É muito triste
vivermos num país, onde pagamos impostos altíssimos e, mesmo assim, não ser
reconhecidas pelos nossos governantes. No Brasil, os cidadãos pagam até mesmo
para respirar. Alguém já parou para pensar, o quão alto está nossos impostos?
Alguém já parou para pensar que pagamos, mas nosso dinheiro não é revertido em
nada? Por que falta tudo aqui? Educação, saúde, moradia..... Então, onde vai
parar nosso dinheiro? Bom, eu vou falar apenas sobre a área em que atuo, ou
melhor, que quero atuar: saúde da mulher. Há dois anos, desde o último Censo,
em 2010, já sabemos que somos mais mulheres do que homem em nosso país. De lá
para cá, com certeza este número já aumentou e muito! Mas, como ainda não saiu
o novo Censo, segundo o de 2010, somos 97.342.162 contra 93.390.532 homens. Ou
seja, há dois anos existia 4 milhões a mais de mulheres do que homens no país.
Aí, eu pergunto: "Existe alguma política em prol da saúde da
mulher?". Não, claro, que não. E sabe o que é pior, nenhum político está
interessado em ajudar ninguém, muito menos as mulheres. Gente, todas pessoas,
seja aqui ou em qualquer lugar do mundo, são cercadas por mulheres. Elas são
nossas mães, namoradas, esposas, irmãs, primas, tias, amigas, companheiras,
ufa, em todos os lugares tem uma mulher.
Infelizmente, o Brasil é o país que mais tem mulheres
acometidas pela endometriose. Somos cerca de 10 a 15 milhões de mulheres. Os
médicos ainda falam em 6 milhões, mas esses números estão errados,
porque eles colocam as mulheres apenas que estão em idade reprodutiva. A idade
reprodutiva vai dos 15 anos 45 anos, mas e aquelas que têm endometriose na
adolescência e depois dos 45, não entram na estatística? Claro que não, porque tudo que fazem
por aqui tem de ser malfeito, ou então, pela metade. Eu estou aqui para botar a
boca no trombone! A minha endometriose começou aos 13 anos e, assim como a minha, muitas também surgem na adolescência e até mesmo na menarca (nota da editora: a primeira menstruação). Sabe o que me dá mais vergonha de ser brasileira? É ser
governada por uma mulher, Dilma Rousseff, que tanto quis e pediu para
colocar um (a) na frente da palavra presidente, mas que não reconhece a doença
feminina mais cruel que já existiu no mundo. Sim, a endometriose não mata
rapidamente, como pode acontecer com quem tem câncer, mas mata com o passar dos anos, em especial, quem depende da morfina 24h por dia. Por isso, a maioria das
pessoas acham que ter endometriose não é nada, é uma frescura. Gente, já faz
tempo que descobri o quanto esta doença é terrível. Ou alguém acha que eu seria
louca em dizer: "Ah, é bom ter dores 24 horas por dia, 7 dias na semana. É
uma delícia viver numa cama, longe de todos e de tudo, não ter qualidade de
vida, não ter relação sexual com seu namorado e ou marido, privar-se de sair com os amigos,
com a família, com o namorado. É ótimo ser mandada embora do trabalho porque temos de ir ao
médico, temos de fazer fisioterapia e milhões de exames. É normal você saber que não pode gerar
um filho, que tem de fazer várias cirurgias. Melhor ainda é tomar doses e doses
de morfina diariamente, como minha amada amiga Gisele Dhal.
A Gi só tem 32 anos e já é dependente da morfina. Alguém sabe o que pode
acontecer com uma pessoa dependente de mofina? Ainda mais tão jovem como ela?
Existem portadoras de endo que vivem como como a minha tia, mas a minha tia estava com câncer terminal e, graças a Deus, o sofrimento da minha tia acabou
rápido, em menos de 2 meses, pois ela desencarnou e foi descansar ao lado de
nosso Pai. Acompanhei boa parte dos 15 anos que minha tia viveu com câncer e, de
fato, seus últimos anos e meses, foram horríveis. O câncer é uma doença
horrível, mas num determinado momento, o doente vai descansar. Com a
endometriose, infelizmente, isso não é possível. Milhões de mulheres vivem presas às suas camas, sem contato com o mundo exterior e, com isso, entram numa depressão profunda. Muitas tentam suicídio e outras tantas o cometem. A endometriose é uma
doença tida como benigna, mas que tem seu comportamento maligno. O quesito
maligno é porque onde tem focos da endo, eles vão se instalando e comendo pouco
a pouco esses órgãos. Em muitas histórias das leitoras já contadas no A Endometriose e Eu, muitos
foram os casos de mulheres que retiram parte ou a totalidade de seus órgãos. A
endo não é levada à sério pelos governantes, pela população e pelos médicos,
inclusive, muitos ginecologistas, porque muitos dizem: "Ah, é só retirar o
útero e está tudo certo." Nããninnanão! Não basta retirar o útero, é
preciso retirar os ovários, e, consequentemente, em muitos casos, lá se vai as
trompas também. Uma mulher só é mulher pelo fato de nós termos todos esses
órgãos reprodutivos, que a endometriose nos rouba. Na última sexta-feira, eu fiquei ainda
mais perplexa com a crueldade da endometriose. Leia atentamente, o comentário
que a nossa querida leitora Áurea deixou no face do blog: "Amigas desta
página, após 13 cirurgias, a última me deixou em coma profundo por 65 dias e 3
meses no hospital (fiz traqueostomia e fui colostomizada!), estou com uma
sensação de desespero profundo. Aos 36 anos, destes, 10, já luto contra a endo,
não sei mais o que é passar um dia mais sem dor! Dor crônica! 24 horas! Agora,
após retirar tudo: útero, ovários, trompas, intestino grosso, o que mais tirar?
Agora estou com um hemangioma na coluna. Vou fazer uma cintilografia óssea e
outro exame com choques (não me recordo o nome).... alguém já passou por algo
tão agressivo assim?"
E aí, será que, de fato, a endometriose não é nada? A
endo é mais do que uma doença, é uma condição de vida. Em muitos casos, ela
comanda a nossa vida e é preciso viver refém dela. A endo mata aos poucos, mas
muito mais rápido do que nós pensamos. E estas mulheres que vivem dependentes
da morfina? Acham que é normal, tomar morfina todos os dias?! Esse medicamento é
outro veneno e contribui para nos matar aos poucos. Nós, portadoras de
endometriose, precisamos pensar em tudo isso, antes de decidir em quem iremos
votar nas próximas eleições. Uai, se não existimos para os nossos políticos,
porque somos obrigadas a votar? Isso não entra na minha cabeça e ninguém é
obrigado a fazer nada contra sua vontade. Acho que o dia que os votos nulos
forem maior do que os válidos, nosso país poderá ser diferente e seguir um novo
rumo. No que depender de mim, nenhuma portadora do Brasil, seus familiares
e amigos irão votar em outubro. Reflitam sobre o texto e aguardem!
E continuem votando
no A Endometriose e Eu no prêmio Top Blog Brasil 2012.
É só entrar na página do blog, clicar no selo do prêmio, que está à direita da
página piscando, e seguir os passos. Neste ano, cada pessoa pode votar com um
e-mail, com seu facebook e seu twitter. São três chances de votos. Lembrando
que, para votar com o face e com o twitter, é preciso clicar no 'Ir para o
aplicativo' e pronto, seu voto foi computado com sucesso. Já por e-mail, é
necessário validar o voto clicando no link do e-mail que você vai receber em
sua caixa de entrada. Vamos tornar a endometriose conhecida de nossa população
e reconhecida de nossos governantes. É uma vergonha o Brasil ser comandado por
uma mulher, que não conhece e nem reconhece a doença mais cruel e tipicamente
feminina que atinge cerca de 10 a 15 milhões de mulheres no país. É o A
Endometriose e Eu, o pioneiro no mundo em retratar a vida de uma portadora
de endometriose, na luta pelo reconhecimento da endometriose como
uma doença social e de saúde pública. Com a ajuda de todos conseguiremos
mostrar que existimos e que somos muitas. Afinal, juntas somos ainda mais
fortes. Beijos com carinho!