Entre na campanha "Seja do bem você também", vote no A Endometriose e Eu no TopBlog Brasil 2013. O A Endometriose e Eu não é apenas o blog pioneiro em contar a vida de uma endomulher. Além de ser o primeiro que deu voz às mulheres portadoras de endometriose, é o blog que educa, que conscientiza a sociedade brasileira, das portadoras, às mulheres sem a doença, aos homens, às famílias das portadoras, amigos, e é o primeiro que começou a "gritar" aos quatro cantos do país que a doença precisa ser reconhecida como social e de saúde pública pelos nossos governantes. Desde 2010, é o blog que traz informações de qualidade. Qualidade e veracidade de conteúdo nas mais diversas formas. É o blog que faz parcerias internacionais justamente para trazer em primeira mão as descobertas de cientistas do mundo todo. É o blog mais completo do mundo sobre a doença. É o blog que cria, que tem identidade própria e não plagia nenhum outro. Não adianta apenas "gritar", é preciso fazer, concretizar o que se pede. Por isso, o blog idealizou o I Brasil na Conscientização da Endometriose, primeiro evento de conscientização da doença no Brasil. E, graças a vocês, em 2012, o blog foi o campeão do TopBlog Brasil 2012, na categoria pessoal, no voto popular. Por isso, neste ano conto com a união de todos vocês, ainda mais que teremos no dia 13 de março, a Million Women March for Endometriosis, a Milhões de Mulheres Marchando contra a Endometriose, (inscrição aqui). Esta manifestação em massa que será realizada em 23 países será um marco na vida das 176 milhões de portadoras de endometriose no mundo, em especial, de nós brasileiras. Graças a nossa união, no ano passado o blog foi o campeão do voto popular, o mais votado pelo público na categoria saúde pessoal.
Neste ano, cada pessoa tem duas chances de votos no TopBlog Brasil 2013. É um voto por e-mail e outro com o facebook. Se você tiver email e facebook, vote com os dois, pois assim teremos mais chances. Clique no link (http://bit.ly/18wANh9) e dê o seu voto. A primeira opção é o voto por e-mail, onde no primeiro espaço você vai colocar seu nome e sobrenome e, no segundo, seu e-mail. Você clica na seta votar, que está à direita na cor laranja. É necessário validar seu voto em seu próprio e-mail. Você vai receber um e-mail do prêmio TopBlog Brasil pedindo a confirmação de seu voto. Basta clicar no link que você e pronto, seu voto foi validado com sucesso! Na sequência aparece o F, em azul, do facebook. Clica na seta laranja, faça seu login e pronto. Voto validado com sucesso! Conto com a ajuda de todos vocês em votar e, em especial, em compartilhar meu pedido entre seus amigos. Afinal, como eu sempre disse: a união faz a força e juntos somos mais fortes. O primeiro turno vai até o dia 9 de novembro. Beijo carinhoso!!
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013
ENTRE NA CAMPANHA "SEJA DO BEM, VOTE PELO RECONHECIMENTO DA ENDO COMO DOENÇA SOCIAL", VOTE NO "A ENDOMETRIOSE E EU" NO TOPBLOG BRASIL 2013!!
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A Endometriose e Eu
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sexta-feira, 13 de setembro de 2013
"SUPERANDO A ENDO INFERTILIDADE": CONGELAMENTO DE ÓVULOS PRESERVA A FERTILIDADE DA MULHER!!
![]() |
| imagem cedida por Free Digital Photos |
Após explicar sobre os tratamentos de infertilidade, o doutor Hélio Sato aborda na coluna “Superando a Endo Infertilidade”, um dos métodos de “preservar a fertilidade feminina”: o congelamento de óvulos. É importante lembrar que a cada mês, a cada menstruação, a mulher perde um número grande de óvulos, os quais não serão mais repostos. Estima-se que a mulher nasce com cerca de 2 milhões de óvulos, mas já na primeira menstruação, esse número diminui para cerca de 300 a 500 mil. Porém, existe meios de suprir essa perda, como por exemplo, congelar os óvulos. E este é o tema do texto de hoje.
Aproveito para convidar todos os leitores a entrarem na nossa campanha "Seja do
bem, vote pelo reconhecimento da endometriose”. Vote no A
Endometriose e Eu", (passo a passo
aqui), no
prêmio TopBlog Brasil 2013, na categoria saúde pessoal. Vote no blog pioneiro
em lutar não apenas pelo reconhecimento da endometriose como doença social, mas
pelos nossos direitos, pela qualidade de vida das portadoras de endometriose,
que passa fé, esperança, e que traz informações de qualidade e exclusivas do
que acontece em todo o mundo em relação à doença. Ah, e não se esqueça inscreva-se
para a Million Women
March for Endometriosis (clique aqui). Beijo carinhoso!! Caroline
Salazar
Preservando
a fertilidade – congelamento de óvulos
Por Doutor Hélio Sato
No tocante às mulheres, os anos 1960 e 1970 foram marcantes com advento da pílula anticoncepcional, assim, passaram a ter a faculdade da decisão de ter filhos e em qual momento da sua vida. Estes acontecimentos associado aos resquícios da demanda forçosa de trabalho no período da 2a guerra mundial remeteram às facilidades de obtenção de trabalho e passaram a ter apoio de diversas escalas da sociedade, entidades religiosas e dos familiares para o ingresso na vida profissional.
No tocante às mulheres, os anos 1960 e 1970 foram marcantes com advento da pílula anticoncepcional, assim, passaram a ter a faculdade da decisão de ter filhos e em qual momento da sua vida. Estes acontecimentos associado aos resquícios da demanda forçosa de trabalho no período da 2a guerra mundial remeteram às facilidades de obtenção de trabalho e passaram a ter apoio de diversas escalas da sociedade, entidades religiosas e dos familiares para o ingresso na vida profissional.
Positivamente,
muitas mulheres tornaram-se economicamente independentes dos homens e neste
mesmo pacote adquiram todas as benesses desta nova circunstância. Porém,
somaram o trabalho fora do lar aos tradicionais papeis de esposa, os cuidados
domésticos e maternos. E, para melhor remuneração, buscaram formações
acadêmicas, línguas estrangeiras e outros aperfeiçoamentos. Assim, a idade da
constituição de uma nova família e de filhos progrediram de gerações a
gerações.
No
entanto, o potencial reprodutivo diminui com a idade e com a idade avançada da primeira
gravidez, assim sendo, deparamos cada vez mais com a infertilidade que acomete
principalmente as mulheres acima de 35 anos.
Resumidamente,
a principal razão que leva a infertilidade com o avanço da idade é a perda
continua dos óvulos que diminuem ao longo dos anos e infelizmente contrariamente
aos homens não são repostos. Estima-se que a mulher inicia sua puberdade com a
média de 300 a 500 mil óvulos, e, apesar da ovulação ocorrer na maioria das
mulheres em apenas um óvulo em cada ciclo, são utilizados 400 a 500 deles, pois,
os demais auxiliam na maturação deste óvulo dominante (o fecundado). Desta
maneira, a reserva vai diminuindo progressivamente.
A
reserva ovariana que pode ser avaliada por diversos exames, porém, os mais
utilizados é a dosagem de FSH e estradiol no 2o ou 3o dia
do ciclo, contagem de folículos antrais por meio do ultrassom e a dosagem do
hormônio anti-mulleriano (AMH).
Soma-se,
ainda, a perda da qualidade dos óvulos, pois, os óvulos são produzidos por meio
da divisão igualitária dos seus cromossomos por meio do processo conhecido como
meiose, isto é, o ser humano tem 46 cromossomos e para manutenção deste número,
o óvulo deve conter 23 cromossomos e o espermatozóide 23 cromossomos. Porém, os
óvulos são armazenados no ovário no início deste processo e com o avanço da
idade esta divisão pode ocorrer incorretamente ficando assim 22, 24 cromossomos
ou qualquer outro número díspar de 23. Assim, passa a existir a possibilidade
de ter 45, 47 cromossomos ou qualquer outro número distinto de 46 no embrião
que devido a esta anormalidade não se desenvolve ou quando se desenvolve o bebê
nasce com alguma deficiência como a síndrome de Down, Patau, Edwards ou Turner.
Desta
forma, muitas mulheres (vide tabela) optam pelo congelamento dos óvulos, pois,
desta maneira, pode ocorrer a preservação de quantidade e qualidade dos óvulos
por longo tempo e até este momento este prazo de conservação está
indeterminado.
Principais
indicações de congelamento de óvulos:
|
1.
Baixa reserva ovariana;
|
2.
Planejamento de gravidez após 35 anos;
|
3.
Câncer ginecológico que possa piorar com a gravidez e possibilidade de gravidez
após o término do tratamento;
|
4.
Procedimentos que podem levar a diminuição da reserva ovariana como a
retirada de tumores ovarianos, quimioterapia e radioterapia pélvica.
|
O
processo de congelamento de óvulos é semelhante ao tratamento de fertilizaçãode in vitro afora o
processo interrompe-se após a captação dos óvulos. Quanto à fertilização, pode
ser feito com os óvulos frescos nas mulheres com relacionamento estável para a
transferência posterior ou ser procedido posteriormente sem prejuízos no
prognóstico de sucesso.
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A Endometriose e Eu
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01:52
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instituto de ensino em pesquisa em medicina reprodutiva de são paulo,
instituto de infertilidade de baixo custo
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
MATTHEW ROSSER: AS MULHERES NASCEM COM ENDOMETRIOSE?
Na sequência da série, "Desvendando a endometriose", o cientista inglês Matthew Rosser discorre sobre como a mulher pode vir a ter endometriose. Ele fala de um estudo americano que mostra que pedaços de endométrio foi encontrado em fetos. Ou seja, se há endométrio em fetos, isso significa que os artigos do médico e cientista americano David Redwine, "Redefinindo a endometriose na era moderna", parte 1, parte 2 e parte 3 realmente têm fundamento. Não à toa que a doença é a mais estudada na última década. Quando comecei a ler esses artigos, uma lembrança de quando eu era criança veio à minha cabeça. Lembro-me bem que desde meus 5, 6 anos, muito antes da minha menarca, eu já sentia as minhas tais "dores de lado".
Eram dores em pontadas, dores estas que limitaram um pouco minhas brincadeiras de infância, já que nasci e cresci numa linda cidade do interior goiano, onde brincávamos de pega-pega na rua, onde também pulávamos amarelinha, nosso esconde-esconde era nas árvores, dentre muitas outras brincadeiras livres pelas ruas e quintais das nossas casas. Essas dores como "pontadas de facas ou agulhas" me deixavam as vezes em stand by, eu parava um pouco, mas como sempre me considerei uma pessoa forte, me recuperava rápido. O mesmo aconteceu quando me tornei atleta na pré-adolescência. Joguei basquete por anos e fazia atletismo também. Participei de várias competições, inclusive, até quando mudei para São Paulo. No basquete tanto em Goiás quanto em Sampa, eu era uma das principais jogadoras do time, portanto, não dava para pedir para sair do jogo. No atletismo era comum ter desmaios, mas sempre pensara que era por conta do solzão e calorão do meu estado. Joguei muitas vezes com essas dores de pontadas, sem reclamar e sem que ninguém percebesse que não estava bem. Afinal, somos mais que fortes, somos mulheres guerreiras, daquelas que matam mais de um leão por dia. E vocês, como inciaram suas dores?
Ah, e já começou a primeira fase do prêmio TopBlog Brasil 2013. Entre você também para nossa campanha "Seja do bem, vote pelo reconhecimento da endometriose, vote no A Endometriose e Eu", passo a passo aqui. Vote no blog pioneiro em lutar não apenas pelo reconhecimento da endometriose como doença social, mas pelos nossos direitos, pela qualidade de vida das portadoras de endometriose. É o blog que dá vozes às endomulheres desde 2010, é o que traz informação de qualidade e exclusivas do que acontece no mundo todo em relação à doença. É o blog que conscientiza e educa a sociedade, em especial, quem não tem a doença. É o blog que passa fé, esperança e perseverança perante as adversidades que muitas portadoras enfrentam. No ano passado, graças a nossa união fomos o campeão do voto popular, na categoria saúde pessoal. Neste ano, podemos também disputar com maestria o voto acadêmico. O primeiro turno vai até o dia 9 de novembro. Conto com a colaboração de todos para chegarmos ao segundo turno. Afinal, a união faz a força e juntas somos mais fortes. Beijo com amor!
Por Matthew Rosser
Tradução: Jorge Francisco
Edição: Caroline Salazar
Eram dores em pontadas, dores estas que limitaram um pouco minhas brincadeiras de infância, já que nasci e cresci numa linda cidade do interior goiano, onde brincávamos de pega-pega na rua, onde também pulávamos amarelinha, nosso esconde-esconde era nas árvores, dentre muitas outras brincadeiras livres pelas ruas e quintais das nossas casas. Essas dores como "pontadas de facas ou agulhas" me deixavam as vezes em stand by, eu parava um pouco, mas como sempre me considerei uma pessoa forte, me recuperava rápido. O mesmo aconteceu quando me tornei atleta na pré-adolescência. Joguei basquete por anos e fazia atletismo também. Participei de várias competições, inclusive, até quando mudei para São Paulo. No basquete tanto em Goiás quanto em Sampa, eu era uma das principais jogadoras do time, portanto, não dava para pedir para sair do jogo. No atletismo era comum ter desmaios, mas sempre pensara que era por conta do solzão e calorão do meu estado. Joguei muitas vezes com essas dores de pontadas, sem reclamar e sem que ninguém percebesse que não estava bem. Afinal, somos mais que fortes, somos mulheres guerreiras, daquelas que matam mais de um leão por dia. E vocês, como inciaram suas dores?
Ah, e já começou a primeira fase do prêmio TopBlog Brasil 2013. Entre você também para nossa campanha "Seja do bem, vote pelo reconhecimento da endometriose, vote no A Endometriose e Eu", passo a passo aqui. Vote no blog pioneiro em lutar não apenas pelo reconhecimento da endometriose como doença social, mas pelos nossos direitos, pela qualidade de vida das portadoras de endometriose. É o blog que dá vozes às endomulheres desde 2010, é o que traz informação de qualidade e exclusivas do que acontece no mundo todo em relação à doença. É o blog que conscientiza e educa a sociedade, em especial, quem não tem a doença. É o blog que passa fé, esperança e perseverança perante as adversidades que muitas portadoras enfrentam. No ano passado, graças a nossa união fomos o campeão do voto popular, na categoria saúde pessoal. Neste ano, podemos também disputar com maestria o voto acadêmico. O primeiro turno vai até o dia 9 de novembro. Conto com a colaboração de todos para chegarmos ao segundo turno. Afinal, a união faz a força e juntas somos mais fortes. Beijo com amor!
Por Matthew Rosser
Tradução: Jorge Francisco
Edição: Caroline Salazar
Talvez ela já tenha nascido com isso
Se você sofre de endometriose poderá já ter se perguntado como
será que a doença surgiu em você. Será que herdou de um membro da família? Será
que a doença surgiu da exposição a algo enquanto você estava no útero? Ou será
que esteve exposta a algo durante a infância ou adolescência que desencadeou a
doença? Não são apenas as portadoras que se questionam sobre isso, os
cientistas também se perguntam como e porquê as mulheres contraem endometriose
e eles têm feito um bom esforço tentando perceber exatamente estas questões.
Talvez você já tenha ouvido teorias que andam por aí. A da menstruação retrógrada é a teoria mais badalada para explicar a origem da
endometriose. Ela basicamente afirma que durante o período menstrual, embora quase todo o
sangue seja expelido pela vagina, parte desse mesmo sangue volta a subir pelas
trompas de falópio e acaba saindo para a zona envolvente dos vários órgãos
reprodutivos. Esse sangue contém tecido endométrico (que reveste o
útero) e que se pensa que ele venha a se implantar nos órgãos os quais se deposita,
crescendo e se tornando endometriose.
O problema com essa teoria é que foi descoberto que 90%
das mulheres têm menstruação retrógrada. Então, como explicar que apenas
10% delas são portadoras de endometriose? A menstruação retrógrada também assume que a
menstruação é necessária para que a endometriose se desenvolva. Bom, um estudo
bem interessante publicado no jornal Experimental and Clinical
Cancer Research (Pesquisa do Câncer Clinica e Experimental) apresentou novas
provas sugerindo que as mulheres já nascem com endometriose.
O estudo dissecou 36 fetos
humanos femininos, que tinham abortado ou morrido de causas naturais, e buscou
por sinais de tecido endométrico fora do local normal, a marca da
endometriose. O que eles descobriram foi que dos 36 fetos, 4 deles exibiam
sinais de endometriose. Isso foi notável por dois motivos: um pelo fato de a
endometriose ter sido aparentemente descoberta em fetos que estavam se
desenvolvendo, sugerindo que as mulheres nascem de fato com endometriose; e
dois, porque 4 em 36 indivíduos é muito próximo da percentagem que se
esperariam encontrar na população feminina adulta (nota da editora: no caso os 10% da população feminina).
Por muito interessante que pareça, a questão permanece, como
é que esse tecido endométrico se desloca para os locais onde é encontrado? A
menstruação retrógrada não é seguramente a resposta. Os autores dessa pesquisa
sugerem que possa dever-se a erro no desenvolvimento dos órgãos reprodutores do
feto. Veja bem, na fase inicial do desenvolvimento, não é homem nem mulher, tem
dois conjuntos de canais, o canal Wolff (que desenvolverá para ser os órgãos
masculinos) e o canal Mülleriano (que se
desenvolverá para ser os órgãos femininos).
O corpo envia sinais para esses canais dizendo a eles
para se tornarem na parte anatômica correta. Então, se você é mulher, o canal
Wolff desaparecerá e o seu corpo enviará sinais para as diferentes partes do
canal Mülleriano, falando “ok, isso aqui será um ovário, essa parte será o
útero, essa parte será o endométrio, essa aqui a vagina... etc, etc". O problema
surge quando esses sinais ficam embaralhados (é possível que toxinas ambientais
possam ter alterado o sinal, ou as mensagens do seu DNA estão erradas). Com isso, você
pode ficar com as “peças” crescendo no lugar errado. É basicamente isso que os
pesquisadores estão sugerindo, que durante a fase inicial do desenvolvimento do
corpo, os sinais estão sendo alterados por uma razão qualquer, e pedaços de
endométrio estão se desenvolvendo onde não deveriam (isso é chamado de “Müllerianose”), e quando chega a puberdade,
esses pedaços de endométrio que estavam adormecidos desde o nascimento se
tornam ativos e o resultado é a endometriose.
No
geral é uma teoria nova bem interessante sobre a origem da endometriose que
devemos considerar. Será necessária muita investigação antes que possa se tornar uma teoria globalmente aceita, mas ela providencia uma base para futuras
pesquisas. Adicionalmente, se essa
teoria conseguir dar esse passo de aceitação geral, a pergunta seguinte será
“Afinal, o que está embaralhando os sinais?”
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A Endometriose e Eu
às
13:07
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segunda-feira, 9 de setembro de 2013
ESTAMOS NA 5° EDIÇÃO DO PRÊMIO TOPBLOG BRASIL 2013!
Começa hoje a 5° edição do prêmio TopBlog Brasil 2013. Em2012, graças a todos vocês, o A Endometriose e Eu foi ocampeão do voto popular, como o blog mais votado do país. E a emoção deste ano
poderá vir a ser ainda maior. A Marcha de Milhões de Mulheres contra a Endometriose (inscreva-se aqui), idealizada por um dos mais renomados médicos e cientista do
mundo, que trata há décadas a doença, e mais do que isso, que tem sua família
toda engajada na doença, será a nossa luz no fim do túnel para passarmos a ser
tratadas com respeito e dignidade, pois só assim passaremos a existir perante a
sociedade do nosso país e todas as endomulheres terão tratamento digno. É para
isso que eu luto. Como recebi a benção de estar bem, no mesmo dia que meu
milagre aconteceu, entreguei minha vida a esta causa. O blog luta por todas as
mais de 10 milhões de brasileiras que sofrem com esta doença. E,
consequentemente, pelas 176 milhões mundo afora. Porque na minha cabeça somente
a união poderá nos fortalecer nesta nossa endoluta. Foi esse ensinamento de união
que Jesus nos ensinou. Então, porque não praticá-lo a favor de uma causa? Não
adianta praticarmos “bairrismos” (não ao pé da palavra, mas no significado da
frase), nos fechar entre nós mesmas (as portadoras) e não educar as pessoas
sobre a doença. Educar e conscientizar quem não tem endometriose,
esta é uma das premissas do blog. Porque somente assim é que de fato iremos
mudar a sociedade, a começar por quem não tem endo, porque quem tem já sabe o
sofrimento que é né.
Além da Marcha Mundial teremos mais uma chance de lutar para que nossa
presidente, Dilma Rousseff, passe a conhecer a endometriose e a reconhecer a
doença como social e de saúde pública no Brasil: votando no A
Endometriose e Eu no Prêmio Top Blog Brasil 2013. Iniciamos hoje a campanha "Seja do bem você também", vote no A Endometriose e Eu no TopBlog Brasil 2013, rumo a educação, a conscientização da sociedade brasileira e ao reconhecimento da doença como social pelos nossos governantes. Neste
ano, cada pessoa tem duas chances de votos. É um voto por e-mail e outro
com o facebook. Se você tiver email e facebook, vote com os dois, pois
assim teremos mais chances. É só clicar no selo do Top Blog
Brasil, que está à direita da página piscando em marrom. Você será
redirecionado à página do prêmio, onde terão as duas opções de voto: e-mail e
facebook. A primeira opção é o voto por e-mail, onde no primeiro espaço você
vai colocar seu nome e sobrenome e, no segundo, seu e-mail. Você clica na seta votar,
que está à direita na cor laranja. É necessário validar seu voto em
seu próprio e-mail. Você vai receber um e-mail do prêmio TopBlog Brasil pedindo
a confirmação de seu voto. Basta clicar no link que você vai receber por e-mail
e pronto, seu voto foi validado com sucesso! Na sequência aparece o F, em azul, do
facebook. Clica na seta laranja, faça seu login e pronto. Voto validado com
sucesso! Conto com a ajuda de todos vocês em votar e, em especial, em
compartilhar meu pedido entre seus amigos. A votação vai até o dia 9 de
novembro. Beijo carinhoso!!
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A Endometriose e Eu
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23:59
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
DAVID REDWINE: REDEFININDO A ENDOMETRIOSE NA ERA MODERNA - PARTE 2
Na segunda parte de "Redefinindo a endometriose na era moderna", o doutor David Redwine explica a teoria da endometriose, a qual é fundamentada suas pesquisas, alguns dos principais sintomas, e da também da importância do exame físico realizado por quem realmente entende da doença. Por isso é muito importante ter acesso ao currículo lattes do médico e também buscar referência com outras pacientes. E hoje temos a grande ajuda da internet. Mas é preciso saber a fonte de tudo, já que nem tudo na web é real e verdadeiro. Tudo que ele apresenta no texto abaixo é fruto de mais de quatro décadas de estudo e dedicação. Ele passou a se interessar em estudar a doença, após sua primeira esposa ter sido diagnosticada com a doença na década de 1970. Durante mais de três décadas, estudou a doença em suas mais diversas formas. Um dos motivos que ele contesta a teoria de Sampson, é o fato de ter encontrado endométrio diferente do original, o do útero. Sua teoria, a Mulleriana, publicada em 1998, é a expansão da teoria de Russel, a qual sugere que as lesões de endometriose surge na fase embrionária, além de outros fatores (leia a primeira parte aqui). Segundo ele mesmo diz, o importante é o médico conhecer bem sobre a doença e suas várias manifestações. Aos poucos vamos falando tudo aqui na coluna.
Por doutor David Redwine
E não se esqueça de preencher a ficha de inscrição para a Million Women March for Endometriosis, a maior manifestação em massa do mundo em prol de uma doença, nunca realizada antes. Até o momento 23 países sairão às ruas no dia 13 de março de 2014 para mostrar a todas as pessoas do mundo que existimos, que somos muitas (176 milhões de mulheres), reivindicar nossos direitos, cuidados, tratamento especializado acessível em todo país, inclusive, no SUS, conscientizar a sociedade, pois só assim passaremos a ser tratadas com o respeito e a dignidade que merecemos. Esta é a nossa grande chance de ter a doença reconhecida como social pelo governo federal, já que temos um dos maiores especialistas do mundo, o doutor Camran Nezhat, à frente da Marcha de Milhões de Mulheres contra a Endometriose. Compartilhe a Fichade Inscrição entre seus amigos. Todos podem e devem participar. Afinal, a endo não tem idade e basta ser mulher para ter a possibilidade de desenvolver a doença. A união faz a força e juntas somos mais fortes!! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar
Redefinindo a endometriose na era moderna - parte 2
Por doutor David Redwine
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar
A origem da endometriose:
Para ser considerada racional qualquer
teoria sobre a origem da endometriose terá de satisfazer o que é conhecido
sobre a doença, incluindo os seguintes fatos:
- A doença pode ocorrer em mulheres e
meninas com idades entre 10 até 78 anos. Foram encontradas evidências que
apontam para endometriose no fundo de saco de Douglas (nota da editora:
localizado atrás do útero) de uma criança de sexo feminino que morreu de
Síndrome de Morte Súbita.
- A endometriose no seu estado inicial
pode ser muito sutil e facilmente passa despercebida, mas pode tornar-se mais
óbvia ao longo do tempo, dando assim a incorreta impressão de que surgiu uma
nova doença. Pode ocorrer em homens mais velhos com metástases de câncer da próstata que
fazem terapia com estrogênio.
- A endometriose não tem características
de autotransplante na medida em que difere de forma tão fundamental do
endométrio eutópico (nota da editora: o endométrio original, o do
útero). Estas diferenças incluem uma camuflagem morfológica, histológica,
imuno-histoquímica, enzimática, expressão de genes e cromossomos. Um
autotransplante mantém-se essencialmente idêntico ao tecido que lhe deu origem.
- A endometriose está ligada ao crescente
aumento de anomalias associadas, incluindo alterações imunológicas, genéticas e
diferenças fundamentais do endométrio. Não se espalha geograficamente na pelve
com aumento da idade, embora possa ocorrer invasão local ou metaplasia
fibromuscular, dando a impressão de uma ligeira expansão local.
- A endometriose é curável por excisão em
mais de 50% dos casos através de uma única cirurgia, e nos restantes casos por
uma segunda cirurgia. Sampson não detinha o conhecimento existente nos nossos
dias, como tal, a sua teoria foi assente, sobretudo em especulação. Com as
circunstâncias existentes na época, as hipóteses de a sua teoria estar correta
eram muito pequenas.
Os fatos apontam inevitavelmente para
uma origem embrionária da doença. No momento da concepção, fatores genéticos,
ambientais e pura sorte combinados resultam em tratos de tecido alvo
depositados na cavidade celômica (nota da editora: cavidade geral do
corpo, que serve de espaço para os órgãos internos) posterior durante a
organogênese pélvica (nota da editora: processo de
desenvolvimento da pelve no embrião). Dada a reduzida dimensão e plasticidade
do embrião, e a variação possível, que é a marca da biologia, estes tratos podem
por vezes ficar alojados fora da pelve, em locais como o diafragma, os pulmões,
o cérebro ou nas extremidades inferiores.
Estes tratos são o resultado de uma
diferenciação anômala e da migração de precursores do canal Muleriano, e podem
conter traços da endometriose em si, ou simplesmente ter o potencial para a
metaplasia sob a influência da libertação do estrogênio durante a puberdade. De
início, estes traços são incolores e insuspeitos, ou tratos de substrato alvo
mesenquimal podendo ser indiferenciados, e, portanto, não identificáveis. Com o
aumento dos níveis de estrogênio, os elementos glandulares iniciam a segregação
de um produto parácrino (nota da editora: hormônio produzido por uma
célula para agir em suas células vizinhas) não identificado que pode irradiar
tecido e causar dor. Os capilares adjacentes podem ficar desestabilizados e
sangrar.
Fatores de crescimento epiteliais,
quimiocinas (nota da editora: da família das citocinas, funcionam
como fortes reguladores de uma inflamação) e citocinas (nota da editora:
é um extenso grupo de moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as
células) associadas com a reparação do tecido em resposta a ferimentos crônicos
resultam em angiogênese (nota da editora: crescimento de novos vasos
sanguíneos a partir dos já existentes), neurovascularidade e fibroses
subjacentes. Os tratos mesenquimais associados com as estruturas
parenquimatosas tais como os ligamentos úterossacros, ou musculares da bexiga,
podem estar sujeitos a metaplasia em torno de vestígios de endometriose.
Assim, as lesões que antes eram
incolores ou translúcidas, podem adotar um tom vermelho, depois amarelo ou
esbranquiçado devido à fibrose (nota da editora: é a
formação de tecido conjuntivo ou conectivo - os responsáveis por unir, ligar,
sustentar os outros tecidos como parte de um processo de cicatrização), e mais
tarde escuro devido ao sangue aprisionado no seu interior que degenera. As
estruturas parenquimatosas podem progressivamente desenvolver nódulos e a
formação de aderências resulta da conicidade do processo irritativo.
Nem todos os tratos embriologicamente
padronizados ou vestígios terão o mesmo nível de potencial para atividade
biológica, quer na mesma pelve quer na de outra mulher. É possível assistir a
endometriose aparentemente inócua numa parte da pelve, e noutra existir
endometriose agressiva.
Para, além disso, nem todas as doenças
irão surgir com o passar do tempo, e certas mulheres terão apenas uma forma
superficial da doença, sem apresentar alterações de cor. Por volta dos 25 anos,
a mulher já terá provavelmente formado todos os focos de endometriose que terá
na sua vida inteira, levando a que a possibilidade de cura seja a excisão
completa.
Sintomas:
A endometriose causa dor localizada,
embora por vezes possa originar dor em áreas mais extensas. O fundo de saco é a
área pélvica geralmente mais afetada, e por essa razão, esta área pode sofrer
com impacto durante o ato sexual, movimentos intestinais, ou simplesmente o fato de a mulher estar
sentada pode causar dores, sobretudo, durante o período menstrual. Cistos de
endometriose nos ovários podem causar dor ipsilateral (nota da editora:
dor que acontece do mesmo lado da lesão, ou seja, neste caso, onde está
localizado o endometrioma), principalmente, se as aderências que tiver
nos ovários forem sendo esticadas pelo crescimento dos cistos.
Vazamento do conteúdo dos cistos pode causar dor aguda por um período de várias
horas, com um desconforto geral nas zonas pélvica e abdominal inferior que pode
durar vários dias até que o líquido que causa a irritação seja reabsorvido. A
endometriose intestinal pode ser assintomática no caso de ser superficial,
enquanto que os nódulos retais associados com a completa obliteração do fundo
de saco irão causar movimentações intestinais dolorosas (nota da editora:
evacuações dolorosas), mesmo fora do período menstrual.
A endometriose invasiva do ligamento
úterossacro poderá envolver um ureter adjacente com fibrose
envolvente, ou em casos bastante raros, invadir o ureter, resultando em
sintomas de hidroureter e hidronefrose. Se a compressão da uretra for gradual,
poderá ocorrer uma falha renal silenciosa e permanente. Nódulos de grande
dimensão no íleo terminal (nota da editora: parte inferior do intestino
delgado) podem provocar sintomas semelhantes à obstrução intestinal. Dores no
lado peito e ombro direito durante o período menstrual são causadas por endometriose
no diafragma.
Figura 1:
Exame físico:
Pontos mais macios ou nódulos no fundo
de saco e nos ligamentos úterossacros que se revelem ao toque (nota da
editora: quando o especialista faz exame físico, o de toque na paciente)
nestas áreas são sintoma de endometriose no. O aumento de um ovário pode ser ou
não devido a endometriose. Ocasionalmente, a paciente poderá ter endometriose
no fórnix posterior da vagina (nota da editora: região onde o canal da
vagina se encontra com o colo do útero, veja Figura 2), com erosão devido a um
nódulo do ligamento úterossacro ou reto. Isto poderá ser confirmado num exame
pélvico em consultório médico, se o espéculo for direcionado para a parte
posterior. Endometriose numa cicatriz de cesariana ou no ligamento
redondo à saída do canal inguinal irá manifestar-se como uma
protuberância dolorosa que poderá aumentar durante a menstruação.
Figura 2:
Postado por
A Endometriose e Eu
às
03:34
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013
DAVID REDWINE: REDEFININDO A ENDOMETRIOSE NA ERA MODERNA - PARTE 1
Depois
de delinear sobre a endometriose, no segundo texto do médico, hoje
aposentado clinicamente, mas que ainda ativo como cientista e é um dos principais estudiosos da doença, o americano doutor David Redwine vai começar a delinear alguns
fundamentos da teoria a qual acredita e que vem estudando há mais de 3 décadas. Na primeira parte do "Redefinindo a endometriose na era moderna", ele explica porque a
endo é uma doença tão comum. É incrível como ando conhecendo mulheres com endo.
Sabe naquele dia que não quero nem tocar no assunto, porque estou entre amigos
me divertindo? Então, é nesse dia que mais aparece portadoras ou possíveis portadoras. Segundo pesquisas do doutor
Redwine, a doença tem origem embrionária que somando-se à fatores de
pré-disposição genética, mais fatores ambientais resultam na doença, já que a
doença já foi encontrada em meninas de 10 anos, e até em senhoras de 78 anos,
inclusive, num feto de semanas. No texto, ele também fala do difícil
diagnóstico pelo fato de a doença ter sintomas que são confundidos com outras
doenças. Aliás, isso é muito comum no Brasil. A mulher vai ao consultório,
relata os sintomas, e em vez do médico ter todas as hipóteses a serem
descartadas, ele diz que ela tem a doença tal, como a SII, síndrome do
intestino irritável, dentre muitas outras. Esta é uma das razões que o
diagnóstico ainda é muito tardio. No meu caso demorei 18 anos para descobrir que era portadora. Como o texto é muito, muito longo, ele será publicado e três partes. No próximo, o doutor Redwine fala da origem da doença, alguns tipos de endometriose e seus sintomas e também da importância do exame físico.
E não se esqueça de preencher a ficha
de inscrição para a Million Women March for Endometriosis, a
maior manifestação em massa do mundo em prol de uma doença, nunca realizada antes.
Até o momento 23 países sairão às ruas no dia 13 de março de 2014 para mostrar
a todas as pessoas do mundo que existimos, que somos muitas (176 milhões de
mulheres), reivindicar nossos direitos, cuidados, tratamento especializado
acessível em todo país, inclusive, no SUS, conscientizar a sociedade, pois só
assim passaremos a ser tratadas com o respeito e a dignidade que merecemos.
Esta é a nossa grande chance de ter a doença reconhecida como social pelo
governo federal, já que temos um dos maiores especialistas do mundo, o doutor
Camran Nezhat, à frente da Marcha de Milhões de Mulheres contra a
Endometriose. Compartilhe a Fichade
Inscrição entre seus amigos. Todos podem e devem participar.
Afinal, a endo
não tem idade e basta ser mulher para ter a possibilidade de
desenvolver a doença. A união faz a força e juntas somos mais fortes!! Beijo
carinhoso!! Caroline Salazar
Redefinindo a
endometriose na era moderna - parte 1
Por doutor David Redwine
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar
Introdução:
Endometriose é um tecido que se
assemelha ao revestimento do endométrio (camada que reveste o útero), mas que
pode ser encontrado fora do mesmo em locais do corpo onde não deveria existir.
O principal sintoma da doença é a dor. A endometriose sintomática afeta
aproximadamente de 5% a 10% das mulheres, embora até 40% possa ser portadora da
doença numa forma assintomática (nota da editora: as mulheres que não
têm dor).
Isto faz da endometriose uma das
doenças humanas mais comuns no mundo inteiro. Embora, a endometriose seja um
assunto referido na literatura médica desde o século 19, verifica-se muita
confusão durante décadas acerca de sua origem e sobre qual será o tratamento
adequado. Finalmente, após um século, as opiniões começam a ser substituídas
por fatos, que permitem melhores diagnósticos e uma abordagem mais racional ao
tratamento da doença.
Breve história do estudo da
endometriose:
No histórico da evolução do
conhecimento sobre qualquer doença, a manifestação clinicamente mais óbvia e
gravosa é a primeira a ser identificada. Esta forma grave pode ser uma
representação incorreta da verdadeira natureza da doença. Uma doença que
requeira cirurgia para se obter confirmação de diagnóstico, e cujo resultado
seja frequentemente incorreto, sofrerá dois níveis de influência no
diagnóstico, escondendo ainda mais a verdadeira natureza da doença.
Uma doença cujos sintomas possam ser
“imitados” por outras doenças, será mal interpretada com base nas suas próprias
características. Todos estes fatores conjuntos irão conduzir ainda mais à
incompreensão da doença. Como resultado, surgem mitos para explicar a
perplexidade, tentativas fúteis de tratamentos são inevitáveis, e os
profissionais de medicina confusos irão seguir falsos profetas que os levarão
para um deserto intelectual. É exatamente isso que tem acontecido nos últimos
85 anos no que toca à endometriose.
Entre as manifestações iniciais
descritas nos relatórios de casos individuais na referida literatura estão
incluídos vários nódulos graves retovaginais, e cistos nos ovários designados
como “chocolate”. Nódulos de endometriose envolvendo estruturas
parenquimatosas, tais como os ligamentos úterossacros ou a parede intestinal,
foram historicamente comparados a adenomiomas que eram conhecidos por afetar o
miométrio uterino (nota da editora: camada externa do endométrio,
que nada mais é do que a parede externa que reveste o útero). Como tal, as
manifestações iniciais de endometriose grave eram designadas por adenomiomas,
sendo identificadas na vagina, reto, ligamento redondo do útero, onde atravessa
o canal inguinal.
"Apesar
de a endometriose ser um assunto da literatura médica desde o século 19,
a confusão sobre a doença, sua origem e tratamento adequados se
desencadeou durante décadas. Finalmente, no início do século 21,
a opinião está sendo substituída pela verdade, o que está permitindo um
melhor diagnóstico e tratamento mais racional da doença ." (David Redwine)
Num influente estudo inicial, os cistos
chamados de “chocolate” nos ovários foram observados em 23 mulheres, dando
assim a ideia de que os ovários são a localização mais comum na pelve para a
endometriose, embora muitos dos cistos descritos nesse estudo fossem “corpora
lútea” (corpos de argila). Porque o grupo de estudo não tinha mulheres
adolescentes ou em menopausa entre as que exibiram cistos “chocolate” nos
ovários. Daí surgiu a ideia de que a endometriose é uma doença presente apenas
na idade reprodutiva, e que a menopausa em si cria uma proteção contra a
doença. Nessa era de ingenuidade intelectual, era assumido que a fertilidade
natural se aproximava dos 100%.
Como cerca de 60% das mulheres casadas
com endometriose nesse estudo já tinham estado grávidas foi assumido que a
gravidez seria uma proteção contra a doença, e que a endometriose diminuía
gravemente a fertilidade. Devido ao fato de que alguma endometriose é
semelhante ao endométrio, a ideia simplista de refluxo da menstruação surgiu
como o mecanismo de origem da doença e reina como a teoria mais aceita até
recentemente.
A teoria de refluxo menstrual de
Sampson alega que a endometriose surge a partir de partículas do endométrio que
descamam durante o trajeto do fluxo menstrual a partir da cavidade uterina de
uma forma retrógrada pela das trompas de falópio. Estas células aderem então a
superfícies peritoneais, proliferam e invadem os órgãos. A endometriose tem
sido encarada como incurável, já que a pelve será realimentada com a doença
todos os meses durante a menstruação. Como a endometriose foi declarada como
sendo um autotransplante idêntico ao endométrio, pensavava-se que sangraria
todos os meses durante a menstruação.
Isto daria às lesões um aspecto visual
hemorrágico e conduziria à noção de “lesão de queimadura de pólvora” como sendo
a manifestação visual mais comum da doença. Só após meados dos anos 1980 é que
investigadores clínicos deram a sua contribuição. Auxiliados em grande parte
pela ampliação da laparoscopia (a cirurgia minimamente invasiva), ao
documentarem a ocorrência da doença no seu estado mais subtil, o
não-hemorrágico, completou-se assim o espectro morfológico da doença. A
manifestação visual da endometriose que tinha sido adotada há muito tempo como
a mais comum, era afinal, a menos comum, colocando imediatamente em dúvida tudo o
que se pensava saber e que tinha sido publicado até então.
Sobre a teoria de
Sampson ..."ele
não tinha todos os fatos que temos hoje, por isso a sua teoria foi
baseada principalmente na especulação. Nessas circunstâncias existentes na
época, haveria uma probabilidade muito baixa de que sua teoria deve ser correta
..." (David Redwine)
O colapso de um paradigma tinha
começado. Quando se percebeu que os autores dos primeiros artigos não sabiam
qual era o aspecto da endometriose, e que a endometriose tem cura por cirurgia
convencional, a laparoscopia (nota da editora: quando o cirurgião sabe
observar e retirar todos, mas todos os focos) e que os focos de endometriose
são diferentes do endométrio em dezenas de aspectos, que as provas de uma
aderência inicial seguida por uma invasão secundária foram procuradas, mas
nunca encontradas.
Quando os apoiantes da teoria do
refluxo menstrual recusaram firmemente a fornecer imagens documentais da
aderência inicial, da proliferação secundária e invasão pelas células do
refluxo endometrial (que alegadamente ocorrem aos milhões), finalmente a teoria
de Sampson foi abandonada pela maioria dos peritos.
O fato de esta teoria ter sobrevivido
durante tanto tempo com tantas contradições fatais e sem provas que a
sustentassem é notável e dá uma má imagem da profissão de ginecologista, que a
usaram durante décadas como uma explicação conveniente para todos os
tratamentos falhados, em vez de responsabilizar os tratamentos médicos e
cirúrgicos que ainda são usados até à data por alguns.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA", DOUTOR HÉLIO SATO!!!
Como 2013 está voando!! Já
estamos em setembro, e logo mais o frio que ainda nos resta, vai embora e será
a vez da primavera. Eu, particularmente, gosto muito do frio do nosso país, mas
sei que nesta época, muitas endomulheres têm ainda mais dores. Se bem que achei
este o inverno mais quente dos últimos anos. Tivemos dias de muito calor e céu
azul para nossa alegria. Vamos começar o mês esclarecendo dúvidas das leitoras.
Uma é da nossa querida Gabriela Rodrigues, que, inclusive, já teve sua história
contada no blog. Em nossa troca de emails, Gabi contou que sua endo, que até ano
passado era assintomática, passou a ser sintomática. E ela tem sentido dores
no abdômen, na lombar, enxaqueca. A maior duvida é Gabriela é quanto à
gravidez. Ela fazia planos de engravidar neste ano, mas mudou não só de cidade,
mas de estado, saiu de Santa Catarina para o Maranhão, ela decidiu adaptar-se à
nova vida a esperar mais um pouquinho para ter filho. É importante saber o que
fazer quando for chegada a hora. É importante afirmar que a doença não é
sinônimo de infertilidade. A outra questão é da Fabiana, de São Paulo, que
pergunta sobre a cirurgia de endometriose para quem tem focos no intestino.
Cada caso é um caso, mas quando é feita a cirurgia é preciso que ela seja muito
bem feita, retirando todos os focos da doença.
E não se esqueça de preencher a
ficha de inscrição para a Million Women
March for Endometriosis, a maior manifestação em massa do mundo
em prol de uma doença, nunca realizada antes. Até o momento 23 países sairão às
ruas no dia 13 de março de 2014 para mostrar a todas as pessoas do mundo que
existimos, que somos muitas (176 milhões de mulheres), reivindicar nossos
direitos, cuidados, tratamento especializado acessível em todo país, inclusive,
no SUS, conscientizar a sociedade, pois só assim passaremos a ser tratadas com
o respeito e a dignidade que merecemos. Esta é a nossa grande chance de ter a
doença reconhecida como social pelo governo federal, já que temos um dos
maiores especialistas do mundo, o doutor Camran Nezhat, à frente da Marcha
de Milhões de Mulheres contra a Endometriose. Compartilhe a Ficha de Inscrição entre seus
amigos. Todos podem e devem participar. Afinal, a endo não tem idade e basta ser
mulher para ter a possibilidade de desenvolver a doença. A união faz a força e
juntas somos mais fortes!! Beijo carinhoso!!
– Fiz uma videolaparoscopia para retirada de endometrioma e nesta cirurgia foi retirado um pedaço de um dos ovários. Fiz tratamento com zoladex por 6 meses até de dezembro de 2012. No momento uso o anticoncepcional Cerazette. Minha maior dúvida em relação à endometriose é sobre a gravidez. Qual o procedimento que devo tomar quando resolver tentar engravida naturalmente? Além de parar o anticoncepcional devo tomar algum cuidado a mais? Alguma injeção, indução à ovulação, etc. Ou dá para tentar engravidar normalmente? Já ouvi dizer que os médicos indicam tentar no máximo 6 meses, pois como estaremos menstruando há chances de a endo voltar a se manifestar? Gabriela Rodrigues - 29 anos - Estreito/MA
Doutor Hélio Sato: De
fato, diante deste cenário é muito importante cuidar do futuro reprodutivo,
antes de tudo, precisamos entender 3 pontos:
1 - Avaliar sua reserva ovariana
2 - Avaliar a
funcionalidade das suas tubas uterinas
3 - O espermograma do seu
marido
Com esses 3 exames é possível
prognosticar sobre suas chances de gravidez natural e qual cuidados a fazer.
A endometriose pode recidivar se
não houver alguma contraposição medicamentosa, ou seja, progestogênios ou
análogo de GnRH, este quando necessário. Por isso, antes, de tentar a gravidez
convém a avaliação destes pontos. Boa sorte!!
- Quando aparecem
infiltrações de endometriose no intestino é preciso fazer a cirurgia? Se não
fizer quais são os agravantes? Fabiana – São Paulo - SP
Doutor Hélio Sato: A cirurgia deve ser uma opção principalmente para a paciente sintomática que não teve melhora da dor com uso do tratamento medicamentoso, ou para a paciente que não está conseguindo engravidar naturalmente e por opção pessoal e/ou médica não irá partir para a FIV. Porém, se houver a indicação cirúrgica, esta deve ser completa para evitar novos procedimentos no futuro, inclusive deve ser removidos a endometriose intestinal e outras.
Doutor Hélio Sato: A cirurgia deve ser uma opção principalmente para a paciente sintomática que não teve melhora da dor com uso do tratamento medicamentoso, ou para a paciente que não está conseguindo engravidar naturalmente e por opção pessoal e/ou médica não irá partir para a FIV. Porém, se houver a indicação cirúrgica, esta deve ser completa para evitar novos procedimentos no futuro, inclusive deve ser removidos a endometriose intestinal e outras.
Sobre o doutor Hélio Sato:
Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose e em laparoscopia. Ele tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo. É pesquisador principal de projeto regular da FAPESP.
Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é membro associado da clinica GERA de reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato).
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