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quinta-feira, 11 de maio de 2017

A HISTÓRIA DA LEITORA SORAIA SABINO LARA, SUA ENDOMETRIOSE PROFUNDA E SUA GESTAÇÃO DO CORAÇÃO!!

A mineira Soraia Sabino Lara, seu marido, Wellington Lara de Souza,
e o filho, que ainda não pode mostrar o rosto por decisão judicial


Neste mês de maio o A Endometriose e Eu conta uma história muito especial da leitora mineira Soraia Adriana Sabino Lara, de 40 anos, que descobriu ser portadora de endometriose profunda anos após ser diagnosticada com infertilidade sem causa aparente, e quase 10 anos após iniciar suas primeiras tentativas de gestar seu bebê. Cerca de 20% da infertilidade feminina e masculina não tem causa aparente, ou seja, não tem diagnóstico. Como muitas endomulheres, a Adriana só descobriu sua infertilidade após dois anos de frustradas tentativas para engravidar. Mesmo com esse possível diagnóstico, ela seguiu sua intuição e foi atrás por conta própria tentar descobrir o que tinha. No meio do caminho o marido de Adriana também se descobriu infértil. Com o desejo de ser pais, o casal optou pela adoção. Ser mãe é mais que gerar um filho no ventre, é gerar seu filho primeiramente no coração, lugar onde todos os filhos devem ser gerados. Eu gosto muito de contar histórias de leitoras que se tornaram mães no Mês das Mães, e neste ano, minha emoção é maior, pois é a primeira vez que contamos um testemunho de adoção na coluna. É impressionante como nossos filhos são os escolhidos de Deus, sejam eles gerados no ventre ou no coração. E o emocionante testemunho de Adriana é a prova disso. Afinal, quando sabemos se é essa ou aquela criança? E se eu sentir aquela identificação com a criança? Isso aconteceu com Adriana e seu marido. Após o relato de Adriana temos certeza que precisamos espalhar a correta conscientização da endometriose para que outras mulheres não passem o que ela passou. O descaso e o despreparo dos médicos são absurdos e temos de mudar esta realidade o mais urgente possível. E juntas iremos conseguir. Mais um texto que vai inspirar muitas endomulheres que desejam alcançar o sonho da maternidade. Segurem as lágrimas. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Nota da editoraA Adriana entrou em contato comigo após os textos da coluna "Gestação do Coração", onde nossa querida Ane relata sua maternidade por meio da adoção. Por questão judicial, a Adriana ainda não pode mostrar o rosto do filho e nem falar seu nome, mas com certeza ela voltará na coluna "Gestação do Coração", quando sair a guarda definitiva para mostrar sua preciosidade.

“Meu nome é Soraia Adriana Sabino Lara, tenho 40 anos e sou casada com o Wellington Lara de Souza, de 43, e sou de Ibirité, região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais. Estamos casados há 20 anos e, desde namorados, sempre planejamos filhos em nossas vidas. Dizíamos que iríamos ter três filhos, mas a história não foi tão simples como imaginávamos.

Quando tínhamos quatro anos de casados, em 2001, começamos a tentar ter filhos. Tentamos por meios naturais por quase dois anos. Como não conseguimos começamos a nos preocupar. Então, procurei médicos e fiz vários exames, mas nenhum deles detectava nada de errado comigo. Com isso meu marido começou a fazer exames também. E ora ele tinha alguma coisa, ora não apresentava nada. Ou seja, parecia que nem mesmo os médicos sabiam o que tínhamos.

Nisso se passaram mais uns dois anos fazendo exames e nada. Aí resolvemos ir a uma clínica de reprodução humana. Fizemos novos exames e o resultado foi: "esterilidade sem causa aparente". Não sei se era bom ou ruim ouvir isso. Mas mesmo assim nunca me pediram para fazer uma vídeolaparoscopia para verificarem se eu tinha algo mais grave ou não.

Decidiram que nós deveríamos fazer uma inseminação artificial na esperança de conseguirmos a tão sonhada gravidez. Fizemos a tal inseminação, mas eles não nos explicaram nada sobre os custos de todo o tratamento. Também não nos falaram que talvez precisássemos fazer três tentativas ou até mais, e que talvez teríamos que partir para fertilização a vitro, que é mais caro que a inseminação.

Fizemos apenas uma tentativa, que não deu nada certo. Quando soube que teria de fazer, pelo menos, três tentativas antes da FIV, desisti do tratamento. Na época não tínhamos conhecimento sobre valores e não sabíamos se dava para investir o pouco que tínhamos, já que os médicos não sabiam direito o que eu tinha. É bom ressaltar que nesta época ainda não se falava muito em endometriose. Comecei a ler muito sobre a infertilidade e suas causas e até achei que eu poderia ter a doença, cheguei a falar para alguns médicos, que não me derem ouvidos. Foi aí que resolvemos entrar na fila de adoção, pela a primeira vez. Eu já tinha certeza que queria adotar, mas meu marido entrou na fila meio que obrigado. Nessa época ele não queria muito a adoção, mas aceitou. E começamos a investigar a infertilidade de meu esposo.

Na época eu mesma falei que se meu marido tivesse feito um ou dois exames tinha sido muito. Ele foi a vários urologistas e depois de muitos, mas muitos exames constatou que ele tinha varicocele leve (nota da editora: inflamação das veias que drenam o sangue dos testículos e é a principal causa de infertilidade masculina, e mesmo tendo boa qualidade de esperma, eles tinham variações, uns eram mortos, outros lentos, outros deficientes e o restante guerreiros (risos). Até aí já era meados de 2003.

Enquanto esperávamos na fila continuei procurando a causa da minha infertilidade. Até que encontrei uma médica, que apesar de ela não tratar a endometriose, sugeriu que eu poderia ter a doença, e me indicou um médico. Passei em consulta com esse médico que me indicou outra. E aí depois de mais e mais consultas e exames, ela solicitou uma vídeolaparoscopia e foi constatada endometriose grau III quase IV. Depois de tanto tempo, em maio de 2010, descobri a causa da minha infertilidade.

Eu tinha focos em vários órgãos, em praticamente toda a minha pelve estava tomada de focos de endometriose. Eu tinha foco em toda a cavidade abdominal, nas paredes abdominais, no intestino, no fígado, na vesícula e meus ovários estavam aderidos ao útero.

Minha pelve também estava toda congelada. Fiz a cirurgia e ouvi da minha médica: “Você é louca de adotar filho. Você vai conseguir engravidar naturalmente agora. Sai da fila que você tem 90% de chance de engravidar”.

Como não conhecia nada sobre a endometriose e nunca tinha ouvido falar dessa doença, saímos da fila de adoção. Na expectativa de engravidar, tomei muitos hormônios, engordei 10 quilos e fiquei com menopausa precoce. Sofri muito nesta época.

Menos de um ano da primeira fiz outra videolaparoscopia para ver como estava minha endometriose e viram que estava tudo limpinho. Disseram que estava pronta para engravidar, mas como meu marido também tinha problema - mesmo simples -, mas o suficiente para não conseguirmos nosso positivo.

Eu e meu marido entramos numa depressão por causa de toda a situação. A partir daí decidimos entrar na fila de adoção novamente, e desta vez, decidimos que não iríamos mais sair dela. E se eu engravidasse naturalmente, ótimo se não iríamos ter filhos do mesmo jeito (nesta época meu marido já desejava muito a adoção).

Desse dia em diante se passaram mais um ano e eu precisei fazer nova cirurgia, pois com as tentativas para engravidar e os hormônios para ovular, a minha endometriose já estava no grau IV. Era agosto de 2014. Porém, desta vez, a cirurgia foi aberta. Foram 32 pontos com o corte igual da cesárea, e foram retirados 11 miomas, muitos, mas muitos cistos e metade de um dos meus ovários. Depois desta terceira cirurgia minha chance de engravidar já estava em quase 0.

Pelo fato de nesta época já estar na fila da adoção, me dei a chance de pensar mais em cuidar de mim e da minha saúde. Alguns meses depois coloquei o DIU Mirena e, desde então, estou ótima. Hoje faço somente controles anuais. Minha endometriose está controlada. Nesse período em que estivemos na fila apareceu algumas crianças para conhecermos, mas em nenhuma houve a identificação de pais e filho.

Mas seguimos em busca do nosso tão sonhado filho. No dia 16 de fevereiro de 2015 recebemos uma ligação de que tinha um menino de 1 ano e 5 meses à nossa espera. Ele tinha tamanho e trejeitos de um bebê de 10 meses. Os genitores eram usuários de drogas. A genitora era moradora de rua e o genitor desconhecido. Ele tinha micro pênis, hérnia inguinal, um leve problema cardíaco, baixo peso devido a não ter recebido alimento no período gestacional, não andava e não falava nada cm 1 ano e 5 meses.

Mas mesmo com todos “esses problemas” meu coração e o do meu marido diziam que ele era o nosso filho. Quatro dias depois do telefonema, no dia 20, fomos conhecer nosso tão esperado filho. E realmente foi confirmado que ele era o nosso filho. Durante uma semana o visitamos no abrigo. E finalmente no dia 27 o levamos para casa.

Tivemos apenas uma semana para comprar todo o enxoval, pintar o quarto, comprar móveis, comidinha de neném e tudo que um bebê tem direito. Na primeira noite em casa ele dormiu em nossa cama e parecia um sonho. Tudo era um sonho. Fizemos um chá de boas-vindas para ele, onde ele ganhou muitos presentes e a recepção dos amigos. Neste dia todos viram a nossa alegria por termos formado nossa família. Foi lindo. Mas nem tudo foi  flores.

Nos primeiros meses dele em casa eu ia com ele aos médicos, pois ele fazia alguns acompanhamentos e foi muito desgastante, pois eu não estava acostumada com nada disso e tudo foi diferente. Perdi os 10 quilos que eu tinha ganhado (risos) nos tratamentos de reprodução assistida. Mas tudo foi uma fase.

Ao passo que nosso filho ia ganhando amor, cuidados só para ele, atenção, comidinha caprichada, ele foi ganhando alta dos médicos também. Nessa época ele fazia acompanhamento com as seguintes especialidades: fisioterapeuta, cardiologista, endocrinologista pediátrico, nutricionista, geneticista, ortopedista, neurologista. Hoje ele só vai ao endocrinologista e ao geneticista.

Ele é um menino esperto, corre por todo canto, fala demais, já está na escolinha, conhece o Abc completo e conta de um a 100. Conhece as cores, inclusive, em inglês. O que nosso filho precisava para ajudar em seu desenvolvimento era de uma família que o amasse, de muito amor e cuidados, mais nada.

Hoje ele está com 3 anos e meio e posso dizer que agora sim nossa vida está completa. Agora estamos muito perto de ele ganhar definitivamente nosso sobrenome. Por isso não vamos mostrar ele de frente. Estamos seguindo uma orientação judicial de não expor ele ainda sem nosso sobrenome. Mas em breve vocês o verão de frente.

Eu sempre quis ser mãe, mas não necessariamente precisaria engravidar para realizar esse sonho. Eu tentei e muito ter meu biológico, mas Deus tinha outros planos para mim. Eu queria construir minha família ao lado de meu marido e hoje sou muito feliz e grata por ter conseguido. Meu filho não foi gerado em minha barriga, mas sim no meu coração e na minha mente.

Se você está passando por uma situação semelhante, meu conselho è: “Família é quem você escolhe para você. Família é quem você escolhe para viver”.  Quero muito agradecer o grupo Gaabh - Grupo de Apoio à Adoção de Belo Horizonte, que me manteve focada no nosso sonho e nos ajudou a conquistá-lo.

Um beijo carinhoso a todas que leram minha história e que você possa realizar o sonho da maternidade e da família, independente de onde eles venham. Eu amo minha família e espero que minha história inspire muitas endomulheres que lutam contra a infertilidade. Soraia”.



quinta-feira, 3 de abril de 2014

4 ANOS DE BLOG! A HISTÓRIA DA PORTUGUESA FATINHA COSTA E SUA ENDOMETRIOSE PÉLVICA E PULMONAR!


Fatinha com o filho e seu endomarido

Em ritmo de comemoração dos 4 anos do A Endometriose e Eu, nossa primeira "História das Leitoras" do mês de aniversário, é de arrepiar. O relato surpreendente da portuguesa Fatinha Costa, da cidade do Porto, vai mostrar que  quando temos fé e esperança tudo é possível, até mesmo para quem chega à beira da morte. Este testemunho comprova tudo que falamos aqui nesses anos todos: é preciso mais conhecimento acerca da doenaça, seriedade (por parte da sociedade e dos governantes),e, inclusive, até mesmo quando a doença é abordada. É preciso retirar tais rótulos (já falamos sobre "Doença da Mulher Moderna"), e, claro políticas públicas efetivas para que todas endomulheres tenham tratamento digno e de qualidade (que não precisem esperar meses por exames, anos por cirurgias). 

E, por falar em cirurgia, no testemunho de Fatinha também é comprovado que a videolaparoscopia (leia a recuperação pós-videolaparoscopia) não é uma cirurgia simples como muitos imaginam, principalmente, quando há muitos focos e aderências. Precisamos de equipe especializada, e mesmo assim, pode acontecer incidentes, assim como aconteceu com nossa endoirmã portuguesa, que levou-a ao coma. Quantas mulheres já não morreram numa laparoscopia! Em cada história contada aqui, vemos como nós somos realmente guerreiras, e que a maioria de nós, endomulheres, passamos por situações que colocam à prova a nossa fé. E para quem a mantém viva, independente da situação, com certeza nunca é esquecida por Deus. E a prova está aqui. Agradeço a Fatinha por nos presentear com mais uma história de fé, perseverança e esperança, pois com certeza, seu relato vai reavivar a fé e alimentar a esperança de muitas endomulheres. Leia também outro relato de endometriose pulmonar, o da americana Candice, e também o da capixaba Patrícia Gastaldi e sua endometriose diafragmática

Acesse aqui para assistir ao Programa EndoMulheres, meu programa na WEBTV Profissão Saúde. E, em breve, teremos outro canal de informação, que vai espalhar mais consciência sobre doença para muitas outras pessoas. E, neste caso, tanto no programa de tevê, quanto nesse novo projeto, posso dizer que é a união de sonho (ou muito além disso do que sempre sonhei) e realização profissional. Jamais imaginei que esse filhote aqui, hoje já com 4 anos, poderia realizar mais que eu sonhei para minha carreira jornalística. É uma felicidade sem fim! Obrigada a todos que transformaram o A Endometriose e Eu, o blog mais lido, e aos meus colaboradores, que me ajudam a manter o blog mais completo do mundo sobre endometriose. Se você quiser sua história nesta coluna envie para carolinesalazar7@gmail.com com o título "História das Leitoras". Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

“Meu nome é Fatinha Costa, sou portuguesa, natural do Porto, norte do país, tenho 47 anos e sou esteticista. Tinha 12 anos quando menstruei pela primeira vez, e desde ai, minha vida foi uma luta constante (dores e cólicas sempre fizeram parte dos meus períodos). Aos 19 anos casei e aos 20 queria engravidar. Queria ser mãe jovem, mas a gravidez não acontecia e algo dentro de mim me dizia que tinha que ser mãe o mais rápido possível. Como sempre tive muitas dores - desde os 12 anos -, achava que não era normal, pois não via as minhas amigas a passar o que eu passava, a sofrer as dores como eu sofria. Aos 20 comecei tratamentos para engravidar e tudo foi complicado, não sabia por que não engravidava. Tive uma gravidez falsa, muitos problemas e andei quatro anos a fazer tratamentos, tudo particular. Os médicos diziam que era estresse e muita ansiedade para engravidar. Sempre tive períodos menstruais com muitas dores…

O desespero era tanto que chegava a desejar a morte muitas vezes! Ninguém me compreendia! A palavra “é normal” estava na boca de muita gente. Ao fim de quatro anos engravidei. Tive uma gravidez muito complicada. Nove meses de vômitos e desmaios, mas meu filho nasceu! O meu filho tinha meses de vida quando imigrei para Londres. A cada ano que passava tudo se complicava ainda mais. As dores aumentavam e a qualidade de vida era cada vez menos. Fartei-me de correr atrás dos médicos, e eles me diziam que tudo era tudo fruto da minha imaginação, pois não acreditavam que eu tinha dores em tantos locais: ovários,útero, trompas, bexiga, intestino, reto, ligamentos sacrais, etc… O meu médico de família queria receitar-me antidepressivos. Dizia que essas dores eram por eu estar longe da família e amigos, e que eu me encontrava numa depressão, e que por isso,todo meu corpo manifestava-se essas dores. Foi uma batalha dura! 

Em 1993 minha mãe faleceu com câncer na barriga. Para meu desespero eu só pensava “eu vou em seguida e o meu filho é tão pequenino…” A minha mãe sempre teve muitas dores e nunca descobriu por que dessas dores. Acho que ela também tinha endometriose. Hoje que conheço a doença cada vez mais tenho ainda mais certeza que minha mãe tinha endometriose. Depois de tanto sofrer, e não ser compreendida, decidi voltar a Portugal e procurar hospitais particulares e fazer exames e mais exames. Até biópsias me fizeram, mas nada se descobriu. Até que voltei para Londres muito desanimada e preocupada. Aquela tortura ia aumentando até que já vomitava e desmaiava o tempo todo. Um dia consegui uma consulta com o doutor M. Morris um médico que trabalhava em Saint John's and Saint Elizabeth Hospital, um hospital muito conceituado. Tinha ouvido falar que era um grande médico e não parei mais até me consultar com ele. Esse médico mandou-me fazer mais exames e nada de anormal até que me propôs fazer uma videoendoscopia por laparoscopia.

Nessa cirurgia foi-me diagnosticada endometriose severa. Assim que acordei da anestesia disseram-me logo que teria que ser operada novamente. Falaram-me um pouco da doença e eu só queria dormir novamente e acreditar que ao acordar tudo não passaria de um sonho, mas infelizmente não era sonho, era uma dura realidade que eu tinha que enfrentar, e num país tão longe e sem o suporte de amigos e da família, não seria nada fácil. Nesta época já tinha 35 anos. E lá fui para a nova operação para remover os tumores de endometriose. Eu tinha endo até às costas, tinha endo nos pulmões. Durante a operação aconteceu um grande acidente e eu quase morri. Como eu tinha endo por todo lado, cortaram-me uma artéria epigástrica que ia direta ao coração. Tudo se complicou, tive embolia, pneumonia e minha hemoglobina desceu imenso. Precisei de transfusões de sangue.

Quando tudo parecia estar a melhorar, dois dias depois os meus pulmões entram em colapso, encontraram-me às 4 da manhã já morta, mas quis Deus que a reanimação me trouxesse de volta a este mundo. Fiquei uns dias com uma enorme bola de sangue na barriga, com uma máquina ligada às pernas para não deixar os coágulos de sangue descer, um tubo na barriga para drenar o sangue, outro nos pulmões para drenar o líquido nos pulmões, um cateter para soro numa mão, outro na outra para a morfina, máscara de oxigênio no rosto… enfim... Vários amigos foram se despedir de mim e o meu marido só chorava. Mas Deus não me desamparou. Nesta fase, eu estive num túnel todo iluminado com muitas luzes brilhantes onde tudo era calmo e sereno. De um lado desse túnel estava a minha falecida mãe à minha espera de braços a abertos Mas aí Deus deu-me a mão e puxou-me para trás e disse que a minha missão na Terra ainda não tinha terminado e que eu tinha de voltar. Foi ai que abri os olhos e percebi que não tinha sonhado, mas que tinha estado mesmo com minha mãe e com Deus. Fiquei assustada, sofri muitas dores, passei por muito, tive de fazer terapia de oxigênio, fisioterapia para ensinar meus pulmões a respirar de novo. Era custoso, pois ficava cansada depressa, mas não poderia desistir, pois desistir é para os fracos e eu não queria ser fraca, já que tinha meu rico filho em casa à minha espera. Não poderia deixá-lo tanto tempo à espera, uma criança cansa de esperar tanto. Deus ajudou-me muito e recuperei com o passar do tempo. 

Hoje eu sei que Deus existe, pois estive com ele acreditem ou não. O médico que me operou foi o doutor Jeremy Wright no Woking Nuffield Hospital em Surrey que fica duas horas de Londres, cidade onde eu vivia. Este médico era o número um em endometriose no Reino Unido. Ele tinha uma clínica só de endometriose e era professor de endo. Agora está aposentado. Depois da operação voltei para Portugal. E cá estou há oito anos. Desde a minha cirurgia que uso o implante Implanon para não menstruar e assim controlar esta maldita doença. Hoje ela está controlada e o meu filho é um homem de 24 anos. Ele é o menino-homem que eu chamo de milagre da minha vida. Estou contando minha história no A Endometriose e Eu para dar esperança e força a todas que vivem com esta doença. Por isso digo: não tenham medo de viver e não desistam de seus sonhos, e muito menos, da vida e de lutar. Eu não desisti e por isso hoje estou aqui. Tenho que dizer que há 28 anos que tenho um super endomarido que sempre me apoiou, me ajudou e me compreendeu. Com certeza, sem ele esta caminhada não teria este sucesso. Um beijo carinhoso!!”

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A HISTÓRIA DA PORTUGUESA BÁRBARA RIBEIRO E SUA ENDOMETRIOSE NO SEPTO RETO-VAGINAL!!



Bárbara Ribeiro no Parque de Ciutadella em Barcelona, na Espanha, em 2009

Após nossa mensagem de Natal e de Ano Novo, o A Endometriose e Eu encerra o ano contando mais uma história do exterior e com final feliz: a da portuguesa Bárbara Ribeiro, natural da cidade do Porto. Final feliz porque hoje Bárbara quase não tem dores e isso é uma grande vitória para quem conviveu com as terríveis crises de dores da endometriose. Ainda falta a relização de um sonho dela, mas com fé e perseverança, com certeza, Bárbara irá conquistá-lo. A intenção desta coluna é mostrar que a doença se manifesta de diversas formas, independente do grau, do local e da mulher. E com este artigo encerramos nossa postagem de 2013. Sai 2013 e entra 2014.

Aliás, 2014 será um no incrível! Será um ano de muito, muito trabalho! Como sempre! Um ano de mudanças e transformações! De acordo com a numerologia, o ano 7 representa a busca pela sabedoria e pelo autoconhecimento. O novo ano terá a vibração das pedras ametista, fluorita rosa e alexandrita. A primeira transmuta as energias, nos dando bem-estar. Já a segunda aumenta nossa concentração, nos acalma, nos fortalece e favorece o amor. Ah, o amor, o que tanto pregamos no blog! E a terceira nos ajuda a reestruturar nossa mente, nosso corpo e nosso espírito. E dá o equilíbrio emocional e o espiritual. E eu espero que muitas endo mulheres possam ter este equilíbrio da mente, já que a doença mexe muito com a nossa cabeça.

Segundo a astrologia, a partir de 20 de março, Júpiter, o maior planeta do sistema solar, vai reger o ano que está chegando. É o planeta da prosperidade e da fartura, será um ano mais alegre, sem deixar de lado os bons princípios morais e éticos. E olha, eu espero mesmo que os seres humanos se tornem cada vez mais éticos e honestos, principalmente, aqueles que se dizem lutar por alguma causa. Que essas pessoas não tenham egos gigantes, que elas lutam realmente pelos seus semelhantes e não para seus egos. E que a honestidade impera nessas pessoas, porque um dia Deus irá mostrar quem foi honesto nos atos e quem não foi. Pode demorar, mas as trapaceadas hoje ocultas, um dia se tornarão explícitas. Afinal, estamos juntas numa mesma causa, em prol de milhões de pessoas, mas o egocentrismo do ser humano faz com que alguns tentem lutar pelo seu próprio egoísmo e não pela causa, no mais real significado da palavra. 

Já no horóscopo Chinês, que inicia em 1° de fevereiro, 2014 é o ano do Cavalo (aliás, meu regente Chinês!). O ano do Cavalo verde de madeira promete muito movimento, poder, energia e entusiasmo. Será um ano de progresso para quem luta e para quem não se intimida de suas dificuldades. Será importante entrar em contato com a natureza e cultive plantas dentro de casa. Porém, para que haja essas mudanças em nossas vidas, é preciso antes de tudo haver mudanças dentro de nós. Sim, se você quer mudar o planeta, e para que esta mudança realmente aconteça, é preciso mudar seu interior primeiro. Senão, isso não vai acontecer. Já faz um tempinho que estou adotando esta segunda opção, e você?


Quem quiser ter sua história publicada no blog é só escrever para carolinesalazar7@gmail.com e coloque o título "História das leitoras". É o blog mais completo do mundo e o único que retrata histórias de suas leitoras mundo afora. Leia também os testemunhos das portuguesas Carla Cerqueira e Sara Ferreira e o da americana Candice, que teve endometriose no pulmãoalém da pelve, claro. Leia todas as histórias já publicadas na seção "História das Leitoras". Você quer que a endometriose seja reconhecida como uma doença social e de saúde públicaContinue votando no A Endometriose e Eu no prêmio TopBlog Brasil 2013(clique aqui e dê seu voto) e compartilhe a votação entre seus amigos. O primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza em compartilhar a votação entre seus amigos. E nisso, a Marcha Mundial contra a Endometriose, será muito importante. Inscreva-se e venha marchar conosco. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

"Meu nome é Bárbara Ribeiro, sou portuguesa, sou natural da cidade do Porto, mas moro em Marco de Canavezes, tenho 30 anos e sou tradutora de língua Gestual Portuguesa. A minha história não tem nada de espantoso, mas mesmo assim é a minha história com a endometriose. Menstruei pela primeira vez aos 14 anos, nessa altura não tive dor, andei uns dois anos mais ou menos sem dor. Mas por volta dos 16 anos começaram as dores, a cada mês e cada ano ia tomando remédio mais forte e nada aliviava as dores na altura da menstruação. Os médicos diziam que era normal e que quando tivesse filhos que ia passar. E de fato eu via algumas colegas com dores na altura da menstruação também, daí que na minha cabeça era normal às mulheres sofrerem com a menstruação.

No dia que fiz 20 anos fui pela primeira vez ao ginecologista, que me receitou Diane 35 e as dores melhoraram muito. Tinha meses que nem sentia dor. Com mais ou menos aos 24 anos as dores voltaram, e meu ginecologista dizia ser normal. Já com 26 anos, uma bela tarde de março de 2010, estava a ver um programa de tevê e a história de uma mulher que contava que sofreu desde nova com dores terríveis no período da menstruação ao ponto de ficar internada. Ela falou também que não conseguiu engravidar, até que descobriu que afinal tinha endometriose. Essa história me chamou atenção. Foi aí que ouvi pela primeira vez a palavra Endometriose.

E foi a primeira vez que percebi que a minha dor tinha um nome, e afinal, que essa minha dor não era um exagero meu. Nesse mesmo dia liguei a marcar com meu Ginecologista, cheguei ao consultório e falei : "Eu acho que tenho endometriose". O médico examinou-me, disse que era possível, mas que não conseguia ver nada. Então escreveu uma carta para eu entregar ao Centro de Saúde para me encaminharem para o Centro Hospitalar da minha área. Claro que eu nunca entreguei essa carta, pois nem tenho médico de família. Nem todo mundo tem esta possibilidade. Estava com muito medo, mas mesmo assim fui para a internet pesquisar sobre a endometriose. E foi assim que encontrei o nome do médico que era mais conhecido na Zona Norte do País com experiência em endometriose. Marquei consulta e no exame de toque foi detectado o meu nódulo no septo reto-vaginal. A minha dor não era fingimento, havia ali um motivo...fiquei de rastos...

Seguiram-se os exames, ressonância magnética, Uro-Tac, ecografia. Todos esses exames com médicos treinados para conseguirem ver a endometriose. Tudo foi confirmado com exames. Comecei a fazer tratamento com pílula continua, e falou-se em cirurgia. Um ano depois fiz tratamento com Lucrin Depot (nota da editora: medicação que induz a menopausa precoce com a finalidade de barrar o estrogênio do corpo da mulher), mas não deu certo. Comigo surtiu o efeito contrário e o nódulo aumentou. Em outubro de 2011 fiz a minha cirurgia, que foi muito bem sucedida, não haviam outros órgãos comprometidos, o que me deixou muito feliz, acho que no meio disto tudo sou uma sortuda, mas também fui parar nas melhores mãos, a do doutor António Alves.

Hoje faço consultas de 6 em 6 meses, faço uso de pílula continua, a Cerazette. Nestes três anos que estou neste tratamento menstruei quatro vezes. Na primeira não tive dor, mas das outras vezes a dor voltou. Felizmente para mim, a dor só vem junta com a menstruação e como quase nunca menstruo, raramente tenho dor. Dois anos depois da cirurgia, sinto-me bem. O meu grande sonho é e sempre foi ser MÃE, espero que Deus me permita realizar esse grande sonho. Claro quando  eu tiver todas as condições necessárias para isso na minha vida. Dou graças para aquela mulher ter ido aquele programa de tevê dar o seu testemunho, pois foi graças a ela que descobri a doença e que me pude começar a tratar, hoje mantemos contato! É muito importante descobrirmos a doença a tempo, para que nos possamos policiar, estar atentas a novos sinais e sintomas da doença. Beijo carinhoso, Bárbara"

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A HISTÓRIA DA PORTUGUESA SARA FERREIRA E SUA ENDOMETRIOSE NA CICATRIZ DA CESÁRIA!!

Sara em família: com o filho, Tiago, e o marido, Nuno - foto exclusiva para o blog

Já faz tempo que quero contar a história de alguma endo mulher que teve endometriose na cicatriz da cesária. Já contamos  história da Danielle Balbino, onde ela começou a ter dores de endo após sua cesária, mas certa vez, um médico disse num programa de tevê, o qual participei, que  era bem provável que ela já teria a doença antes de engravidar. Confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha. Pode ter sido, como pode não ter sido. O que sei é que é possível sim ter endo após a cesárea, pois quando o médico costura a cesárea e usa a mesma agulha do útero, pedaços do endométrio do útero é transferido para a cicatriz e pronto. E também é comum em cirurgias no útero, o médico sujar a luva com pedaços do endométrio, que se assemelha ao sangue, e se o médico não trocar a luva e fechar a barriga estando com a mesma luva pronto, mais um motivo para contaminar a cicatriz e daí surge mais um forma da endometriose: endometrioma na parede abdominal. 

Hoje, o A Endometriose e Eu conta mais um testemunho exclusivo: o da portuguesa Sara Ferreira, de 33 anos, da cidade de A-da-Beja/ Amadora, em Portugal. Estou para contar  a história de Sara e sua endometriose desde outubro, mas preferi esperar a cirurgia para saber do resultado da biópsia. Sara começou  a ter dores após o nascimento de seu filho, Tiago. Porém, apesar de insuportáveis, ela não buscou ajuda médica num primeiro momento. Como ela mesmo diz, deixou a saúde para além do segundo plano. Além do endometrioma na parede abdominal, ela se assustou quando descobriu que também tinha um nódulo n região reto septo-vaginal. Uma história que traz uma lição da própria Sara a todas nós, mas com um final extremamente feliz (eu adoro!) que vai inspirar milhares de mulheres

Quem quiser ter sua história publicada no blog é só escrever para carolinesalazar7@gmail.com e coloque o título "História das leitoras". É o blog mais completo do mundo e o único que retrata histórias de suas leitoras mundo afora. Leia também o testemunho da portuguesa Carla Cerqueira e o da americana Candice, que teve endometriose no pulmãoContinue votando no A Endometriose e Eu no prêmio TopBlog Brasil 2013(clique aqui e dê seu voto) e compartilhe a votação entre seus amigos. O primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza em compartilhar a votação entre seus amigos. E nisso, a Marcha Mundial contra a Endometriose, será muito importante. Inscreva-se e venha marchar conosco. Beijo carinhoso!! Beijo carinhoso! Caroline Salazar


“Olá, o meu nome é Sara Ferreira, sou portuguesa, tenho 33 anos e foi-me diagnosticada a endometriose em fevereiro de 2013. Cresci com minha irmã, nove anos mais velha do que eu, a ter dores muito fortes a época da menstruação. Recordo-me de a ver chorar, gritar e no chão do banheiro como se estivesse a sofrer a maior tortura da vida dela. Eu era muito novinha e aquilo apesar de assustador, eu ainda não compreendia muito bem o que era. Por isso, de certa forma, não me causou nenhum medo ou receio.

Quando ela tinha pouco mais de 22 anos começou a tomar pílula por indicação de sua médica ginecologista, mas infelizmente, descobriu da pior forma que nunca o deveria ter feito. Devido ao valor da proteína S livre, ao tomar a pilula aumenta a chance de ter uma trombose. E foi o que aconteceu com minha irmã. Felizmente está bem, teve um filho, mas já não conseguiu ter o segundo. Cada gravidez era uma possibilidade de trombose, teve dois abortos, e acabou recentemente por ter de retirar o útero.

Então, começa assim, a minha história. Menstruei pela primeira vez aos 12 anos e os meus dois únicos problemas eram: não poder tomar banho na praia na altura da menstruação e os pensos higiênicos (nota da editora: absorventes) que eram muito grossos, o que era um terror! Mas também na adolescência quando temos a nossa menstruação é como se tornássemos mais adultas em relação às nossas amigas, por isso até foi um momento muito engraçado da minha vida. Eu sempre tiveres dores no período, mas nada de especial. Dores ligeiras que amenizavam com um analgésico fraco. Sempre fiquei muito inchada, e na altura da menstruação, chego a ganhar 2 quilos a mais durante uma semana.

Notava apenas algum desconforto nas relações sexuais, mas que atenuava em alguns dos ciclos menstruais. Porém,  nada que me impedisse de ter uma vida sexual normal. Nunca tomei a pilula, fui pela primeira vez ao ginecologista aos 25 anos (eu sei que isso é um erro crasso!) mas também é com os erros que aprendemos.

Fiquei grávida. Começou logo como uma gravidez problemática, pois tive descolamento da placenta, o que me obrigou a ficar em repouso. Aos três meses abortei! Segundo a médica, não se poderia saber o motivo. Foi muito traumatizante, mas meses depois estava grávida de novo. Tive uma gravidez muito tranquila, exceto no último mês que estava sempre com a presão arterial muito alta.

O Tiago nasceu em 2007 e muito bem, mas foi após minha cesariana que tudo começou.Um ano depois de o Tiago nascer apareceu-me um pequeno caroço na área da cicatriz da cesariana. Entrei em pânico! Fui à ginecologista que me disse que com o antibiótico passava. A verdade é que atenuou, e com o tempo percebi que esse caroço aumentava durante o sangramento e depois ia diminuindo. Depois foram começando as dores a ir ao banheiro, mas mesmo assim sempre tudo muito leve. 

Mas o caroço na barriga foi crescendo e a dor aumentando. Há alturas em que a dor era tão forte e tão aguda que sentia que ia morrer. Parecia que algo em mim ia rebentar ou explodir e que eu ia morrer! Eu deixei de andar, pensei que aquilo com o tempo iria desaparecer. Eu tenho medo de cirurgias, de anestesias, e pior tenho sempre medo de ter uma doença terminal. Divorciei-me. Começou ai um período negro e complicado da minha vida. Um tempo de muita tristeza e solidão. Com pouco dinheiro, a tomar conta do meu menino com menos de 3 anos, a minha saúde passou de segundo para quarto ou quinto.

Sabia que durante a menstruação e a semana seguinte iria doer-me muito, mas habituei-me a essa dor. Isso desde 2008… vejam bem só 5 anos depois decidi perceber o que se passava comigo: em fevereiro de 2013. O meu filho doente e eu a trabalhar de casa em teletrabalho. Tive as piores dores da minha vida. Eu não andava, eu não respirava, eu não conseguia fazer nada!!! Eu só queria o meu canto, eu estava a sofrer tanto, mas tanto! É como se me espetassem uma faca na barriga, e depois andassem com ela às voltas lá dentro. Outras vezes parecia-me que tudo dentro de mim estava colado e se eu me mexia parecia que meus órgõs internos iriam rasgar dentro de mim!

O meu atual companheiro obrigou-me a ir ao médico e eu fui. O primeiro diagnóstico foi de uma hérnia. Depois de umas ecografias lá está…eu tinha endometriose! Endometriose profunda, com nódulos na região reto septo-vaginal e outro de 6 cm na costura da cesariana. Confesso que o nódulo reto septo-vaginal apanhou-me completamente de surpresa, porque eu pensava que só tinha aquele na barriga. E quando compreendi que podiam estar alojados noutros sítios…senti que a vida me escapava pelas mãos.

Corri para o computador e quis logo saber o que tinha. Foi através do blog A Endometriose e Eu, de sites e também do blog português Mulherendo que eu realmente percebi que aquilo que havia em mim, era mau, não tinha cura e que fazia-me sofrer muito. Há dias que não se conseguia andar, há pontadas de dor que nos deixam sem respirar, o inchaço abdominal é tão grande que a roupa deixa de servir e a barriga parece que vai explodir. A vontade de fazer xixi parece que nunca mais passa! A sensação é igual à do fim de gravidez. Depois vêm as infeções urinárias, e eu tenho tão pouca sorte que tive uma durante as minhas férias! A vida sexual passa a ser nula… e com o tempo eu percebi como fui deixando de ser aquilo que era para tentar compreender quem sou hoje e como serei. Infelizmente esta doença é uma incógnita.

Todos os meses tenho que explicar à minha mãe que a barriga me dói mesmo quando não estou com no período menstrual. Quando digo que ando cansada ouço comentários que ainda sou muito nova pra tal cansaço. E quando ouço: “Vais ser operada e ficarás boa”, eu penso que não tem cura. A vida muda, nós mudamos! Passei a acordar todos os dias e pensar, será que hoje vai doer?

Agora já fiz muitos exames complementares, é uma tortura grande, e eu continuo a preferir ter uma agenda cheia de atividades com a família e ginástica do que com exames e consultas médicas. Fiz Ressonância Magnética, colonoscopia, ecografias, é muita coisa que vai moendo o nosso pensamento e que também gera ansiedade e algum medo. Eu também tenho o mesmo problema da minha irmã. Não posso tomar a pilula, por isso menstruo todos os meses. Se tentar engravidar de novo posso ter uma trombose! Como pode correr tudo bem!

No dia 11 de outubro decorreu a minha cirurgia. Eu já sabia que devido ao nódulo que tinha na cicatriz da cesariana seria necessário colocar uma prótese de polipropileno e isso me levaria a ficar cinco dias internada. Fui internada no dia anterior da cirurgia, tive que fazer o preparo para limpar o intestino, que é muito difícil. Eu detestei! A minha cirurgia levou quase quatro horas e quando a doutora Filipa Osório me veio visitar disse-me que correu tudo bem, mas que o nódulo da barriga era enorme, tinha 7,5cm. Ela disse que era como uma laranja pequena e até me mostrou uma foto daquele monstro que durante anos me causou tanto sofrimento.

A minha barriga está um pouco disforme, mas a cueca (nota da editora: calcinha no Brasil) tapa. A prótese colocada foi porque ao retirar o nódulo, ficou um buraco enorme e isso deixaria espaço para qualquer outro órgão se alojar nesse lugar. Durante o primeiro dia teve que ser drenado o sangue, mas correu tudo bem e o dreno foi tirado ainda antes do dia da alta! No dia 18 de novembro foi a minha consulta do pós-operatório.

Estou feliz!!! A doutora disse que está tudo bem e só vai me quer ver daqui a 6 meses. Os nódulos eram todos endometriomas e aderências quase nenhumas. Resultado: uma batalha já está vencida, mas eu sinto que é só o começo da guerra. Se eu puder dar um conselho a todas que lerem este meu testemunho é: felicidades a todas e nunca deixem a vossa saúde para segundo plano. Dois meses depois da cirurgia encontro-me muito bem! Apenas com uma dor ligeira no dia da menstruação. Fora isso, a qualidade de vida foi recuperada a 99%. Faço exercício físico regularmente e estou muito mais atenta ao meu corpo! Eu meu filho, Thiago, e meu marido, Nuno, estamos muito felizes e esta minha nova vida vai deixar-me realizar o sonho de oficializar meu relacionamento com meu marido. Beijo com carinho."