terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

"SAÚDE E BEM-ESTAR": VOCÊ QUER REDUZIR ALGUNS DOS SINTOMAS DA ENDOMETRIOSE MUDANDO SEU ESTILO DE VIDA?

Fonte: Pixabay

O que você faria se alguém te desafiasse a mudar seu estilo de vida tendo como ponto de partida a prática de exercícios físicos específica para aqueles dias de mais dores? É exatamente isso que o educador físico Renato Trevisan, em parceria com o A Endometriose e Eu, oferece para você. Ele lança a plataforma online "Exercício e Endometriose" e te desafia a se exercitar naqueles que a dor tenta te dominar. Há dois anos ajudando a melhorar a qualidade de vida das endomulheres em Maringá, no Paraná, ele resolveu disponibilizar na internet o que está funcionando em sua clínica. O programa tem dois tipos de exercícios, os regenerativos (leia o texto do Renato sobre esse tipo de exercício ) desenvolvido especialmente para a endomulher fazer na crise de dor e os de força, para os dias que ela tiver melhor ou sem dores. Além de amenizar algumas dores como cólicas, dor na lombar, nas pernas, os exercícios físicos também melhora o sono, combatendo a insônia e ajudando na melhoria da qualidade do seu sono.

No programa online, além dos exercícios físicos feitos de acordo com o ciclo hormonal da mulher, há também dicas nutricionais com receitas saudáveis que vai te ajudar a melhorar a qualidade de vida e sua autoestima. E, para você, querida leitora, o Renato te dá um superpresente. Você poderá ter acesso a tudo isso, além do suporte dele, quando necessário, por um preço super especial: 43% de desconto do dia 1º a 8 de março, é só clicar neste link. E o melhor de tudo isso: é que você paga uma única vez. Isso mesmo, você adquire o programa "Exercício e Endometriose" e pode fazer durante um, dois, três, seis, 12 ou 15 meses. A intenção é que isso seja um ponta-pé inicial para você começar uma transformação em sua vida. Se você quer e acredita que vale a pena mudar de vida, colocar hábitos saudáveis no seu dia a dia e lutar por mais qualidade de vida, clica no link e conheça o programa "Exercício e Endometriose" e suas preciosas informações. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


Por Renato Trevisan, educador físico 
Edição: Caroline Salazar 

Olá meninas e meninos chegou o dia da grande surpresa!

Como prometido hoje, 1° de março, o primeiro dia do Mês Internacional de Conscientização da Endometriose, eu, Renato Trevisan em parceria com o A Endometriose e Eu temos um superpresente para você. 

Mas antes de trazer essa surpresa, deixa eu me apresentar e dizer a vocês, o que afinal de contas um gordinho Educador Físico tem a ver com a endometriose.

Bom sou Renato Trevisan, cofundador da Clínica A3 Atividade Física para a Saúde, e venho pouco mais de dois anos desenvolvendo atividades relacionadas ao exercício físico para promoção da saúde e qualidade de vida. 

Um belo dia (e considero belo por vários aspectos) apareceu na clínica uma mulher que sofria muito com as dores da endometriose pedindo ajuda para conseguir realizar exercícios físicos, pois ela sempre recebia orientação para essa prática, mas quando ia fazê-la acabava piorando os sintomas da patologia.

Como nossa metodologia é toda focada na qualidade de vida e saúde, e tem como base a fisiologia, não foi muito difícil encontrar um caminho para proporcionar a essa cliente uma melhora significativa já em pouco tempo.

Com os resultados obtidos, mais endomulheres apareceram, e assim consolidamos nosso programa de exercícios e endometriose.

Durante meus estudos para conhecer mais sobre a doença, eu me sensibilizei muito com o sofrimento das portadoras, com as dificuldades do dia a dia, e queria de alguma maneira tentar ajudar mais portadoras a resgatar sua autoestima melhorando sua qualidade de vida.

E a coisa não parou por ai. Meu envolvimento com a doença cresceu, e eu me candidatei para ser o coordenador da Endomarcha Time Brasil na cidade de Maringá (PR), o que me aproximou do blog A Endometriose e Eu.

Com isso um amigo empreendedor de negócios digitais teve a ideia de oferecer o programa que desenvolvi com minhas pacientes em uma plataforma online, possibilitando assim atingir um número maior de endomulheres. Afinal, agora eu também estou na luta com vocês não só para conscientizar a sociedade sobre a enfermidade, como ajudar a melhorar a qualidade de vida de muitas mulheres portadoras da doença.

Assim surgiu a plataforma online “Exercício e Endometriose, uma série de exercícios regenerativos + exercícios de força + dicas nutricionais com receitas saudáveis que você adquire apenas uma vez e fica com ele até quando quiser. Na estreia da parceria com o blog A Endometriose e Eu você adquire o programa com condições especiais do dia 1º ao dia 08 de março

Eu sei da realidade de muitas portadoras, tanto pelas minhas pacientes como pela Caroline, e por isso, fiz questão de reduzir a quase 50% de desconto. Ah, e você paga apenas uma vez, não é mensalidade não. Uma vez adquirido o programa é seu e você poderá acessá-lo até quando quiser.

Nos dias de dores você fará os exercícios regenerativos, mas nos dias que você estiver melhor você poderá fazer os de força. Nesses os pesos foram adaptados para objetos que você tem em casa. Simples e prático. Meu objetivo é te incentivar a começar a se exercitar, começar a mudar seu estilo de vida para um mais saudável, para que num futuro próximo você possa sair de casa para praticar sua atividade física.

Quem vai comigo? Quem aceita o desafio? Ah, e para quem adquirir quero saber seus resultados. Então espero que gostem da surpresa, possam aprender um pouco sobre a importância do exercício físico na vida da endomulher e conquistem qualidade de vida e saúde em seu dia a dia. Estou aqui para ajudar todas vocês. Forte abraço!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

ENDOMARCHA 2017: FALTAM 30 DIAS - A SAÚDE É UM DIREITO CONSTITUCIONAL DE TODOS E DEVER DO ESTADO!!

  Uma das nossas faixas de reivindicação e a logomarca oficial da EndoMarcha 2017
Já falei sobre a importância de lutar por políticas públicas para as endomulheres e também porque precisamos ir às ruas no próximo dia 25 de março. A EndoMarcha tem o papel de unir todos aqueles que lutam em prol da conscientização da endometriose. A caminhada, que será realizada em cerca de 60 países, e em 13 cidades brasileiras, de 11 diferentes estados, tem o objetivo de conscientizar a população a respeito dos sintomas da doença e exigir o reconhecimento da endometriose como doença social. Leia a entrevista com a deputada estadual Lenir Rodrigues, autora da lei estadual 1.111/16, sobre a importância do reconhecimento da endometriose como doença social. Você sabia que está na Constituição Federal de 1988 artigo 196 que "A saúde é direito de todos e dever do Estado"? Esses são os mesmos dizeres de uma das faixas que usamos na EndoMarcha São Paulo

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução dos riscos de doenças e de outros agravos e o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Tal preceito é complementado pela lei 8.080/90 no artigo 2°:

“A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício”.

Se garantir o direito à saúde a todos os cidadãos é um dever do Estado, e isso está assegurado fornecer medicamentos e tratamentos, porque cada vez mais o acesso ao tratamento à endometriose é precário? Cada semana que passa fico sabendo que o atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em São Paulo caiu muito. Daí eu pergunto: de que adianta ter um ambulatório aberto cheios de restrições? A frase que eu escutei em 2011, depois de dois anos na fisioterapia num ambulatório-escola: “Não podemos fazer mais nada por você”, é ouvida por muitas endomulheres até hoje por lá. A Nicole ouviu esta mesma frase no mês passado.

Eu sei que o sistema é um lixo, que não funciona, mas se o profissional da saúde já sabe disso (porque todos nós brasileiros estamos carecas de saber isso) e mesmo assim ele ainda opta por atender no SUS, ele precisa ser mais cordial, atender com mais paciência, e saber que ele está ali para resolver o problema de saúde de um ser humano e não dar mais problemas a essa pessoa. Isso mesmo: ser humano e não um animal. Que, aliás, até os animais merecem respeito. Muitas vezes quem está de branco se esquece que tem uma pessoa de carne e osso que está sofrendo. No caso das endomulheres, muitas sofrem com as dores severas, que são negligenciadas pelos profissionais de saúde. 

Você tem duas alternativas: continuar sendo a vítima de uma saúde lixo ou levantar, arregaçar as mangas e ir à luta. Bom, eu escolhi a segunda opção, e você? Venha marchar conosco na EndoMarcha 2017. Chega de silêncio, chega de ser invisível. 13 cidades, de 11 diferentes estados, estarão presentes: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Curitiba, Londrina e Maringá (PR), Florianópolis (SC), Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Boa Vista (RR). Clique aqui e faça já seu cadastro, é rápido e gratuito. Convide seus amigos, seus familiares conhecidos, vizinhos. Todos juntos em benefício da saúde da mulher. A união faz a força e juntas somos mais fortes!  

Se você tem uma empresa e quer patrocinar a marcha em alguma cidade, entre em contato comigo endomarch.brazil@gmail.com. Beijo carinhoso! A capitã, Caroline Salazar 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR HÉLIO SATO!






Depois de explicar o que é a endometriose, como deve ser feito o diagnóstico da doença, como a doença afeta a qualidade de vida de uma mulher e a questão infertilidade provocada pela endometriose e outras doenças, no quinto e último vídeo sobre endometriose o doutor Hélio Sato  fala sobre os tratamentos. O tratamento pode ser clínico e ou cirúrgico, porém nem toda endomulher tem de fazer a cirurgia. A cirurgia é o único tratamento que pode exterminar com a endometriose, porém para aquelas que não querem operar ou que a cirurgia não é indicada o tratamento clínico pode muito bem minimizar os sintomas da doença. Cada tratamento é único, individualizado. O que serve para mim não necessariamente servirá para você. Por isso o especialista ele tem de saber não só como tratar a doença, mas ouvir a paciente, saber qual a sua necessidade. Geralmente a cirurgia é indicada para os casos severos de dores e infertilidade. Mas cada caso é único. O importante é a endomulher estar em boas mãos, em mãos de quem realmente sabe tratar a portadora e a doença. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

"SAÚDE E BEM-ESTAR": A IMPORTÂNCIA DOS EXERCÍCIOS REGENERATIVOS DURANTE AS CRISES DE DOR!!

imagem cedida por Free Digital Photos


Em seu segundo texto para o A Endometriose e Eu o educador físico Renato Trevisan, da A3 Saúde, explica a importância e os benefícios dos exercícios regenerativos quando as portadoras estão nas crises de dores. Sim, você leu certo! O exercício regenerativo auxilia não só no combate às dores, mas também ajudará você a dormir melhor. Já pensou em ter uma noite de sono mais tranquila e botar a insônia pra correr? Parece um sonho, não... mas agora é real. Exercitar de maneira correta, respeitando os limites do seu corpo é um dos melhores remédios (e natural!) para aliviar as dores da endometriose.

Pensando em proporcionar maior bem-estar às endomulheres, no próximo dia 1° de março, primeiro dia do Mês Internacional de Conscientização da Endometriose, a  A3 Saúde e o A Endometriose e Eu trará uma grande surpresa especialmente para você, querida leitora. Uma das missões do blog sempre foi ajudar você a conviver melhor com a endometriose. Vmos te ajudar a dar o primeiro passo rumo a um novo estilo de vida, a uma nova vida, a uma vida sem dores. Aguarde! Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por Renato Trevisan, educador físico
Edição: Caroline Salazar

A importância dos exercícios regenerativos durante as crises de dores da endometriose.


Você já imaginou que fazer exercício nos momentos de crise de dores causadas pela endometriose, pode trazer alívio e bem-estar para o seu dia a dia?

Isso mesmo. Mas antes que você queira brigar comigo, deixa eu te falar como foi que eu descobri isso!

Você pode se perguntar: “Como é que pode um homem falar que quando eu estou com dor devo fazer exercício? Eu mal consigo trabalhar e fazer minhas tarefas do dia a dia. E ele vem me falar para fazer exercício!”

Pode até parecer uma maluquice, mas vou mostrar para você, que isso que estou te contando pode ser muito interessante!

Fazer exercício físico é uma prática que vai muito além do movimento músculo esquelético realizado.

Praticar exercício pode ser um momento mágico, de produção hormonal e transformações bioquímicas no seu organismo. Digo que pode ser, porque assim como tudo que fazemos em nossa vida, é preciso de medida certa e planejamento adequado.

Nós sabemos, por exemplo, que há medicamentos ótimos para aliviar os sintomas da endometriose, mas nem por isso vocês sairão tomando sem controle esses remédios. Provavelmente muitas de vocês aumentam a quantidade passada pelo médico para conseguir obter um resultado mais rápido, não é mesmo? Existe a dosagem correta para que o objetivo do medicamento seja atingido.

Com o exercício físico é a mesma coisa.

Muito bem, o tipo de estímulo que oferecemos ao nosso organismo, vai determinar quais serão as reações que ocorrerão para produção de hormônios e reações bioquímicas. Certos estímulos são tão benéficos que podem se tornar nosso próprio remédio. O estímulo que proporcionamos ao nosso organismo quando praticamos exercícios pode ser o remédio mais eficaz para aliviar as crises devido às dores causadas pela endometriose.

No texto anterior Os benefícios da atividade física no controle dos sintomas da endometriose, eu apontei alguns dos benefícios proporcionados pelo exercício físico em relação a Endometriose, como:
·        
           1- Controle dos níveis de estradiol (estrogênio);
      2 - Controle de cortisol;
      3 - Redução da resistência insulínica;
      4- Produção de endorfina;
      5- Organização do sono;
      6- Diminuição da gordura corporal.

E hoje quero falar especificamente sobre o exercício REGENERATIVO.

Como o seu nome diz explicitamente, o exercício regenerativo tem a função de proporcionar ao organismo a melhor situação bioquímica possível, para realizar o processo de restauração, que ocorre principalmente durante o sono profundo.

Portanto, estimular o bom sono é um dos segredos do exercício regenerativo. Pode acreditar você vai dormir e sonhar colorido. Você já ouviu esse termo?

Deirdre Barrett, pesquisadora e psicóloga afirma queO ato de dormir ajuda a suprir nossas demandas fisiológicas importantes. Por exemplo, é durante o sono que ocorre a reposição dos neurotransmissores, substâncias responsáveis por modular as sensações de ansiedade, felicidade, a capacidade de fixar a atenção, entre outras funções”.

Atingir o sono profundo e prolongado possibilita ao nosso organismo estabelecer a reorganização hormonal e bioquímica. Barrett, aponta ainda em seus estudos que os sonhos – que geralmente ocorrem na fase mais profunda do sono – também exercem um papel importante na saúde neurológica.

Outra relação fundamental do exercício regenerativo com as dores da endometriose é o estímulo para a produção de Endorfina.

Eu já falei sobre isso, no texto anterior, mas vamos reforçar sua importância em momentos de dores e estado depressivo.

 “As endorfinas são substâncias bioquímicas analgésicas segregadas pelo cérebro que executam um papel essencial no equilíbrio entre o tônus vital e a depressão. Elas são responsáveis por nosso estado emocional.”
Costa et al (2007)

As Endorfinas aliviam as dores e promovem um estado de relaxamento no organismo. Em resumo, o que estou dizendo é: está chegando uma crise de dor, está faltando vontade de fazer as coisas do dia a dia, está com dores e sofrendo em casa?

Experimente começar a fazer exercícios regenerativos para ter uma melhor qualidade de vida.
É importante reforçar que cada pessoa se adapta de maneira diferente aos estímulos da prática regular do exercício. Por isso não saia por aí fazendo qualquer exercício. Procure um profissional que conheça e entenda o que você está passando.

Costumo dizer que se o seu Educador Físico nunca perguntou a você sobre o seu ciclo menstrual, pode cair fora. Isso mostra que ele treina você e todas as mulheres da mesma forma, sem respeitar seu ciclo hormonal e suas particularidades.  

Falo sobre esse assunto tranquilamente porque eu vivi momentos difíceis, sofri com obesidade, dores inflamatórias e tive problemas sérios para dormir durante muitos anos. Quando tive contato com a endometriose, percebi a similaridade que existia entre o que eu havia vivido e o que as mulheres com endometriose passavam. E não tive dúvidas que todo meu histórico e tudo que eu já havia estudado, poderiam ajudar e muito as mulheres que estão passando por esse processo.

Aprendi na prática a colocar o exercício regenerativo na vida das pessoas com dores da endometriose. E o mais importante é que conseguimos colher os resultados desse trabalho. É isso que faço em minha clínica de personal. Hoje trabalhamos com o slogan “transformar vidas”, pois é esse o entendimento que temos do poder do exercício planejado em nosso organismo.

Quero de alguma forma encorajar você a viver essa experiência. Não será fácil, não será de um dia para o outro, mas coloque o exercício e as boas escolhas alimentares no seu dia a dia. Pode ter certeza que será transformador para a sua qualidade de vida.

Não se trata de curar a endometriose com a prática de exercícios, mas sim de colocar a prática de boas escolhas em sua vida, de forma que essa transformação contribua muito com o seu tratamento.

Acredite, o exercício físico pode contribuir imensamente nos momentos de dores causadas pela endometriose

Acesse este link, faça seu cadastro gratuitamente e aguarde dia 1° de maio, pois você terá uma super surpresa da a Clínica A3 Saúde em parceria com o blog A Endometriose e Eu

Fontes de Pesquisa:

Costa, Rudy Alves et al, Benefícios da atividade física e do exercício físico na depressão. Revista do Departamento de Psicologia. UFF. 2007.

Barrett, D & McNamara, P (Eds.) A enciclopédia do sono e dos sonhos (2 vol.) Greenwood / junho de 2012.


Sobre Renato Trevisan:

Educador físico, é pós-graduado em atividade motora adaptada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É diretor do Centro de Saúde A3 Atividade Física para a Saúde em Maringá, no paraná, e é coordenador da EndoMarcha Maringá. Acesse a fanpage da A3.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

RORAIMA SANCIONA A PRIMEIRA LEI ESTADUAL DE CONSCIENTIZAÇÃO DA ENDOMETRIOSE DO BRASIL!!


A lei 1.111/16 que institui a primeira “Semana Estadual de Educação Preventiva
 e de Enfrentamento à Endometriose" do Brasil


Um ano atrás conheci a advogada Nathalia, de Boa Vista, Roraima. Nathalia entrou em contato comigo questionado a respeito do que estava sendo feito no âmbito de direitos legais das portadoras e ofereceu ajuda de sua mãe, a deputada estadual Lenir Rodrigues, do PPS, para contribuir no que fosse preciso. Coincidentemente nesta mesma época elas estavam em São Paulo. Assim como milhares de endomulheres, que precisam sair de suas cidades em busca de tratamento especializado em grandes centros, Nathalia também estava na capital paulista para este fim. Marcamos um almoço e lá fui eu conhecê-las e constatar mais uma história de negligência e diagnóstico tardio pela falta de conhecimento dos médicos quanto aos sintomas da doença. De Norte a Sul do país os médicos ainda acham que cólica incapacitante ainda é normal. Nathalia tem muitos dos sintomas da doença desde seus 11 anos, mas só foi diagnosticada aos 23 anos, após uma cirurgia de retirada de um endometrioma (Leia o texto "O verdadeiro significado do endometrioma de ovário"). 

Foi um encontro fantástico, com trocas de ideias e a certeza de que ali no extremo norte do Brasil sairia a 1ª lei estadual da endometriose. A mãe de Nathalia já faz trabalhos social sobre outras doenças, como o câncer de mama, e também na área da educação à população mais carente. Ela quis ouvir atentamente as reivindicações do A Endometriose e Eu e nossa luta pelo reconhecimento da doença como social. Neste mesmo dia Nathalia mostrou interesse em levar a EndoMarcha (saiba as 13 cidades inscritas e faça seu cadastro aqui) a Boa Vista e assumiu a coordenação da marcha na cidade. Comprometi a ajudá-las e foi ótimo estar diretamente ligada à criação de uma lei  onde pudemos expor de maneira correta questões importantes sobre a doença. O nosso colaborador, o ginecologista e especialista em endometriose,doutor Alysson Zanatta, de Brasília, foi o responsável pela parte técnica da doença, para que não houvesse os mesmos erros da de Campo Grande. 

Para inspirar a criação de novas leis no Brasil fiz uma entrevista exclusiva com a deputada Lenir Rodrigues, do PPS, onde ela fala sobre a importância de se ter a "Semana Estadual de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose" em outras cidades e estados, do reconhecimento da doença como social no país, o que precisa ser feito para mudar a realidade das mais de 6 milhões de endomulheres e a importância do engajamento de movimentos vindos da sociedade civil, como a EndoMarcha e o blog A Endometriose e Eu, e das informações disponíveis virtualmente. Beijo carinhoso! 

Entrevista por Caroline Salazar

- Como a deputada tomou conhecimento da endometriose?
Deputada Lenir Rodrigues: Tive conhecimento da endometriose por meio da minha filha, quando foi me informar que estava com esse diagnóstico. Nunca tinha sequer ouvido falar. E ela aprendeu muito sobre a doença e seus sintomas no blog A Endometriose e Eu.              
                                 
- Qual a importância de se estabelecer a Semana de Conscientização da Endometriose?
Deputada Lenir Rodrigues: É muito importante termos em todos os Estados do Brasil, a Semana Estadual de Educação Preventiva e de enfrentamento à Endometriose para que a população possa tomar conhecimento dos sintomas da Endometriose e possa ter a capacidade de identificar e prevenir maiores sofrimentos para quem adquire a endometriose.

- Roraima é um estado que ainda não tem tratamento especializado pelo SUS. A senhora acha que a lei número 1.111/16 que institui a “Semana Estadual de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose” poderá mudar esta realidade?
Deputada Lenir Rodrigues:  A Lei 1.111/16 é uma ferramenta de cobrança aos poderes, órgãos e instituições para que se fale sobre os sintomas da endometriose, sobre a disponibilidade de tratamento público, sobre o investimento nos profissionais da saúde sobre como informar, acompanhar e tratar pacientes com endometriose.

- A deputada tem um vasto trabalho na área saúde da mulher e da educação. O que a senhora enquanto autora da lei e presidente da Procuradoria Especial da Mulher pretende fazer para conscientizar as mulheres do Estado sobre a doença?
Deputada Lenir Rodrigues: A Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa irá apoiar a primeira edição da EndoMarcha em Roraima, a quarta já realizada no Brasil que ocorrerá dia 25 de março de 2017. Além, da produção e divulgação dos Objetivos da Marcha e da “Semana Estadual de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose”. Será um momento ímpar em Roraima, como processo educativo sobre a doença.

- Qual a importância de ter políticas públicas para as mais de 6 milhões de endomulheres?
Deputada Lenir Rodrigues: É de fundamental importância termos políticas públicas para as endomulheres para que elas possam principalmente ter acesso à informação, para evitarem serem mutiladas (perdendo seus órgãos reprodutivos) e na maioria das vezes sem necessidade por ausência de formação profissional específica aos profissionais de saúde, ausência de serviços públicos de cirurgia por videolaparoscopia nas localidades e outros fatores, como exemplos do que acontece, em um lugar distante como Roraima.

 
- Uma das missões do blog A Endometriose e Eu é o reconhecimento da endometriose como uma doença social e de saúde pública pelo governo federal para que as portadoras tenham o mesmo direito perante a lei como qualquer outro portador de doenças crônicas. Como a deputada vê a importância desse reconhecimento?
Deputada Lenir Rodrigues: A Lei 1.111/16 veio com esse propósito de dar um GRITO NO ESTADO DE RORAIMA que a Endometriose é uma doença social que precisa ser identificada, que precisamos conhecer os rostos das mulheres que sofrem no anonimato e não tem acesso aos serviços públicos de saúde, porque não temos medicina especializada na área nos lugares de difícil acesso. Mas, com a globalização da informação, as mulheres mais simples podem conhecer os sintomas da doença e como eu, ter acesso à informação foi um grande passo para diminuir o sofrimento da minha filha e de outras mulheres que já conseguimos identificar. O blog A Endometriose e Eu foi fundamental para o acesso à informação que temos hoje.

- O que precisa para ter esse reconhecimento?
 Deputada Lenir Rodrigues: Precisa de uma ação mais enérgica no Congresso Nacional para inserirmos a Endometriose como pauta para que o Ministério da Saúde estabeleça Resoluções e Portarias que foquem recursos públicos na pesquisa, estudo e formação de profissionais, e principalmente, no tratamento das vítimas, sim... vítimas de ausência de tratamentos adequados e acessíveis para endometriose.

- A seu ver o que falta para a doença ser levada mais a sério por profissionais de saúde?
 Deputada Lenir Rodrigues: Investimentos por parte do Ministério da Educação em pesquisa, nos cursos de Biologia (onde estão os melhores pesquisadores do mundo em saúde pública), na Psicologia, na Enfermagem e na Medicina. Se os médicos, psicólogos e enfermeiros saem da Universidade sem JAMAIS terem ouvido falar de como se trata uma paciente com endometriose... Dificilmente o tratamento será adequado.

- Soube que a governadora vetou a lei em primeira instância. Por que isso aconteceu?
 Deputada Lenir Rodrigues: Foi muito triste saber que o Estado de Roraima tem a única governadora do país. Mas, creio que foi por motivações políticas, porque exerço um mandato popular em oposição ao governo. Porém, os deputados derrubaram o veto e a Lei foi sancionada e promulgada. O projeto de Lei foi apresentado como autorizativo (o poder executivo aplica a lei se quiser) mas, nada impede que órgãos de outros poderes (legislativo e judiciário) ou instituições privadas possam realizar atividades descritas na Lei 1.111/16.

 - A capital Boa Vista estará presente na 4ª edição da EndoMarcha, Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose, no dia 25 de março. Qual a importância de movimentos oriundos da população e com participação ativa da sociedade civil?
Deputada Lenir Rodrigues: Com a Lei 1.111/16 ficou mais evidente a importância da EndoMarcha em Roraima, para nosso estado será uma grande honra estarmos participando de uma ação mundialmente conhecida. É como se o Estado de Roraima estivesse dormindo enquanto suas mulheres estavam sendo mutiladas sem informação. Vamos GRITAR, ALARDEAR E COMUNICAR que a Endometriose EXISTE e que tem tratamento. Que precisamos exigir tratamento público e com profissionais preparados.

- Foi com a EndoMarcha que conseguimos a primeira lei de endometriose do Brasil, na cidade de Campo Grande, no MS. Qual a importância deste movimento para Roraima, em especial, Boa Vista?
 Deputada Lenir Rodrigues: Foi com o sofrimento dentro de casa, nas dores da minha filha, nas lágrimas que derramei e que a vi derramar... foi buscando informações que os profissionais de saúde durante anos não souberam responder... foi vendo a intoxicação de remédios inúteis e prescritos de forma equivocada, aleatória e sem resultados. Foi na ameaça, sim, soa como uma ameaça: “você não poderá ter filhos!” Foi sentindo-se ignorante, sem acesso à informação, sem acesso a um serviço de saúde pública, foi vendo minha filha saber mais de endometriose que os profissionais de saúde que a atendiam... que literalmente seguindo o exemplo de Mato Grosso do Sul, vamos enfim... começar uma grande marcha para romper a ignorância sobre endometriose.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

ENDOMARCHA2017: BAIXE E COMPARTILHE O FLYER DIGITAL E TROQUE SUA CAPA DO FACEBOOK!!



O flyer digital da EndoMarcha Time Brasil 2017 com as cidades e os pontos de concentração

Hoje apresentamos o flyer digital da EndoMarcha - Time Brasil 2017 com os pontos de concentração das 13 cidades, dos 11 diferentes estados, que sediarão a 4ª edição da Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Londrina, Curitiba, Maringá, Florianópolis, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Salvador, Fortaleza e Boa Vista. Em todas as cidades, o horário de início de concentração será às 9h e o início da caminhada às 10hVamos trocar a capa do facebook com a foto abaixo, divulgar e convidar os amigos a participarem da marcha no próximo dia 25 de março em prol de mais de 6 milhões de brasileiras. Vamos acabar com nosso silêncio e lutar pelos nossos direitos. Faça sua inscrição gratuita aqui. Atenção: se você já se inscreveu em algum ano anterior, não precisa se cadastrar novamente. Basta se inscrever apenas uma vez! Beijo carinhoso! Caroline Salazar


A capa do facebook da EndoMarcha 2017 Time Brasil

domingo, 12 de fevereiro de 2017

"SAÚDE E BEM-ESTAR": QUATRO HÁBITOS QUE PODEM PREJUDICAR A SAÚDE VAGINAL!!

Fonte: Modasta.com 

A vagina é um  dos órgãos do sistema reprodutor feminino e que merece toda nossa atenção em relação aos cuidados. Por ser um órgão interno é preciso redobrar os cuidados. Infelizmente alguns hábitos que muitas mulheres têm diariamente podem prejudicar a saúde deste órgão. Você sabia que até a forma como você lava a calcinha, os produtos que você usa, pode prejudicar a saúde da sua vagina? A ginecologista, obstetra e especialista em endometriose, doutora Graciela Morgado, lista quatro hábitos que podem prejudicar a saúde vaginal. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por doutora Graciela Morgado
Edição: Caroline Salazar


Quatro hábitos que podem prejudicar a saúde vaginal

Você sabia que a forma como você lava a sua calcinha pode influenciar sua saúde íntima? E que calças jeans apertadas podem causar infecções urinárias? A vagina é um órgão que precisa de cuidados, pois o aumento da temperatura e a umidade favorecem a proliferação de bactérias. Conheça alguns hábitos comuns que podem ser prejudiciais para a saúde da sua vagina:

- Cuidado com os medicamentos que você ingere. Alguns medicamentos podem ser prejudiciais para a saúde vaginal e podem causar secura no local ou tornar a mulher mais suscetível à infecções. Antibióticos, por exemplo, podem ser grandes vilões.

- Evite os absorventes diários. Muitas mulheres usam o absorvente íntimo diariamente, o que não é um hábito saudável. Este item abafa a vagina e deixa a região mais sensível à proliferação de fungos e bactérias.

- Como você lava as calcinhas? A forma com que você lava suas calcinhas também pode influenciar na sua saúde íntima. O ideal é usar sabonete neutro ou produtos específicos para esse fim e lavar separadamente das roupas.

- Jeans apertado. Sim, os jeans podem ser os grandes vilões da saúde feminina. Por ser um tecido quente e grosso, a calça jeans abafa e esquenta a região. Evite usá-las por muito tempo, principalmente se você trabalha sentada.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ENDOMARCHA 2017: FALTAM 45 DIAS - POR QUE PRECISAMOS IR ÀS RUAS NO DIA 25 DE MARÇO?

 Uma das nossas faixas de reivindicação e a logomarca oficial da EndoMarcha 2017

No último post falamos sobre a importância de lutar por políticas públicas para as endomulheres e hoje vou falar para vocês outro motivo pelo qual precisamos ir às ruas no dia 25 de março. Um dos objetivos da EndoMarcha é conscientizar a sociedade sobre a endometriose, doença que acomete uma a cada 10 mulheres. Durante a caminhada há a distribuição de panfletos com os principais sintomas da doença, ideia que peguei do primeiro evento de panfletagem que fizemos no Brasil o I Brasil na Conscientização da Endometriose, (acho que foi o primeiro feito no país no mês de março). Uma das missões do A Endometriose e Eu é justamente ajudar no diagnóstico  precoce da endometriose. Hoje a média mundial é de sete a 12 anos. Eu levei 18 anos para saber o que tinha de errado no meu corpo. Precisamos lutar para que a nova geração de portadoras não passem anos e anos sofrendo sem ter um diagnóstico e fazendo aquela via-sacra de médicos. Precisamos dar um basta nisso. 

Além de tornar os sintomas mais conhecidos da população, reivindicar nossos direitos também faz parte da diretriz  4ª edição da Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose.  A EndoMarcha 2017 é nosso grande momento. O dia 25 de março é nosso grande dia. Chegou o momento de nos unir, de mostrar nosso rosto, de dar coro a nossa voz, pois muitas endomulheres ainda sofrem em silêncio. Há poucos dias uma portadora entrou em contato comigo e me disse ter ficado com sequelas após operar com um renomado médico. Uma moça jovem de apenas 27 anos que passou a ter limitações por conta de um erro médico ou seria por ganância? 

Infelizmente a endometriose virou uma máquina de ganhar dinheiro. Sei que a especialização é cara, que os convênios médicos não pagam o que deveria aos cirurgiões e sua equipe, mas não é por isso que os médicos precisam operar de qualquer jeito a paciente. É preciso ser honesto, ter ética e fazer aquilo que está ao seu alcance. Os médicos, assim como todas as pessoas no mundo, também têm suas limitações. Não é todo especialista que opera endometriose nos nervos, por exemplo. No Brasil há uns três ou quatro cirurgiões aptos a realizar este tipo de cirurgia. Infelizmente a vida dessa endomulher não vai mudar, mas ela quer contar sua história no blog para alertar outras endomulheres.  


Você tem duas alternativas: continuar sendo a vítima de uma saúde lixo ou levantar, arregaçar as mangas e ir à luta. Bom, eu escolhi a segunda opção, e você? Venha marchar conosco na EndoMarcha 2017. Chega de silêncio, chega de ser invisível. 13 cidades, de 11 diferentes estados, estarão presentes: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Curitiba, Londrina e Maringá (PR), Florianópolis (SC), Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Boa Vista (RR). Clique aqui e faça já seu cadastro, é rápido e gratuito. Convide seus amigos, seus familiares, conhecidos, vizinhos. Todos juntos em benefício da saúde da mulher. A união faz a força e juntas somos mais fortes!  Se você tem uma empresa e quer patrocinar a marcha em alguma cidade, entre em contato comigo endomarch.brazil@gmail.com. Beijo carinhoso! A capitã, Caroline Salazar 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

TEORIA AUTOIMUNE, RETIRADA DOS OVÁRIOS... FUJAMOS DOS CAMINHOS TORTUOSOS DA ENDOMETRIOSE!!

Crédito: Clínica Pelvi/ doutor Alysson Zanatta


A endometriose ainda é uma doença de difícil entendimento, tanto por parte das pacientes quanto dos médicos. Informações equivocadas a respeito da doença são difundidas e dadas como corretas há décadas. E, infelizmente isso ocorre, principalmente, por parte de médicos que se dizem especialistas. Essa verdade é dada como absoluta fazendo com que suas pacientes passem a acreditar no que foi dito no consultório.  O problema é que muitos não sabem tratar a doença, pois não sabe sua origem. Muitos culpam os ovários ou o útero, o estrogênio e o endométrio de "darem" a doença à mulher. Mulheres são mutiladas diariamente e perdem seus órgãos reprodutores, outras tão jovens começam a querer retirar esses órgãos por acharem que se livrarão da endometriose se não tiver mais os ovários e ou o útero. Mediante esses fatos equivocados que passam pela mente das portadoras e para ajudar médicos a esclarecer mais sobre a doença pedi ao doutor Alysson Zanatta, de Brasília,  que esclarecesse um pouco mais sobre isso. Afinal, a doença vem do estrogênio? Dos ovários? Do útero? A teoria autoimune faz algum sentido? Qual a consequência para endomulheres que perdem seus órgãos reprodutores jovens? Mais um texto exclusivo A Endometriose e Eu. que vai te ajudar entender mais sobre a endometriose. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Por doutor Alysson Zanatta
Edição: Caroline Salazar 



Teoria Autoimune, Retirada dos Ovários... Fujamos dos Caminhos Tortuosos na Endometriose 

Queridas(os) leitoras (es),        

Discutir as causas da endometriose é caminho fundamental para entendermos a doença, e assim conseguirmos tratá-la adequadamente. Tamanha a sua importância que existem revistas científicas e até congressos médicos mundiais dedicados exclusivamente à doença. De igual (ou maior) importância é a discussão que ocorre entre as portadoras nas mídias sociais e nos fóruns online (como aqui, no blog A Endometriose e Eu). A troca de informações entre as mulheres e seus familiares é caminho concreto para evitarmos os caminhos tortuosos aos quais a doença nos leva.

Quando falamos de endometriose, entendemos que há poucas verdades científicas absolutas, infinitas suposições, e muitos caminhos tortuosos. Caminhos tortuosos capazes de tolherem os anos mais felizes e produtivos da vida de uma mulher. Isso ocorre pelas características enigmáticas e confusas da doença, e pela tendência que nós, humanos, temos a acreditar em fatos que reforçam positivamente nossas crenças. Temos uma tendência inata de acreditar nos fatos da maneira mais simples possível. O psicólogo Daniel Kahneman, prêmio Nobel de Economia (sim, de Economia!), descreve nosso cérebro como “o controlador preguiçoso” (1): chegamos às nossas conclusões da maneira mais “preguiçosa” possível. Isso é inerente ao ser humano.

... a endometriose nos leva a ... caminhos tortuosos capazes de tolherem os anos mais felizes e produtivos da vida de uma mulher. Isso ocorre pelas características enigmáticas e confusas da doença, e pela tendência que nós, humanos, temos a acreditar em fatos que reforçam positivamente nossas crenças...

Façamos um simples teste. Não tente resolvê-lo matematicamente, apenas dê ouvidos à sua intuição:

Um taco e uma bola de beisebol custam R$ 1,10.
O taco custa um real a mais que a bola.
Quanto custa a bola?
                (...)

Possivelmente, o número dez centavos veio à sua cabeça. Mas essa é a resposta errada. Faça as contas, e veja que se a bola custasse R$ 0,10, o valor total seria de R$ 1,20, e não de R$ 1,10. Assim, a resposta correta é que a bola custa R$ 0,05 (cinco centavos de real).

Sigamos em frente.

A endometriose provoca dores durante a menstruação.

Durante a menstruação, há células de endométrio que refluem da cavidade uterina para dentro da cavidade pélvica.

O que causa a endometriose?
                (...)

Cá estamos, um século após a proposição da teoria da menstruação retrógrada (e apesar da ausência de comprovação científica direta), tirando nossas conclusões e embasando nossas decisões terapêuticas de maneira automática e “preguiçosa”.

O cerne de toda a discussão é a teoria da menstruação retrógrada. A prova definitiva de sua veracidade seria documentarmos as células endometriais aderindo-se e invadindo os órgãos da pelve (ovários, intestino, apêndice, etc.) para formarem as lesões de endometriose. Mas essa prova não existe. Simplesmente não existe.

Para justificar a teoria da menstruação retrógrada, cuja comprovação direta não temos, surgiram outras teorias secundárias: fatores psicológicos, teoria autoimune, fatores sociais (mulheres que adiam a gestação para buscarem estabilidade profissional é argumento presente), etc. “Blame the patient” (“culpe o paciente”) é uma atitude milenar dos praticantes médicos (sejamos nós médicos, ou enfermeiros, ou fisioterapeutas, ou psicólogos), feita de maneira inconsciente, quando não sabemos as causas de determinada doença. Assim, fica mais fácil culpar o paciente pelos seus males.

... para justificar a teoria da menstruação retrógrada, cuja comprovação direta não temos, surgiram outras teorias secundárias: fatores psicológicos, teoria autoimune, fatores sociais (mulheres que adiam a gestação para buscarem estabilidade profissional é argumento presente), etc...

Por exemplo, analisemos a teoria autoimune da endometriose. Ela se baseia no suposto fato de que as células endometriais que refluem para a cavidade pélvica (uma verdade científica) não seriam “atacadas” e destruídas pelo nosso sistema de defesa autoimune (uma suposição), fazendo com que elas se tornassem persistentes e pudessem “invadir” os órgãos pélvicos (outra suposição).

O fato científico que comprovaria a teoria autoimune da endometriose seria demonstrarmos que nossas células de defesa (macrófagos, linfócitos) “atacam” e “destroem” as células endometriais. Deveríamos provar que a fagocitose (“destruição”) de células endometriais é um evento biológico comum em nosso dia a dia. Mas, essa prova não existe. Simplesmente não existe.

... deveríamos provar que a fagocitose (“destruição”) de células endometriais é um evento biológico comum em nosso dia a dia. Mas, essa prova não existe. Simplesmente não existe...

Por outro lado, conseguimos comprovar nos laboratórios que os macrófagos são capazes de fagocitar bactérias, por exemplo. Mas jamais comprovamos que eles fagocitem células endometriais. Nós também não observamos na prática clínica que mulheres com endometriose tenham mais doenças autoimunes do que a população geral. Além do mais, não há nenhuma medicação imunossupressora (que reduz a atividade do sistema imune) usada clinicamente para tratar a endometriose.

Mas será que existem apenas teorias não comprovadas para explicar a endometriose? Não, temos sim algumas verdades científicas. Uma delas é que a doença é dependente do estrogênio, o hormônio feminino.

Conseguimos documentar laboratorialmente que o estrogênio estimula o crescimento e a inflamação dos focos de endometriose. Clinicamente, observamos que as dores da endometriose costumam surgir com as primeiras menstruações (coincidente com o aumento dos níveis de estrogênio da mulher), e que as dores costumam desaparecer após a menopausa (apesar de algumas mulheres ainda persistirem com dor mesmo após a menopausa).

A comprovação da dependência hormonal na endometriose é à base do desenvolvimento de medicações (pílulas, injeções) capazes de controlar a dor da endometriose, e de amplo uso na prática clínica. Esse fato biológico também levou ao desenvolvimento de outras teorias para o tratamento da doença, como a de que a retirada dos ovários poderia tratar a endometriose.

Espere aí...

O estrogênio estimula os focos de endometriose, provocando inflamação e dor.

Os ovários são a principal fonte de estrogênio na mulher.

Por que não retirar cirurgicamente os ovários, e assim tratar a endometriose?
                (...)

E cá estamos novamente, com nosso cérebro “preguiçoso” ditando nossas ações.

A retirada dos ovários não trata a endometriose. Pelo contrário, pode levar a graves consequências: impossibilidade de gestação natural àquelas mulheres que o desejarem, e menopausa em uma fase precoce da vida da mulher, com suas intensas repercussões (sintomas incapacitantes de “calores”, alteração do humor, alterações psicológicas, e aumento do risco cardiovascular). Perguntem a uma jovem mulher que necessitou retirar os ovários, e ela poderá explicar melhor as consequências de uma menopausa cirúrgica precoce.

... a retirada dos ovários não trata a endometriose. Pelo contrário, pode levar a graves consequências: impossibilidade de gestação natural àquelas mulheres que o desejarem, e menopausa em uma fase precoce da vida da mulher, com suas intensas repercussões (sintomas incapacitantes de “calores”, alteração do humor, alterações psicológicas, e aumento do risco cardiovascular)....

Mas tudo bem. “Eu toparia pagar o preço da retirada dos ovários, já que vou tratar definitivamente a endometriose”, algumas poderiam argumentar. Infelizmente, a retirada dos ovários não trata a endometriose. Isso se deve a alguns motivos:

1.       Os ovários são as principais fontes de estrogênio na mulher, mas não são as únicas. Existe a produção periférica, feita nos tecidos gordurosos, além de pequena produção nas glândulas suprarrenais.

2.      As lesões de endometriose são basicamente lesões de tecido muscular “velho”, fibroso e irregular. Quando identificamos os nódulos de endometriose e/ou os cistos ovarianos, esses já representam fase avançada da doença, uma fase avançada de uma transformação celular que vem acontecendo há longo prazo.  A retirada do estrogênio pode diminuir a inflamação sobre eles, mas não farão com que as lesões regridam ou desapareçam.


Além do mais, o estrogênio é fundamental para o desenvolvimento da mulher, de seus órgãos genitais, e de seu bem-estar. Não podemos simplesmente abolir o estrogênio da vida da mulher.

Imaginem que uma cidade sofra todos os anos com destruição provocada por chuvas excessivas e enchentes. Pois bem, vamos, supostamente, construir uma redoma de vidro sobre essa cidade, e nunca mais irá chover sobre ela. Como ficará essa cidade, sem chuva para sempre? Isso resolve o problema? Será que não estaríamos causando mais problemas? O raciocínio é parecido quando falamos de estrogênio e endometriose.

Hipoteticamente, poderíamos evitar o desenvolvimento dos focos de endometriose se conseguíssemos bloquear, seletivamente, a ação dos estrogênios sobre as células de endometriose, enquanto o hormônio continuasse a exercer suas funções biológicas normais em outros tecidos.

E mais: esse bloqueio deveria ser feito em uma fase muito precoce da vida da mulher, pois já existem células de endometriose no feto (nota da editora: leia os textos endometriose em feto nascido vivo, endometriose é encontrada em fetos na mesma proporção que nas mulheres), antes mesmo do nascimento. Obviamente, teríamos que saber quais crianças seriam propensas a desenvolver a doença, sob o risco de tratarmos inadvertidamente meninas saudáveis.

Uma vez que a lesão de endometriose tenha se desenvolvido, essa lesão muscular, fibrosa e antiga, há apenas o controle analgésico e hormonal da dor como opções conservadoras de controle. Para o tratamento definitivo, a remoção cirúrgica máxima por laparoscopia é opção efetiva, para aquelas mulheres que tenham indicação. Infelizmente a cirurgia de remoção máxima da doença é pouco reprodutível. Mas essa já é outra discussão...

1. Kahneman D. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Rio de Janeiro, Ed. Objetiva, 2012. 


Sobre o doutor Alysson Zanatta:

Graduado e com residência médica pela Universidade Estadual de Londrina, doutor Alysson Zanatta tem especializações em uroginecologia e cirurgia vaginal pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cirurgia laparoscópica pelo Hospital Pérola Byington de São Paulo e doutorado pela Universidade de São Paulo, USP. Suas principais áreas de atuação são a pesquisa e o tratamento da endometriose, com ênfase na cirurgia de remoção máxima da doença. Seus inter­esses são voltados para iniciativas que promovem a conscientização da população sobre a doença, como forma de tratar a doença adequadamente. É diretor da Clínica Pelvi Uroginecologia e Cirurgia Ginecológica em Brasília, no Distrito Federal, onde atende mulheres com endometriose, e Professor-adjunto de Ginecologia da Universidade de Brasília (UnB). (Acesse o currículo lattes do doutor Alysson Zanatta).