quinta-feira, 20 de novembro de 2014

DAVID REDWINE: OS PROBLEMAS COM A TEORIA DE SAMPSON - É UMA TEORIA OU UMA DESCULPA?

Após a apresentação de John A. Sampson, continuamos com a série de textos do médico e cientista americano David Redwine desvendando a teoria de Sampson.  No texto de hoje, Redwine discorre sobre os problemas da teoria de Sampson que torna a doença "sem cura". Antes de conhecê-lo, conheci duas de suas ex-pacientes que me disseram "terem sido curadas da doença após a cirurgia com ele". Uma, inclusive, vivia há quase 20 anos na cama antes de ser operada por ele. Ambas se tornaram ativista da doença nos Estados Unidos. Foram elas as responsáveis por me apresentá-lo. Há cerca de dois anos ele se aposentou da vida clínica, mas continua estudando a doença e passando a informação que comprovou nos seus 30 anos atuando como cirurgião da endometriose Leia aqui a entrevista exclusiva de David Redwine concedida ao blog em sua passagem ao Brasil. Vamos rumo aos 2 milhões de acessos! Obrigada a todos pela audiência! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar


Por David Redwine 
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar

Os problemas com a teoria de Sampson – É uma teoria ou uma desculpa?

O conceito de fixação inicial poderia ser visto como o “Santo Graal” da endometriose. Encontrem-no e poderão provar a teoria de Sampson e convencer os céticos como eu de que ela é verdadeira. Mas deveria ter sido encontrada faz muito tempo já. Aqueles que estudaram endometriose microscópica não encontraram provas de fixação inicial. Existem apenas duas razões possíveis para a continuada falta de provas de fixação inicial:

1.      Aqueles que preferem a teoria de Sampson não buscaram as provas;
2.     A fixação inicial não ocorre porque a teoria de Sampson está errada.

A teoria de Sampson leva a um sentimento de desesperança tanto entre as portadoras como entre os médicos. Mas isso é acerca de algo mais do que incerteza científica relacionada com a origem da doença. Esse sentimento de futilidade pode ter um impacto direto no tratamento cirúrgico da doença. Se o cirurgião está convencido de que a doença simplesmente “vai voltar” após a cirurgia, ele ou ela poderá não ser tão minuncioso na remoção dos focos, e isso resultará em reincidência da doença, cumprindo assim automaticamente a profecia de que “a endometriose sempre volta”.

Se um cirurgião queima apenas a superficie da endometriose com laser ou eletrocoagulação, e acaba pensando que toda a doença foi destruida, a doença persistente poderá arcar com as culpas na forma de “recorrente” devido à teoria de Sampson.

Terapia medicamentosa poderá ser influenciada de forma semelhante. Embora ninguém tenha dado ao trabalho de fazer um estudo provando que a gravidez ou a menopausa erradicam a endometriose, toda a terapia medicamentosa é baseada em repetir os supostos benefícios desses dois estados hormonais. Sabemos que a terapia medicamentosa não erradica a doença, mas se o médico acredita que sim, então, a “recorrência” pode novamente ser a culpada de acordo com a teoria de Sampson. Será que dá pra ser mais perfeito do que isso?

Tendo a teoria de Sampson como base, a falha nas terapias medicamentosas ou cirúrgicas nunca são devidas a ineficácia do remédio ou do cirurgião, pois a pelve recebe nova carga da doença no próximo mês, e nos meses seguintes. Não é uma falha do sistema, é a natureza da doença.

Os médicos não precisam buscar outras respostas sobre seus métodos de tratamento, já que a falha está explicada e prevista, e não é culpa deles. No meu ponto de vista, a teoria de Sampson é na verdade a desculpa de Sampson na nossa era.

Com toda essa conversa, eu não estou culpando John Sampson por nada, e não quero que as pessoas pensem que eu o estou desrespeitando. Ele foi um excelente estudante de endometriose, e fez o melhor que conseguiu ao desenvolver essa teoria de origem com os fatos que tinha disponíveis na época. Se ele soubesse o que sabemos hoje, estou certo de que não teria apresentado a mesma teoria.

O problema está na capacidade humana de aceitar coisas do passado sem as questionar, e isso continua sendo um problema nos dia de hoje. Precisamos de mais gente questionando de forma saudável a autoridade.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

DAVID REDWINE: QUEM FOI SAMPSON E QUAL É A SUA TEORIA PARA A ENDOMETRIOSE?

O americano doutor John A. Sampson 

Muito se fala na teoria da menstruação retrógrada, ou simplesmente, a teoria de Sampson como a principal causa da endometriose. Mas você sabe quem foi Sampson? Você sabe o que diz sua teoria? Você sabe se essa teoria foi comprovada cientificamente? Há provas de que a endometriose é causada pela menstruação retrógrada? Se mais de 80% das mulheres no mundo têm a chamada "menstruação retrógrada" por que apenas 10 a 15% delas desenvolvem a doença? Nosso parceiro exclusivo, o médico, cientista e estudioso da endometriose, o americano David Redwine decifra quem é Sampson e discorre sobre sua tão falada teoria. Hoje iniciamos um bloco das traduções do Redwine que vai ajudar a tirar o principal mito sobre a doença. Esse é apenas o primeiro texto! Estamos rumo aos 2 milhões de acessos, e esses textos são o presente especial do nosso colaborador voluntário, o endo marido português, Alexandre, aos leitores do blog. Meu agradecimento especial ao Alexandre por usar os dias de suas preciosas férias a trabalhar nesses textos. Leia aqui a entrevista exclusiva de David Redwine concedida ao blog em sua passagem ao Brasil. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Por David Redwine
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar

Quem foi Sampson e qual é a sua teoria para a endometriose?

Quem foi Sampson?
Um bacharel em ginecologia de Albany, Nova York.

Qual é a teoria de Sampson?
Trata-se da teoria de origem da endometriose mais aceita e popular, desenvolvida na década de 1920.

O que afirma essa teoria?
Todo mês, durante a menstruação, ao invés de todo o sangue menstrual sair pela vagina, alguma porção desse sangue segue o caminho inverso e acaba voltando pelas trompas. Esse sangue menstrual carrega algumas células vivas do revestimento do útero. Essas células entram em contato com a superfície da pelve, onde se depositam, implantam-se e daí se transformam em endometriose. Uma versão anterior da teoria postulava que a endometriose poderia ocorrer por implantação resultando da ruptura e derrame dos endometriomas do ovário (cistos conhecidos como "chocolates").

O que prevê essa teoria?
A teoria de Sampson prevê que a endometriose irá progressivamente espalhar pela pelve com o passar do tempo, igual a semente de dente de leão (nota do tradutor: sabe aquela planta que as crianças adoram brincar de assoprar e que sai vários pedacinhos? O vento bate e espalha a semente de dente de leão, do mesmo jeito que as células endometriais se espalham na pelve soltando um monte em pedacinhos quando bate o vento). Mais e mais superfícies na pelve serão afetadas pela doença, e a taxa de recorrência após remoção cirúrgica será de 100%.

Existe prova cientifica irrefutável apoiando essa teoria?
Não, e já deveria existir considerando o tempo que passou (quase 100 anos após sua descoberta). A literatura sobre a teoria de Sampson detalha uma variedade de provas circunstanciais que parecem suportar quase todos os pontos da teoria. Foram encontrados traços de sangue no dialisato peritoneal (nota da editora: líquido drenado do abdômen) durante o fluxo menstrual em mulheres que realizavam diálise para doença renal (embora esse estudo não tenha buscado a presença de células endometriais).

Nas laparoscopias realizadas durante o período menstrual, foram observadas fluido com sangue saindo das trompas de Falópio (embora quando inserido uma vareta rígida no útero para manipulação, isso também pode causar algum sangramento cuja saída pode ocorrer forçadamente pelas trompas). Células endometriais foram encontradas nas trompas, no fluido peritoneal e também no sangue menstrual.

As células endometriais que foram encontradas no sangue menstrual são viáveis e podem ser cultivadas em laboratório (ainda que tenham crescido em tecido subcutâneo das próprias dadoras em apenas 11% dos casos). Sampson demonstrou que se uma histerectomia fosse realizada durante o período menstrual, se o cirurgião cortasse a trompa de Falópio junto ao útero e apertasse-o com os dedos, poderia fazer com que o sangue saísse da ponta da trompa cortada. A distribuição da endometriose na pelve tem sido apontada como uma das provas fortes que apoiam a teoria de Sampson.

Foi debatido que os ovários eram a área pélvica geralmente mais afetada, já que estão mais perto do término das trompas de Falópio. Por isso a deposição e a fixação das células endometriais expelidas deveriam ocorrer primariamente nessa região (eventualmente, Sampson percebeu que os ovários não são a área mais afetada, e sim, a parte inferior da pelve).

Foi mais tarde postulado que o fundo da pelve é a área mais afetada devido aos efeitos da gravidade, que puxaria essas células endometriais viáveis para o Saco de Douglas (então, a teoria de Sampson pode sofrer mutações para se ajeitar à informação disponível).

Foi sugerido que a endometriose se espalha progressivamente como se tratasse de um campo agrícola sendo semeado (observações em mulheres de idade mais avançada não demonstraram uma maior distribuição da doença no mapa pélvico).

Foi debatido que a existência de uma taxa de recorrência de 100% após a cirurgia se deve ao simples fato de que a pelve recebe novas células endometriais todo o mês (e, no entanto, as taxas de recorrência publicadas são bem menores que isso) e a elevada taxa de “recorrência” será simplesmente devida à persistência da doença que não foi destruída pela vaporização superficial a laser, ou eletrocoagulação, ou terapia medicamentosa.

Joseph Meigs, um renomado ginecologista de meados do século XX, escreveu em 1953 que a endometriose poderia ser curada através de cirurgia conservativa (isso mesmo, ele usou a palavra começada pela letra C).

Se você não olhar com muita atenção e de forma crítica para a teoria de Sampson e ignorar as palavras entre parentesis, ela parece bastante perfeita. Se pelo menos a realidade das portadoras coincidisse com a teoria, tudo seria perfeito. Mas não é. A vida é imperfeita porque a teoria está errada e existem dados científicos inegáveis que mostram isso mesmo.

Para entender a falha da teoria de Sampson, tudo que precisamos fazer é visualizar uma floresta de pinheiros. Quando percorremos o terreno da floresta, o que está estalando por baixo dos nossos pés? É o som de pinhas embaixo dos nossos sapatos. Quando olhamos para o chão, verificamos que a gravidade mantêm as pinhas no chão. Também poderemos observar novos rebentos e árvores jovens entre as que já atingiram a maturidade.

Agora vamos imaginar o assoalho pélvico. A teoria de Sampson prevê que células endometriais individuais devem grudar nas superficies do assoalho pélvico em quantidades assinaláveis. Essas células não são pequenas e devem ser facilmente observáveis através de um microscópio. Deveria ser facílimo descobrir essas células grudadas. Poderíamos inclusive fazer biópsias aleatórias e esperar encontrar essas células com um microscópio. A essa altura os livros deveriam estar cheios de microfotografias de dezenas ou centenas dessas células grudadas.


Além disso, deveria existir abundância de provas da invasão progressiva dessas células grudadas na superfície pélvica, seguido da evolução dessas células para o estado de endometriose. Esse trajeto da ligação inicial das células endometriais e a sua metamorfose para endometriose  deveria ser informação fácil de encontrar e de provar através de registros fotográficos. Essas provas visuais deveriam constituir a introdução de cada apresentação da teoria de Sampson em cada manual, e, no entanto, não estão lá porque essa abundância de provas não está disponível.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

COMO CONSEGUI MINHA "BÁRBARA" VITÓRIA DA MATERNIDADE - PARTE 2!!

 Eu e Bárbara - 19 semanas!

Agradeço o imenso carinho e os recados deixados na primeira parte da minha história sobre a minha “Bárbara - Vitória da Maternidade”.  Fiquei muito emocionada com as mensagens carinhosas e de muita luz. Após o segundo Beta HCG no dia 10 de julho confirmando minha gravidez, o doutor Hélio Sato pediu para marcar minha primeira consulta de pré-natal em duas semanas. No dia 15, após comemorar meus 36 anos num restaurante japonês maravilhoso (meninas grávidas podem, sim, comer peixe cru, só não pode carne bovina crua por conta da toxoplasmose), cheguei em casa e, quando fui tomar banho, levei o maior susto: estava tendo um sangramento. Eram quase 22h, mas imediatamente liguei para o doutor Hélio. Calmamente, ele pediu para eu ficar de repouso e repetir o Beta HCG em três dias. É claro que o coração fica na mão, mas o mais difícil foi eu ter de fazer repouso, já que vivo ligada numa tomada de 220w. Passei esses três dias trabalhando no blog deitada no sofá. Como minha última menstruação foi no dia 15 de junho, o susto foi maior. Fiz o exame e, ao chegar o resultado, enviei-o por e-mail ao doutor Hélio, que respondeu: “Está excelente! Evoluindo bonitinho, bonitinho! Vamos fazer ultrassom na próxima semana”. Saí do repouso e, depois, tive mais dois sangramentos leves. Porém, esses eram diferentes do primeiro. O sangue do primeiro era bem vermelho, aquele vermelho-vivo, o sangue igual ao da minha menstruação saudável. O sangue dos outros dois eram mais escuros. Pela primeira vez pesquisei na internet e li que pode haver sangramentos quando o embrião está se colando ao endométrio – processo chamado de nidação. Tive certeza que era isso.

No dia 25 de julho, fomos para a consulta mais esperada: escutar pela primeira vez o coraçãozinho do nosso precioso embrião. O coração acelerado, mais de 160 batidas por minutos, confirmou a gestação. Este ultrassom mostrou que o embrião estava distante do colo do útero, o que é um bom sinal, já que produz menos chance de aborto. No dia 15 de agosto, eu tinha um compromisso especial: eram os 25 anos da Gastroclínica Cascavel, no Paraná, e eu já tinha marcado esse compromisso desde abril. Por causa dos sangramentos (isso porque só falei de dois ao doutor Hélio), o doutor Hélio disse que só iria dizer se eu poderia pegar avião na consulta seguinte, na semana da viagem. Avisei à Soraia, da Gastro, que avisou o doutor Sagae. Claro que rezei e entreguei tudo para Deus, pois só ele sabe o que é melhor para todos os seus filhos. Dois dias antes da viagem, recebi a permissão para viajar e, no dia 14 de agosto, lá fomos nós: eu e meu precioso embrião (com apenas 9 semanas). No dia 19 de agosto fui ao laboratório para fazer a sexagem fetal. Eu e papai estávamos ansiosos (mais o papai, porque eu já intuía que seria uma menina) e não queríamos esperar as 16 semanas para ver no ultrassom. Três dias depois, saiu o resultado: nossa princesa Bárbara estava a caminho (e a mamãe acertou na intuição). No dia 3 de setembro, ao completar 12 semanas de gravidez, avisamos nossas famílias e todos ficaram radiantes com a chegada da nossa pequena.

Com 13 semanas, com permissão do doutor Hélio, retornei ao Pilates – que havia parado em fevereiro por conta dos compromissos da Endo Marcha (aproveite e curta nossa fanpage da Marcha Brasil e faça seu cadastro para a Endo Marcha Brasil 2015). Faço Pilates com fisioterapeutas, por causa da gravidez, com moderação e não tão pesado como fazia antes. Engordei pouco mais de cinco quilos. E o único efeito colateral que tenho sentido até o momento é dor de cabeça nos dias de muito, muito calor. Não tive nenhum enjoo, ânsia de vômito, nadica de nada durante as 15 primeiras semanas. Todos os sintomas iniciais da gravidez, eu não tive. Como odeio vomitar, confesso que esse era um ponto que sempre me incomodou quando pensava numa possível gravidez. Mais uma vez, Deus foi muito generoso comigo. Segundo o doutor Hélio, minhas dores de cabeça são musculares, problema que já tenho devido ao diagnóstico tardio da endo e, como não posso mais tomar os relaxantes musculares que tomo há anos, sem contar remédio para dor de cabeça, por causa da gravidez, então, sobra pra minha pobre cabeça... O Pilates, claro, ajuda a relaxar meus músculos, mas como ando muito a pé e carregando tudo nos ombros, já viu, né?  Somado ao calorão bravo das últimas semanas....

Resolvi compartilhar minha história por ter certeza que ela ajudará muitos casais a encontrarem uma luz no fim do túnel. Preciso dizer que fui muito bem monitorada pelo doutor Hélio durante o período de indução da ovulação. Não senti nenhum efeito colateral. Não fiquei com o nervo à flor da pele. Era como se nada tivesse acontecido. Não senti nada durante e muito menos após a punção dos óvulos. Ouvi dizer que a maioria sente cólicas, eu não senti nada. Foi como se eu não tivesse feito o procedimento. Também não senti nada após a implantação do embrião.  Todo o universo conspirou a favor e, claro, sempre tive a certeza que fiz a escolha certa do profissional que me acompanha. O doutor Hélio não é um especialista em reprodução que se especializou em endometriose. Ele é ginecologista e obstetra, que se especializou em endometriose para, só depois, quando passou a ver o sofrimento de suas pacientes inférteis, se especializar em reprodução humana para ajudá-las a realizarem seu sonho da maternidade.  É óbvio que Deus e a minha fé estão acima de todas as coisas, mas saber que você tem ao seu lado um profissional ético, humano e honesto faz muita diferença no Beta positivo. Ele teve o cuidado de pedir todos os exames possíveis para consagrar o resultado positivo – no meu caso, a biópsia do endométrio, que me possibilitou tratar a endometrite que eu tinha e não sabia – o que foi fundamental para eu ter meu Beta positivo. 

Agradeço também à minha Santa Bárbara. O nome Bárbara nada mais é que uma homenagem à minha Santa com a mágica coincidência de ser um nome grego, uma das raízes do papai dela. E estamos à espera de nossa princesa para o início de março, o mês internacional de conscientização da endometriose, um feito que o A Endometriose e Eu trouxe ao Brasil. Duas mágicas coincidências, mas como coincidência não existe e é apenas “a mão de Deus para dizer que você está no caminho certo”, então, estamos no caminho certo. Se antes eu já lutava com unhas e dentes pelo coletivo das endo mulheres brasileiras, agora que terei uma filha, podem ter certeza que terei mais um motivo e a mais preciosa aliada nesta luta. Hoje tivemos mais uma consulta de pré-natal. Estou de 21 semanas e Bárbara já mede 25 cm e pesa 400 gramas. Segundo o doutor Hélio Sato, ela deverá nascer no dia 1° de março de 2015. Já começo a sentir algo repuxando a minha pele, deve ser ela em suas primeiras mexidas. Não vejo a hora de isso acontecer! Todas dizem que esse é um momento mágico! Aos poucos vou relatando essa nova experiência em minha vida aqui no blog. Se eu puder dar um conselho às tentantes aí vai: durante as 12 primeiras semanas não conte a ninguém sobre a gravidez. Sei que é difícil, mas manter segredo e apenas sua energia e a do companheiro no novo ser que está a caminho, a meu ver, é fundamental para tudo dar certo. Obrigada a todos pela audiência, estamos rumo aos 2 milhões de acessos! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

terça-feira, 4 de novembro de 2014

"GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": POR QUE OPTEI GERAR MEU FILHO NO CORAÇÃO?

Imagem cedida por Free Digital Photos
É com grande satisfação que estreamos hoje a coluna "Gestação do Coração", que vai contar a saga de Ane e Paulo em busca do sonho de serem pais. Ane é quem vai escrever a coluna relatando passo a passo como é o processo de adoção no Brasil. Ane é nossa velha conhecida no blog. Ela é esposa de Paulo, que escreve a "Endo Social" e também a "A Vida de um Endo Marido". Já contamos a história dela com a endo e a infertilidade no blog, e com certeza, essa será mais uma coluna com o objetivo de levar mais esperança, mais perseverança e, principalmente, mais amor aos endo casais, em especial, às endo mulheres. Nos outros textos que falamos sobre o tema, vi que há grande repercussão nos grupos, pois há sim muitas pessoas que também optaram por ter seus filhos de coração. Mas, também, há aqueles que torcem o nariz quando o assunto é abordado. Pretendemos tirar o mito de que filho é apenas aqueles que geramos em nossa barriga. Mesmo quando geramos em nosso ventre, de onde vem o amor? Não é do coração? Então, porque não gerar um filho lá?! A coluna vai tratar, em especial, da adoção tardia e também daqueles que são excluídos, como por exemplo, as crianças negras. O filho de Ane e Paulo será de um dos menos propensos a adoção. Meus parabéns ao casal por ter a mente e o coração tão abertos ao amor ao próximo, e por dar chance a uma criança fora do estereótipo de adoção a voltar a sorrir! Por isso tenho certeza do sucesso desta coluna. Aqui abriremos espaço àquelas que querem contar suas histórias com seus filhos do coração. A coluna ficará hospedada em "Superando a Endo Infertilidade". Não podemos nunca perder a fé e a esperança de realizar nossos sonhos. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Por que optei gerar meu filho no coração?

Por Ane Bulcão 

Olá queridos leitores e queridas leitoras! Após contar minha história com a endometriose no A Endometriose e Eu, passo a ser a nova colunista do blog. Na coluna intitulada “Gestação do Coração” vou falar sobre a experiência de gerar um filho no coração... Pois é, como meu esposo Paulo contou no mês passado em “A Vida de um Endo Marido - Por que resolvi ter meu primeiro filho de coração”, não podemos ter filhos naturalmente e a indicação dos médicos de fazermos a FIV está fora de cogitação neste momento, pois o alto-custo do tratamento foge de nossas possibilidades financeiras.

No entanto, isso nunca foi um motivo de tristeza ou frustração para nós, pois bem antes de sabermos de minha doença, ainda quando eu e Paulo namorávamos, nós já tínhamos decidido em adotar uma criança. Sempre tive esse sonho que foi inspirado ao ver meu pai que com muita dedicação lutava para defender os direitos de crianças e adolescentes da pequena cidade onde morávamos na Bahia. Meu pai era conselheiro tutelar e também foi presidente do conselho da criança e do adolescente e isso me fascinava e eu dizia comigo mesma: “Quando eu crescer eu vou adotar uma criança, graças a Deus, Paulo também sempre teve esse sonho. Quando fomos conversar sobre esse assunto, a princípio ambos ficamos apreensivos com medo do outro não aceitar (risos), mas Deus é lindo e sabe o que faz né. Quando resolvemos compartilhar com os amigos sobre a decisão de adotar uma criança, nós ouvimos de tudo um pouco, desde aqueles que nos parabenizaram e incentivaram, aos que tentaram nos dissuadir com argumentos nada sólidos do tipo: diziam que é perigoso adotar porque não se sabe de onde vem a criança e que ela talvez poderia “reproduzir” as coisas ruins que seus pais de repente tivessem feito! Imagina só que loucura.

Mas nós entendemos que filhos são benção de Deus, e que a adoção é um ato de amor sublime e a inspiração encontramos no próprio Pai do céu que nos adotou como filhos através de Jesus Cristo. Também tivemos de saber lidar com a estranheza e preconceito velado de muitos, uma vez que o perfil de criança que escolhemos está fora do padrão convencional dos pretendentes a adoção, pois optamos pela adoção tardia (criança com idade acima de 3 anos até os 7 e meio), e criança negra. Nós conversamos muito sobre isso e os riscos que implicariam nessa decisão, e vamos em frente.

Ficamos imaginando essas crianças que estão nos abrigos vendo as pessoas entrando e saindo de lá com bebês brancos no colo... (essa é a preferência da maioria dos pretendentes a adoção). Penso que por vezes estes pequenos em sua oração antes de dormir peçam a Deus que alguém os escolham para dar-lhes um lar e nos comovemos. Tenho uma amiga que adotou uma criança, e ela me falou que certa vez quando ela foi num abrigo olhar algumas crianças, uma menina de uns 5 ou 6 puxou a barra de sua saia e disse-lhe: “Tia me adote, eu vou ser uma boa filha, vou arrumar meu quarto e te obedecer!” Nossa, meu coração se encheu de compaixão e amor e se antes eu tinha alguma dúvida com este testemunho de minha amiga, elas se acabaram. Essas crianças necessitam de um lar onde elas se sintam amadas e protegidas. Eu acredito que nós seres humanos estamos em constante formação, nunca prontos e acabados, por isso a máxima de que seria impossível educar uma criança maior por que ela já estaria com seu caráter e personalidade formados, na minha concepção não passa de clichê ou desculpa para não adotar, uma vez que educar uma criança grande demandaria maior esforço e dedicação, e sobretudo, muito amor para não desistir tão facilmente desta vida. Caso venham surgir problemas, isso não significa que esta tarefa seja impossível. Sei de uma coisa, Deus nos ama incondicionalmente e não desiste nunca de cada um de nós, mesmo quando somos rebeldes e lhe voltamos as costas, por isso eu acredito no poder transformador do amor.

E foi nessa certeza que no final do mês de agosto eu e Paulo demos entrada com a documentação no fórum da nossa região aqui em São Paulo, dando início oficialmente, à nossa gestação no coração. Como toda gestação leva um tempo desde o início até o fim pretendemos compartilhar cada passo e progresso que fizermos neste processo, com todos os leitores do blog, que também abriram seus corações para este nobre ato de amor e que entendem que ser mãe ou ser pai é muito mais do que gerar, é também quem cria com todo amor e carinho. E àqueles que de repente não se sentem preparados para adotar, entendo que nem todos estão prontos para tal, isso é direito que cada um tem, mas por favor uma dica que dou (somente aos que fazem isso, tem gente que não faz) se você não quer também não precisa ficar tentando fazer mudar de ideia quem deseja adotar com os argumentos já citados acima, pois assim como as crianças que estão nos abrigos, tem direito de ter uma família que as ame, essas pessoas também tem direito de se permitirem ser “adotados” por uma criança e vivenciarem esta linda experiência de serem mães e pais.


Devo dizer que cada progresso feito será relatado aqui, de acordo com o andamento do processo, por isso creio que isso não acontecerá mensalmente, pois como nós sabemos aqui em nosso Brasil o processo de adoção não é tão rápido. No próximo texto contarei como foi a visita da assistente social na nossa casa e a entrevista com a psicóloga no fórum, como nos sentimos nos dias que antecederam a este momento. Espero do fundo do meu coração que essa coluna possa levar ainda mais esperança aos endo casais que se encontram na mesma que eu e meu marido, e que ela ensine a todos nós como é dar um lar a uma criança que precisa de muito amor. Fiquem com Deus. Um beijo carinhoso!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO:" A PERSPECTIVA DE UM ENDO MARIDO!!


Imagem cedida por Free Digital Photos

Quando iniciamos esta coluna, já era esperado seu sucesso, pois sabemos como é difícil entender como é viver com quem tem endometriose. Era sabido que muitos companheiros de portadoras de endometriose iriam se identificar com os relatos do nosso endo marido Alexandre. Depois chegou o Paulo, que também colabora com a coluna. Um ano e nove meses depois temos a nítida certeza que cada vez mais, "A Vida de um Endo Marido" é importante não apenas ao companheiro que convive diariamente com uma portadora de endo, mas também aos amigos e familiares de todas que vivem com a doença. Essa é uma das mais importantes coluna do blog. Muitas mulheres e companheiros se identificarão com o texto abaixo. É uma tradução de outro endo marido que sabe como é conviver dia a dia com uma portadora de endometriose. Só quem sente ou já sentiu as dores severas da endo, ou quem convive com quem as sente, sabe bem o que é isso. Infelizmente, muitas pessoas que não sabem como são essas dores, nos julgam o tempo todo, falam milhões de asneiras quando falamos a verdade sobre a doença, e logo vem a comparação com outras doenças. Com isso, muitas endo mulheres se calam e se fecham ainda mais num mundo só delas, assim como a doença que pode se manifestar de uma forma invisível. Muitas portadoras experimentam à dor crônica ainda muito jovens, com isso, perdem sua qualidade de vida e têm mais dias de dores em suas camas que dias de lazer ao lado de suas famílias e amigos. Por mais difícil que seja, não podemos ficar caladas, precisamos nos unir numa voz uníssona para mostrar a realidade desta doença que tanto maltrata milhões de mulheres mundo afora. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar


Endometriose: A perspectiva de um endo marido

Por Dr Jeremy Bridge-Cook
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar

Pela terceira vez nesta semana eu estou sozinho ajudando as crianças com os deveres de casa, levando-os para fazerem seus esportes, dando a janta, limpando a cozinha e colocando-os na cama. Minha esposa está lá em cima deitada na cama, sentindo uma dor tão lancinante que a única forma de ela aguentar o dia é se entupir de analgésicos, soporíferos e deitar na cama o quanto antes.

Enquanto eu levo nossos filhotes para as suas atividades, me preocupo muito em como minha esposa está aguentando, em especial, na parte emocional. Isso não é novidade para ela. E para mim, me preocupar com minha esposa é parte da minha vida enquanto endo marido. Minha esposa tem endometriose desde os 13 anos de idade, mas a doença apenas se tornou debilitante quando ela passou dos 30. Na última década ela tentou todo o tipo de medicamento e tratamento alternativo disponível, buscando soluções para a sua dor e muitos outros sintomas e complicações secundárias.

Todos os dias a gente fala sobre como ela está se sentindo. Ela avalia vários dos seus órgãos em uma escala de dor de 1 a 10. “Minha bexiga está em 7 nessa manhã, infelizmente, mas meu sistema gastro-intestinal está apenas 3, meu útero e peito quase não tem dor. Então, até agora o dia até que não está sendo ruim”.

Após o relatório de dor matinal, frequentemente discutimos estratégias de medicação e outros tópicos relacionados com sua saúde, tentando encontrar o melhor plano para minimizar a dor de minha esposa e aproveitar ao máximo o dia dela. Esse tipo de diálogo também faz parte de ser um endo marido.

A endometriose é uma doença particularmente complexa, pois pode afetar quase qualquer órgão do corpo. Cada paciente experimenta a sua própria versão da doença, mas quase sempre de uma forma muito dolorosa. Uma das implicações desse fato é que  é necessário uma equipe de especialistas (preferencialmente cirurgiões), para providenciar os melhores cuidados possíveis, liderados por um cirurgião/ginecologista bem treinado em excisão laparoscópica.

Infelizmente esse tipo de cuidados raramente estão disponíveis. O que geralmente ocorre é a mulher receber uma prescrição para terapia hormonal ou de outro tipo, e são mandadas para casa para aguentar a dor do jeito que conseguirem. A sua dor é geralmente explicada pelos médicos como sendo de origem hipocondríaca ou como mentira para obtenção de drogas (remédios). Considerando o tanto que essa doença é comum e debilitante, a qualidade dos cuidados prestados a essas mulheres é horripilante. Como marido que tem que ver sua esposa sofrer horrores por anos, eu recebi um treinamento em segunda mão, mas de perto sobre o que é ser portador de uma doença crônica sobre a qual o sistema médico não está nem aí. Alguns anos antes, minha esposa e eu debatemos sobre como ela deveria falar com amigos e colegas sobre a sua doença. Sendo uma pessoa naturalmente introvertida, era contra os instintos falar abertamente sobre o seu corpo e os sintomas que experimentava, especialmente, porque o seu período menstrual ou ovulações estavam inerentemente envolvidos nos sintomas, para não falar de órgãos como a bexiga e os intestinos.

A minha posição sempre foi a mesma: “Fale a verdade para eles. Não esconda nada nem adoce a realidade. Porquê você deveria fazer isso? Você não fez nada de errado!” Eventualmente, minha esposa se acostumou a ter esse tipo de diálogo. Algumas pessoas ficam desconfortáveis, mas isso é um problema delas, não de minha esposa.

Como endo marido, gradualmente, eu fui ficando enojado e revoltado sobre a forma como essa doença é ignorada e, consequentemente, as portadoras que dela sofrem. A pesquisa é virtualmente não-existente quando comparada com outras doenças consideradas mais importantes. Cuidados médicos coordenados são raros. Mitos e desinformação, mesmo entre ginecologistas, estão por toda a parte. Não existe um procedimento estandartizado, nenhuma guia de tratamento baseada em provas concretas. As mulheres são abandonadas para sacarem por elas mesmas como ultrapassar a doença.

Incrivelmente, minha esposa é uma das mais sortudas portadoras que existe. Ela é cientista com doutorado, e por isso, pode pesquisar na literatura científica e clínica enquanto procura determinar quais os melhores cuidados possíveis. Ela tem uma forte rede familiar e de amigos (incluindo muitas portadoras). Foi capaz de manter um trabalho por meio período até pouco tempo. E temos dois filhos maravilhosos que muito ajudam-a que se sinta motivada para lutar contra essa doença com unhas e dentes, mesmo nas horas mais desmotivadoras e desesperadas que passamos.

Quando ela me pediu se eu estaria interessado em escrever um breve artigo sobre endometriose na perspectiva da pessoa que acompanha e apoia, eu topei na hora. Agradeci a chance de pedir para todas as portadoras a mesma coisa que eu pedi para ela anos atrás. Por favor, fale toda a verdade para todo o mundo que te perguntar como você está. Não esconda nem invente uma versão adoçada. Após todos esses anos assistindo a luta e sofrimento de minha esposa, tem uma coisa que eu aprendi na dura: O único jeito de essa doença deixar de ser invisível e ignorada é se todas as portadoras e seus companheiros se unirem, falando a uma só voz e exigindo melhorias. É por isso que o mês de conscientização para a endometriose existe (mês de março). E essa é a minha fervorosa esperança enquanto endomarido.

Nota do tradutor: Essa tradução foi feita nos intervalos em que eu constantemente medi a pressão arterial de minha esposa, indo no quarto e checando como ela estava. A realidade que o autor relata é a de muitos companheiros que de forma dispersa vivem no silêncio de suas casas o mesmo drama. Unidos faremos com que escutem a nossa voz e um dia venceremos. Separados seremos vencidos pelo cansaço e desgaste, sem nos revermos em outros casos e sem saber onde e com quem podemos contar e aprender algo mais. Enquanto não existir união entre aqueles que sofrem com a endometriose não surgirá uma verdadeira solução.

Fonte: Hormones Matter

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

MAIS UMA ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A NEUROCIENTISTA E ATIVISTA INGLESA LIBBY HOPTON!

Libby Hopton e Caroline Salazar em São Paulo


A Endometriose e Eu apresenta mais uma entrevista exclusiva com a neurocientista Libby Hopton, que a conheci durante a  1ªJornada Internacional de Anatomia e Tratamento Cirúrgico para Endometriose, em São Paulo. Por ter formação como neurocientista, Libby começou a pesquisar e a estudar sobre a doença, após ser diagnosticada, por encontrar a muitas informações errôneas. Seu objetivo, assim como o nosso (de toda equipe do blog), é passar o conhecimento correto às endomulheres Foi muito bom tê-la conhecido e saber que há pessoas que pensam como nós. Não podemos aceitar que ainda exista médicos que falam que a dor é psicológica, não podemos aceitar que ainda haja especialista que falem que a "endometriose é a doença da mulher moderna", não podemos aceitar que médicos culpem as mulheres pelo retorno da doença. Precisamos ser mais ativas e não aceitar os "rótulos" que colocam em nós, portadoras de endometriose. Você sabia que a endo pode ser encontrada em fetos na mesma proporção e nos mesmos locais que nas mulheres adultas? Por isso, o A Endometriose e Eu, além de ser o blog mais completo da doença idealizado por uma endomulher no mundo, é o único que traz entrevistas exclusivas internacionais, com informações corretas e de qualidade, o que faz parte da conduta profissional de sua idealizadora promovendo a correta abordagem da endometriose e o jornalismo sério e ético. Foi muito bom ter passado também algumas horas de lazer com Libby em sua primeira visita ao Brasil. Espero revê-la em breve!! Leia também as entrevistas exclusivas com o doutor David Redwine e com o doutor Charles Koh. Agradeço ao doutor Alysson Zanatta pela ajuda na entrevista in loco. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Entrevista exclusiva concedida à Caroline Salazar *proibida a reprodução sem autorização prévia da autora
Tradução: Alexandre Vaz

A Endo e Eu – Como você conheceu o doutor David Redwine e como isso ajudou a que você tomasse contato com outros médicos e pacientes?

Libby – Quando eu fui diagnosticada com endometriose eu queria entender a doença. Então, comecei a fazer pesquisas online e na literatura científica. Dei de cara com muita informação contraditória, opiniões opostas e quase todos os aspectos dessa doença, desde como ela surge na mulher até quais os tratamentos mais eficazes, e se a doença pode ou não ser curada. Um dos médicos que surgiu nas minhas pesquisas, e que evidenciou pela sua abordagem analítica à doença foi o doutor Redwine. Eu fiquei confortada quando descobri o trabalho dele porque eu conseguia entender a forma como ele pensava sobre a doença e ele colocava muitas questões que me perseguiam, e para as quais eu não tinha conseguido respostas. Algum tempo depois eu descobri que existe uma comunidade online muito ativa de portadoras e médicos nas redes sociais, tais como o Facebook e o Twitter. Eu entrei em um grupo no Facebook do qual o doutor Redwine já fazia parte como membro ativo e aproveitei a chance para debater com ele alguns dos meus pensamentos que tinham resultado das minhas leituras. Na época ele estava trabalhando no seu último livro: Googling Endometriosis: the lost centuries (Pesquisando a endometriose: os séculos perdidos), a história detalhada da endometriose, e vendo o meu interesse na doença ele me convidou para revisionar os primeiros capítulos do livro. Eu fiquei muito grata por poder me envolver de alguma forma, e no final acabei ajudando ele a editar o livro. Mais tarde, quando ele se aposentou da sua prática clínica, ajudei-o a montar seu site, e juntos fizemos uma pesquisa científica questionando sobre a existência de endometriose microscópica invisível. Depois criei o EndoMetropolis e consegui chegar junto a outros médicos e pacientes que estavam interessados em debater todos os assuntos em torno da endometriose. Para as pacientes foi uma forma de ficarem informadas sobre opções de tratamento e buscar as melhores soluções. Para os médicos foi uma forma de chegar junto das pacientes, partilhar a sua experiência e entrar em debates interessantes sobre a causa da doença e quais as melhores abordagens para tratamento.

A Endo e Eu – O que você fala para as pacientes que chegam até você, que estão com dor, mas que já escutaram que sua dor é normal e que está tudo em seu psicológico. Neste caso, me refiro às pacientes cujos exames de imagens sempre deram normais, e elas recebem como resposta que suas dores são psicológica?

Libby - Para começo eu aceito que a dor delas é real. Eu levo em conta o que elas me falam. Claro que não sabemos se a dor se deve à endometriose ou não, mas eu informo que a endometriose é a principal causa de dor pélvica, e que muitas mulheres que têm dor por conta da endometriose lutam para conseguir um diagnóstico e podem inicialmente ter a sua dor desvalorizada como sendo “psicológica”. É possível ter resultados de exames normais e ainda ser portadora da doença. Por exemplo: a imagem apenas poderá mostrar cistos ovarianos e em alguns casos, doença profunda, mas não pode confirmar se a paciente possui endometriose superficial. Por isso, um exame normal não exclui a doença. Eu também explico para elas qual a diferença entre um exame bimanual (nota da editora: exame de toque em que é feita palpação do útero, trompas e ovários) e um exame vaginal digital, em que apenas é examinada a área posterior do útero. Esses dois exames precisam ser realizados para perceber se a dor pélvica é uterina ou não. Se o médico apenas realizar o exame de toque, o desconforto ao toque e nódulos devido à endometriose podem passar despercebidos. Eu aconselho a paciente a continuar procurando diagnósticos corretos, e se elas acharem que não receberam a atenção devida, não desistam e busquem um médico que te escute, que pegue seu histórico médico detalhado, que faça os exames necessários e, se necessário, diagnóstico por laparoscopia. No grupo aceitamos a colocação de fotos e registros médicos para que os médicos do grupo possam dar suas opiniões – claro que isso não equivale ao aconselhamento médico realizado num consultório, mas serve como conhecimento complementar. Por vezes, as pacientes são submetidas a cirurgias e é lhes dito que não têm endometriose, quando na verdade são portadoras da doença. Ou a sua pelve simplesmente não foi examinada em detalhe para detectar anomalias nos tecidos. Nem todos os ginecologistas estão capacitados para reconhecer a doença em todas as formas que ela se apresenta, e, nesses casos, o diagnóstico pode ser errado. Em resumo, eu digo às pacientes que continuem a buscar respostas, e, se sentirem que não receberam os cuidados necessários do seu médico, não devem perder a esperança. A sua dor é real e você deve procurar outra opinião. Defenda sempre aquilo que você está sentindo e não permita que os outros te chamem de “louca” e não aceite que falem que suas dores são psicológicas – muitas, milhares de mulheres já escutaram isso, o que apenas faz demorar ainda mais o seu diagnóstico. Dor pélvica, embora seja um problema comum nas mulheres, não é um sintoma psicológico.

A Endo e Eu - Frequentemente vemos leigos e até especialistas afirmando que a endometriose é “a doença da mulher moderna”. Qual é a sua opinião sobre isso?

Libby – Bom, isso depende um bocado de como você define o conceito de mulher moderna.

A Endo e Eu – No contexto em que é falada, a expressão se refere à mulher que coloca a carreira antes da maternidade, que trabalham duro e atrasam a formar sua família.

Libby – Existem, claro, mulheres de carreira com endometriose, mas também existem adolescentes com endometriose, mães com endometriose, mulheres que já entraram na menopausa com endometriose, e mulheres desde a antiguidade que, muito provavelmente, eram portadoras de endometriose, baseado nos registros dos seus sintomas e relatos clínicos. A endometriose pode afetar meninas e mulheres em qualquer fase de suas vidas, independente de etnia e origem socioeconômica. A visão de que essa doença está limitada a mulheres na casa dos 30 anos, ou na idade reprodutiva, que deram prioridade à carreira em vez da maternidade é tolice, e está dificultando o diagnóstico de pacientes e distorcendo a nossa visão e compreensão sobre essa doença. Eu acho que essa ideia errada muito provavelmente deriva da linha de pensamento em que a menstruação retrógrada causa endometriose, e, portanto, quanto mais fluxo menstrual a mulher tiver, maior a chance de ela desenvolver endometriose, além de ainda desenvolver mais focos... mas se observarmos os fatos em torno da doença, pacientes mais velhas não possuem mais focos nas suas pelves do que outras mais novas, e uma gravidez anterior ao diagnóstico não é um fator de proteção contra a endometriose. As teorias deveriam acomodar os fatos e não o contrário... se uma teoria não explica adequadamente os fatos sobre uma doença, então, ela não está certa, e precisa ser acertada para ajustar aos fatos, ou então, descartada por completo se uma teoria concorrente providencia uma melhor explicação.

A Endo e Eu – E o que você acha da culpa colocada nas portadoras?

Libby – Eu consigo entender porque os médicos ficam frustrados com essa doença. Essas pacientes frequentemente não respondem bem às terapias médicas. Ainda não existe terapia médica curativa. A cirurgia frequentemente é uma “questão de sorte”, porque a maioria dos cirurgiões simplesmente não têm tempo, treinamento e nem experiência suficientes para remover a doença totalmente, e se focos são deixados para trás, ou apenas forem parcialmente tratados, essa cirurgia está condenada ao fracasso. Cedo ou tarde a paciente irá voltar com os mesmos sintomas e a pergunta que surge é “e agora?” Com o tempo, após muitos tratamentos falhados, tanto o médico como a paciente acabam ficando frustrados e o médico pode sentir a tentação de culpar a paciente em vez de reconhecer que errou no tratamento do problema da sua paciente. Claro que essa doença e o padrão de tratamentos falhados não é culpa da portadora e culpá-la apenas serve para machucar ainda mais a mulher, deixando que ela se sinta isolada e sem esperança. Essa doença é uma lição de humildade para todos os que estão envolvidos. Obviamente, a abordagem mais aceita para os tratamentos precisa mudar. Os médicos precisam informar as pacientes que não as conseguem tratar cirurgicamente, e precisam existir mais meios para treinar médicos em cirurgia laparoscópica avançada, para que se possa oferecer a remoção completa da doença. Essa mudança não irá acontecer do dia para a noite, e necessita de maior compensação por essas cirurgias complexas, maior reconhecimento da especialização envolvida quando alguém se torna um especialista em excisão de endometriose. Com certeza não deveríamos culpar a paciente, mas a culpa também não fica apenas nas costas dos médicos. Os problemas que impedem as pacientes de receberem os cuidados adequados são em parte devidos a falhas estruturais institucionais, o papel das companhias de seguros (convênios médicos) que se negam a compensar adequadamente a cirurgia para endometriose, e a falta de investimento dos governos no que é uma doença debilitante muito comum que afeta milhões de mulheres.  Quanto às pacientes, nós precisamos nos manter ativas, exigindo melhores cuidados e também nos representarmos a nós mesmas se sentirmos que os médicos estão nos deixando na mão.

A Endo e Eu – Que idade você tinha quando foi diagnosticada com endometriose e qual a sua história pessoal?

Libby – ­­ Eu tinha 26 anos quando recebi meu diagnóstico de endometriose. No meu caso, eu fui o fator mais influente no atraso do diagnóstico porque eu não busquei ajuda para os meus sintomas, e a doença apenas foi detectada quando eu fiz um exame de rotina com um ginecologista. O médico por acaso fez um ultrassom e detectou endometriomas grandes nos meus dois ovários e, imediatamente, suspeitou de endometriose. Eu cometi o erro de achar que a dor pélvica era algo bastante comum, normal. Então, ignorei esse sintoma e ia levando a minha vida. Afinal, minha mãe tinha tido os mesmos sintomas, nunca tinha recebido qualquer diagnóstico de doença e foi capaz de conceber filhos sem dificuldade. Eu, simplesmente, achava que a dor era normal. Somente após a remoção bem sucedida da doença, eu pude apreciar qual o impacto que esses sintomas tinham em mim durante todos esses anos, e como eu deveria ter agido acerca disso muito antes. Eu acabei tendo muita sorte já que a minha primeira cirurgia foi com um especialista em endometriose. Assim que surgiu a suspeita de endometriose, eu comecei a pesquisar sobre a doença e fui capaz de tomar decisões conscientes sobre o que seria a melhor opção para mim. Mais tarde precisei de nova cirurgia porque na primeira a doença não foi totalmente removida e desenvolvi várias aderências pós-operatórias. Hoje, um ano após a minha última cirurgia, eu continuo vivendo muito bem com 95% dos meus sintomas resolvidos. A moral dessa história é que embora a dor pélvica seja comum, não é normal e deve ser levada a sério. Se você tem dor pélvica, não a ignore. Existe ajuda e tratamento disponíveis. Um diagnóstico precoce junto com tratamento é a melhor opção, e se existir suspeita de endometriose, é muito importante encontrar um médico especializado no tratamento cirúrgico dessa doença.

A Endo e Eu – Então, quantos anos você sofreu com dor?

Libby – Desde os meus 13 ou 14 anos, o que significa 12 ou 13 anos de dor, embora, eu nunca tenha experimentado dor constantemente, e os sintomas tenham piorado um pouco ao longo dos anos. Com 14 anos eu me lembro que pensava para mim mesma: se essa dor não era simplesmente algo normal e parte da condição de ser mulher, seria considerada como uma doença terrível. Como eu era ingênua...

A Endo e Eu   Qual o conselho que pode dar às meninas e mulheres com dor pélvica, mas cujas mães asseguram que essa dor é normal?

Libby – Dor pélvica é comum, mas isso não faz com que seja normal. Quando o corpo dói, está tentando comunicar algo importante para você – a dor é funcional ao alertar a paciente de que algo não está certo, e que precisa da sua atenção. Se está debilitada pela dor pélvica, se está interferindo com as suas atividades diárias e com a sua qualidade de vida, isso não é normal e deve buscar um médico que se interesse pelo seu caso, investigue a causa dessa dor e inicie um tratamento. Você não precisa viver desse jeito, e existe ajuda. Por isso, por favor leve os sintomas a sério e não permita que outros normalizem ou minimizem a importância da sua dor.

A Endo e Eu – O que está pesquisando atualmente?

Libby – Eu trabalho como pesquisadora para o doutor Andrew Cook no Vital Health Institute em Los Gatos, na Califórnia. O doutor Cook é um especialista em excisão de endometriose e vêm monitorizando as suas pacientes faz mais de uma década. É nossa esperança reavaliar a escala pela qual a a doença é medida, e potencialmente desenvolver um novo sistema de avaliação não apenas baseado nas descobertas cirúrgicas, mas também incluindo informação pré-operativa das pacientes para ajudar a prever a complexidade cirúrgica e os resultados pós-operatórios. Ao aceder não apenas aos resultados das cirurgias, mas, também, a várias variáveis pré-operativas, é nossa esperança identificar e dimensionar os tratamentos em sub-grupos específicos de modo a melhorar os resultados a longo termo e a ajudar pacientes a aceder aos cuidados de saúde ótimos nas suas trajetórias de tratamento. É um projeto ambicioso, mas eu acho que algo assim poderá revolucionar o futuro dos tratamentos de endometriose.

A Endo e Eu – Como pesquisadora, você tem algum contato com as pacientes?


Libby – Acabei de me mudar da Holanda para a Califórnia. Agora, naturalmente, terei a chance de trabalhar mais próximo das pacientes quando faço as pesquisas. Obviamente, não sou médica, mas é importante que, se a pesquisa é para ser clinicamente relevante, a distância entre ciência, médicos e pacientes deve ser encurtada. Também é muito importante que as mulheres estejam atentas aos estudos que estão sendo feitos para que possam estar presentes, fomentando um sentimento de esperança e envolvimento na comunidade da endometriose como um todo, e ajudar a melhorar os resultados para as gerações futuras de mulheres, suas filhas e netas. Tendo a possibilidade de contribuir na pesquisa de alguma forma pode dar um sentimento de envolvimento e poder para pacientes que vêm sofrendo por muitos anos por conta dessa doença debilitante. 


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR HÉLIO SATO!!

"Com a Palavra, o Especialista" vai dar uma bela aula sobre a classificação de embriões, assunto de extrema importância para quem passa pela fertilização in vitro. O doutor Hélio Sato também aborda os possíveis exames a serem feitos para evitar as falhas de implantação. Muitas mulheres, infelizmente, fazem sucessivas tentativas de fertilização in vitro e/ ou de inseminação artificial, mas não obtém sucesso. É preciso investigar a fundo o porquê dessas falhas antes de novas tentativas. O doutor Hélio esteve presente no congresso mais importante do mundo em reprodução humana, o European Society of Human and Embryology (ESHRE), realizado em Munique na Alemanda, em junho e julho de 2014, e nos conta o que foi apresentado de novo para avaliar os embriões e, assim, ajudar ainda mais quem passa pela F.I.V. Nada é mais gratificante para um especialista em reprodução humana quando a mulher engravida logo na primeira tentativa, como no meu caso, algo raro, já que implantei apenas um único embrião prestes a completar 36 anos. Quando enviei meu Beta HCG a ele por email, não deu dois minutos toca o meu celular: "Parabéns, Carol, você está grávida!". Demorou para cair a ficha do doutor Hélio no decorrer da semana sobre meu milagre. E a minha também!! Exatamente hoje completo 18 semanas! Já estou escrevendo a segunda parte de minha história. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

- O que pode acontecer quando se tem embriões de qualidade A e não há implantação? Sendo que foi feito exames na mulher e tudo estava bem. Há exames específicos a serem feitos em relação a isso? Há também a possibilidade de rejeição do organismo feminino? Vanessa Silva, Vitória – ES

Doutor Hélio Sato:  Os embriões são classificados de acordo com o grau de fragmentação do citoplasma, ou seja, as células dos embriões ao se dividirem podem perder parte do citoplasma, formando vesículas e o grau de fragmentação varia de:

A – Sem fragmentação
B – Fragmentação discreta
C – Fragmentação moderada
D – Grande fragmentação

E, as evidências apontam que quanto maior for a fragmentação menor é a capacidade de implantação dos embriões. No entanto, algumas pesquisas não observaram esta relação. Conclui-se que a avaliação da fragmentação é uma forma rápida, simples e barata de avaliar os embriões, porém, ainda é muito falho.

Assim, existem diversas pesquisas que avaliaram outras formas não invasivas de avaliar os embriões a fim de poder prognosticar a taxa de implantação e poder selecionar os melhores e assim aumentar a taxa de sucesso do tratamento.

Dentre muitos, a avaliação full time dos fenômenos celulares conhecido como time lapse mostrou ser uma alternativa mais eficaz, porém, ainda assim, demanda mais avanços. O time lapse não é nada mais que uma câmera tipo “big brother” que acompanha tudo que acontece com os embriões no meio de cultura, ou seja, quando aconteceu a primeira divisão, a segunda, a terceira, etc... e como aconteceu. Porém, ainda é uma tecnologia não disponível na maioria dos centros de reprodução, pois, os custos do uso aumentariam ainda mais o valor do tratamento. Recentemente, no congresso europeu que ocorreu em Junho de 2014 (Munique, Alemanha) observamos equipamentos que acoplam o time lapse juntamente com as estufas que não necessitam serem abertas para avaliação dos embriões, porém, os valores ainda são muitos altos.

Outra alternativa que pode ser utilizada é avaliação da integridade cromossômica dos embriões pela técnica de CGH (Comparative genomic hybridization) e, para tanto, é necessário que os embriões alcancem o 5º dia de evolução no meio de cultura, então, são removidos algumas células para esta análise que consiste em comparar 2 cromossomos sendo 1 sabidamente normal e outro a ser testado e assim é avaliado se o número de cromossomos são normais, ou seja, 46, bem como se há partes em excesso ou falta. E, desta forma, são transferidos apenas os embriões com a parte genética íntegra. Essa técnica aumenta significantemente a taxa de implantação. Porém, cabe destacar que a técnica tem custo relativamente alto e, infelizmente, muitos embriões não alcançam o 5º dia de evolução no meio de cultura. Portanto, se nenhum embrião alcançar esta fase conhecida como blastocisto ou se nenhum embrião estiver geneticamente normal também não é feita a transferência. Com isso, o tratamento terá de ser reiniciado novamente.

Quanto às avaliações que podem justificar a falha de implantação, além da avaliação embrionária, são aqueles que visam avaliar o endométrio e o sistema imunológico-coagulação. O endométrio pode ser avaliado por diversas formas, dentre elas, a histeroscopia que busca identificar sinais de endometrite (inflamação do endométrio, a camada interna do útero onde tem de ocorrer a implantação do embrião) e, também, verifica a existência de pólipos endometriais e mioma uterino submucoso. Já a biópsia de endométrio avalia as células que estão no endométrio e suas características e, também, tem objetivo de avaliar a presença de endometrite (teste mais sensível que a histeroscopia) e constata se o endométrio se prepara adequadamente para a implantação.

A forma mais moderna, porém, com custo mais elevado utilizado em pacientes que tiveram falhas de implantação pregressas é o teste de expressão de RNA no endométrio conhecido como microarray. Embora, possa orientar o momento que deve ser feito a transferência seu custo limita o uso rotineiro.

Em relação às doenças autoimunes convém pesquisar as tireoidites (inflamação da tireoide) autoimunes, lúpus eritematoso sistêmico e outros. Outros exames, também, visam avaliar a tendência de trombose, conhecida como trombofilia. Diversas mutações genéticas favorecem a trombose vascular, as mais comuns são o fator V de Leiden, Mutação na protrombina (fator II), deficiência da anti-trombina III e outros. Diante de tantas opções de investigação, sugiro sempre rediscutir com o médico para que novas opções sejam consideradas tanto para investigação quanto para tratamento.

 - Há dois anos tive uma gravidez na trompa e essa trompa foi retirada devido a endometriose. Já passei por três vídeos e agora estou tomando clomid. Quais exames tenho de fazer para verificar a possibilidade de gravidez natural? Com uma trompa, eu consigo engravidar naturalmente ou teria de partir para reprodução assistida? Rosimeire, São Paulo - SP

Doutor Hélio Sato: Nesta situação o exame básico a ser feito é a histerossalpingografia, que verifica se sua única trompa está desobstruída. Dependendo do resultado, há possibilidade de gravidez natural. 

Sobre o doutor Hélio Sato:

Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose, em laparoscopia e em reprodução humana. Tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP),  e foi corresponsável do Setor de Algia Pélvica e Endometriose da mesma instituição.

Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é coordenador de pesquisas da clinica de reprodução humana GERA e está à frente nas seguintes linhas de pesquisas: endometriose, biologia celular e molecular, cultura celular, polimorfismo gênico e reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato).