quinta-feira, 7 de março de 2013

MINHA MATÉRIA SOBRE ENDOMETRIOSE NA REVISTA "ANÚNCIO PRÁTICO", DE CONTAGEM, MINAS GERAIS!

Em dezembro, recebi o convite da querida Sueli Santos para ser colunista da "Anúnio Prático", uma nova revista de Contagem, Minas Gerais. A matéria? Sobre endometriose, claro. Imediatamente aceitei o convite. Minha intenção como jornalista e portadora de endometriose é disseminar ao máximo essa doença que atinge cerca de 10 a 15 milhões de brasileiras e 176 milhões de mulheres no mundo todo. E disseminar de uma forma correta, porque caso contrário é melhor não tocar no assunto. A revista é trimestral, e o primeiro artigo aborda de forma clara o que é a endometriose. Já neste mês, o tema será a dispareunia. Enquanto não coloco a matéria como PDF no blog, segue abaixo o layout da página, mas deixo o texto mais abaixo para todos lerem. Aproveito o momento para agradecer mais uma vez a Deus por colocar tantas pessoas maravilhosas e do bem ao lado, seja endoirmãs ou não. Não sei o que seria de mim, sem esses seres maravilhosos que nosso Pai tem enviado a mim! Ah, quero aproveitar para dizer que estou com uma demanda muito grande de emails. Algo impressionante! Hoje tenho mais de 70. Como respondo-os um a um, sigo a ordem que os recebi. E também sou sozinha para respondê-los (e isso tem de ser eu mesma!) e, infelizmente, eu não vivo de e para o blog. Explico: trabalho de segunda à sexta-feira e ema lguns fins de semana. Por isso, ainda não tenho dedicado-me 100% do meu dia ao blog. Mas se Deus quiser em breve isso será possível. Peço para ter calma e não replicar os emails. Cada email replicado, o número na caixa de entraad aumenta.Obrigada pela compreensão e continue escrevendo! Beijos com carinho!!!






Endometriose: A doença que atinge mulheres da adolescência à menopausa

Por Caroline Salazar

Conhecida como a doença da mulher moderna, a endometriose acomete cerca de 10 a 15 milhões de brasileiras e atinge mulheres da primeira à última menstruação. A cada dia, mais e mais mulheres descobrem ser portadoras desta enfermidade, que não tem cura e provoca infertilidade e muita dor. Pedaços do endométrio (tecido que reveste o útero) se espalham por locais distintos do seu habitat natural. Várias teorias tentam explicar a causa da doença. A mais difundida é a da menstruação retrógrada. Quando não há a fecundação (a gravidez), o útero expulsa o endométrio na forma de menstruação. Em vez de ela descer pelo canal da vagina, ela volta pelas trompas e se espalha em órgãos da pelve e do abdômen. Onde se implanta, formam-se os focos. Esses focos se instalam nos órgãos provocando inflamações ao seu redor, muita dor e aderências entre eles (vai grudando os órgãos uns aos outros). Em casos mais raros, atinge o pulmão, a pleura e até o cérebro. A cólica muito forte, que provoca desmaios, tonturas, que deixa a mulher de cama, é considerada o primeiro sintoma. Mulheres que tentam engravidar a mais seis meses e sem sucesso podem ter endometriose.

Outros sintomas são: sangramento intenso e irregular, dor abdominal e inchaço, dor lombar, cansaço ou fadiga, diarreia ou prisão de ventre, dor durante e após o sexo, depressão, enxaqueca, infecções vaginais recorrentes, dor para urinar, infecções urinárias, náuseas, dores de estômago e em todo o corpo. Cerca de 40% das mulheres se tornam inférteis, mas a endometriose tem outras consequências. E muitas delas extremamente dolorosas, como a dispareunia, a dor durante ou após o sexo. O perigo é que 30% das portadoras são assintomáticas. É também uma doença silenciosa e que causa muitos abortos espontâneos. Por ainda ser um enigma para a medicina, é desconhecida até mesmo de muitos ginecologistas. Para eles, as dores “tipo cólica” antes, durante ou após o período menstrual são normais. Esse pensamento retarda ainda mais o diagnóstico que demora em média de 8 a 12 anos no Brasil. O exame de imagem mais indicado para detectá-la é a ressonância magnética da pelve.

Muitos médicos indicam a laparoscopia como exame, mas na verdade esse procedimento é uma cirurgia com anestesia geral. E a cirurgia é o último passo para tratar a doença. É importante tentar o tratamento medicamentoso primeiro, pois a partir da primeira operação, a chance de reincidência (cirurgias repetitivas) é muito grande.  E é aí que mora o perigo, já que a própria cicatrização pode nos trazer mais aderências. Por isso, a laparotomia (cirurgia aberta, tipo cesárea) não é indicada para quem tem endometriose. A mais indicada é a laparoscopia, a cirurgia minimamente invasiva, com mínimas incisões na virilha e umbigo. A partir da biópsia sabemos quais órgãos foram atingidos pela doença e qual o grau em que ela está (de I a IV). E é apenas com o diagnóstico precoce será possível salvar a próxima geração de portadoras. A mulher que sente aquela cólica que a impede de fazer suas atividades cotidianas, que não melhora com o primeiro analgésico, precisa procurar o ginecologista e já mencionar a suspeita da doença. 

Caroline Salazar
Jornalista e editora do blog A Endometriose e Eu (http://aendometrioseeeu.blogspot.com.br/). É portadora de endometriose e sofreu 21 anos com as terríveis dores da doença. Para informar sobre esta doença enigmática, compartilhar informações e para que a endometriose passe a ser reconhecida como social e de saúde pública no Brasil, ela criou o blog e hoje é o mais lido do mundo sobre o assunto.

terça-feira, 5 de março de 2013

A HISTÓRIA DA LEITORA JULIANA SOUZA E SUA ENDOMETRIOSE!!!

No mês em que mulheres do mundo todo se reúnem para espalhar mais consciência sobre a endometriose, o A Endometriose e Eu conta uma história muito especial, a da querida Juliana Souza, de São Paulo, capital. Escolhi a história desta nossa endoirmã guerreira, pois tenho certeza de irá levar mais esperança a muitas endomulheres, especialmente, àquelas que são tidas como inférteis e não tem condições de fazer um tratamento para realizar o sonho da maternidade. E olha que a endometriose dela foi brava, como ela mesma já me disse. Já faz um tempo que a gente se fala por email. O primeiro contato foi há quase um ano quando escreveu para dizer que estava muito bem com o Mirena, após o primeiro artigo do blog, muito antes de meu testemunho sobre este tratamento. E sabe o que me chamou atenção no email dela? A última frase que ela escreveu “Boa sorte no seu tratamento e nunca perca as esperanças, porque Deus é grande e, para Ele, nada é impossível”. Manter a fé e acreditar que Deus sempre tem coisas boas para nós, mesmo para quem sofre muito, é uma das coisas que eu mais falo no blog. Na hora pensei: “Nossa que sintonia a nossa. Adorei!” Ali, já percebi a generosidade e como ela é do bem e convidei-a para contar sua história aqui. Ela decidiu ter a bebê primeiro para depois contar tudo pra gente, tim tim por tim. Desde então, matemos contato por email, ela escreveu para contar como foi o parto e eu como toda curiosa que sou (isso é uma das principais características de um bom repórter), eu já logo quis saber nome, quando seria o parto, etc, etc. Ao editar a história da Juliana fiquei emocionada, ao saber que ela também encontrou seu “anjo de branco” e que atende e opera por convênios médicos.

Porém, descobrir sua endometriose não foi nada fácil. Levou anos, foram muitas dores para ir ao banheiro e quando descobriu a maldita já estava em alguns órgãos. Foi preciso a retirada de 22 cm de seu retossigmoide e os focos se infiltrando em outros órgãos. Bom, que persevera alcança tudo. E quem tem fé também. Acreditar que existe um Deus, um Pai Maior também é importante. Juliana não tinha cólicas fortes durante a menstruação. A maioria das mulheres pensa que se não tem cólica, não tem endometriose. Sabe qual sintoma que a Juliana sempre teve em seus períodos menstruais? A alteração intestinal. Foi por esse incômodo, cada mês mais forte, é que ela foi a vários médicos e mesmo sendo diagnosticada com Síndrome do Cólon Irritável, ela sabia que não era isso e continuou sua saga. Até encontrar um ginecologista que mesmo não sendo especializado no assunto, entendia sobre a doença, e já a encaminhou ao especialista. Nesta história percebemos que a fé também foi sua aliada para ser abençoada com a tão sonhada gravidez natural, mesmo após alguns especialistas em reprodução dizer que ela só engravidaria com fertilização in vitro. Claro, que como todas nós, Juliana também teve seu momento de desespero, afinal, ela não tinha dinheiro para bancar o alto-custo deste tratamento. E também o otimismo de seu médico especialista foi fundamental para levantá-la nos momentos mais desesperadores, e assim, continuar com sua fé sempre acesa. Não vou falar muito mais, porque tenho certeza absoluta que após ler a história de Juliana Souza e sua endometriose, muitas endomulheres passarão a ter outro olhar da vida e até mesmo da endometriose. Uma história para ler, reler e se inspirar! Beijos com carinho!!!

“Sou a Juliana Souza, tenho 35 anos e moro em São Paulo. Minha primeira menstruação veio aos12 anos e sempre foi desregulada. Lembro-me como se fosse hoje: vinha muito sangue, a ponto de vazar pelas minhas pernas, e às vezes vinha umas duas vezes ao mês. Minha mãe me levou ao ginecologista eue constatou um cisto em um de meus ovários e me receitou anticoncepcional (Diane 35). Comecei a tomá-lo aos 14 anos e o tomei por muito tempo, até meus 18, 20 anos. Porém, mesmo tomando o Diane, tinha cólicas insuportáveis e meu fluxo era muito intenso. Todos os ginecologistas que eu passava falavam que era por causa do tal cisto de ovário. Pois bem, quando eu tinha uns 20 anos, comecei a sentir uns sintomas intestinais estranhos. Eram sempre perto da menstruação: tinha cólicas menstruais e intestinais, mas ia ao banheiro todo dia. E comecei a notar alterações nas fezes: elas vinham com um muco esquisito. Fui ao gastro e fiz minha primeira colonoscopia. O médico não conseguiu introduzir o aparelho da colono porque mesmo eu estando anestesiada, sentia dor. Voltei ao gastro e o mesmo disse que eu tinha Síndrome do Colón Irritável (SCI) (nota da editora: O SCI é sinônimo de SII – Síndrome do Intestino Irritável) e que deveria iniciar um regime alimentar. Pois bem, fiz o regime alimentar por muito tempo, porém os sintomas intestinais e menstruais foram se agravando. Ao invés de muco nas fezes, começou a vir sangue também. Entrei numa empresa nova que me dava um ótimo convênio. Então aproveitei pra passar em outro gastro. Fiz a segunda colonoscopia e o aparelho novamente não entrou. O gastro deu o mesmo diagnóstico do anterior: Síndrome do Cólon Irritável e receitou alguns remédios, inclusive corticoides. Mas os sintomas foram se agravando, a ponto de eu ir parar no pronto socorro. Numa dessas paradas no PS, me reviraram do avesso, fiz até ressonância magnética e nada encontraram. Meu gastro começou a desconfiar de endometriose. Fiz a terceira colonoscopia, e o aparelho não entrou. O médico do exame, no laudo, também levantou a hipótese de endometriose no intestino. E as dores... iam me corroendo. Cada vez que vinha a menstruação era um pesadelo. Eu não saia do banheiro, pois não sabia se era cólica menstrual, cólica intestinal, prisão de ventre..... parecia que o útero e intestino tinham virado uma coisa só – e o pior é que tinham quase virado mesmo, por causa do monte de aderências que a endo fez nesses órgãos. Nesta época, tomar buscopan, era como beber água. Por mais um pouquinho, eu chegaria na morfina.
 
Foi meu gastro quem me explicou o que era endometriose. Até então eu não conhecia a fundo - apesar de ter uma tia com a doença e algumas conhecidas - e me encaminhou para um proctologista. Chegando ao procto, ele também suspeitou de endometriose, e me passou um monte de exames a fzer. Confesso que muito chatos e constrangedores por sinal, como o Enema Opaco (nota da editora:
exame de imagem onde é colocado uma substância opaca no interior do intestino para fazer raio-X em diversas posições distintas. É preciso enchê-lo com um pouco de ar para que as bordas de suas paredes fiquem mais claras. Para realizá-lo é preciso preparo intestinal com clister e jejum de 10 horas). Mais uma vez nada foi encontrado. Então, ele solicitou um ultrassom com preparo intestinal com o dr. Manoel Orlando, pois pelo jeito minha endometriose estava bem escondida - e esse exame teria que ser feito só com esse médico, por ser especialista no assunto, etc, etc. Como o convênio não cobria o exame com ele, acabei fazendo particular mesmo. Foi um dinheiro bem gasto, pois ele sim descobriu a dita cuja, e já foi me falando o que eu temia ouvir: que meu caso só seria resolvido com cirurgia. Nesse meio tempo a empresa que eu trabalhava mudou de convênio, então não teria como passar no gineco indicado pelo proctologista. Comecei a caçar um bom ginecologista e que fosse especialista em endo. Fui em vários, até cair nas mãos do dr. Nicolau Damico, que não tenho vergonha em dizer que é um anjo na minha vida. Foi em 2006. Fui numa consulta com outro gineco e quando comecei a mostrar o meu dossiê de exames, o médico ficou assustado. Falou que minha endometriose já estava "corroendo" meu intestino e que era urgentíssimo - e na hora ligou para o dr. Nicolau, que aceitou me atender de imediato. Quando cheguei nele com os exames, ele também já falou na lata que meu caso só resolveria com uma vídeolaparoscopia e com a retirada do segmento do intestino que tinha endometriose, o retossigmoide, pois este pedaço já estava 80% comprometido. Ou seja, não dava pra esperar muito tempo: meu intestino iria fechar e eu daria entrada num PS e corria o risco de ser operada por alguém que não entendia nada do assunto! Continuei indo ao especialista até que, em 2008, minha cirurgia foi marcada, e o meu sonho de estar livre das dores seria realizado! Fiz a cirurgia com a retirada de 22 cm do retossigmoide, retirada de focos no útero, bexiga, ovários e no septo- retovaginal, além de retirada de um mioma e de um cisto de ovário.

Na cirurgia, foi colocado o DIU de Mirena (dispositivo intrauterino à base de progesterona), para bloquear minha menstruação, o que poderia dar uma brecada no avanço da doença. Em 2008 eu me casei e embora os médicos falavam para eu tentar engravidar após a cirurgia, não quis já que acabara de casar. Em 2010 começou a surgir em mim e em  meu marido a vontade de ter filhos. O dr. Nicolau disse que eu teria todas as possibilidades de engravidar naturalmente, pois estava limpa da endometriose e todos os exames de controle estavam perfeitos. Então, decidi tirar o DIU, o que foi feito, e então começamos com as tentativas. Os meses foram passando e nada, nada... a menstruação vindo novamente, com ela o medo da endo voltar... e nada de gravidez.  Passados 6 meses de tentativas, meu médico pediu que eu passasse em um especialista em infertilidade. Passei e ele foi categórico: no meu caso, só engravidaria com fertilização in vitro - pois mesmo com a cirurgia, a endo ainda estava agindo no meu organismo. Como assim???? Uma revolta tomou conta de mim, simplesmente eu não aceitava que depois de tudo o que eu passei, a endo continuasse agindo no meu corpo!!! Simplesmente não aceitava isso. Comecei a realizar alguns exames que ele solicitou e percebi que o valor para fazer a tal FIV era muito caro para mim. Eu e meu marido não tínhamos dinheiro para bancar o tratamento. Comecei a ver as possibilidades. Fiquei sabendo que o Hospital Pérola Byington abria sua agenda para o setor de FIV na terceira quarta feira do mês, e durante dois meses tentei ligar lá pra tentar agendar um horário, sem sucesso. Ou o telefone só dava ocupado, ou chamava e ninguém atendia. Então, fiquei sabendo da Faculdade de Medicina do ABC. Fui lá, assisti a palestras, passei pela médica - que também disse que no meu caso só com FIV - mas os valores pra gente, ainda assim eram muito caros. Eu e meu marido começamos a pirar, ficamos muito frustrados. E eu fiquei desacreditada de tudo, não achava justo passar por aquela situação, parecia um pesadelo.

Depois de muito chorar, aos poucos fui aceitando os fatos: que tinha um probleminha de saúde e que tinha que lidar com isso. Quanto ao dinheiro pra FIV, iríamos começar a juntar. A poeira foi baixando, eu e ele fomos deixando os planos de ter filhos um pouco de lado, e voltamos a estaca zero. O único que nunca desacreditou que eu poderia engravidar naturalmente era o dr. Nicolau. Toda vez que eu ia às consultas e contava o que estava acontecendo, ele sempre tinha uma mensagem de otimismo pra mim. Numa dessas consultas, em agosto de 2011, comecei a chorar e ele me disse que faria tudo o que tivesse ao seu alcance para me ajudar. E que a FIV seria a última possibilidade, que ele só pensaria nisso quando todas as outras hipóteses estivessem zeradas. Ele me examinou e perguntou quando que seria a minha próxima menstruação. Eu estava tão desligada de tudo, que na hora me toquei, falei "doutor, está pra vir essa semana". Fui embora pra casa com a pulga atrás da orelha. Afinal, a menstruação estava atrasada!  Mas eu tinha medo de pensar que estivesse grávida! E se eu não tivesse? Seria uma decepção. Meu marido havia comprado um teste de farmácia, que ainda não tinha usado. Então, no dia seguinte, quando acordei para trabalhar, lembrei-me daquele teste e pensei: "Vamos tirar essa dúvida logo". Fiz o xixi no potinho, coloquei a fitinha e deixei em cima da pia. Fui tomar banho e ao sair, nem lembrava mais daquele teste. Até que o vi na pia e me lembrei dele. Quando eu peguei..... a surpresa: POSITIVO!! Eu comecei a chorar e a pular, chamei meu marido aos berros, ele levantou todo atrapalhado que nem conseguia ver direito o teste. Depois da euforia, veio a angustia: será que é verdade? E se eu perder?????? Ai meu Deus!!!! (risos)

Cheguei ao trabalho e fui direto conversar com meu chefe. Contei o que tinha acontecido e falei pra ele que eu não voltaria pra casa sem fazer um exame de sangue. Ele me dispensou e fui ao PS para fazer o exame. Consegui passar no ginecologista de plantão e ele me deu a guia para fazer o exame de sangue. Até essa altura, eu já tinha feito mais 3 testes de farmácia, e todos deram positivo!!!! Fui ao laboratório colher sangue e o resultado só sairia no dia seguinte. Cheguei em casa e meu marido comprou o quarto teste pra eu fazer... positivo de novo. Não é possível, estamos grávidos!!!! No dia seguinte, o pessoal do meu trabalho e nós dois (eu e meu marido) estávamos na maior expectativa. Ao pegar o resultado, a confirmação do que eu já sabia: estava grávida. A alegria era tanta que eu não esperei completar os 3 meses para anunciar. Já liguei, mandei torpedo e e-mails contando novidade para família e amigos. Quem nos acompanhou e viu o quanto sofremos com o diagnóstico da FIV, chorava conosco e agradecia a Deus. Eu não tenho dúvidas de que foi um milagre de Deus em minha vida. Lógico que na hora liguei para o dr. Nicolau e ele sempre com suas palavras de conforto "Não disse pra vc que daria certo!" Daí parti para o pré-natal, tive uma gravidez abençoada e nossa princesinha nasceu supersaudável dia 11/05/2012 às 21h19. No meio da cesárea, o dr. Nicolau encontrou um foquinho de endometriose no meu ovário. Falou-me para não preocupar com ele, pois ainda vou ficar um bom tempo sem menstruar por causa da amamentação. Depois vou pensar na forma de como suspender a menstruação para que a doença não avance de novo. Mas quer saber? Tem algo aqui comigo muito maior para eu me preocupar. E existe um Deus muito maior do que qualquer foco de endometriose, que pode mudar nossa vida num piscar de olhos. Espero que minha história ajude muitas mulheres que estão passando pelo que eu passei: a angustia de não conseguir engravidar naturalmente, o diagnóstico da FIV, a falta de grana pra fazer o tratamento e realizar este sonho, ou até mesmo, a dificuldade de fazer o tratamento da endometriose. Nunca deixem de ter esperança, de acreditar que nada nessa vida é impossível. Acreditem que podemos vencer essa doença, e não ela nos vencer!! Beijos com carinho!”

domingo, 3 de março de 2013

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA", DOUTOR HÉLIO SATO!!!

Na primeira “Com a Palavra, o Especialista”, do mês que celebra a conscientização mundial da endometriose, o doutor Hélio Sato esclarece dúvidas e medos que a maioria das portadoras tem. Como por exemplo, o uso dos “temidos” inibidores de hormônios, como por exemplo, o Zoladex, o Lupron, o Depo Provera, dentre outros. Em muitas endomulheres, em especial, para aquelas que têm endometriose em graus mais avançados, endometriose profunda, dentre outras, o tratamento com este tipo de medicamento é de extrema importância. Eu sei que muitas têm medo de tomá-lo por conta dos efeitos colaterais. Antes da minha primeira cirurgia, após o tratamento de um ano com anticoncepcional contínuo, no ambulatório de alga pélvica e endometriose da Unifesp, receitaram-meo Zoladex 10,8. Mesmo sem ter lido nada sobre o assunto, só o fato de induzir menopausa aos 31 anos, deixou-me muito assustada. Porém, para os efeitos colaterais, há a possibilidade de tomar diariamente um hormônio, que inibe e muito esses sintomas. E quando o assunto é à perda de massa óssea? Ela pode ser recuperada? A pergunta foi enviada pela nossa endoirmã Terezinha Cunha, de Sobral, no Ceará, mas vai elucidar a dúvida de muitas mulheres.

A outra pergunta vem do Rio de Janeiro, da Lívia (sem sobrenome). Ela descobriu há pouco tempo que tem endometriose e, como tem casos de câncer de útero na família, quer saber se por isso seria necessária a retirada do útero. Outra dúvida da Lívia é uma recorrente em muitas de nós: a endometriose pode virar câncer? O especialista explica abaixo, mas eu quero fazer meu parêntese nesta questão. Independente se a endo vira ou não câncer, eu quero dizer ela pode ser tão perigosa quanto um tumor maligno. Infelizmente, a endo não mata diretamente, mas pode matá-la aos poucos. Além da dor incapacitante, muitas endomulheres vivem à base de morfina, e o uso diário desse medicamento, principalmente, quem toma doses muito altas, é muito perigoso. A endometriose é uma doença que pode deixar a mulher incapacitada. Como já falado na matéria da revista Women’sHealth Brasil, o fato de a doença ainda não ser reconhecida como social pela nossa presidente, Dilma Rousseff, contribui para a ignorância das pessoas acharem que "queremos colo", ou "somos frescas”, “doidas”, "fracas para dor", dentre muitos outros. A minha opinião é que a gravidade de uma doença não está na questão de levar a óbito ou não, mas sim naquela que afeta a qualidade global de vida de uma pessoa, no caso em questão, de uma mulher. O que adianta estar viva, se muitas estão como se tivessem “ardendo no inferno” de tanta dor e presas às suas camas (desculpe, mas sei que muitas vivem assim!).  

A endometriose, além de não ter cura, é uma doença progressiva, ou seja, sempre que ela voltar, se não tiver um controle rigoroso, volta sempre com mais força. A endometriose não é um tumor maligno (assim como é o câncer), mas à medida que os focos vão instalando-se nos órgãos das mulheres, como útero, ovários, trompas, intestinos, bexiga, pleura, diafragma, pulmão, dentre muitos outros, é preciso cortar pedaços desses órgãos. Então, podemos dizer que a endometriose não é um câncer, porque o que assusta quando escutamos esta palavra é o fato de a pessoa (dependendo do estágio) vir a falecer. Porque as pessoas preferem ver o outro morrer numa cama (sofrendo horrores) a perdê-lo. Hoje, eu não tenho mais esta visão e eu sei que a endo, em muitos casos, pode ser pior que um câncer. Precisamos dar um basta na ignorância de quem acha que não temos nada. Para mudar esta realidade que atinge cerca de 10 a 15 milhões de endomulheres brasileiras, peço que assinem e compartilhem entre seus amigos (um a um, pedindo e explicando!), a Petição Pública Brasileira em prol da portadora de endometriose. A endometriose precisa ser tratada como uma doença muito séria e que nos causa muitos transtornos, seja físicos e ou psicológicos. Quando tivermos 1 milhão de assinaturas, é que poderemos pensar em existir para nossos governantes. Em breve mais informações sobre o I Brasil na Conscientização da Endometriose, que se realizará no dia 30 de março. Ah, e já está na hora de trocar as capas do facebook, saiba como aqui! Beijos com carinho!!


1- Por que o Zoladex causa perda de massa óssea? Essa perda pode ser recuperada ou é irreversível? Terezinha Cunha, Sobral, Ceará
Dr. Hélio Sato: Os análogos de GnRH, e o Zoladex inclui nesta classe de medicação, inibem a produção de estrogênio, hormônio que promove as características da mulher (mama, gordura nas nádegas, etc...) também participa na ovulação e inibe a absorção óssea pelas células responsáveis em remover o estrutura física dos ossos. Assim, a ausência de estrogênio promovido pelo Zoladex aumenta a absorção do tecido ósseo. E, principalmente, por esta ação nos ossos o uso prolongado do Zoladex deve ser ponderado cautelosamente. No entanto, o uso seguido de 6 meses, é o prazo aceito pela maioria dos grupos que tratam a endometriose como sendo tempo seguro no que se refere a perda de massa óssea. E a perda de massa óssea causada pelos análogos de GnRH pode ser recuperada.

2 – Tenho 27 anos, uma filha de 3 e descobri há poucos meses que tenho endometriose. Tenho caso de câncer de útero na família e muitas pessoas me falaram que tenho de retirar o útero. É necessário mesmo? Qual a relação entre endometriose e câncer? Lívia, Rio de Janeiro – RJ
Dr. Hélio Sato: Em minha opinião, a retirada do útero e dos ovários é uma boa opção em termos de eficácia. Porém, deve ser proposta principalmente nas mulheres mais maduras e que não desejam mais ter filhos, como este não é sua situação, sugiro procurar ter outras opiniões antes da decisão. Em relação ao câncer, a endometriose muito muito muito muito muito (não foi erro de digitação, apenas, ênfase, muita ênfase) raramente se transforma em câncer, assim, o raciocínio da decisão não deveria pautar nesta possibilidade e sim nos sintomas, situação conjugal, desejo de filhos, etc...

Sobre o doutor Hélio Sato:



Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose e em laparoscopia. Ele tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo. É pesquisador principal de projeto regular da FAPESP.

Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é membro associado da clinica GERA de reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato).

sexta-feira, 1 de março de 2013

O EVENTO DO BRASIL NO CALENDÁRIO MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO DA ENDOMETRIOSE!!

Primeiro de março!!! Hoje começa o mês mais importante do ano para nós, endomulheres. Há mais de um ano falo no blog sobre o “Mês Mundial de Conscientização da Endometriose”. Quando descobri que vários países do mundo faziam eventos para espalhar a palavra e aumentar a conscientização da endometriose, e que esses países tinham seus nomes e respectivos eventos no calendário mundial, pensei: “Cadê o Brasil na lista?” A partir deste dia, passei a ter dois sonhos como meta a realiza: fazer um evento de conscientização e colocá-lo no tal calendário mundial. Bom, como nada é por acaso e como Deus sabe de todas as coisas, pois Ele é o único que sabe quem realmente é cada um de seus filhos, tudo na minha vida começou a acontecer naturalmente. Não tardou muito e conheci mulheres fantásticas mundo afora e, dentre elas, estavam duas que me ajudaram a realizar o sonho de colocar nosso I Brasil na Conscientização da Endometriose no Calendário Mundial de Conscientização da Endometriose.


Por isso, é com grande orgulho que compartilho com todos o link e a impressão da página de onde está o nosso evento. Mas, em primeiro lugar, eu sempre agradeço a Deus por tudo. Foi assim no discurso do prêmio Top Blog Brasil 21012, quando o A Endometriose e Eu sagrou-se o TOP 1 da categoria pessoal, voto popular (aliás, neste ano tem mais e contarei com todos novamente nesta empreitada!). E agora não foi diferente. Graças ao nosso Pai, a endometriose hoje é um novo capítulo em minha vida. Não é algo que me faz sofrer mais. Ainda sinto dores, mas bem pouco perto dos últimos 21 anos, fiquei semi-infértil de um lado, após minha abençoada segunda cirurgia, e mesmo sabendo que o outro está 100%, sei que se for da vontade de Deus terei filhos.Afinal, nada acontece sem a permissão Dele! A endometriose já me fez muito infeliz, triste, mas resolvi aceitar minha missão de coração aberto. Desde junho voltei a sorrir e, desde então, somei ao coração aberto um largo sorriso no rosto e um brilho a mais nos olhar. Digo brilho a mais, pois tive um namorado-poeta que ao terminarmos escreveu-me uma linda carta e finalizou-a com a seguinte frase: “Foi a primeira vez que conheci uma mulher que sorri com os olhos. Continue com esse brilho!" Hoje, ao lembrar-me disso, fico emocionada, pois sei que nesta época eu já estava doente, mas ainda não sabia. E o que me manteve firme, forte, em pé e viva durante todo este tempo foi minha fé. Ainda quero escrever sobre isso, pois servirá de mote para vários textos, mas quem tem fé tem tudo na vida. E foi com minha fé inabalável que consegui este grande feito de colocar o nome do nosso país no calendário internacional. Feito este não para o blog, nem para mim, mas para o começo de fazermos uma nova história em relação à endometriose no Brasil. É a primeira vez que nosso país entra no calendário mundial de conscientização. Uma alegria sem fim!! Duas semanas atrás, quando vi que o Brasil estava lá e, por ser em ordem alfabética, é o segundo da lista foi uma emoção sem fim! E agradeci: “Obrigada, Senhor!” 

Estamos numa correia sem fim e aproveito para agradecer mais uma vez a ajuda da nossa querida endoirmã Marília Jorge. A cada dia, Deus me aproxima de tantas mulheres maravilhosas e isso é algo quase inacreditável. Estamos preparando muitas surpresas, dentre elas, uma ação que será permanente pelo menos enquanto não conseguimos que nossa presidente, Dilma Rousseff, reconheça a doença como social no nosso país. Esta é uma das missões do blog há quase 3 anos. Precisamos de ações fortes e consistentes. Aproveito para anunciar que teremos no nosso evento duas presenças muito especiais, a da Adriana Heintz e da Lívia Lorenzini, do Endometriose Brasil. Ainda estou na esperança da presença da querida Patricia Gastaldi!


Quando a Adriana ligou contando que elas estavam pensando em vir para São Paulo, para a gente se conhecer, conversar e dar força a mais para o primeiro evento achei o máximo. A ideia inicial era para elas encabeçassem o evento no Espírito Santo, mas pensando bem, com elas aqui iremos mostrar o quão forte estamos e o quanto estaremos em 2014. Olha, ter o apoio do Endometriose Brasil é algo fantástico, pois é um grupo de mulheres do bem e é isso que eu quero, ter o apoio de todas endomulheres do bem  e para o bem! O artigo de hoje foi só para dar o pontapé inicial e anunciar a viagem da Adriana e da Lívia e celebrar com todas este feito inédito que marca a nova história da endometriose no Brasil. A partir de 2013, o Brasil estará todo ano no calendário mundial de conscientização.

E aproveito para pedir a todos que apoiam o mês de conscientização da endometriose para trocarem a capa do facebook a partir de hoje. Esta será a nossa corrente do bem virtual. Seguem nossos dois modelos que poderão ser usados durante todo o mês de março. Beijos com carinho!!



A impressão da página do calendário mundial e, abaixo, o link de onde está o I Brasil na Conscientização da Endometriose!

Um dos modelos de capa do facebook, com a fita-logo do blog, para quem queria entrar em nossa corrente virtual no Mês Mundial de Conscientização da Endometriose!

A mesma capa, mas com o logo do I Brasil na Conscientização da Endometriose, que se realizará no dia 30 de março!