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terça-feira, 17 de abril de 2012

PRIMEIRO ESTUDO MUNDIAL COMPROVA QUE A ENDOMETRIOSE É UMA DOENÇA DE ALTO CUSTO!!

Tradução e edição: Caroline Salazar

Como uma das missões do A Endometriose e Eu é reportar às portadoras brasileiras, em primeira mão, os avanços mundiais em relação à doença, é com muita satisfação que digo: finalmente foi realizado o primeiro estudo prospectivo que comprova o alto custo para tratar a endometriose. Após o sucesso de meu primeiro artigo sobre este tema, que escrevi mediante aos inúmeros e-mails que recebo contendo os mais absurdos preços por uma cirurgia de videolaparoscopia e consultas, o EndoCost confirma o que eu já havia dito. Agora, ninguém poderá contestar. De fato, a mulher portadora de endometriose precisa desembolsar muita grana para se tratar. Mas eu vou muito além. À primeira vista, a palavra endometriose pode até soar como algo normal ou pode até parecer uma doença comum. Porém, o diagnóstico tardio, como acontece no Brasil, que pode demorar de 8 a 12 anos, deixa muitas mulheres inválidas, que vivem numa cama 24 horas por dia à base de morfina diariamente e, mesmo assim, muitas ainda não conseguiu viver a vida, no sentido literal da palavra. E isso não tem preço que pague. Afinal, o direito de ir e vir deveria ser uma garantia a todos, pois está descrito no artigo 5°, da Constituição Brasileira. O que dizer do Brasil, o país que tem o maior número de portadoras do mundo, mas que ainda são ignoradas pelos nossos governantes?


O EndoCost contou com a participação de 909 endomulheres, de 12 centros especializados, de 10 diferentes países: Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Estados Unidos, França, Holanda, Hungria, Itália, Reino Unido e Suíça. Economistas destes países também ajudaram a calcular o custo real da doença. Durante dois meses, as mulheres recrutadas responderam a um questionário que avaliou o impacto da endo em suas vidas. Dentre os tópicos, estavam os custos com a saúde, a perda de trabalho e a qualidade de vida. Se antes, era comprovado apenas o impacto da doença na vida de uma mulher, o EndoCost, realizado em parceria com a World Endometriosis Research Foundation, a WERF, pode mudar a realidade de muitas portadoras. E, sinceramente, é isso que eu espero. Não sei se por aqui, pois a doença ainda não é reconhecida pela nossa presidente Dilma Rousseff. Confesso que quando ela assumiu, eu tive uma pontinha de esperanças. Afinal, a endometriose é uma doença tipicamente feminina e, ao ver, uma mulher assumir a presidência de um país, onde o número de mulheres já supera ao de homens, eu até me animei. Quando penso na endometriose, a primeira palavra que vem à minha cabeça é “destruição”. Foi isso que a doença trouxe à minha vida e a de todas às outras mulheres que conheço. Ainda estou muito enroscada por conta das dívidas, que adquiri no período em que tive de optar: ou me tratar ou trabalhar. Acho que se eu morasse num país onde os empregadores tivessem uma cabeça mais aberta, ou que recebesse a ajuda do governo, enquanto estivesse em tratamento, talvez minha situação pudesse ter sido outra. Nesses três anos que estudo a doença, conclui que nenhuma mulher é feliz com a endometriose. E, ao começar a ler o EndoCost, constatei de que é isso mesmo. O rombo maior na mulher não é apenas a questão financeira, mas a profissional. Por conta das fortes dores, uma portadora perde até 11 horas semanais de trabalho.

Segundo o EndoCost, cada mulher doente gasta, em média, €9.579 por ano. Calculando em reais, com o euro em torno de R$2,42, o valor anual de uma portadora de endometriose, num país de primeiro mundo, onde foi realizado o estudo, gira em torno de R$23 mil. Parte deste valor €6.298 está relacionada à improdutividade no trabalho e, apenas, €3.113 são os custos diretos ligados à saúde. Ou seja, o custo da incapacidade de trabalhar, devido aos sintomas, em especial às fortes dores, é o dobro do custo dos valores gastos com médicos, hospitais, exames, cirurgias, dentre outros. Em relação aos custos com a saúde, 29% se destinam às cirurgias, 19% testes de controle, como exames, remédios dentre outros métodos, 18% dos gastos são com hospitais e 16% em consultas médicas. E, no Brasil, quantos bilhões de reais o governo gasta com suas portadoras? Por que ainda não exitimos para eles? Por que em nosso país não existe pesquisas para saber quais doenças, de fato, atingem à população? São tantas perguntas e nenhuma resposta. No discursso da presidente Dilma sobre as políticas de saúde do país, na ONU, em Nova Iorque, em setembro de 2011, ela falou que seu governo combateria doenças crônicas não-transmssíveis, como a diabetes, vários tipos de cânceres, a hipertensão, dentre outras, mas em nenhum momento citou a endometriose. Foi como se eu não existisse. Eu e milhões de brasileiras. Agora só votarei em políticos que abraçarem a causa da endometriose. E não podemos nos esquecer de que estamos em ano eleitoral. Outro resultado do EndoCost foi a comprovação, de um dos melhores epecialistas do mundo, que “a doença é potencialmente devastadora.” É claro que nenhum médico vai falar isso às suas pacientes. Mas, ao saber que pelo menos alguns médicos sabem disso, fiquei aliviada. Quando algumas pessoas me questionam e eu falo isso, sou taxada de louca por esses seres ignorantes. Agora, que foi dito pelo professor e doutor Steven Simoens, da Universidade de Leuven, da Bélgica, um dos principais pesquisadores deste estudo, quero ver quem terá a coragem de discordar. “Um estudo como este, prospectivamente investigando o custo direto e indireto da endometriose, nunca foi realizado antes e, agora, temos uma imagem muito mais clara do custo real desta doença potencialmente devastadora", disse Steven Simoens, sobre o estudo publicado neste mês na conceituada “Human Reproduction”.
Ranking dos custos com a endometriose dos países que participaram do estudo:


País:             10% das mulheres idade reprodutiva      total gasto

 
Alemanha:             1,860 milhões                                   €17,8 bi
Bélgica:                     250 mil                                             €2,4 bi
Dinamarca:              125 mil                                             €1,2 bi
Estados Unidos:    7, 4 milhões                                      €70,9 bi
França:                   1,4 milhões                                       €13,6 bi
Holanda:                    385 mil                                           €3,7 bi
Hungria:                     240 mil                                           €2,3 bi
Inglaterra:               1,480 milhões                                €14,2 bi
Itália:                       1,380 milhões                                  €13,2 bi
Suiça:                         187 mil                                             €1,8 bi

Estima-se que 10% da população feminina mundial, em idade reprodutiva, tem endometriose. No Brasil, as estatísticas evidenciam em até 15% das mulheres em idade reprodutiva, mas a endometriose pode começar já na primeira menstruação, como deve ter sido o meu caso. O EndoCost comprova que o custo da endometriose é semelhante ao da diabetes, da artrite reumatoide, da doença de Crohn, dentre outras doenças crônicas. Mesmo em países desenvolvidos, o investimento na doença ainda é muito pouco. Foi o que disse a advogada Lone Hummelshoj, que luta pela causa e é chefe-executiva da WERF. “Ao contrário de outras doenças bem conhecidas, vemos um investimento relativamente pouco em pesquisa sobre os mecanismos que causa a doença”, falou Lone. Segundo o artigo, Lone está chocada com quanto dinheiro está sendo perdido por governos e sistemas de saúde que ignoram a endometriose. E ela mora nos Estados Unidos. Ao ler isso pensei: “E, se a Lone morasse num país como o Brasil, que além de não reconhecer a endo como uma doença, é o país que tem o maior número de portadoras no mundo todo, de 10 a 15 milhões de mulheres. E ainda ser obrigada a pagar impostos altíssimos e a viver à merce de políticos que, em vez de prioirzar a população, só quer saber de encher seus próprios bolsos”.  Eu sinto a maior vergonha disso. Apesar disso, a medicina brasileira é tida como uma das mais avançadas do mundo, com médicos mais humanos. O governo deveria aproveitar essa deixa, para mudar a realidade da saúde dos brasileiros. Temos excelentes médicos-cientistas que se dedicam a desvendar o mistério da tal enigmática endometriose. É uma pena que os políticos não investem nestes estudos. Eu mesma já mencionei vários, inclusive, alguns da Unifesp, onde considero um dos centros mais preparados  do Brasil e do mundo, para tratar uma endomulher. Quem passa por lá confirma o que estou falando. Mas, infelizmente, os políticos daqui só querem assumir o poder para ficarem ricos. Bom, me desculpem os sonhadores, os economistas e todos, mas como portadora de endo e vendo milhões de mulheres sofrendo com a doença, eu sinto muita vergonha em dizer que o Brasil é o sexto país economicamente falando e que ultrapassou a Inglaterra.  Um país que não oferece educação e saúde à sua população, como conseguiu isso? Fica mais uma pergunta dentre as muitas outras ainda sem resposta. A única coisa que eu sei, é que ainda sonho em morar num país de primeiro mundo, onde sou reconhecida por eles.


Centros que participaram do estudo: Universidade de Leuven (Bélgica); Glostrup Hospital (Dinamarca); CHU de Clermont Ferrand (França); KEZ-Berlin (Alemanha); Medizinische Hochshule Hannover (Alemanha); Universidade de Semelweis (Hungria); Universidade de Milão (Itália); Universidade de Berna (Suiça); Universidade de Edimburgo (Reino Unido); Clínica de Cleveland  (Estados Unidos); Universidade de Wisconsin-Madison (USA); Universidade de Maastricht (Holanda).

Fonte: World Endometriosis Research Foundation

sexta-feira, 2 de março de 2012

ESTUDO MUNDIAL REVELA O IMPACTO DA ENDOMETRIOSE NA VIDA DE SUAS PORTADORAS!!


É em março, o mês de conscientização da endometriose. No Brasil, ainda não temos nenhum evento neste mês, uma data de âmbito nacional, onde haja esta conscientização. Não importa a data, o importante mesmo é que haja uma semana ou um dia para conscientizarmos a população do nosso país, e do mundo todo, como a endo pode destruir a vida de uma mulher. Quem sabe muito em breve não trazemos esta ideia de março ao Brasil? Porém, todo dia é dia de conscientizar. Por isso, março, abril, maio, junho, julho vamos colorir o mundo de amarelo, a cor que elegeram para retratar a endometriose. Aliás, o assunto de hoje é sobre o impacto que a doença causa na vida de uma mulher. Como o meu trabalho de jornalista consiste sempre em muita pesquisa, seja em campo, ou na internet, escrevo hoje sobre o primeiro estudo mundial sobre o impacto social que a doença causa na vida de uma mulher, realizado pela World Endometriosis Research Foundation (WERF), em 2011.

Ao começar a ler o artigo, a frase do doutor e professor Stephen Kennedy, um dos co-autores do estudo e membro da WERF, me chamou atenção. “Endometriose afeta mulheres durante os principais anos de suas vidas, um momento em que elas deveriam estar terminando seus estudos, iniciando ou mantendo suas carreiras, construindo relacionamentos e, talvez, começando a formar uma família. Para essas mulheres ter sua produtividade afetada, sua qualidade de vida comprometida e suas chances de começar uma família reduzida, é algo que a sociedade não pode mais ignorar. É tempo de ver o investimento sério na prevenção desta doença debilitante na próxima geração de mulheres", disse o professor Kennedy. Eu só corrigiria para o fato de que a endo já debilita a vida de suas portadoras. E isso independente da geração. Infelizmente, a endo não é algo que só irá impactar nas próximas gerações. Mas podemos salvar vidas, para que as nossas próximas gerações, não sofram como nós sofremos. A endo causa muito transtorno e muitas dores incapacitantes, e precisamos mudar esta realidade.

De acordo com a ONU (Organizações das Nações Unidas), a endometriose afeta 176 milhões de mulheres no mundo todo, ou seja, quase a população total do Brasil, que, segundo o Censo 2010, é de quase 191 milhões de pessoas. Ao fazer essa comparação, esse número é realmente assustador. Já imaginou todo o Brasil doente? O Estudo Global de Saúde da Mulher (GSWH) reuniu 1418 mulheres entre 18 e 45 anos, de 16 centros em 10 países nos cinco continentes. Foram recrutadas apenas mulheres que tiveram sua endometriose detectada após a cirurgia de laparoscopia. Aquelas que já tinham o diagnóstico antes da cirurgia foram excluídas da pesquisa. Foram respondidas 67 perguntas relacionadas aos sintomas e o impacto que essas mulheres tiveram em suas vidas, comparando o impacto desses sintomas em mulheres com e sem diagnóstico de endometriose. O coordenador do estudo, dr. Kelechi Nnoaham, afirmou que essa amostra é para destacar a situação de 176 milhões de mulheres que têm suas vidas afetadas pela endometriose. "Nossa pesquisa é o primeiro estudo prospectivo a ser realizado no domínio da endometriose para avaliar o impacto da doença", disse o investigador principal, dr. Krina Zondervan, epidemiologista e cientista sênior do Centro Welcome Trust de Genética Humana. Agora, o próximo passo desses pesquisadores é tentar explicar por que a endometriose afeta mulheres distintas e de formas diferentes. Essas duas frentes fazem com que a endo, ainda seja chamada de a doença enigmática. Até então, eu nunca ouvira falar de outra doença que recebera o nome de enigmática. Abaixo, as principais conclusões sobre o estudo:


     · Mulheres com endometriose tiveram um atraso médio de sete anos do início dos sintomas até que foram finalmente diagnosticados e tratados;


     · Two-thirds of women sought medical help for their symptoms before the age of 30 (one-fifth below the age of 19); Dois terços das mulheres procuraram ajuda médica para seus sintomas antes dos 30 anos (um quinto com idade inferior a 19);


     · 65% of women with endometriosis presented with pain, and one-third of these women were also infertile; 65% das mulheres com endometriose apresentou dor, e um terço destas mulheres também eram inférteis;


     · Infertility alone, without pain, was reported in 14% of women with endometriosis and 29% of those who did not have endometriosis. Infertilidade sozinha, sem dor, foi relatada em 14% das mulheres com endometriose, e 29% daquelas que não têm endometriose;

     · The severity of endometriosis (r-AFS disease stage) did not reflect the severity of a woman's symptoms; A gravidade da endometriose não reflete a gravidade dos sintomas de uma mulher;

     · Women with endometriosis suffer a 38% greater loss of work productivity than those without endometriosis – this difference was mainly explained by a greater severity of pain symptoms among women with endometriosis; Mulheres com endometriose sofrem uma perda 38% maior da produtividade do trabalho do que aquelas sem endometriose - esta diferença foi explicada principalmente por uma maior gravidade dos sintomas de dor entre mulheres com endometriose;

     · Reduced effectiveness at work accounts for more loss of work productivity than time missed from work; Reduzida eficácia em contas de trabalho para mais perda de produtividade do trabalho do que tempo perdido de trabalho;

     · Non-work related activities, such as housework, exercising, studying, shopping and childcare were also significantly impaired by the painful symptoms of endometriosis; O tido como não-trabalho, ou seja, outras atividades, tais como, tarefas domésticas, fazer exercícios, estudar, fazer compras, entre outras, também foram significativamente prejudicada pelos sintomas dolorosos da endometriose;

     · The pain symptoms of endometriosis reduce quality of life, with the impact being mainly on physical, rather than mental, health. Os sintomas dolorosos da endometriose reduzem a qualidade de vida da mulher. Esse impacto é principalmente físico, em vez de saúde mental. As symptoms become more severe, quality of life is further reduced.

Com o diagnóstico tardio, os sintomas se tornam ainda mais graves, e, consequentemente, a qualidade de vida de uma endomulher é ainda mais reduzida. Por isso, quanto mais rápido a mulher descobrir que tem endometriose e começar seu tratamento, mais qualidade de vida essa mulher terá. No Brasil, os médicos-pesquisadores do ambulatório de algia pélvica e endometriose da Unifesp realizaram quatro estudos causados pelos efeitos do diagnóstico tardio de endometriose nas mulheres, apresentados no último Congresso mundial, na França, em 2011, e que tema da matéria do “Jornal da Tarde”, a qual fui personagem, no último sábado dia 25. Portanto, mulheres, prestem atenção em seu corpo. Cólicas menstruais muito fortes, aquelas que não melhoram com um analgésico, antes, durante e após a menstruação, dores durante as relações sexuais, alterações intestinais e urinárias durante o período menstrual e dificuldade para engravidar procure seu ginecologista. Espero que curtam! Ah, eu não ando muito bem, estou com muitas dores, em especial, na lombar, onde dói muito 24 horas por dia. Por isso tenho me dedicado menos ao blog, Agradeço a atenção e a compreensão de todos. Beijos com carinho!!


Fonte: http://endometriosisfoundation.org/