quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A HISTÓRIA DA LEITORA MICHELE KAISER, SUA ENDO GRAU III E SUA GRAVIDEZ TRIGEMELAR NATURAL!!

Michele com sua filha, Mônica, e seus trigêmeos Matheus, Murilo e Marcelo
Foto: arquivo pessoal/ Michele Kaiser



A primeira história das leitoras de 2015 é pra lá de inspiradora! Por isso, ao receber o email de Michele, em dezembro, preferi esperar um pouco e contá-la no início do ano, para levar ainda mais fé e esperança às endomulheres. A maioria das mulheres, ao se deparar com o diagnóstico da endometriose, já logo põe na cabeça que não poderão engravidar. Aliás, muitas delas descobrem a doença ao tentar engravidar. Assim como Michele que, após frustadas tentativas de gravidez, foi à sua ginecologista para ver o que estava acontecendo. E bingo: endometriose. Após a cirurgia, outra surpresa: endometriose grau III em vários órgãos, dentre eles, no intestino, na bexiga, no ovário, que estava aderido ao útero. Apesar de a doença ser a maior causa de infertilidade feminina, é possível sim engravidar com endometriose. É preciso lembrar que a gestação não é a cura para a endo. Por isso acho sem sentido a frase: "Venci a endometriose" ao ver uma endomulher grávida. O "vencer" a endometriose, ao meu ver, é para quem está livre dos focos. Acho que o correto seria: "Venci! Consegui engravidar mesmo com endometriose". Lembramos também que a infertilidade independe do grau da doença. 

Infelizmente, se a mulher tiver focos, eles irão continuar lá após a gravidez. Como relatou nossa endomamãe Tatiana em seu último artigo e também nossa querida Hosana Santana. Ela tem endo severa e teve três filhos naturalmente. Leia o texto do cientista americano David Redwine: A gravidez é a cura para a endometriose? Muitas mulheres só descobrem ser portadoras anos depois de terem filhos. Muitas passaram maus bocados em suas gestações por conta da doença, mas ainda não sabiam o que tinham. Eu acho que manter a fé, persistir no objetivo (mesmo após alguns negativos) e manter sempre a esperança e a perseverança com otimismo são fatores determinantes para um futuro positivo. Desistir jamais, quando se tem um sonho! Afinal, somos filhas de um Deus do impossível, e nada é impossível para o nosso Pai. Eu que o diga! Mais que a endometriose, meu grande problema é as malditas aderências (a grande vilã da infertilidade). Porém, ao fazer exames para engravidar descobri que tinha baixa ovulação. No processo de indução descobri que meu ovário esquerdo estava paralisado, ou seja, ele estava dentro de mim, mas sem funcionar. Leia minha 'Bárbara' vitória da maternidade (parte 1 e parte 2). Por isso tenho certeza que o testemunho da Michele é de grande importância para quem acha que não poderá ter filhos por ter endometriose. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

“Meu nome é Michele Faé Velho Kaiser, tenho 32 anos, sou casada com o Maurício Kaiser, de 36, moro em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Eu e meu marido nos casamos em 2006 e, desde então, combinamos de esperar cinco anos para ter bebê. Na época eu tinha 23 anos e ele, 27, e queríamos curtir nosso casamento antes de termos nossos filhos. Três anos após subirmos ao altar, em 2009, já começamos a tentar. Foi quando descobrimos minha endometriose, aos 27 anos. Estava há quase um ano tentando, sem tomar anticoncepcional, e, apesar de meu ciclo estar normal, tinha menstruação a cada 30 dias, ainda nada. Eu não sentia tantas dores assim, mas meu fluxo era intenso. Por meio de um exame de toque foi possível sentir um nódulo de cerca de 1,5cm; havia líquido no fundo de saco e o CA 125 estava alterado, marcando 66.

Minha ginecologista na época me sugeriu a vídeolaparoscopia para desobstrução das trompas e “faxina” dos focos no organismo. Disse que poderíamos tentar engravidar um mês após a cirurgia. Me submeti à cirurgia em fevereiro de 2010. Durante a cirurgia, ela viu que meu caso era mais grave do que parecia. Aquele “nódulo” era, na verdade, meu ovário esquerdo todo bagunçado, fora do lugar, aderido ao meu útero. Foi necessário fazer uma ooforoplastia (nota da editora: retirada somente do cisto de ovário (no caso da endometriose, o endometrioma de ovário, é uma forma de conservação do órgão). 

Os focos foram retirados onde foi possível, mas devido a quantidade (a médica preferiu não mexer nos focos no intestino) fui orientada a tomar uma injeção de Zoladex, que me deixaria em menopausa induzida por três meses. Segundo minha médica, esse tratamento faria com que os focos que não haviam sido removidos na cirurgia secassem. Passados esses cruéis três meses, reiniciamos as tentativas, sem sucesso. Foi quando a médica me prescreveu indutor de ovulação e acompanhamento do ciclo através de ecografias transvaginais. Descobri, durante esse processo, que, além da endometriose, eu tinha ovulação tardia (lá pelo 22º dia do ciclo) e insuficiência de progesterona (o hormônio presente na segunda fase da ovulação).

Vimos que um óvulo maturou e assim que passaram os dias da ovulação fizemos a “lição de casa”. Comecei a tomar progesterona para segurar uma possível gravidez. Alguns dias depois, fiz teste de farmácia em casa e bingo: estava grávida. Foi uma alegria muito grande!

Minha gravidez transcorreu com algumas intercorrências iniciais. Tive deslocamento de placenta e, por isso, foi me recomendado repouso absoluto. Após as 12 primeiras semanas, fui liberada a fazer o que quisesse. A partir daí minha gestação correu tranquilamente. Dei à luz a Mônica com 38 semanas e 2 dias, em 4 de agosto de 2011, aos 28 anos, um mês antes de meu aniversário.

Como sempre quis ter dois filhos, parei novamente de tomar anticoncepcional em janeiro de 2013, aos 30 anos. Havia demorado muito para engravidar pela primeira vez, mas minha médica dizia que eu estava livre da endometriose. Pelo menos até deixá-la desenvolver-se de novo. Além das 38 semanas de minha primeira gestação, fiquei tomando anticoncepcional contínuo, portanto sem menstruar, durante 1 ano e seis meses, para não facilitar o retorno do problema. Quando resolvi engravidar de novo, queria que acontecesse logo, para não ter vários ciclos menstruais e, assim, evitar que a endometriose começasse a se desenvolver. Por sorte, engravidei no segundo ciclo e a única medicação que tomei foi a progesterona, assim como na primeira gravidez.

Na primeira ecografia, a médica olhou para a tela do computador e disse: “São dois sacos gestacionais”. Meu marido e eu ficamos pasmos. Dois? Mas ainda era muito cedo para ouvir os corações. Ela nos orientou a fazer nova ecografia após 10 dias para confirmar se eram mesmo gêmeos, porque um dos sacos gestacionais era maior do que o outro e, porque, segundo ela, é comum um dos embriões ser reabsorvido pelo organismo no início da gestação. Sendo assim, 10 dias depois fizemos a segunda eco, mas em outro laboratório. Expliquei ao outro médico a situação e, quando o exame iniciou, pudemos ver que os dois sacos ainda estavam ali. Ufa! Porém, ele, examinou tudo muito em silêncio e depois de alguns minutos nos disse: "Bem, temos dois sacos gestacionais, no primeiro está tudo certo, um embrião, o coraçãozinho batendo, a vesícula vitelina. Só que no outro há dois embriões. São trigêmeos!" Sem nenhum tratamento de fertilização ou uso de medicação para induzir a ovulação, eu estava grávida de três meninos, plurivitelinos. Dois idênticos, na mesma bolsa e compartilhando a mesma placenta, e um diferente, em seu próprio saco gestacional.

Minha gravidez trigemelar transcorreu normalmente e consegui levá-la até as 34 semanas! Matheus, Murilo e Marcelo nasceram com 2,070kg; 1,950kg e 1,990kg, respectivamente, no dia 4 de outubro de 2013. Eles ficaram 15 dias no hospital, sendo sete na UTI neonatal e oito em uma salinha para ganharem peso. Hoje eles têm 1 ano e 3 meses, e a Mônica, 3 anos e 5 meses.

Resolvi contar minha história no A Endometriose e Eu, pois sei que a maioria das mulheres quando estão tentando engravidar ficam apavoradas quando são diagnosticadas com endometriose. Mas não podemos nunca perder a fé. Apesar do susto de termos tido trigêmeos, sem ter feito nenhum tratamento, todos os nossos filhos foram muito desejados e são muito amados. Somos uma família completa! Espero que minha história ajude a manter sempre a esperança às endomulheres. Não existe o impossível. Beijo com carinho!! Michele”. 

Para quem quiser conhecer a rotina de Michele com seus quatro filhos, acesse seu blog: Os trigêmeos da Michele

9 comentários:

  1. Muito emocionante !!! Me fortaleceu e me fez acreditar que tudo é possível naquele que crê no DEUS do impossível!! Sei que chegará minha vez"""

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  2. Que história maravilhosa! Quando Deus quer, não tem endometriose que impeça.......

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  3. Emocionante sua história Michelle! !!parabéns, seus bebês são lindos! !

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  4. Carol, sou nova por aqui e gostaria de saber como faço para postar meu depoimento.
    Parabéns pelo blog! !!

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  5. Que lindo!! Parabéens!
    Que Deus os abençoe sempre!
    Só uma curiosidade: há histórico de gêmeos/trigêmeos na família?

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  6. Que linda historia,Deus abencoe vcs!!Estou tentando engravidar tb,tenho fe,estou iniciando o tratamento para endo com o Allure.

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  7. Nossa! Muito inspiradora a sua estória! Obrigada por compartilhar! Isso traz esperança em nossls corações!
    Muita luz e fé para nós!!!

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  8. Nossa!Tambem estou nessa luta. Farei a videolaparoscopia neste mes ainda, e estou muito anciosa e esperançosa. Tenho fé que tudo dará certo, e logo logo estarei com meu bebezinho nos braços.

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