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domingo, 25 de setembro de 2016

GRAVIDEZ EM TEMPOS DE ZIKA VÍRUS! TUDO QUE ROLOU NO LANÇAMENTO DA CAMPANHA "VAMOS CONVERSAR"!

Eu e a atriz Samara Felippo, madrinha da
campanha "Vamos Conversar" que aborda a gravidez em tempos de Zika".
Fotos Caroline Salazar


Por Caroline Salazar

No último dia 19 de setembro participei do lançamento oficial da campanha “Vamos Conversar”, que aborda a gravidez em tempos de Zika vírus, no espaço Praça São Lourenço, na Vila Olímpia, em São Paulo. A apresentação da campanha ficou por conta da doutora Hitomi Miura Nakagawa, da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), e contou com a presença da atriz Samara Filippo, madrinha da empreitada. "Vesti a camiseta desta campanha por ser mãe, e também por poder compartilhar deste momento que está sendo de grande aprendizado", disse a mãe de Alícia, 7 anos, e Lara, 3, que deseja ter mais filhos. "Não estou planejando, mas tenho vontade de ter mais um. Na época das minhas duas gestações ainda não se falava em Zika, mas se eu engravidar teria a preocupação de me prevenir, mas eu não ficaria neurótica", revelou Samara.

Entre os especialistas que conversaram com os jornalistas estavam presentes: a doutora Melissa Falcão, membro do comitê de Arbovirose da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), os doutores Mário Cavagna Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), Edson Borges Junior, coordenador do departamento de infertilidade masculina da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU),e Newton Busso, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

 O bate-papo descontraído com os doutores Newton Busso, Melissa Falcão, Edson Borges Junior e Mário Cavagna Neto

Foi uma manhã repleta de informações relevantes sobre o vírus, a microcefalia e também a gravidez, em especial, a tardia. Muito se questionava se vale realmente a pena postergar ainda mais a gestação por conta do risco de contágio. Até maio de 2016 foram registradas 7.584 gestantes com suspeita de Zika. Destes 2844 foram confirmados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


Vou escrever em tópicos as principais informações do evento. Mais informações sobre o assunto podem ser sanadas no site da campanha www.gravidezemtemposdezika.com.br que reúne dicas e informações para que o casal possa planejar a gravidez com segurança. O site também vai esclarecer os mitos e as verdades sobre o vírus e é uma parceria das entidades médicas já citadas acima com a Merck.

- Adiar a gravidez nem sempre é o melhor caminho, já que o Zika veio para ficar;
- A incidência em São Paulo ainda é pequena;
- É preciso esclarecer a população, rever algumas normas e orientar as mulheres;
- A comunidade científica comprovou a relação entre o Zika e a microcefalia em maio passado;
- O problema do Zika é que atinge o embrião em sua formação, ou seja, na embriogênese;
- 80% das mulheres que adquirem o Zika não têm sintoma;
- Se uma gestante pegar a virose, isso não significa que o bebê terá microcefalia. A maioria dos fetos nasce sem a doença, apenas 1 a 13% nascem com a doença. A relação é proporcional a Síndrome de Down para a mulher que engravida acima de 40 anos;
- No verão a tendência aumentar a incidência da doença a cada ano, bem como acontece com a Dengue;
 - Quem já foi infectado pelo Zika fica imunizado, diferente da Dengue;
- A Chikungunya não está relacionada a má formação fetal;
- Para as mulheres infectadas pelo Zika e que querem engravidar o melhor caminho é controlar a doença primeiro para depois engravidar para não ingerir medicamentos relacionados à doença durante a gestação;
- A Sífilis e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis também têm alta incidência e também podem afetar o bebê;
- A idade média atual da primeira gravidez é 30 anos;
Erica Smith e Flavia Felix, ambas
da comunicação da Merck.
- A qualidade do óvulo piora ao longo da vida. Por isso é raro uma gravidez numa mulher acima de 44 anos com seus próprios óvulos. Na maioria das vezes, utiliza-se a ovodoação;
- Maior número de abortos quando a mulher engravida após 40 anos. Nesta fase cai pela metade as chances de a gravidez evoluir, tendo cerca de 40 a 50% de chances de abortamento. Num casal jovem, com 25 anos, a chance de aborto é de 10% e até 30 e poucos anos é de 20%;
- A mulher que opta pela gestação tardia tem maior chance de ter doenças como diabetes, hipertensão e tireoide, dentre outras.
- Homens que têm filhos após os 50 anos aumenta a chance de doença congênita, como a Síndrome de Down, por exemplo. Já a mulher aos 40 anos tem uma chance a cada 100 de ter o bebê com Down;
- A mulher tem o direito de escolher quando quer ser mãe.

Prevenção do Zika Vírus:

- Usar repelente e seguir as recomendações dadas pelo fabricante na embalagem;
- O mosquito pica mais durante o dia, em especial, pela manhã. Ficar atenta;
- Usar roupas de manga compridas, calças, e de preferência de cores claras;
- Ficar em ambiente refrigerado, onde dificilmente o mosquito sobrevive;
- Manter telas na janelas e portas;
- Usar preservativo, pois há a possibilidade de transmissão do vírus pelo sexo, seja pela secreção vaginal ou pelo sêmen;
- Se o homem pegou o Zika e sua mulher quer ou está tentando engravidar o ideal é manter relações sexuais com preservativo por pelo menos seis meses;
- Se o homem pegou Zika e sua mulher está grávida é preciso manter relações sexuais com preservativo, pois a microcefalia se dá na embriogênese;
- A mulher que amamenta e que foi contaminada pelo vírus deve manter o aleitamento materno, pois há mais benefícios no leite materno que malefícios causados pela doença;

terça-feira, 23 de agosto de 2016

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR HÉLIO SATO!!

Neste mês em “Com a Palavra, o Especialista”, o doutor Hélio Sato fala a respeito do Zika vírus. Recebi muitas perguntas sobre o tema e vamos abordá-lo, pela primeira vez, no A Endometriose e Eu. Além de explicar a relação do vírus com a microcefalia, o doutor Hélio dá dicas de como uma gestante poderá se prevenir deste vírus.  A segunda questão vem de um endomarido gaúcho. Ele quer saber por que sua esposa continua com o inchaço abdominal mesmo após a videolaparoscopia. Infelizmente muitas endomulheres sofrem com a distensão abdominal, que é um dos sintomas da endometriose. Porém é preciso analisar se esse inchaço vem após ingerir alguns alimentos. Já abordamos este tema no blog, numa tradução da doutora Danielle Cook "O que as bactérias do seu intestino têm a ver com o inchaço abdominal?".  Eu tinha muito inchaço abdominal, mas o que causava isso eram as aderências das minhas alças intestinais, que graças a Deus foram todas removidas na minha segunda e última cirurgia, em 2012. Desde então, não tenho mais nada! O doutor Hélio explica porque isso acontece. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

- Qual a relação do Zika vírus e a microcefalia? Como prevenir uma mulher grávida deste vírus?

Doutor Hélio Sato: Muito embora o Zika vírus tenha sido isolado pela primeira vez em 1947, as pesquisas sobre sua ação, sua manifestação e outras características do vírus são datadas mais recentemente, pois, tornou-se relevante após as evidências da associação com a microcefalia em 2015. Portanto, muitas informações sobre esta infecção estão incompletas. Dentre estas dúvidas, as razões pela qual o vírus causa a microcefalia ainda estão indefinidas. Porém, sustenta-se que o risco do bebê desenvolver a microcefalia é maior quando a infecção ocorre no primeiro trimestre da gestação e estima-se que a microcefalia ocorre entre 1% a 22% das gestantes que tiveram a infecção pelo Zika. E alguns pesquisadores apontaram que alguns fatores aumentam o risco da microcefalia em caso de infecção durante a gravidez, tais como: a alta taxa de açúcar no sangue, a baixa de vitamina D, consumo de álcool e tabagismo. Portanto, além dos cuidados do uso de repelentes, evitar os criadouros do mosquito, não ir a locais com maior incidência da infecção anteriormente e durante a gravidez e outros, como o cuidado com a dieta, parar de fumar e uso de vitamina D auxiliam na prevenção da microcefalia.

- Oi Caroline, sou um endomarido e gostaria que o doutor Sato respondesse algumas dúvidas: mesmo depois da vídeolaparoscopia minha esposa continua com muitos inchaços na barriga e as dores, que agora só ocorrem durante ou imediatamente depois desses inchaços. Gostaria de saber por que ocorrem esses inchaços e o que podemos fazer quando eles ocorrem e também se há alguma posição que ela pode ficar para aliviar as dores. P.S. - Rio Grande do Sul.


Doutor Hélio Sato: A maioria das vezes a distensão (inchaço) súbito do abdômen decorre do acúmulo de gases dentro dos intestinos e, muitas vezes, são desconfortáveis mesmo. Deste modo, consideraria reavaliar se não há alguma intolerância alimentar que leve a acúmulo dos gases ou mudança da dieta para auxiliar a eliminação. E, sugiro conversar com o médico que fez a laparoscopia, para ele dizer se foi ou não observado alguma aderência que pudesse limitar a movimentação plena do intestino.


Sobre o doutor Hélio Sato: 

Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose, em laparoscopia e em reprodução humana. Tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e foi corresponsável do Setor de Algia Pélvica e Endometriose da mesma instituição. 


Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é coordenador de pesquisas da clínica de reprodução humana GERA e está à frente nas seguintes linhas de pesquisas: endometriose, biologia celular e molecular, cultura celular, polimorfismo gênico e reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato).