terça-feira, 23 de maio de 2017

"SAÚDE E BEM-ESTAR": VARIZES NO COLO DO ÚTERO OU NOS OVÁRIOS PODEM CAUSAR DORES ABDOMINAIS CRÔNICAS!

Fonte: CEC

Muitos sintomas da endometriose são bem parecidos com os de outras doenças ginecológicas. Você sabia que dores abdominais crônicas, dentre elas, a cólica muito forte, e a dor durante a relação sexual podem ser sinal de varizes pélvicas? Pois é, essas veias dilatadas que surgem principalmente no  útero e nos ovários causam muita dor. No texto "Minha dor e devido à endometriose?" o doutor David Redwine descreveu com clareza algumas das doenças ginecológicas que têm os mesmos sintomas da endometriose. Por isso ser acompanhada pelo profissional que realmente saiba distinguir as doenças uma das outras faz toda diferença. Até porque se a doença não for corretamente diagnosticada, como ela será efetivamente tratada? Neste texto a doutora Graciela Morgado, ginecologista e especialista em endometriose, fala o que são as varizes pélvicas e explica os sintomas da doença.  Ter ao seu lado um médico de verdade, principalmente aquele que te escuta, que pergunta sobre  "a pessoa" é muito importante. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por doutora Graciela Morgado
Edição: Caroline Salazar

Varizes no colo do útero ou nos ovários podem causar dores abdominais crônicas


Muitas mulheres sofrem com dores fortes durante o período menstrual. E nem sempre a origem desta cólica mais forte é endometriose. Muitos sintomas da doença são bem parecidos com os de outras patologias. Você sabia que a formação de varizes pélvicas pode ser um dos motivos das cólicas abdominais intensas e da dispareunia. 

As varizes pélvicas se formam por causa da dilatação das veias ovarianas e uterinas, que impedem a volta do sangue para o coração. É uma doença que acomete principalmente mulheres, após os 30 anos, com duas ou mais gestações. Também é comum em pacientes que apresentam disfunções hormonais.

Estudos mostram que a principal causa da doença é a diminuição do hormônio feminino estradiol, um importante agente na dilatação das veias dessa região. A pesquisa aponta ainda que, 30% das mulheres sofrerão desse problema em algum momento da vida.

Os principais sintomas da patologia são muito parecidos com sintomas de outras doenças ginecológicas:

- Dores pélvicas crônicas;

- Dispareunia (dor durante a relação sexual);

- Sensação de peso antes da menstruação;

- Cólicas intensas;

- Maior suscetibilidade a quadros depressivos.

Há dois métodos possíveis para o tratamento de varizes pélvicas: o uso de medicamentos específicos para a secagem das varizes ou cirurgia (embolização das artérias uterinas). Cabe ao ginecologista e à paciente optarem juntos pelo melhor tratamento. 

Sobre a doutora Graciela Morgado Folador:

Ginecologista e obstetra, Graciela Morgado Folador tem Pós-graduação em Endometriose, em Cirurgia Minimamente Invasiva, em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida e Especialização em Vídeo-histeroscopia. É membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e da Advancing Minimally Invasive Gynecology Wordwide (AAGL). É médica-colaboradora do setor de Endometriose do Hospital das Clínicas de São Paulo, USP. Siga a fanpage da doutora Graciela

domingo, 21 de maio de 2017

"SAÚDE E BEM-ESTAR": COMO SAIR DA INÉRCIA E INSERIR A ATIVIDADE FÍSICA EM SUA ROTINA?

Fonte: Pixabay


Se você precisa de motivação para começar a se exercitar chegou a sua hora! Em mais um texto da coluna "Saúde e Bem-Estar", o educador físico Renato Trevisan vai te ajudar a sair da inércia e a começar a mexer o esqueleto. Eu sei bem o que é sentir fortes dores e não conseguir levantar da cama para pegar um copo de água. Mas a gente precisa se esforçar, mesmo com dores, sem ânimo e sem a mínima vontade precisamos colocar objetivos em nossa mente, mesmo com um corpo doente. E tentar naqueles dias de menos dores incluir em sua rotina os treinos específicos para os dias de dores, no caso os exercícios regenerativos, idealizados exatamente para esta fase. No começo realmente não será fácil. Você vai ter vontade de desistir. Irá acontecer coisas que poderão te desanimar ou simplesmente para tentar te fazer desistir, mas não desista. Comece aos poucos e vá aumentando o tempo com o passar dos dias, das semanas. Depois de uns 15 dias você começará a sentir uma outra, ops, uma nova mulher. Leia com atenção o precioso recado do Renato de como sair do sedentarismo e incluir a atividade física no seu dia-a-dia, e desafie você mesma. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por Renato Trevisan, educador físico
Edição: Caroline Salazar

Olá meninas!

Recebo muitas mensagens relatando uma dificuldade muito grande em praticar exercícios físicos em decorrência de:
  • dor pélvica;
  •  indisposição.          
Em muitas situações essas dores impedem de levantar da cama para fazer uma tarefa diária, seja fazer um café ou dar atenção ao filho.

Alguns questionamentos apontam como impossível realizar o exercício, e me perguntam: “Como você vem falar de exercícios se eu não consigo nem sair da cama?”

Tenho muita clareza sobre o sofrimento que a maioria das endomulheres convive no dia-a- dia.

E isso me motiva cada vez mais a trazer soluções que auxiliem na qualidade de vida das endomulheres.

DESAFIO DE HOJE:

Hoje quero fazer um desafio a você, que vive diariamente essa realidade relatada nas mensagens que recebo.

Se você sofre com muitas dores, deixa de fazer muita coisa porque não tem motivação e teve sua carreira profissional prejudicada pelas insistentes crises da endometriose, preste atenção no que vou disse agora!

Quero te chamar para a construção de uma nova jornada em sua luta, mas não uma luta contra a endometriose, e sim uma luta A FAVOR DE UMA MELHOR QUALIDADE DE VIDA PARA VOCÊ.

Isso mesmo quero colocar o exercício na sua vida, para que ele possa te oferecer todos os benefícios que falo e que você já deve ter lido em muitos lugares.

Quero principalmente que o exercício seja o seu “COMANDANTE” para uma mudança de postura em relação à ENDOMETRIOSE.

Quero que pare de “LUTAR CONTRA a ENDOMETRIOSE” e “COMECE A LUTAR POR VOCÊ”.

Não será fácil, mais afinal de contas como diriam nossos pais e avós: nada é fácil nesta vida!!!!

Mas a recompensa, eu te garanto será MARAVILHOSA!

Não vou ficar aqui só falando a maneira como você deve pensar, ou qual postura você deve ter e pronto.

Vou te mostrar COMO FAZER ISSO!

Como sair da “cama” e colocar uma rotina de atividade física, transformando o seu modo de encarar a Endometriose.

VEJA UM CASO REAL:

Mas antes de fazer isso, deixa eu relatar aqui uma situação que esclarece melhor minhas palavras em relação a mudança de postura sobre a doença.

Uns 10 anos atrás eu tinha uma aluna, que recebeu a notícia que estava Diabética Tipo I e que deveria iniciar o uso de insulina, pois o seu pâncreas não estava mais produzindo esse hormônio.

Durante muito tempo ela lutou contra o uso da Insulina, teve muitas idas e vindas à academia. Não conseguia viver com qualidade de vida.

Fiquei por oito anos fora dos atendimentos como Personal e perdi o contado com ela.
Quando abrimos nosso estúdio de Personal, ela me procurou para que pudesse voltar a atendê-la e me disse assim

“...agora vai ser diferente. Parei de lutar contra a insulina e passei a lutar por mim! Quero participar de uma corrida de rua e você vai me ajudar a conquistar isso...”

Percebeu? É isso que eu quero que você faça a partir de agora na sua vida.

Não quero que deixe o tratamento de lado, não quero que pare de buscar os melhores medicamentos, médicos e soluções para viver sem endometriose.

Mas se isso não for possível, ou se isso tiver que ser feito em etapas a longo prazo, CUIDE DE VOCÊ!
Bom, mas vamos lá....

COMO COLOCAR A ATIVIDADE FÍSICA NA SUA ROTINA?

E como você fará isso?

Como colocar o EXERCÍCIO EM SUA VIDA?

O desafio é sair da inércia e inserir a atividade física NA SUA ROTINA.
VOCÊ TOPA?

Topar esse desafio requer coragem e muita vontade!
Como incentivo, preparei um vídeo especial para você que quer dar esse passo em sua vida.

Dá uma olhadinha ai!!! É só clicar no link abaixo:


Agora é contigo! Estarei por aqui para o que você precisar!

Um super abraço!

Sobre Renato Trevisan:

Educador físico, é pós-graduado em atividade motora adaptada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É diretor do Centro de Saúde A3 Atividade Física para a Saúde em Maringá, no paraná, e é coordenador da EndoMarcha Maringá. Acesse a fanpage da A3.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

UNIÃO, APOIO E ATITUDE: A TRÍADE QUE FALTA ENTRE AS PORTADORAS DE ENDOMETRIOSE E SEUS PRÓXIMOS!!

Fonte: Pixabay

União, uma palavra muito falada, mas pouco praticada entre as mulheres. Infelizmente! O significado da palavra ao pé da letra diz que união é a junção ou a combinação de vários elementos, sejam eles iguais ou distintos, com o objetivo de formar o conjunto. Quando as pessoas se unem elas são capazes de mudar o rumo de muitas coisas. Então, porque não há a união entre as portadoras de endometriose? Capaz que a maioria está satisfeita com tudo que o Estado oferece, certo? Pois quando as pessoas não estão satisfeitas, elas se unem àquelas que fazem algum movimento em prol do que está errado para reivindicar pelo que acha que é correto. O xis da questão é que falta união entre as próprias portadoras da doença, falta apoio de quem as cercam e no final de tudo falta atitude de ambos os lados. Para falar um pouco sobre isso, convidei a cabeleireira Kátia Victória Del Sent, mãe da nossa querida Giselle. A Kátia é um exemplo de mãe pelo apoio que sempre deu à filha. Ela já contou no blog, como ajudou a filha a descobrir a endometriose. E o mundo provavelmente seria outro se todos nós seguíssemos bons exemplos, não é mesmo? Então, compartilhe este texto com sua mãe, com seu pai, com sua irmã, com suas primas, com suas amigas, com seus parentes mais distantes, com seus conhecidos e peça a eles para se juntarem a nós. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 


União, apoio e atitude: a tríade que falta entre as portadoras de endometriose!!

Por Kátia Victória Del Sent
Edição: Caroline Salazar

Apesar de vivermos no século XXI, os índices de violência contra as mulheres ainda são muito elevados. Como mãe de uma endomulher, acho importante que possamos nos questionar sobre o cuidado dispensado quando diz respeito à educação das meninas. É importante refletir sobre como educamos por meio de nosso exemplo, como mãe e mulher, para que nossas meninas respeitem a ética do seu corpo, não permitindo de forma alguma que, em nenhum momento de sua vida, ela seja agredida física ou emocionalmente.

Não basta a educação do não deixar fazer, mas sim a atitude que deve ser tomada diante de situações inoportunas. É preciso que as mulheres reconheçam não só a agressão como um ato doméstico masculino, mas também o descaso a pouca atenção que lhes é conferida nas diversas áreas nos diferentes momentos da vida. E neste caso é importante refletir de como agimos ou reagimos diante das dores que acometem o corpo feminino como, por exemplo, a cólica menstrual. Será que ainda aceitamos e repassamos para as nossas filhas o que diziam nossas avós? “É assim mesmo, é coisa de mulher”, ou “Quando casar passa”.

Diante desta nossa postura, reforçando que é normal sentir cólica, torna-se comum ao buscarmos atendimento em saúde- seja público ou privado - por queixa de cólicas fortes, recebermos dos profissionais de saúde respostas semelhantes às de nossas avós, ou falarem que a dor é psicológica. Este fato se dá pela falta de inclusão no currículo das universidades aos estudantes da área da saúde o estudo específico sobre a endometriose. Em especial, sobre o que de fato uma mulher com endometriose sente, passa, sofre.

Por isso que as portadoras de endometriose, quando acometidas pelo desconforto dos problemas causados pela doença, têm suas queixas relegadas, em primeiro lugar, na família por falta de conhecimento, e depois pelos profissionais que as atendem, por conta do despreparo e também por falta de conhecimento, tornando a vida destas jovens mulheres ainda mais sofrida, principalmente aquelas que sofrem com as dores severas. Por exemplo: se durante a consulta o profissional que trata a doença faz pouco caso das dores de sua paciente na frente de um membro da família, como essa pessoa vai acreditar que as dores são reais e incapacitantes?

 Kátia, à esquerda, com apito e cartaz
na EndoMarcha 2017, ao lado da filha, Giselle
Ultimamente tem se falado tanto em sororidade, mas cadê a atitude de união que esta palavra significa? Somente com a união de todos nós - seja portadoras da doença, familiares, amigos (as), conhecidos, profissionais de saúde – que as cerca de 10 milhões de brasileiras que sofrem com a doença deixarão de ser invisível à sociedade. E a EndoMarcha foi idealizada justamente para dar voz as mais de 200 milhões de mulheres que sofrem com a doença no mundo todo. Por que você não vai à EndoMarcha? Por que sua mãe, sua irmã, seus amigos, seus vizinhos não vão à EndoMarcha? Vergonha? Preguiça? Está em crise de dor?

De acordo com as nossas leis o atendimento da área de saúde deve ser humanizado, mas a realidade das endomulheres está longe da humanização. O atendimento ainda é precário. Fazer exames específicos e cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é uma verdadeira via-sacra, e nas raras cidades que têm, a fila pode demorar anos e anos. Por isso lutamos por políticas públicas efetivas e a EndoMarcha é o nosso caminho para isso. Nós, mães de portadoras, precisamos apoiar nossas filhas. Sair às ruas é uma maneira de se manifestar pacificamente e dentro da lei. Precisamos lutar para que se um dia tivermos netas, elas não sofram tanto quanto nossas filhas sofreram. Sei que há muita desunião das próprias portadoras, mas isso precisa mudar, e vejo o apoio da família um ponto crucial para que essa mudança aconteça.

Em 2014, quando minha filha soube da 1ª edição da Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose ela entrou em contato com a Caroline e foi convidada para coordenar a EndoMarcha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. E eu a apoiei. Na época ela tinha 18 anos. Por dois anos ela esteve à frente da EndoMarcha na capital gaúcha, e mesmo após deixar a coordenação, nós (eu e ela) participamos ativamente das outras duas que teve até então. E iremos participar de todas que pudermos. Sabe por quê? O nosso apoio é essencial.

 Sempre ao lado da filha, Kátia, à direita,
participa ativamente da EndoMarcha
desde a 1ª edição em 2014, quando Giselle
coordenou a caminhada em Porto Alegre.
É fundamental que a paciente tenha a segurança de que não está sozinha e pode sim contar com o apoio das pessoas mais próximas, em especial das mulheres, como mães, irmãs e demais membros da família. O apoio começa em observar nossas meninas, observar seu corpo. É superimportante ter um olhar mais sensível às queixas de cólicas fortes das mulheres, especialmente, das jovens por parte das mães e de familiares. Jamais devemos ignorar a intensidade de sua dor e de seu sofrimento. Jamais devemos menosprezá-las (tanto a cólica quanto às mulheres). Muito pelo contrário devemos sempre estar ao seu lado na busca de diagnósticos corretos e eficazes, bem como lutar por políticas públicas que lhes tragam benefícios assegurando-lhes tratamento gratuito, digno, humanizado e direitos de saúde, com qualidade de vida e também direitos à reprodução. Afinal, a endometriose é a principal responsável pela infertilidade feminina.

Tudo isso fará a diferença no tratamento de seu ente-querido. Mostrar que o não à violência também deve ser o caminho na busca para ter seus direitos respeitados enquanto menina ou mulher, no qual não basta reproduzir a queixa com acomodação, é preciso ter atitude de enfrentar a doença e suas adversidades com força e muita fé. A união e a participação de todos fará a diferença. O envolvimento da família nos eventos de conscientização, tais como nas palestras e na EndoMarcha, é mais que uma demonstração de amor e carinho, é o alicerce que ela poderia estar esperando para dar um novo rumo à sua vida. Pense nisso com carinho. Vamos nos unir na de EndoMarcha 2018? Beijo carinhoso!

terça-feira, 16 de maio de 2017

DAVID REDWINE: A MINHA DOR É DEVIDO À ENDOMETRIOSE?

Fonte: CEC

Há várias doenças que podem causar dor e sangramento excessivo. Muitas vezes, os sintomas de algumas delas, e até mesmo os das aderências, podem se confundir com os da endometriose. Neste brilhante texto o cientista americano doutor David Redwine descreve com muita clareza algumas doenças, que podem atingir a pelve de uma mulher, e seus sintomas, tais como, miomas, cistos ovarianos (que podem não ser endometrioma), prolapso uterino e adenomiose. Pois é, o médico precisa conhecer bem os sintomas da endometriose para fazer o correto diagnóstico da doença, em especial, àquelas indicadas à cirurgia. Já que se a dor da paciente não for da endometriose, a cirurgia será em vão. O doutor Alysson Zanatta, de Brasília, escreveu um texto exclusivo para o A Endometriose e Eu dizendo quando não operar a endometriose e também já explicou quando a cirurgia é necessária. De fato o mais importante é a endomulher ser acompanhada por um especialista que realmente entenda da doença. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


Por doutor David Redwine
Tradução: doutor Alysson Zanatta
Edição: Caroline Salazar

A minha dor é devido à endometriose?

Apesar da excisão eletrocirúrgica da endometriose por laparoscopia ser tão boa, ela não tratará a dor causada por outras razões. A dor causada pela endometriose costuma ser descrita em termos geográficos específicos ou anatômicos, e está associada a pontos específicos de dor ao exame clínico. Estas pacientes têm os melhores resultados. Se uma paciente não puder descrever sua dor precisamente, ou se o exame clínico não reproduzir a dor, a excisão da endometriose pode não aliviar a dor em nada.

Cistos ovarianos:

Outras causas de dor pélvica podem incluir cistos ovarianos não endometrióticos, miomas uterinos, aderências, adenomiose e outros fatores desconhecidos. Por este motivo, não há nenhuma maneira de se garantir o alívio da dor após a cirurgia de endometriose. Cistos: a palavra “cisto” significa uma cavidade preenchida por líquido, geralmente circundada por uma cápsula. Os cistos podem ocorrer naturalmente em um ovário funcionante. Dois tipos comuns de cistos “normais” são os cistos foliculares, que preparam o óvulo, e o cisto de corpo lúteo, que se forma após a ovulação que ocorre a cada mês. Apesar desses dois cistos serem normalmente temporários, cada um deles pode persistir por mais tempo do que deveriam e causarem dor. Os cistos nem sempre necessitam serem grandes para causarem dor. Vários pequenos cistos podem surgir no ovário e causarem dor pela leve distensão do ovário. Se houver tecido cicatricial no ovário, o cisto pode crescer e pressionar o tecido cicatricial e causar dor. Um cisto de tamanho médio pode torcer sobre seu pedículo, e isso pode causar dor. Outros tipos de cistos anormais incluem cistos dermoides e cistos de endometriose. Algumas pacientes podem ter cistos bastante volumosos e não terem nenhuma dor.

Quando eles causam dor, os cistos ovarianos geralmente causam dor em um lado ou outro, e a dor pode se irradiar levemente pelo flanco. Um cisto que esteja sangrando ou extravasando líquido irritativo pode causar dor pélvica generalizada e dor abdominal baixa que pode parecer estar se irradiando a partir do lado afetado. Algumas mulheres podem ter cistos ovarianos recorrentes após sua resolução espontânea ou remoção cirúrgica, já que cada um dos 200.000 oócitos (óvulos) presentes em cada ovário ao nascimento é circundado por um pequeno folículo ou cisto em potencial.

Tumores fibroides (miomas):

Tumores fibroides (também chamados de leiomiomas) são acúmulo de músculo liso que surgem na parede uterina muscular. Eles crescem de tamanho de forma concêntrica, como uma pérola crescendo dentro de uma ostra. Um grande mioma será do tamanho de uma tangerina ou maior. Um pequeno mioma será menor que uma pérola. Eles podem causar cólicas uterinas entre os ciclos menstruais e fluxo sanguíneo severo com cólicas durante a menstruação, a não ser que estejam no lado externo do útero, situação na qual os sintomas podem estar ausentes.

Às vezes, os miomas podem causar dificuldades urinárias ou intestinais, já que podem pressionar a bexiga ou o intestino se forem grandes o suficiente. Eventualmente, pode haver dor lombar baixa, já que o mioma pode pressionar o cóccix e também pelo fato dos ligamentos úterossacros transmitirem dor uterina ao sacro. Os análogos de GnRH podem produzir uma dramática, porém temporária, redução do tamanho dos miomas. Apesar dos miomas poderem ser removidos cirurgicamente, eles podem ser tão pequenos a ponto de não conseguirem ser vistos ou sentidos durante a cirurgia, permanecendo no útero e crescerem e causarem problemas mais tardiamente.

Aderências (tecido cicatricial):

Aderências (também chamadas de tecido cicatricial) grudam as coisas juntas. Elas podem ser finas e delgadas como um papel úmido ou densas e grossas como uma cola seca. Uma aderência vai de um ponto a outro na pelve, apesar dessa distância poder ser funcionalmente inexistente, como um ovário que fica aderido a uma parede pélvica lateral. As aderências se formam após um dano ao peritônio, seja por infecção, cirurgia, ou inflamação crônica. O peritônio é como um cobertor cobrindo as cavidades pélvica e abdominal.

Eventualmente, as aderências podem se formar sem nenhuma causa aparente. A tendência de formar aderências varia entre as pacientes, o que não é surpreendente, pois as pessoas são diferentes. Não se sabe o porquê algumas pessoas formam menos aderências do que outras após o mesmo tipo de cirurgia. Algumas aderências causam dor, enquanto outras não. Algumas pacientes com aderências severas não têm nenhuma dor, enquanto uma aderência pequena e localizada pode causar um acotovelamento intestinal e causar até mesmo obstrução.

Quando as aderências doem, elas doem no local onde elas ocorrem. As pacientes utilizam algumas vezes termos como “puxando” ou “esticando” para descreverem a dor da aderência. Não se espera que a dor da aderência varie com o ciclo menstrual a não ser que aderências ao redor de um ovário fiquem tracionadas por um cisto em crescimento. Muitas pacientes com endometriose também têm aderências, e geralmente não é possível determinar se a dor é causada por aderências ou pela endometriose.

Após a ressecção laparoscópica da endometriose, 2/3 de minha pacientes reoperadas tiveram um score de aderências igual ou inferior. Não há nenhuma evidência de que a dissecção com tesoura provoque mais aderências que o laser ou eletrocoagulação. De fato, um estudo que comparou o dano tecidual de tesoura e laser concluiu que “o aumento significativo de necrose tecidual e subsequente reação de corpo estranho que se segue à dissecção com laser comparada à dissecção com micro-tesouras nos levou a concluir que a dissecção com tesoura é a modalidade de escolha”.

Se houver aderências presentes durante a cirurgia, há uma grande possibilidade que elas se formarão novamente no exato local após a sua remoção. O tecido cicatricial se desenvolve com mais frequência quando a cirurgia é realizada próxima ao intestino e ovários. Aderências significativas raramente se desenvolvem quando a cirurgia é realizada apenas no peritônio do assoalho pélvico.

Pensava-se que o INTERCEED, uma membrana sintética de celulose, prevenisse a formação de aderências, mas eu parei de usá-lo em minhas cirurgias. Isso porque o mesmo não foi estudado em pacientes com endometriose, e cinco de seis pacientes reoperadas nas quais o INTERCEED foi utilizado tinham aderências densas e vascularizadas onde a membrana havia sido colocada. Além disso, um resumo de trabalho apresentado no encontro anual da American Fertility Society em 1991 mostrou que o INTERCEED causou a formação de aderências em animais, mesmo que não houvesse sido realizada nenhuma cirurgia.

Adenomiose:

Eu e o médico e cientista americano 
doutor David Redwine,
em sua passagem ao Brasil em 2014
Adenomiose é uma mudança estrutural da parede muscular uterina que ocorre quando um tecido similar ao revestimento uterino invade o músculo. O útero pode parecer e ter uma consistência normal, e ainda assim ter adenomiose. Nem a laparoscopia ou a histeroscopia podem diagnosticar a adenomiose, e não há nenhum tratamento médico conhecido capaz de erradicá-la. A única opção largamente disponível até o momento é a remoção do útero, apesar daquela rara paciente que pode ter uma área de adenomiose isolada na musculatura uterina.

Prolapso uterino, retroversão uterina:

Prolapso refere-se à descida do útero na (e algumas vezes fora da) vagina. Parece ser mais comum em mulheres que tiveram filhos, já que o processo da gestação pode enfraquecer as estruturas de suporte da pelve. Parece também ser mais comum em mulheres na pós-menopausa, já que o estrogênio ajuda a fornecer algum grau de tônus às estruturas de suporte pélvico.

Como isso é um defeito de ligamentos, tendões e tecido conjuntivo, ele geralmente não responde bem aos exercícios dos músculos pélvicos. A dor do prolapso uterino é causada pela tração e descida do tecido pélvico, e as pacientes frequentemente usam termos como “se agachando”, “saindo para fora”, ou “parece que vou ter um bebê”. Menciona-se algumas vezes dor lombar e baixa e sensação de queimação. Pode ocorrer também à perda de urina com a tosse, espirro, exercício ou pegar peso.

Retroversão uterina é a mesma coisa que útero “invertido”. O útero repousa sobre o reto ao invés de ficar suspenso sobre a bexiga. Isso pode levar à dor lombar baixa, dor na relação sexual, e dor aos movimentos intestinais. A relação sexual dolorosa pode ocorrer porque o corpo do útero retrovertido situa-se exatamente no fundo da vagina e pode ser tocado durante a relação como uma bolsa de boxe, particularmente se estiver acometido por adenomiose. Movimentos intestinais dolorosos podem ocorrer se um útero retrovertido com adenomiose ou algum outro problema repousar sobre o reto e ser tocado durante a eliminação das fezes pelo reto.

Incomuns e desconhecidos:

Calcificações pélvicas ou inflamação crônica são eventualmente encontradas ao invés de endometriose. A distribuição geral dessas doenças é idêntica àquela da endometriose. Apesar de terem origem desconhecida, elas podem ocasionalmente causarem dor, já que algumas pacientes sem quaisquer outros achados conseguem melhorar da dor quando essas áreas são removidas. A inflamação crônica não é uma infecção, e não responde ao tratamento antibiótico. Algumas pacientes têm dor por motivos que permanecem desconhecidos, mesmo que sua dor seja tratada com a remoção do útero, das trompas e dos ovários. Isso serve para nos lembrar de que nós ainda não sabemos tudo o que precisamos sobre as causas de dor pélvica.

Nota do Tradutor: uma das principais questões trazidas pelas pacientes com dor pélvica é se a dor pode ser causada por endometriose, título deste texto escrito pelo doutor David Redwine. A distinção, de fundamental importância, pode não ser aparente em um primeiro momento, e não raramente faremos o diagnóstico apenas após várias consultas e exames clínicos.

Acrescenta-se às possíveis causas ginecológicas de dor pélvica aqui descritas (adenomiose, miomas uterinos, aderências, etc) aquelas de origem neurológica. Especificamente, dores causadas por doenças dos nervos da pelve, estudadas pela especialidade de Neuropelveologia. Dores em nervo ciático, nervo pudendo, nervo ilioinguinal e genito-femoral (ambos na parede abdominal), entre outras, são causas relativamente comuns de dor pélvica, mas que dificilmente são diagnosticadas. Características que nos fariam pensar nesta dor são a sua forte intensidade, dor que faz acordar à noite, dor presente constantemente, dor localizada ou com uma irradiação específica. 


Sobre o doutor Alysson Zanatta:
Graduado e com residência médica pela Universidade Estadual de Londrina, doutor Alysson Zanatta tem especializações em uroginecologia e cirurgia vaginal pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cirurgia laparoscópica pelo Hospital Pérola Byington de São Paulo e doutorado pela Universidade de São Paulo, USP. Suas principais áreas de atuação são a pesquisa e o tratamento da endometriose, com ênfase na cirurgia de remoção máxima da doença. Seus inter­esses são voltados para iniciativas que promovem a conscientização da população sobre a doença, como forma de tratar a doença adequadamente. É diretor da Clínica Pelvi Uroginecologia e Cirurgia Ginecológica em Brasília, no Distrito Federal, onde atende mulheres com endometriose, e ex-professor-adjunto de Ginecologia da Universidade de Brasília (UnB). (Acesse o currículo lattes do doutor Alysson Zanatta). 

domingo, 14 de maio de 2017

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O DOUTOR GUSTAVO SAFE: DE BELO HORIZONTE A SÃO PAULO!!

 Foto: arquivo pessoal

Hoje o A Endometriose e Eu apresenta aos leitores o doutor Gustavo Safe, nosso novo parceiro. Com 20 anos de experiência no atendimento humanizado às endomulheres, em Belo Horizonte, e terceira geração de ginecologista e obstetra da família, ele conta o que o levou a estudar a endometriose ainda nos anos 1990, fala do pioneirismo em fundar o primeiro centro especializado na doença no Brasil, que anos depois o fez inaugurar o Centro Avançado em Endometriose e Preservação da Fertilidade (CAE), referência em tratamento humanizado e multidisciplinar na capital mineira, e seu novo desafio: desde fevereiro ele faz parte do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.Uma vez ao mês ele viaja da capital mineira para a paulista para dar expediente em seu consultório no hospital. 

Nesta entrevista exclusiva para o A Endometriose e Eu, o doutor Gustavo fala também do privilégio de trabalhar com seu pai, doutor Jorge Safe, sua grande inspiração, do real papel do ginecologista, da importância do apoio da família para o sucesso do tratamento e o que o motivou a levar a EndoMarcha para Belo Horizonte em 2016 - quando ele e sua equipe coordenaram a caminhada, passando em 2017 a coordenação para nossa querida Kelly. A entrevista está fantástica e após editá-la tive a certeza que quando o médico é humano a gente reconhece-o já nas palavras. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

A Endo e Eu: O senhor já está há 20 anos atendendo mulheres com endometriose. O que levou o senhor a estudar a endometriose no fim dos anos 1990?

Doutor Gustavo Safe: Comecei o interesse pela endometriose assim que entrei na faculdade, no inicio dos anos 1990, influenciado pelo meu pai, Jorge Safe, que além de estudioso da endometriose foi responsável pela realização das primeiras microcirurgias de endometriose no Brasil. Me formei na FCMMG (Faculdade de Ciências Medicas de MG) em 1997, iniciando assim oficialmente a abordagem das mulheres com endometriose atendendo no primeiro Centro de Endometriose do país (como sócio fundador - CENDO), localizado em Belo Horizonte.

A Endo e Eu: O doutor é a terceira geração de uma família tradicional de ginecologistas e obstetras. Como surgiu sua paixão para cuidar da saúde da mulher? Algum de seus avós ou seu pai te influenciou?

Doutor Gustavo Safe: Tenho certeza que somos influenciados positivamente pelos nossos antepassados, (pais e avós) que foram verdadeiros médicos na essência da palavra. Sempre atenderam pacientes com a atenção e competência necessárias. Este exemplo incentiva e mostra o quão gratificante é poder fazer medicina com paixão atendendo e cuidando da saúde da mulher. Ser a terceira geração de ginecologistas e obstetras trouxe desafios e responsabilidade com possibilidade de trabalhar junto ao meu pai, Jorge Safe!

A Endo e Eu: Qual o principal papel do ginecologista em sua opinião?

Doutor Gustavo Safe: Ser ginecologista é ter a oportunidade de cuidar da mulher, que é única e especial. A endometriose é considerada enigmática e complexa e acomete um grande número de mulheres. A possibilidade de cuidar da endometriose, que repercute negativamente nas famílias e na vida das brasileiras, me incentiva ainda mais a exercer este papel de ginecologista. Promover saúde é garantir que pilares básicos da saúde da mulher sejam garantidos. E deve ser objetivo de todo ginecologista garantir a qualidade de vida de sua paciente.

A Endo e Eu: Como surgiu a formação do Centro Avançado de Endometriose na capital mineira?

Doutor Gustavo Safe: Com minha ida para a Bélgica no ano 2000, o CENDO acabou sendo interrompido. Com a minha volta em 2003, o sonho de reativá-lo continuava, mas os atendimentos eram realizados em consultório privado. Em 2011, durante o Congresso Mundial de Endometriose em Montpellier, na França, percebi um movimento em direção à necessidade de criar centros de excelência em endometriose. Em 2014 decidi fundar o Centro Avançado de Endometriose (CAE) com objetivo de oferecer às portadoras atendimento diferenciado, humanizado e multidisciplinar com capacidade de oferecer atendimento alta complexidade (Reprodução Humana,  cirurgia, tratamento clínico, fisioterápico, exames específicos de imagem...)

A Endo e Eu:  O doutor é um médico e cirurgião conceituado em Belo Horizonte, Minas Gerais, o que te motivou a atender em São Paulo?

Doutor Gustavo Safe: Sou uma pessoa que gosta de desafios e acredito que as oportunidades quando aparecem devem ser avaliadas e agarradas. Quando voltei da Bélgica em 2003, poderia ter ficado em São Paulo, mas a vontade de voltar a Belo Horizonte e trabalhar com meu pai eram meus maiores desejos. Uma nova oportunidade apareceu mais tarde em 2007, mas eu estava apenas começando a minha caminhada em Belo Horizonte com muitos desafios ainda por vir. Quando recebi o convite e visita dos membros do Hospital Israelita Albert Einstein em fevereiro de 2016, eu percebi que este novo desafio traria crescimento pessoal e profissional. Me preparei para que em janeiro deste ano (2017) eu pudesse dar início a esta empreitada e atender adequadamente as mulheres de São Paulo com a excelência que elas merecem.

Recebo paciente de todo o Brasil em Belo Horizonte, que poderiam ser direcionadas a capital paulista, maior centro médico do Brasil com uma das maiores instituições hospitalares, o Hospital Israelita Albert Einstein. Além disto, tenho família em São Paulo o que favorece ainda toda a minha logística de idas e vindas com possibilidade de curtir a capital paulista.

A Endo e Eu:  Como é trabalhar com seu pai Dr Jorge Safe?

Doutor Gustavo Safe: Um sonho realizado. A oportunidade de dividir com ele o tratamento das pacientes com endometriose através de duas gerações e duas formas de pensar é magico. Com certeza quem sai ganhando é a paciente que tem 70 anos (50+20, somando a experiência de meu pai mais a minha) de experiência associado.

A Endo e Eu: Quando o senhor começou seu pai já era referência na área. Como foi e quais os desafios que enfrentou para construir sua carreira independente do seu pai?

Doutor Gustavo Safe: O fato de ter um pai referência e especialista em endometriose foi muito importante, mas precisei, após formação e residência médica em Belo Horizonte, traçar meu caminho. Fui para Bélgica fazer uma pós-graduação com duração de três anos em um dos maiores serviços de cirurgia minimamente invasiva e endometriose do mundo (serviço professor Donnez). Sabia que precisava criar minha identidade e absorver uma nova e mais moderna visão do tratamento da endometriose. O volume de pacientes lá e o volume do meu pai - no meu retorno - foi fundamental para aprender e colocar em prática todos os ensinamentos e as técnicas adquiridas.

A Endo e Eu: O que te motivou a começar a atender no consultório do Hospital Albert Einstein na capital paulista?

Doutor Gustavo Safe: Quando recebi o convite e visita dos membros do Hospital Israelita Albert Einstein em fevereiro de 2016, em Belo Horizonte, eu encarei como um grande desafio que uma vez bem planejado teria tudo para dar certo. Mais uma vez a vida estava me dando à oportunidade de estar atualizado e conectado com o que existe de mais moderno no mundo.

A Endo e Eu: Quais os desafios desta nova jornada?

Doutor Gustavo Safe: O principal desafio acredito ser a possibilidade de trabalhar em um hospital de ponta seguindo as regras e protocolos estabelecidos neste mundo cada vez mais globalizado e cheio de mudanças rápidas.

Persiste ainda desafio de atender as portadoras de endometriose com excelência que elas merecem!

A Endo e Eu: Além de seu consultório e do Centro Avançado de Endometriose e Preservação da Fertilidade, o senhor também atende no Hospital Madre Tereza, em Belo Horizonte. Como mantém a tripla jornada?

Doutor Gustavo Safe: A jornada é bem maior que parece (risos). Felizmente quando ainda se é jovem e faz aquilo que gosta acabamos conseguindo. Tenho apoio da minha família e uma equipe fantástica trabalhando junto coordenada pela minha irmã gêmea, Sofia (administradora), que administra o CAE e minha vida profissional. Desta forma consigo ainda coordenar uma pós-graduação de cirurgia avançada (laparoscopia – FCMMG), dar aula de simulação em ginecologia para alunos da Faminas e ser membro da equipe de cirurgia do Hospital Regional de Betim, onde sou cirurgião e preceptor de residência em ginecologia e obstetrícia.

A Endo e Eu:  O senhor também é especialista em reprodução humana. Qual (is) sua (s)dica (s) para a mulher preservar sua fertilidade?

Doutor Gustavo Safe: Quando trabalhamos com infertilidade percebemos que o mais importante é a idade!! Sendo assim, as mulheres precisam entender que mesmo com os avanços da medicina reprodutiva a idade continua sendo a grande vilã. Por isso precisam tentar viabilizar a maternidade antes dos 35 anos. Esta questão deve ser ainda mais valorizada quando se trata de uma mulher com endometriose.

A Endo e Eu: Em 2015 o senhor e sua equipe realizaram a primeira cirurgia de histerectomia total laparoscópica 3D de Minas Gerais. Qual a vantagem desta cirurgia em relação à tradicional?

Doutor Gustavo Safe: Hoje temos o privilégio de trabalhar no PHD Pace Hospital, que oferece esta tecnologia que devolve ao cirurgião a possibilidade de realizar cirurgias em três dimensões como na robótica, e não em duas como na laparoscopia tradicional.  Temos mais segurança e menor tempo cirúrgico na realização não só da histerectomia, mas também nas cirurgias avançadas endometriose.

A Endo e Eu: Existe um enorme impacto para o casal e para a família quando a mulher é acometida por essa doença. Qual a importância que o doutor atribui à participação do homem nessa terrível jornada que é a endometriose?

Doutor Gustavo Safe: Os familiares homens (irmãos, filhos e marido) precisam apoiar as portadoras de endometriose que vivem uma sobrecarga grande, muitas vezes, duradouras e impactantes na qualidade de vida daqueles com quem convive.  Portadoras que tem este apoio apresentam mais equilíbrio e possibilidades de voltar à vida normal, de serem curadas!

A Endo e Eu:  Em 2015 o senhor entrou em contato conosco para levar a EndoMarcha 2016 para Belo Horizonte. O que te levou a ter esta ideia?

Doutor Gustavo Safe: Acreditei e me identifiquei com a iniciativa da EndoMarcha de divulgar a endometriose , doença impactante mas mal compreendida devido as suas varias nuancias e tabus.
Percebo que a portadora de endometriose tem papel fundamental na disseminação do conhecimento e por incrível que pareça no diagnostico.

A Endo e Eu: Desde os países mais desenvolvidos até aos mais modestos, mulheres de todo o mundo lutam para entender esse flagelo e para conseguir que os seus governos reconheçam a doença, implementando políticas de tratamento humanas e acessíveis a qualquer cidadã. Essa marcha tem vindo a unir essas vozes que nesse evento se juntam em coro. Hoje já verificamos que existem mais pessoas familiarizadas com o nome da doença. Esse movimento do povo para o povo, que importância tem em sua opinião?

Doutor Gustavo Safe: Uma vez que mostramos o impacto de endometriose na sociedade, nas famílias, na economia e, principalmente, na vida da mulher que apresenta dores incapacitantes e infertilidade, temos condições de conscientizar o governo, os planos de saúde e os médicos de que com uma abordagem correta a endometriose tem cura!

A Endo e Eu: Por ser uma doença que não é visível exteriormente, muitas pessoas não acreditam no sofrimento das portadoras. Muitas vezes somos xingadas de toxicodependentes quando pedimos analgésico forte, ou de folgadas porque não conseguimos levantar da cama para fazer tarefa doméstica ou ir trabalhar. Isso gera muita frustração e desgosto, que um pouco por todo o mundo levou à utilização das redes sociais para criar blogs e grupos onde as portadoras se ajudam e podem desabafar. Muitas delas resistem ao suicídio através desses grupos. Enquanto cirurgião é importante que elas tenham essas âncoras emocionais?

Doutor Gustavo Safe: Cada vez mais este suporte tem ajudado as mulheres acometidas pela doença a entender o que acontece com elas, além de ajudar a encontrar especialistas, compartilhar tratamentos e divulgar conhecimento e informações importantes.

 Sobre o doutor Gustavo Safe:

Doutor Gustavo Safe é médico ginecologista e obstetra especializado em cirurgia minimamente invasiva, com enfoque na área da endoscopia ginecológica, endometriose, dor pélvica crônica e reprodução humana. É a 3ª geração de ginecologista e obstetra, seguindo os passos de seus dois avós e de seu pai, Jorge Safe, na arte de cuidar da mulher. É coordenador científico de laboratório prático no programa de pós-graduação da FCMMG de Laparoscopia. É pós-graduado em endometriose pela Universidade Católica de Louvain, Clinique Saint Luc, serviço professor Donnez. Mestre em Ciências da Saúde  com tese endometriose no Centro universitário Caratinga- MG. 

Atualmente é presidente da SOBENGE – Sociedade Brasileira de Endoscopia Ginecológica e Endometriose -, diretor técnico do Centro Avançado de Endometriose, em Belo Horizonte, e membro efetivo do corpo clínico do Hospital Madre Teresa e do Hospital Israelita Albert Einstein e integra a equipe de cirurgia do Hospital Regional de Betim.