![]() |
imagem cedida por Free Digital Photos |
Hoje, "A Vida de um Endo Marido" é muito especial. Não só porque começa hoje a Primavera no Brasil, mas porque o texto foi escrito pelo Paulo, um endo marido brasileiro, mais precisamente um roraimense que mora na Bahia, esposo de uma endo guerreira maravilhosa, a Ane. Quando conheci este casal fantástico no início do mês, papo vai, papo vem e lá vem o tema na mesa: a relação sexual com uma endo mulher. Achei incrível o modo de como eles, principalmente, ele fala sobre o assunto. Sei muito bem que não é fácil, mas há tantas maneiras de amar e de ter uma relação sexual. A penetração é apenas uma dessas formas. Eu acredito no amor, pois só o amor salva. Quando se tem amor, companheirismo, a relação sexual pode ser reinventada e eu acredito que existe várias formas de amar. Tenho certeza que esse texto irá ajudar muitos maridos de portadoras de endometriose e até mesmo de outras doenças que de uma forma ou de outra, possam estar incapacitadas de ter relação sexual da forma mais convencional. É preciso lembrar que muitas endo mulheres após uma relação sexual não tem dores apenas durante o ato, mas depois. Sei de muitas que ficam dias na cama, outras têm febre, além, claro, das fortes dores abdominais, na pelve e no corpo todo.
Entre na campanha "Seja do bem, vote pelo
reconhecimento da endometriose como doença social", vote no A Endometriose e Eu no prêmio TopBlog Brasil 2013! Ajude-nos a ter a doença
reconhecida como social pelos nossos governantes! Clique no link: http://bit.ly/18wANh9 dê
o seu voto por uma boa causa e compartilhe esta campanha entre seus
amigos. Passo a passo da votação aqui A união faz a força e juntas somos
mais fortes. Continue preenchendo a Ficha de Inscrição para a Marcha Mundial em prol das mulheres com endometriose, a primeira manifestação em massa que vai reunir
mulheres do mundo todo. Até o momento, 23 países sairão às ruas no dia 13 de
março de 1014 para mostrar que somos muitas e que precisamos ser respeitadas. O
prêmio mais a marcha com certeza farão toda a diferença em nossas vidas. Beijo
carinhoso!! Caroline Salazar
Minha Escolhida
Por Paulo S.
Edição: Caroline Salazar
Olá, meu nome é Paulo, sou endo marido desde 2009. Moro
atualmente na Bahia, na cidade de Camaçari. Minha esposa Ane está em São Paulo
fazendo o tratamento para endometriose e aguardando a cirurgia.
Quando conheci Ane, eu a escolhi para amar. A partir
daí, coloquei no meu coração que deveria amá-la sempre, independente das
circunstâncias. Se, nós homens não colocarmos em primeiro lugar esse princípio,
dificilmente suportaria ser um endo marido, e sem se esquecer do voto que
fizemos no altar, diante de Deus, que sempre ficaríamos juntos na saúde ou na
doença.
Estou aqui para falar de um dos problemas que afetam
os casais que enfrentam a endometriose, o problema da frequência da relação
sexual. Como a endometriose, causa dor na região pélvica, logo a mulher fica
muito indisposta para praticar a relação, então, a frequência do ato sexual
diminui consideravelmente.
Escrevendo este artigo, lembrei-me de um amigo que
esta acompanhando nossa luta, e ele foi muito sincero ao dizer que “se fosse
com ele já tinha largado a mulher!” Muitos de nós homens colocamos em primeiro
lugar a ato sexual no casamento, e isso gera problema sério nos casais que
estão passando pela endometriose. Lendo o blog, vi testemunhos de mulheres que
foram abandonadas pelos namorados e maridos, e um dos motivos é justamente por
conta da baixa frequência da relação sexual. Eu acho isso uma pena,
porque entendo que o ato sexual é importante no relacionamento, mas não é
fundamental, não é a base de nenhuma relação, porque acredito que não começamos
um relacionamento pelo sexo (isso é ilusão hollywoodiana).
No meu caso, quando descobrimos que a endometriose de
minha esposa estava grave e seus sintomas ficavam cada mais fortes, sempre
antes do período menstrual, durante e depois, ou seja, quase 15 dias em um total de 30, ela sente muitas dores. E neste período é impossível termos relação. E
isso acontece todos os meses.
Confesso que no começo não foi fácil aceitar essa
situação, porque parece que no homem essa necessidade de satisfazer esse desejo
do ato sexual é muito forte. Mas conversando com minha esposa, ela também
afirmou que estava sofrendo com essa situação, justamente por ela não me
satisfazer sexualmente, mas também porque ela tinha esse desejo da mesma forma.
Sim, mas mulheres também têm desejo de ter uma relação sexual com seu parceiro.
E não só o homem. Outro motivo que faz minha esposa sofrer é o fato de querer
chegar ao orgasmo e não conseguir por causa da dor, da falta de libido e dos
remédios que toma.
E, se eu não tivesse colocado o princípio de que eu
escolhi amar minha esposa em qualquer situação, eu não sei o que seria do nosso
casamento. Gracas a Deus, não foi eu que coloquei esse princípio, mas foi Deus,
foi ele que nos uniu, e nada, e ninguém vai nos separar.
Diante disso, buscamos minimizar o problema, pois a
grande questão era a relação sexual com penetração que causava muita dor nela.
Então, diminuímos a frequência da relação, e quando é com penetração fazemos
com cuidado para não causar dor e, de vez quando, fazemos o ato sexual
manualmente satisfazendo um ao outro, pois acredito que não somente eu tenho
que sentir prazer, mas ela também.
Portanto, gostaria de finalizar dizendo mais uma vez,
que o princípio é o amor, é ele que une os casais e não o sexo. E espero que
com este texto, outros endo maridos encontrem força para lutar pelo seu
casamento e vencer a endometriose. Não deixem que essa doença acabe com seu
casamento. E como diz a Bíblia: “Agora, portanto, permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor.” (I Coríntios
13,13).
