quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

NEUROPELVEOLOGIA E SUA IMPORTÂNCIA NA DOR PÉLVICA CRÔNICA, NAS DISFUNÇÕES MICCIONAIS E EVACUATÓRIAS!

Endometriose sobre nervo hipogástrico inferior esquerdo.
A endometriose é uma entre várias doenças que podem afetar os nervos da pelve
fonte: Dr. Alysson Zanatta, Clínica Pelvi

Você sabe o que é Neuropelveologia? Eu conheci esta especialidade quando estava com suspeita de endometriose nos nervos pélvicos. Ainda estava em tratamento no ambulatório da Unifesp e a ginecologia me encaminhou ao especialista em 2012. Na época escrevi aqui! Graças a Deus foi descartada qualquer infiltração da minha endometriose nos nervos pélvicos. Mas ela vai muito além da endometriose nos nervos pélvicos. Graças a ela já existe tetraplégico voltando a andar. Você sabe da importância dos nervos pélvicos em nosso corpo e em nossa vida? Leia com atenção e saiba porque sem ela nós não conseguimos não só andar, mas também a ter nossas funções sexuais, miccionais e evacuatórias. Mais um conteúdo exclusivo do A Endometriose e Eu.  Beijo carinhoso!

Por Caroline Salazar
Edição: doutor Alysson Zanatta

Dor pélvica crônica, disfunções miccionais e evacuatórias: saiba o que é a Neuropelveologia e como ela pode nos ajudar 

A Neuropelveologia é uma nova subespecialidade médica criada com o propósito de diagnosticar e tratar doenças dos nervos da pelve. É na pelve onde estão localizados os nervos que controlam toda a nossa função sexual, intestinal e evacuatória, além de ser a origem dos nervos responsáveis pelo funcionamento dos membros inferiores. Conseguimos caminhar, evacuar e urinar, entre outros, graças ao controle do cérebro sobre os nervos da pelve, e da ação destes sobre os músculos e órgãos-alvo. Portanto, a ocorrência de doenças nesses nervos pode levar a sérias consequências, como dor e incapacidade de realização de necessidades fisiológicas básicas, além da impossibilidade até mesmo de caminhar.

Nossos nervos funcionam como os fios de eletricidade que transmitem a energia necessária para acender uma lâmpada. Por exemplo, imagine que você ligue um interruptor para acender essa lâmpada, mas ela não se acende porque o fio foi cortado, ou porque talvez esteja comprimido. Da mesma forma, nervos na pelve que estejam cortados (por uma lesão cirúrgica, por um acidente, ou por um trauma como uma simples queda sentada), ou comprimidos por um tumor (como a endometriose, que é um tumor benigno, ou talvez por um ponto de cirurgia realizada no passado), ou ainda por varizes na pelve, podem não funcionar adequadamente. A Neuropelveologia propõe o estudo e o tratamento dessas doenças.

Um número significativo de homens e mulheres em todo o mundo têm dor pélvica crônica, ou alguma disfunção miccional e evacuatória. Essas pessoas costumam levar anos até receberem um diagnóstico final da causa de sua doença, e quase que invariavelmente passarão por muitos médicos de diferentes especialidades. No caso das mulheres, elas podem receber um diagnóstico equivocado no primeiro momento, como o diagnóstico de endometriose, ou de bexiga hiperativa e cistite intersticial crônica. Isso acontece porque, infelizmente, as doenças dos nervos da pelve não costumam ser lembradas como causa de dor. De fato, até mesmo o ensino dessas doenças pode ser limitado nas universidades, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Quando são abordadas, costumam serem abordadas de forma dispersa, por ginecologistas, ortopedistas, neurologistas, e cirurgiões vasculares, e outros. Ou seja, é uma “terra de ninguém”. A repercussão desse ensino fragmentado é que os pacientes acabam sendo encaminhados para diversos especialistas, e muitas vezes não conseguem um diagnóstico.  A Neuropelveologia busca unificar esse conhecimento, e aplicá-lo de forma prática e objetiva.

Desenvolvida pelo professor doutor Marc Possover, um oncologista ginecológico francês hoje radicado na Suíça, a Neuropelveologia teve a sua Sociedade Internacional de Neuropelveologia (ISON) criada em 2014. Contando no início basicamente com cirurgiões ginecológicos, a sociedade hoje começa a atrair o interesse de outros médicos, como ortopedistas e neurologistas. O Prof. Possover publicou os primeiros trabalhos científicos de Neuropelveologia em 2004, relatando casos de pacientes com dores pélvicas consideradas como incuráveis. Aplicando conceitos básicos de anatomia, fisiologia, e exame clínico neurológico, Possover passou a diagnosticar as causas das dores em muitos desses pacientes como sendo de origem neurológica, e a tratá-los com a laparoscopia, entre outros. 

A laparoscopia permite acessar de forma minimamente invasiva os principais nervos da pelve, inclusive aqueles originados na coluna. Uma vez que o diagnóstico é confirmado e que se chega ao nervo doente, pode-se realizar um de dois tratamentos: sua liberação, caso esteja sendo comprimido por varizes, endometriose, ou fios cirúrgicos de procedimentos prévios, ou então a implantação de um neuromodulador, que passará a estimular aquele nervo para que ele recobre a sua função, ou pare de causar dor. Esse é o princípio básico da Neuropelveologia. Porém, isso não significa dizer que toda pessoa com doença de nervo pélvico irá necessitar de cirurgia.

A Neuropelveologia estuda as doenças dos nervos da pelve.
Tamanhas são as possibilidades da Neuropelveologia, que o Prof. Possover passou a realizar implantes de neuromoduladores em pacientes com lesão medular, e que ficaram paraplégicos ou tetraplégicos. O objetivo desse tratamento é que esses pacientes possam readquirir o controle de suas funções fisiológicas, e até mesmo recuperarem determinados movimentos das pernas.  Até o momento, o doutor Possover realizou essa cirurgia em cerca de 20 pacientes. Os resultados iniciais parecem ser promissores, aguardando-se ainda novos dados. E já existem outros dois médicos no mundo que buscam replicar a experiência inicial de Possover em pacientes com lesão medular: o Prof. doutor Axel Forman, em Aarhus na Dinamarca, e o doutor Nucélio Lemos, em São Paulo. Ambos já têm experiência inicial com o implante de neuromoduladores e, da mesma forma, seus resultados também são aguardados ansiosamente.

Mas ainda há muito pela frente. Hoje, poucos médicos no mundo conhecem a Neuropelveologia e suas potenciais aplicações. Além do mais, a especialidade em si precisa ser desenvolvida, com pesquisas e relatos de resultados. Nesse sentido, realizou-se em Aarhus, na Dinamarca nos últimos dias 11 e 12 de dezembro um encontro dos membros fundadores da ISON. Além do aperfeiçoamento técnico, que contou com treinamento de dissecção dos nervos pélvicos em cadáveres, foram discutidas formas para que os membros da sociedade (hoje contando apenas com cerca de 20 participantes em todo o mundo) possam evoluir em sua capacitação, e então contribuir para a formação de outros especialistas. Conforme mencionado pelo doutor Possover, esse será um dos principais objetivos iniciais da ISON: a capacitação médica, para que estes possam fazer um correto diagnóstico das doenças dos nervos da pelve. Ferramentas online serão utilizadas para esse propósito, entre outras. Dessa forma, espera-se reduzir o tempo de diagnóstico dessas doenças, para que tratamentos efetivos possam ser propostos o mais precoce possível.

Mai­s informações sobre a Neuropelveologia e suas aplicações em http://www.theison.org/

2 comentários:

  1. Olá...Me chamo Marcela, tenho 34 anos, sou solteira e não tenho filhos. Fui diagnosticada como portadora em março e operei em junho, todo procedimento foi bem rápido porque eu sentia muitas dores e a endometriose já estava no grau IV, pelve congelada, tumor nas trompas e dois cistos no útero...enfim, muita coisa.
    Eu ficava e ainda fico muito chateada quando os médicos ou as pessoas com quem convivo não entendem ou criticam os sintomas que tenho.
    Quando meu caso se agravou no início do ano eu mal conseguia mudar os passos. Após a cirurgia e o alívio imediato das dores os sintomas começaram a voltar e provavelmente farei uma nova cirurgia, consultarei na próxima semana para definirmos "meu futuro" rs. O curioso é que eu tinha dores nas evacuações, ressecamento, mas após a cirurgia tenho dores em 95% das evacuações, quase todo xixi é feito com gemidos.
    O mais triste de tudo isso é quando olham pra vc e jogam toda a culpa no emocional ou disvinculam os sintomas como consequência da endo; somos nós que sentimos e sabemos o que está errado conosco. É melhor nem comentar pra não se aborrecer...ao tempo em que é impossível não comentar...pelo grau da dor que sinto. Tenho absoluta certeza que nessas condições não seria possível ter relações sexuais.
    Enfim, essa é um pouquinho da minha história...obrigada pelo blog, é maravilhoso e muito importante, creio que não apenas para mim mas para nós todas que portamos endometriose.
    Deus abençoe, bjinhus

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  2. Olá...Me chamo Marcela, tenho 34 anos, sou solteira e não tenho filhos. Fui diagnosticada como portadora em março e operei em junho, todo procedimento foi bem rápido porque eu sentia muitas dores e a endometriose já estava no grau IV, pelve congelada, tumor nas trompas e dois cistos no útero...enfim, muita coisa.
    Eu ficava e ainda fico muito chateada quando os médicos ou as pessoas com quem convivo não entendem ou criticam os sintomas que tenho.
    Quando meu caso se agravou no início do ano eu mal conseguia mudar os passos. Após a cirurgia e o alívio imediato das dores os sintomas começaram a voltar e provavelmente farei uma nova cirurgia, consultarei na próxima semana para definirmos "meu futuro" rs. O curioso é que eu tinha dores nas evacuações, ressecamento, mas após a cirurgia tenho dores em 95% das evacuações, quase todo xixi é feito com gemidos.
    O mais triste de tudo isso é quando olham pra vc e jogam toda a culpa no emocional ou disvinculam os sintomas como consequência da endo; somos nós que sentimos e sabemos o que está errado conosco. É melhor nem comentar pra não se aborrecer...ao tempo em que é impossível não comentar...pelo grau da dor que sinto. Tenho absoluta certeza que nessas condições não seria possível ter relações sexuais.
    Enfim, essa é um pouquinho da minha história...obrigada pelo blog, é maravilhoso e muito importante, creio que não apenas para mim mas para nós todas que portamos endometriose.
    Deus abençoe, bjinhus

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