segunda-feira, 22 de novembro de 2010

RETORNO AO DR° HÉLIO SATO, NO NIPO!!

Sumi do blog, mas foi por uma boa causa. Tenho trabalhado muito... Graças a Deus! No dia 04 foi o meu retorno no dr. Hélio Sato, no Nipo-Brasileiro. Este foi, de fato, o meu primeiro retorno após a cirurgia. O tratamento consistiu em tomar 3 cartelas do anticoncepcional Level, ou seja, 63 comprimidos, dar uma pausa de sete dias, e com isso, a minha primeira menstruação desde fevereiro de 2009. Confesso que fiquei um pouco apreensiva quando pensei na possibilidade de todas aquelas dores voltarem. Nem sabia mais o que era absorvente. Conviver todos esses dias com isso em mente... Nem pensar! Alguns dias depois nem lembrava mais sobre o assunto. Fim de outubro, semana que deveria ter vindo a menstruação e nada! Fiquei muito ansiosa e apreensiva. Quando contei ao dr. Hélio, a primeira possibilidade que ele pensou foi numa gravidez. Aí eu disse: “Imagina, só se for do Espírito Santo”, disse, rindo. Aí falei que não ando muito bem da dispareunia e que não tenho libido, nada, nada. Ele ficou um pouco preocupado. Falou também que, antes de fazer com que minhas dores melhorassem – hoje, bem menos, mas cada vez mais forte -, ele está mais empenhado em resgatar o meu prazer. Pediu um monte de exames para ver como estão os meus hormônios. Vou fazer e voltar lá. Como a menstruação não veio, continuei tomando o Level. A segunda semana do mês foi pauleira. Além da assessoria, comecei a frilar para uma revista. As pautas, geralmente, são a noite. Estou feliz a vida! Nem importo de dormir pouco. A sexta-feira, dia 12, foi um dia estressante. A noite, eu já sentia um cansaço enorme. Sábado foi meio esquisito. Eu estava estranha. No domingo, a dor veio que veio e, claro, a menstruação também. Fiquei de cama, tomei alguns remédios. Eu precisava melhorar. Na segunda, o meu dia começava bem cedo, às 5 da manhã, pois às 6h30, tinha de estar na Represa Billings. O trabalho só parou no meio da tarde. Nossa, a essa altura, o meu corpo estava todo dolorido. Meus pés e minha barriga doíam muito. Mas, como dizem por aí....menos mal! Agora, vou fazer os exames e voltar ao dr° Hélio. Prometo não sumir! Beijos com carinho!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

UM ANO DE FISIO NA UNIFESP!!

Na última quarta-feira, 27, completei um ano de fisioterapia na Unifesp. Nossa, parece que foi ontem. E, pensando bem, sei que melhorei bem. Mas agora parou. A tensão do dia a dia também ajuda a piorar um pouco, e chego bem ruim na fisio. Fazer o quê?! Como a Aline não estava muito bem, foi a Lívia quem realizou meu atendimento (tudo sob a supervisão de Aline, claro!). Para aliviar a tensão dos meus músculos, ela pressionou um músculo que temos no bumbum (esqueci o nome, mas vou verificar e digo aqui). Dói tanto, mais tanto, a dor é muito intensa. Ela já tinha feito isso uma vez e funcionou! Depois, a Livia começou a massagem e, para nossa surpresa, tinha muita tensão. Na parede do lado esquerdo, tinha uma ‘montanha’ de tensão. A Lívia, que nunca avia feito a fisio em mim, levou susto quando o seu dedo pulou de um lado para outro. Preciso de mais sessões semanais. Nesta semana não vou à fisio. Ai meu Deus, nem quero ver como vou voltar na próxima semana. Bom, o motivo pela minha falta na fisio é de grande importância. É por conta do meu retorno com o dr. Hélio Sato, na quinta-feira (infelizmente, ele não atende às quartas-feiras, teoricamente, o meu dia de folga!) e, por isso, troquei a minha folga para quinta-feira. Nada mais justo a troca. Ainda mais depois de um baita feriadão. Em menos de um mês foram dois feriados prolongados! E, antes, eu nem sabia o bom que era folgar em todos os feriados. Estou tentando relaxar. Ah, na quinta-feira, além do dr. Hélio tenho consulta com a endocrino e acupuntura a noite. Depois eu conto tudo! Indiquei o médico que me trata para a Ana Carolina levar a Giulia, sua irmãzinha de 18 anos, que sofre muito com a doença. Indiquei também para Simone, que, apesar de não ter deixado recado aqui, enviou e-mail pedindo ajuda por um bom médico. Beijos com carinho!!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

FISIOTERAPIA NA UNIFESP!!!

Ontem, quarta-feira, foi mais um dia de fisioterapia. No fim do mês completo um ano na Unifesp. Meu Deus, como passou rápido o tempo, não! Parece que foi ontem, que a fisioterapeuta Thais fez a primeira avaliação do meu assoalho pélvico constatando minha dispareunia. Na semana passada, encontrei com o dr. Hélio Sato, no ambulatório. Quando me viu, ele logo perguntou como eu estava. Aí respondi que beeeem melhor, mas ainda continuo com dor e quase todos os dias. Ele disse quando seria o meu retorno e eu disse que dia 4 de novembro. Daqui a duas semanas. Ah, e já falei também que, provavelmente, teremos que trocar o anticoncepcional. Hoje, na fisio, Aline fez massagens em vários músculos do corpo. Coitada, ela tenta de tudo para relaxar os meus músculos. Na próxima semana, farei o teste dos pontos para saber se eu tenho mesmo a suspeita da tal fibromialgia. Hoje tenho minha segunda sessão de acupuntura. Encontrei a Eleonora na Unifesp e confirmei a minha presença. É muito bom fazer acupuntura! Ainda continuo com dor, aquela dor bem chata que não melhora nunca! A Ana Carolina deixou um recado no último post, pedindo ajuda para a sua irmã de 18 anos. De onde vocês são? Ela está em tratamento? Em qual órgão está a endometriose dela? Ela precisa de tratamento. A dor é muito forte, mas caminhar bem devagar é um bom exercício. Os médicos dizem que exercícios físicos são ótimos para as nossas dores. Não podemos nos entregar e deixar a dor controlar a nossa vida. Eu sei que é muito difícil, ainda mais nos picos mais fortes, mas sua irmã precisa de tratamento adequado. Conte-me tudo como está o tratamento dela, pois tenho o maior prazer em ajudá-la. Mas, o principal, a sua irmã tem Carol: o amor, o carinho e a compreensão, tanto sua quanto de sua mãe. O apoio da família é fundamental. Graças a Deus, hoje, depois da cirurgia, quando o dr. Hélio comprovou todas as minhas dores, acho que minha mãe passou a acreditar mais em mim e nas minhas dores. Era tudo o que eu precisava e tudo o que faltava. Carol manda e-mail para carolinesalazar7@gmail.com e fala como está o tratamento da sua irmã, que vejo para ela ir a Unifesp. Mas tenha FÉ, minha querida, sua amada irmã vai ficar bem. Fala isso para ela! Ah, seria muito bom se ela fosse ao show do Green Day. Tenta levá-la. Vai ser muito bom ela distrair um pouco. Beijos carinhosos!!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

SESSÃO DE ACUPUNTURA, SUSPEITA DE FIBROMIALGIA E FERIADO PROLONGADO!!

Aproveitei o feriadão para descansar um pouco. Agora não trabalho mais nos fins de semana e, muito menos aos feriados. Na quinta-feira, dia 7, comecei a acupuntura gratuita na ABA – Associação Brasileira de Acupuntura, na Vila Mariana, na rua abaixo do colégio onde cursei o segundo grau, quando mudei para São Paulo, em 1994. Passei lá em frente e lembrei alguns momentos daquela época. A Dra. Eleonora Brandão, professora da ABA e que faz mestrado na UNIFESP,foi quem me convidou para começar o tratamento com as agulhas. E, foi em uma das minhas sessões de fisio que a conheci, antes mesmo da minha cirurgia. O mestrado da Eleonora é justamente na dispareunia. E, claro, que colocou algumas agulhas para isso também. Há semanas que o meu ombro dói muito e, por isso, nem a tempestade que caiu na cidade, impediu-me de enfrentar o trânsito e o caos de Sampa. Quase duas horas de trânsito e, ufa, cheguei! Após a recepção de Eleonora, ela me encaminhou ao Renato, o aluno que me atendeu. Lá, os atendimentos gratuitos, como o meu, são feitos por alunos que estão prestes a se formar. Por mais de uma hora, Renato me entrevistou. Só depois, após escolher de acordo com a entrevista e, com a Eleonora,todos os pontos aonde seriam aplicadas as agulhas foi que ele finalmente as colocou em meu corpo. Pasmem 40 agulhas! Até eu me assustei, mas elas me relaxaram e muito. Ainda mais depois da notícia que recebi, um dia antes, na quarta-feira. Fui ao ortopedista para ver aquela tal artrose que apareceu no meu RX do tórax. Após me examinar mais ou menos, o médico disse que eu tenho suspeita de fibromialgia. Aliás, eu mesma dei o diagnóstico. Antes de saber da endometriose, eu suspeitava que tivesse fibromialgia. Quando o médico disse-me isso, caí aos prantos. Ele e minha mãe, que também tinha uma consulta e, por isso entrou comigo, ficaram me olhando com uma cara. Sei que o pior já passou, mas pouco se sabe sobre a fibromialgia. Na hora pensei... sou portadora de duas doenças enigmáticas!? Quando saí de lá liguei correndo para a Ana Paula Bispo, fisioterapeuta da UNIFESP, pedindo ajuda para indicar um reumatologista da UNIFESP. Para o tratamento de fibromialgia, o reumatologista é o médico-mestre, mas por conta das fores dores musculares, cerca de cinco ou mais especialidades tratam a doença. Por um tempo fiquei triste, mas sei que o pior já passei. Esse ortopedista passou um remédio forte, tarja preta, que também trata a epilepsia, para eu tomar duas vezes ao dia. E, como na quinta-feira fiz a acupuntura, as dores sumiram, mas com o estresse do dia a dia, elas já voltaram. Já estou ansiosa para a minha segunda sessão de acupuntura. Eu conto tudo!! Mas amanhã tenho mais uma sessão de fisio. Beijo carinho a todas!!

domingo, 3 de outubro de 2010

SERÁ UMA LUZ PARA A CURA DA ENDOMETRIOSE??

A esperança é a última que morre!! Toda vez que lembro que a endometriose ainda não tem cura, é essa frase que vem sempre em meu pensamento. Fuçando na net, achei superinteressante esta matéria que saiu na Bandnews, em dezembro de 2009. E tem tudo a ver com o meu tal pensamento! Acredito que a evolução da medicina descobrirá a cura da endometriose. E não é que estou certa! A equipe médica da UNIFESP está no caminho para esta descoberta! Fico tão feliz e ainda mais orgulhosa desta maravilhosa equipe. E, ainda digo, sou abençoada por ela ter cruzado o meu caminho. Fico ainda mais orgulhosa em saber que me trato lá. Sinto-me como parte da equipe também.. hahaha... No vídeo, Dr. Eduardo Schor, coordenador do Ambulatório de Ginecologia e Algia Pélvica da UNIFESP, é o entrevistado e fala sobre a novidade. Eu tenho FÉ que sim, em breve, a endometriose terá cura. Segue texto e vídeo da Bandnews.

Unifesp encontrou a possível cura para endometriose! Uma descoberta de cientistas brasileiros pode ajudar no tratamento da endometriose, que atinge seis milhões de brasileiras em idade reprodutiva. A doença é uma das principais causas da infertilidade feminina. A reportagem é de Izabela Camargo. Segue o link. http://bandnewstv.band.com.br/conteudo.asp?ID=234745

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A DISPAREUNIA 3!!

Nossa, faz tanto tempo que quero escrever este post. Duas semanas após a minha cirurgia, realizada no dia 26 de julho, fui liberada pelo Dr. Hélio Sato para voltar à fisioterapia. Agora, quem me atende é a Aline, que, aliás, já está seguindo o blog. As sessões não têm mistério. Já acostumei. É a tal da massagem perineal. Aline é delicada e atenciosa. Parabenizo, mais uma vez, a equipe de fisioterapia da UNIFESP de endometriose. É maravilhosa!! No fim de outubro, faz um ano que estou lá. Até brinquei com as meninas: “Acho que mereço um bolo para comemorar o meu primeiro aniversário aqui”. Já passei por várias profissionais. Elas são sempre muito atenciosas e gentis. Confesso que, no começo, quando soube que trocaria as fisioterapeutas fiquei um pouco preocupada e, pensei que ficaria também com um pouco de vergonha, sei lá, algo do tipo. Mas, elas nos fazem tão bem, não importa quem trata. O importante é que todas aquelas mãos abençoadas que fazem delicadamente a massagem perineal agem com o coração e, principalmente, com amor. A minha primeira sessão após a cirurgia foi ótima. Nossa, foi impressionante ver como a cirurgia foi benéfica para a melhora da minha dispareunia. Eu não acreditei, até parecia um sonho. O lado esquerdo, que era completamente dolorido, teve uma ótima evolução. Fiquei tão feliz!! Mas, infelizmente, depois de algumas semanas sinto que a melhora estagnou. Não está evoluindo mais. E, quase todos os dias, eu tenho dor. Não é aqueeeelaaaa dor que eu sentia antes, agora eu tiro de letra, mas é aquela dor latente chata, que faz questão de nos lembrar: “olha eu estou aqui viu”rsrss. Tenho FÉ que em breve estarei melhor. Por conta de alguns problemas da vida, até o lado direito agora deu para piorar. O meu namorado ainda não voltou a fazer a massagem. Aliás, vou ver se ele começa neste fim de semana. Quem sabe aí melhora um pouco mais. Já tentei ter relação sexual, mas, como a minha dispareunia está agora no intróito (entrada da vagina) ainda dói. Dói muuiiito na entrada e também um pouco no fundo. Ah, e a minha libido ainda não melhorou. Ainda não tenho vontade de transar. É muito esquisito, mas ainda bem que tenho um grande homem ao meu lado. Que realmente me ama e entende. Obrigada amor, sempre!! Ainda continuo na fisio semanalmente. É um compromisso muito sério. E, infelizmente, só quem tem endometriose sabe o que é ter esta terrível doença. Não é fácil. Aproveito o post para agradecer o meu amigo Lu, que ao abrir a sua assessoria de imprensa, já sabendo do meu caso e do meu tratamento, deu-me a oportunidade de trabalhar novamente. Fiquei quase um ano sem trabalhar. Foi uma barra! Muito difícil. A endometriose mostrou que tenho múltiplas capacidades e, por conta dela, mudei de área. Não sou mais repórter. Ser repórter era o que seu sempre quis, mas Deus não quis. Na verdade, o meu sonho era ser repórter de TV, mas infelizmente, por não ter QI´s (o tal quem indica), eu não consegui. Agora estou em assessoria de imprensa, outra área do jornalismo, onde terei beeeem menos estresse. Até porque, ele é bem educado e respeita muito o próximo. É superinteligente e estou aprendendo muito. E adorando!!! Confesso que jamais passou pela minha cabeça ser assessora de imprensa. Mas estou amando esta nova vida, sem editor estressado, xingando vc, pedindo mil notas e tendo chiliques. Ah, e o melhor é não ter que varar a madrugada na redação fechando matérias. Não tenho hora para entrar. Tenho que fazer o trabalho e, olha, estou me saindo muito bem. Descobri que competência eu tenho e, de sobra! Preciso dormir para acordar cedo. Agora eu trabalho!! Ah, quero agradecer à Aline, a fisioterapeuta que me trata, por já fazer parte do blog. Ajude-me a divulgá-lo. Beijos com carinho!

sábado, 18 de setembro de 2010

MINHA ENTREVISTA NO SBT BRASIL AINDA NÃO FOI AO AR!!

Queridas leitoras!!
A minha entrevista no SBT Brasil ainda não foi ao ar. Como a matéria é fria, ou seja, não tem validade, a produtora disse que ainda não sabe quando vai ser exibida. Só espero que dê tempo de nos avisar, para assistirmos. A próxima história que vou contar aqui é a Elizabeth, a Beth. Ando bem, trabalhando muito, graças a Deus e, mas com uma dorzinha sempre do lado esquerdo. Nada como antes, muito mais fraca, mas é aquela dor latente chata, que fica sempre nos lembrando que a endometriose está lá. É seguir firme, sempre com o pensamento positivo de que em breve existirá a cura para a endometriose. E, por falar em cura, achei um vídeo na internet com uma entrevista do Dr. Schor, coordenador do ambulatório de ginecologia e endometriose da UNIFESP. Sua equipe está em busca da cura para a doença. O Dr. Hélio Sato, que me operou e também da UNIFESP, faz parte dessa fabulosa equipe. É isso! Sou muito grata a UNIFESP por tudo. Infelizmente, nem todo mundo sabe da gravidade da doença. É uma pena, mas no futuro essas pessoas saberão, o quanto é difícil viver com endometriose. Vou postar o vídeo com a entrevista do Dr. Schor. Obrigada a todos pelas visitas e comentários no blog. Vamos nos unir, para que as próximas gerações de mulheres com endometriose, não passam pelo mesmo sofrimento do que nós. Afinal, hoje, 6 milhões de brasileiras sofrem com este mal. Beijo com carinho!

domingo, 5 de setembro de 2010

A HISTÓRIA DA LEITORA SIRLENE MORAES E SUA ENDOMETRIOSE!!!

Olá!! Desculpa o sumiço do blog, mas comecei a trabalhar e, como escrevo o tempo todo no computador, chego tarde e nem quero olhar para ele! Como prometido, coloco hoje a história da professora Sirlene Moraes, de Guarulhos, da Grande São Paulo, com a endometriose. Sirlene é mais uma mulher guerreira que enfrentou de cabeça erguida a endometriose e, todas as consequências que a doença nos traz. Após 20 anos doente, infelizmente, a endometriose venceu, pois em junho de 2010, ela teve que retirar todos os seus órgãos reprodutores. Mas, graças a Deus, Sirlene tem um marido maravilhoso. E, como dizia Chico Xavir: “Só o AMOR salva”. Por ser portadora da doença, imagino tudo o que ela passou. Abdicou de sua vida profissional e passou a viver em função da doença. Fiquei muito triste quando li sua história. Emocionei-me mesmo. O mesmo aconteceu com o meu namorado, quando ele leu. Aliás, se ainda é difícil ser portadora de endometriose em pleno século 21, imagina há 20 anos. Digo difícil, aliás muito difícil, não pela medicina, mas sim por conta da ignorância do ser humano. Mas para que outras mulheres não passem pelo que Sirlene passou, ela topou relatar tudo o que aconteceu em sua vida e enfrentou durante todos esses anos. Quando tive a ideia de abrir o blog a outras mulheres, foi justamente para que os leigos, principalmente para aqueles que acham que endometriose não é nada, possam conhecer um pouco mais sobre esta terrível doença. Frequentando o ambulatório da UNIFESP ouvi histórias de muito sofrimento e preconceito. E eu, sabendo da gravidade da doença, já que a estimativa é de que seis milhões de brasileiras, ou seja, 15 % da população feminina têm endometriose, não posso ficar de braços cruzados. Se você é portadora de endometriose e, quer dividir sua história com outras mulheres, envie um e-mail para carolinesalazar7@gmail.com Já recebi mais duas histórias. Logo mais anuncio qual será a próxima. Ah, ainda este mês a Sirlene tem uma consulta agendada com o Dr. Hélio Sato, o especialista que me trata. Fico muito feliz! O objetivo do blog é realmente ajudar mulheres a procurar ajuda especializada. Beijos com carinho!!

“Os meus períodos menstruais sempre foram muito difíceis. Tinha cólicas muito fortes e o meu ciclo menstrual era completamente desregulado. Até então, remédios comuns, como Buscopan, Ponstan, Feldene, Profenid resolvia bem a minha vida e eu podia trabalhar normalmente. Levava sempre comigo o ‘kit farmácia’ e tomava alguns de 6/6 horas, outros de 8/8 ou de 12/12. Em setembro de 1988, três meses antes de me casar, comecei a tomar o anticoncepcional Diane. Com ele, passei a menstruar direito e também a controlar melhor o período de sangramento e cólicas. Puxa, foi uma ótima fase da minha vida! Desde então até 1990 foi uma maravilha! O problema começou quando precisei dar as paradas normais no anticoncepcional e o fabricante parou de produzir o Diane comum - e passou a fabricar somente o Diane 35, que já era um anticoncepcional de última geração, mas que se revelou uma bomba no meu organismo. Por conta de um sério tratamento de saúde do meu marido, eu não podia engravidar. Então, tentei outras opções de remédios, em vão. O meu marido ficou internado no Hospital das Clínicas por 3 meses para diagnosticar e tratar a doença. Foi aí, em 1990, que a endometriose começou a se manifestar. Nessa época, a grande vantagem da medicação que tomei para a endometriose foi engordar um pouco e chegar aos 50 quilos. Só assim pude doar sangue no Hemocentro do HC em nome do meu marido. Depois de algum tempo de tratamento clínico, voltei a ter dores, e, depois de alguns exames, principalmente a ultrassom transvaginal, em 93, passei pela primeira videolaparoscopia, no Hospital Santa Joana. A cirurgia foi um sucesso e algumas semanas depois já estava com a minha vida normalizada. Continuei o tratamento, com as medicações, e depois de algum tempo, tudo parecia sob controle. Só as habituais cólicas menstruais... que continuavam. Em 98 e 99 comecei a ter dores mais ‘importantes’, ou seja, mais fortes, e voltei ao tratamento específico. Procurei o serviço de Endometriose do H.C. e iniciei o tratamento. Para esclarecer sobre a doença, já lia tudo o que eu encontrava pela frente sobre doença e também pesquisava bastante. Mais tratamentos... E, em 2002, precisei fazer a segunda videolaparoscopia para a retirada de endometriomas - cisto anormal no ovário, que tem líquido interno escuro, comum em portadoras de endometriose. Como tenho convênio, preferi operar com a mesma médica, em um hospital particular. Ela operava no Hospital Samaritano, e lá limparam o que havia de errado no útero, ovários e trompas. Mais uma vez, o pós-cirúrgico foi tranquilo, mas o único incômodo foi o fato de tomar o Zoladex. Com ele, eu ficava meio zureta com tudo aquilo que só quem toma o medicamento sabe como é. Com isso, desenvolvi uma depressão significativa e pânico e, além do tratamento da endometriose, precisei fazer paralelamente, tratamento psiquiátrico e psicológico. Fiquei sem trabalhar, com medo de tudo, sem memória, trêmula, sem vontade de sair e sem dormir direito. Um arremedo da mulher que sempre fora. Depois de muitos anos de tratamento, aos poucos fui melhorando e retomando a minha vida. Mas as dores não paravam. Em 2005, após alguns exames percebi que precisava retomar o tão temido tratamento, seja ele, clínico ou cirúrgico. Já não conseguia mesmo tomar hormônios sintéticos, mas mesmo assim, a médica foi tentando e eu aguentando. Barriga enorme de inchada, gases para todo o lado e dor, muita dor. Em setembro de 2007, fui para a minha terceira videolaparoscopia. Novamente fiz no Hospital Samaritano. A cirurgia foi preciso, porque no ultrassom aparecia um ‘nódulo’ acotovelando o meu intestino, atrás do útero no retossigmoide. De acordo com a doutora, era mais uma intervenção para retirar a endometriose e fazer a limpeza, principalmente, na região do intestino. Internei-me um dia antes para o preparo intestinal. Após a cirurgia, já que não conseguia mais tomar hormônios e, precisava ficar sem sangramento por, pelo menos um tempo, ela decidiu que seria muito bom eu colocar o dispositivo intrauterino Mirena (o DIU é colocado no útero da mulher para inibir a gravidez, e produz o hormônio feminino progesterona, que ameniza a dor causada pela endometriose), já que era indicado para tratar a doença. Era fevereiro de 2008 e, poucos dias após colocar o DIU, comecei a sentir muita dor e, o sangramento veio sem parar mais. Sangrava mais com o dispositivo intrauterino do que sem ele. Segundo o fabricante, estes sintomas seriam passageiros, que era apenas uma fase de adaptação e era para eu ter paciência. Paciência e perseverança eu tinha de sobra, mas nesta etapa eu já não tinha mais era a saúde mental, pois os hormônios que deveriam ser apenas localizados estavam me deixando maluca de novo. A barriga voltou a inchar feito uma bola, os gases não paravam de estourar lá dentro provocando mais dores, fazia xixi feito uma gestante, inclusive de madrugada, suava que parecia um estivador carregando quilos nas costas e, poderia estar quente ou frio, que suava muito. A médica dizia que não tinha nenhuma paciente com esses sintomas. Essa tortura durou até dezembro de 2008, quando eu disse que não aguentava mais e pedi para tirar o DIU. Na mesma semana melhorei e parei com os sintomas. Ninguém consegue explicar direito por que isso aconteceu. Mas sempre há milhões de hipóteses, como aquela de que, o meu útero não estava preparado para recebê-lo, uma vez que, eu não tinha engravidado - a única vez que engravidei, no início do casamento, em 1990, sofri um aborto espontâneo. Em 2009, voltei a tomar remédios como Cerazette, Gestinol, Tâmisa 30, etc., mas os resultados não foram bons. Os ultrassons e a ressonância mostravam que as lesões de endometriomas e adenomioses e também um mioma estavam lá. Em fevereiro de 2010, comecei o tratamento com uma equipe multidisciplinar da Nova Endometriose, no Iamspe no Hospital do Servidor Público Estadual. Além do ginecologista especializado na doença, eu precisava também de especialistas em urologia e cirurgia geral. Em abril, a equipe médica concluiu que eu deveria passar por mais uma cirurgia. O diagnóstico era de endometriose infiltrativa profunda e essa era a minha quarta cirurgia e, como as outras, seria por videolaparoscopia. Internei um dia antes da cirurgia, no dia 14 de junho, às 6 da manhã para, mais uma vez, fazer o preparo intestinal necessário. No momento da cirurgia, os médicos viram que, de fato, precisavam retirar um pequeno nódulo no intestino. Por isso, a cirurgia foi maior e ao invés da videolaparoscopia, fizeram a laparotomia - com o corte igual a de um parto de cesárea - para ressecção do intestino. E foi retirado útero, ovário esquerdo, trompas, além dos focos e aderências. Laudo médico da cirurgia: histerectomia + salpingooforectomia à esquerda e direita + retossigmoidectomia. Fiquei no hospital por nove dias e recebi alta médica para continuar o período de convalescência em casa. Que dias difíceis! Voltei recentemente ao trabalho, e retomo aos poucos, a minha rotina. Os médicos dizem que em três meses devo estar bem melhor, e até o fim do ano, completamente recuperada. Então, além dos exames e consultas para acompanhamento, só me resta esperar pacientemente”.

domingo, 29 de agosto de 2010

ALGUÉM VIU A MATÉRIA NA TEVÊ??

Sumi do blog, porque graças a Deus estou correndo muito com os trabalhos. Além de conseguir um trabalho fixo, conciliando com o meu tratamento, ajudo uma amiga na divulgação de um cliente seu, em uma feira de beleza. Voltar a trabalhar era tudo o que faltava para completar a minha alegria. Mas este assunto merece um post especial. Vim aqui para outro assunto. Alguém viu se passou a matéria sobre endometriose entrevista na tevê? Ainda não sei se passou. Nos dias que eu vi, na segunda, terça e quarta não passou. Nos outros, eu não vi. Na quarta-feira enviei um e-mail para a produtora que me ligou, mas ela ainda não respondeu falando o dia. Sei que a pauta é fria, e que não tem um dia certo. Mas quero muito ver. Vamos torcer para ainda não ter passado, e que a Mariana, produtora do programa, responda o e-mail. Por conta da correria, terminei hoje a correção do texto da Sirlene. Já enviei a ela por e-mail, para que aprove. Já, já vocês vão conhecer a história de mais uma guerreira. Mulheres portadoras de endometriose são todas guerreiras. E, quando lerem tudo o que ela passou, vão ver o que estou falando. Beijos carinhosos!

domingo, 22 de agosto de 2010

A ENDOMETRIOSE E EU NO SBT BRASIL!

É com muita alegria que escrevo este post! A minha semana encerrou com chave de ouro! Na sexta à noite, Mariana, produtora do SBT Brasil, ligou para saber se eu toparia gravar uma entrevista contando a minha história com a endometriose. Marcamos para o dia seguinte! No sábado, encontrei-me com a equipe do jornal às 16h30. Como estava fazendo um frila em um evento no Shopping Iguatemi, marquei na porta principal. Na hora combinada a repórter ligou e pegou-me na porta. Supersimpática, Samara logo quis saber minha história com a endometriose. Seguimos para uma das muitas praças que existem por lá, e gravamos a matéria. Foi maravilhoso! Adorei! Como sou louca por TV, amei ter dado minha primeira entrevista para o SBT. Como é matéria para o jornal, sei que não deu para falar tudo, mas é apenas o começo de uma longa jornada. Foquei na cirurgia e na dispareunia, um dos motivos pelo qual iniciei minha batalha em prol das mulheres com endometriose. Falei da fisioterapia e do pessoal da UNIFESP!! Ainda estou esperando a confirmação do dia, mas segundo Samara, pode ser na segunda, 23, ou na terça, 24, a partir das 19h15. Se eu souber antes, eu coloco aqui. Quem me indicou para a entrevista foi a minha queridíssima amiga Luciana Palmeira. Esta foi a minha primeira contando um pouco da minha história com a endometriose. Amei!! Como eu digo: FOI TUDO!!! Beijos com carinho!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ENDOMETRIOSE NÃO TEM IDADE!!!!

O post seria outro, o da minha nova avaliação de fisioterapia, que aconteceu na última quarta-feira, dia 11, mas como ocorreu outro fato no fim de semana, preciso relatá-lo. Até porque muitas pessoas, principalmente, as mulheres, acham que endometriose não é nada. Como a endometriose não mata, as pessoas acham que realmente não é nada. Mas, quem pensa assim, está muito enganado! Não mata, no sentido literal da palavra. Mas a doença é muito pior, porque mata a mulher que existe em você. Além de acometer muitos e muitos órgãos, a doença tira toda a libido da mulher, traz a ela a dispareunia, que é a dor durante a relação sexual, e de muitas tira o sonho de ser mãe. Então, para mim, tudo isso é muito pior do que de fato, morrer. A endometriose tira o direito de a mulher ser mulher. Sem contar que o tratamento engorda muito e mexe com o psicológico de suas portadoras. Como já foi dito aqui, infelizmente, não existe uma idade para a endometriose atacar você, mulher. É isso mesmo!! Por isso, esse é um dos motivos que torna a doença tão perigosa. Da menarca, a primeira menstruação, à menopausa, a última, qualquer mulher está sujeita a ter endometriose. É só menstruar e pronto, ela pode vir, a qualquer momento e sem avisar. E, como a mulher menstrua todo mês, mensalmente ela corre o risco de ter a doença. Como nada é por acaso, e não existe coincidência, o destino me leva a encontros preciosos. No sábado, dia 14, eu estava supertriste e de saco cheio com um monte de coisas. O que mais me deixa chateada, é a falta de trabalho. Porque ninguém vive sem dinheiro. Como você paga as suas contas se não recebe? Como eu tinha um aniversário à noite, para levantar a minha autoestima e ir bonita à festa (até porque é a primeira que vou depois da cirurgia), resolvi, mesmo sem ter um centavo, ir ao salão, que eu freqüentava quando trabalhava, para fazer as unhas. Bom, chegando lá todo mundo querendo saber o porquê do meu sumiço, e também da minha magreza (na verdade foi o meu abdômen que diminuiu, pois, antes da cirurgia os meus órgãos estavam todos colados), e quando falei à minha manicure que operei de endometriose, uma cliente, que ela estava fazendo a mão com ela, disse: “Nossa, você também tem?”. Respondi: “Tenho porque, você também”. “Operei em junho”, falou Cris. Ela disse que a sua endometriose foi descoberta por acaso, pois, os médicos suspeitavam de apêndice, e somente na mesa de cirurgia, é que ao invés do apêndice, o médico plantonista descobriu 9 focos de endometriose no seu colo do útero. E, se não fosse a tal suspeita de apêndice, infelizmente Cris iria sofrer com as terríveis dores por um bom tempo. A endometriose dela estava no início. Antes da cirurgia, Cris foi em um monte de médico, de várias especialidades, e nenhum descobriu o que ela tinha. Pedi desculpas à Cris, porque sei que não é tão educado perguntar a idade, mas sabia que ela já tinha passado dos 30, e fui direta. “Quantos anos você tem?”. "Tenho 39, mas a minha endometriose começou no ano passado, com 38 anos”, respondeu. Infelizmente, endometriose não tem idade, basta menstruar e pronto. Segundo ela mesma disse, sofreu as terríííííveis dores da doença por apenas um ano. Digo apenas, porque muitas pessoas sofrem por anos e anos, como eu, que tenho fortes dores desde 2002. Portanto, fiquei 8 anos com fortes dores sem saber o que era. Falei do blog à Cris, e ela ficou superempolgada. Disse que esta ferramenta é extremamente importante e que vai ajudar na divulgação. Mas por conta da cultura do nosso país,e muitas vezes da falta dela, e também por conta da ignorância do ser humano, são fatores que impedem que a doença seja diagnosticada e tratada precocemente. Como a endometriose não causa risco de vida, as pessoas acham que endometriose é uma bobeira, como se fosse uma gripe.... toma uma pastilha que passa. Mero engano! A doença é crônica e incurável. Também não são todas as mulheres que têm dor. Sim! Em alguns casos, a endometriose é assintomática, o que pode ser ainda muito mais perigoso. Portanto mulheres pedem ao seu ginecologista a ressonância magnética do abdômen total e da pelve. Só este exame, que nenhuma mulher faz, detecta precocemente a suspeita. Somente quem tem endometriose sabe a dor que é. Convidei Cris para contar sua história aqui, e ela aceitou. Enquanto a história da Cris não chega, a Sirlene, outra portadora de endometriose e leitora do blog, que conheci por aqui, já me enviou a sua. E, se alguém pensa que o meu caso foi grave, eu digo: não foi. Fiquei horrorizada com a história desta mulher guerreira, que sofre com a endometriose desde 1991, ou seja, há quase 20 anos. Tenho a certeza, de que vocês irão se comover tanto quanto eu. Aliás, pedi ao meu namorado para ler o e-mail, e ele ficou chocado e muito triste. Logo, logo, postarei aqui a história da Sirlene. Se você também é portadora de endometriose, envia a sua história para carolinesalazar7@gmail.com. Beijos com carinho!!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

VOCÊ PODE FAZER A DIFERENÇA!!!

Hoje, este post é especial e, também, um grande desabafo! Especial porque quero agradecer dois grandes amigos: Paulo Vieira e Sônia Gonçalves. Graças a Deus e, a eles, trabalhei alguns dias em julho, antes da minha cirurgia. A Soninha, como carinhosamente a chamo, deu-me vários releases para fazer, assim eu pude trabalhar em casa numa boa, e exercitar aquilo que mais amo: criar textos. Já o Paulo, que também o chamo carinhosamente de Paulinho, e é um ser humano incrível, e que, adoro muito, pediu que eu divulgasse um de seus clientes, em uma das maiores feiras de calçados do país. Fiquei extremamente feliz e certa de que esta era a oportunidade ideal para começar, de fato, a divulgação maciça do blog aos meus colegas jornalistas. Lá conheci pessoas e encontrei amigos. Gente, eu estou passada com a falta de informação das pessoas, e especialmente, de nós, mulheres e, também, com o pouco caso de algumas pessoas. É claro que não saio alardeando sobre a doença por aí. Até porque o preconceito é enooooooorme!! Na verdade, o que mais me magoa, e que, também me choca, é a falta de informação e a sensibilidade por parte destas pessoas, da comunicação, que a meu ver tem que FAZER A DIFERENÇA. Mas, a maioria infelizmente, não faz. Não faz porque provavelmente esta terrível doença, que ainda não tem cura, e é progressiva, ainda não atingiu ninguém de sua família. É, infelizmente, é preciso atingir alguém muito próximo e, só sendo a família mesmo, para nos tocar e daar conta de que é preciso fazer alguma coisa, para pelo menos tentar fazer um Brasil melhor. A informação pode diminuir as dores de muitas mulheres. No meu caso, aprendi ajudar ao próximo desde pequena, com a minha amada, adorada e saudosa avó, Dinah Salazar. Aliás, ela é a minha grande fonte de inspiração em tudo o que faço. Na verdade, o meu caso está resolvido. Estava em tratamento, operei e agora continuo o tratamento, na UNIFESP, e com o Dr. Hélio Sato, no Nipo. Eu poderia ficar quieta, na minha. Claro que sim, mas algo dentro diz-me que preciso divulgar, e tentar fazer as pessoas entenderem o que é e o que pode fazer a endometriose. Cerca de 6 milhões de brasileiras tem endometriose, ou seja, 15 % da população feminina é doente e a maioria delas, ainda não sabe. Antes da feira, liguei para algumas jornalistas amigas, algumas têm filhas, outras irmãs, e nenhuma entrou no blog. Fico muito triste com tudo isso. Aliás, em julho, reencontrei uma grande amiga, dos tempos da faculdade, e ela perguntou-me se as minhas tais dores não eram psicológicas. Bem que eu queria que elas fossem. Até liguei para esta minha amiga, na última semana, mas ela não atendeu e não retornou a ligação. Como dizia Claudio Abramo: “A Ética do jornalista é a mesma de um cidadão comum.”. E concordo plenamente!! Quando falo ‘tenho um blog’, todo mundo acha que é um blog jornalístico com textos e tudo mais. O que não deixa de ser, mas antes de tudo, considero-o como um blog Social. Criei este blog para alertar a população, e não só as mulheres, os homens também, porque eles sempre têm uma mulher ao seu lado, seja namorada, irmã, amigas, primas, o quanto esta doença pode destruir a vida de uma mulher. Destruir literalmente ao pé da palavra. A maioria das portadoras é abandonada por seus companheiros, suas famílias e ficam perdidas. Aliás, a ajuda do companheiro é essencial. E também criei o blog para dar outra visão da endometriose. Porque hoje, quando sai algo na mídia, é sempre a mesma coisa: liga a endometriose à infertilidade. E só! Claro, que deve ser muito ruim obter o diagnóstico da infertilidade, mas tem outros casos mais graves, como a dispareunia (dor durante a relação sexual)."O que adianta querer engravidar sem poder transar?”, pergunto. Aliás, não tem nem lógica. E é isso que eu quero divulgar, a dispareunia, que é muito mais comum, em nós mulheres, do que a endometriose. A mulher pode ter dispareunia sem ter endometriose. E, gente, dói muito. Tanto a dispareunia quanto a endometriose. Só quem tem endometriose sabe a dor que é. E a dispareunia também. Mas cada um PODE FAZER A DIFERENÇA. Vamos começar a divulgar a doença, que hoje, infelizmente, é pouco divulgada, mas que vai atingir muito mais mulheres em todo o mundo. Já é tida como a doença da mulher moderna, ou seja, do futuro. E, outra, enquanto a mulher menstruar está sujeita a ter endometriose. Por isso, VAMOS FAZER A DIFERENÇA E COMEÇAR A DIVULGAR A ENDOMETRIOSE. Se, cada um passar a informação para mais uma pessoa, e assim continuar, com certeza encontraremos alguma portadora de endometriose. Pense nisso!! Bom, é isso. Desabafei!!! Agora, preciso dormir porque amanhã é quarta-feira, dia de fisioterapia. Farei uma nova avaliação para saber como anda a minha dispareunia. Beijos carinhosos!!!
OBS: Ah, meu grande amigo Marcelo Schainer começou a divulgar o blog em seu Facebook. Má, obrigada de coração, por entender que como cidadãos e também como jornalistas precisamos agir rápido. Obrigada!!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

EM RECUPERAÇÃO!!

Terça-feira, dia 03, retornei ao consultório do Dr. Hélio Sato. Como o Marcão estava trabalhando, o meu grande amigo, Marcelo Schainer, daqueles amigos que deve ter sido meu irmão em alguma outra existência e, que, graças a Deus, o reconhecei na faculdade. Como dizia o poeta e compositor Vinícius de Moraes:" A gente não faz amigos, reconhece-os", levou-me até o Nipo-Brasileiro. Como era encaixe esperamos por quase 2 horas. Quando Dr. Hélio me viu, logo perguntou: “Está tudo bem com vc?”. “Nossa, está sim. Estou até me sentindo mais leve”. “Você estava, e pelo visto, sentia muita dor. Você tinha muitas aderências, principalmente do lado direito”, continuou Dr. Hélio. Ainda bem que ele, como médico e especialista na doença, acreditava em minhas dores. Por muito e muito tempo, para muitas pessoas, as minhas dores horroroooooosas eram inventadas, coisa de psicológico. Aí eu me perguntava: “Não gente, eu não estou louca a este ponto, porque dói muito. Ou estou?!”. Mas, graças a Endometriose, todas as minhas dores foram comprovadas, e de fato, eram reais. No consultóroio, pensei que o Dr. até fosse tirar algum ponto. Ele só tirou os curativos, e falou que os pontos seriam absorvidos pelo meu organismo. Achei fantástica a evolução da medicina. Que maravilha!!! Até então, as minhas operações eram tão antigas, que não teve esta modernidade toda. Como eu já havia dito a ele, que no momento não quero engravidar,o Dr. disse que o meu ovário precisa descansar mais um pouco. Tadinho ele sofreu tanto!! Com isso, receitou o anticoncepcional Level, a ser tomado de uma forma diferente, para eu ainda não menstruar. Na verdade, só vou menstruar após 63 dias. E aí vamos ver no que vai dar!Para nós, portadoras de Endometriose, menstruar é um sofrimento, e praticamente um veneno. Faz mais de um ano e meio que não menstruo. Daqui a três meses retornarei com o Dr. Hélio. Ufa, ele ter receitado o anticoncepcional, foi um superalivio!! Na semana anterior, ainda no hospital, ele havia dito que eu retomaria o tratamento com o Zoladex 10.8. Se a menopausa da idade, já traz desconfortos terríveis, imagina a induzida por Zoladex, um remédio que trata vários tipos de cânceres, mas apenas controla a Endometriose. Estou torcendo para dar tudo certo com o anticoncepcional. Mas, se não der, antes mil vezes o Zoladex, do que as terríííveis dores. Estava tudo perfeito, até rolar um pequeno estresse na minha vida, com isso,a dor voltou. Desde o meio da tarde desta quarta feira, não estou me sentindo bem. O meu lado esquerdo está com uma dor latente, aquela bem chatinha que não dá descanso, sabe. Vamos torcer para não ser nada!! Há 10 dias sinto todos os meus órgãos abdominais mexendo. Acho que deve tá rolando uma grande festa lá dentro, agora que estão todos separados, em seus devidos lugares, e funcionando perfeitamente. Por hoje é só, vou dormir para ver se a dor passa. Beijos com carinho!!

OBS: Vi um recadinho da Lilian, que operou no dia 20. Lilian querida, falei de vc em outro post, mais abaixo. A nossa história foi bem parecida. Se vc quiser contar a sua história aqui, o blog está aberto. Hoje, por e-mail, convidei a Sirlene, que já fez quatro videolaparoscopias, para contar sua história. Já que a função do blog é ajudar muitas mulheres, que estão doentes, mas ainda não sabem, qualquer narração que envolva a Endometriose é muito bem-vinda! Obrigada pelo carinho!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A TÃO SONHADA CIRURGIA!!

É com muita alegria que escrevo este post. Estou em recuperação pós-operatória da cirurgia de endometriose, feita por videolaparoscopia. E, por falar em cirurgia, vocês não acreditam o que aconteceu. Não era só a endometriose e os miomas que eu tinha. Por conta de duas cirurgias antigas, uma de apêndice, que fiz 21 anos atrás, e outra de cisto no ovário, realizada há 17 anos, me deixaram como sequelas as aderências entre os órgãos. O que é isso??? Simplesmente, todos os meus órgãos abdominais estavam  grudados, ou melhor colados. Segundo dr. Héio Sato, ele nunca viu coisa igual em sua vida profissional. O meu intestino estava todo enrolado nos meus órgãos abdominais, sufocando-os. E, por conta disso, ele teve que fazer um furo a mais em minha barriga. Então, imagina a dor que eu sentia, não só da endometriose, mas também dessas aderências. Como consequência disso, meus órgãos não funcionavam direito. E eu pensava que era por conta da endometriose. Ir ao banheiro evacuar era uma tortura. Só eu sei o que passei. Uma loucura!! Ontem, terça-feira, quando recebi esta notícia percebi o quanto sou forte. Aliás, sou uma guerreira, pois, sabe-se lá por quanto tempo eu estava com essas aderências. Pelo jeito, a endometriose foi a coadjuvante da história e a minha salvação. Foi por ela que eu fiz a cirurgia, mas o dr. Hélio disse que eu meus focos estavam inativos. O que ele não sabe - mas os médicos da UNIFESP sabem -, é que junto com Zoladex 10.8, a fisio, eu também fiz por seis meses um tratamento espiritual no Centro Espírita, o qual frequento, justamente para diminuir os focos da doença. Aliás, foi lá, até antes de saber que eu tinha endometriose, que eu descobri que estava doente. Foi lá também que eu ouvi, pela primeira vez, que eu tinha que abdicar da minha vida profissional para me tratar. E, mesmo assim, no começo, eu não quis aceitar.

Depois do diagnóstico e, com muita insistência dos médiuns, fui, aos poucos, aceitando esta nova realidade. Tirando as aderências, a cirurgia foi ótima e quem me ligava antes de eu entrar ao centro cirúrgico ficava bobo com a minha tranquilidade. O que quase ninguém sabe é o quanto eu implorei por esta cirurgia. Até parece que eu já sentia que algo não estava bem dentro de mim. Das três cirurgias que fiz, eu imaginava que esta seria a mais tranquila. Mero engano, mas fiquei muito aliviada. No fundo, eu sabia que tudo iria dar certo. Quanto às insistências pela cirurgia, que foram muitas, mas eu tinha que seguir um protocolo, mais uma vez, deveria ser a minha intuição agindo a meu favor. Cheguei ao hospital Nipo-Brasileiro por volta das 16 h. A cirurgia estava prevista para às 19hs e, foi nesta hora, que me aplicaram um relaxante intramuscular, saí do quarto e segui rumo ao centro cirúrgico. Fiquei esperando em um local, que parecia um corredor, até o dr. Hélio aparecer, pois eu sabia que ele tinha outras antes da minha. Por volta das 20h entrei no centro cirúrgico e só me lembro do anestesista pegar a minha veia. Apaguei e só acordei na sala de recuperação, por volta da meia-noite. O importante é que tudo correu bem e, hoje, o meu intestino está tão feliz, que não para de funcionar. hahahaha Tadinho, ele sofreu tanto. E eu também. Logo depois de receber esta notícia veio a boa-nova: as minhas trompas, ovários e útero estão em perfeito estado. O dr. Hélio disse que se eu quiser ter filhos, já é para começar a me preocupar com isso. E que não terei nenhum problema em engravidar. Mas eu disse que ainda não é a hora. Preciso recuperar a minha vida profissional que, por conta da endometriose, tive de interromper abruptamente. Agradeço a todos pelas orações e carinho. Por hoje é só! O meu umbigo está um pouco roxo preciso descansar. Beijos carinhosos!!!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

É HOOOOOOOJE!!

Demorou, mas chegou! Eu nem acredito!! Já estou de jejum desde às 11hs. Daqui a pouco sigo para o hospital Nipo-Brasileiro. A cirurgia será por volta das 19 hs. Estou feliz e aliviada. Amanhã estarei de volta! Beijos!!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

CONFIRMADA A CIRURGIA!!

Ufa, nem acredito! Acabei de chegar do Nipo-Brasileiro e está tudo certo. Primeiro, passei com o Dr. Hélio Sato, e depois, com a Dra. Shioli, a anestesista que avaliou os meus exames pré-operatórios. Todos estão perfeitos e a cirurgia na próxima segunda-feira foi confirmada. Mas, como nada é por acaso, no RX de tórax apareceu um inicio de artrose, na torácica. Nada para se preocupar! Segundo a Dra., se eu seguir um tratamento específico há chance de reverter o quadro. Sem hesitar, ela indicou um médico especialista em coluna do hospital, e pediu a ressonância magnética da cervical, pois, para completar tenho um pequeno problema na cervical, acho que na C7, a minha é levemente saltada. Mas, este é um assunto para pensar daqui a algumas semanas. Agora, é só esperar para começar o preparo da cirurgia no sábado. É preciso esvaziar o intestino para realizar o procedimento. Por isso, sábado e domingo tomo laxante. E, na segunda-feira, a partir das 11hs, jejum absoluto. Tudo vai dar certo, eu sei disso! Tenho FÉ!! Beijos!
PS: Agradeço mais uma vez ao meu amor, Marcão, que como sempre, me levou a Guarulhos. Ah, dia 20 foi a cirurgia da Lilian, que visitou o blog e deixou um comentário contando sua história. Lilian tudo dará certo. Tomara que vc volte para contar como foi!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

CONTAGEM REGRESSIVA 2!!

Faltam sete dias para a tão sonhada cirurgia. Nem acredito!!! Sei que ainda terei uma longa batalha pela frente, mas só de imaginar que posso melhorar, fico feliz. Na quarta-feira, dia 14, fiz todos os exames pré-operatórios e amanhã devo buscá-los. Já que na quinta-feira tenho retorno com o Dr. Hélio Sato e entrevista com o anestesista. Os meus dias não têm sido fáceis. É muita dor e, em vários lugares. Ir ao banheiro evacuar, nossa, é uma tarefa muito difícil, uma tortura. A Endometriose mexe com todo o corpo da mulher. E a falta de informação em relação à doença é muito grande. Quando falo que estou com Endometriose, a primeira coisa que as pessoas pensam: “Tadinha não vai poder ter filho.”. Antes fosse ‘só’ isso. Mas a Endometriose é muito mais grave do que a maioria das mulheres pensam. E, se a conseqüência fosse apenas à infertilidade, seria muito fácil resolver. Mas existe conseqüência muito pior do que isso. No dia 15, quinta-feira, foi o meu aniversário. Fiz 32 anos e, pela primeira vez na vida, não comemorei com festa. Apenas fui ao restaurante japonês com o meu amor, minha mãe e minhas irmãs. Na verdade, quero que este ano acabe logo. Não vejo a hora de chegar o dia 31 de dezembro. Tinha muitos planos para 2010 e achava que seria o grande ano de minha vida, o qual teria a grande chance de iniciar a minha carreira na tevê. Eu estava quase certa, mas a Endometriose me impediu de realizar este sonho. Só peço a Deus, assim que me recuperar, ter nova chance de entrevista em alguma emissora de tevê aberta. Sinceramente, o que me machuca é o fato de não trabalhar. Não que eu não possa. É claro que eu posso. Mas o fato de eu ter a fisioterapia, às quartas-feiras, as 15hs, me impede disto, porque os empregadores não entendem que eu posso trabalhar, fazer a minha fisio e voltar ao trabalho para compensar a hora que fiquei fora. Fazer o quê? Viver em um país de terceiro mundo, bem atrasado, com empregadores mais atrasados ainda, é isso aí. Só peço a Deus, que me dê ainda mais paciência para aguentar tudo isso. E espero que esteja acabando. Beijos a todos!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

UM OIZINHO.....

Sumi de novo do blog!! É que a semana passada eu estava na luta, e graças a Deus, trabalhei bastante. Por isso, não deu tempo de postar aqui. Saia cedo e chegava supertarde..... e podre! Eu estava com saudade de me sentir assim, tão acabada por conta do trabalho. Nos dois primeiros dias, a dor na região lombar apareceu, mas fingi que não era comigo! rsrs Pelo menos tentei, e aí, quando ficou mais forte tratei de tomar remédio. Acho que doeu porque fiquei mais de 10 horas em pé, correndo de um lado para o outro, naquela feira gigante. O importante foi que tudo deu certo e consegui realizar o meu trabalho! Ufa, nem acredito! E, aproveitei a oportunidade para divulgar o blog para os meus amigos jornalistas. Agora, me preparo para fazer os exames pré-operatórios para a cirurgia. Tenho que fazer tudo esta semana, pois dia 22 tenho retorno com o Dr. Sato e a entrevista com a anestesista. E dia 26 a tão sonhada cirurgia. Bom, é isso!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ÀS MINHAS AMADAS E QUERIDAS FISIOTERAPEUTAS DA UNIFESP!!

Hoje é quarta-feira dia de... fisioterapia. Pois é e, a Laise já me abandonou, voltou pra sua terrinha, acredita. Mas na UNIFESP estou sempre em boas mãos. Fiz a sessão com a Brenda, outra fofa, que ainda mão acessou o blog, mas pegou o endereço hoje. Na verdade, eu conheço todas as fisioterapeutas. Por mais que eu não tenha passado com todas elas, quando suas pacientes faltam (é uma pena, mas é bem comum), elas pedem para assistirem a minha. Aí, vira aquela farra! Cheguei toda tensa, aliás, muito tensa. Também pudera, tive que resolver um pepino com a minha antiga operadora de celular. Mas, já está tudo resolvido e a Brenda tentou ao máximo diminuir minha tensão. Como na próxima quarta-feira eu tenho um frila e é longe, só volto agora à fisio no dia 14, um dia antes do meu níver. Niver esse, que quero pensar muito, porque é a primeira vez que não irei comemorar, em 32 anos de vida. Quem diria, eu que sempre amei bebemorar (como eu digo, porque beber mesmo bebo bem pouco, quase nada) em meus aniversários, vou passar um em branco, mas são coisas da vida. Bom, eu ia escrever outro post, mas aí resolvi homenagear novamente as minhas queridas fisioterapeutas. Na verdade, só quem é paciente lá na UNIFESP sabe o carinho que elas têm por nós. Elas são tão especiais, que já fazem parte da minha vida, e para sempre. Rezo todos os dias para Deus abençoá-las. E abençoar aquelas mãos maravilhosas que ele deu. Acredito que, cada um carrega o dom de uma profissão, mas o que elas fazem por nós mulheres, não tem preço. É mais do que dom, tem que gostar, amar, respirar e viver aquilo intensamente. O pior é que elas sofrem conosco e também vibram quando algo bom acontece. Foi assim quando eu marquei a minha cirurgia. Todas vibraram comigo, é mágico. Meninas não tenho palavras para descrever toda a gratidão que sinto por vocês. Sei que ainda fico mais um tempo e vou pegar outra turma. Nossa já estou na terceira turma! Mas, depois da cirurgia espero melhorar logo, mas pode ter certeza que sentirei falta do carinho que tem por mim e sei que por todas outras pacientes. E também sentirei falta das nossas conversas, risadas.... Vocês são especiais e guardarei cada uma de vocês em meu coração, para sempre. Não sei como agradecer o que fazem por mim, mas Deus está vendo. E serei eternamente grata por todo o carinho e atenção. Beijos carinhosos!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

CONTAGEM REGRESSIVA!

Eu ando sumida do blog, mas é que os meus dias não têm sido tão bons. Aquele trabalho de 30 dias que eu ia pegar não rolou e fiquei bem chateada. Era a luz no fim do meu túnel, mas já me conformei e Deus sabe o que faz. Mas muitas vezes eu me pergunto, sabe mesmo?! Enquanto isso continuo aqui, na mesma vida e, claro, com muitas dores, e na contagem regressiva para a cirurgia. Falta menos de 30 dias. ufa! Sonhei tanto com este dia! Como o efeito do Zoladex (o remédio que tomei para induzir a menopausa) está acabando, as dores voltaram. Principalmente a da região lombar, bem próxima a bacia. As dores abdominais e nas pernas também reapareceram. Mas daqui a um mês já estarei operada. Torço para que eu melhore logo. Sei que não é fazer a cirurgia e pronto, estou curada. Sei que a doença é ‘invisível’ e que pode ficar algo lá ainda. Mas tenho Fé de que farei apenas uma cirurgia, continuarei o tratamento e ficarei boa logo. Não vejo a hora. Agora mudando para a parte boa.... quarta-feira passada, meu namorado me levou à fisioterapia. Tinha um horário pela manhã e como era muito cedo, ele me levou e aproveitou para aprender os truques da Dra Laise Veloso. É ele quem faz a fisio em mim. Na verdade, ele viu que a Laise. pega pesado. Explico: quando Marcão faz a fisio em mim e vê as minhas caretas de dor, ele para. A Laise não, muito pelo contrário, ela força um pouco mais. Aí, o Marcão disse que vai ser como ela agora.. rsrsrs É mole! Por falar em Laise, ela não consegue seguir o blog. Ana Paula ajude-a, por favor. Não ando muuuiiiiito bem e tão pouco feliz, por isso, paro por aqui. Um dos motivos da tristeza é que ninguém comenta os posts, não seguem o blog..... snif.... snif.... Beijos carinhosos!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

ENFIM, A CIRURGIA!!

Ufa, é com muito alívio e até um pouco emocionada que escrevo este post. Desde ontem, quando voltei do ginecologista da UNIFESP, estava ansiosa para saber qual seria a decisão do médico. Opero, ou não opero? Mas como tinha consulta com o Dr. Hélio Sato, hoje, no ambulatório do Hospital Nipo-Brasileiro, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, a ginecologista que me atendeu disse que o Dr. Hélio conversaria comigo e decidiríamos o que fazer. E finalmente, a cirurgia vai sair. Como sempre, Marcão me levou até lá e vibrou comigo. Ele também sofre com a minha Endometriose. Como pretendo pegar um frila de 30 dias, decidimos marcar para o dia 26de julho. Daí eu tenho tempo de trabalhar (ebaaaaaa), de fazer todos os exames pré-operatórios e passar com o anestesista antes da cirurgia, para saber se está tudo bem. Nossa, saí de lá aliviada e muito feliz. Faz um ano e três meses, desde que recebi o diagnóstico da doença, que espero por esta notícia. Sei que ainda tenho uma longa batalha pela frente, que não é só fazer a cirurgia e pronto, estou curada. E foi exatamente isto que ouvi do Dr. Sato hoje, que preciso continuar o tratamento. Mas pelo menos terei a oportunidade de tentar melhorar a dispareunia. E assim, quem sabe arrumar um trabalho logo. Já estou pirando e desesperada, porque a minha vida parou nestes últimos seis meses. Só estou em função da Endometriose. Porque a minha fisio, toda quarta-feira à tarde, é para melhorar a dispareunia. Por conta disso, quando falo deste tratamento, só levei NÃO até agora dos empregadores. Nem para entrevistas as pessoas me chamam. Eu acho um absurdo! É um preconceito enorme com quem está doente e precisa se tratar. E fora, que perdi a primeira oportunidade que tive de trabalhar em uma tevê aberta. Mas, enfim, o tempo de Deus não é o mesmo do nosso! E paciência e ainda mais perseverança (porque sempre fui uma pessoa com FÉ e perseverante) é o que estou aprendendo a ter. Agora é só aguentar os últimos efeitos da menopausa induzida (eu ando todo dia com dor de cabeça! E o calor é enorme!), e torcer para não tomar mais este remédio!! Ah, e depois da cirurgia e um pouco mais de fisio, pelo menos posso tentar, sem medo, ter relação sexual e melhor, ter vontade de fazer sexo. Porque a Endometriose tira toda a libido sexual da mulher. E com isso, não temos vontade de fazer sexo. Ah, e a minha decisão em operar no hospital Nipo-Brasileiro, e não na UNIFESP, apesar do Dr. Hélio Sato fazer parte da equipe da Escola, foi para não tirar a oportunidade da cirurgia de outras mulheres, que lá se tratam e não tem um convênio médico, como eu. Por hoje é só. Ainda estou na comemoração da cirurgia! Beijos!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ÀS FISIOTERAPEUTAS DA UNIFESP!!

Meu sumiço tem um bom motivo.... fui trabalhar na SPFW. E foi uma pauleira só, que eu já estava sentindo falta. Faz algum tempo que quero escrever este post, mas sempre tinha outro para continuar o assunto e aí fui deixando. Mas, enfim, agora vai. Afinal, elas são muito especiais na minha vida. Elas?? Sim, as fisioterapeutas que me tratam na Unifesp. Nós, leigos, sempre tivemos a ideia errada do que é, de fato, ser fisioterapeuta e quais áreas estes profissionais atuam. Juro, quando fui tratar a  minha endometriose na UNIFESP, a última coisa que eu imaginava é que eu iria fazer fisioterapia. E foi lá, quando descobri ter a dispareunia, que eu conheci o significado da uroginecologia. Só quem está em tratamento lá, sabe o significado destas profissionais em nossas vidas. Para mim, as mãos destas mulheres são muito, mas muito abençoadas. Elas têm um carinho tão grande por nós, pacientes, que é muito fácil se emocionar nas sessões. Eu que o diga! Elas estão presentes em todas as minhas orações e nos meus agradecimentos diários. O pouco que eu melhorei devo a estas mãos preciosas. Para estudar fisioterapia tem de ter o dom. Ainda mais nesta área tão delicada, que é a uroginecologia, e cheia de preconceitos. Mas, mais do que ter o dom, a pessoa tem de ter a capacidade de exercer a profissão e não importa onde seja. E isso não é para qualquer um não, viu gente. Atualmente, muitos fisioterapeutas migram para a área da estética, que também é onde se ganha um pouco mais, e poucos são aqueles que cumprem o juramento que fazem na colação de grau, e vão cuidar do próximo, de pessoas que nem conhecem. Nestes oito meses de fisio, já passei pelas mãos das doutoras Thais Costa, Ana Carolina Casemiro, Ana Paula Bispo, Christine Ploger, Laise Veloso, dentre muitas outras. Mas não importa com quem passamos, todas tratam as pacientes da mesma forma, com muito carinho e amor. Elas merecem toda a minha admiração. Até porque muitas delas vieram de longe, como o caso da Ana Paula, da Bahia, e da Laise, do Piauí. Elas são muito educadas, delicadas e estão sempre dispostas a levantar o nosso astral. Não é fácil ter endometriose. Ainda mais no meu caso, que estou em menopausa induzida, a cada dia estou de um jeito. Mas sempre com as emoções à flor da pele! Quero ressaltar neste post, o quanto vocês são importantes na minha vida. Que Jesus continue abençoando estas mãos tão generosas e tão carinhosas. A todas às fisioterapeutas da UNIFESP, e àquelas ainda passarão por lá, o meu muito obrigada!! Jamais esquecerei o que estão fazendo por mim. Serei grata eternamente a vocês. Beijos com carinho!!

terça-feira, 8 de junho de 2010

DESABAFO!

Passei aqui para escrever outro post, aliás, um muito especial que penso em escrever desde que criei este blog. Mas nos últimos dias eu ando meio triste. Triste porque não consigo nenhum trabalho frila e muito menos um fixo. Aí eu decidi desabafar... o Brasil é uma palhaçada, para não dizer outra coisa. Os políticos nos roubam e eu, e muitas outras pessoas, que somos cidadãos honestos e pagamos corretamente os nossos impostos, não conseguimos trabalho fixo porque estamos em tratamento médico. Tudo isso porque as empresas não podem nos liberar para ir ao tratamento e depois voltar ao trabalho. Até porque, segundo a minha forte intuição (bem que eu não queria tê-la), diz-me que a minha doença foi um dos motivos da minha demissão do meu último trabalho, em dezembro. Ou foi muita coincidência... mas eu não acredito em coincidência... ser demitida exatamente no dia, ou melhor três horas antes, em que eu fiz a primeira, das quatro sessões extras de fisioterapia, que eu fui submetida em dezembro, antes da UNIFESP fechar para as festas de fim de ano. Eu estava muito debilitada e, realmente, precisava! Se eu morasse na Europa, eu conseguiria trabalhar fixo em alguma empresa e fazer o meu tratamento médico, numa boa. Coisa de primeiro mundo!! Mas no Brasil, que para mim nem terceiro mundo é, é quinto, sexto, até décimo, somos vítimas de preconceito. É só falar que está em tratamento médico, pronto, já acham que somos inválidos. Em abril, uma grande amiga me indicou para duas vagas distintas que surgiu na empresa onde ela trabalha. Aí quando eu disse que estava em tratamento médico, as responsáveis pelas vagas, imediatamente, agradeceram e desligaram o telefone. A desculpa foi que eu precisaria trabalhar mais de cinco dias na semana e, por isso, não poderia me liberar uma hora e meia na quarta-feira, quando tenho a minha fisioterapia. Queira Deus que elas nunca fiquem doentes e não precisam de nenhum tratamento médico. Isso que eu, como jornalista, trabalho com o cérebro e com as mãos.... nada a ver com o meu ligamento do útero-sacro, onde está a endometriose. Mas é muito preconceito. Em um país como o nosso, que tem uma miscigenação tão rica, uma mistura tão maravilhosa de tantas raças, não deveria haver esta palavra tão feia e absurda que é o PRECONCEITO. Pronto, desabafei pelo menos um pouco! Queria falar mais coisas, mas melhor não! Beijos com carinho!!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

COM A PALAVRA, A ESPECIALISTA!

A fisioterapeuta Ana Paula dos Santos Bispo, graduada pela Faculdade Adventista da Bahia, em 2007, foi convidada a explicar um pouco mais sobre a dispareunia. Aqui, ela fala os tipos de dispareunia e também as técnicas que utiliza para tratá-las. Há dois anos, Ana deixou sua cidade natal, Feira de Santana, e se mudou temporariamente para São Paulo, com o objetivo de fazer uma pós-graduação na área de uroginecologia. Na UNIFESP - EPM, ela se especialzou em Fisioterapia na Incontinência Urinária Feminina e Reabilitação do Assoalho Pélvico. Ana, que também é instrutora do método de Pilates, explica também o tratamento que eu faço na UNIFESP. Qualquer dúvida é só deixar um comentário, que peço à Ana para responder.

A dispareunia é definida como uma dor genital recorrente ou persistente associada com o intercurso sexual. A dor pode também ser induzida por estímulos em certas desordens não coitais, durante o ato sexual, como na endometriose. A dispareunia pode ser subdividida em dois grupos: a dispareunia superficial, de entrada ou de intróito, e a dispareunia profunda ou de profundidade. Ambas têm diferentes etiologias. A dispareunia de profundidade é muito presente em mulheres com endometriose profunda. Ela ocorre quando os implantes ectópicos podem infiltrar o peritônio, membrana que reveste a cavidade abdominal, alcançando mais de 5 milímetros de profundidade. A dor também pode ocorrer após a relação sexual, denominada dispareunia tardia. Ambas merecem atenção, pois, podem estar relacionadas com a gravidade da doença. Em razão das fortes dores que sentem estas pacientes acabam por sofrer de abstinência sexual. A endometriose pode causar a Dor Pélvica Crônica (DPC) que é uma dor nos segmentos inferiores do abdômen, que ocorre de forma contínua ou intermitente, com duração de pelo menos seis meses. Por conta disso, a dor é forte o suficiente para interferir nas atividades habituais da mulher, e frequentemente, ela intensifica-se no período menstrual ou durante a relação sexual. A DPC pode levar a alterações músculoesqueléticas, devido à postura protetora por tempo prolongado adotada por estas pacientes. Estas posturas são adotadas como forma de alívio para a dor, porém elas causam sobrecarga nas estruturas musculares, ligamentares e articulares da pelve e do quadril, e, como consequência, geram disfunções músculoesqueléticas que acabam por exacerbar o quadro doloroso.

Esta tentativa de ajuste do corpo para aliviar a dor, que leva às alterações no alinhamento da pelve, do quadril e dos membros inferiores, ocasiona danos fisiológicos e, consequentemente, altera a função dos músculos do assoalho pélvico, podendo também causar dor durante a atividade sexual. Dependendo da queixa da paciente, a fisioterapia empregará os recursos, objetivando a normalização da mobilidade da pelve e do tônus dos músculos pélvicos, em especial do assoalho pélvico. Basicamente, os recursos comumente utilizados no tratamento da dispareunia são a cinesioterapia, eletroterapia, biofeedback e massagem perineal. No caso da Carol, utilizamos dois procedimentos: a cinesioterapia e a massagem perineal dos músculos do assoalho pélvico. O primeiro método nada mais é do que a realização de alongamentos da musculatura dos membros superiores e membros inferiores, na tentativa de restaurar a postura correta. Já o segundo processo, que a Carol faz desde outubro, tem como objetivo melhorar o estado de tensão em que se encontra a musculatura da vagina. E tirando a tensão desta musculatura, a paciente volta a ter uma vida sexual ativa e sem dores.

domingo, 6 de junho de 2010

A DISPAREUNIA 2!!

Apesar de estarmos em pleno século 21, o preconceito ainda existe. Por isso, dedico mais um post a respeito da dispareunia. E, quando eu falo do preconceito, digo que ele vem da própria mulher em relação ao tratamento da dispareunia. É neste momento, que agradeço à minha mãe, Reila Salazar, e a minha saudosa avó, Dinah Salazar, que me criaram sem nenhum tipo de preconceito. Na minha última ida ao ambulatório, vi que muitas mulheres têm a dispareunia e não se tratam. Para uma delas, eu falei sobre a fisio, e ela disse não saber o que era, e logo desconversou. Já outra, estava com medo de perder o marido, pois, já era a segunda vez que ela passava por cirurgia e nada de conseguir ter relação sexual. Ela desconfiava que o marido já tinha até uma amante. Isso significa que somente a cirurgia não é suficiente. E, como doença é tida como ‘invisível’, se todo o foco de endometriose não for retirado, ele pode voltar. Para a dispareunia então, o tratamento fisioterápico é fundamental. Eu, que sempre fui a favor da cirurgia, já sabia disso. Como uma das intenções do blog é combater o preconceito, que ainda existe tanto com os doentes quanto ao próprio tratamento, bato mais uma vez na tecla da fisioterapia. Sei que o apoio do companheiro é fundamental. Mas, infelizmente, nem todos estão preparados para enfrentar a doença. Mesmo assim, a mulher tem que se amar independente do apoio do companheiro. Ela tem de se dedicar 100 % ao seu tratamento. Eu tive a sorte de ter um namorado maravilhoso, que mesmo antes de saber que eu estava doente, nunca me cobrou nada. Às vezes, penso que ele já sabia que algo não estava bem. Quando cheguei à UNIFESP, em outubro de 2009, a minha dispareunia era a de profundidade, ou seja, com todos os músculos da vagina tensionados. Já imaginou? Se eu não tivesse passado por isso e, alguém me contasse, eu não iria acreditar. Agora, ela está apenas no intróito, ou seja, na entrada da vagina. Em abril, fiz uma nova ressonância magnética e, pela primeira vez, a endometriose apareceu bem nítida, no ligamento úterossacro. Como o meu retorno ao ginecologista da UNIFESP, que vou uma vez ao mês, iria demorar, eu marquei uma consulta com o Dr. Hélio Sato - da equipe da UNIFESP e foi indicado pelo Dr. Roberto Hiroshi Ieiri -, no consultório do ambulatório do Hospital Nipo-Brasileiro, em Guarulhos, onde ele atende ao meu convênio. Foi aí que Dr. Hélio me explicou como surgiram as primeiras dores da endometriose, na região lombar. Lembro-me muito bem, que as tais dores deram seus primeiros gritos, em 1999. Dr. Hélio pediu para eu retornar daqui a seis semanas. No fim de abril, quando retornei ao ambulatório da UNIFESP, fui atendida pelo Dr. Gil. Pela primeira vez, com o resultado da RM, que mostrou bem a localização da doença, um médico falou sobre a cirurgia. De acordo com o Dr.Gil, a cirurgia aliada à fisioterapia poderia acelerar a minha melhora, inclusive, a dispareunia. A cirurgia deve ser decidida ainda este mês. Dia 16, volto ao ambulatório da UNIFESP, e no dia 17, tenho consulta com o Dr. Hélio. Sempre que der vou falar sobre a dispareunia. Inclusive, a fisioterapeuta Ana Paula Bispo, que faz mestrado na UNIFESP,e que já me atendeu algumas vezes e sempre participa das minhas sessões, vai explicar aqui no blog um pouco mais sobre a dispareunia e meu tratamento. Ana estou esperando o seu e-mail para colocar aqui! Beijos com carinho!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O RETORNO!

Por um ótimo motivo, que revelo depois, eu sumi do blog. Mas, a partir de hoje, retorno intensamente as minhas postagens. Eu não abandonei o blog. Volto firme e forte. Até a minha amiga Caú me mandou e-mail pensando que desisti da minha página. Mas a resposta é não! Vou até o fim, afinal de contas, se Deus colocou em meu caminho, a endometriose e, a UNIFESP, aonde me trato, é porque preciso ajudar muitas mulheres. Ontem foi quarta-feira e, como toda quarta, as 15 hs, é dia de fisio lá fui eu. Mais tarde eu volto para contar sobre a fisio de ontem e também da última semana, onde tive um grande progresso! Mas ainda está um pouco longe de acabar! Beijos carinhosos!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A DISPAREUNIA!!

Os sintomas e as dores da Endometriose não são apenas abdominais e nas pernas. Na verdade, a doença mexe com todo o nosso corpo. Só quem tem Endometriose sabe o que eu estou falando. Lembra que eu falei que o meu namorado me ajudou a descobrir a doença? Pois bem, ele assistiu a uma palestra sobe o assunto e, segundo ele, todos os sintomas chamaram sua atenção, mas em especial um: a dispareunia. Bom, eu também me assustei quando ouvi esta palavra pela primeira vez, lá na UNIFESP. A dispareunia nada mais é do que sentir dor durante a relação sexual, ou seja, durante a penetração. Este foi um dos principais sintomas que chamou a atenção de meu amor. Gente, e digo, a dor era tão, mas tãããão horrorosa, que eu, apesar de não suportar nenhuma dor – sou super a favor de remédios -, preferiria a dor abdominal e das pernas a da dispareunia. Parecia que alguém estava me enfiando uma faca, de tamanha a dor e, depois, jogava sal ou limão. Sabe quando você corta um pouquinho e deixa cair limão ou sal sem querer?? Então, mas aí você coloca a dor 1000, 10000 vezes pior. Olha, é uma coisa inexplicável. Após a minha ida ao ginecologista da UNIFESP, o Dr. Rodrigo Gibran me encaminhou à fisioterapia. O motivo? Para as fisioterapeutas avaliarem o meu assoalho pélvico. Hããã?? Mais uma palavra complicada, não é? Mas assoalho pélvico, quer dizer, toda a musculatura da vagina. E assim fui. A única coisa que sempre quis era me livrar das dores. Mas, para minha surpresa, o meu tratamento estava apenas começando e, eu ainda não imaginava o que estava por vir, ou melhor, do que a doença é capaz de fazer com nós, mulheres. Com as 'meninas' - palavra carinhosa que chamo as fisioterapeutas - descobri que a tal da dispareunia é mais comum, em nós mulheres, do que eu e a maioria de nós sabemos. E, o pior, independe de ter Endometriose. No meu caso, tenho a dispareunia por conta da doença, que é tida como a doença da Mulher Moderna. Ai meu Deus, até nisso sou moderna... rsrsrs Eu sempre escrevi muito e o meu post fica gigante e cansativo. Mas, a partir de agora, quero tentar escrever menos. Por isso, deixo o restante do assunto sobre a dispareunia para o próximo. Afinal, desde outubro de 2009, faço tratamento lá. Vou falar como foi o meu primeiro dia de fisioterapia, a tal da avaliação do assoalho pélvico, e como anda até hoje. Aí aproveito para dedicar um post especial às fisioterapeutas, a estas mulheres especiais, ou melhor, abençoadas que Deus colocou em minha vida. Um beijo!!

terça-feira, 20 de abril de 2010

UM OIZINHO!!!

Estou sumida alguns dias do blog. É verdade, eu sei disso, mas infelizmente tenho sentido muita dor e, a minha cabeça, não consegue pensar com dor! Porque além da dor abdominal, a minha cabeça dói muito. É resultado do Zoladex LA 10,8 mg, que tomei para inibir os hormônios e entrar na menopausa. Bom, mas prometo amanhã escrever aqui. Quero muito falar sobre a fisioterapia que faço na UNIFESP. Beijo com carinho!!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

DO GESTINOL À MENOPAUSA!!!!!

Quarta-feira foi uma correria total. Não deu nem tempo de postar. É que toda quarta, às 15h, tenho um compromisso muito sério. É dia de fisioterapia na UNIFESP. Mas isso é assunto para outro post. Afinal de contas, elas me tratam com tanto carinho, que merecem a minha eterna gratidão. Bom, mas o assunto agora é outro. Mas, enfim, com a paralisação da minha menstruação, eu parei de sentir dor? Bom, era tudo o que eu mais desejava, que o tal dr. Bruno – aquele que afirmou que eu não estava com endometriose - estivesse certo. Infelizmente não foi o que aconteceu. Muito pelo contrário, a cada dia, as dores eram ainda mais intensas. Muito fortes mesmo que, por muitas noites, eu acordava gemendo e gritando de dor. Ainda bem que, quase sempre, era fim de semana e eu estava na casa do meu namorado. Eu mal conseguia me mexer, imagina, então, levantar da cama. Nem pensar! Meu namorado acordava correndo para pegar o remédio. Eu já estava no buscopan composto, e apenas um comprimido não adiantava. No começo das dores, há muitos anos, o ponstan até resolvia, mas depois não deu mais. Tinha que ser dois e, às vezes, até três comprimidos de buscopan composto de uma vez.

Como já disse, quando as dores começavam, eu já falava: “Ai, a minha dor.” Sim, eu sempre as chamei de 'minhas', pois eram inexplicáveis. Por muitas vezes eu implorava para que elas dessem um tempo. As dores começam na região do abdômen, mas, não me pergunta aonde ela começava ou terminava, pois não sei explicar. De repente, ela se espalhava por todo o abdômen e para as pernas. Pronto! A minha barriga inchava, parecia que estava grávida e não conseguia mais andar. Eu tinha que deitar e colocar as minhas pernas para o alto. Sempre atencioso, meu namorado ficava desesperado perguntando o que poderia fazer e, como eu não conseguia respondê-lo, por algum tempo ele passava suas mãos carinhosamente em minha barriga. A barriga, por sinal, ficava muita, mas muita inchada e, imediatamente, eu tinha que desabotoar a calça. E, como as dores, já eram constantes em minha vida, não importava onde eu estava, na rua, no ônibus, no trabalho, eu abria mesmo a calça ou a bermuda. O meu rosto ficava pálido, esquisito e aonde quer que eu estivesse dava na cara que algo não ia bem. Parecia uma morta-viva. Li em alguns sites, que é normal algumas pessoas, principalmente, nossa família, achar que a dor é inventada. E isso também aconteceu comigo. Mas, como digo só quem está com endometriose sabe a dor que é. Até hoje não consigo explicar.

Em dezembro de 2009, fiz o ultrassom transvaginal e, pela primeira vez, apareceu concretamente o órgão e, como estava a endometriose: profunda no útero. O tratamento com anticoncepcional é a primeira etapa do tratamento, mas não melhorou em nada a minha dor. Na verdade, o que os médicos tentam em primeiro lugar é dar mais qualidade de vida para nós, e isso, significa tirar a tal dor. Cada mulher reage de um jeito e, como a doença ainda é considerada como 'nova' e enigmática, estamos sempre em teste, para saber qual tratamento se adequa ao nosso corpo. Aí, eu falo é preciso ter muita paciência. No meu caso, como o gestinol (anticoncepcional) não resolveu em nada, em março de 2010, iniciei a segunda etapa do tratamento: a menopausa induzida por remédios. Era preciso barrar a minha produção de hormônios. Acho que é isso que o dr. Bruno não sabe, que o simples fato de produzir hormônios pode causar a dor. A dor vem independente da menstruação. Como faço tratamento na UNIFESP, já tinha o cartão do SUS e do Hospital São Paulo, fui ao Posto de Saúde encomendar o Zoladex 10.8. Esta foi a minha sorte. Porque cada dose do remédio é quase 2 mil reais. Uma fortuna, que infelizmente está fora da minha realidade de jornalista, e com certeza, da maioria das mulheres que sofre com a doença. Encomendar?? Sim, como o remédio é de alto custo seriam necessários 30 dias para ele chegar.

Pronto, encomenda feita era só esperar. Como a data coincidia com a do Carnaval, esperei mais alguns dias e lá fui eu ao Posto de Saúde, na Vila Mariana. Cheguei por volta das 11h e gente, não preciso dizer que a fila estava quilométrica. Saí de lá quase 17h e por todo o tempo permaneci em pé. Não sentei nem por um minuto. Tinha pouco mais de duzentas pessoas na minha frente. Que loucura é aquilo ali. Mil coisas passaram pela minha cabeça. Naquele dia conheci algumas pessoas e muitas histórias de vida. Para quem vai todo mês, o que é a realidade da maioria daquelas pessoas, é um desespero total. Ainda bem que a minha dose, por ser a mais forte, a 10.8, vale por três meses. Como o remédio tem que ficar na geladeira levei uma caixa de isopor, que peguei no ambulatório da UNIFESP. No dia seguinte, liguei lá e agendei com a enfermeira o dia que iria tomar o Zoladex: 3 de março. Marquei neste dia, na quarta-feira, pois queria muito conversar com dr. Eduardo Schor. E é somente este dia da semana, que tem atendimento no ambulatório, tanto dos médicos, quanto das fisioterapeutas. Em minha cabeça, eu estava certa que esta seria a única dose a tomar. Caso não desse certo, eu queria a operação. Mas, em janeiro, dr. Carlos Sigolo, meu ginecologista, já havia me alertado que seria necessário pelo menos duas doses, ou seja, 6 meses.

Sempre atencioso dr. Schor me ouviu prontamente. Desabafei: “Dr. como será este tratamento. Eu sei que a endometriose é uma doença nova, que precisa ser testada e que cada organismo reage de um jeito. Mas não posso parar a minha vida por conta dela. Estava prestes a conseguir o trabalho que sempre desejei. Pela primeira vez, fui indicada por um grande amigo numa emissora de TV, que é o trabalho dos meus sonhos. Aliás, isso é tudo o que mais quero na vida. Esperei sete anos por esta oportunidade. Aí falei da endometriose e acabei perdendo a vaga. E, provavelmente, quando fui demitida do meu último trabalho, em dezembro de 2009, a doença também teve uma parcela de culpa. Estou completamente sem grana, desesperada e não posso ficar sem trabalho”, falei, aos prantos. Ele olhou nos meus olhos e disse: “Caroline, entendo tudo o que me disse. Mas temos que ter FÉ. Você tem FÉ?", perguntou. “Claro que tenho e muita dr.”, respondi. "Vou acompanhar o seu caso. E, em breve, conversaremos novamente", disse dr. Schor. Depois, a enfermeira Ângela me aplicou o Zoladex. Gente, a agulha é muito grossa e, a seringa, beeem grande. Não é aquela injeção que estamos acostumados a tomar em farmácias e hospitais, sabe. Passados quase dois meses ainda têm a marca da agulha bem nítida em minha barriga. Ela é aplicada próximo ao umbigo. Nesse tempo, confesso que as dores diminuíram em sua intensidade. E, graças ao Zoladex, ainda não acordei nenhuma noite berrando de dor. Mas, elas ainda existem, quase todos os dias, e dói, ainda dói muito.

Mas mesmo moreeeendo de dor, nunca faltei ao trabalho. Até mesmo quando era freelancer e tinha que ir à redação, eu ia rastejando, mas ia. Eu sempre fui extremamente responsável com o meu trabalho e sempre lutei muito contra essa terrível dor. Agora, com a menopausa, o mais engraçado é que quando realizo algum exame ou comento com alguém que estou na menopausa, ninguém acredita. “Como assim 31 anos”. Aí tenho que contar toda a minha história. Olha, e não demorou muito para eu sentir os efeitos da tão falada menopausa, e digo viu, que calorãããããõ. Uma loucura! Parece que estou com uma bola de fogo em minha cabeça e as minhas bochechas estão sempre rosadas. E a cabeça também dói, viu. Dói muito! Ufa, falei demais! Por hoje é só! Beijos com carinho!!

terça-feira, 13 de abril de 2010

ENFIM, O DIAGNÓSTICO DA ENDOMETRIOSE!

Como falei em minha apresentação, convivo com a endometriose há mais de 12 anos. Na verdade, e acho que é bem mais. Sempre senti cólicas muito fortes em meus períodos menstruais. Aos 15 anos, retirei um cisto no ovário e, como tive muitos outros, achava que, ter cólica era normal. Com o diagnóstico da doença, descobri que este meu pensamento era um grande erro. Aliás, um dos primeiros sintomas da endometriose é a cólica muito forte. Bom, mas como descobri que eu tinha endometriose? Lá vem de novo a minha amiga Luciana Palmeira. Conheci a Lú quando eu freelava para a Revista Caras. Logo nos simpatizamos muito uma com a outra, mas a nossa relação de amizade começou quando ela saiu de lá, e foi para a Realidade Virtual. Como eu era jornalista freelancer, e por conta do tratamento, ainda continuo sendo, Lú precisou de jornalista e me chamou. Em um de nossos almoços, ela perguntou de Marcão, como é conhecido o meu namorado. Marcão é fotógrafo e eles se conheceram na época da revista. Falei que ele estava bem, e que quando precisasse de um bom fotógrafo podia cotá-lo. Benditas palavras estas minhas! Coisa de minha intuição! Não demorou muito e lá foi Marcão fotografar um evento médico e, para a nossa surpresa, qual era? Uma palestra sobre endometriose. No intervalo, o meu telefone toca, era ele. “Carol, acho que descobri o que você tem: endometriose”. Eu já estva cansada de sentir dor, pois, a cada dia, as dores eram ainda mais intensas. A esta altura, eu já estava fazendo milhões de exames, todos os possíveis e imagináveis, para tentar descobrir de onde vinham as minhas dores. Era assim que eu relacionava as dores, chamando-as de 'minhas', pois, era algo inexplicável, mas devo falar em outro post. Quem me ajudou nesta ‘investigação’ foi o Dr. Roberto Hiroshi Ieiri, um excelente coloproctologista, que é médico da família há mais de 20 anos e de extrema confiança. Dr. Roberto se dispôs a pedir e ver todos os meus exames. Mas, para minha surpresa, todos os exames estavam normais. Muitos de sangue, urina, fezes, ultrassom total de abdômen, entre muitos outros. Eu espalhava todos os exames na cama e não me conformava com os laudos... todos normais. Com a possível descoberta de meu namorado, fui logo contar a boa-nova ao Dr. Roberto. Quando falei da suspeita da doença, ele me disse: “Então, você precisa fazer uma ressonância magnética de abdômen total e da pelve, pois, só este exame pode indicar a doença. Para você não perder mais tempo em ir ao seu ginecologista para ele fazer a guia do exame, eu peço e, assim que tiver pronto, você leva para ele ver”. E assim foi. Realmente a dor era muito forte para esperar mais alguns dias até eu marcar com o ginecologista, depois até marcar o exame, seriam pelo menos uns 10 dias. O pior é que, por conta do convênio, eu acabara de mudar de ginecologista. Este novo ginecologista, de nome Bruno, que tem consultório em uma região nobre de São Paulo, foi indicado por uma amiga. Mas confesso que, já na primeira consulta, até então a única vez que fui lá, não me senti muito à vontade, quanto me sentia com o meu antigo e querido Dr. Carlos Sigolo. Com o resultado em mãos, eu estava tão curiosa, que fucei e vi que meu namorado estava certo. No exame, apontava uma suspeita de endometriose e de adenomiose e também um mioma. O que é isso, tantos ‘ose’? Bom, sei lá, mas lá fui eu no novo médico para ele me explicar o que significava esses ‘oses’. E, para minha surpresa, ele abriu o exame, não me examinou e já foi logo falando... Aliás, um ano depois, suas palavras ainda não saíram de minha cabeça. “Você tem dor durante ou fora da menstruação". "Nos dois casos. Muitas vezes dói até mais fora dela", respondi. "Então, você não tem endometriose, tira isso da sua cabeça”. Mas, diante do diagnóstico da ressonância, questionei. “Dr. porque a ressonância apontou isso então, de onde vêm as minhas dores”. “Não sei, mas endometriose você não tem. Tira isso da sua cabeça”, repetiu ele. Diante disso, ele me pediu um ultrassom transvaginal com uma médica e, segundo ele, tinha que ser com tal médica. Era março de 2009 e a dra só tinha vaga para junho. Esperar mais três meses. Nem pensar, quem sentia as terríveis dores era eu, e não o tal médico. Sou leiga no assunto, mas inteligente para saber a confiança de uma RM. Se um exame como este indicava a suspeita de endometriose, em quem eu confiaria: no médico, que eu mal conhecia e, logo não fui com a cara, ou no laudo do exame? No exame, claro. Sou uma pessoa extremamente intuitiva e sai do consultório com a famosa pulga atrás da orelha. Na verdade, o que mais intrigou este tal médico foi o fato de eu sentir dor, mesmo fora do meu período menstrual. Quando soube o que o médico disse, minha mãe, que fuçou comigo n exame, na noite anterior, e já sabia das suspeitas, ficou doida e disse que pagaria uma consulta particular com o Dr. Carlos, a quem eu confio plenamente. Afinal, sou sua paciente há 16 anos. No dia seguinte, fui ao seu consultório e de fato, Dr. Carlos confirmou a suspeita da endometriose. Aliás, eu tinha todos os sintomas da doença, fato que o outro médico nem quis saber. Agora, me pergunto? E se eu tivesse acreditado naquele médico? Será que aquilo que ele me disse, também não foi dito para tantas outras mulheres? E se alguma acreditou nele? Foi por isso e tantos outros motivos, que criei este blog. Mas aí a suspeita da doença me intrigou. Como assim suspeita? Ou tenho, ou não tenho a tal endometriose. Dr. Carlos me explicou e depois pesquisando também fiquei sabendo que a doença demora um pouco mais para aparecer, mas que a suspeita já indicava a doença, só não sabíamos onde, ou melhor, em qual órgão ela estava. Foi aí que comecei a primeira etapa do tratamento de endometriose, com o anticoncepcional Gestinol 28. Com ele, comecei a tomar remédio direto e parei de menstruar. Se aquele tal médico ficou intrigado porque eu morria de dor mesmo fora do período menstrual, ficar sem menstruar seria não sentir dor. Certo? Bom, isso vou contar no próximo post. Beijos e até mais.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

AGRADECIMENTOS!!

Olá, começo hoje as postagens no blog. Uso este primeiro post para agradecer pessoas queridas e especiais, que me ajudaram a descobrir a doença e, também, aquelas que me direcionaram à UNIFESP, lugar superespecializado, onde me trato, desde outubro de 2009. Em primeiro lugar, agradeço a Deus por ter colocado Marcos Vieira, meu namorado, em minha vida. Foi ele quem me ajudou a descobrir a endometriose. Como convivo com a doença há cerca de 12 anos, mesclarei situações do presente e do passado também. Com isso, logo vocês descobrirão como Marcos ajudou nesta luta. Em segundo lugar, a minha eterna gratidão por uma amiga queridíííssima e superimportante em minha vida, a Luciana Palmeira, e também à Marlene Oliveira, as responsáveis pelo meu encaminhamento na Unifesp. Marlene é diretora-presidente da Realidade Virtual, empresa que organiza eventos médicos, e Lú, jornalista como eu, trabalhava lá e foi quem entrou em contato com o dr. Eduardo Schor, médico especialista em endometriose, e me encaminhou para lá. Aqui, de todo o meu coração, MUITO OBRIGADA por tudo!!! Não sei o que seria de mim sem vocês. Ah, e o nome do blog foi sugestão da Lú, que adorei e era realmente o que eu queria. Beijos e até o próximo!!