No texto de hoje, mais uma tradução exclusiva doA Endometriose e Euque vai elucidar a tal dúvida de
quem ainda tem dor após a excisão completa da endometriose.Por
isso, a escolha do especialista é muito importante. Saber que ele é realmente
especialista em endometriose e em laparoscopia faz toda diferença após a
cirurgia. Mas para isso é preciso ter certeza, pedir a comprovação que o médico
sabe mesmo. Ter acesso ao currículo lattes, e conhecer pacientes que já
operaram com ele são fundamentais. Ao menor sinal de que alguma paciente do
médico escolhido tenha tido alguma sequela, em especial, a tal dormência na
perna, que esteja arrastando ou não sentindo a mesma, procure outro. Quando se
trata de endo, não podemos ter pressa, mas sim, temos de ser seletiva. Já
falamos aqui que uma videolaparoscopia feita por um especialista não deixa
nenhuma mulher com sequela. Somente as aderências adquirimos com as cirurgias, mas
mesmo assim a "cirurgia bem feita" faz toda diferença até nisso! E eu
sou a prova viva disso, já que este é meu "grande problema" e há mais
de um ano e meio passei a ter uma vida normal, como nunca tive antes. Com especialista
e tratamentos corretos, é possível sim, controlar a doença e resgatar nossa
vida.
O blog está há quase 4 anos lutando para que a
endometriose seja reconhecida como doença social e de saúde pública. O blog é o
primeiro que reivindicar isso, pois só assim as mulheres terão acesso ao
tratamento de qualidade de humano pelo SUS. Porque esta última palavrinha faz
toda diferença também o escolher o especialista. Para que isso se torne uma
realidade para as mais de 10 milhões que sofrem com a doença no Brasil, vote
no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013 (clique
aqui e dê seu voto) e compartilhe a votação entre seus amigos. O
primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza
em compartilhar a votação entre seus amigos. E nisso, aMarcha
Mundial contra a Endometrioseserá
muito importante.Inscreva-se
e venha marchar conosco. E amanhã, nova coluna do blog:Endo Jurídica. Além de ser o
blog mais completo sobre endometriose do mundo, oAEndometriose e Euvai prestar assistência jurídica
gratuita às leitoras. Mais um endomarido chegando para lutar conosco nesta
causa. Obrigada a todos os voluntários que estão comigo nesta causa! A
união faz a força e juntos somos mais fortes. Ah, e a pedido das leitoras
estamos preparando uma linha
especial de camisetas para a passagem de ano novo! Aguardem e não
percam! Boa leitura! Beijo carinhoso! Caroline Salazar
Dor persistindo após cirurgia com
excisão completa: Será endometriose ou algo mais?
Por doutor David Redwine
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar
A maioria, mas não toda dor pélvica na
mulher, deve-se a endometriose. Mesmo que a endometriose se encontre na pelve,
tal não significa que seja na realidade a causa da dor que a paciente sente.
Por esse motivo, não existe forma de garantir o alívio da dor após a cirurgia
para a endometriose, mesmo que tenha sido removida toda a doença.
Felizmente, a maioria das pacientes
reporta um melhoramento significativo ou total alívio da dor após essa
cirurgia. Se a dor é por conta da endometriose, e se a doença é identificada e
removida na totalidade, a dor passa. A única incerteza é se a endometriose foi
a causa da dor desde o início.
Outras causas menos comuns da dor
pélvica incluem miomas no útero, adenomiose do útero, tecido cicatricial (as
aderências), cistos ovarianos, problemas entre a massa muscular e o esqueleto e
fatores desconhecidos afetando o útero e os ovários.
Os miomas podem ser removidos se forem
grandes o suficiente para ser vistos, e isso frequentemente pode ser feito com
o laparoscópio, sendo que os mais pequenos podem
passar despercebidos, continuar a crescer e a causar dor. O tecido
cicatricial pode ser corrigido com o laparoscópio, tal como os cistos
ovarianos. A adenomiose geralmente pode ser diagnosticada e tratada apenas com
a realização de histerectomia. Algumas pacientes com dor pélvica podem adotar
uma mudança na postura para ajudar a lidar com a dor, e isso poderá resultar em
espasmo muscular, e consequentemente, dor.
Se a portadora possui uma destas condições,
e se a outra condição não for corrigida durante a cirurgia, então, é bem
possível que no futuro venham a ocorrer mais episódios de dor. Mesmo que todos
os focos de endometriose tenham sido removidos, a endometriose continuará a ser
apontada como culpada de qualquer dor futura. Em seguida abordamos um caso real
que irá demonstrar esse fenômeno:
LS, uma paciente de 35 anos com vários
filhos, tinha dor pélvica e se submeteu a uma laparoscopia. Ainda que tenha
sido descoberta endometriose na sua pelve, não estava no local certo para
explicar a dor que sentia.
Para mais, ela não tinha uma
endometriose muito avançada. Todos os focos da doença foram removidos por mim
por laparoscopia. A paciente continuou a ter dor. Ela ainda se submeteu a
histerectomia pelo seu cirurgião habitual, e na hora da cirurgia tanto o cirurgião
como o seu assistente concordaram que não havia endometriose presente. Eu
estava presente na sala de cirurgia, desta vez, apenas como observador. Ainda
que não tenha detectado sinais óbvios de endometriose, eu vi mudanças sutis que
mostrei para eles e que foram removidas. A biópsia deu negativo para
endometriose. Até ao nível microscópico o útero estava normal.
Mesmo sem ter encontrado nenhuma
patologia óbvia, a paciente reportou um alívio da sua dor. Todos os cirurgiões
estavam em acordo que ela não tinha endometriose, mas apesar disso o
diagnóstico final foi oficialmente registrado como “Endometriose”, provando
mais uma vez que é impossível livrar da doença a partir do momento que é
diagnosticada.
O corpo sara após a cirurgia formando
tecido cicatricial. Como cirurgiões, não apenas dependemos disso, como estamos
contando com esse fato. Na cirurgia pélvica, o tecido cicatricial
pós-operativo pode causar dor, ainda que isso não seja assim tão comum
como poderíamos esperar. Se os ovários sofrerem uma cirurgia acima ou ao lado,
então, esse tecido cicatricial que os irá envolver, tem muitas chances de ser
formado. A remoção de endometriose na bexiga, ligamentos uterosacros ou do
solaho pélvico raramente resultarão na formação de tecido cicatrizacional
significativo.
Não se conseguiu até hoje nada que
consiga prevenir a formação de tecido cicatricial, e parece que as
ocorrências estão mais ligadas ao processo de cura da paciente e à localização
da cirurgia. Se o tecido cicatricial surge e provoca dor, teremos a necessidade
de um novo procedimento cirúrgico, já que não existem medicamentos que possam
ser tomados para a remoção desse tecido.
A ameaça de formação do tecido
cicatricial pós-operativo não é motivo suficiente para evitar a cirurgia para
endometriose, já que essa fuga seria aceitar um medo do desconhecido e ignorar
um problema bem real.
Quando a mulher nasce, cada um dos seus
dois ovários possui milhares de óvulos, e cada óvulo está cercado por um
pequeno folículo, que na verdade é um pequeno cisto. Como tal, cada ovário tem
o potencial de formar muitos cistos ao longo da vida. Na verdade, pequenos
cistos, geralmente, são formados antes e depois de cada ovulação, e esses
cistos normais podem por vezes causar dor. Mesmo cistos maiores podem por vezes
sumir sem tratamento. Não existem provas que possam sugerir que a cirurgia
pélvica para a endometriose torne a mulher mais pré-disposta a ter cistos
dolorosos.
A adenomiose é uma mudança estrutural
dentro da parede muscular do útero. O útero pode parecer, visualmente e ao
toque, como estando normal, e ainda assim ter adenomiose. Nem a laparoscopia
nem a histeroscopia são capazes de diagnosticar a adenomiose, e não existe
tratamento conhecido que a possa erradicar.
A maioria dos relatos na literatura médica com respeito à
persistência da doença após excisão da endometriose revela taxas abaixo de 30%
e na minha experiência tenho obtido resultados muito semelhantes. A conclusão é
de que a dor persistente ou recorrente após a excisão completa da endometriose
geralmente não se deve à doença. Focar exclusivamente na endometriose poderá
não dar a resposta adequada às pacientes com dor após excisão cirúrgica.
Já, já embarcando para o Rio de Janeiro para participar ao vivo do programa “Conexão Futura” sobre endometriose. Friozinho na barriga por conta do "ao vivo" na TV, que é diferente de ser ao vivo na internet e muito mais de um programa gravado! Mas Deus é Pai e tudo dará certo. Receber este convite foi incrível porque além do Canal Futura ser o único canal educativo do Brasil, o programa informa com linguagem simples e dinâmica os caminhos possíveis para construção da cidadania, além de ser o programa mais conceituado do canal e é voltado para educadores. A Cidade Maravilhosa me aguarde!!!
O programa começa às 14h55 e minha entrada será às 15h20. Rio de Janeiro lá vou eu. Feliz, feliz, feliz, feliz.... Ah, e semana que vem lançaremos a Linha de Camisetas de Conscientização da Endometriose para o ano-novo. Uma edição limitada pedidos das leitoras! Veja baixo como assistir. Aguardo todos vocês! Beijo carinhoso!!
Na TV por assinatura, em parceira com a Globosat, estamos no canal 32 da Net, no canal 08 da Sky e no canal 24 da Via Embratel.
Se você tem antena parabólica, sintonize na polarização vertical 20.
O Canal Futura também chega a vários municípios por uma rede de TVs universitárias:
§TV UFPB – Universidade Federal da Paraíba Cabo Canal 22 – João Pessoa (PB)
§Uno TV – Universidade do Oeste Paulista Canal 2 – Presidente Prudente (SP)
§TV Univap – Universidade do Vale do Paraíba Cabo Canal 14 – São José dos Campos (SP)
§TV Ilha do Sol – Unaerp – Universidade de Ribeirão Preto Canal 30 – Guarujá (SP)
§TV Lumen – PUC-PR Canal 16 – Curitiba (PR)
§TV Univali – Universidade do Vale do Itajaí Cabo Canal 17 – Itajaí (SC)
§UPF TV – Universidade de Passo Fundo Canal 4 – Passo Fundo (RS)
§TV Unisc – Universidade de Santa Cruz do Sul Cabo Canal 13 – Santa Cruz do Sul (RS)
§TV Unisinos – Universidade do Vale do Rio dos Sinos Canal 30 – São Leopoldo (RS)
E nos municípios de São Gonçalo e Niterói (RJ), além de alguns bairros da cidade do Rio de Janeiro, basta sintonizar seu televisor no canal 18, UHF. É aberto e gratuito!
Amanhã,
sexta-feira, dia 6, embarco para o Rio de Janeiro para participar ao vivo do programa “Conexão
Futura” sobre endometriose. Receber este convite foi incrível porque além do Canal Futura ser o único canal educativo do Brasil, o programa informa com linguagem simples e dinâmica os caminhos possíveis para construção da cidadania, além de ser o programa mais conceituado do canal e é voltado para educadores.
O programa começa às 14h55 e minha entrada será às 15h20. Rio de Janeiro lá vou eu. Feliz, feliz, feliz, feliz.... Ah, e semana que vem lançaremos a Linha de Camisetas de Conscientização da Endometriose para o ano-novo. Uma edição limitada pedidos das leitoras! Veja baixo como assistir. Aguardo todos vocês! Beijo carinhoso!!
Na TV por assinatura, em parceira com a
Globosat, estamos no canal 32 da Net, no canal 08 da Sky e no canal 24 da
Via Embratel.
Se você tem antena parabólica,
sintonize na polarização vertical 20.
O Canal Futura também chega a vários
municípios por uma rede de TVs universitárias:
§TV UFPB – Universidade Federal da
Paraíba
Cabo Canal 22 – João Pessoa (PB)
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Paulista
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Paraíba
Cabo Canal 14 – São José dos Campos (SP)
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Universidade de Ribeirão Preto
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Itajaí
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do Sul
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§TV Unisinos – Universidade do Vale do
Rio dos Sinos
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E nos municípios de São Gonçalo e Niterói
(RJ), além de alguns bairros da cidade do Rio de Janeiro, basta sintonizar seu
televisor no canal 18, UHF. É aberto e gratuito!
Hoje trazemos um guia para pacientes em relação às cirurgias para endometriose. É preciso desmistificar o que a maioria não sabe. Apesar de a laparoscopia ser a mais indicada para endometriose, por acarretar menos aderências, dependendo do órgão a ser retirado. O mais importante é o médico. Para a laparoscopia é preciso de um cirurgião que saiba realmente manusear o equipamento. Para a laparotomia, o mais importante também é o médico, em fazer uma boa cirurgia. Apesar deste texto se referir à endo, a laparoscopia, e consequentemente, a videolaparoscopia, revolucionou não só as cirurgias para endometriose, mas inúmeros outras. A primeira vez que escutei falar deste tipo de cirurgia foi quando minha mãe retirou a vesícula em 2008. Mal sabia eu que também passaria por ela. Um cirurgião inexperiente poderá deixar a paciente com sequelas após a cirurgia. Por isso é muito importante confirmar a experiência do médico tanto com outras pacientes, para ver se alguma ficou com sequela, quanto acadêmica. No último fim de semana escutei de uma jornalista que estava fazendo um programa sobre endo: "No exterior, a maioria dos médicos já fazem direto a laparoscopia quando a paciente apresenta sintomas de endo." O que essa jornalista não sabia (mesmo após ter feito o programa) é que existe a lparoscopia disgnóstica e a cirúrgica. Tomara que ela leia este artigo. Continue votando no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013 (clique aqui e dê seu voto). O primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza em compartilhar a votação entre seus amigos.Obrigada a todos os voluntários que estão comigo nesta causa! Juntos iremos não só conseguir o reconhecimento, mas fazer o A Endometriose e Eu, o blog mais completo do mundo sobre endometriose. E ainda nesta semana, mais novidades! Ah, e a pedido das leitoras estamos preparando uma linha especial de camisetas para a passagem de ano novo! Aguardem e não percam! Boa leitura! Beijo carinhoso! Caroline Salazar Tradução: Alexandre Vaz Edição Caroline Salazar
Introdução:
Um exame completo
das estruturas internas da pelve feminina pode providenciar informação
importante no que diz respeito à infertilidade e às doenças ginecológicas comuns.
Com frequência, problemas que não são detectáveis por um exame físico externo, podem
ser descobertos através de laparoscopia e histeroscopia, dois procedimentos que
proporcionam uma visualização direta dos órgãos da pelve. Estes procedimentos
podem ser recomendados como parte de um tratamento para a infertilidade,
dependendo do caso particular da paciente. A laparoscopia e a histeroscopia podem
ser usadas tanto para diagnóstico (observação simples) como para operação
(observação e tratamento).
Laparoscopia de
diagnóstico pode ser recomendada para observação nas regiões exteriores ao útero,
trompas de Falópio, ovários e área pélvica interna.
A histeroscopia de
diagnóstico é usada para observação do interior da cavidade uterina. Se for
detectada uma anomalia durante o procedimento de diagnóstico, este pode passar
de diagnóstico a cirurgia para que o problema detectado possa ser corrigido,
evitando assim uma segunda cirurgia. Tanto o procedimento de diagnóstico como o
operativo devem ser realizados por cirurgiões experimentados nessas áreas. A
informação seguinte deverá ajudar as pacientes a saber o que devem esperar
antes de serem sujeitas a qualquer um desses procedimentos.
Diagnóstico por laparoscopia:
A laparoscopia pode
ajudar os médicos a diagnosticar problemas ginecológicos, incluindo a
endometriose, miomas uterinos e outras anomalias estruturais, cistos ovarianos,
aderências (tecido cicatricial) e gravidez ectópica. Se possui dor, histórico de infecções pélvicas ou sintomas sugestivos de doença pélvica, o
seu médico pode recomendar esse procedimento como parte dos exames de
avaliação. A laparoscopia é por vezes recomendada após completar uma avaliação
inicial de infertilidade em ambos os membros do casal. Geralmente é feita logo
após a menstruação.
A laparoscopia é
geralmente realizada em ambulatório sob anestesia geral. Após a paciente ser
anestesiada, uma agulha é inserida através do umbigo e o abdômen é inflado com
gás carbônico. O gás empurra a parede abdominal, afastando-a dos órgãos
internos para que o laparoscópio possa ser introduzido com segurança na cavidade
abdominal, reduzindo o risco de dano em órgãos como os intestinos, a bexiga e
vasos sanguíneos. O laparoscópio é introduzido por meio de uma incisão no
umbigo. Ocasionalmente podem ser escolhidos outros locais para a introdução do laparoscópio com base na experiência do cirurgião ou do histórico médico e cirúrgico da paciente. Olhando através do laparoscópio, o médico pode observar
os órgãos reprodutores incluindo o útero, trompas de Falópio e ovários (Figura
1).
Vista laparoscópica dos órgãos reprodutores femininos no interior da cavidade pélvica
Uma pequena sonda é introduzida por meio de outra incisão, acima da região púbica, para que haja o deslocamento dos órgãos pélvicos com o intuito de conseguir uma melhor
visualização (Figura 2). Além disso, uma solução contendo uma tinta azul é com
frequência introduzida no colo do útero, útero e trompas de Falópio para determinar se as trompas estão abertas (férteis). Se não forem detectadas anomalias nessa fase, um ou dois
pontos fecharão as incisões. Se forem detectadas anomalias, o diagnóstico por
laparoscopia pode ser convertido em cirurgia por laparoscopia.
Diagnóstico com recurso da laparoscopia
Cirurgia laparoscópica:
Durante uma cirurgia
laparoscópica, muitos problemas abdominais podem ser tratados com segurança
através do laparoscópio ao mesmo tempo que o diagnóstico é realizado.
Quando realiza uma
cirurgia laparoscópica, o cirurgião insere instrumentos adicionais tais como
sondas, tesouras, instrumentos de tração, fórceps para biópsia, instrumentos
electrocirúrgicos e a laser e materiais de sutura através de duas ou três
incisões adicionais. Os lasers, embora sejam uma ajuda significativa em certas
cirurgias, são caros e não necessariamente melhores ou mais eficazes do que
outras técnicas cirúrgicas usadas durante uma cirurgia de laparoscopia.
A escolha da técnica
e dos instrumentos depende de muitos fatores incluindo a experiência do
médico, a localização do problema e a
disponibilidade de equipamento. Alguns dos problemas que podem ser corrigidos
com cirurgia laparoscópica incluem a remoção de aderências em torno das trompas
de Falópio e ovários, abertura de canais obstruídos, remoção de cistos
ovarianos e tratamento de gravidez ectópica. A endometriose também pode ser
removida ou ablacionada no exterior do
útero, ovários ou peritôneo. Sob certas circunstâncias, miomas do útero também
podem ser removidas. A cirurgia laparoscópica pode ser utilizada para a remoção
de ovários doentes e pode ser realizada como parte de uma histerectomia.
Cirurgia laparoscópica robotizada:
A cirurgia
laparoscópica assistida por robô (RAL) é o mais recente avanço e uma das
formas de operação laparoscópica. Na RAL, os instrumentos e telescópio são
muito similares aos laparoscópios convencionais, mas estão conectados a um robô, que por sua vez, será controlado por um cirurgião que estará sentado na frente
de uma console de visualização. Esse console está geralmente ao lado da
paciente, embora a possibilidade de realizar uma cirurgia a partir de outra
cidade ou continente já tenha sido claramente demonstrada.
Ainda que exista
debate sobre os méritos e vantagens de realizar uma cirurgia laparoscópica
usando técnicas convencionais ou assistida por robô, não existem dúvidas de
que alguns cirurgiões são capazes de realizar procedimentos mais extensivos e
complicados com um robô. Isso permite que eles possam oferecer a seus
pacientes uma abordagem menos invasiva nessa cirurgia, resultando em uma
recuperação mais rápida e talvez outras vantagens.
Além do mais, um
número crescente de cirurgiões estão realizando histerectomias com auxílio de robô. É provável que cada vez mais cirurgias, que no passado necessitaram de
laparotomia, sejam substituídas por laparoscopia robotizada. Deve no entanto
ser referido que a cirurgia robotizada é mais cara, e geralmente, mais demorada do
que a convencional, e nem todos os hospitais possuem esse equipamento. Também é
possível que a evolução nos cuidados de saúde venham a afetar a disponibilidade
das cirurgias robotizadas e outros procedimentos de alta tecnologia.
Riscos
associados à laparoscopia:
Existem riscos
associados à laparoscopia. Infecção pós-operatória da bexiga e irritação da
pele são as mais comuns. O surgimento de aderências também. Hematomas
na parede abdominal podem surgir junto das incisões. Infecções pélvicas ou abdominais
podem surgir. No entanto, complicações sérias resultantes do diagnóstico ou da
cirurgia laparoscópica são raras. O maior risco está
associado a dano do intestino, bexiga, ureteres, útero, vasos sanguíneos
principais e outros órgãos, que poderão requerer cirurgias adicionais. Esses danos podem
ocorrer durante a inserção de vários instrumentos através da parede abdominal
ou durante o tratamento cirúrgico. Certos casos podem aumentar o risco de
complicações sérias. Essas incluem no histórico cirurgias abdominais,
endometriose severa, infecções pélvicas, obesidade ou magreza extrema.
Reações alérgicas,
dano nos nervos e complicações resultantes da anestesia raramente ocorrem.
Retenção urinária pós-operatória não é comum e trombose venosa (coágulo de
sangue) é raro. O risco de morte como consequência da laparoscopia é muito
pequeno (cerca de 3 em cada 100 mil casos). Quando são levadas em conta todas
as complicações possíveis, uma ou duas mulheres a cada 100 poderão desenvolver
uma complicação, geralmente de consequências menores.
Cuidados pós-operatórios:
Após a laparoscopia,
o umbigo estará sensível e o abdômen inchado. O gás usado para distender a
parede abdominal poderá causar desconforto nos ombros, peito e abdômen, e a
anestesia poderá causar náusea e tontura. A quantidade de desconforto depende
do tipo e extensão do procedimento realizado. O regresso às atividades normais
poderá ser feito após alguns dias. Dor significativa no abdômen, náuseas que se
agravam e vômito, uma temperatura de 38ºC ou mais, drenagem de pus das incisões
ou sangramento excessivo das incisões são sinais de potenciais complicações
sérias que requerem atenção médica imediata.
Considerando cirurgia laparoscópica versus laparotomia para cirurgia pélvica:
Muitas cirurgias
ginecológicas são feitas via laparotomia com corte no abdômen. As pacientes geralmente permanecem
no hospital durante alguns dias após a cirurgia e podem regressar ao trabalho
no espaço de 6 semanas, dependendo do nível de atividade física exigida. Muitos
procedimentos ginecológicos podem também ser realizados por laparoscopia. Após
cirurgia por laparoscopia, as pacientes são geralmente capazes de regressar a
casa no próprio dia da cirurgia e recuperar mais rápido, regressando às
atividades normais entre 3 a 7 dias.
Alguns tipos de
cirurgias podem ser perigosas para realizar laparoscopicamente, enquanto
noutras, não é claro se a laparoscopia garante melhores resultados do que a
laparotomia. A experiência do cirurgião tem um papel muito importante na
decisão no tipo de intervenção a realizar. Ao considerar uma
cirurgia ginecológica, a paciente e o seu médico devem falar dos prós e contras
sobre a escolha entre laparoscopia e laparotomia.
Histeroscopia diagnóstica:
A histeroscopia é um
procedimento útil para avaliar a mulher com infertilidade, abortos sucessivos
ou sangramento uterino anormal. O diagnóstico por histeroscopia é usado para
examinar a cavidade uterina (Figura 3), e é útil para diagnosticar situações
uterinas anômalas, tais como, miomas penetrando a cavidade uterina, cicatrizes,
polipos e malformações congênitas.
Um
histerossalpingografia (um raio-x do útero e das trompas de Falópio),
histerossonografia (ultrassom com introdução de solução salina na cavidade
uterina) ou uma biopsia endometrial podem ser realizados para avaliar o útero
antes da histeroscopia.
Diagnóstico por histeroscopia
O primeiro passo do
diagnóstico por histeroscopia geralmente envolve uma ligeira dilatação do canal
do colo do útero com uma série de dilatadores para temporariamente aumentar a
abertura. Com a dilatação, o histeroscópio (um instrumento
longo e estreito semelhante a um telescópio) é inserido através da colo até o
útero. Não são necessárias incisões na pele para a histeroscopia. Um gás
carbônico ou fluído expande a cavidade uterina e permite ao médico visualizar
diretamente a estrutura interna do útero. O diagnóstico por histeroscopia é um
procedimento em ambulatório que é realizado na sala do médico ou sala
cirúrgica. É geralmente realizado logo após o término da menstruação por ser
nessa fase mais fácil avaliar a cavidade uterina.
Histeroscopia cirúrgica:
A histeroscopia
operativa pode tratar muitas anomalias encontradas durante a histeroscopia
diagnóstica. É semelhante ao diagnóstico por histeroscopia, exceto que outros
instrumentos estreitos são inseridos na cavidade uterina através de um canal no
histeroscópio cirúrgico. Miomas, tecido cicatricial e polipos podem assim ser
removidos do interior do útero. Algumas anomalias estruturais, tais como o
septo uterino, podem ser corrigidas através do histeroscópio.
O seu médico poderá
indicar medicamentos para preparação do útero para cirurgia. Após a
cirurgia, o médico poderá inserir um cateter de balão ou outro dispositivo no
útero. Antibióticos e/ou estrogêneo poderão ser prescritos após alguns
tipos de cirurgia uterina para prevenir infecção e estimular a cura do
endométrio. A ablação endometrial, um procedimento em que o revestimento do
útero é destruído, pode ser utilizado em alguns casos para tratar sangramento
excessivo do útero. A ablação do revestimento interno do útero não deve ser
realizada em mulheres que desejem engravidar.
Riscos da Histeroscopia:
Podem surgir
complicações em 2 a cada 100 procedimentos. Perfuração do útero (um buraco de
pequenas dimensões) é a mais comum. Embora essas perfurações geralmente se fechem
de forma espontânea, podem causar sangramento ou causar dano em órgãos
próximos, o que pode necessitar de uma cirurgia extra. Aderências na cavidade
uterina ou infecções podem se desenvolver após a histeroscopia. Complicações
sérias relacionadas com os fluidos usados para distender o útero podem incluir
fluido nos pulmões, problemas causados por coágulos de sangue, excesso de
fluído, desiquilíbrio do eletrolito e reações alérgicas severas. Complicações
graves que inclusive possam colocar em risco a vida da paciente são muito pouco
comuns. Algumas das complicações descritas podem impedir a finalização da
cirurgia.
Cuidados pós-operatórios:
Após a
histeroscopia, poderá ocorrer alguma descarga vaginal, sangramento ou cólica
durante vários dias. A maioria das atividades físicas poderá ser retomada em um ou dois dias. A paciente deverá perguntar ao seu médico quando poderá retomar a
atividade sexual. Se um cateter de balão for deixado na cavidade, geralmente
será removido vários dias depois. Poderá ser prescrito estrogêneo por semanas
após a cirurgia.
Conclusão:
A laparoscopia e a
histeroscopia permitem aos médicos realizarem diagnóstico e corrigirem muitos
problemas ginecológicos em ambulatório. As pacientes recuperam -se rápido, muito
menos do que com outras técnicas de cirurgia abdominal que usam incisões
maiores. Antes de optar pela laparoscopia ou histeroscopia, as pacientes devem
falar com seus médicos sobre quaisquer dúvidas relacionadas com os
procedimentos e os riscos associados. Fonte ASRM
Nota do tradutor:
Seguem alguns vídeos
sobre procedimentos relacionados com a endometriose. Atenção, as imagens
poderão ser chocantes para algumas pessoas. O que pode assistir em seguida
tem o propósito de desmistificar o que são na realidade as intervenções a que
muitas mulheres são sujeitas para tratamento das suas doenças. Não afirmamos em
momento algum que estão corretamente efetuados nem que não existem erros, isso
está muito para lá das nossas competências.
Não apenas desejamos
mostrar um pouco sobre o que são as intervenções cirúrgicas, pois esse assunto
tem sido obscuro e motivo de receio, mas também mostrar as condições difíceis
em que os médicos precisam diagnosticar e tratar os problemas existentes no
corpo das pacientes. Mesmo os melhores continuam sendo apenas humanos.
Por chocantes que as
imagens possam parecer, afinal trata-se de uma das regiões mais sensíveis do
corpo feminino, mas também carregada de simbolismo e significado, achamos que é
melhor saber do que ignorar. Cremos que essas imagens mostram que o trabalho
dos médicos é merecedor de respeito, e se não forem eles a tratar, só resta
Deus. Precisamos confiar em ambos.
Vídeos:
Mioma uterino, histerectomia laparoscópica, tratamento. Video HD:
Os
vídeos seguintes mostram imagens de cirurgias realizadas pelo Dr. Camran Nezhat
e sua equipe. O Dr. Nezhat foi quem desenvolveu as técnicas de laparoscopia na
década de 1970. A videolaparoscopia é uma inovação dele, que veio mais tarde a
ser usada em várias outras doenças, introduzindo a cirurgia minimamente
invasiva. É graças a essas inovações que hoje os pacientes recuperam mais
rápido, com menos traumas resultantes das cirurgias e cicatrizes quase
imperceptíveis. A Marcha Mundial contra a Endometriose que vem sendo referida no blog é iniciativa
dele. Pela primeira vez, alguém procura criar as condições para que as
portadoras de endometriose do mundo inteiro se unam e se mostrem, trazendo à
consciência do grande público a verdadeira dimensão e sofrimento que essa
doença causa. Até o momento, 3 países estão inscritos a participar desta maior manifestação em massa em prol de portadores de uma doença.Inscreva-se você também e participe!
Excisão
laparoscópica de endometriose com PlasmaJet:
Laparoscopia
assistida por Robô com excisão de endometrioma:
Histerectomia
Laparoscópica em paciente com mioma cervical:
Dezembro chegou, o último mês do ano de 2014! E é nele que irei realizar um de meus sonhos! É até com arrepios que o A Endometriose e Eu estreia sua nova coluna, a Endo Social. Quando comecei o blog em 2010, o único objetivo era desabafar o impossível de se explicar aos outros, e o que era incompreensível a todos. Por muito tempo, ele foi minha válvula de escape quando pensava alguma besteira, e em muitos momentos, minha terapia. Depois passamos a ter uma relação de mãe e filho, já que exercitava a grande paixão de minha vida: a escrita. Desde criança adorava criar histórias, mas nunca imaginei que um dia iria desbravar a minha própria e em meio a tanto sofrimento. E que algo que começou solitário se tornaria o que é hoje, e que um dia teria colaboradores voluntários (e tantos assim num mesmo ano!). E que um dia eu chamava no "pronome possessivo em primeira pessoa do singular" se tornaria "da primeira pessoa do plural". E que o "nosso filhote" ficaria tão grande com tão poucos anos de vida! Levei um tempo para perceber que a doença “é realmente séria”. Como todas que descobrem ser portadoras de uma doença tão séria como essa, passei por todos os processos do chamado “luto”: negação, depressão, raiva, negociação e aceitação. Foi difícil e lá se foram alguns anos. Mas foi depois disso resolvi ir à luta e que fiquei cada vez mais forte.
Há quase quatro anos pedindo para ter a endometriose reconhecida como doença social no Brasil, a partir de agora, vamos justamente provar porque precisamos deste reconhecimento. E como vivemos num mundo de “provas e expiações”, diariamente a vida nos faz passar por provações, para ver quem merece estar onde está. E todas as provações diárias nos deixam mais fortes. Não estou aqui para aparecer, mas para fazer acontecer. Não sei se escolhi estar nesta batalha ou se fui escolhida. Eu só sei que cada dia chega mais e mais soldados no exército. E soldados incríveis. Porque é impossível lutar sozinho. A minha luta é com liberdade, já que vivemos numa democracia. Por isso é com muita felicidade e ainda arrepiada que estreamos a nova coluna do blog, a EndoSocial, do nosso querido endo marido e sociólogo Paulo Soares, o mesmo que escreveu o brilhante artigo em sobre “A Vida Sexualde um Endo Casal”, em “A Vida de um Endo Marido”. Bastou apenas um encontro para nossa ideia bater. Agora sim, não vamos apenas “pedir”, mas “provar” porque a endometriose precisa ser reconhecida como uma doença séria, porque precisamos de medidas públicas para combater o sofrimento das mulheres acometidas por esta terrível doença. Muitas portadoras vão querer atravessar a tela do computador para abraçar cada palavra de Paulo. Em alguma linha, ele coloca cada uma de nós. O primeiro artigo é muito importante e é preciso compartilhá-lo entre seus amigos, já que a maioria deles nos julgam de "antissocial" e nos excluem dos programas por achar que somos "moles ou frescas" ou por achar que estamos com a cara "brava, enfezada" Hoje, só tenho uma palavra para descrever o que sinto: feliz. Com os olhos marejados e ainda arrepiada não canso de dizer: “Obrigada Paulo, você está realizando um dos meus sonhos." E é também nisso que a marcha Mundial contra a Endometriose será muito importante. Continue votando no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013 (clique aqui e dê seu voto). O primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza em compartilhar a votação entre seus amigos.Obrigada a todos os voluntários que estão comigo nesta causa! Juntos iremos não só conseguir o reconhecimento, mas fazer o A Endometriose e Eu, o blog mais completo do mundo sobre endometriose. E ainda nesta semana, mais novidades! Aguardem e não percam! Beijo carinhoso! Caroline Salazar
A endometriose e a exclusão social da mulher:
Por Paulo Soares
Sou casado há quatro anos com minha amada esposa Neidiane, portadora de endometriose, e não temos filhos. Por ver diariamente seu sofrimento e sem muito o que fazer (a não lhe dar muito carinho e amor e apoiá-la), aceitei o desafio de Caroline em escrever a coluna para ajudar no reconhecimento da doença como social e de saúde pública no Brasil. No primeiro artigo falarei sobre como a endometriose pode causar a exclusão social de uma mulher e a exclusão de suas relações sociais. No entanto, o que significa exclusão social? Para Anthony Guiddens[1], “o fenômeno da exclusão social refere-se a maneiras em que os indivíduos podem ser separados do envolvimento pleno na sociedade mais ampla.”. Outro conceito complementar afirma que a exclusão social[2] “(...) é em sua essência multidimensional, incluindo não apenas a falta de acesso a bens e serviços, mas também a segurança, justiça e cidadania”. Imagine a seguinte situação: uma mulher com seus 25 anos, com suas condições plenas de trabalho, remunerada, casada, com uma rede social ampla. Porém, neste ano algumas dores pélvicas que ela já tinha, aumentaram ao ponto de faltar ao trabalho, adiar compromissos com as amigas e sentir dor na relação sexual com seu marido. Após uma consulta com ginecologista particular, pois pelo SUS, os médicos sempre diziam que era normal, foi diagnosticado endometriose. A partir daí, coincidência ou não, ela perde o emprego por causa do excesso de falta, indisposição no horário de trabalho e pelo chefe não acreditar que essa doença pode causar tanta dor. Parou de estudar, porque as dores não a deixam se concentrar nos estudos e assistir as aulas. E seus amigos não a chamam mais para sair, porque sempre está com dores. Diante de tudo isso, como uma mulher com endometriose pode viver no seu estado de bem-estar social pleno? O processo de exclusão social segue etapas, no qual pode-se incluir a endo mulher. Todo ser é social e por isso ele se compreende ou é compreendido quando pertence a um grupo, sendo que neste grupo existem valores, e é preciso defendê-los, levando a excluir aquele que não pertence ao grupo ou não defende os mesmos valores, desta forma se desqualifica o outro excluindo-o, e desta forma a consequência é uma ruptura, isto é, uma quebra de vínculos sociais.
Mediante esta exposição sobre o conceito podemos inferir que uma mulher com endometriose corre o risco de ser excluída da sociedade, porque dependendo do grupo social a qual pertence, a endo mulher pode passar pelo processo de exclusão social. Antes de falar da exclusão, precisamos chamar a atenção para a desigualdade social que a mulher passa pelo fato da questão de gênero, que chamamos de desigualdade de gênero, que seria a dominação persistente masculina sobre as mulheres – nos campos da economia, política, família e outros (que talvez exploraremos mais no próximo artigo). Por isso muitas delas são impedidas de trabalhar fora, por serem consideradas do âmbito privado, ou seja, somente da casa e aquelas que rompem essa barreira enfrentam outra, a do salário ser menor do que o do homem no mercado de trabalho.
Então, a partir do momento que a mulher, por causa da doença, não tem mais acesso ao trabalho fora, a mesma perde oportunidade de socialização e ascensão social, ou seja, crescimento econômico e social. Sem falar que o mercado de trabalho é muito insensível e ignorante com relação à doença. Enquanto pessoas portadoras de hipertensão, diabetes, doenças respiratórias e dentre outras são toleradas no ambiente de trabalho, porque existem medicamentos para reduzir e controlar os efeitos da doença, por outro lado, para as mulheres com endometriose não há tanta tolerância assim. Os chefes e os colegas de trabalho que não buscam informação ou se conscientizam sobre a doença, acham que é “frescura” e ela está fazendo “corpo mole”. Diante disso, podemos inferir que falta de conhecimento sobre endometriose causa exclusão do mercado de trabalho, isto é desemprego, em seguida diminuição da renda familiar e redução do consumo de serviços e mercadorias básicos e desejáveis.
Muitas vezes, ouço minha esposa, portadora de endometriose, dizer: “sou uma pessoa inútil, eu não sirvo para nada”. Essa é uma das maiores queixas das portadoras. Pois, além de sair do mercado de trabalho, a mesma não consegue realizar os afazeres básicos de casa, ou aquelas que têm filhos não conseguem cuidar deles, sempre necessita do auxílio de outrem para realizar funções tão básicas. Isso tudo gera na mulher não somente exclusão, mas também, baixa autoestima. Portanto ela mesma se exclui do meio social, pois não tem mais a quem recorrer, se isolando no seu mundo de dor.
As mulheres perdem totalmente sua qualidade de vida, e muitas, suas vidas (em vários sentidos). Muitas vivem trancadas em seus quartos, em suas casas. Nesta coluna, vamos mostrar que precisamos lutar para mudar esta realidade de milhões de brasileiras. E que é preciso mais e mais reflexão sobre a endometriose em vários âmbitos, não apenas no científico. Abraço!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Exclusão social e o mundo contemporâneo, texto disponibilizado na plataforma moodle para o curso de pós-graduação em Gestão do 3º Setor da Faculdade Teológica Batista.
Guiddens, A. (2012). Sociologia (6 ed.). (R. C. Costa, Trad.) Porto Alegre: Penso.
[1]Guiddens, Anthony. Sociologia. Porto Alegre, Penso: 2012, p. 357