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quinta-feira, 28 de julho de 2016

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR HÉLIO SATO!!

Em “Com a Palavra, o Especialista” deste mês separei as dúvidas sobre o dienogeste para o doutor Hélio Sato responder. Com o lançamento do dienogeste 2mg de outros laboratórios desde o início do ano, tenho recebido muitas dúvidas sobre a eficácia deles, já que eles são bem mais baratos que o Allurene. A eficácia é a mesma do original? Outra pergunta recorrente entre a maioria das endomulheres  é o escape com o uso deste hormônio. Troquei o laboratório e tive escape. Por que isso acontece? Meu organismo não se adaptou ao medicamento? O doutor Hélio Sato responde. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

- Doutor Hélio Sato gostaria de saber se os medicamentos com o dienogeste 2mg, como os genéricos, e outros que foram lançados neste ano são a mesma coisa que o Allurene? Anônima – São Paulo – SP

Doutor Hélio Sato: Sim! Na teoria todas estas alternativas tem o mesmo princípio ativo na quantidade adequada para sua ação.

- Quando terminei a minha primeira cartela do Allurene fiquei menstruada normalmente e continuou durante 10 dias mesmo continuando a tomar o medicamento sem pausa. Gostaria de saber se isso é normal ou se aconteceu por que o meu organismo não se adaptou ao remédio? Janayna Brasil – Pernambuco

Doutor Hélio Sato:  Este sangramento persistente denominado de escape sanguíneo ou “spotting” (gotejamento) ocorre durante o uso de derivados progesterona, componente das pílulas anticoncepcionais, inclusive o Allurene. Este efeito colateral é amplamente relatado nas usuárias dos derivados e não significa que não está ocorrendo à adaptação e tão pouco que não está sendo eficaz. O aborrecimento referido pelo escape sanguíneo é sua imprevisibilidade e persistência independentemente das medidas para conter sua manifestação.


Sobre o doutor Hélio Sato: 

Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose, em laparoscopia e em reprodução humana. Tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e foi corresponsável do Setor de Algia Pélvica e Endometriose da mesma instituição. 


Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é coordenador de pesquisas da clínica de reprodução humana GERA e está à frente nas seguintes linhas de pesquisas: endometriose, biologia celular e molecular, cultura celular, polimorfismo gênico e reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato). 


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ALLURENE OU VISANNE: TUDO SOBRE O NOVO REMÉDIO QUE COMBATE ÀS DORES DA ENDO!!!



Na quinta-feira, dia 09, cobri meu primeiro evento como jornalista pelo blog: a coletiva de imprensa do novo medicamento da Bayer, que promete acabar com a dor da endometriose. Só não postei no mesmo dia, porque cheguei muito cansada em casa. Adivinha qual o nome desse remédio? No Brasil, ele se chama Allurene, mas na Europa, já é comercializado há alguns anos com o nome de Visanne. Quando recebi o convite e escutei as palavrinhas mágicas: remédio que acaba com a dor da endometriose, juro que pensei: “Justo agora, que não tenho mais aquelas dores fortes. Mas, logo em seguida, pensei de novo: “Ainda bem, pois tem muitas mulheres vivendo como se estivessem no inferno, naquela quentura toda por conta das dores fortes. Mas, qual dor esse medicamento vai combater?” Afinal, as portadoras de endometriose sentem tantas dores. É dor abdominal, dor pélvica, dor na lombar, dor nas pernas, dor durante as relações sexuais, dor muscular, é dor no corpo todo... e por aí vai, só para constar algumas das nossas dores. Sem contar que as dores aparecem de diversas maneiras, como ardência, pontadas (que pode ser como facadas e/ ou agulhadas), ferroadas, dentre muitas outras.

Já percebi que esse remédio é o assunto do momento. Então, vamos lá. O Allurene é um repositor hormonal à base de dienogeste, um tipo de progesterona, que inibe a produção do estrógeno no endométrio. Como sabemos, é o estrógeno que alimenta a endo. E, com esse hormônio sintético de progestina, “as lesões não recebem mais o alimento e morrem de fome”, explicou Theo van der Loo, presidente da Bayer no Brasil. Sem alimentar as lesões de endometriose, o Allurene promete combater às dores pélvicas e também à dispareunia, a dor durante as relações sexuais. Quem falou sobre a dispareunia foi o especialista espanhol dr. Francisco Carmona, professor da Universidade de Barcelona e chefe do serviço de ginecologia na Clínica e Hospital de Barcelona, que viajou ao Brasil, pela primeira vez. Confesso que gostei muito da explicação dele sobre o assunto. De acordo com dr. Carmoma, ao combater às dores pélvicas, esse remédio pode melhorar a libido da mulher e, consequentemente, a paciente pode voltar às suas atividades sexuais. O especialista catalão afirmou que muitos médicos não tratam a dispareunia por terem vergonha de perguntar às pacientes sobre suas atividades sexuais ou por falta de informação mesmo. Acreditam?


Ele tem a mesma ação dos análogos de GnRH, tipo o Zoladex, só que sem os tão tenebrosos efeitos colaterais do Zola. O Allurebe é o primeiro tratamento a longo prazo para tratar a endometriose. Conforme todos os especialistas que estavam lá, os análogos de GnRh não devem ser usados por mais de 6 meses, pelo simples fato de causar a osteoporose, já que afeta nossa massa óssea, tirando o cálcio dos nossos ossos. Durante o estudo realizado por 15 meses, os efeitos colaterais mais observados no ensaio clínico do Allurene foram: dores de cabeça, desconforto nos seios, depressão, alteração do sangramento menstrual. Durante as explicações nenhum especialista falou sobre o preço e se o medicamento iria atingir boa parte das mais de 10 milhões de brasileiras acometidas pela doença. Quando abriram para perguntas, levantei o dedo e soltei a minha: “A Bayer pensa em popularizar o medicamento, porque R$ 200 reais a cartela com 28 comprimidos está muito fora da nossa realidade?” A resposta foi uma comparação com o Zoladex. “Comparando que os efeitos do medicamento são os mesmos do Zoladex, o Allurene é mais em conta. E também precisamos resgatar o investimento que tivemos durante os estudos e testes.” Enquanto eu estava no trânsito, a caminho do hotel Hyatt, onde se realizou a coletiva, fiz as contas: o meu Mirena custou R$ 718 reais e dura cinco anos: então por mês estou gastando 12 reais. Para um anticoncepcional à base de progesterona que custa em média R$ 50 reais (os já existentes no mercado): a mulher gasta R$ 600 reais por ano e 3 mil em cinco anos; agora com o Allurene, que cada caixa custar R$ 200 reais, cada mulher vai gastar cerca de R$ 2600 reais por ano e uns R$ 13 mil reais em cinco anos.


Dr. Thomas Faustaman, da Bayer, explica sobre o Allurene.
Theo van der Loo, presidente da Bayer no Brasil.


Dr. Francisco Carmona, que viajou de Madrid ao Brasil, para apresentar o Allurene ou Visanne, na Europa.

Se esse remédio aliviar as dores da endo mesmo, apenas uma parcela mínima da população poderá comprá-lo. Ainda bem que estou muito bem com o Mirena. Eu, que sou uma privilegiada em nosso país, por pertencer à classe média desde que nasci não teria condições de pagar por esse medicamento, imagine quem ganha um salário mínimo de R$ 622 reais. Outra jornalista perguntou se havia prazo de o medicamento ser entregue pelo SUS. E a resposta foi não, mas o presidente da Bayer deixou claro que a empresa está aberta para negociações com o governo. Quando ele disse isso, eu quase perguntei: “Qual governo, porque a nossa presidente não conhece e muito menos reconhece as portadoras de endometriose.” O governo federal não tem nenhum plano de governo para nós, portadoras de endometriose. E isso porque somos governados por uma mulher. Ah, que vergonha que eu tenho disso. Vamos ver se até seu mandato acabar, ela vai nos enxergar. Esse foi apenas o primeiro artigo para esclarecer algumas dúvidas sobre o Allurene. No Brasil há impostos altíssimos sobre os remédios e isso foi falado algumas vezes pelo Theo. Aliás, o governo deveria não só baixar, mas excluir os altos impostos brasileiros das medicações de doenças crônicas, mas isso só acontece com o câncer.  Segundo Theo, na Europa e nos Estados Unidos, esse medicamento é mais barato porque não há impostos do governo sobre ele. E, em países de primeiro mundo, ou o governo paga os medicamentos ou os planos de saúde. Eu gostei muito quando Theo falou sobre isso e mais ainda quando ele disse que a Bayer está aberta a negociações. Vamos torcer para que isso aconteça. Beijos com carinho!!