Mostrando postagens com marcador endometriose x adoção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador endometriose x adoção. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de abril de 2017

7 ANOS DE BLOG! "GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": A ADAPTAÇÃO À MINHA NOVA VIDA DE MAMÃE PARTE 1!!

Foto: arquivo pessoal


Há seis meses a vida de nossa querida Ane está mais colorida, mais alegre e também muito mais agitada. A maternidade é realmente uma experiência maravilhosa, mas nos vira do avesso. Com ela nós, mulheres, descobrimos nosso outro eu. São tantas descobertas e novidades que muitas vezes a alegria imensa que passamos a sentir se mistura com uma grande tristeza. Vários sentimentos se misturam.... é a chamada depressão pós-parto. Pois é e não é que Ane começou a ter sinais desta terrível doença? Mamães do coração também estão suscetíveis a terem depressão pós seu parto do coração. Neste texto Ane conta como foi os primeiros seis meses de convivência com Danilo e também relata como descobriu que estava uma doença que ainda é pouco conhecida e aceita pela sociedade: a depressão pós-parto na adoção. Ane e Paulo optaram por adotar uma criança mais velha, a chamada adoção tardia. Danilo também é surdo.  Quem perdeu leia o texto sobre as primeiras contrações de Ane e o texto sobre seu tão sonhado parto. Beijo carinhoso!  Caroline Salazar


A adaptação à minha nova vida de mamãe - parte I


Olá meninas,

Estou de volta!! A vida de mãe aliada ao trabalho e a dedicação ao meu esposo (mais saúde que não está tão bem) estão me consumindo tanto, que não estou conseguindo escrever aqui todo mês, como eu gostaria. Desta vez quero compartilhar com vocês como tem sido nossa adaptação com nosso filho durante esses seis meses de convivência. É isso mesmo que vocês estão lendo, já se passaram seis meses desde que Danilo chegou em nossa vida e temos vivido uma experiência única e indescritível.

Neste texto vou abordar a adaptação de como tem sido a minha vivência, os sentimentos envolvidos, os medos e as alegrias de ser mãe. Pois bem vamos lá então! Quando Danilo chegou eu pensei sou mãe e agora? Um misto de alegria e medo tomou conta de mim: alegria por estar realizando meu grande sonho de ser mãe e medo, aliás, muito medo de não saber cuidar dele direito. Penso que toda mulher é tomada desses sentimentos quando chega à maternidade. Eu ficava olhando pra ele e pensava: nossa ele chegou e agora é nosso pra sempre! Mas como é que vou conseguir cuidar dele, ainda agora depois que a endometriose voltou e tem dias que a dor é tão intensa que mal consigo levantar da cama? 

Até hoje não consigo passar um pano na casa sem que no outro dia praticamente fico me arrastando de dor. Dá para acreditar? Mas por incrível que pareça, mesmo com dor, me vem uma força que só posso atribuir a Deus para cuidar dele e de meu esposo. Lembro-me de certa feita, minha tia ter me falado: “Seu filho vai ser a cura da sua endometriose (risos)”. E realmente mesmo nos dias mais difíceis encontro uma razão maior para não desistir. Tem dias que não tem jeito mesmo, tenho que parar um pouco e repousar, mas graças a Deus fui abençoada com um marido maravilhoso que sempre me ajuda nas tarefas de casa e a cuidar de nosso pequeno. Lembro também de um dia que não estava bem e Danilo chegou pra mim colocou sua mão em minha barriga e orou a Deus pedindo minha cura. Momento como esses são emocionantes e não tem como explicar.

Confesso que no começo também tive medo de não sentir o tal amor incondicional que as mães biológicas têm. Hoje garanto que foi pura bobagem minha, pois quando me vi já estava fisgada por aqueles olhinhos tão vivazes e sorriso cativante sem possibilidade alguma de me imaginar viver longe dele. Os desafios foram chegando. Como e quando impôr limites, quando dizer sim, quando dizer não e como sustentar o não sem ceder à chantagem emocional. Educar, procurar escola especial, ir atrás de terapia e de fonoaudióloga, ambas especializadas em Libras, foram situações que tivemos o cuidado de nos preparar buscando sempre o apoio de profissionais e de pessoas queridas que poderiam compartilhar suas experiências no trato com seus filhos.

 Mesmo assim com todas as alegrias, percebi que em alguns momentos me vinha uma tristeza e uma angústia, principalmente, quando estava fragilizada por conta da endometriose. Não conseguia ir mais à academia por causa da dor e voltei a engordar tudo que havia lutado os últimos dois anos para emagrecer com sacrifício. Sinceramente não conseguia entender o porquê disso, uma vez que já tinha decidido não me deixar abater pela doença. Afinal, tenho agora uma família linda que foi presente de Deus em minha vida. Mas eu tinha momentos que me sentia ansiosa, não estava satisfeita comigo mesma, sempre cobrando muito de mim, me recriminando por não estar fazendo tudo 100%, não estava gostando do que via no espelho, enfim, tinha muito mais motivos pra agradecer do que pra reclamar, mas, mesmo assim, passava por momento de grande tristeza.

Diante de tudo isso resolvi passar com um psiquiatra e com psicóloga, pois já era indicação do fórum para toda família que passa pelo processo de adoção. Pra meu alivio, minha médica e terapeuta tranquilizaram meu coração explicando que no meu caso todas essas mudanças que eu estava vivendo nesse curto espaço de tempo, juntando com a reincidência da endometriose, nada mais do que normal era que eu estava passando por um tipo de “depressão pós-parto”, se é que podemos dar essa nomenclatura. Foi essa analogia muito bem colocada por minha terapeuta, uma vez que há um turbilhão de hormônios envolvidos. Esses altos e baixos dizem respeito a essa briga desses hormônios que trazem alegria ou sentimento de tristeza por causa da dor. Devo dizer que esse apoio profissional tem sido de fundamental importância para a superação dessa fase.

Também voltei ao Hospital São Paulo para retomar o tratamento da endometriose e tudo indica que o procedimento a ser seguido será encaminhamento para nova cirurgia. E assim espero, pois desejo mais do que nunca ter qualidade de vida para curtir cada vez mais minha linda família, sem murmurações e queixas, para que, em breve, daqui a uns dois anos pretendemos adotar novamente. Dessa vez nossa pretensão será adotar uma bebezinha, e para tanto, preciso estar bem para dar colo à nossa princesinha. Pois é esse negócio de ser mãe é delicioso, sou imensamente grata ao Senhor por todas as bênçãos que sem merecer ele me concedeu. Mês que vem será muito especial, pois será meu primeiro dia das Mães. Com certeza quero comemorar e compartilhar mais da minha maternidade com vocês. Beijo carinhoso.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

"GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": AS PRIMEIRAS CONTRAÇÕES DO MEU PARTO DO CORAÇÃO!

imagem cedida por Free Digital Photos

Enfim chegou o grande dia das primeiras contrações da nossa querida Ane. Pouco mais de um ano após entrar para o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), Ane e Paulo finalmente estão perto de desfrutar os prazeres e os desafios da maternidade/ paternidade. Acompanho a história deste casal maravilhoso desde quando Ane viajou da Bahia a São Paulo onde fez seu tratamento para tratar sua endometriose em 2012. Na época Paulo ainda morava na Bahia, mas ele decidiu largar tudo e recomeçar do zero na capital paulista ao lado da esposa, pois é o local onde Ane teria seu tratamento. Depois a cirurgia de Ane, a descoberta de sua infertilidade causada pela doença. Logo depois Paulo também descobriu que ele também era infértil, por conta da quimioterapia que fez quando era criança para tratar um câncer. Deus sabe o que faz. Hoje eles estão perto de terem sua família. Estou muito feliz por compartilhar e participar desta história com final feliz. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


Por Ane Bulcão
Edição: Caroline Salazar

As primeiras contrações do meu parto do coração.  

Depois de falar sobre as contrações de treinamento do meu tão desejado parto, enfim chegou as férias tão sonhadas. Afinal de contas, este momento foi separado para que pudéssemos ter nosso momento oficial de aproximação com nosso filho o que configura de fato as contrações reais do meu parto. Estávamos no mês de julho e com autorização judicial passamos 10 dias com nosso filho, sendo cinco dias lá no interior, na cidade onde está o abrigo, e cinco dias em São Paulo em nossa casa. Esses dias foram cruciais para que pudéssemos criar vínculos afetivos mais profundos e também para se ter uma resposta definitiva tanto de nossa parte quanto da parte dele sobre o avanço do  processo.

Chegamos lá e traçamos toda uma programação especial para curtirmos ao máximo cada momento junto com ele. Participamos de um treinamento de jogos evangelísticos onde vieram surdos de vários estados do Brasil, e assim nosso filho pôde ter contato com vários surdos a fim de que se aproprie de elementos de sua cultura e primeira língua que é a Libras, já que ele ainda está sendo alfabetizado na língua de sinais. Este contato com a comunidade surda ele já vinha mantendo por meio do apadrinhamento social que aquela minha amiga missionária, já vinha fazendo ao ensinar-lhe a Libras e colocá-lo em contato com surdos da comunidade de fé. Essa amiga é a mesma que fez a ponte entre nós para que o adotássemos.

Viemos para São Paulo e mais diversão, amor e carinho sem medidas. Ele é uma criança cheia de vida e energia, não para um instante, muito prestativo e carinhoso, porém também muito genioso (risos). Mas o que esperar de uma criança que viveu anos sem os devidos cuidados, sem amor e sem proteção? É natural que neste momento ele procure se preservar de uma possível decepção adotando uma postura mais reservada, até se sentir totalmente seguro para se entregar ao amor de um pai e de uma mãe sedentos por lhe dar o carinho e proteção de que precisa. Quando chegamos tratamos logo de fazer uma atividade trivial do dia a dia que é fazer mercado, só para ele sentir o gostinho de participar da rotina de sua nova família. Como foi maravilhoso ver seus olhinhos brilhando cada vez que escolhia um produto na prateleira, comprar guloseimas e tudo mais. Também passeamos no shopping, fomos à igreja, ao zoológico, enfim, tentamos dar uma palhinha do que seria sua rotina daqui pra frente e vejo que ele aprovou tudo, por que o último dia dele aqui em São Paulo foi muito difícil para nós três.

Quando ele viu a gente arrumando sua mala começou a ficar triste e disse que não queria ir embora, pois sua casa estava aqui, seu quarto e sua cama estavam tudo aqui. Ele não queria voltar para o abrigo. À noite quando estávamos indo para a rodoviária não conseguimos conter as lágrimas e nós três choramos muito. Ele dizia: “Não me mande embora eu sou seu filho, a família tem que ficar junta...”. Confesso pra vocês que não consigo expressar em palavras  tamanha dor que senti ao ter que levá-lo de volta e vendo seus olhinhos que outrora estava vivazes agora choravam pedindo pra ficar. Porém esse sofrimento já tinha seus dias contados, porque em breve ele voltaria para ficar definitivamente comigo e com Paulo e precisávamos cumprir as recomendações judiciais a fim de que o processo de adoção transcorresse rapidamente e sem embaraços.

Esses dias que passamos juntos foram de suma importância para que nosso amor se consolidasse e tivéssemos a certeza de que apesar de não ter nascido de mim, certamente ele nasceu para mim, para inundar nossas vidas de amor. Meu próximo texto contarei como aconteceu o rompimento da bolsa, e por fim, como foi o meu tão sonhado parto da nossa gestação do coração. Beijo carinhoso! 

terça-feira, 19 de julho de 2016

"GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": AS CONTRAÇÕES DE TREINAMENTO DO PARTO DE ANE!

Imagem cedida por Free Digital Photos

É com muita emoção que editei esse texto da coluna "Gestação do Coração", da nossa querida colaboradora-voluntária Ane. As primeiras contrações de Ane, as de treinamento, já começaram. Só quem está há muito tempo à espera de um filho é que sabe a emoção que Ane e Paulo estão sentindo neste momento. Filho é filho e é impressionante como coração de mãe sabe quem é quando nem mesmo ainda o conhecemos. Isso vale para gestação biológica e também a do coração. Não tenho muitas palavras para escrever, a não ser dizer a gratidão que sinto por compartilhar de mais uma emoção da vida deste casal que eu amo muito. Com vocês nossa mais nova endomamãe! Beijo carinhoso! Caroline Salazar

As contrações de treinamento do meu tão sonhado parto do coração.

Por Ane Bulcão
Edição: Caroline Salazar

Neste mês de julho completamos um ano de gestação do coração, e posso dizer que este é um dos textos mais especiais que escrevo. Nossas contrações já começaram. A princípio estou nas contrações de treinamento, assim posso chamar. Mas tenho certeza que nosso filho já foi escolhido por Deus e está chegando. Desde que entramos para a fila do Cadastro Nacional de Adoção - CNA estamos numa grande expectativa de que o processo avance o mais rápido possível. E as coisas acontecem naturalmente no tempo certo, e quando menos a gente esperava começaram as contrações de treinamento. Eu e meu esposo estávamos num retiro espiritual de nossa igreja quando encontrei uma grande amiga missionária, que comentou comigo que tinha visto no facebook que estou adotando. Confirmei a ela esse nosso desejo. E aí ela falou que estava apadrinhando uma criança que e que se enquadrava no perfil que escolhemos. Porém, a idade estava um pouco acima daquela que estipulamos (sete anos e meio). Mas nosso contato foi muito rápido e ficou nisso mesmo. Passados alguns meses, como de costume, em minhas orações diárias pelo nosso(a) filho(a) comecei a pensar na conversa com minha amiga missionária. Continuei em oração, e, de repente, uma outra amiga que está em outro estado também me falou dessa mesma criança e como não acredito em coincidência, mas sim em provisão divina, conversando com meu esposo, resolvemos conhecer a criança.

Quero citar um texto de autor desconhecido que li num dos blogs de apoio à adoção que participo: “É possível ser mãe sem nunca ter gerado. É possível gerar e nunca chegar a ser mãe. Eu escolhi ser mãe, gerar ou não, nunca vai me tirar a maravilhosa missão da maternidade”, pois bem, essa frase me resume, sempre disse que o que eu quero é ser mãe, não necessariamente engravidar. 

Eu e Paulo decidimos viajar à cidade onde ele está, no interior de São Paulo, cerca de 660 km de distância da capital, onde moramos, para conhecê-lo. E esse foi o momento das primeiras contrações, era o mês de maio e já estávamos com 10 meses de gestação do coração. No nosso ultrassom soubemos que é um garotinho, super saudável, tem nove anos e é surdo. A essa altura eu já tinha me derretido toda, afinal de contas há 11 anos aprendi a Língua Brasileira de Sinais – Libras - e hoje sou especialista e trabalho na área. Deus em sua imensa sabedoria conduz tudo conforme seus planos. Ao chegarmos ao abrigo onde ele está meu coração ficou muito acelerado, minhas mãos começaram a suar, estava num misto de nervosismo e alegria, afinal, era meu primeiro momento com o meu tão sonhado filho. Dentro de mim algo já dizia que era ele. Iríamos nos ver pela primeira vez.  Quanta ansiedade! 

Paulo estava ainda mais apreensivo do que eu porque ele não sabe Libras e tinha receio que o menino só ligasse pra mim e nem desse bola para ele. Porém ele (nosso filho) também não sabe totalmente a língua, está aprendendo ainda. Tive que fazer um grande esforço para não me desmanchar em lágrimas a primeira vez que o vi e o abracei, por recomendação dos profissionais envolvidos no processo. Tendo em  vista o histórico do menino tão trágico quanto o de qualquer outra criança que se encontra em abrigo, porém com o agravante da sua condição de surdez que por tal motivo ele desde pequeno foi abandonado e foi crescendo sem ter noção do que é ser uma família constituída por pai, mãe e filhos. Como dizem por aí que coração de mãe não se engana, desde que soube dele, mesmo sem conhece-lo pessoalmente que meu coração ardeu de amor por esse serzinho tão desprotegido. 

Passamos dois dias maravilhosos com nosso filho, e graças a Deus, também percebemos que fomos adotados por ele. Vou chamá-lo de Marco, uma criança adorável, cheia de energia e de disposição que simplesmente nos amou. Seus olhinhos tão vivazes se encantaram por meu esposo. Nossa como ele nos abraçava e beijava o tempo todo, foi muito lindo e emocionante. Em nosso último dia a despedida foi muito difícil para nós três, choro de todo lado, pois não queríamos ter que deixá-lo naquele lugar, mas como disse estamos ainda nas primeiras contrações, nas de treinamento, e ainda preciso entrar em trabalho de parto, sentir as contrações reais de um parto. Essas primeiras contrações acontecerá neste mês de julho, no nosso segundo encontro. A burocracia é muito grande e existem alguns passos a serem seguidos até que consigamos a guarda provisória para então depois um tempo determinado pelo juiz obtermos a guarda definitiva. É assim mesmo, o processo é burocrático e em alguns momentos chato, mas se faz necessário, cada caso é um caso, não dá pra dizer que será rápido ou demorado porque depende muito mais dos agentes que estão envolvidos nos tramites.

Fomos ao Fórum na cidade de Marco e em entrevista com as psicólogas confirmamos que realmente queremos seguir com o processo adoção dele. Nosso próximo passo é o processo de aproximação que consiste em irmos novamente lá na cidade nesse período de férias para ficarmos cinco dias com ele e depois ele vem conosco e fica cinco dias na nossa casa. Passados esses cinco dias ele volta ao abrigo e seremos todos avaliados sobre como foi esses dias de convivência. Será marcado mais outros dois ou três encontros para enfim sair a autorização da guarda provisória que pode levar de seis meses até dois anos. Tudo vai depender do que o juiz decidir, e aí sim acontecerá o nosso tão sonhado parto. Então é isso meninas, estou em estado de graça! Feliz da vida porque aprouve ao Senhor nos presentear com um príncipe, filho amado que em breve chegará de vez para inundar nossas vidas de amor e alegria. 

A minha luta com a endometriose continua. Fiz a ressonância magnética e o resultado deu que agora a doença está no útero (adenomiose). As dores continuam persistentes, mas eu não me queixo, a vida é muito linda e breve pra eu ficar reclamando. Eu já disse para vocês em outro momento que decidi não permitir que a endometriose me roube a alegria de viver, não estou com isso querendo tripudiar ou desdenhar da dor e do sofrimento que muitas de nós sentimos, o que quero dizer é apesar de ter endometriose não vivo cativando a doença, encontro forças em Deus que me tem abençoado além do que mereço. Ainda mais agora com esse meu presente chamado Marco. Quero continuar meu tratamento para conseguir ficar bem para criar meu filho, formar minha família que eu e meu esposo tanto sonhamos. 

Um beijo no coração, e mais uma vez, quero dizer a quem deseja ser mãe: não desista do seu sonho de ser mãe porque com certeza existem muitos anjinhos esperando por uma família que os possa acolher com amor e carinho.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

"GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": OS DOCUMENTOS E OS PASSOS PARA ENTRAR NO CADASTRO NACIONAL DE ADOÇÃO (CNA)!

A lista de documentos necessários para o Cadastro Nacional de Adoção (CNA)
Em mais um texto da coluna "Gestação do Coração" nossa querida Ane relata o passo a passo de como conseguiu seu tão sonhado positivo. No último dia 15 de abril ela e Paulo completaram 9 meses de gestação. Sim, na gestação do coração há também a contagem das semanas, dos meses, pois a ansiedade é a mesma de uma gestação natural, se não for maior, pois geralmente os pais do coração demoram muito mais de 9 meses para conhecer seus filhos. Neste texto ela também deixa a lista de documentos necessários para a entrada no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Com certeza este é mais um texto que vai ajudar muitas mamães e papais a se preparar para o tão sonhado positivo. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


Por Ane Bulcão
Edição: Caroline Salazar

Em mais um texto sobre minha saga em busca do meu tão desejado filho gostaria muito de ajudar às futuras mamães que querem adotar e não sabem direito como proceder. Neste texto farei uma sintetização de como é o processo para que se possa chegar ao tão sonhado positivo, que é a entrada para a fila do Cadastro Nacional de Adoção (CNA).

Antes de qualquer coisa devo dizer que cada comarca judicial tem uma maneira própria de atuar e conduzir o processo. Por esta razão pode ser que um ou outro procedimento poderá haver alteração da ordem dos passos a serem seguidos. Mas, vamos em frente. Depois de fazer tudo que estava ao seu alcance se realmente você não conseguiu engravidar, e mesmo tendo vivenciado momentos de dor devido à constatação da infertilidade, tendo passado seu período de luto por tal condição, você mulher endoguerreira se deu conta de que quer ser mãe (assim como eu), e que para isso não necessariamente precisa engravidar. Esse é o primeiro caminho para sentir a vontade de ter um filho do coração. Se você sabe que dentro desse seu coração ainda há muito amor, um amor puro e incondicional, e que precisa ser compartilhado com um ser que, certamente não nasceu de você, mas nasceu para você, e por isso resolveu adotar! Meus parabéns!

Eu quero adotar e agora?

Bem, a primeira coisa a ser feita é ir à vara da Juventude e da Infância de sua comarca (no fórum mais perto de sua casa), lá eles irão te informar sobre os documentos que devem ser providenciados para se inicializar o processo, mas  de antemão já adianto pra vocês quais documentos são  necessários: RG, CPF, certidão de casamento (se casado/a), comprovante de residência recente, comprovante de rendimentos ou declaração equivalente, atestado ou declaração médica de sanidade mental, fotografia tamanho 10x15 dos pretendentes. Sobre quem pode adotar, devem ser maiores de 18 anos, casado/a ou solteiro/a, divorciados e separados judicialmente e os ex-companheiros podem adotar conjuntamente, desde que o estágio de convivência tenha se iniciado na constância da união. O candidato à adoção deve ser pelo menos dezesseis anos mais velho que o adotando. Se o pretendente já chegar lá na sua comarca com estes documentos já economizará uma viagem ao fórum para levar documentação (risos).

Após darem entrada com tais documentos é só aguardar contato do próprio fórum que irá marcar uma entrevista com psicólogo e posteriormente a visita da assistente social em sua residência. Lembrando que pode não ser necessariamente nesta ordem. Provavelmente durante a entrevista com o psicólogo lhe seja informado que tenha que fazer um curso preparatório para candidatos à adoção (leia meu texto sobre o curso). Mas como já disse vai depender da comarca a qual a pessoa terá feito sua inscrição. E é neste momento que você e seu companheiro (a) tracem o perfil da criança que pretendem adotar.  

Outra coisa importante a ressaltar é que antes do CNA era comum chegar ao fórum e dizer: “Eu tenho uma criança que foi abandonada e quero adotar”. A chamada “adoção pronta” (quando já se tem a criança que será adotada), uma pratica que não é aceita em todas as comarcas de forma que existem juízes que repudiam tal procedimento, e outros não. Também é importante ressalvar que o casal esteja de pleno acordo em se fazer a adoção, caso contrário se um dos cônjuges não estiver de acordo, ou não totalmente convencido de que quer adotar poderá ser negada a aprovação ao ingresso no CNA, e consequentemente, que não seja concretizada a adoção. Depois de cumprida todas essas etapas com sucesso (falo aprovado em cada uma), será entregue um relatório do psicólogo e da assistente social que será enviado ao promotor, e este ao dar o parecer positivo, será encaminhado para o juiz de direito, que, por sua vez, dará o parecer final do processo. Sendo ele positivo ai sim será aprovada sua entrada para a fila no CNA. Parabéns você está grávida no coração, você conseguiu o seu positivo.

Esses são os passos a serem seguidos para iniciar nossa tão sonhada gravidez. Espero que este meu texto contribua de alguma forma para esclarecer algumas dúvidas. Mais uma vez parabenizo quem quer ter filhos por meio da adoção. Saibam que Deus também nos adotou como filhos por meio de Cristo Jesus como está escrito Bíblia em Efésios 1, 5 e é nele (Deus) que encontro inspiração e exemplo para tal ato de amor. Claro que a adoção nunca deve ser vista como um ato de caridade nem benemerência (isto é assistencialismo barato e não é legal). A adoção é mais que isso, ela é um ato de doação, um amor altruísta, é um dom dado para algumas pessoas o que em momento nenhum nos faz melhores do que aqueles que não desejam adotar. Por isso enfatizo que deve haver respeito às opiniões e decisões de cada pessoa sempre, para que possamos conviver neste mundo de forma digna e pacífica. Que Deus continue nos abençoando sempre. Até a próxima. Beijo carinhoso!

quinta-feira, 3 de março de 2016

"GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": ENFIM ENTRAMOS PARA O CADASTRO NACIONAL DE ADOÇÃO!

Imagem cedida por Free Digital Photos

E março chegou!! O mês internacional de conscientização da Endometriose começa e o blog retoma a coluna "Gestação do Coração" com nossa querida Ane. Não é fácil ter filhos. E falo isso não apenas em relação aos filhos biológicos. Infelizmente, a burocracia para a adoção ainda é muito grande. Em mais um texto da coluna "Gestação do Coração", Ane conta que ela e o marido, Paulo, já estão aptos e entraram para o Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Porém, todo o processo até aqui levou 10 meses, isso mesmo, e eles já estão há sete na fila de espera. Detalhe: Ane e Paulo querem filhos de idade maior de 3 anos a 7 anos e meio, como ela já falou em textos anteriores. E mesmo assim a demora ainda é longa. Neste artigo Ane conta como foi o segundo encontro do casal no Fórum e o curso que eles fizeram por três meses para estarem aptos a entrarem para o CNA. Beijo carinhoso! Caroline Salazar            

Por Ane Bulcão

Já se passou pouco mais de um ano desde meu último artigo. Confesso que os afazeres do cotidiano vão nos tomando conta e quando percebemos o tempo vai passando cada vez mais rápido e ainda há muito por fazer. O ano de 2015 foi um ano de muitas lutas e, sobretudo, de vitórias, acredito que não só para mim, mas para cada uma endoguerreira. Senti muitas dores é verdade - mesmo depois da cirurgia feita em fevereiro de 2014 - continuei com meu tratamento no hospital São Paulo - que ajudou muito - e assim fui vencendo um gigante por vez com a força vinda da parte do meu Pai celeste. Decidi viver minha vida na alegria que só o Senhor pode me dar apesar de tudo. Hoje estou bem melhor graças a Deus não totalmente sem dores, mas não há comparação de como vivia antes.

Então vamos voltar para o que interessa: falar como é que foi nosso segundo encontro no Fórum e como foi o curso de adoção que tivemos que fazer. No dia 18 de dezembro de 2014 fomos a mais um encontro com a psicóloga e a assistente social - que já eram outras pessoas - no fórum de nossa comarca, também participaram muitos outros casais que assim como nós vão adotar.

A finalidade desse encontro era esclarecer algumas dúvidas sobre o processo em si, explicar que nosso nome ainda não estava na fila de adoção, o que de certa forma nos deixou um tanto frustrados com tanta burocracia, e também informar que nós ainda teríamos que participar de um grupo de apoio à adoção indicado pelo fórum. E só assim depois de cumpridos os três meses de curso seríamos avaliados e, com relatório final da equipe de psicologia - sendo positivo, claro - nosso processo seria encaminhado para o promotor, que também ao ler os anais do processo e dando o parecer positivo, este por sua vez iria para as mão da juíza, que por fim, nos habilitaria para entrarmos para fila de adoção.

Ufa é isso mesmo dá para cansar só de ler (risos). Mas devo dizer que cada comarca tem uma forma diferente de trabalhar, pois já ouvi de amigos que adotaram e não precisaram passar por toda essa romaria. Bastou colocar os papéis em sua comarca e logo após entrevista com a psicóloga e a assistente social do fórum já entraram pra fila. Portanto, quero dizer que se alguém aí pretende adotar não precisa ficar desanimado (a). Gravidez é assim mesmo, demora nove meses até as mamães terem seus bebês nos braços e conosco também não seria diferente.

Chegou 2015 e como janeiro é mês de férias ficamos esperando o retorno das aulas, já que o grupo de apoio a adoção que iríamos participar seria feito por alunos concluintes de psicologia de uma faculdade. Em fevereiro ligamos na faculdade e conseguimos entrar para uma turma que iniciaria em março. Foi maravilhoso porque soubemos que a procura é tão grande, que às vezes os casais têm de ficar em “outra fila” pra fazer o tal curso, afinal estamos no Brasil, o país das filas!

Nosso primeiro encontro se deu no dia 21 de março, num sábado e assim seriam durante os próximos três meses todos os sábados. Éramos eu e Paulo e mais sete casais. Esses encontros visavam oferecer informações sobre o tema em espaço de escuta, discussão e reflexão sobre questões concernentes à adoção, bem como a construção de vínculos, falar sobre maternidade e paternidade, além é claro de abordar aspectos históricos e sociais da adoção ao longo dos anos no Brasil. Tudo isso com todo cuidado para nos manter bem informados e atualizados a fim de que se desfizesse quaisquer ideias romantizadas sobre a adoção. A cada encontro eram trabalhados mitos e verdades sobre o tema proposto o que nos fez crescer muito e reafirmar nossas convicções que já foram abordadas nos textos anteriores (leia texto 1 e texto 2).

Assistimos muitos vídeos que mostravam as crianças em abrigos, suas expectativas e sonhos em serem adotados, o drama daqueles que por serem maiorzinhos ninguém, ou pelo menos a maioria (cerca de 80%) dos pretendentes a adoção não queriam adotá-los. Confesso que quando chegou nessa parte meu coração ficou muito mexido, por vezes até chorei nesses encontros, pois já sinto um amor tão grande por uma pessoinha que ainda nem chegou, mas que já arrebatou meu coração e sei que muitas vezes ele/ela antes de dormir deve estar pedindo ao Papai do Céu um pai e uma mãe que o/a ame mesmo já sendo “grandinhos”, que o leve para sua casa e o/a proteja e lhe dê muito amor e carinho e também que lhe ponha limites. Enfim, que sejam a família de direito que um dia por circunstâncias adversas a vida lhes negou. É difícil para eu escrever sobre isso sem que meu coração não chore... Afinal estou grávida no coração e as grávidas ficam sensíveis, choram por tudo, não é verdade?

Foi muito gostoso participar dos encontros. Pudemos fazer amizade com os outros casais o que ajuda muito enquanto aguardamos a chegada tão esperada. No último dia fomos desafiados a fazer um desenho de nossa família já com nosso filhinho/a fazendo algo que gostamos muito de fazer, e por fim, a parte que eu desabei é claro e que Paulo suou pelos olhos, pois homem não chora (risos)... Tivemos que fazer uma carta para ele/a falando de nossa expectativa em sua chegada, como nos sentimos com essa espera, o que sentimos por ele/a. Aí aguenta coração! Temos todo material do curso guardado, inclusive, nossa cartinha de amor para quando nosso pimpolho/a estiver conosco ver como foram os preparativos para chegada.

Graças a Deus o parecer final dos psicólogos, do promotor e da juíza foram favoráveis. No dia 15 de julho oficialmente entramos para a fila do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e de lá pra cá lá se vão sete meses de pura expectativa, mas também de muita fé em Deus de que tudo acontece no tempo certo e nosso filho/a tem sido gerado em nossa alma, e que nosso pré-natal está sendo feito com tudo nos conformes e que em breve a bolsa vai estourar e o parto acontecerá.

Sigamos em frente, pois a luta continua. Desistir jamais, fé em Deus, pois certamente ele está ao nosso lado sempre para nos ajudar a atravessar os vales dessa vida até chegarmos aos montes, aos lugares onde desfrutaremos da vitória. Beijo carinhoso.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

"GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": COMO FOI NOSSA ENTREVISTA COM A PSICÓLOGA E COM A ASSISTENTE SOCIAL!

Imagem cedida por Free Digital Photos

Após o sucesso do texto de estreia da coluna "Gestação do Coração", nossa querida Ane conta mais um passo que ela e seu esposo deram, aliás, dois: a entrevista com a psicóloga e com a assistente social. O protocolo de adoção no Brasil é rígido e tudo é averiguado, desde o local e como vive o casal, sua condição financeira, psicológicas, dentre muitas outras. Aos poucos Ane vai nos trazer esse novo mundo, com novas informações e estritamente importantes para quem pensa em gerar seu filho no coração e até mesmo estimular quem já pensou no assunto, mas que depois virou tabu, e até mesmo colocar em discussão a adoção que eles desejam: a tardia, algo mais raro hoje em dia quando pensamos em adoção. Só posso agradecer Ane por cada artigo, pois eu sou uma das que está aprendendo muito com seus textos. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por Ane Bulcão 

Após a correria do fim do ano, estou de volta para continuar minha contando nossa saga em busca do meu tão sonhado filho que estou gerando em meu coração. Primeiro desejo a todas(os) um excelente 2015, que ricas bênçãos do Senhor esteja sobre a vida de cada um de nós, que o tão sonhado positivo se concretize na vida de muitas endoguerreiras, se assim for a vontade de Deus, e também que muitas possam realizar o sonho da maternidade por meio da adoção.

No artigo de hoje, vou contar como foi a visita da assistente social e da psicóloga, que aconteceu no dia 29 de setembro de 2014. Nossa, vocês nem podem imaginar como eu e Paulo ficamos eufóricos. Afinal de contas, a gente tinha colocado os papeis no fórum no final de agosto e, não esperávamos que, um mês após dar a entrada, já teríamos a entrevista, mas eu não me canso de dizer que Deus é lindo!

 Eu lembro que quando recebi a ligação sendo informada de que no mesmo dia teríamos a visita da assistente social aqui em casa e a entrevista com psicóloga no fórum, fiquei imensamente grata ao Senhor. Amigos nossos que já adotaram nos disseram que entre colocar os papeis e serem chamados para o primeiro contato demorou quase um ano. Estou falando isso para mostrar a vocês que as coisas acontecem em nossa vida no tempo de Deus, cada um de nós precisa passar por um determinado processo, que é único e intransferível, mas podem ter certeza que cada fase é muito importante para nos prepararmos devidamente para chegada do filho(a) tão sonhado(a) e esperado(a).

Confesso a vocês que na véspera da visita mal consegui dormir (risos). Me virei de um lado para o outro a noite toda, mas enfim estava pronta para este primeiro contato. Caprichamos na arrumação da casa como a gente costuma fazer quando vamos receber uma visita não é verdade meninas? Essa era uma das visitas mais importantes de nossas vidas. A assistente social chegou cedo e logo começou a anamnese, fazendo questão de me deixar à vontade conduzindo todo processo com serenidade. Foi um bate-papo gostoso e bem descontraído, onde ela nos perguntou várias coisas, como por exemplo: por que queremos adotar uma criança, como é a nossa rotina, qual nossa profissão, qual nossa renda mensal entre outras coisas. Essas perguntas são muito importantes e devo dizer que ninguém precisa se sentir invadido com tantas perguntas. Elas fazem parte do protocolo como uma medida de prevenção e cuidado para com as crianças que possivelmente serão adotadas pelos candidatos.

No decorrer da conversa fizemos questão de deixar claro que a opção pela adoção não era apenas porque não podíamos ter filhos, mas que já era um desejo do nosso coração e uma decisão consciente. Falamos que queremos fazer adoção atípica, fora dos padrões convencionais. Com isso, ela se mostrou profundamente entusiasmada com nosso relato, nos parabenizou e comentou que desde que havia chegado a essa comarca nunca tinha atendido um casal com convicções tão firmes e esclarecidas como a gente estava demonstrando ter. Disse também que estava profundamente emocionada com a nossa história. Ao ouvirmos isso nosso coração se aqueceu e se acalmou, e pudemos sentir que as coisas estavam fluindo naturalmente e, assim, conseguimos nos desprender daquela ansiedade própria de quem está sendo avaliado. Por fim a assistente social já finalizando a visita fez uma breve inspeção em nossa humilde casinha e se despediu nos desejando “boa sorte”.

Já no período da tarde, a segunda etapa era no fórum: a entrevista com a psicóloga. Ao chegarmos lá devo dizer que essa entrevista foi um pouco mais tensa que a primeira. Afinal vocês sabem bem que nesse momento cada palavra ou gesto nosso estava sendo muito bem analisado por ela. Por isso tentamos ao máximo demonstrar naturalidade. Foram feitas as mesmas perguntas da assistente social, porém acrescida de muitas outras, como por exemplo: ela afunilou bastante a questão da adoção tardia, querendo saber se estávamos com essa opção por sentir “peninha” dessas crianças. Tranquilamente respondemos com convicção nossas razões e motivações que nos levaram a essa opção: que é permitirmo-nos nos deixar amar e ser amados por essas pequeninas vidas que também têm direito de ter um lar. Depois ela fez um questionário com inúmeras perguntas a fim de traçarmos o perfil detalhado da criança que queremos adotar, com perguntas do tipo: qual a cor da criança, se aceita adotar criança deficiente, com doenças crônicas, ou doenças tratáveis, soro positivo para AIDS, se aceita adotar irmãos... E muitas outras perguntas que pareciam infindáveis.

De todo processo até agora, essa foi a parte mais chata, pois em um dado momento parecia que eu estava em um supermercado olhando nas prateleiras “qual tipo de criança” levar. Mas a psicóloga nos explicou que esse procedimento é extremamente importante não só para proteger a criança, como também para ajudar muitos candidatos a adoção, que muitas vezes chegam lá com uma visão bastante romântica ou até mesmo equivocada sobre a adoção. Graças a Deus a psicóloga também ficou encantada com nossa escolha, nos parabenizou e nos orientou a participarmos de um grupo de apoio a adoção. Ela disse que pela forma como expomos nossas convicções e como nos portamos durante toda entrevista, nós iríamos contribuir e ajudar a desmistificar muitos tabus sobre a adoção nesse grupo.


A gente se despediu, fomos para casa esperançosos e satisfeitos por ver o processo caminhando direitinho. Ficamos muito felizes por tudo e imensamente gratos ao Senhor por sempre cuidar de nós. Agradeço muito por compartilhar com vocês cada passo desta minha “gestação do coração”. Obrigada pelo carinho do primeiro texto. Um dos motivos que aceitei escrever a coluna quando recebi o convite da Caroline, foi justamente o que disse a psicóloga: desmistificar e tirar os tabus sobre a adoção. No próximo texto falarei como foi o encontro com o grupo de apoio a adoção que aconteceu no fórum em dezembro do ano passado. Um beijo carinhoso e até o próximo artigo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

"ENDO SOCIAL": NOVO PROJETO DE LEI PODE AMPLIAR A LICENÇA-PATERNIDADE PARA 30 DIAS!!

Imagem cedida por Free Digital Photos

O texto do sociólogo Paulo Soares de hoje é uma grande revolução em torno da figura paterna na família. Um vereador de São Paulo fez um projeto de lei para ampliar a licença paternidade de 6 para 30 dias aos servidores públicos. Já aos casais homoafetivos, um terá direito a 30 dias e o outro a 180 dias. Essa notícia foi um dos assuntos mais comentados da última semana e, se aprovado, esse projeto de lei proposto será um passo muito importante na formação da família, afinal, o pai também tem o direito de participar ativamente desde o nascimento do bebê. Parabéns Paulo por discutir em sua coluna um assunto tão importante como esse! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar 


Por Paulo Soares

No último dia 18, foi lançada uma nova proposta de lei pelo vereador Nabil Bonduki sobre o aumento da licença paternidade. Isso mesmo! A ideia inicial é para os servidores municipais paulistas, que terá sua licença ampliada de 6 para 30 dias, independente se o homem for solteiro, divorciado ou viúvo. Aos casais homoafetivos, um deles terá licença de 180 dias e outro de 30. Este projeto de lei do vereador Nabil Bonduki foi lançado no último dia 18, e não tem data a ser discutido na Câmara dos Vereadores de São Paulo.

Hoje abordo esta notícia na coluna “EndoSocial”, pois o projeto abre precedente para o pai adotivo de qualquer gênero. No caso de adoção, por lei, a mulher tem direito à licença-maternidade de 180 dias e o pai de apenas 6 dias. Se o novo projeto for aprovado, o pai terá o direito a 30 dias de licença-paternidade. 

Por enquanto este direito será apenas aos servidores municipais. No entanto, muito em breve será expandido para todos os pais casados, viúvos, solteiros, separados, homoafetivos e adotivos. Pois o que está em jogo é a saúde e o bem-estar da família.

Gostei muito da resposta do vereador quando inquirido sobre o ônus nos cofres públicos, ele respondeu: “Quanto ao ônus adicional, nós temos de avaliar quais os problemas de saúde, os impactos pela falta de condições adequadas para o bebê e mãe que a ausência do pai pode causar”.

Eu acredito, segundo minha ignorância, que esta avaliação ainda não foi realizada a nível qualitativo e nem quantitativo. Mas, penso que é uma medida positiva para o convívio familiar. No mês passado compartilhei em “AVida de um EndoMarido” sobre minha opção e de minha esposa, enquanto casal, de adotar uma criança. Mas também sei a importância desta convivência nos pais que geram um filho biológico, o quanto que o primeiro mês de vida de uma criança pode colaborar na melhoria do cuidado com o filho junto com a mãe, na afetividade e no relacionamento que o pai ou o parceiro terá com a criança.

Se for um pai adotivo, ele terá um mês intensivo para criar uma aproximação com o filho. Se a mãe teve problemas no parto, se teve gêmeos ou mais, se a parceira adquiriu depressão pós-parto, se a criança nasceu prematura, o parceiro pode ser um grande apoio durante os 30 dias iniciais. Sem contar que é uma carga de adaptação, de dúvidas, de cuidados e de estresse que a mãe sozinha tem de carregar sem o pai ao lado, mas com esta nova medida pode ajudar na divisão dessas cargas de novas responsabilidades do casal.

E o ônus aos cofres públicos será pago com o bônus na área da saúde, porque esta proposta de lei ajudará na melhoria da qualidade de vida da família como um todo, corroborando com outras leis que já estão em vigência, bem como, a participação do pai nas consultas de pré-natal, a assistir ao parto do bebê ao lado da esposa e até mesmo estabilidade no emprego no pós-parto para o pai no caso de morte da mãe, gerando um impacto social positivo na sociedade como um todo, pois estas leis estão voltadas para um cuidado com o núcleo da sociedade, que é a família.


Finalmente, gostaria de destacar a importância da presença da figura paterna na família no lado afetivo, sem aquela preocupação financeira na cabeça, sendo ele o único ou principal sustentador da família, pois ele estará amparado por esta futura lei. Espero que esta lei seja aprovada e se estenda por todo território nacional e em todos os setores. Com certeza toda a família será beneficiada e a satisfação de voltar ao trabalho será muito prazerosa. Abraço e até o próximo!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

"GESTAÇÃO DO CORAÇÃO": POR QUE OPTEI GERAR MEU FILHO NO CORAÇÃO?

Imagem cedida por Free Digital Photos
É com grande satisfação que estreamos hoje a coluna "Gestação do Coração", que vai contar a saga de Ane e Paulo em busca do sonho de serem pais. Ane é quem vai escrever a coluna relatando passo a passo como é o processo de adoção no Brasil. Ane é nossa velha conhecida no blog. Ela é esposa de Paulo, que escreve a "Endo Social" e também a "A Vida de um Endo Marido". Já contamos a história dela com a endo e a infertilidade no blog, e com certeza, essa será mais uma coluna com o objetivo de levar mais esperança, mais perseverança e, principalmente, mais amor aos endo casais, em especial, às endo mulheres. Nos outros textos que falamos sobre o tema, vi que há grande repercussão nos grupos, pois há sim muitas pessoas que também optaram por ter seus filhos de coração. Mas, também, há aqueles que torcem o nariz quando o assunto é abordado. Pretendemos tirar o mito de que filho é apenas aqueles que geramos em nossa barriga. Mesmo quando geramos em nosso ventre, de onde vem o amor? Não é do coração? Então, porque não gerar um filho lá?! A coluna vai tratar, em especial, da adoção tardia e também daqueles que são excluídos, como por exemplo, as crianças negras. O filho de Ane e Paulo será de um dos menos propensos a adoção. Meus parabéns ao casal por ter a mente e o coração tão abertos ao amor ao próximo, e por dar chance a uma criança fora do estereótipo de adoção a voltar a sorrir! Por isso tenho certeza do sucesso desta coluna. Aqui abriremos espaço àquelas que querem contar suas histórias com seus filhos do coração. A coluna ficará hospedada em "Superando a Endo Infertilidade". Não podemos nunca perder a fé e a esperança de realizar nossos sonhos. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Por que optei gerar meu filho no coração?

Por Ane Bulcão 

Olá queridos leitores e queridas leitoras! Após contar minha história com a endometriose no A Endometriose e Eu, passo a ser a nova colunista do blog. Na coluna intitulada “Gestação do Coração” vou falar sobre a experiência de gerar um filho no coração... Pois é, como meu esposo Paulo contou no mês passado em “A Vida de um Endo Marido - Por que resolvi ter meu primeiro filho de coração”, não podemos ter filhos naturalmente e a indicação dos médicos de fazermos a FIV está fora de cogitação neste momento, pois o alto-custo do tratamento foge de nossas possibilidades financeiras.

No entanto, isso nunca foi um motivo de tristeza ou frustração para nós, pois bem antes de sabermos de minha doença, ainda quando eu e Paulo namorávamos, nós já tínhamos decidido em adotar uma criança. Sempre tive esse sonho que foi inspirado ao ver meu pai que com muita dedicação lutava para defender os direitos de crianças e adolescentes da pequena cidade onde morávamos na Bahia. Meu pai era conselheiro tutelar e também foi presidente do conselho da criança e do adolescente e isso me fascinava e eu dizia comigo mesma: “Quando eu crescer eu vou adotar uma criança, graças a Deus, Paulo também sempre teve esse sonho. Quando fomos conversar sobre esse assunto, a princípio ambos ficamos apreensivos com medo do outro não aceitar (risos), mas Deus é lindo e sabe o que faz né. Quando resolvemos compartilhar com os amigos sobre a decisão de adotar uma criança, nós ouvimos de tudo um pouco, desde aqueles que nos parabenizaram e incentivaram, aos que tentaram nos dissuadir com argumentos nada sólidos do tipo: diziam que é perigoso adotar porque não se sabe de onde vem a criança e que ela talvez poderia “reproduzir” as coisas ruins que seus pais de repente tivessem feito! Imagina só que loucura.

Mas nós entendemos que filhos são benção de Deus, e que a adoção é um ato de amor sublime e a inspiração encontramos no próprio Pai do céu que nos adotou como filhos através de Jesus Cristo. Também tivemos de saber lidar com a estranheza e preconceito velado de muitos, uma vez que o perfil de criança que escolhemos está fora do padrão convencional dos pretendentes a adoção, pois optamos pela adoção tardia (criança com idade acima de 3 anos até os 7 e meio), e criança negra. Nós conversamos muito sobre isso e os riscos que implicariam nessa decisão, e vamos em frente.

Ficamos imaginando essas crianças que estão nos abrigos vendo as pessoas entrando e saindo de lá com bebês brancos no colo... (essa é a preferência da maioria dos pretendentes a adoção). Penso que por vezes estes pequenos em sua oração antes de dormir peçam a Deus que alguém os escolham para dar-lhes um lar e nos comovemos. Tenho uma amiga que adotou uma criança, e ela me falou que certa vez quando ela foi num abrigo olhar algumas crianças, uma menina de uns 5 ou 6 puxou a barra de sua saia e disse-lhe: “Tia me adote, eu vou ser uma boa filha, vou arrumar meu quarto e te obedecer!” Nossa, meu coração se encheu de compaixão e amor e se antes eu tinha alguma dúvida com este testemunho de minha amiga, elas se acabaram. Essas crianças necessitam de um lar onde elas se sintam amadas e protegidas. Eu acredito que nós seres humanos estamos em constante formação, nunca prontos e acabados, por isso a máxima de que seria impossível educar uma criança maior por que ela já estaria com seu caráter e personalidade formados, na minha concepção não passa de clichê ou desculpa para não adotar, uma vez que educar uma criança grande demandaria maior esforço e dedicação, e sobretudo, muito amor para não desistir tão facilmente desta vida. Caso venham surgir problemas, isso não significa que esta tarefa seja impossível. Sei de uma coisa, Deus nos ama incondicionalmente e não desiste nunca de cada um de nós, mesmo quando somos rebeldes e lhe voltamos as costas, por isso eu acredito no poder transformador do amor.

E foi nessa certeza que no final do mês de agosto eu e Paulo demos entrada com a documentação no fórum da nossa região aqui em São Paulo, dando início oficialmente, à nossa gestação no coração. Como toda gestação leva um tempo desde o início até o fim pretendemos compartilhar cada passo e progresso que fizermos neste processo, com todos os leitores do blog, que também abriram seus corações para este nobre ato de amor e que entendem que ser mãe ou ser pai é muito mais do que gerar, é também quem cria com todo amor e carinho. E àqueles que de repente não se sentem preparados para adotar, entendo que nem todos estão prontos para tal, isso é direito que cada um tem, mas por favor uma dica que dou (somente aos que fazem isso, tem gente que não faz) se você não quer também não precisa ficar tentando fazer mudar de ideia quem deseja adotar com os argumentos já citados acima, pois assim como as crianças que estão nos abrigos, tem direito de ter uma família que as ame, essas pessoas também tem direito de se permitirem ser “adotados” por uma criança e vivenciarem esta linda experiência de serem mães e pais.


Devo dizer que cada progresso feito será relatado aqui, de acordo com o andamento do processo, por isso creio que isso não acontecerá mensalmente, pois como nós sabemos aqui em nosso Brasil o processo de adoção não é tão rápido. No próximo texto contarei como foi a visita da assistente social na nossa casa e a entrevista com a psicóloga no fórum, como nos sentimos nos dias que antecederam a este momento. Espero do fundo do meu coração que essa coluna possa levar ainda mais esperança aos endo casais que se encontram na mesma que eu e meu marido, e que ela ensine a todos nós como é dar um lar a uma criança que precisa de muito amor. Fiquem com Deus. Um beijo carinhoso!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO": POR QUE RESOLVI TER MEU PRIMEIRO FILHO DE CORAÇÃO?


imagem cedida por Free Digital Photos


Hoje a coluna "A Vida de um EndoMarido" aborda uma questão que assombra muitos casais, em especial, aos endocasais: a infertilidade masculina e a feminina. Um em cada cinco casais tem algum problema de infertilidade. Isso representa cerca de 20% da população mundial. No mundo todo cerca de 50 a 80 milhões de pessoas afetadas pela infertilidade, no Brasil cerca de 14 milhões. Neste texto emocionante, nosso endomarido, Paulo Soares, conta quando e por que ele e a esposa, Ane, decidiram partir para a adoção, e adiar a fertilização in vitro. Filhos são bênçãos de Deus, e não importa se ele vem de forma natural, por meio de reprodução assistida ou por adoção. Todos são enviados de Deus! A adoção é uma forma de amor incondicional, que a meu ver, é a mais suprema de todas. Hoje vemos tantos pais e mães maltratando seus filhos, que pais são aqueles que criam, independente do DNA, ou do sangue. Pais são aqueles que geram seus filhos no coração, antes de qualquer outro lugar. O desejo do seu coração tem de ser mais forte que E o que mais me chama atenção na vontade de adoção de Paulo e Ane é o fato de eles desejarem seu filho fora dos padrões que os adotantes desejam. Uma história para ler e se inspirar. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Por que eu e minha esposa resolvemos ter nosso filho de coração?

Por Paulo Soares 

Neste artigo gostaria de falar sobre adoção de crianças pelos endocasais, como um caminho para se ter um filho/filha. Quando eu e Ane ficamos noivos, decidimos que iríamos adotar uma criança, sendo que ela seria fora do perfil mais procurado. Queremos uma criança negra, masculino ou feminino e com idade acima de 2 anos.

Hoje essa decisão está mais perto de se realizar. Há um mês dei entrada no pedido de adoção no Fórum de São Miguel Paulista, na Vara da Infância e da Juventude. Mas antes de chegar neste ponto da história, gostaria de explicar por que temos esse desejo de adotar uma criança. Primeiro, a opção pela adoção foi do casal, ou seja, dos dois, um não precisou convencer o outro sobre adoção. E vemos nesta atitude, uma ação divina, pois Deus adota, cada um, que crê nele. Por isso, meu coração batia forte quando assistia alguma reportagem sobre adoção e/ou quando visitava abrigo de crianças para ajudar com doações ou servindo de alguma forma no local.

Segundo, quando conheci Ane, ela me contara que seu pai foi conselheiro tutelar da cidade, e como na cidade não havia abrigo, eventualmente uma criança ficava abrigada na sua casa até a justiça resolver o que faria com ela.

Mas, nosso plano era ter o primeiro filho/filha de forma natural. No entanto, a situação mudou. Dois anos depois de casados, descobrimos que Ane tem endometriose grau IV, ou seja, endometriose severa. Nós morávamos na Bahia, mas como lá não havia tratamento para endometriose pelo SUS, resolvemos nos mudar para São Paulo para ela se tratar no Hospital São Paulo – UNIFESP. E, graças a Deus conseguimos, Ane fez cirurgia por vídeolaparoscopia para retirada dos focos. Mas, infelizmente, nela descobrimos que suas duas trompas ficaram obstruídas por conta da endometriose, e este problema diminuiu a chance de termos filhos naturalmente.

A esperança estava em mim, se meus espermatozoides estivessem normais. No entanto, após exames de espermograma, foi diagnosticado que meus espermas tinham pouca quantidade, qualidade baixa e formas anormais. Isso se deu ao fato de eu ter feito tratamento de quimioterapia quando criança. Segundo os médicos, eu possuo apenas 5% de chances de gerar um filho naturalmente. Com o resultado meu chão abriu, eu não podia acreditar, como assim? Eu não podia gerar um filho/filha? A gente com a cabeça de homem pensa logo: que tipo de homem eu sou, que não consigo ter um filho/filha, dá aquela sensação de inutilidade ou de inferioridade. Para esta situação eu busquei força em Deus e na minha família, especialmente, na minha esposa, que sempre ficou ao meu lado me apoiando.

Quando falamos com o médico sobre qual seria a possibilidade de engravidar, ele respondeu que apenas por Fertilização in Vitro - FIV. No primeiro momento aceitamos, mas quando ele falou o valor do tratamento, no qual seria cobrado apenas os medicamentos, na quantia de mais ou menos R$ 10.000,00 pela UNIFESP, eu e minha esposa pensamos, não dá! Vai quebrar nossa vida financeira, estamos recomeçando do “zero” nossa vida aqui em São Paulo. Pesquisamos em outros hospitais ou clínicas, em vão, estavam cobrando quase o mesmo valor ou mais. Outras clínicas davam a opção da doação de óvulos com tratamento gratuito, mas recusamos. Fomos informados que no Hospital Pérola Byington realizava a FIV gratuitamente pelo SUS, mas a fila de espera é imensa. E teríamos de refazer todos os exames pelo SUS para comprovar a infertilidade do casal. Não obstante, minha esposa já tem 34 anos, e, com a espera pelo tratamento, provavelmente, chegaria aos 39 anos, ou seja, uma idade de risco para realizar a FIV e o hospital não aceitaria mais fazer o tratamento por causa da idade avançada dela.

Todos esses problemas nos fizeram refletir. Em vez de investirmos numa FIV, que tinha muitas chances de dar errado, e ter que pagar para fazer de novo, eu e Ane decidimos adiantar a adoção e gestar nosso filho/filha do coração, pois a criança está lá em algum abrigo precisando de uma família, precisando de um lar e de uma oportunidade melhor de vida. E eu penso que a adoção é muito mais humano e divino.

Como disse no início do texto, nós já tínhamos o desejo de adotar, não estamos adotando pelo fato de não ter outro jeito, nós estamos adiantando um sonho. E a FIV, não perdemos a esperança. Descobrimos que na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, também existe o programa de tratamento para infertilidade pelo SUS, e menos burocrático que pelo Hospital Pérola Byington, mas por enquanto o sonho da FIV será adiado.

Bom, espero que este depoimento ajude muitos endocasais a refletir na decisão de ter um filho. Eu acredito que a adoção é um bom caminho para se ter filho/ filha. Deus sabe de todas as coisas, e precisamos confiar Nele e em suas decisões. Abraço grande a todos!