terça-feira, 20 de agosto de 2013

MAIS UMA ESTREIA NO BLOG: O CIENTISTA AMERICANO DAVID REDWINE!!



É com grande alegria, que o A Endometriose e Eu anuncia mais uma estreia, mais uma parceria exclusiva no Brasil, a com o cientista americano David Redwine. Tem pouco mais de um ano que o conheci. Primeiro conheci algumas de suas pacientes. Uma, inclusive, vivia na cama até cair nas mãos dele, já tinha feito muitas cirurgias, mas foi com a ele que ficou boa e curada. Pensei: "Como assim?" Semanas depois, elas me apresentaram a ele, e, desde quando passei a conhecer seu trabalho, seus textos, sua cirurgia e diagnóstico perfeitos que levou muitas mulheres à cura, já fiz o convite para esta parceria exclusiva. Mas tudo tem seu momento certo. No começo do ano ele se aposentou da clínica médica, mas até hoje ele continua estudando a doença. É um cientista incansável em prol de ajudar as endomulheres. Sua dedicação começou com sua primeira esposa que tinha endometriose. Essas histórias de amor me emocionam tanto. Foi assim com nosso primeiro parceiro internacional, o cientista inglês Matthew Rosser. 

Olha, precisamos de mais homens assim! Precisamos de mais amor, de mais compreensão, precisamos de pessoas fortes ao nosso lado. A intenção do blog é levar sempre a verdade, independente de qual for, levar conforto, mas também alimentar a esperança, a perseverança e, principalmente, a fé. 
 Neste primeiro texto, o doutor David Redwine fala da importância do diagnóstico correto, e para tal, apenas a cirurgia, mas a cirurgia citada por ele não é qualquer uma não, mas sim a laparoscopia. E é muito importante que ela seja feita por quem entende da doença e também deste tipo de cirurgia. Abaixo, ele fala que é preciso conhecer bem "as várias manifestações visuais da endo. Não existe só um tipo de foco, mas muitos, muitos mesmo. Por isso, é preciso preparar mais a nova geração de médicos. Só assim será possível o diagnóstico precoce e "correto". 

Esta é uma semana especial porque teremos mais uma grande novidade no blog. Porque quero que todas as endomulheres fiquem tão bem quanto eu estou! E não se esqueçam de preencher a ficha de inscrição para a Million Women March for Endometriosis, a maior manifestação em massa do mundo em prol de uma doença, nunca realizada antes. Até o momento 60 países sairão às ruas no dia 13 de março de 2014 para reivindicar seus direitos, cuidados, e conscientizar a sociedade para que passamos ser tratadas com o respeito que merecemos. Beijo com carinho!! Caroline Salazar

Delineando a endometriose: obtendo informação correta

Por doutor David Redwine
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar

Muitas pessoas olham a endometriose como uma doença misteriosa. Quando a gente pensa bem, a única razão pela qual ela é misteriosa é porque não temos informação suficiente sobre ela. Quando os marinheiros atravessaram os oceanos e descobriram que a terra é redonda, resolveram esse mistério do que estava para além do horizonte. Quando você abre os presentes no Natal, o mistério do que estava no interior foi resolvido.

Informação suficiente e correta resolve o mistério de forma satisfatória. De fato, quanto mais misteriosa alguma coisa parece ser, mais provável é que a informação disponível seja incompleta ou incorreta. Isso sugere que o mistério envolvendo a endometriose se deve apenas a informação incorreta. Se a informação incorreta é o problema, então a informação correta é a solução. Mas o que constitui informação correta? Alguns cientistas elitistas defendem que apenas a informação providenciada pelas escolas de medicina é certa, mas seguramente não é aí que o conhecimento médico terá a sua origem.

Outros defendem que apenas testes aleatórios controlados providenciam informação correta; que todos os outros tipos de estudos possuem alguma falha fatal e devem ser ignorados. Com respeito à endometriose, algumas pessoas acham que somente os endocrinologistas reprodutivos (nota da editora: médicos que estudam os hormônios de uma pessoa, suas interações e seu papel na regulação do metabolismo) possuem a visão certa, porque receberam treino especializado, certo?

O fato é que informação incorreta possui uma vida própria. Não pode ser consignada a qualquer grupo. Se cada grupo que examinar o problema tiver uma parte da informação certa, então, as mesmas verdades serão alcançáveis por meios diferentes. Por exemplo, se uma criança descalça cortar o pé em um pedaço de vidro e outra criança do outro lado do mundo rebentar o dedão do pé no chão de cimento, as suas mães irão concluir que são coisas perigosas que deveriam ter melhor proteção nos pés.

Essa conclusão acertada foi universalmente encontrada pelo mundo inteiro por milhares de anos sem auxílio de publicações cientificas ou da internet. Foi encontrada por simples observação, registrada corretamente por muitos observadores, levando a uma conclusão acertada que foi aplicada por todo o mundo, por toda a parte.

… os mistérios que parecem rodear a endometriose são simplesmente informação incorreta...
Com respeito à endometriose, se vários cientistas ou clínicos estão interpretando a sua pequena fatia de informação certa, todos deveriam estar se aproximando da mesma verdade. O resultado será que eventualmente se atingirá consenso e progresso. E não é isso que parece estar acontecendo. Por que?

Informação incorreta pode ser considerada como uma praga na ciência por muitas razões. Por vezes é simplesmente por as pessoas repetirem o que foi transmitido no passado sem análise crítica à luz da informação moderna. Este é certamente o caso da endometriose. Pensem em todos os mitos acerca da doença que foram provados errados, mas que continuam a persistir porque as pessoas são incapazes de vencer a tremenda inércia intelectual do passado.

Os tópicos seguintes são mitos que continuam a ter vida própria:

1 - Endometriose é uma doença incurável.
2 - Os ovários são onde a doença mais se manifesta.
3 - A endometriose se espalha progressivamente pela pelve à medida que a mulher envelhece.
4 - Endometriose é simplesmente um desvio do endométrio normal.
5 - Endometriose microscópica não pode ser vista e é causa de dor continuada ou infertilidade.

Informação incorreta também pode emergir se as observações da doença forem muito detalhadas (uma perspectiva microscópica). Sabemos que a endometriose tem muitas manifestações visuais e comportamentos bioquímicos diferentes. Como poderá uma fotografia conseguida por um microscópio eletrônico ser uma representação fiel de todas as manifestações da doença? Isso seria como ir à floresta, colher uma folha de uma planta e afirmar que é uma representação correta das plantas dessa floresta. O termo cientifico para isso é “tendência de seleção”.

… cada processo intelectual e terapêutico envolvendo endometriose começa com um cirurgião diagnosticando a doença...

A tendência de seleção pode ocorrer na outra ponta do espectro (o lado macroscópico) no caso da endometriose. Esse tipo de tendência de seleção é familiar a muitas mulheres. Ocorre, frequentemente, quando a paciente chega com dor pélvica.

Embora a endometriose seja uma das causas mais comuns da dor pélvica, os médicos frequentemente diagnosticam problemas menos comuns tais como doença de inflamação pélvica ou cistos que sofreram rupturas. Se a paciente tiver a sorte de ter uma cirurgia, a tendência de seleção poderá ocorrer na mesa de operações se o cirurgião não estiver familiarizado com o aspeto da endometriose (todas as suas manifestações e não apenas as aparências “clássicas”).

Se a tendência de seleção pode acontecer com maior gravidade no extremo do espectro da endometriose, onde podem os seus efeitos ser minimizados? A resposta é direta, no meio. O meio do espetro da endometriose ocorre não no consultório, não no laboratório, mas na cirurgia.

Qualquer processo intelectual e terapêutico envolvendo endometriose começa com o cirurgião identificando a doença. O cirurgião identifica a doença e confirma o que estava incomodando a paciente no consultório. O cirurgião identifica a doença e faz uma pequena colheita para enviar para o laboratório para análise. Mas as descobertas do cirurgião também possuem a sua importância, já que os registros da cirurgia podem conduzir a esclarecimentos sobre a doença.

O melhor cenário possível envolve um cirurgião que faça muitas operações para endometriose e que esteja familiarizado com as várias manifestações visuais da doença. Se esse cirurgião fizer os registros dos focos e das suas localizações, irá surgir um perfil bastante detalhado da doença. Se essa nova perspectiva se aproximar da verdade, então, esse perfil emergente será necessariamente diferente do conhecimento anterior, já que as nossas crenças tradicionais são associadas à confusão e a confusão é a imagem de marca da informação incorreta.

A forma habitual de medir a ocorrência da doença na pelve é usando o sistema de medição da American Society Reproductive Medicine (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva). Infelizmente esse sistema de classificação coloca um peso muito grande no tecido cicatricial e não na endometriose. Não providencia nenhuma forma precisa de medir a extensão da doença na pelve. Adicionalmente ainda existem mais de 100 000 combinações diferentes de pontuação, demasiadas para serem úteis.

… na busca de verdades médicas importantes, podem surgir problemas quando os médicos e os pesquisadores não guardam fielmente seus registros...

Tudo isso se tornou muito claro para mim faz 20 anos, tanto que eu desenvolvi um novo método para medir a extensão da doença cirurgicamente. Simplesmente dividi a pelve e o trato intestinal em áreas anatômicas simples e tabelei os locais de ocorrência que foram comprovados por biópsia em cada um dos pacientes que operei.

Ao me desenvolver em programação de computador, desenvolvi uma versão computadorizada desse sistema de mapeamento pélvico, que agora está sendo emulado por todo o mundo. Esse mapa providencia um perfil de ocorrência da endometriose na pelve. A base de dados no computador também guarda cerca de 100 informações de cada paciente, o que ajuda na compreensão da doença.


Na busca de verdades médicas importantes, podem ocorrer problemas quando os médicos e pesquisadores não registram informação adequadamente, como alguns cirurgiões bem conhecidos estão hoje aprendendo. Independentemente do cenário (acadêmico, clínico, científico) a combinação de observação cuidada, recolha de dados consistente e detalhada, e análise ponderada, podem dar origem a importantes percepções. Essa abordagem, acompanhada por uma disponibilidade para aceitar novas interpretações que podem surgir de um inquérito (em vez de se segurar inquestionavelmente aos “fatos” do passado), podem ajudar a resolver muitos dos mistérios das nossas vidas, inclusive o “mistério” da endometriose.

12 comentários:

  1. Apenas pra dividir:
    Ontem a noite, eu com insônia, buscando algo na tv pra assistir, parei no canal Discovery Home & Health, e eles estavam falando sobre a luta de uma jovem pra engravidar, ela que inicialmente como bão conseguia, a médica falou que era endometriose, ela comecou a tomar remedios pra fertilizacao, e começaram muitas dores na perna direita, a gineco fez uma video histerescopia nela e não constataram nenhum foco de endo. Ai ela buscou vários profissionais...nada, ela sempre recorria aos ginecologistas pq essa dor piorava perto da menstruação, então ela achava que era algum problema. Ela fez terapia, mas nada adiantou, as dores pioravam, ela ja não conseguia se apoiar na perna mais. FOi quando um médico ortop solicitou uma RM do quadril... lá ele disse ter avistado uma massa no nervo ciático, comprimindo um músculo que vai pra perna...ela fez a biopia, e o que era essa massa? FOCO de ENDOMETRIOSE!!! No Nervo ciático!!! O Dr. disse que é raro e que ele apenas viu 2 casos desses... Eu, como endosofredora, fiquei arrasada com o q a endo pode fazer com a gente.
    Abraço, Silvia

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    1. Silvia, querida!!
      A endo é uma doença perigosa sim, por isso, é preciso ser acompanhada por um médico que realmente entende não só da doença, mas também da mulher por inteira, principalmente, a cabeça dela. Por isso frisamos muito isso. O correto é pedir o currículo lattes do médico, onde tem toda a vida acadêmica dele. Eu já vi esse episódio, mas alguns casos são mais comuns e outros mais raros. Se você tiver bem acompanhada não precisa ter medo não. Siga sempre com fé! Estamos juntas nesta endoluta! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

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  2. Olá! É a primeira vez que participo aqui no blog e também não o conhecia meu nome é Paloma tenho 28 anos e descobri há 2 anos que tenho endometriose sempre senti dores terríveis e fiz vários exames pra procurar o que eu tinha e após um avanço da doença tive o diagnóstico moro em Brasília e tenho indicação para realizar cirurgia o quanto antes já que a doença avançou tenho plano de saúde e tenho buscado a realização da cirurgia porém tentativas insucedidas já quem Brasília não consigo profissional que me opere se não for particular já fui em 7 médicos e nada não tenho condição de pagar o valor requerido na faixa de 20 a 30 mil se alguém souber de alguma forma agradeço

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    1. Paloma, querida!
      Infelizmente, está muito escasso encontrar bons médicos que operem por convênios. E não pode operar com qualquer um não. Além de conhecer bem a endo, é preciso ser um bom cirurgião em laparoscopia. Eu conheço e indico 3 no Brasil: um em São Paulo, outro em Vitória, no ES, e outro em Cascavel, no Paraná. Se precisar de ajuda entre em contato comigo por email: carolinesalazar7@gmail.com Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

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  3. Oi Sílvia, também ví esse programa e fiquei do mesmo jeito que vc! Não acreditei! Mas foi ótimo ver e conhecer um pouco mais sobre essa doença! Descobri que tenho endo, faz 1 ano e meio e estou bem assustada com o que ela pode fazer! Mas estamos na luta!
    Abraços, Karin

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  4. Ah, esqueci de dizer...parabéns pela parceria Carol!!! Esse blog é excelente!
    Bjs
    Karin

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    1. Oi, Karin!
      Obrigada por seu carinho!! Sempre em busca do melhor para todas endomulheres. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

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  5. Boa tarde!!! Eu fui diagnosticada com ENDOMETRIOSE NO NERVO CIATICO

    Consulto-me no HOSPITAL SÃO PAULO no ambulatorio de NEURODISFUNÇÃO PELVICA, onde foi indicada CIRURGIA. Gostaria de uma segunda opinião, porém NENHUM OUTRO MÉDICO conhece essa doença.

    ALGUÉM PODERIA ME INDICAR UM MÉDICO NO RJ ???

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  6. Burna Maria queria saber se vc operou, e se deu certo caso tenha operado.
    Estou sofrendo com a mesma dor.
    Espero que tenha dado tudo certo contigo
    Beijos

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  7. Olá ,eu em Junho de 2014 fiz histerectomia total, onde preservaram os ovários, porém ,continuo com as mesmas dores e sinto que tenho endometriose também no nervo ciatico, pelo que já li os sintomas são os mesmos que sinto. Muito triste porque sofro demais, vivo tendo que abrir a calça devido as dores, não sei mais o que fazer, fiz um exame que acusou endometriose no intestino, mas na cirurgia não vizualizaram nada.Muito confusa, pois sinto tantas dores e ninguém consegue me ajudar, Sou paciente do Dr Hélio Sato.

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  8. Bom Dia. Faz 7 meses q fiz uma RM com preparo intestinal onde segundo o ginecologista, foi diagnosticada a endometriose.

    IMPRESSÃO DIAGNÓSTICA: - Indefinição da zona juncional. Este achado para ser valorizado depende de correlação clinica.

    - Discreto espessamento dos ligamentos uterossacros junto a sua inserção. Este achado para ser valorizado depende de correlação clinica e laboratorial.
    Apos este exame não pude fazer a videolaparoscopia pq precisei colocar Stent na veia iliaca a esquerda pq tinha Sindrome de May Thuner e com isso fiquei 5 meses tomando Marevan ficando assim impossibilitada de realizar qualquer cirurgia. Meu vascular me liberou do Marevan quinta-feira passada pois não aguento mais sentir tantas dores. Faz 2 semanas q venho sentindo dor, ardência e queimação na região do quadril, nádegas, virilha e pernas. Estou a base de tramal e dipirona ja q não posso fazer uso de nenhum medicamento q tenha hormônio tipo Allurene. Quer dizer o ginecologista aprova e diz q não tem problema já o vascular não concorda, então acabei não tomando. Agora o gineco me passou um tal de Lutenil um comp. por dia para ver se as dores melhoram mas novamento o vascular discordou. Infelizmente so vou ter consulta com o medico q foi indicado pra me operar em 30 de junho.Sera q tenho endo no CIATICO? Alguém sabe q tipo de exame detecta??? Estou exausta e com muito medo! Desculpe o desabafo.

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  9. Bom dia,
    Tenho 23 anos e fui diagnosticada com endometriose.
    O que me fez procurar um médico foi as dores terríveis, a sensação de cólica e puxada 365 dias ao ano.
    O que mais me impressiona é o descaso de alguns médicos, pois antes de chegar até esse que conseguiu fazer o diagnóstico, outros simplesmente me ignoraram, acusaram que nos exames não havia nada e que a dor era normal.
    Enfim, adorei o blog, com informações fantásticas.
    A endometriose é um "território novo" para mim, ainda com poucas informações, muitas dúvidas e muita dor.
    Adorei o trabalho de vocês!!

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