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sábado, 12 de janeiro de 2013

A HISTÓRIA DA PORTUGUESA CARLA CERQUEIRA E SUA ENDOMETRIOSE!!

A primeira história a ser contada em 2013 é muito especial, não só por ser de uma endomulher que mora fora do Brasil, mas pelo fato de ser de uma grande endoirmã, a minha querida Carla Cerqueira, de Lisboa, Portugal. Realmente existem coisas inacreditáveis neste mundo. É muito triste quando você se depara com uma doença tão cruel como a endometriose. Se alguém contasse que iria passar por tudo que passei, eu falaria: “Ah, tá, então vou morrer e nascer de novo! Porque não irei aguentar. Mas de que adiantaria morrer, se eu tenho é de resolvê-la?”, pergunto eu. Porém, no meio do caminho encontramos pessoas tão incríveis que hoje digo: “Obrigada Senhor por tudo que me destes. Mesmo com todo meu sofrimento (que não desejo a ninguém, afinal, foram 21 anos morrendo de dores), sempre tive fé de que haveria luz no fim do túnel.” Dentre estas luzes, conheci mulheres fantásticas que sofriam como eu. Tenho várias destas endoirmãs no meu coração espalhadas mundo afora. E a Carla é uma delas. É impressionante o que acontece conosco. Ainda não a conheço pessoalmente, mas é como se a conhecesse. E sei que em breve irei conhecê-la. Só eu estar num dia triste e lá vem uma mensagem carinhosa dela. Parece que ela soube lá em Portugal que eu estava assim. Trocamos confidências e sei que o carinho é verdadeiro, sincero. É impressionante e sei que o bem atrai o bem. Faz uns dois anos que a gente se conhece, mas parece que somos amigas de infância. Muito engraçada nossa sintonia!

Ao ler seu testemunho, pela primeira vez, meus olhos encheram de lágrimas. Transportei-me à sua história e recordei de partes dela. Porém, confesso que fiquei bem emocionada ao relembrar de quanto ela foi guerreira (como todas nós!). Penso que não foi fácil, mas graças ao apoio do marido, ela deu a volta por cima e transformou seu sofrimento em solidariedade. Ela ajuda muitas mulheres com palavras de conforto e carinho no grupo de apoio de seu país, o MulherEndo. O mais confortante foi vê-la dizer que relembrar tudo isso deu-lhe ainda mais força e paz. Com certeza, sua história irá salvar muitas vidas femininas do sofrimento, mostrando que existe luz no fim do túnel. E agradeço muito por ela contar estes momentos de sua vida no A Endometriose e Eu. É o blog mais lido do mundo sobre endo, em busca do reconhecimento da endometriose como social no Brasil. Acho que após a matéria da revista Women’s Health Brasil (a revista mais importante sobre saúde da mulher no mundo), estamos no caminho certo. E fico emocionada também, pois sempre quis contar histórias de mulheres de outros países. A da Carla foi a segunda, a primeira foi da americana Candice Frederiksen, que tem endo na pelve e nos pulmões. Quer ter sua história com a endometriose contada aqui? Escreva para carolinesalazar7@gmail.com Beijos com carinho!! Caroline Salazar


“Meu nome é Carla Cerqueira, tenho 32 anos e moro em Lisboa, Portugal. Sou casada há sete anos, após 4 anos de namoro. Em 2008, descobri que tinha ovários micropolicísticos (tinha ciclos enormes e não ovulava), fiz eco que confirmou! Após seis meses comecei a usar o Dufine para ajudar na ovulação. Após 11 meses engravidei. Em 26 de Fevereiro de 2009, a Mariana nasceu e, depois de 7 meses de amamentação e com a vinda da menstruação, vieram também as dores. Fui a minha ginecologista de sempre que ao fazer toque sentiu uma massa. Ela pediu para fazer eco durante 3 meses (uma por mês ) e recebi o diagnóstico de endometrioma (nota da editora: endometriose nos ovários) que não parava de crescer. Isto sempre tomando a pílula Mercilon. Ficou decidido que a cirurgia seria para tirar o endometrioma e ver se a endometriose estava em algum órgão. As minhas dores sempre foram mais a nível intestinal e sexual. Houve fases em que eram quase diárias... tive dias que nem sabia como aguentava tantas dores. Era uma tortura ir ao banheiro! Gritava e chorava por conta das dores para evacuar! O sexo era doloroso e por vezes até evitava!


Em 14 de Janeiro de 2011 dei entrada e fui submetida a laparoscopia. Sabia que a situação esteva feia, mas não pensei que fosse tanto! Tinha endometrioma no ovário esquerdo, aderências nos ovários, nas trompas, na bexiga e nos intestinos e adenomiose (nota da editora: endometriose dentro do útero). A médica limpou o mais que pode. Perdi muito sangue e quase fui submetida a laparotomia (nota da editora: cirurgia aberta, tipo a cesárea), tal era o estado em que eu estava. Ver e ouvir a médica a falar nisto quase a chorar mexeu-me imensamente comigo, pois não sabia quase nada sobre esta doença. Passados uns meses queixei-me com dores intestinais e voltei à nova consulta! Tomei Lucrin (nota da editora: remédio para induzir a menopausa precoce, para não haver a produção de hormônios) por 3 meses e adorei a menopausa! Tive uns três calorões que passaram em pouco tempo. Fiz uma colonoscopia (nota da editora: exame endoscópio do intestino grosso), mas como não foi feita por um especialista não acusou nada. Fui aconselhada a procurar um especialista e, por meio de pesquisas, encontrei a doutora Filipa Osório, uma médica fabulosa e muito humana. No fim de 2011 iniciei exames. Fiz ressonância magnética pélvica, eco pélvica vaginal e eco renal e vesical. Acusou tumor reto vaginal, cisto paratubário, aderências nos intestinos e nos ligamentos uterossacros e adenomiose

Ia com o risco de ser necessária anastomose do intestino (nota da editora: sutura entre dois segmentos do tubo digestivo para a reconstituição do trânsito intestinal) e o meu maior medo era a colostomia (nota da editora: bolsa afixada no abdômen, por meio de uma incisão, com o objetivo de drenar as fezes, quando o intestino grosso, reto ou ânus não funciona normalmente), mas felizmente não foi necessária. Fui operada pela doutora Filipa em 17 de Abril de 2012, pelo meu plano de saúde e correu tudo muito bem. E uns tempos após cirurgia sinto-me muito bem... os intestinos trabalham que é uma maravilha e a minha vida sexual melhorou imenso. Só isto para mim é a felicidade pura! Por isso digo que após uma cirurgia é sempre a melhorar e não há que ter medo que ir ao médico. O nosso corpo dá sinais e temos de saber decifra-los  Após a cirurgia tentamos engravidar com a ajuda de medicação para menstruar e ovular. Neste momento decidimos parar por uns tempos porque passei mal com a medicação e seus efeitos secundários. A nosso ver, saber parar também tem a sua sabedoria. Afinal, temos uma filhota linda que precisa de mim 24h por dia. Sou Mãe a Tempo Inteiro com muito orgulho! A minha Pipoca merece ter a mãe como sempre teve. Com energia e paciência. Beijos com carinho!!" Carla Cerqueira

sábado, 5 de fevereiro de 2011

NA EUROPA, A ENDOMETRIOSE JÁ É UMA DOENÇA SOCIAL!!

Eu quero muito morar em um país onde, pelo menos, a maioria da população tem acesso a educação e a saúde. Um país onde os polítios não roubam, ou se roubam são punidos. Um lugar onde as leis funcionam, onde rico e pobre tomam café da manhã no mesmo lugar. Onde a saúde pública funciona, ah, e o transporte público também. Bom, enquanto isso não se realiza, cumpre aqui a minha função de jornalista e a minha missão de portadora de endometriose: a de informar sobre a doença. Mas, o que fazer, se no país onde você mora, a maioria das pessoas não tem quase nenhuma informação e, o pior, não querem escutar quando alguém começa a informar sobre a doença. Muitos acham que a endometriose é uma gripe e que vai melhorar com um analgésico, que a endometriose é igual em todas as mulheres, que têm os mesmos sintomas e, que, se uma portdora tem a sua vida normal, todas podem ter. Outro dia escutei isso de uma amiga. “A fulana tem endometriose e tem a vida normal. Trabalha, sai faz tudo.”. “Que ótimo. Ela tem muita sorte”, respondi. Alguém acha que é legal ter endometriose? Alguém acha que eu queria ter endometriose? Alguém acha que eu queria ter interrompido o sonho da minha vida, em uma primeira oportunidade que tive e, que lutei sozinha por ela? Alguém acha que é bacana sentir uma dor horrorosa, tomar um monte de Buscopan Composto, não ter vida social, não ter uma relação de mulher com o seu namorado? Há anos, eu não tenho vida social. Nem me lembro a última vez que saí! Alguém acha que eu queria ter também a dispareunia? E, que, fazer a fisio uroginecológica (massagem com os dedos no períneo) é legal? Não, né! Pesquisando na net achei um artigo muito bacana sobre políticas que os países Europeus já adotam. É de um blog sobre endometriose de Portugal. Pelo título do post, já dá para perceber do que se trata. Enquanto na União Européia, a endometriose já é considerada uma doença social, que atinge cerca de 10% da populção feminina, no Brasil, estima-se que 15% das mulheres têm a doença e, quase não existe médico especialista na área por aqui. Agora, o que é mais grave ainda, é que muitos ginecologistas desconhecem (e eu fui em um desses, uhhh que nojo) e outros não acreditam na doença, é mole! Médico especialista que atende pelo convênio, então, é raríssimo. Eu só encontrei um excelente médico especialista na doença, porque eu estava na UNIFESP. Graças a minha amiga Luciana Palmeira (um anjo em minha vida). Reproduzo aqui, com crédito e link do blog, alguns trechos da matéria.

A Endometriose é uma doença com tamanha expressão, que é hoje reconhecida como uma doença social. O seu impacto na sociedade é tremendo, e é considerada como um grave problema de saúde pública. Este reconhecimento levou mesmo a uma tomada de decisão pelo Parlamento Europeu em Abril de 2004 e que a seguir se transcreve.

Declaração escrita sobre a Endometriose

O Parlamento Europeu,

- Tendo em conta o artigo 51º do seu Regimento,

A. Reconhecendo que a endometriose é uma situação médica que afecta uma em cada dez mulheres da União Europeia,

B. Observando que, cada ano, na União Europeia, os custos das baixas ligadas à endometriose são estimados em 22.5 mil milhões de euros,

C. Constatando que não existe um Dia Europeu da Endometriose e que, nos Estados-Membros, nem as profissões médicas nem o grande público estão sensibilizados para esta doença.

1. Exorta os Governos nacionais dos Estados-Membros e a Comissão a sensibilizarem a opinião pública para a afecção debilitante que constitui a endometriose e a criarem, para esse fim, um Dia europeu anual para e endometriose;

2. Solicita aos Governos nacionais dos Estados-Membros que promovam o Dia Nacional da Endometriose;

3. Convida a Comissão a incluir a prevenção da endometriose nos próximos programas de acção comunitários no domínio da saúde pública de modo a permitir o desenvolvimento da investigação sobre as origens, a prevenção e os tratamentos desta doença;

4. Encarrega o seu presidente de transmitir a presente declaração, com nome dos signatários, ao Conselho de Ministros e à Comissão.

O mais relevante desta declaração, é o reconhecimento da pouca sensibilização do grande público e dos médicos para reconhecerem os sintomas e diagnosticarem a doença. O que leva a um atraso substancial no seu diagnóstico. Estima-se em aproximadamente oito anos o tempo que medeia entre os sintomas e o diagnóstico. E se após o diagnóstico, não for instituído um tratamento adequado a Endometriose continua a sua progressão. Sobretudo em fase mais avançada da doença, onde a cirurgia é inevitável. Porque a Endometriose é uma doença progressiva.

O número de mulheres que hoje em dia sofrem de Endometriose é de aproximadamente 10% da população. Este número tem aumentado nos últimos anos provavelmente devido a efeitos ambientais (por exemplo, as dioxinas) sobre a génese da doença.

Calcula-se que 25 a 45% das mulheres com infertilidade têm endometriose.

Em mulheres com dor, tantas vezes incapacitante, calcula-se que a endometriose atinja 54% desse grupo de mulheres.

Nos EUA cerca de 4 em cada 1000 mulheres entre os 15 e os 64 anos são hospitalizadas cada ano devido a endometriose, o que representa um número maior do que acontece por exemplo, no cancro (câncer) da mama.

Por outro lado, algumas mulheres com endometriose são incompreensivelmente assintomáticas.

Os casos particulares, mas menos frequentes, estão relacionados com Endometriose à distância em órgãos fora da cavidade abdominal, tal como o pulmão, o nariz ou a pele.

Para mais informações acesse: http://www.endoags.org/pt/endometriose.swf

Bom, não preciso dizer mais nada! Quem me conhece sabe aonde eu quero morar! Beijos com carinho!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MUITO TRABALHO, NOVOS SEGUIDORES NO BLOG E MANCHAS ESQUISTAS PELO CORPO!

Olá meus queridos!
Eu sumi, né! Passei aqui só pra dizer que o motivo foi trabalho. Estou sem trabalho, mas peguei um frila. Descobri que sou muito competente e uma jornalista completa! Além de ser repórter, agora também sou assessora de imprensa! Estou com um cliente em uma feira, que termina nesta sexta-feira. E estou mandando muito bem na divulgação, e o melhor, reencontrando pessoas e conhecendo outras. E isso significa mais trabalhos! A única coisa que não posso fazer novamente é acreditar em pessoas erradas, como aconteceu recentemente. Mas acredito na justiça Divina! Apesar de eu não postar nada, continuo editando a história da Lilian Padilha. Eu não abandonei o blog não, viu. É grande a história dela e, nossa, ela passou por muita coisa. Lilian é uma guerreira! Convive há muito tempo com a endmometriose, e já sofreu muito! Fiquei chocada em muitos momentos. Lilian, obrigada pelo carinho!! Espero até a próxima semana postar sua história. Admiro sua força, vc deve ter sofrido muito! E ainda tem pessoas ignorantes que acham que a endometriose não é nada. Santa burrice e ignorância! Ah, ando preocupada comigo. Não sei se é o efeito do remédio a base de testosterona que estou tomando, mas o meu corpo está com muitas manchas vermelhas, tipo alergia. No começo achei que fosse micose, depois alergia de calor. Há uma semana, quando fui ao consultório do Dr. Roberto Hiroschi, ele disse que poderia ser do calor, passou um sabonete para eu tomar banho, mas enquanto algumas manchas parecem secar, outras aparecem pelo corpo. Amanhã devo ligar para o Dr. Hélio Sato para saber o que acontece. Mas, de uma coisa eu sei, não vou morrer com isso! Se eu não morri antes, quando eu estava toda enrolada e embolada por dentro, não vai ser agora! Saudades dos comentários. Aproveito para comemorar mais duas novas seguidoras, agora já estamos com 40. A Mariana é uma delas e, inclusive, enviou e-mail dizendo que quer contar a sua história. O outro é um grupo de mulheres portadoras de endometriose de Portugal. Obrigada a todos os meus amigos, inclusive alguns homens, que não têm endometriose, mas abraçaram esta causa! Isso que é ser amigo! Beijos com carinho!!