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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"ENDO SOCIAL": SEXUALIDADE E GÊNERO - HOMEM X MULHER!

Imagem cedida por Free Digital Photos


O segundo artigo da coluna "Endo "Social", do sociólogo e endo marido Paulo Soares, está mais que fantástico. Após falar da exclusão de uma portadora de endometriose na sociedade, ele nos conduz brilhantemente a uma reflexão sobre os gêneros. Infelizmente, na sociedade machista a qual vivemos somos constantemente julgadas a começar quando designam nós mulheres como o sexo frágil. Comportamento machista à parte, este texto de Paulo reflete aquilo que somos perante ao nosso Pai Jesus Cristo: seres humanos. Somos iguais e merecemos o mesmo respeito. Não somos coitadas, pelo contrário, a mulher já nasce forte, já nasce guerreira pela própria natureza, e precisamos continuar firme e forte no propósito de ter a endometriose reconhecida como uma doença social e de saúde pública. E nisso, a Milhões de Mulheres Marchando contra a Endometriose (Million Women March for Endometriosis Brazil) será imprescindível para obtermos este êxito. E a marcha surgiu no momento certo. Uma coisa é certa.. Faltam 57 dias para acabar o nosso silêncio! Inscreva-se e venha marchar conosco!

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Sexualidade e gênero: homem x mulher

Por Paulo Soares 

Espero que todos tenham passado bem as festas de fim de ano. Voltamos com tudo e nosso texto continuamos a discussão do primeiro artigo e ainda vou além ao propor a todos um debate sobre questões sociais que envolvem o universo da saúde humana, mais especificamente, da mulher.

Ao longo da história de homens e mulheres neste mundo, fica evidente que as relações de gênero são assimétricas, ou seja, desiguais, e as mulheres foram invisibilizadas e amordaças por uma sociedade androcêntrica (homem/macho como centro de todas as coisas) e sexista (sexo forte versus sexo frágil). Essa história das mulheres, principalmente, hoje tem despertado o interesse de vários pesquisadores em muitas universidades no mundo todo, interesses que deram vazão à produção mais afinca de estudos sobre a mulher a partir dos anos 60, ainda no século passado.

Para nos ajudar na reflexão deste artigo, gostaria de compartilhar alguns conceitos e ideias de Teresa Cristina Pereira de Carvalho Fagundes, autora do artigo: Sexualidade e Gênero – Uma Abordagem Conceitual.

Gostaria de começar conceituando gênero, cuja palavra foi inserida em meados do século XX, a qual se designa a discutir as diferenças entre masculino e feminino, sem entrar no mérito, ou levantar a discussão sobre sexualidade. Pois, um dos paradigmas do debate sobre gênero, é que não se nasce mulher ou homem, mas que esses são construídos socialmente, ou seja, vai além das diferenças biológicas ou psicológicas.

Por exemplo, a menina ganha de presente boneca para cuidar como se fosse um bebê de verdade, cozinha completa de brinquedo, o que implicitamente mostra onde deve ser o lugar da mulher: dentro de casa! Já o menino ganha bola de futebol, carrinho, armas de brinquedo, bonecos super-herois, o que sugere que ao menino compete desbravar o mundo.

Para Fagundes, gênero se refere “à construção cultural das identidades feminina e masculina, do ser mulher e do ser homem (grifo da autora)”. Essa afirmação esclarece que ser feminino e ser masculino são resultando de um longo trabalho histórico e cultural, cujos principais agentes participantes desse trabalho são as instituições, família, igreja, escola e Estado, que querem dominar e controlar os corpos e as mentes da sociedade.

O que “ser” percebe então, o que está por trás da questão de gênero, é que há uma relação de poder e dominação. Fagundes apresenta ideias de Foucault e Bourdieu, grandes pensadores contemporâneos, que discutem sobre o poder e a dominação, os quais afirmam que o corpo do ser humano é controlado e dominado de diversas formas, como citado acima, com a utilização de um poder legitimado, que é efetivado através do controle do corpo.

Na discussão de gênero, podemos perceber esses elementos acima no estabelecimento e manutenção da dominação do homem sobre a mulher, ou seja, um controle patriarcal, isto é, do masculino exercer poder sobre o feminino.

Mas, como isso acontece, Fagundes aponta para quando se associa a mulher, o gênero feminino, àquilo que é interior, ao espaço fechado e privado. A sociedade sempre espera a mulher sendo mãe, que cuida da casa e dos filhos e que depende do pai, quando solteira e do marido depois de casada, e do dos filhos quando viúva, e é lembrada como uma figura pura, dócil e companheira extremamente frágil e delicada. Já o homem, gênero masculino, está associado ao espaço aberto, exterior, ao público, a sociedade espera um homem viril, racional, forte; e é lembrado pelo seu trabalho, profissão, méritos e conquistas; é o provedor da família.

Sabemos que muitas dessas características estão mudando na atualidade, e graças a Deus, que algumas pessoas não pensam mais assim, pois acreditam que na realidade se pode construir uma relação de equidade (= significa equilíbrio) entre homens e mulheres, e não uma relação de poder e domínio, relação essa que também não é dicotômica entre forte e fraco ou público e privado ou superior ou inferior e etc. Mulheres e homens não são categorias fechadas, mas são seres que constroem suas relações entre si, interdependentes no tempo e no espaço.

Por fim a mulher e o seu corpo precisam ser respeitados e levados a sério. Políticas públicas de saúde da mulher já existem, mas que precisam ser melhoradas e ampliadas, principalmente, no tocante ao tratamento da doença endometriose que tem atingido tantas mulheres e seus familiares de forma direta e indireta deste Brasil. Dor de cólica forte e insuportável, não é frescura ou coisa de mulher, isso é pensamento ou ideologia androcêntrica, mas é um sinal de que há algo de errado no corpo da mulher é que precisa ser levado a sério.

Porém, quantas mulheres sofrem com essa diferenciação nociva, e por causa da ignorância até mesmo de médicos, sobre a endometriose, e por isso muitas mulheres são marginalizadas pela sociedade e tratada com dó, “tadinha”, é mulher e ainda por cima doente, isso quando não, na maioria das vezes, seu estado de dor é cruelmente desconsiderado pelos próprios familiares, amigos e profissionais de saúde. Lembro-me agora da história da mulher do fluxo de sangue na Bíblia (Lucas 8,43-48), já citada por Caroline Salazar, cuja tradição judaica, afirma que a mulher em seu período menstrual é obrigada ficar isolada de todos e de tudo, pois para essa cultura ela está impura, e sendo assim, quem a tocasse ficaria impuro também. Imaginem, então, que situação triste dessa mulher que sofria com uma hemorragia há doze anos! Ela gastou todo seu dinheiro com médicos na tentativa frustrada de ficar curada. Sem dinheiro, e duas vezes marginalizada por sua condição de mulher e por estar doente. E, segundo a Lei judaica, certos doentes eram obrigados a viverem isolados da sociedade, numa cultura essencialmente Patriarcal. Essa mulher correu o risco de ser penalizada por transgredir a Lei ao circular num ambiente com pessoas sadias, e fez sua última tentativa desesperada de ser curada ao tocar nas vestes de Jesus. O final dessa história é feliz, pois essa mulher é curada de seu mal e pelo menos é restituída à sociedade tendo sua integridade e dignidade enquanto pessoa devolvida pelo Mestre.

Diante desse relato, como não lembrar traumas e preconceitos vivenciados pelas endoguerreias que também gastaram e ainda gastam muito dinheiro numa romaria quase sem fim, com médicos a fim de serem curadas, que perdem seus casamentos porque simplesmente seus maridos não levaram a sério o voto que fizeram (na saúde e na doença...), ou seus namorados não estão a fim de entrar de cabeça numa relação com uma mulher doente, e os amigos nem mais lhes perguntam como estão porque “ já sabem” a resposta, seus familiares por vezes desconfiam de que essa dor não é pra tanto... É simplesmente revoltante! E temos que gritar aos quatro ventos por mais respeito, dignidade e lutar por tratamento correto e especializado para nossas mulheres.


Mas há sempre uma luz no fim do túnel, nem tudo está perdido, mesmo em meio a este caos a ordem pode ser reestabelecida e as mulheres já provaram que são boas em superar limites, e vencer apesar das circunstancias. Por isso, a vocês queridas endoguerreiras, eu tiro meu chapéu, e digo não desistam nunca de lutar, dias melhores virão com fé em Deus podem acreditar!  Que o Senhor Deus seja a nossa força para caminharmos juntos pela cura dessa doença que tem atingindo tantas mulheres e seus familiares. Abraço e até o próximo!

domingo, 15 de dezembro de 2013

MATTHEW ROSSER: ENDOMETRIOSE EM HOMENS?

imagem cedida por Free Digital Photos


No artigo de hoje, mais uma vez, o A Endometriose e Eu traz mais informação exclusiva para seus leitores. Afinal, estamos aqui para informar sempre em primeira mão tudo que acontece no mundo em relação à endometriose. Endometriose em homens? Sim, isto já é possível e não em apenas aqueles que fazem terapia com estrogênio para tratar câncer de próstata, como já abordamos no blog no primeiro artigo de 2011. Muitas podem se perguntar: "mas os homens não menstruam?" Gente, a endometriose vai muito além da menstruação. Não é a menstruação a culpada da endometriose,mas sim a produção de estrogênio, que alimenta a doença. O que muitas também não sabem, é que não são apenas os ovários os responsáveis pela produção de estrogênio. Estes casos citados abaixo cai por terra muitas coisas da endometriose, até mesmo a Teoria de Sampson, dando mais vida a Teoria Mulleriana, fundamentada pelo médico e cientista americano David Redwine, que nascemos com endometriose. Segundo ele, no desenvolvimento do feto ainda no ventre da mãe pedaços do endométrio materno saem do útero da mãe e se instalam no embrião.

Este texto de Matthew Rosser cai por terra também a frase ignorante de que a endometriose é a "doença da mulher moderna", como já abordamos algumas vezes aqui. Realmente, a endometriose ainda é uma doença enigmática. E o blog e seus colaboradores existem para trazer informações de qualidade e em primeira mão para ajudar a desvendar todos os mistérios que rondam a doença. O A Endometriose e Eu, além de ter sido o pioneiro a pedir o reconhecimento da doença como social e de saúde pública, é o primeiro a lutar também para tirar esses rótulos ridículos que estão colocando na doença. Vamos juntos tirar este estigma? Ajude-me votando no A Endometriose e Eu no prêmio TopBlog Brasil 2013(clique aqui e dê seu voto) e compartilhe a votação entre seus amigos. O primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza em compartilhar a votação entre seus amigos. E nisso, a Marcha Mundial contra a Endometriose, será muito importante. Inscreva-se e venha marchar conosco. Beijo carinhoso!!

Aí está algo que não assistimos todos os dias: endometrioses em homens?

Endometriose em um homem? Sim, é verdade, é uma ocorrência extremamente rara, mas são conhecidos alguns casos. Esse relato bem detalhado chega-nos do Japão, sendo o sujeito um homem de 69 anos de idade que estava fazendo terapia de estrogênio havia 9 anos para tratar câncer de próstata. Não foram registrados sintomas, mas foram descobertos vários cistos de endometriose medindo aproximadamente 5 x 3 cm no paratesticular esquerdo (a região logo acima do testículo).

Os autores do estudo afirmam que tal fato pode ter ocorrido devido ao que é conhecido por metapalasia endometriótica, ou hiperplasia estromal. Basicamente, o que estes termos significam é que, sob a influência de níveis de estrogêneo elevados, o tecido normal sofreu uma mutação e é agora outro tecido de tipo diferente. Esse relato não é o primeiro a observar endometriose em um homem. Nem sequer é o primeiro a relatar a ocorrência nessa região do corpo.

Para além desse caso, foram registrados apenas 6 casos de endometriose masculina em órgãos como a bexiga, a próstata e a parede abdominal inferior. Contudo, se os observarmos em detalhe, a maioria tinha um ponto em comum: eles estavam fazendo terapia com estrogêneo de longa duração como tratamento para o câncer de próstata. Isso é de grande importância, pois são casos pouco usuais da doença que nos podem dar pistas sobre como a doença surge na mulher.

Em um dos relatos de endometriose masculina o sujeito era um homem de 27 anos que parecia totalmente saudável, muito diferente dos outros que eram bastante mais velhos e com câncer de próstata. Então isso não era apenas pouco usual, era extremamente raro. O que isso nos pode indicar sobre a doença no geral?

Os autores desse relato olharam para o início do desenvolvimento dos órgãos reprodutores. Ainda na fase embrionária existem diferentes estruturas que irão formar os sistemas reprodutores masculino e feminino. Os órgãos femininos se desenvolvem a partir do canal mulleriano, que nos embriões masculinos retrocede porque o embrião possui algo com um nome bem criativo chamado MIS (Substância Inibidora Mulleriana). Os autores desse relato sugerem que a exposição a certas toxinas ambientais, tais como, dietilestilbestrol ou outros disruptores hormonais (nota da editora: como os xenoestrogênios que já falamos no blog) quando ainda na fase embrionária, poderá levar a uma produção anômala de MIS, que por sua vez, impedirá o retrocesso correto do canal mulleriano, deixando pequenos traços de tecido para trás que, através do estímulo certo, poderão se desenvolver em algo semelhante ao tecido endométrico, e que surgiria como endometriose.

Poderia algo similar explicar a endometriose nas mulheres? Bom, poderia ser se isso ligasse com a teoria do resto mulleriano. Essa teoria afirma que durante o desenvolvimento normal do feto, pequenas partes do canal mulleriano, talvez apenas algumas células, ficam deslocadas e depositadas em outros órgãos. Uma vez lá, esses depósitos que ficaram deslocados se mantêm em estado inerte até que sejam estimulados a se transformarem em tecido endometrial em uma fase posterior da vida. Exatamente quais são esses estímulos, ou porque algumas mulheres exibem esse deslocamento são mistérios ainda por resolver, mas responder a essas questões poderá vir a ser um momento crucial na história da endometriose.

Comentário do Tradutor: Esse é mais um dos exemplos de que algo está errado com a expressão “doença da mulher moderna”. Mas também levanta outras preocupações acerca de tratamentos que podem trazer efeitos secundários.

Embora sejam apresentadas teorias que não foram ainda comprovadas, os fatos estão lá. Homens com endometriose. Tem muito sobre essa doença que ainda precisa ser descoberto, e o apelo para a comunidade médica é que não durma no ponto nem se mantenha firme em teorias que comprovadamente estão erradas apenas porque não se conhece a certa.

É necessário ir à luta, arriscar fazer papel de bobo por vezes, mas tentar encontrar o caminho certo. Alguns médicos que tomamos conhecimento aqui tiveram as suas vidas tocadas pelo flagelo da endometriose. No caso do doutor David Redwine, ele ficou revoltado pela falta de preparação dos seus colegas para lidarem com a endometriose. Por décadas ele investigou a doença para ajudar sua primeira esposa que era portadora, tomando assim a responsabilidade em suas mãos.  Matthew Rosser também começou a estudar a endometriose, por conta de sua esposa, como já foi abordado no blog. Um verdadeiro trabalho de amor.

Nem todos poderemos ser médicos ou cientistas, mas temos a obrigação de manter uma mente aberta e raciocinar quando nos apresentam uma ideia. Por mais espalhada que esteja uma teoria, isso não faz com que ela esteja certa. Incrível como o método científico é tão usado em tanta coisa e no caso da endometriose parece ter sido deixado de lado por tanta gente.