No artigo de hoje, mais uma tradução do médico e cientista americano David Redwine que vai esclarecer muitas dúvidas de quem tem cisto nos ovários. Opera logo? É emergência? Não precisa operar? Quando é preciso realmente operar? Bom, eu tive meu primeiro cisto, um hemorrágico, aos 15 anos. Fizeram-me uma laparotomia (a cirurgia aberta, tipo cesárea) e foi onde comecei a me ferrar com as aderências que tenho hoje, porque costuraram daquele jeito! Na época fui diagnosticada apenas como cisto no ovário, disseram-me que era um cisto de ovário hemorrágico. Desde então, passei a ser tratada com anticoncepcionais e como aquela que tinha cisto de ovário. Em 2011, ao passar pelo ambulatório de neuropelveologia da Unifesp, onde trata endometriose nos nervos pélvicos, fiquei sabendo que esse cisto era um endometrioma, ou seja, fiquei sabendo que eu tive endometriose no ovário. E mais, soube que minha apendicite aos 13 anos também era endometriose no apêndice. Soma-se à laparotomia mais essa "cirurgia aberta", as quais me trouxeram as malditas aderências pélvicas.
Entre para a nossa campanha: "Seja do bem vote pelo reconhecimento da endometriose como doença social”. Vote no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013. Neste ano, cada pessoa tem duas chances de voto. É um voto por e-mail e outro com o facebook. Se você tiver email e facebook, vote com os dois, pois assim teremos mais chances. Clique no link (http://bit.ly/18wANh9) e dê o seu voto. A primeira opção é o voto por e-mail, onde no primeiro espaço você vai colocar seu nome e sobrenome e, no segundo, seu e-mail. Você clica na seta votar, que está à direita na cor laranja. É necessário validar seu voto em seu próprio e-mail, que você vai receber do prêmio TopBlog Brasil. Basta clicar no link que estará em seu email, e pronto, seu voto foi validado com sucesso! Na sequência aparece o F, em azul, do facebook. Clica na seta laranja, faça seu login e pronto. Voto validado com sucesso! Conto com a ajuda de todos vocês em votar e, em especial, em compartilhar meu pedido entre seus amigos. Afinal, como eu sempre disse: "a união faz a força e juntos somos mais fortes". O primeiro turno vai até o dia 9 de novembro. Aproveite para conhecer a linha de camisetas exclusivas que acabamos de lançar para espalhar a conscientização da endometriose. É a nossa conscientização fashion! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar
Por doutor David Redwine
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar
Cistos ovarianos e cirurgia de emergência
Ocasionalmente uma paciente interessada em ter uma
cirurgia comigo entra em contato e fala que tem um cisto no ovário e que requer
cirurgia urgente por conta desse cisto. Será um cisto no ovário uma emergência? A resposta é raramente.
Existem apenas duas situações de cisto no ovário que
exigem cirurgia de emergência:
1.
Um cisto hemorrágico com
significativa perda de sangue resultando em anemia;
2.
Dor severa e implacável que
não pode ser controlada com medicação.
Vamos falar um pouco dessas duas situações. A causa mais
frequente de hemorragia forte de um cisto no ovário é um cisto corpus luteum
(latim: corpo amarelo). O corpus luteum é uma estrutura de cisto normal que se
forma após a ovulação mensalmente. Existe um crescimento fisiológico de
capilares para o interior do cisto após alguns dias, que em alguns casos é um
pouco excessivo e que em casos raros pode resultar em sangramento grave.
Se uma mulher está tomando pílula anticoncepcional, a ovulação
não deve ocorrer, e nessa situação um cisto corpus luteum hemorrágico é improvável
nessa situação. Assisti apenas a uns poucos casos de hemorragia desse tipo de cisto nos mais de 30 anos no exercício da profissão, demonstrando que é
de fato um evento raro. A gravidade dos sintomas e o choque provocado pela
baixa pressão sanguínea, tornam a emergência dessa situação óbvia para qualquer
pessoa. Isso é uma verdadeira urgência.
A dor implacável, por vezes acompanhada por náusea e
vômito, sendo do lado esquerdo ou direito, poderá ser sintoma de um cisto
ovariano, ou pode ser devido a algo como apendicite ou gravidez na trompa de Falópio (nota do tradutor: é possível, esse é o caso mais típico de gravidez ectópica). Os
cistos ovarianos causam dor muito forte, embora uma torção do cisto possa
causar dor semelhante.
Vazamento do fluído contido no cisto pode por vezes
causar dor que vai diminuindo em poucos dias, embora que se o fluído for
translúcido, poderá nem ocorrer muita dor. Um exame de ultrassom poderá por
vezes indicar se um cisto está presente e que tipo de fluído contém. Se um
cisto estiver presente e romper, o ultrassom poderá indicar se o fluído tem
sangue, se contém coágulos ou se é oleoso (como acontece em rutura de cistos
dermoides), ou se é claro como água. Por vezes o ginecologista terá a chance de
inserir uma agulha através da parede posterior da vagina e recolher uma amostra
do fluído derramado para identificar a sua natureza. Dor severa ou que
continuamente fica mais forte que não consegue ser controlada pela medicação é
motivo para considerar cirurgia.
Agora vamos falar de cistos ovarianos que não necessitam
de cirurgia urgente. Isso inclui a maioria dos cistos, já que eles surgem e
somem com base na função ovariana normal. A pílula anticoncepcional não faz com
que os cistos sumam, embora por vezes sejam prescritas para esse propósito.
Embora a pílula tenha o objetivo de impedir a ovulação, as pílulas de baixa
dosagem disponíveis no mercado nem sempre impedem a ovulação totalmente, e como
tal, por vezes podem surgir cistos mesmo durante a toma da pílula.
Nem sempre um cisto pode ser detectado por exame de
palpação, e por vezes um ultrassom poderá ser necessário para investigar mais
profundamente a origem da dor pélvica. Um cisto pequeno (cerca de 1 centímetro
de diâmetro) pode ser detetado por ultrassom. Já que os cistos com origem na
ovulação podem por vezes atingir 2,5 a 3 centímetros de diâmetro, a presença de
pequenos cistos no ultrassom é comum e poderá não estra relacionada com a dor.
Um cisto a partir de 6 centímetros é o nível arbitrário a partir do qual
geralmente se recomenda a cirurgia, já que com essa dimensão ele poderá não
sumir sozinho, embora cistos maiores do que isso nem sempre causem dor ou
rompam.
O ultrassom poderá com frequência sugerir que tipo de
cisto está presente, e isso poderá dar uma ideia da possibilidade da sua
regressão ou não. Os cistos de endometriose podem ser sugeridos pelo ultrassom,
mas mesmo a presença de um cisto de dimensões apreciáveis não constitui uma
emergência se não estiver associado a dor forte ou sangramento, tal como
referido anteriormente.
O cisto não atingiu essa dimensão do dia para a noite, e
a maioria dos cistos de endometrioma não rompem cataclisticamente.
Ocasionalmente poderão ter pequenas perdas de fluído e após isso a parede do
cisto fecha novamente. Quando fecha, ocorrem alguns dias com dor que vai
melhorando aos poucos. Tais perdas podem ocorrer em intervalos de alguns meses
em algumas pacientes, noutras apenas uma vez. Não existem provas de que um
cisto de endometrioma vazando possa espalhar endometriose.
Por isso, se tem um cisto que parece ser de
endometrioma, não é urgente ser operada no imediatismo. De fato, poderá ser até
uma ideia ruim, porque com frequência outras àreas da pelve atingidas pela
doença não são tratadas devido à presença de um cisto, o que pode bloquear a
avaliação do cirurgião, que olha apenas para o que está na sua frente.
Na maioria dos
casos, mulheres que se pensa terem cistos de endometrioma de dimensões ainda
maiores podem evitar uma cirurgia urgente, e agendar uma cirurgia para a
endometriose com um especialista em excisão, desde que não exista dor
incontrolável ou sangramento abundante. Mesmo que o ultrasom sugira um cisto
canceroso, isso não constitui uma emergência, embora seja seguramente um
assunto a ser abordado com mais cuidados e em curto prazo.