domingo, 26 de junho de 2016

ENDOMETRIOSE E INFERTILIDADE: ENTENDA A RELAÇÃO DA DOENÇA COM A DIFICULDADE DE ENGRAVIDAR

imagem cedida por Free Digital Photos

No mês internacional da infertilidade, a doutora Graciela Morgado Folador preparou um texto exclusivo para o A Endometriose e Eu explicando porque a endometriose causa infertilidade. Um texto conciso e bem explicativo que vai sanar de vez suas dúvidas sobre o assunto. Um beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por doutora Graciela Morgado
Edição: Caroline Salazar

Endometriose e infertilidade: entenda a relação da doença com a dificuldade para engravidar



Uma das principais causas de infertilidade entre as mulheres é a endometriose. Estima-se que 47% das pacientes inférteis foram diagnosticadas com essa patologia. Além disso, estima-se que atualmente ao menos 25% de todas as mulheres aos 30 anos apresentam endometriose e, entre estas, 30% a 50% são inférteis.

A razão mais provável relacionada à diminuição da concepção refere-se ao dano anatômico dos órgãos pélvicos, principalmente, em caso de doença avançada. Outros fatores, como a possível deficiência de ovulação, alterações inflamatórias que acontecem na pelve, além de falhas de implantação do embrião e abortamentos precoces são frequentes em portadoras de endometriose.

Apesar de toda evidência de que a endometriose possa afetar o número de óvulos produzidos, a qualidade dos embriões formados e a evolução da gestação, vários estudos clínicos ainda não conseguiram relacionar o estágio da endometriose aos resultados em ciclos de reprodução assistida.

Assim, quando avaliamos uma paciente com endometriose e infertilidade, devemos levar em consideração a idade, a duração da infertilidade, a história familiar, a presença de dor associada ao estadiamento da doença a fim de formular uma melhor estratégia de tratamento.

Portanto, em mulheres submetidas a procedimento cirúrgico com diagnóstico de doença estágios I (mínima) e II (leve) com tubas uterinas pérvias, a excisão completa dos focos seguido de indução de ovulação com Coito Programado - que consiste no uso de medicações para indução de ovulação acompanhada de ultrassonografia transvaginal seriada para controle de ovulação, isto é, medição dos folículos até que estes alcancem um tamanho de 20mm e após isto programa-se a relação sexual, por isso o nome Coito Programado ou Namoro Programado -  e inseminação intrauterina  (IIU) - que consiste no mesmo princípio do Coito Programado, porém quando os folículos atingirem o tamanho de 20mm, é realizado um preparo de sêmen no qual somente os espermatozoides móveis e progressivos são inseminados no útero da paciente) devem ser considerados , principalmente em pacientes com idade inferior a 35 anos.

Nas pacientes com 35 anos ou mais, e que apresentem uma baixa resposta ovulatória ao estímulo ou àquelas que têm tubas uterinas obstruídas, devem ser preferencialmente tratadas por meio das técnicas de maior complexidade, como a Fertilização in vitro (FIV) ou a Injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).

Já em mulheres com endometriose estágios III (moderada) ou IV (grave) a FIV ou o ICSI (que consiste na micro-injeção de um único espermatozoide no citoplasma do oócito-óvulo) devem ser indicadas como primeira linha de tratamento complementar para a infertilidade após abordagem cirúrgica, por fornecerem melhores taxas de sucesso.

Sobre a doutora Graciela Morgado Folador:


Ginecologista e obstetra, Graciela Morgado Folador tem Pós-graduação em Endometriose, em Cirurgia Minimamente Invasiva, em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida e Especialização em Vídeo-histeroscopia. É membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e da Advancing Minimally Invasive Gynecology Wordwide (AAGL). É médica-colaboradora do setor de Endometriose do Hospital das Clínicas de São Paulo, USP. Siga a fanpage da doutora Graciela

quinta-feira, 23 de junho de 2016

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR HÉLIO SATO!!

Em mais uma "Com a Palavra, o Especialista", o doutor Hélio Sato fala sobre a cirurgia de returada de endometrioma durante a gestação e também porque algumas mulheres sentem cólicas durante a amamentação. Graças a Deus eu não tive nenhuma dor na minha gestação e muito menos na amamentação. Eu ainda amamento minha filha de 1 ano e três meses e sou muito grata por ainda viver esse momento especial entre mãe e filho. Todos aqueles problemas que muitas mulheres relatam no início da amamentação eu não tive. Minha princesa teve a pega correta logo de primeira e meus seios nunca racharam, nunca sangraram. Agradeço muito a Deus por me presentear com esta dádiva. Mas para quem não consegue amamentar, você não é menos mãe por isso. O mais importante é o amor e a forma como você trata seu filho. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


 Perdi o ovário esquerdo, fiz FIV e estou esperando gêmeas, estou de cinco meses. Tenho sentido muitas dores e descobri que se trata de um enorme endometrioma no ovário direito. Vou precisar operar grávida, pois as dores estão cada dia pior e insuportáveis. O doutor já teve algum caso parecido? É possível operar e continuar a gravidez normalmente? Anônima

Doutor Hélio Sato:  Via de regra, durante a gravidez os implantes de endometriose ficam inativos pela alta quantidade de progesterona que é produzida inicialmente pelo ovário e posteriormente pela placenta. Assim, sugiro reavaliar se de fato o cisto é um endometrioma e também se a dor é causada pelo cisto. E, tenta-se todas as alternativas anteriormente à intervenção cirúrgica durante a gravidez. Porém, se eventualmente o cisto estiver em crescimento ou outras possibilidades da dor forem descartadas, pode-se partir para a cirurgia que neste fase, normalmente, é feita com corte. Pois, em decorrência do grande volume do útero limita a laparoscopia.

– Quando amamentei minha filha eu quase não tinha leite e morria de dor por conta da endometriose, eu sentia muita, muita cólica. O que tem a ver a amamentação com a cólica? Luciane Cunha - Paquistão

Doutor Hélio Sato:  O estímulo dos mamilos durante a amamentação libera a ocitocina, hormônio produzido pelo hipotálamo (estrutura do cérebro) que tem como função contrair células musculares que estão em tornam dos ductos que transportam o leite do fundo da mama para o mamilo. Porém, esta ação, também, ocorre no músculo uterino e deste modo, ocorrem contrações vigorosas que levam às cólicas durante a amamentação. E, este fenômeno auxilia no controle do sangramento após o parto.

Sobre o doutor Hélio Sato: 

Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose, em laparoscopia e em reprodução humana. Tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e foi corresponsável do Setor de Algia Pélvica e Endometriose da mesma instituição. 

Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é coordenador de pesquisas da clínica de reprodução humana GERA e está à frente nas seguintes linhas de pesquisas: endometriose, biologia celular e molecular, cultura celular, polimorfismo gênico e reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato). 


terça-feira, 21 de junho de 2016

"A VIDA DE UM ENDOMARIDO": OS CAMINHOS DA VIDA - MINHA DECISÃO DE TRABALHAR EM OUTRO PAÍS!

imagem cedida por Free Digital Photos

Em "A Vida de um EndoMarido" Alexandre abre um pouco de sua vida, fala de seus últimos acontecimentos para ajudar quem está passando pelo mesmo dilema. Ele recebeu uma proposta de trabalho e deixou Portugal rumo a Inglaterra, mas ele foi só, deixando sua esposa em seu país natal. Aqui ele conta porque tomou esta decisão, como está sendo viver longe de quem ama, em especial, de sua esposa, e o que ele espera do futuro. Não deve ser fácil viver longe de quem se ama, mas já ouvi muitas mulheres se queixando dos maridos que trabalham em outra cidade, imagine se fosse em outro país? Mais um texto para refletir que vai alimentar ainda mais sua fé e sua perseverança diante dos obstáculos que a vida nos impõem. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar


Os caminhos da vida - minha decisão de trabalhar em outro país.

Depois de um bom tempo sem postar nada, finalmente consegui parar um pouco para refletir. Vou falar um pouco do que me aconteceu nesses últimos meses. Não para falar da minha vida particular, que eu acho que as outras pessoas iriam achar muito sem graça, mas porque existem alguns paralelos às de muitos endomaridos por aí, em Portugal, no Brasil e no resto do mundo.

Depois de anos me sentindo estagnado, aprisionado em um emprego que me permitia pagar as contas, mas o qual eu já me arrastava para sair de casa e não via a hora de voltar no final do dia, a vida me trouxe uma oportunidade. Recebi uma oferta para me mudar para Inglaterra, um novo começo, uma nova chance, talvez um novo sorriso e alegria sempre que o Sol surge no horizonte.

Vamos por partes: o que significa uma porta aberta assim? E o que implica? 
Bom, aqui eu só posso falar da minha experiência pessoal. Depois de anos sem ver melhorias nenhumas, sempre com aquele gosto amargo na boca de saber que servia o patrão e o patrão se servia de mim; traduzindo, aumento de salário que é bom nada (estou até escutando a multidão falando que também conhece essa dor), sem evolução técnica e com o mercado de trabalho esgotado, você sonha com a mudança, mas quando cai na real... “Eu quero mudar, mas onde tem? Vou para onde?” E a responsabilidade nas costas, as contas mensais para pagar, acaba se acomodando e vai ficando, levantando as mãos para o céu e agradecendo pelo que tem, pede paciência e coragem para ir levando.

Quando uma chance dessas cai no seu colo - aquele velho sonho na beira de se tornar realidade -, você treme na base. A gente nem acredita que seja verdade, parece mesmo um sonho. E quando a gente sofre por um bom tempo, chega uma hora em que você fica com medo de sonhar, pois quando acordar do sonho vai estar tudo igual, nada mudou apenas o tempo passou. Parece que ganhou o primeiro prêmio da loteria e está com medo de recolher o dinheiro.

Claro que isso gera dúvidas, receios, balança o casal. Como vai ser, depois de anos juntos todos os dias, ficar afastado assim?! Será que a gente vai resistir? Será que vai dar certo? Será que é tudo o que a gente espera e precisa? Só tem um jeito de descobrir minha gente: é seguir em frente, com coragem, com medo, com fé, com ambição, responsabilidade, tudo no embrulho, mas vai.

Várias foram as coisas que me fizeram dar esse passo. Além de tudo o que já falei, a concordância da minha esposa teve um peso enorme na minha decisão. Aceitei a proposta de trabalhar na Inglaterra. Um time trabalha junto, e se eu estou batalhando para trazer o melhor para minha casa, para poder cuidar dela, é importante que estejamos ambos na mesma linha de pensamento.

Muitas foram as noites em que sentamos junto da lareira, eu, ela e a nossa cachorra e conversamos sobre o que iria acontecer. Para quem pondera dar o mesmo passo, ou deu faz pouco tempo, de certo que muitos já falaram que não é fácil, que a gente sofre e que por vezes não compensa. A vida é um risco constante gente. Tudo o que o povo fala sobre emigrar é verdade, o bom e o ruim, apenas dependendo do caso varia nas proporções. Tem gente que vai atravessar uma dureza danada, outros terão mais sorte, mas o coração fica dividido, e uma parte está com a gente e a outra fica com quem a gente ama. E tem hora que bate a saudade, a gente se emociona quando vê alguma coisa da nossa terra. Vocês não imaginam o que eu pagaria por uma açorda de alho feita pela minha mãe, um bacalhau no forno feito pela minha esposa, o cheiro do rio que me viu nascer, os banhos de mar, o café expresso...

Apesar de afastados, enquanto casal nos sentimos mais unidos do que nunca. Ela sabe por que eu estou fazendo isso, e eu sei por que estou aqui. Agradeço a Deus pelo que recebi, o trabalho é duro, mas é outra vida.

Dentro de alguns dias vou fazer 40 anos, e não vou ter nenhuma das pessoas mais importantes para mim por perto. Confesso que custa a engolir, quando caiu a ficha bateu uma tristeza, mas felizmente aprendi com os muitos e bons amigos brasileiros que tenho que sacudir a tristeza, nem que seja preciso tirar o pé do chão. E agradeço a vocês (brasileiros) pela riqueza de ritmos musicais que em muitas horas me ajudam a deixar para lá alguns pensamentos.

Mais uma vez, não falo isso para me lamentar, é mais um exemplo de que perdemos certas coisas da vida que só valorizamos quando não temos. Emigrar é trocar muitas coisas por um objetivo. É correr atrás de um sonho, mesmo que seja descalço e com pedras e espinhos no caminho. Tem hora que uma parte de você quer voltar, mas a outra segura a parada. Por vezes você encontra alguém do seu país e é a maior alegria, ou no supermercado descobre uma fruta de lá e bate um orgulho, ou um vinho, azeite... acho que dá para entender.

Deixem que vos fale uma coisa, só o amor segura a gente no caminho certo. E só um amor maior faz você deixar para trás as coisas com que você se acostumou e segurar a saudade. Sua vida pode até ser ruim, você pode passar a maior dureza, nada corresponde aos seus sonhos de outrora, mas eu garanto, depois que sai do seu canto, o que você reclama hoje que é cafona, brega, mixa, você vai amar quando passar um tempo afastado. São suas raízes, é seu povo, é seu canto. Em Portugal eu via o imenso orgulho com que os brasileiros exibiam a bandeira brasileira, a saudade com que falavam de seu país e suas cidades e a disponibilidade com que surgia uma batucada com os primeiros acordes de um samba qualquer. Eu que não sou besta, percebi o que estava acontecendo ali, mas hoje mais do que perceber, eu sinto. Você pode tirar a pessoa da raiz, mas não pode tirar a raiz da pessoa, não tem como. Está no sangue e só a terra come essa herança.

Não posso reclamar dos ingleses, eles são um povo educado na maioria dos casos, mas a cultura é diferente, os hábitos também, e demora para fazer amizade com as pessoas. Para os maridos, namorados, companheiros que seguirem o mesmo caminho, não desistam. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Firmem na vossa fé, seja qual for e entrem de cabeça. Não se isolem, busquem um círculo social, curtam um pouco da vida e limpem a cabeça, ou não resistirão muito tempo.

Para as portadoras agora, eu sei o aperto que surge no coração de vocês, as dúvidas, acreditem eu sei muito bem tudo o que está passando nas vossas mentes. E só posso fazer uma pergunta: "Vocês sabem quem é o homem que está do seu lado?" É uma prova de fogo, mas o jeito que o Criador fez o homem que está ao seu lado não muda. Se ele é honesto perto de você, vai ser honesto mesmo estando longe. Cafajeste tanto faz sujeira longe como perto. Se o homem vai se sacrificar ficando longe para conquistar uma vida melhor, confiem nele e apoiem, não lancem dúvidas sobre a índole e a conduta dele. Eu não passei por isso, mas sei que ia doer demais.

Peço desculpa por não ser um texto muito cabeça, mas foi totalmente escrito de coração. Eu quis que o sentimento transparecesse para dar o retrato mais fiel possível do que é estar numa situação dessas. Muita calma para quem quer fazer o mesmo caminho fortaleçam a vossa casa conversando tudo o que tem para conversar, um abraço forte para os que já soltaram amarras e sabem muito bem o que descrevi, e coragem para todos. Por vezes não entendemos o porquê de tantas provações que a vida nos traz, mas não entender não significa que não exista um propósito. Os anos em que eu passei por desespero, hoje vejo que foram preparação para tudo o que me encontro, essas experiências que eu achei ruins fizeram com que alguns dos desafios que surgem agora sejam fichinha. Estamos em constante evolução, mas a vida acha um jeito de as coisas darem certo, basta que você não lute contra o que Deus coloca no seu caminho. 
A sua cruz pode parecer exageradamente pesada, mas lá na frente ela poderá ser a ponte que te permitirá chegar ao destino que tanto deseja. Então, não peça para Deus diminuir sua cruz, talvez, ela seja a maior benção que você recebeu ainda que nesse momento possa parecer uma maldição. Peça coragem e força para seguir em frente sorrindo tanto quanto possível, com amigos para lhe darem uma mão quando tudo parecer perdido.

Aquele abraço para todos, e como dizia um grande Português, entretanto, já falecido: façam o favor de serem felizes.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

PUBLIEDITORIAL: JUNHO, MÊS INTERNACIONAL DA INFERTILIDADE – O DIENOGESTE É UM CONTRACEPTIVO?


Por Caroline Salazar

Junho é o mês mundial da infertilidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 15% da população mundial é infértil. A infertilidade atinge um a cada cinco casais no mundo, só no Brasil estima-se cerca de 8 milhões. Segundo a OMS, o casal pode ser considerado infértil se estiver há mais de um ano tentando engravidar, mantendo relações sexuais frequentes e sem o uso de preservativos. Após os 35 anos o casal tem o prazo de seis meses para ter sucesso de uma gestação. Caso contrário entra para a estatística da infertilidade, que pode ser por parte do homem, da mulher ou de ambos. Por isso antes de tentar engravidar é imprescindível que o casal faça exames para saber como está sua saúde reprodutiva.

Entre as possíveis causas de infertilidade da mulher está a endometriose. Cerca de 40% das endomulheres são inférteis. Este número corresponde às que são assintomáticas, ou seja, àquelas que não têm cólica menstrual ou nenhum outro sintoma da doença. O tratamento para a infertilidade é a videolaparoscopia, porém, para àquelas que não querem engravidar no momento, o tratamento mais moderno não invasivo é o uso do dienogeste 2mg (Alurax). No entanto muitas endomulheres ainda têm na dúvida se este remédio é ou não um contraceptivo. Mais uma vez, quem irá esclarecer essa dúvida é a Laura, nossa endomulher virtual.  

- O dienogeste (Alurax) é um anticoncepcional?

Laura: O dienogeste (Alurax), também chamado de minipílula, é um derivado de progesterona e já possui ação anovulatória que impede a ovulação, e consequentemente, a gravidez. Portanto, quem toma este medicamento consegue manter o controle de seu planejamento familiar. Mas te aconselho a consultar seu especialista para obter mais informações.

O Alurax é fabricado pela Momenta Farmacêutica e contém 30 comprimidos. A Momenta é um laboratório do grupo Eurofarma, é totalmente brasileiro e tem como missão "promover o acesso à saúde e à qualidade de vida com tratamentos a preço justo”. Com cerca de três anos de atuação, a Momenta já é reconhecida pela comunidade médica, pelos farmacêuticos, farmacistas e tem a mesma confiabilidade do laboratório-mãe.

Algumas redes de drogarias estão vendendo pela internet o Alurax muito mais em conta que nas farmácias físicas – cerca de 20% mais barato que o preço original -, como é o caso da Drogaria São Paulo e Drogasil. Se você tiver dificuldade de encontrar o Alurax em sua cidade, para mais informações vou deixar o telefone do SAC para você saber quando ele estará disponível na farmácia mais próxima de sua casa: 0800 703 1550 ou se preferir envie email para central@momentafarma.com.br

segunda-feira, 13 de junho de 2016

"SAÚDE E BEM-ESTAR": O FORMATO E OS TIPOS DAS FEZES, A CONSTIPAÇÃO INTESTINAL E A POSIÇÃO CORRETA PARA EVACUAR!

Em 2011 escrevi despreteciosamente um texto sobre as fezes das portadoras intitulado "Como são as fezes das portadoras de endometriose". Nele falei sobre a minha dificuldade em evacuar, o formato e tudo que envolvia as minhas fezes. Este post audacioso rodou o mundo e ainda faz o maior sucesso. É o terceiro mais lido do blog! Praticamente todas as portadoras que leu se identificou com ele. A maioria disse que era como se eu tivesse colocado uma câmera no banheiro delas, de tão real que foram as minha palavras. Além das endomulheres, médicos de vários cantos do mundo também me parabenizaram pelo texto. Por conta do sucesso desse post e para tirar ainda mais dúvidas das leitoras convidei a fisioterapeuta Ana Paula Bispo para falar sobre a constipação intestinal (que afeta milhares de endomulheres), os formatos e os tipos de fezes, e também sobre a posição correta para evacuar. Você sabia que evacuar sentada está errado? Você sabia que segurar as fezes pode causar a constipação intestinal? Mais um conteúdo exclusivo que você só encontra no A Endometriose e Eu. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


Por doutora Ana Paula Bispo 
Edição: Caroline Salazar

A constipação intestinal crônica é definida como a presença de duas das seguintes queixas em no mínimo 25% das evacuações e por pelo menos 12 semanas nos últimos 12 meses:

         Esforço aumentado;
         Fezes em cíbalos (bolinhas) ou endurecidas;
         Sensação de esvaziamento incompleto (sensação de que ainda ficou fezes no reto);
         Sensação de obstrução ou bloqueio anorretal;
         Manobras digitais para facilitar;
         Menos que três evacuações por semana.

A constipação intestinal pode ser ocasionada por uma disfunção dos cólons ou de estruturas de região anorretal, retardo do trânsito no intestino grosso ocasionado por um distúrbio motor primário associado a várias doenças ou uso de alguns medicamentos, ou por transtorno da evacuação.

No transtorno da evacuação, a eliminação do conteúdo do intestino é inibida em consequência da hipertonia (tensão) do canal anal ou da incoordenação entre os músculos do assoalho pélvico e o músculo esfíncter anal interno (músculo do ânus de contração e relaxamento involuntário). Quando a permanência é muito prolongada do conteúdo intestinal na luz do reto, leva ao endurecimento das fezes e a dilatação do reto, que é também um transtorno da evacuação.

As pessoas que tem constipação intestinal possuem um formato de fezes diferentes daquelas que o intestino funciona corretamente. Uma escala médica foi desenvolvida para classificar os tipos de fezes, chamada de Escala de Bristol. Fezes no formato tipo 1 e tipo 2 são características de constipação intestinal. 

As pessoas que tem constipação intestinal possuem um formato de fezes diferentes daquelas que o intestino funciona corretamente. Uma escala médica foi desenvolvida para classificar os tipos de fezes, chamada de Escala de Bristol. Fezes no formato tipo 1 e tipo 2 são características de constipação intestinal.

Fonte: Blog Nutrição e assuntos diversos
Num estudo realizado em 2007 com mulheres com endometriose com comprometimento do trato gastrointestinal (TGI), foi constatado que 27,5% delas tinham constipação intestinal dentre outras queixas gastrointestinais.

Como evitar a constipação intestinal?

Não adiar a evacuação:

Uma das principais funções do intestino é a absorção de água e sais minerais. A água que existe no bolo alimentar vai sendo absorvida ao transitar pelo intestino, transformando esse bolo alimentar em fezes. Quando se evita evacuar (ou seja, "segurar"), as fezes ficam dentro do intestino por mais tempo do que deveria, ressecando mais do que o normal, dificultando a saída e mantendo as fezes por mais tempo na ampola retal (a porção final do reto que serve de depósito final para as fezes que serão evacuadas), tornando ainda mais difícil o ato evacuatório.

Portanto, reprimir o desejo de evacuar durante viagens, ou quando se está fora de casa, acaba sendo uma das maiores causas de constipação, especialmente entre as mulheres que, por vergonha, acabam desregulando o funcionamento intestinal natural.

Dieta adequada:

É necessária uma mudança nos hábitos alimentares de uma maneira global, inclusive, na ingestão de água. É de fundamental importância um acompanhamento com um nutricionista.

Evitar problemas que causam dor local:

Qualquer coisa que cause dor ou desconforto na região anal, como fissuras anais e hemorroidas, vão fazer com que a mulher tente evacuar o mínimo de vezes possível. E as fezes ficando mais tempo no intestino, vão ressacar mais, dificultando ainda mais a sua saída, causando mais dor e iniciando um ciclo vicioso onde evacuar torna-se cada vez mais doloroso e complicado.

Tratar a Incoordenação dos músculos do assoalho pélvico (MAP):

É comum encontrar mulheres cuja causa da constipação seja incoordenação muscular, ou seja, para evacuar, elas relaxam os esfíncteres anais, mas contraem os MAP (músculos do assoalho pélvico) dificultando ou até impossibilitando a evacuação.

Esse não relaxamento dos MAP, em especial, o músculo puborretal, é chamado de anismo. Conhecer e aprender a contrair e relaxar de maneira apropriada o músculo geralmente é suficiente para resolver o problema.

Posição correta para evacuar:

Nós nascemos para defecar agachados. Os seres humanos fizeram isso por muitos milênios, até a chegada dos banheiros modernos.

Quando você está sentada formando um ângulo de 90 graus entre o tronco e o quadril, o seu reto, que é por onde as fezes passam, fica “dobrado” porque o músculo puborretal não relaxa completamente. Quando você está agachada ou com um apoio nos pés, a angulação diminui, permitindo o relaxamento completo do puborretal e o esvaziamento completo do reto.

Fonte: Puraeco

Fonte: Hypescience
Portanto, quando for evacuar, sente com um apoio nos pés, tire a calcinha pelo menos de um dos pés (não pode ficar apoiada nos joelhos nem nos tornozelos), afaste levemente as pernas e incline o tronco levemente para frente, o suficiente para que os cotovelos possam ficar apoiados sobre os joelhos.

Procurar formas alternativas de proteção para evacuação é importante para quando o desejo evacuatório surgir fora de casa, como por exemplo, forros descartáveis para cobrir o assento do vaso sanitário.

A fisioterapia pélvica dispõe de vários recursos que podem auxiliar no tratamento da constipação intestinal crônica, são eles: biofeedback manométrico ou eletromiográfico que trata a incoordenação dos músculos do assoalho pélvico, balonete retal para treino evacuatório e massagem abdominal no sentido do trânsito colônico.

Sobre a fisioterapeuta Ana Paula Bispo:

Ana Paula Bispo é fisioterapeuta, atualmente faz doutorado em Urologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é mestre em Ginecologia pela Unifesp, mesma instituição que fez especialização em Reabilitação do Assoalho Pélvico, e docente do curso  de Pós Graduação de Fisioterapia em Uroginecologia da Universidade Estácio de Sá. Siga a fanpage da doutora Ana Paula Bispo.
                                     

segunda-feira, 6 de junho de 2016

POR QUE SENTIMOS MAIS DORES NO FRIO??

imagem cedida por Free Digital Photos


Por Caroline Salazar

Já estamos no outono e o friozinho demorou, mas chegou.  E com ele mais dores, não é mesmo? Hoje vou falar sobre o frio e o aumento da intensidade das dores, em especial, das cólicas. Quando eu sentia as dores da endometriose era só mudar o tempo que as dores aumentavam em sua intensidade. Isso acontece com você também? E eu sempre gostei mais do inverno, mas com dores... É comprovado que o frio aumenta as dores, pois quando estamos com frio a temperatura do nosso corpo diminui provocando uma vasoconstrição global.

Quando isso acontece nossos músculos precisam aquecer nosso corpo.  Com isso eles se contraem e essa contração deixa os músculos mais rígidos, o que provoca o aumento das dores. No meu caso que sempre tive muitas dores musculares (e essas dores ainda persistem), então, eu sentia muito, muito mais dores quando esfriava. Então, se você também sente mais dores quando o clima muda saiba que isso não é algo psicológico das portadoras de endometriose! É pura verdade! A baixa temperatura também aumenta a rigidez mecânica do colágeno – tecido presente nas articulações -, aumentando a rigidez das articulações.

No frio temos a tendência de movimentar pouco nosso corpo, já que o deixamos mais em repouso. Essa falta de movimentação e o encolhimento do corpo – movimento de curvatura da coluna que fazemos quando estamos com frio – aumenta a rigidez e as dores. Quando estamos em movimento nosso corpo produz o líquido sinovial – responsável pela lubrificação das articulações. 

Por isso é muito importante manter nosso corpo aquecido, e não é só se agasalhando não. A prática de atividades físicas ajuda e muito no aquecimento global do nosso corpo. A falta de alongamento dos músculos também pode provocar dores.  Por isso movimentar-se é ainda mais importante durante o outono e o inverno. E é justo nesta época que dá aquela preguiça, não é mesmo! Então, agora que você sabe disso simbora mexer o esqueleto para diminuir as cólicas e as dores no corpo.  Era só o meu pé ficar frio que minhas cólicas aumentavam. Isso com você também? Beijo carinhoso!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

DAVID REDWINE: ENDOMETRIOSE NO DIAFRAGMA - OS SINTOMAS, O DIAGNÓSTICO E O TRATAMENTO!

 Já colocamos no blog um texto de perguntas e respostas do doutor David Redwine com tudo que você precisa saber sobre a endometriose no diafragma, mas hoje tornamos a abordar o tema num texto direcionado aos sintomas, ao diagnóstico e ao tratamento. Toda endometriose no diafragma tem sintomas? Existe também a assintomática? Quais são os sintomas? Como o médico poderá suspeitar que a mulher tem endometriose diafragmática? Como é feito o tratamento deste tipo de endometriose? Mais um texto exclusivo do A Endometriose e Eu. Abril nosso mês de festa! Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Por doutor David Redwine
Tradução: doutor Alysson Zanatta
Edição: Caroline Salazar

Endometriose Diafragmática: Sintomas, diagnóstico e tratamento.

Primeiramente descrita por Brews em 1954 [1], a endometriose sintomática do diafragma é rara, com menos de 30 casos relatados em toda a literatura médica mundial. A maior parte desses casos está em duas séries [2,3]. O músculo diafragma direito está acometido 27 vezes mais do que o esquerdo. A doença bilateral é rara, ocorrendo em apenas dois de 28 casos. A idade das mulheres com endometriose sintomática do diafragma varia de 19 a 43 anos, com uma idade média de 34 anos. Após o início dos sintomas, pode haver uma demora de vários anos para o seu diagnóstico.

Os sintomas podem ser clássicos e consistem de dor ipsilateral (nota do tradutor: no mesmo lado) no tórax e no ombro que surgem pela primeira vez durante as menstruações. Com o passar do tempo, os sintomas podem iniciar antes da menstruação, sendo que algumas pacientes têm sintomas leves crônicos que pioram fortemente antes e durante as menstruações. A dor pode se irradiar para o pescoço ou os braços no lado afetado e simular uma dor muscular. Quando a dor é mais severa, esta pode ser perceptível com a respiração ou ao se deitar. Raramente, a paciente pode ter que dormir sentada devido à dor e muitas limitarão suas atividades diárias quando a dor estiver em seu pior grau. Calor, massagem e analgésicos são utilizados em um esforço para aliviar a dor.

O diagnóstico da endometriose diafragmática é suspeitado inicialmente pelos sintomas, já que os exames de imagem serão negativos. Derrame pleural e pneumotórax são raramente diagnosticados nessas pacientes [4]. A cirurgia é necessária para confirmar a suspeita de doença diafragmática, e essa pode ser feita por laparoscopia. É necessária a visualização de toda a superfície de cada hemi-diafragma. Uma ótica de laparoscopia posicionada na cicatriz umbilical poderá visualizar apenas a porção anterior do diafragma porque o grande volume do fígado esconde a sua face posterior (Fig. 1). Enquanto pequenas lesões “sentinelas” podem ser visíveis, a maior parte das lesões sintomáticas estará localizada na metade posterior do diafragma [2]. O diafragma esquerdo pode ser visto praticamente em toda sua extensão. A mesa cirúrgica pode ser colocada na posição de Trendelenburg reversa (nota do tradutor: com a cabeça mais elevada que os pés) para que o fígado seja deslocado do diafragma, mas ainda assim a metade posterior do diafragma não será visualizada em todas as pacientes. A melhor maneira de se ver a porção direita posterior do diafragma em sua totalidade é colocando um trocater de 5-mm na região subcostal na linha clavicular média (Fig. 2). Isso permite que um laparoscópio de 5-mm seja avançado bem mais adiante sobre a cúpula do fígado do que um laparoscópio colocado na punção umbilical, permitindo assim que todo o diafragma seja visualizado (Fig. 3). A endometriose sintomática do diafragma ocorre como lesões nodulares únicas ou agrupadas que chegam a medir 1,5 cm cada, estendendo-se por até 10 cm na superfície do diafragma, geralmente paralela à parede torácica posterior. Algumas lesões estarão aderidas à superfície hepática adjacente (Fig. 4). 
Figura 1: O hemi-diafragma direito e fígado são vistos com um laparoscópio de 10-mm colocado na punção umbilical. As porções anterior e média do diafragma podem ser vistas, mas o diafragma posterior não é visível
Figura 2: Visão externa de um laparoscópio de 5-mm colocado inferiormente à margem costal direita para visualização do diafragma posterior
Figura 3: Visão laparoscópica demonstrando o quão mais longe um laparoscópio de 5-mm pode avançar pela incisão subcostal. Todo o diafragma pode ser visto

Figura 4. Endometriose do folheto direito do diafragma com adesões à superfície hepática
O tratamento cirúrgico requer a realização de laparotomia para obtenção de melhores resultados [2]*. As medicações têm sido ineficazes na maioria dos casos onde foram utilizadas, e a castração pode não resolver todos os sintomas.

O procedimento cirúrgico é simples. Se a doença for unilateral, faz-se uma laparotomia subcostal no lado afetado. Se houver doença bilateral, faz-se uma incisão mediana epigástrica. Utiliza-se um afastador na incisão, o fígado é mobilizado inferiormente (Fig. 5), e secciona-se o ligamento falciforme. As lesões superficiais podem ser removidas por ressecção de espessura parcial com eletrocautério ou tesoura (Fig. 6). Como o diafragma tem apenas alguns milímetros de espessura, e como os nódulos sintomáticos podem ocupar toda a espessura do diafragma [2], a ressecção de espessura total poderá ser necessária. Pinças longas de Allis são utilizadas para tracionarem o diafragma doente e afastá-lo do pulmão subjacente (Fig. 7). Incisa-se o tecido entre as pinças de Allis junto ao nódulo (Fig. 8), com eletrocautério ou tesoura. Então, o diafragma sadio ao longo da lesão é incisado em ambos os lados (Fig. 9) até que se penetre na espessura total do diafragma (Fig. 10), e o segmento do diafragma doente seja ressecado (Fig. 11). Eventualmente, a lesão diafragmática (Fig. 12) pode estar aderida ao pulmão subjacente (Fig. 13). Algumas vezes, são necessárias áreas separadas de ressecção para lesões não contíguas (Fig. 14).

          Figura 6: Algumas lesões superficiais do diafragma podem ser removidas por ressecções de espessura parcial


Figura 7: A ressecção de espessura total do diafragma é necessária para o tratamento da doença sintomática. Um nódulo de endometriose é tracionado com uma pinça de Allis e puxado em direção à incisão abdominal enquanto a caneta do eletrocautério fica pronta para iniciar a dissecção
Figura 8: Utiliza-se eletrocirurgia para iniciar a ressecção adjacente ao nódulo. Note que um líquido achocolatado é pressionado para fora da lesão cística quando tracionada pela pinça de Allis
Figura 9: Com o diafragma fortemente tracionado em direção anterior, as lesões demonstradas à direita da figura podem ser isoladas por uma incisão circunjacente
Figura 10: A incisão rapidamente se torna de espessura total já que o diafragma é bastante fino. A base do pulmão direito é visualizada através do defeito
Figura 11: O pedaço do diafragma que contém uma parte da lesão endometriótica está quase completamente removido
Figura 12: A superfície pleural do diafragma pode ser examinada após a penetração em sua espessura total. Neovascularização hemorrágica e nódulos de endometriose são vistos no diafragma
Figura 13: A base do pulmão direito está aderida à superfície pleural do diafragma direito devido à inflamação causada pela endometriose em toda a espessura do músculo


Figura 14: Após a completa remoção da doença diafragmática por ressecção de espessura total, um ou mais defeitos terão sido criados



O laparoscópio pode ser avançado até o interior da cavidade torácica (Fig. 15) para pesquisar eventual endometriose torácica, a qual raramente irá coexistir com a endometriose diafragmática. Os defeitos no diafragma são fechados com uma sutura contínua de fio permanente (não absorvível). Antes que o último ponto seja fechado, coloca-se um cateter flexível no interior da cavidade torácica e o anestesista infla o pulmão ao máximo enquanto o cateter é removido e a sutura é fechada. Isso elimina a maior parte de qualquer pneumotórax. Radiografias do tórax não são necessárias no pós-operatório para a paciente assintomática, já que mostrarão um pequeno pneumotórax. A fluoroscopia pós-operatória da função diafragmática mostrou-se normal em duas pacientes [2], e parece que não há morbidade decorrente da ressecção diafragmática, especialmente considerando-se os graves sintomas presentes antes da cirurgia.

Figura 15: O laparoscópio pode ser avançado para dentro do tórax para a toracoscopia transdiafragmática. A superfície anterior do pulmão direito é vista no terço inferior da figura. A superfície parietal do hemitórax direito é vista na metade superior da figura. O vaso à direita é a artéria torácica interna, também conhecida como artéria mamária interna. Essa artéria é uma continuação da artéria epigástrica inferior que é bem conhecida dos cirurgiões pélvicos


O alívio dos sintomas após a ressecção da endometriose diafragmática é de praticamente 100% [2], e é muito mais efetiva que a vaporização a laser da endometriose feita pela punção umbilical [3]. A menor resposta observada com a vaporização a laser pode ocorrer devido à visualização incompleta das lesões diafragmáticas, e à destruição incompleta. De fato, como 100% dos casos de endometriose diafragmática em uma série foram de doença que acometiam toda a espessura do músculo [2], a ablação térmica parece ser contraindicada.

* Por favor observem, desde que esse artigo foi escrito e publicado, os avanços nas técnicas laparoscópicas agora permitem frequentemente que os cirurgiões tratem a endometriose diafragmática por laparoscopia ao invés de laparotomia. Esse artigo descreve a técnica de ressecção de endometriose do diafragma por laparotomia. Se você estiver vislumbrando cirurgia para remover doença diafragmática, por favor discuta as opções com o seu cirurgião.


Nota do Tradutor: Talvez o principal fator relacionado à endometriose do diafragma é a sua dificuldade diagnóstica. Na maior parte das vezes, o diagnóstico será feito após um episódio súbito de pneumotórax (ar na cavidade pleural, que reveste os pulmões) ou hemotórax (sangramento na cavidade pleural), quase sempre associados ao período menstrual.

Este é mais um exemplo de como a endometriose “não conhece fronteiras”, e que não pode ser considerada apenas uma doença ginecológica.  Caberá sempre ao ginecologista suspeitar de sintomas atípicos que possam eventualmente ser causados por endometriose, ainda que os sintomas não sejam ginecológicos.




Sobre o doutor Alysson Zanatta:

Graduado e com residência médica pela Universidade Estadual de Londrina, doutor Alysson Zanatta tem especializações em uroginecologia e cirurgia vaginal pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cirurgia laparoscópica pelo Hospital Pérola Byington de São Paulo e doutorado pela Universidade de São Paulo, USP. Suas principais áreas de atuação são a pesquisa e o tratamento da endometriose, com ênfase na cirurgia de remoção máxima da doença. Seus inter­esses são voltados para iniciativas que promovem a conscientização da população sobre a doença, como forma de tratar a doença adequadamente. É diretor da Clínica Pelvi Uroginecologia e Cirurgia Ginecológica em Brasília, no Distrito Federal, onde atende mulheres com endometriose, e Professor-adjunto de Ginecologia da Universidade de Brasília (UnB). (Acesse o currículo lattes do doutor Alysson Zanatta).