domingo, 9 de setembro de 2012

COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA DOUTOR HÉLIO SATO!!

Após o feriadão de 7 de setembro, onde celebramos a Independência do Brasil, o A Endometriose e Eu esclarece as dúvidas das leitoras Rosimery Santos e da Ana Carolina, ambas do Rio de Janeiro. Hoje, a coluna "Com a palavra, o especialista" vai abordar a questão da menstruação após a videolaparoscopia e também a questão das mulheres que retiram todos os seus órgãos reprodutores. Quanto tempo a pós a cirurgia iremos menstruar? Mesmo sem o útero e os ovários a doença poderá voltar? Com a palavra, o especialista doutor. Hélio Sato. Quem quiser participar desta seção é só deixar suas dúvidas aqui, neste post, que elas serão esclarecidas ainda neste mês pelo dr. Hélio. 

- Fiz minha quinta cirurgia de endometriose e já não tenho mais ovários, útero e trompas. Quero saber se no meu caso de ter retirado tudo, se corro o risco de ainda ter crise de dores ou ainda aparecer focos de endometriose em mim? Eu sinto ainda algumas dores no meu lado direito, no local do meu ovário direito, que foi retirado nessa minha última cirurgia, a quinta, três meses atrás. Essa cirurgia foi uma laparotomia exploradora. Essa dor está me deixando preocupada. Isso tem algo a ver com as dores que continuo sentindo? – Rosimery Santos, do Rio de Janeiro – RJ

Dr. Hélio Sato: A possibilidade de retorno da endometriose é muito remota após a retirada do útero e dos ovários. Em relação à dor, deve ser investigado, pode ser por causa muscular ou aderências ou doença intestinal, cabe ser avaliado, pois, a pelve contém muitas estruturas que podem ser causa de dor que não a endometriose.

- Fiz minha videolaparoscopia há quase um mês e ainda não menstruei. Isso é normal? Quanto tempo após a cirurgia, ficarei menstruada? – Ana Carolina do Rio de Janeiro - RJ

Dr. Hélio Sato: O retorno da menstruação varia de pessoa a pessoa e da cirurgia a cirurgia. Mas, se não foi aplicado análogo de GnRH, zoladex, lupron, etc..., deve retornar em curto prazo!

Continuem votando no A Endometriose e Eu no prêmio Top Blog Brasil 2012. É só entrar na página do blog, clicar no selo do prêmio, que está à direita da página piscando, e seguir os passos. Neste ano, cada pessoa pode votar com um e-mail, com seu facebook e seu twitter. São três chances de votos. Lembrando que, para votar com o face e com o twitter, é preciso clicar no 'Ir para o aplicativo' e pronto, seu voto foi computado com sucesso. Já por e-mail, é necessário validar o voto clicando no link do e-mail que você vai receber em sua caixa de entrada. Vamos tornar a endometriose conhecida de nossa população e reconhecida de nossos governantes. É uma vergonha o Brasil ser comandado por uma mulher, que não conhece e nem reconhece a doença mais cruel e tipicamente feminina que atinge cerca de 10 a 15 milhões de mulheres no país. É o A Endometriose e Eu, o pioneiro no mundo em retratar a vida de uma portadora de endometriose, na luta pelo reconhecimento da endometriose como uma doença social e de saúde pública. Com a ajuda de todos conseguiremos mostrar que existimos e que somos muitas. Afinal, juntas somos ainda mais fortes. Beijos com carinho!


Sobre o dr. Hélio Sato:



Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose e em laparoscopia. Ele tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo. É pesquisador principal de projeto regular da FAPESP.

Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL (“American Society of Gynecology Laparoscopy”) e é membro associado da clinica GERA de reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato).


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

TRÊS MESES SEM DORES E O MEU TESTEMUNHO SOBRE O MIRENA!!

Três meses após minha tão abençoada cirurgia, eu já posso dizer: "Graças a Deus, aos meus brilhantes especialistas, o dr. Hélio Sato, meu gineco especializado em endo, e o dr. Roberto Hiroshi Ieiri, meu coloproctologista tb especializado em endo (e quem me ajudou a descobrir a endo e o médico da minha família há 18 anos), e ao DIU de Mirena, eu estou livre das dores há 92 dias." Sim, eu conto os dias dessa minha nova vida. É como se um grande milagre tivesse acontecido em minha vida. E só quem tem endo sabe como é difícil viver com endometriose sem ter dores. Isso é de fato, um grande milagre. Como convivi com a dor crônica por mais de 10 anos (foram 18 anos até obter meu diagnóstico de endo), eu jamais imaginei que seria possível viver sem essas malditas dores. Até porque, eu já era tida como doida, como louca pra tanta gente, que uma a mais ou a menos, já não fazia tanta diferença. Aliás, eu nunca liguei para que os outros pensavam de mim. Apesar de todo meu sofrimento, todas as minhas dores, lágrimas e a depressão profunda que tomou conta de mim durante boa parte desta minha dolorosa jornada, uma coisa eu nunca perdi: a minha fé. Eu fui criada pela minha amada vozinha materna para ser uma mulher guerreira e para ter muita fé. Porém, eu jamais imaginei que todos esses ensinamentos seriam tão valiosos em minha vida. Só acho uma pena minha grande mestre não estar presente fisicamente comigo, mas sei que espiritualmente, ela sempre esteve e sempre estará ao meu lado.


Quando o dr. Hélio propôs que eu colocasse o DIU (dispositivo intrauterino) de plástico, o Mirena, confesso que fiquei com muitos pontos de interrogação em minha cabeça. Fui para casa pensativa e me perguntando: "Será que eu tento? E se meu organismo não se adaptar? E se daqui a uns meses eu começar a namorar e decidirmos ter filhos? Será que dói, porque todo mundo fala que dói quando coloca, que dói quando está para descer? Esses foram somente alguns, para não explicitar todas as minhas dúvidas aqui" Por sugestão da nossa querida Letícia Mesquita, antes mesmo de colocar o DIU de Mirena, eu já havia falado sobre ele aqui, em abril. Na época, para escrever sobre o Mirena, eu li muitos e muitos artigos, dentre eles, muitos internacionais e a maioria deles, para não falar quase todos, sempre apontava o lado bom desse medicamento. Infelizmente, ainda não existe o remédio certo que combate as dores da endo. Até porque, se existisse, teria de ser milhões deles e tb tinha e ser aquele que poderia atingir o maior número de mulheres possível. Nós sabemos que a endo é terrível e que em cada corpo, a danada reage de um jeito. Portanto, se ainda não existe a fórmula para tratar uma mulher com endo, como dá para descobrir a fórmula de um medicamento para endo? 


Hoje eu falo sobre o Mirena, porque eu estou vivendo minha melhor fase em 34 anos de vida. O dr. Hélio ofereceu-me esse tratamento, pois eu não tenho a intenção de engravidar por ora. Como em cada corpo a endo age e reage de um jeito, infelizmente, o Mirena pode ser bom para algumas mulheres, mas não para todas. Comigo foi tudo perfeito, desde a colocação, na minha cirurgia, até agora. A única coisa chata é que meu convênio se negou a pagar meu DIU, no Nipo-Brasileiro. Isso porque meu plano dava direito, mas como vivemos num país sem regras e fora da lei, sabemos que apenas quem tem dinheiro é que tem direitos no Brasil. É claro que eu vou processar meu convênio, já que o hospital se propôs a colocá-lo, mas com as remanescentes negativas do SulAmérica (acreditem, esse é o menos pior de todos eles!), fui tentar uma liminar na Defensoria Pública do Estado contra o convênio (e quase bati no delegado, pois ele falou que eu tenho cara de rica e que não precisava daquilo, mas isso vou falar em outro post). Mesmo aos prantos, morreeeeeendo de dor, mesmo nosso inimigo invisível dizendo que eu não iria conseguir, a minha fé continuou inatingível. Resultado: em poucos dias consegui com meu pai os R$ 727 (setecentos e vinte e sete reais) para comprar o DIU. Sei que muitos médicos cobram um valor beeeem mais alto, mas o médico honesto mesmo não compra o DIU para você, ele pede para você trazer o seu e ainda pode até indicar o local seguro para você comprar o seu. Se o Mirena dura cinco anos em nosso organismo, eu estou pagando R$ 12,11 (doze reais e onze centavos) por mês e R$ 145, 32 (cento e quarenta e cinco reais e trinta e dois centavos) por ano.

Em minha opinião, o tratamento mais barato e eficiente para endo, pois quase não existe mais anticoncepcional com esse preço. E outra maravilha do Mirena é o fato de não precisar tomar, todos os dias, o anticoncepcional. Aliás, foi isso que escutei de uma enfermeira, assim que cheguei ao hospital, quando ela me viu chegando com aquela caixa enorme desse DIU. Se eu soubesse que o tal do Mirena faria tanta diferença e que devolveria minha qualidade de vida, eu juro que o teria colocado em minha primeira cirurgia. Em julho, eu tive a primeira menstruação sem dor da minha vida. Em agosto, a menstruação já não veio mais. Uma benção! Eu perdi tanta coisa por conta da endometriose, que eu não quero perder mais nada para esta doença... que só Deus e a minha fé mesmo para me manterem firme e em pé.. e, claro, aos meus anjos "terrestres" que nosso Pai colocou aqui à minha disposição. Eu sou tão grata a todos eles, em especial aos médicos maravilhosos que Dus colocu em meu caminho, em especial ao ambulatório da Unifesp, onde aprendi boa parte do que sei sobre endo. Eu não estou incentivando ninguém a seguir tal tratamento ou aquele outro, mas só quero que todas conversem abertamente com seu médico sobre as possibilidades existentes no mercado, para ninguém cair em armadilhas, porque a endometriose destrói toda a vida de uma mulher, desde o fato de ela não ser mais mulher por um bom tempo para seu namorado e ou marido, até mesmo a vida familiar, social e a profissional. E eu sou uma dessas que após a perda total, tento juntar os cacos de tudo o que sobrou e reconstruí-la. E eu sei que serei capaz de redigi-la ainda melhor do que aquele capítulo que parei.

Hoje já acho que todo meu sofrimento valeu muito a pena, que todas as lágrimas que chorei, que todos os berros de dor os quais gritei e tudo que se foi, foi por um bom motivo, até mesmo aquela pessoa especial que perdemos. Se tudo que narro aqui ajuda uma pessoa, tudo que passei não foi em vão. Qual mulher com endo não perdeu alguém especial? Eu perdi a pessoa mais incrível que já conheci e convivi até hoje... foi quem me ajudou a descobrir a doença, quem me ajudou a lutar contra ela, quem ficava desesperado a cada grito de dor e que se sentia imóvel sem ter o que fazer ao me ver nesse estado, quem fez a fisioterapia uroginecológica em mim, no meu momento mais debilitante, e, que, infelizmente, nunca saberá como é viver e conviver ao lado da verdadeira Caroline Salazar, livre das dores da endo, alegre e feliz. No fundo, eu sempre tive muita alegria em viver, mas não é fácil viver e conviver com uma mulher com endometriose. Portanto, tenha fé minhas queridas amigas, companheiros e amigos, pois tenho certeza que muitas de vocês irão receber a mesma graça que eu: a de viver sem dores e reconstruir suas vidas. Porque nunca é tarde para recomeçar de novo! Agora, o único problema é me fazerem parar em casa...

Continuem votando no A Endometriose e Eu no prêmio Top Blog Brasil 2012. É só entrar na página do blog, clicar no selo do prêmio, que está à direita da página piscando, e seguir os passos. Neste ano, cada pessoa pode votar com um e-mail, com seu facebook e seu twitter. São três chances de votos. Lembrando que, para votar com o face e com o twitter, é preciso clicar no 'Ir para o aplicativo' e pronto, seu voto foi computado com sucesso. Já por e-mail, é necessário validar o voto clicando no link do e-mail que você vai receber em sua caixa de entrada. Vamos tornar a endometriose conhecida de nossa população e reconhecida de nossos governantes. É uma vergonha o Brasil ser comandado por uma mulher, que não conhece e nem reconhece a doença mais cruel e tipicamente feminina que atinge cerca de 10 a 15 milhões de mulheres no país. É o A Endometriose e Eu, o pioneiro no mundo em retratar a vida de uma portadora de endometriose, na luta pelo reconhecimento da endometriose como uma doença social e de saúde pública no Brasil. Com a ajuda de todos conseguiremos mostrar que existimos e que somos muitas. Afinal, juntas somos ainda mais fortes. Beijos com carinho!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

VOTE NO A ENDOMETRIOSE E EU NO PRÊMIO TOP BLOG BRASIL!!

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domingo, 19 de agosto de 2012

ESTREIA DO DR. HÉLIO SATO, COM A PALAVRA O ESPECIALISTA!!


É com imenso prazer que anuncio hoje a estreia da coluna do dr. Hélio Sato no A Endometriose e Eu: “Com a palavra, o especialista dr. Hélio Sato”. Todos os meses, ele irá tirar dúvidas de nossas leitoras. Para o blog ser o mais completo do mundo sobre endo, só faltava o apoio de um grande especialista em endometriose. Por isso foi uma felicidade muito grande quando o dr. Hélio aceitou meu convite. Infelizmente, é muito raro ter um bom especialista, ser tratada por um médico que entende de verdade a portadora, a nossa dor, que sofre conosco e que não quer apenas ganhar dinheiro com a nossa doença. Bom, eu sou suspeita para falar sobre ele! Serão quatro perguntas dividas em duas partes.  Hoje, a coluna vai abordar o Allurene e os anticoncepcionais de estrogênio. Já que está um burburinho todo com esse novo medicamento, vamos saber o que o especialista acha sobre ele. Há uma semana, quando cobri o lançamento desse medicamento, leitoras do mundo todo estão se perguntando: “Ele funciona mesmo? É verdade que ele tira as nossas dores?”. A outra questão é sobre o anticoncepcional de estrógeno. No próximo domingo, ele responderá às outras duas perguntas, a da Rosimery Santos e da Ana Carolina, ambas do Rio de Janeiro. Agora, com a palavra o especialista, o dr. Hélio Sato.Continuem votando no A Endometriose e Eu no prêmio Top Blog Brasil. É o blog mais lido do mundo e, agora, o mais completo, rumo ao reconhecimento da endometriose como uma doença social e de saúde pública no Brasil. Beijos com carinho!!

- Dr. Hélio, qual sua opinião sobre o Allurene? Fiz minha sexta cirurgia em 23 de junho e meu médico sugeriu esse tratamento. Quais os benefícios, efeitos colaterais desse medicamento? Patrícia Gastaldi  Gouvêa, de Vitória, ES      

Estive no evento da Bayer®, e de fato, foi muito bem organizado com convidados internacionais para lançamento oficial do Allurene®. O princípio ativo do Allurene é o dienogest que pertence ao grupo dos progestógenos, ou seja, é similar à progesterona. E hoje existem diversas opções de progestógenos no mercado mundial e brasileiro, como por exemplo, componentes com Levonorgestrel, Gestodeno, Medroxiprogesterona, Ciproterona, Drospirenona, etc..... E o que o dienogest tem de diferente? Ainda é cedo para afirmar qualquer consideração. Mas, cabe citar alguns fatos: 
 1. Há pelo menos 30 anos, os progestógenos têm sido utilizados para o tratamento da endometriose e com eficácia de melhora da dor da endometriose em torno de 85% nos estudos apresentados. Assim, para ter relevância médica-científica há necessidade de comparar essa medicação com outros progestógenos. E, infelizmente, não há evidências que o dienogest é melhor que outros progestógenos. 
2. Existe uma pílula chamada de Qlaira® que contém o dienogest e cujo objetivo é a anticoncepção. Ela já está no mercado brasileiro há pelo menos dois anos. A diferença é a presença de estrogênio na pílula (Valerato de estradiol) em alguns comprimidos, portanto, o dienogest tem ação anticoncepcional, bem como, existem algumas alternativas anticoncepcionais hormonais compostos somente por progestógenos na sua composição, como o Cerazatte®, o Depoprovera®, o Contracept®, etc... com ótima eficácia. Portanto, supõe-se que o Allurene® tem efeito anticoncepcional, mas, a empresa sugere o uso de métodos anticoncepcionais associado a ele, desde que não seja hormonais. Ou seja, não se deve usar pílula, injeção, adesivos, anéis vaginais hormonais associados ao Allurene. Com isso sobram os preservativos, o DIU de cobre, dentre outros. 
3. A grande diferença do Allurene® está no texto da bula que o descreve como medicação para endometriose e nas outras alternativas de progestógenos não há este texto. E, para divulgar qualquer objetivo da ação da medicação há necessidade de comprovar sua eficácia, os efeitos colaterais, etc..., ou seja, uma burocracia enorme. E, o Allurene® é o primeiro progestógeno que cumpriu estas demandas. 
4. Finalmente, entendo que a medicação não deve ser autoadministrada e cada paciente deve ser avaliada individualmente. O uso do Allurene® não será a solução para todas as mulheres com endometriose. E, para àquelas que estão bem com o progestógeno utilizado, em minha opinião não há necessidade de trocar seu anticoncepcional para o Allurene®.
5. O mais importante, ainda, é um bom acompanhamento médico e diagnosticar a endometriose o mais precocemente possível. E, neste sentido, ainda, temos um longo caminho para percorrer, mas, muitos avanços têm sido alcançados. E, garanto que há muito empenho médico-científico no mundo inteiro e no Brasil, por alguns grupos que se dedicam para buscar novos métodos para o diagnóstico precoce, tratamento da dor, infertilidade e todos os aspectos negativos da endometriose.

- O uso de anticoncepcionais que contém estrógeno em sua fórmula faz aumentar a endometriose? Hosana Santana, de São Paulo, capital

Não! Pois, o principal componente dos anticoncepcionais é o progestógeno, a quantidade de estrogênio é baixa e, de fato, esse hormônio é somente um “tempero” para diminuir as chances de escapes sanguíneos. Esses escapes são uma queixa muito frequente nas usuárias de pílulas composto por apenas progestógeno e o estrogênio traz uma regularidade ao ciclo.

Sobre o dr. Hélio Sato:


Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e  endometriose e em laparoscopia. Ele tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo. É pesquisador principal de projeto regular da FAPESP.


Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL (“American Society of Gynecology Laparoscopy”) e é membro associado da clinica GERA de reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato).


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ALLURENE OU VISANNE: TUDO SOBRE O NOVO REMÉDIO QUE COMBATE ÀS DORES DA ENDO!!!



Na quinta-feira, dia 09, cobri meu primeiro evento como jornalista pelo blog: a coletiva de imprensa do novo medicamento da Bayer, que promete acabar com a dor da endometriose. Só não postei no mesmo dia, porque cheguei muito cansada em casa. Adivinha qual o nome desse remédio? No Brasil, ele se chama Allurene, mas na Europa, já é comercializado há alguns anos com o nome de Visanne. Quando recebi o convite e escutei as palavrinhas mágicas: remédio que acaba com a dor da endometriose, juro que pensei: “Justo agora, que não tenho mais aquelas dores fortes. Mas, logo em seguida, pensei de novo: “Ainda bem, pois tem muitas mulheres vivendo como se estivessem no inferno, naquela quentura toda por conta das dores fortes. Mas, qual dor esse medicamento vai combater?” Afinal, as portadoras de endometriose sentem tantas dores. É dor abdominal, dor pélvica, dor na lombar, dor nas pernas, dor durante as relações sexuais, dor muscular, é dor no corpo todo... e por aí vai, só para constar algumas das nossas dores. Sem contar que as dores aparecem de diversas maneiras, como ardência, pontadas (que pode ser como facadas e/ ou agulhadas), ferroadas, dentre muitas outras.

Já percebi que esse remédio é o assunto do momento. Então, vamos lá. O Allurene é um repositor hormonal à base de dienogeste, um tipo de progesterona, que inibe a produção do estrógeno no endométrio. Como sabemos, é o estrógeno que alimenta a endo. E, com esse hormônio sintético de progestina, “as lesões não recebem mais o alimento e morrem de fome”, explicou Theo van der Loo, presidente da Bayer no Brasil. Sem alimentar as lesões de endometriose, o Allurene promete combater às dores pélvicas e também à dispareunia, a dor durante as relações sexuais. Quem falou sobre a dispareunia foi o especialista espanhol dr. Francisco Carmona, professor da Universidade de Barcelona e chefe do serviço de ginecologia na Clínica e Hospital de Barcelona, que viajou ao Brasil, pela primeira vez. Confesso que gostei muito da explicação dele sobre o assunto. De acordo com dr. Carmoma, ao combater às dores pélvicas, esse remédio pode melhorar a libido da mulher e, consequentemente, a paciente pode voltar às suas atividades sexuais. O especialista catalão afirmou que muitos médicos não tratam a dispareunia por terem vergonha de perguntar às pacientes sobre suas atividades sexuais ou por falta de informação mesmo. Acreditam?


Ele tem a mesma ação dos análogos de GnRH, tipo o Zoladex, só que sem os tão tenebrosos efeitos colaterais do Zola. O Allurebe é o primeiro tratamento a longo prazo para tratar a endometriose. Conforme todos os especialistas que estavam lá, os análogos de GnRh não devem ser usados por mais de 6 meses, pelo simples fato de causar a osteoporose, já que afeta nossa massa óssea, tirando o cálcio dos nossos ossos. Durante o estudo realizado por 15 meses, os efeitos colaterais mais observados no ensaio clínico do Allurene foram: dores de cabeça, desconforto nos seios, depressão, alteração do sangramento menstrual. Durante as explicações nenhum especialista falou sobre o preço e se o medicamento iria atingir boa parte das mais de 10 milhões de brasileiras acometidas pela doença. Quando abriram para perguntas, levantei o dedo e soltei a minha: “A Bayer pensa em popularizar o medicamento, porque R$ 200 reais a cartela com 28 comprimidos está muito fora da nossa realidade?” A resposta foi uma comparação com o Zoladex. “Comparando que os efeitos do medicamento são os mesmos do Zoladex, o Allurene é mais em conta. E também precisamos resgatar o investimento que tivemos durante os estudos e testes.” Enquanto eu estava no trânsito, a caminho do hotel Hyatt, onde se realizou a coletiva, fiz as contas: o meu Mirena custou R$ 718 reais e dura cinco anos: então por mês estou gastando 12 reais. Para um anticoncepcional à base de progesterona que custa em média R$ 50 reais (os já existentes no mercado): a mulher gasta R$ 600 reais por ano e 3 mil em cinco anos; agora com o Allurene, que cada caixa custar R$ 200 reais, cada mulher vai gastar cerca de R$ 2600 reais por ano e uns R$ 13 mil reais em cinco anos.


Dr. Thomas Faustaman, da Bayer, explica sobre o Allurene.
Theo van der Loo, presidente da Bayer no Brasil.


Dr. Francisco Carmona, que viajou de Madrid ao Brasil, para apresentar o Allurene ou Visanne, na Europa.

Se esse remédio aliviar as dores da endo mesmo, apenas uma parcela mínima da população poderá comprá-lo. Ainda bem que estou muito bem com o Mirena. Eu, que sou uma privilegiada em nosso país, por pertencer à classe média desde que nasci não teria condições de pagar por esse medicamento, imagine quem ganha um salário mínimo de R$ 622 reais. Outra jornalista perguntou se havia prazo de o medicamento ser entregue pelo SUS. E a resposta foi não, mas o presidente da Bayer deixou claro que a empresa está aberta para negociações com o governo. Quando ele disse isso, eu quase perguntei: “Qual governo, porque a nossa presidente não conhece e muito menos reconhece as portadoras de endometriose.” O governo federal não tem nenhum plano de governo para nós, portadoras de endometriose. E isso porque somos governados por uma mulher. Ah, que vergonha que eu tenho disso. Vamos ver se até seu mandato acabar, ela vai nos enxergar. Esse foi apenas o primeiro artigo para esclarecer algumas dúvidas sobre o Allurene. No Brasil há impostos altíssimos sobre os remédios e isso foi falado algumas vezes pelo Theo. Aliás, o governo deveria não só baixar, mas excluir os altos impostos brasileiros das medicações de doenças crônicas, mas isso só acontece com o câncer.  Segundo Theo, na Europa e nos Estados Unidos, esse medicamento é mais barato porque não há impostos do governo sobre ele. E, em países de primeiro mundo, ou o governo paga os medicamentos ou os planos de saúde. Eu gostei muito quando Theo falou sobre isso e mais ainda quando ele disse que a Bayer está aberta a negociações. Vamos torcer para que isso aconteça. Beijos com carinho!!

domingo, 5 de agosto de 2012

VAMOS MOSTRAR AOS NOSSOS GOVERNANTES QUE NÓS EXISTIMOS E QUE SOMOS MUITAS?!


É muito triste vivermos num país, onde pagamos impostos altíssimos e, mesmo assim, não ser reconhecidas pelos nossos governantes. No Brasil, os cidadãos pagam até mesmo para respirar. Alguém já parou para pensar, o quão alto está nossos impostos? Alguém já parou para pensar que pagamos, mas nosso dinheiro não é revertido em nada? Por que falta tudo aqui? Educação, saúde, moradia..... Então, onde vai parar nosso dinheiro? Bom, eu vou falar apenas sobre a área em que atuo, ou melhor, que quero atuar: saúde da mulher. Há dois anos, desde o último Censo, em 2010, já sabemos que somos mais mulheres do que homem em nosso país. De lá para cá, com certeza este número já aumentou e muito! Mas, como ainda não saiu o novo Censo, segundo o de 2010, somos 97.342.162 contra 93.390.532 homens. Ou seja, há dois anos existia 4 milhões a mais de mulheres do que homens no país. Aí, eu pergunto: "Existe alguma política em prol da saúde da mulher?". Não, claro, que não. E sabe o que é pior, nenhum político está interessado em ajudar ninguém, muito menos as mulheres. Gente, todas pessoas, seja aqui ou em qualquer lugar do mundo, são cercadas por mulheres. Elas são nossas mães, namoradas, esposas, irmãs, primas, tias, amigas, companheiras, ufa, em todos os lugares tem uma mulher. 

Infelizmente, o Brasil é o país que mais tem mulheres acometidas pela endometriose. Somos cerca de 10 a 15 milhões de mulheres. Os médicos ainda falam em 6  milhões, mas esses números estão errados, porque eles colocam as mulheres apenas que estão em idade reprodutiva. A idade reprodutiva vai dos 15 anos 45 anos, mas e aquelas que têm endometriose na adolescência e depois dos 45, não entram na estatística? Claro que não, porque tudo que fazem por aqui tem de ser malfeito, ou então, pela metade. Eu estou aqui para botar a boca no trombone! A minha endometriose começou aos 13 anos e, assim como a minha, muitas também surgem na adolescência e até mesmo na menarca (nota da editora: a primeira menstruação). Sabe o que me dá mais vergonha de ser brasileira? É ser governada por uma mulher, Dilma Rousseff, que tanto quis e pediu para colocar um (a) na frente da palavra presidente, mas que não reconhece a doença feminina mais cruel que já existiu no mundo. Sim, a endometriose não mata rapidamente, como pode acontecer com quem tem câncer, mas mata com o passar dos anos, em especial, quem depende da morfina 24h por dia. Por isso, a maioria das pessoas acham que ter endometriose não é nada, é uma frescura. Gente, já faz tempo que descobri o quanto esta doença é terrível. Ou alguém acha que eu seria louca em dizer: "Ah, é bom ter dores 24 horas por dia, 7 dias na semana. É uma delícia viver numa cama, longe de todos e de tudo, não ter qualidade de vida, não ter relação sexual com seu namorado e ou marido, privar-se de sair com os amigos, com a família, com o namorado. É ótimo ser mandada embora do trabalho porque temos de ir ao médico, temos de fazer fisioterapia e milhões de exames. É normal você saber que não pode gerar um filho, que tem de fazer várias cirurgias. Melhor ainda é tomar doses e doses de morfina diariamente, como minha amada amiga Gisele Dhal. A Gi só tem 32 anos e já é dependente da morfina. Alguém sabe o que pode acontecer com uma pessoa dependente de mofina? Ainda mais tão jovem como ela? 

Existem portadoras de endo que vivem como como a minha tia, mas a minha tia estava com câncer terminal e, graças a Deus, o sofrimento da minha tia acabou rápido, em menos de 2 meses, pois ela desencarnou e foi descansar ao lado de nosso Pai. Acompanhei boa parte dos 15 anos que minha tia viveu com câncer e, de fato, seus últimos anos e meses, foram horríveis. O câncer é uma doença horrível, mas num determinado momento, o doente vai descansar. Com a endometriose, infelizmente, isso não é possível. Milhões de mulheres vivem presas às suas camas, sem contato com o mundo exterior e, com isso, entram numa depressão profunda. Muitas tentam suicídio e outras tantas o cometem. A endometriose é uma doença tida como benigna, mas que tem seu comportamento maligno. O quesito maligno é porque onde tem focos da endo, eles vão se instalando e comendo pouco a pouco esses órgãos. Em muitas histórias das leitoras já  contadas no A Endometriose e Eu, muitos foram os casos de mulheres que retiram parte ou a totalidade de seus órgãos. A endo não é levada à sério pelos governantes, pela população e pelos médicos, inclusive, muitos ginecologistas, porque muitos dizem: "Ah, é só retirar o útero e está tudo certo." Nããninnanão! Não basta retirar o útero, é preciso retirar os ovários, e, consequentemente, em muitos casos, lá se vai as trompas também. Uma mulher só é mulher pelo fato de nós termos todos esses órgãos reprodutivos, que a endometriose nos rouba. Na última sexta-feira, eu fiquei ainda mais perplexa com a crueldade da endometriose. Leia atentamente, o comentário que a nossa querida leitora Áurea deixou no face do blog: "Amigas desta página, após 13 cirurgias, a última me deixou em coma profundo por 65 dias e 3 meses no hospital (fiz traqueostomia e fui colostomizada!), estou com uma sensação de desespero profundo. Aos 36 anos, destes, 10, já luto contra a endo, não sei mais o que é passar um dia mais sem dor! Dor crônica! 24 horas! Agora, após retirar tudo: útero, ovários, trompas, intestino grosso, o que mais tirar? Agora estou com um hemangioma na coluna. Vou fazer uma cintilografia óssea e outro exame com choques (não me recordo o nome).... alguém já passou por algo tão agressivo assim?" 

E aí, será que, de fato, a endometriose não é nada? A endo é mais do que uma doença, é uma condição de vida. Em muitos casos, ela comanda a nossa vida e é preciso viver refém dela. A endo mata aos poucos, mas muito mais rápido do que nós pensamos. E estas mulheres que vivem dependentes da morfina? Acham que é normal, tomar morfina todos os dias?! Esse medicamento é outro veneno e contribui para nos matar aos poucos. Nós, portadoras de endometriose, precisamos pensar em tudo isso, antes de decidir em quem iremos votar nas próximas eleições. Uai, se não existimos para os nossos políticos, porque somos obrigadas a votar? Isso não entra na minha cabeça e ninguém é obrigado a fazer nada contra sua vontade. Acho que o dia que os votos nulos forem maior do que os válidos, nosso país poderá ser diferente e seguir um novo rumo. No que depender de mim, nenhuma portadora do Brasil, seus familiares e amigos irão votar em outubro. Reflitam sobre o texto e aguardem! 

E continuem votando no A Endometriose e Eu no prêmio Top Blog Brasil 2012. É só entrar na página do blog, clicar no selo do prêmio, que está à direita da página piscando, e seguir os passos. Neste ano, cada pessoa pode votar com um e-mail, com seu facebook e seu twitter. São três chances de votos. Lembrando que, para votar com o face e com o twitter, é preciso clicar no 'Ir para o aplicativo' e pronto, seu voto foi computado com sucesso. Já por e-mail, é necessário validar o voto clicando no link do e-mail que você vai receber em sua caixa de entrada. Vamos tornar a endometriose conhecida de nossa população e reconhecida de nossos governantes. É uma vergonha o Brasil ser comandado por uma mulher, que não conhece e nem reconhece a doença mais cruel e tipicamente feminina que atinge cerca de 10 a 15 milhões de mulheres no país. É o A Endometriose e Eu, o pioneiro no mundo em retratar a vida de uma portadora de endometriose, na luta pelo reconhecimento da endometriose como uma doença social e de saúde pública. Com a ajuda de todos conseguiremos mostrar que existimos e que somos muitas. Afinal, juntas somos ainda mais fortes. Beijos com carinho!



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

DOIS MESES SEM DORES E MAIS UMA ESTREIA NO BLOG!!

Há dois meses, eu vivo um sonho! Sabe aquele sonho gostoso, o qual você nunca quer acordar? Pois é, eu estou assim! Hoje celebro 60 dias de uma nova vida! Aos 34 anos recomeço aquilo que estava adormecido há pelo menos 10 anos. Ainda me faltam oportunidades profissionais, mas sei que isso é questão de tempo. Hoje, só tenho a agradecer ao nosso Pai, que me deu a oportunidade de recomeçar minha vida. Foram tantos pedidos a Ele. Sei que muitas de minhas endoirmãs não terão essa chance, pois se encontram num estado mais debilitado de endometriose profunda e infiltrativa, mas sei que para Deus nada é impossível. Basta ter fé, perseverança e esperança. Por isso, eu peço a Ele todos os dias que dê uma chance às 176 milhões de mulheres que, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), sofrem com a doença  no mundo todo. Um dos meus sonhos (sim, eu sonho muito e muito alto!) é noticiar no blog a cura da endometriose. Esse será o dia mais feliz de toda a minha vida!!

Enquanto isso não acontece, o A Endometriose e Eu tem o orgulho em anunciar mais uma parceria: a partir deste mês, meu médico, ginecologista especializado em endometriose, dr. Hélio Sato, terá uma coluna mensal no blog. Nela, ele irá responder 4 dúvidas das minhas leitoras. Não é fantástica mais essa novidade? Após começar a traduzir, com exclusividade no Brasil, os artigos do cientista inglês Matthew Rosser, o blog agora ficará ainda mais completo com a ajuda do dr. Hélio. Fazia tempo que eu queria isso e fiquei muito feliz quando ele aceitou meu convite. Quem tiver dúvidas, por favor, peço que deixem comentário neste post e não no facebook. Vou selecionar 4 perguntas para o dr. Hélio responder. Aproveito para agradecer o carinho de todas as minhas leitoras espalhadas pelo mundo. Eu nunca imaginei que o A Endometriose e Eu ultrapassaria a barreira dos oceanos, que um dia se tornaria o blog mais acessado, o mais lido e o com mais seguidores do mundo todo. Eu também não imaginaria que, com a endometriose, eu poderia conhecer pessoas incríveis e fazer amizades com mulheres de diversos países.

E continuem votando no A Endometriose e Eu no prêmio Top Blog Brasil 2012. É só entrar na página do blog, clicar no selo do prêmio, que está à direita da página piscando, e seguir os passos. Neste ano, cada pessoa pode votar com um e-mail, com seu facebook e seu twitter. São três chances de votos. Lembrando que, para votar com o face e com o twitter, é preciso clicar no 'Ir para o aplicativo' e pronto, seu voto foi computado com sucesso. Já por e-mail, é necessário validar o voto clicando no link do e-mail que você vai receber em sua caixa de entrada. Vamos tornar a endometriose conhecida de nossa população e reconhecida de nossos governantes. É uma vergonha o Brasil ser comandado por uma mulher, que não conhece e nem reconhece a doença mais cruel e tipicamente feminina que atinge cerca de 10 a 15 milhões de mulheres no país. É o A Endometriose e Eu, o pioneiro no mundo em retratar a vida de uma portadora de endometriose, na luta pelo reconhecimento da endometriose como uma doença social e de saúde pública. Com a ajuda de todos conseguiremos mostrar que existimos e que somos muitas. Afinal, juntas somos ainda mais fortes. Beijos com carinho!