caroline é o terceiro e último passo do tratamento, primeiro temos de tentar os medicamentosos”, disse o dr. Eduardo Schor. Fiquei triste, mas se ele é o especialista porque não iria obedecer? Foi preciso esperar quase um ano e meio do diagnótico para a minha primeira videolaparoscopia, em julho de 2010, já com o dr. Hélio Sato. Minha segunda foi em junho de 2012. Um intervalo de dois anos! Eu tenho muitas aderências entre os órgãos (por conta das duas cirurgias erradas antigas!) e isso não há remédio que tire somente a mão certeira de quem realmente sabe fazer uma laparoscopia.

Por isso optei pelo DIU de plástico, oMirena, para tentar o controle dos focos e das aderências, pois sei que as cirurgias recorrentes só piora nossa condição, já que a procedimento, sempre terá uma nova surpresa. Quanto mais cirurgia, mais aderências, já que elas se formam na própria cicatrização. Nesta minha última, minha trompa esquerda ficou meio infértil, mas nada que me preocupasse ou que vá tirar minha felicidade, pois sei que terei um filho e que isso acontece no tempo de Deus e não no meu. Meu alerta é: cuidado com as cirurgias recorrentes em tão pouco tempo. Vejo meninas operando a cada um mês e meio, dois.... Vai chegar uma hora que os órgãos irão grudar de um jeito que vão virar uma massa só, não dando para diferenciá-los. Existem vários tipos de histerectomias. Por isso é importante ter acesso ao currículo lattes do médico, para saber quais especializações ele tem. Para explicar um pouco mais sobre os tipos de histerectomia, convidei o doutor Hélio Sato, o ginecologista, obstetra e especialista em endometriose em laparoscopia e colaborador do A Endometriose e Eu. Beijos com carinho!!

1. Histerectomia Subtotal - quando é preservado o colo uterino
2. Histerectomia Total - Quando é retirado o corpo e o colo uterino
3. Histerectomia com salpingectomia unilateral e bilateral - Quando é retirado e a(s) tuba(s)
4. Histerectomia com salpingooforectomia unilateral e bilateral - Quando é retirado o útero e a(s) tuba(s) e o(s) ovário(s)
5. Colpectomia parcial - Quando é retirado parte da vagina, habitualmente, a parte superior.

A histerectomia é uma alternativa boa para tratamento de endometriose quando a paciente não pretende mais ter filho(s) e tem idade avançada e cujas possibilidades de gravidez natural é remota. E, nesta situação, habitualmente, devem ser retirados os ovários para melhor sucesso no tratamento da endometriose. Porém, cada paciente deve ser avaliada caso a caso, pois, mesmo, a paciente com reserva ovariana muito baixa, existe a opção da fertilização com óvulos próprios ou doados.

E, talvez, futuramente, até por óvulos originados de células troncos que não provieram dos ovários. Desta forma, atualmente, a histerectomia deve ser muito bem discutida antes de ser optada. E, para a cura da endometriose, via de regra, basta, a histerectomia total + salpingooforectomia bilateral + remoção dos implantes profundos, se for na vagina, intestino, apêndice, parede abdominal, etc...