sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A HISTÓRIA DA PORTUGUESA LAETITIA CARVALHO E SUA ENDOMETRIOSE UMBILICAL!!


Assim que publicamos o texto "O que você precisa saber sobre a endometriose de pele (de cicatriz e de umbigo) recebi o comentário desta querida leitora portuguesa relatando um pouco de sua história com a endometriose umbilical. Como fala no texto do médico e cientista americano doutor David Redwine, Laetitia nunca havia feito cirurgia anterior. Muitos médicos acham que a endometriose no umbigo só se dá após alguma cirurgia, mas a história abaixo confirma o texto do doutor Redwine. Imediatamente convidei-a a contar seu testemunho aqui para ajudar-nos a acabar com alguns mitos da endometriose. Já pensou você menstruar e sangrar mais de 20 dias pelo umbigo também? Pois é, esta é mais uma história de uma endoguerreira que vai inspirar você a seguir em busca de um diagnóstico para suas dores, mesmo que os médicos não deem tanta importância às suas dores. Nunca se esqueça: somente você sabe o que você passa. Quer ter sua história publicada no A Endometriose e Eu? Conte sua história detalhada com a endo e envie para carolinesalazar7@gmail.com com o título História das leitoras junto com sua foto. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

"Meu nome é Laetitia Carvalho, tenho 29 anos e moro em Cascais, Portugal. 

A primeira vez que menstruei tinha 13,14 anos e lembro-me de ter tido umas dores horríveis e umas cólicas que nunca mais acabavam. Mesmo tomando pílula, havia meses em que desmaiava, ou ia parar ao hospital, ora perdia muito sangue ora não perdi sangue nenhum. Foi assim até aos 22 anos.

Em novembro de 2007 deixei de tomar a pílula e engravidei em Janeiro de 2008 da minha primeira filha. Tive uma gravidez sem problemas e um parto normal. Voltei à pílula e as dores já não eram tão intensas e suportavam-se bem. Foi assim durante 4 anos e meio, altura em que voltei a ter dores, a ter perdas de sangue mesmo antes de acabar a toma da pílula e que decidi engravidar pela segunda vez.

Estávamos em novembro de 2013 quando parei de tomar a pílula e começou novamente o pesadelo... dores sem fim, cólicas horríveis, dores pélvicas (que nunca tinha tido antes), dores à volta do umbigo sempre que vinha a menstruação e um cansaço extremo. Claro que atribui alguns dos sintomas ao trabalho que tinha.

Passado seis meses, as dores pélvicas, muitas vezes, não eram suportáveis e as dores à volta do umbigo já não eram só quando menstruava, também as tinha durante o período de ovulação. Nessa altura, quando menstruava, também tinha perdas de sangue pelo umbigo. Gravidez... nem pensar!

Em maio de 2014 decidi ir à médica de família apresentar as queixas. Mas a respostas não tardou a vir. "Essas dores são normais, já as tinha quando era mais nova. Em relação ao umbigo, isso é uma infecção por não ter cuidado com a higiene dessa zona." No mês seguinte voltei à médica de família, pois as perdas de sangue pelo umbigo, já não era só quando menstruava, eram também quando estava no período de ovulação. As dores já eram mais acentuadas e o cheiro era tudo menos agradável, mas a respostas voltou a ser a mesma.. "Se está sempre a mexer na infecção, como quer que isso passe?" Lá passei o verão cheia de dores cada vez que tinha a menstruação e sempre a sangrar do umbigo, até que no dia 16 de setembro de 2014 a minha vida mudou por completo.

Estava a ajudar a criança nos trabalhos da escola quando sinto uma pontada estranha na zona do umbigo, levanto a camisola e estava a sangrar imenso. Claro que o marido assim que se deparou com aquele cenário, mandou-me direta para o hospital, eu não queria ir, mas ele insistiu. Dei de jantar à filha, coloquei-a para dormir e lá fui para o hospital. Esperei cerca de uma hora (o que nos nossos hospitais é um milagre) para ser atendida.

Quando o médico me viu entrar na sala, além de espantado, perguntou-me logo o que me levava ao hospital aquela hora da noite (eram cerca das 22h30) e eu disse-lhe "Doutor preciso de ajuda para isto" (ao mesmo tempo que levantava a camisola).

Ele olhou e disse logo: "Ou eu muito me engano, mas a menina tem endometriose". A minha reação foi: "Endo quê? Traduza para português e explique-me faz favor." Mais direto que isto o senhor não podia ter sido e depois de me dar uma explicação muito breve, perguntei-lhe o que devia fazer e ele respondeu para eu ir à minha médica de família solicitar uma consulta de ginecologia no hospital da minha região ou então procurar um ginecologista particular.

Quando cheguei a casa e depois de investigar um pouco mais sobre a doença, falei com o marido e optamos por um ginecologista particular, tendo em conta que com a médica de família nunca me iria safar, porque para ela isto era uma simples infecção.

Consegui consulta com um ginecologista particular para o dia 20 de setembro de 2014, expliquei-lhe o que se estava a passar e os meus planos para uma segunda gravidez e assim que ele dá a confirmação de endometriose. Só me lembro de chorar, chorar, chorar e de ele me pedir calma que tudo se ia resolver, que ele estava disposto a ajudar. Como a endo é uma doença que acaba por ser dispendiosa, ele resolveu falar com um colega que trabalha com ele na Maternidade Alfredo da Costa (hospital público em Lisboa), combinamos um dia e uma hora para nos encontrarmos os três para realizar uma nova ecografia. Fui à MAC no dia 7 de outubro realizar a dita ecografia. Estava tudo ok com o útero, ovário direito apresentava uns cistos não preocupantes e os sacos de Douglas estavam impecáveis. Sendo assim, o ideal era mesmo engravidar.

Passaram seis meses, além de não ver a gravidez, as dores tinham piorado. O nódulo no umbigo tinha aumentado, comecei a perder sangue pelo umbigo durante 20 dias seguidos e o cheiro já era insuportável. Mantive o ginecologista a par da situação e em março telefonou-me para ir ter com ele à MAC para marcar uma consulta de fertilidade.

Tivemos a primeira consulta no dia 14 de abril. Depois de todas as perguntas feitas tanto a mim como ao meu marido, o médico diz: "O seu ginecologista disse-me que você sangra do umbigo quando está menstruada", ao qual respondo muito depressa: "Eu sangro durante 20 dias". O doutor pediu para ver, observou e pegou no telefone "Vem cá abaixo buscar um processo porque a menina não pode continuar assim". Senti-me perdida. Uma funcionária do hospital veio buscar o processo, acompanhou-me ao serviço de fertilidade, onde estava uma médica a minha espera. A doutora pegou no nódulo (comecei a chorar com tanta dor), disse que já estava muito grande e rijo e perguntou-me se eu trabalhava, respondi afirmativamente, então perguntou-me como conseguia trabalhar. Ficou chocada com a quantidade de medicação que tomava e disse-me que eu tinha que ser operada. Fez um relatório clínico para um outro hospital (que faz parceria com eles) para ser operada o quanto antes pela cirurgia plástica, porque eu não podia continuar assim nem mais um dia. Foi então que começou novamente o pesadelo.

Já tinham passado três semanas desde que o pedido tinha sido feito e ainda não tinha obtido qualquer resposta do hospital em questão. Então no dia 4 de maio de 2015 dirigi-me ao mesmo e a resposta que obtive é que o pedido tinha sido rejeitado por não morar na região (eu moro em Cascais e o hospital era em Lisboa) claro que a minha resposta não foi meiga e saí de lá superfrustrada.

Nesse mesmo dia, em conjunto com o marido e como tinha o tal relatório clínico escrito pela MAC, dirigi-me ao Hospital São Francisco Xavier e que fica mais perto da minha residência. Fui atendida por uma médica cinco estrelas, que conhecia de endometriose e que passou um pedido de consulta urgente para o Hospital de Santa Cruz. Logo consegui a consulta para o dia 12 de maio. Fiquei contente e superentusiasmada. O pesadelo poderia estar a chegar perto do fim.

Quando chego à consulta e explico tudo à médica a resposta foi: "Eu não a posso operar, tem que ser a ginecologia". Contei até 10 e disse-lhe: "Como não pode, se está aqui o relatório que tem que ser vocês, porque têm que reconstruir o umbigo e a ginecologia não o faz? Está a gozar comigo? E acho ainda mais triste a forma como o Sistema Nacional de Saúde funciona, acho triste descontar o que descontam e andar nisto há quase dois anos. Acho triste, se calhar ter que ir procurar uma solução no estrangeiro" (entretanto já estava lavada em lágrimas). Então a doutora pediu o meu número de telefone, disse que ia expor o meu problema aos colegas e que até o dia 16 de maio me dizia alguma coisa e assim foi. No dia combinado por ela recebi a ligação a dizer que seria operada no dia 23 de junho e se houvesse alguma alteração que me avisavam.

No dia 28 de maio recebo uma chamada do Hospital Egas Moniz a perguntar se eu estaria interessada em ser operada no dia 3 de junho. Depois de ter perguntado umas quantas vezes se estavam a falar a sério, disse que sim lavada em lágrimas e a tremer. No dia seguinte apresentei-me no hospital para fazer exames, ter a consulta de anestesia e saber a hora do internação.

Entrei no hospital no dia 2 de junho e fui operada no dia 3 de junho às 12h. A operação durou 1h45m, retiraram um nódulo de 2,5cm, e fizeram um umbigo novo :) Todas as semanas tinha que ir ao hospital fazer o penso e colocar uma compressa redonda no umbigo novo para que começasse a ganhar forma. Tive que usar cinta durante dois meses e não fazer qualquer tipo de esforço. A primeira vez que ganhei coragem e olhei para o umbigo novo não gostei e só me apeteceu chorar. Estava tão estranho. Mas com o passar do tempo lá me fui habituando e adorei o resultado final :) Quem o vê nem diz que é "falso" e que o trabalho ficou cinco estrelas.

Fez este mês, quatro meses que fui operada, mas continuo com muita dor (e não preciso estar com a menstruação), continuo sem conseguir fazer certos movimentos e quando me esforço um pouco mais o corpo dá logo sinal. Sinto que ainda não recuperei a qualidade de vida que a endometriose me fez perder.

Continuo a ser seguida na consulta de fertilidade da MAC, já estou a tomar um suplemento que ajuda na gravidez e não prejudica a endometriose. Já tenho a requisição para fazer uma histerossalpingografia (gosto mais de dizer que é o exame para ver as trompas de Falópio, é menos complicado). Assim que vier a menstruação este mês, vou logo ao hospital marcar o exame. Depois, consoante o resultado, logo veremos as soluções que o médico irá apresentar.

Neste caminho que já vai longo descobri a Mulherendo, o blog A Endometriose e Eu e Conversa de Endogirl :) Foi onde aprendi a conhecer melhor a doença e a saber lidar com a ela, onde muitas vezes encontro a compreensão :)

Olhando para trás, o único arrependimento que tenho, foi não ter procurado logo um ginecologista. Só tenho a agradecer à insistência do marido, à paciência da filha, à compreensão de certos membros da minha família e de amigos que se revelaram mais do que 10 estrelas e, claro, aos dois ginecologistas que seguem o meu caso.


Uma das frases que mais gosto e que quando estou mais para baixo se adequada perfeitamente na minha pessoa é: "The minute you think of giving up, think of the reason why you held on so long" Espero um dia recuperar a qualidade de vida... Beijinho carinhosos :) Laetitia"

4 comentários:

  1. Olá meu nome é Márcia estou a 2 anos com uma endometriose umbilical.... e tenho medo de me operar mas isso incomoda.... as vezes fico tempos sem sentir dor local mas tem épocas que foi . ..

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  2. Olá meu nome é Márcia estou a 2 anos com uma endometriose umbilical.... e tenho medo de me operar mas isso incomoda.... as vezes fico tempos sem sentir dor local mas tem épocas que foi . ..

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  3. Olá, hoje através de pesquisar no youtube,soube do Blog, que maravilha, tenho endometriose umbilical, devido a tantas idas ao médicos ginecologistas desde jovem, passando mal todo mês, sendo carregada para o ambulatório no meu trabalho, e os médicos dizendo que tendo um filho tudo mudaria, engravidei com 19 anos,mas fiz cesaria, nada mudou, hoje mesmo com tratamentos, desenvolvi a endo umbilical, aguardo pelo SUS uma avaliação médica, só DEUS sabe quando, os valores para fazer particular não estão ao meu alcance no momento. Não é fácil! mas penso de que há problemas piores e lido bem com a situação. abraço, Satisfação Caroline!

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  4. Olá, meu nome é Larissa e vou contar meu caso de endometriose umbilical.

    Parei de tomar o anticoncepcional em julho de 2016 para engravidar e em novembro de 2016 começou um sangramento no umbigo e com dor ao redor. Tenho cólicas menstruais, mas nada muito intenso.

    Procurei minha ginecologista e de cara ela disse que poderia ser endometriose umbilical pois ela já tinha tido uma paciente com os mesmos sintomas que tinha. Fiquei desesperada.

    Ela me passou então o exame de sangue CA 125 e um ultrassom do umbigo e já falou para eu procurar um cirurgião pois teria que ser retirado se fosse mesmo endometriose.

    Fiz os exames e no final de janeiro levei os resultados ao cirurgião. Os dois exames não indicaram endometriose, mas o ultrassom mostrou um pediculo vascularizado (nódulo), que de acordo com o cirurgião teria que ser retirado senão continuaria a me incomodar.

    Assim, com muito medo marquei a cirurgia para 7 de fevereiro. Após a cirurgia o médico veio me falar que não tinha corrido como o esperado. Imagina meu desespero de novo.

    Ele disse que quando abriu viu uma lesão parecida com endometriose e que então fez uma raspagem total e mandou para a biópsia, além disso tinha sido necessária a reconstrução do meu umbigo com uma pequena cirurgia plastica. Lá estava eu de umbigo novo...kkkkk

    Na hora fiquei nervosa, mas ao mesmo tempo feliz por já ter sido retirada.

    Minha recuperação foi boa, fiquei 15 dias em repouso absoluto e agora (1 mes e 2 dias depois) já estou trabalhando normal, só sem fazer esforço fisico. Não sinto quase dor nenhuma mais, só se coloco calça mais apertada no abdomem, por isso estou usando mais vestidos. Não tive que usar compressa, nem nada, e meu umbigo ficou muito bom..kkkkk

    Agora vou fazer uma ressonancia na pelve para ver se existem focos que prejudiquem uma gravidez e confesso que estou apreensiva.

    Laetitia Carvalho, você conseguiu engravidar?

    Bem, este é o meu relato, sigo na esperança de engravidar logo.

    Beijos =)

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