A partir de hoje iremos falar um pouco sobre a endometriose ureteral, que acomete os ureteres. Hoje damos início a uma série de artigos intitulados: "A perda silenciosa do rim ligada à endometriose ureteral", um estudo de quatro renomados cientistas que explica mais sobre este tipo de endometriose explicitados em alguns casos clínicos. Começamos com o de uma mulher de 36 anos com um longo histórico de hipertensão e infertilidade que foi submetida a laparoscopia exploratória em outra instituição, onde foi revelada endometriose extensa e que foi considerada como irressecável, ou seja, que não dava para remover com cirurgia. Mas, quando ela foi parar nas mão de bons cirurgiões, foi possível, sim, realizar a cirurgia. E, logo após a cirurgia, essa mulher conseguiu engravidar naturalmente. Neste caso, relatado por especialistas está bem explicado o que falamos no blog há alguns anos: a importância de um profissional que entende não só de endometriose, mas que sabe operar muito bem por laparoscopia, a gravada chama-se, videolaparoscopia. E quando a cirurgia é gravada, a paciente tem de sair do hospital com o vídeo de sua operação em mãos.
Já contamos no blog, a história impressionante da leitora Sabrina Petermann, de Brusque, Santa Catarina, que comoveu muitas pessoas, inclusive, especialistas, por conta da devastação que a endometriose causou dentro dela. Ela acabou perdendo um de seus ureteres e teve de passar a usar um artificial, além de ser submetida à plástica na vagina. Tudo isso porque quando recebeu o diagnóstico, 10 anos antes, não foi avisada pelo profissional que a diagnosticou, que se ela não tratasse a doença, ela poderia tomar conta de seus órgãos. Muito em breve, ela vai contar o fim de sua história aqui, mas já adianto que com o fim do tratamento, exatamente um ano após sua cirurgia, ela conseguiu engravidar por meio de fertilização in vitro e hoje é mãe de um casal de gêmeos. Ela conseguiu e outras dos casos clínicos que serão contados. Não podemos nunca perdera fé, é preciso manter sempre a esperança e continuar sempre perseverando rumo aos nossos sonhos para torná-los realidade.
Já contamos no blog, a história impressionante da leitora Sabrina Petermann, de Brusque, Santa Catarina, que comoveu muitas pessoas, inclusive, especialistas, por conta da devastação que a endometriose causou dentro dela. Ela acabou perdendo um de seus ureteres e teve de passar a usar um artificial, além de ser submetida à plástica na vagina. Tudo isso porque quando recebeu o diagnóstico, 10 anos antes, não foi avisada pelo profissional que a diagnosticou, que se ela não tratasse a doença, ela poderia tomar conta de seus órgãos. Muito em breve, ela vai contar o fim de sua história aqui, mas já adianto que com o fim do tratamento, exatamente um ano após sua cirurgia, ela conseguiu engravidar por meio de fertilização in vitro e hoje é mãe de um casal de gêmeos. Ela conseguiu e outras dos casos clínicos que serão contados. Não podemos nunca perdera fé, é preciso manter sempre a esperança e continuar sempre perseverando rumo aos nossos sonhos para torná-los realidade.
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A perda silenciosa do rim ligada à endometriose ureteral - parte 1:
Autores: Camran Nezhat, MD, Chandhana Paka, MD, Mona Gomaa, MD, Erica Schipper,
MD
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar
Endometriose ureteral é uma
variante séria da doença que pode conduzir a obstrução do trato urinário com
posterior hidroureter (nota do tradutor: distensão
do tubo muscular que transporta a urina dos rins para a bexiga), hidronefrose (nota
do tradutor: distensão do sistema urinário pelo impedimento da
passagem livre da urina) e potencial perda da função do rim. O diagnóstico é
ilusivo e depende grandemente da suspeita clínica já que a endometriose
ureteral pode ocorrer nas formas de doença miníma ou extensa. A técnica
cirúrgica para o tratamento varia, mas o objetivo é salvar e manter a função
renal, diminuindo os efeitos da doença.
Descrição dos casos:
Descrevemos 3 casos em que
foi documentada atrofia renal e perda da função com trabalho subsequente e
intervenção cirúrgica.
Resultados:
Os casos ilustrados variam
nas abordagens cirúrgicas adaptado para a cada caso de endometriose ureteral.
Todos os casos foram tratados com recurso a laparoscopia.
Conclusão:
Endometriose ureteral,
embora rara, pode ser complicada pela potencial perda da função renal. A
suspeita clínica e avaliação pré-operatória pode ajudar com o diagnóstico e
permitir um acompanhamento clínico multidisciplinar. A abordagem da cirurgia
laparoscópica será baseada na extensão e localização da doença e poderá ser
realizada com sucesso por um cirurgião laparoscópico muito experiente.
Introdução:
A endometriose é uma doença inflamatória crônica que depende do estrogêneo e afeta de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutora. É caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio, localizado fora da cavidade uterina. Existem três formas clinicas distintas: endometriose peritoneal, endometriose ovariana e lesões endométricas extragenitais.
Características histológicas comuns incluem glândulas endométricas e estroma (nota do tradutor: tecido de sustentação de um órgão), sangramento crônico e sinais de inflamação. Esse processo inflamatório leva a neurogênese (nota do tradutor: processo de criação de neurônios) e angiogênese (nota do tradutor: criação de novos vasos sanguíneos), tendo como resultado o favorecimento da sobrevivência do tecido endométrico.
Lesões solitárias podem ocorrer, mas a doença na sua forma grave resulta em aderências extensivas e distorção da anatomia que conduz a dor e possível infertilidade. Embora seja uma doença ginecológica comum, a localização em áreas distintas do peritônio, ovários e septo retovaginal ocorrem em cerca de 12% das mulheres com endometriose.
A endometriose pélvica pode não frequentemente envolver o sistema do trato urinário, em aproximadamente 1% dos casos, o que dá uma prevalência de 3,5 milhões de mulheres no mundo inteiro.
A bexiga é o órgão mais envolvido e a uretra o menos afetado. Dessas localizações da doença, a endometriose ureteral representa aproximadamente 10% do envolvimento genital-urinário, somando 350.000 mulheres no mundo todo.
Na endometriose , o envolvimento da uretra é geralmente limitado a um dos ureteres, tipicamente o esquerdo, e tem o potencial de causar obstrução do trato urinário, hidronefrose ureteral, e perda da função renal. Estima-se que 30% (próximo de 100 mil) das mulheres com endometriose ureteral terão entre 25% a 50% de perda de neufrônios (nota do tradutor: estrutura microscópica capaz de eliminar resíduos do metabolismo do sangue) na hora do diagnóstico da endometriose ureteral e um número desconhecido terá perda do rim. Essa perda total de função renal é no entanto extremamente rara.
Descrições dos casos
Reportamos a nossa experiência com a endometriose ureteral resultando em perda cortical renal unilateral e subsequente, variando com as intervenções cirúrgicas. Foi obtido consentimento das pacientes para a inclusão nesse artigo.
Artigos Científicos:
Caso 1:
Uma mulher de 36 anos com um longo historial de hipertensão e infertilidade foi submetida a laparoscopia exploratória em outra instituição, onde foi revelada endometriose extensa que foi considerada como irressecável, ou seja, que não dava para remover com cirurgia.
Foi posteriormente diagnosticada com hidroureter e hidronefrose causados pela obstrução do ureter esquerdo, resultando em 15% de perda da função renal. Devido à menor funcionalidade do rim e à dor persistente, foi proposta uma nefrectomia (nota da editora: a retirada de um rim). No entanto, ela recusou e foi tratada com a inserção de um stent (nota do tradutor: tubinho de malha) no interior do ureter e com Lupron (análogo de GnRH).
Um ano mais tarde, um ultrassom revelou uma nova massa adnexa (nota do tradutor: apêndice do órgão). Uma TAC (tomografia axial computorizada) revelou hidroureter e hidronefrose com diminuição da espessura do rim esquerdo. O ureter estava dilatado até ao bordo pélvico. Adicionalmente existia uma zona heterogênea estendendo desde a parede esquerda pélvica até ao útero, envolvendo os vasos internos e externos do ilíaco. Uma ressonância magnética confirmou os exames prévios. E um ultrassom renal concordante mostrou que não existia passagem no ureter esquerdo.
Dois meses mais tarde, a aplicação de outro stent no ureter não apresentou melhoras na hidronefrose esquerda. A paciente chegou na nossa clínica com dor crescente e inchaço no lado esquerdo inferior enquanto estava fazendo tratamento com heparin, o que levou a um tratamento laparoscópico para endometriose. No intra-operatório foram encontradas evidências de endometriose extensa, envolvendo o ilíaco esquerdo comum, ilíaco interno, vasos externos do ilíaco, plexo hipogástrico superior e inferior, e estreitamento do ureter distal por endometriose extrínseca.
Uma laparoscopia cuidadosa mas completa com ressecção de toda a endometriose visível foi levada a cabo com uma nefrectomia. Uma tal intervenção cirúrgica foi efetuada com base na dor persistente, infeções recorrentes do trato urinário, e a fraca probabilidade de que qualquer intervenção poderia resultar no restabelecimento da função renal.