segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A HISTÓRIA DA LEITORA TATIANA MOTA RODRIGUES E SUA ENDOMETRIOSE GRAU IV!

 A felicidade de Tatiana Mota Rodrigues, de Brasília, após a cirurgia que removeu toda sua endometriose - Fotos: divulgação

O A Endometriose e Eu conta mais uma história de sucesso. Desta vez é a da Tatiana Rodrigues Mota, que mora em Brasília, no Distrito Federal. Após anos de peregrinação por cerca de 10 médicos e de descaso da maioria deles, Tatiana achou "um anjo", como descreveu, em Brasília que removeu toda sua endometriose, e que a possibilitou a viver sem remédios, não só anti-inflamatórios, como também sem anticoncepcional. Sim, isto é possível. Mais um testemunho de fé que vai levar esperança e perseverança a muitas endomulheres. Nós achamos que encontramos "ótimos" médicos apenas nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, mas no caso da endometriose tem um excelente médico no centro-oeste, lá em Brasília. Até agosto de 2014, doutor Alysson atendia duas vezes por semana no Sírio Libanês, na capital paulista, mas após o nascimento de sua filha, ele abdicou de viajar semanalmente para São Paulo para ficar mais perto da família. Tatiana estamos aqui torcendo pelo seu positivo. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

“Menstruei pela primeira vez em janeiro de 1989 – eu morava em Teresina (PI)  –  aos 10 anos e 11 meses de idade. E já foi com cólicas e muitos coágulos grandes, mas nessa época, tratava as cólicas com remedinhos caseiros e Buscopan. As menstruações seguintes também foram seguidas de muita dor, só que a dor ia aumentando mês a mês. Após um ano, as cólicas menstruais eram acompanhadas de vômitos e diarreia.

Com o passar dos meses, aos 13 anos, as cólicas já estavam muitos intensas, muita dor, acompanhada de vômitos, diarreia, dores na lombar, nas pernas... As cólicas eram tão fortes que eu tinha formigamento nos pés e nas mãos, eu ficava geladinha, super pálida. Era um mal estar indescritível, muita dor no estômago, enjoos.

Ainda adolescente, fiz as primeiras ecografias, mas não dava nada. Apenas aos 19 anos apareceu um mioma pequeno do lado externo do útero e um cisto no ovário esquerdo. Não davam, nos resultados, nem ovários policísticos. Como eu era virgem não podia fazer transvaginal.

Cheguei a tomar todos os anti-inflamatórios da época. Nas primeiras vezes até que aliviava as dores, porém três a cinco meses depois não fazia mais efeito. Aí... lá ia eu para o hospital tomar Buscopan na veia.

Minha tia Verbena (a que tenho como mãe) trabalhava no hospital da prefeitura do nosso bairro, o Hospital da Primavera. Todos por lá me viram crescer, e quando cheguei à adolescência também acompanharam o meu sofrimento: e era um mês sim e outro também que eu ia para lá tomar remédio injetável para cólica. Quando o médico perguntava o que eu queria, eu dizia: tirar o útero doutor, não aguento mais tanta dor. Mas como eu era nova e não tinha filhos, os médicos logo diziam que não, de jeito nenhum, pois um dia eu ia casar e querer ter filhos. Eu sempre respondia: eu não quero ter filhos, pois se a menstruação já e assim imagina então como não será uma gravidez!

Nenhum ginecologista sequer pronunciou a palavra “endometriose.” Me diziam: quando casar, passa! Com o passar do tempo, a minha tia que cuidava de mim já não aguentava mais me ver com tantas dores, vômitos, diarreia e dizia: "Isso só pode ser psicológico!" Eu ficava irada!
Quando eu menstruava, todos ficavam sabendo: em casa, no trabalho, na escola.

Mas eu tinha que seguir a minha vida normalmente: trabalhar, estudar, tinha os afazeres domésticos. Nem eu e nem a minha família tinha carro na época. Então, eu andava pela rua a pé com muita dor e vomitando até chegar ao hospital. Nunca peguei um dia de atestado médico sequer, afinal diziam que ter cólica menstrual é normal! Toma um remédio que passa! E, com o passar do tempo, as pessoas se acostumam a ver a gente passando mal, aí é que a situação fica normal mesmo!

Com o passar do tempo nada de melhorar as cólicas – só pioravam. Minha tia passou a deixar a medicação injetável em casa. Então, quando vinha a menstruação, ela logo me aplicava. Só que as dosagens foram só aumentando, porque eu ia me acostumando com a medicação que não fazia mais tanto efeito. O jeito era aumentar a dosagem do Buscopan. Eu cheguei a tomar ampolas de 10 ml. E tive problemas quando mudei de cidade e fui para Brasília, porque os médicos só me aplicavam no máximo 2 ml.

Eu me casei com quase 24 anos. Após o casamento fiz um ultrassom transvaginal, que não deu nada significativo, só o mesmo de sempre: um cisto no ovário e um mioma na parede externa do útero.

Após quase 10 anos de menstruação, eu comecei a tomar Tandrilax, era o único anti-inflamatório que fazia efeito. No começo, em 1999, eu tomava um por dia no período menstrual, e resolvia. Mas com o passar do tempo, nós sabemos o que acontece: o organismo se acostuma com o remédio e ela passa a não fazer mais efeito. Com isso eu fui aumentando a dosagem, e em 2008, eu tomava de 3 em 3 horas, e fora do período menstrual também.

O que eu não sabia é que o Tandrilax causava irritabilidade, veja: http://www.keacamp.com/efeitos-colaterais-de-tandrilax/. Eu só descobri isso por acaso, em 2008, em uma viagem internacional que fiz e o guia comentou comigo que não tomava mais essa medicação porque causava-lhe muita irritabilidade. Então procurei a bula e vi que realmente constava esse efeito colateral. Só aí eu fui entender o porquê eu tinha me tornado tão agressiva, vivia irritada o tempo inteiro, mau humor, impaciente. E eu era o oposto disso tudo antes de me casar, então fui juntando os fatos, e percebi que a minha “mudança de personalidade” coincidia com o início do uso contínuo dessa medicação.

Mas eu não tomava só o Tandrilax, eu tomava também relaxantes musculares e omeprazol. Eu vivia dopada, só depois da cirurgia com o doutor Alysson Zanatta, que parei de tomar todas essas medicações, foi que percebi isso, pois tudo que sentia devido a esse remédio passou!

Pois bem, em 2008, com o humor terrível, sempre irritada, sempre com muitas dores, falta de libido, muitas dores na relação sexual – o que reduziu significativamente as atividades sexuais, o marido me deu um ultimato: ou você vai se tratar ou a gente se separa!

O problema era: como me tratar? Os médicos diziam que tudo era normal! Não relacionavam qualquer alteração no humor, no ânimo a um problema físico. A história era sempre a mesma: toma analgésico e anti-inflamatório no período menstrual.

Mas ainda assim, fui ao médico, um ginecologista, que após receber o resultado dos exames de sangue, viu que o meu CA125 era de 111 ou 140 (não lembro direito), um valor muito alto, então ele suspeitou de endometriose e resolveu fazer uma videolaparoscopia para diagnosticar a doença (nesse tempo – há pouco menos de oito anos – não se falava em ressonância magnética, muito menos em transvaginal com preparo intestinal).

Fiz a cirurgia e foi diagnosticado endometriose severa, de grau IV, com muitos focos, muitas aderências, com comprometimento de toda a região pélvica, inclusive infiltração no intestino. Então, ele me falou previsões terríveis: que eu tinha que fazer outra cirurgia com urgência para cauterizar os focos e que talvez fosse necessário tirar um pedaço do intestino, que eu só iria engravidar por FIV, e talvez, não foi nem certeza. Me falou que eu teria que, após a cirurgia, tomar uma medicação para suspender a menstruação, o Zoladex, que causaria uma menopausa temporária, e eu sentiria alguns sintomas próprios da menopausa. E de fato senti: um calor infernal, dava vontade de sair correndo nua pela rua!!!! E que essa medicação faria os focos que ele não conseguiria tirar involuir, até desaparecer.

Pois bem, fiz essa segunda videolaparoscopia e tomei o Zoladex 10,8 em seguida (após brigar muito com o plano de saúde). Fiz a cirurgia em julho de 2008, em agosto tomei a 1ª dose do Zoladex e em fevereiro de 2009 tomei a 2ª dose (eu tomei a dosagem máxima permitida, pois se tomasse mais, eu entraria em menopausa permanente, segundo o médico). Foi o melhor período da minha vida: ficar sem menstruar e sem cólicas. Apesar dos efeitos colaterais, para mim tudo valia a pena na época. Ah! Mas as dores na relação sexual não passaram não!!!! Nem a irritabilidade e muito menos o mau humor.

Mas em novembro de 2009 voltei a menstruar, com cólicas… Então o ginecologista me disse que eu teria que tomar anticoncepcional de uso contínuo e o que melhor funcionou foi o Gestinol.

Mesmo sem sentir cólicas menstruais, eu sentia dores pélvicas, de menor intensidade, sempre latejava o lado esquerdo da pelve, eu achava que era o ovário, mas numa consulta com um outro médico de outra clínica, ele disse que o ovário não doía, o que doía em mim era o intestino, a alça intestinal.

Quando retornei ao ginecologista que fez as minhas primeiras cirurgias para exames de rotina e acompanhamento da endometriose, ele verificou que os focos não haviam involuídos (como ele esperava que acontecesse). Então ele me encaminhou para um especialista em fertilização, porque este profissional saberia fazer uma cirurgia de endometriose grau IV, coisa que ele não fazia. Ele me indicou um especialista em reprodução humana, muito conceituado na classe médica.

Mas antes de ir a esse especialista, eu peregrinei em vários outros ginecologistas, cerca de uns 10, e todos me diziam a mesma coisa: o diagnóstico está correto; eu não faço essa cirurgia e;  indicaram o mesmo especialista em reprodução humana. Eu achei que esse médico era o “bambambam” para tantos outros o indicarem. Até eu descobrir que era o único que fazia cirurgia de endometriose grau IV, como a minha, aqui em Brasília, pois se tinha outro que fizesse não era conhecido pelos outros ginecologistas.

Então, em 2010, depois de cansar de ir a outros médicos, resolvi pagar a consulta com esse especialista (os outros atendiam pelo plano de saúde), e ele me passou os exames: colonoscopia, ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética. O resultado foi triste: eu estava pior do que antes das cirurgias anteriores, em 2008.

O valor dos honorários médicos ficariam em  R$ 7.000,00 na época , mas disse-me que para eu fazer a cirurgia eu teria que perder peso. Eu estava com mais de 70 kg, e precisava chegar a uns 62 kg para fazer a cirurgia, senão não iria adiantar, iria aderir tudo de novo e eu também não iria conseguir engravidar, o que ele já achava difícil pelo quadro clínico de endometriose severa. Ele não me deu nenhuma garantia de que a doença não voltaria e disse que só engravidaria com FIV.

Então, como eu precisava perder peso, fui ao endócrino e comecei a tomar medicação para emagrecer, dentre elas, o Femproporex, que a Anvisa proibiu no final de 2011. Foi aí que eu fiquei irritada mesmo. A medicação não era anfetamina, mas tinha um pé na família. Então, os meus problemas de relacionamento só pioraram.

E por falar em relacionamento, durante todo esse período só foi piorando. Eu que era conhecida como “um poço de paciência”, um “doce”, super gentil, educada, etc… passei a ser uma pessoa grossa, insolente, irritada, impaciente. Mas eu não percebia isso. Só fui perceber que as coisas estavam assim quando as pessoas começaram a reclamar do meu mau humor, da minha grosseria, e assim iam se afastando de mim. Parece que eu passei a falar grego: quanto mais eu tentava me explicar, mas eu piorava a situação. Assim, eu também comecei a evitar as pessoas, os amigos e fui me isolando cada vez mais. Eu que sempre fui uma pessoa pró-ativa, passei a me reservar mais para evitar problemas. Aos poucos eu ia me anulando e entrando em uma espécie de estado depressivo. (Esta situação foi descrita também, quase como uma adivinhação, por uma médica especialista em medicina funcional, quando a procurei para saber no que essa especialidade poderia me ajudar no tratamento da endometriose, e a médica me disse que controlar os hormônios iria fazer toda a diferença na minha vida. Parecia que eu estava na frente de uma vidente, que ao ver os meus exames, descreveu tudo que eu vivia, física e emocionalmente, sem que eu tivesse dito nada a ela).

Tatiana e seu marido, Hiomone. 
Meu marido só não me traiu ou se separou de mim porque era muito temente a Deus. Só Ele mesmo para nos ajudar a segurar a barra, mesmo quando não percebemos que Ele está ao nosso lado. Pois até de Deus eu passei a ter raiva, parei de rezar, de ir aos compromissos da igreja. Não conseguia sequer ler a Bíblia, e tinha raiva de quando alguém vinha falar de Deus para mim. Eu virava a cara e fazia de conta que não estava escutando. Só não deixei de ir às missas dominicais, mas por obrigação, pois sou católica, e um dos mandamentos da igreja é não deixar de ir à missa aos domingos. Bom, em termos de cumprir ordens, eu sempre fui obediente a qualquer autoridade seja familiar, profissional ou até mesmo à religiosa. Foi um período em que eu conheci o que é sentir raiva, ódio, em regra desproporcional à ofensa ou desagrado sofrido.

Voltando à cirurgia... pois bem, não a fiz porque não tinha perdido peso e não tinha dinheiro para pagar a cirurgia. Então comecei a pesquisar sobre a doença, mas não se tinha muita informação na internet até que um dia conheci o blog A Endometriose e Eu, da Caroline Salazar. Foi aí que vi os depoimentos das outras mulheres, com histórias parecidas com a minha. Então eu percebi que o problema não era eu, era a doença, e que eu precisava me tratar. Mas com quem? O especialista em reprodução me cobrou uma fortuna e não me deu nenhuma garantia de engravidar e nem que iria retirar toda a doença, ainda disse que eu teria que ficar tomando anticoncepcional para suspender a menstruação e não sentir dor. Em novembro de 2011 voltei ao seu consultório e a história era quase a mesma, exceto pelo valor que pulou de R$ 7.000,00 para R$ 14.000,00, se eu fizesse a cirurgia até fevereiro de 2012, pois a partir dessa data, o valor seria R$ 20.000,00 só os honorários dele, fora os R$ 8.000,00 do proctologista. Totalmente inviável para mim. Eu não tinha um “carro” para dar numa cirurgia de dois em dois anos (é, porque eu fiz cirurgia em 2008, e em 2010, eu estava pior que antes). 

Conheço mulheres que já fizeram mais de uma cirurgia com ele e ainda não engravidaram, com o mesmo quadro clínico que o meu, pois a endometriose tem vários graus, em graus menores é mais fácil a mulher engravidar depois da cirurgia, mas no meu caso, que estava “uma confusão só a região pélvica”, segundo o especialista em reprodução humana, só engravidaria com FIV e olhe lá! E a dor, não se falava em parar com a dor naturalmente, só com o uso de anticoncepcionais, coisa que eu não queria mais usar, pois tinha medo de ter trombose e outra coisa que ninguém fala é que anticoncepcional diminui a libido, e no meu caso: desapareceu!!! Nesse dia eu sai em prantos do consultório, quando me vi sem dinheiro e sem esperança para uma cirurgia. Ainda tentei negociar depois com o financeiro do consultório. Porém, após falar com o especialista, a funcionária me ligou disse o seguinte: "o doutor Mário (nome fictício) mandou te dizer que não faz a tua cirurgia mais, por dinheiro nenhum". Eu fiquei pensando se eu fui ofensiva com a secretária ou se ela me interpretou mal e levou o caso a ele de forma errada, pois achei uma resposta muito grosseira para um médico.

Então eu fui falar com o outro especialista em reprodução humana que fiquei sabendo que também fazia cirurgias de endometriose severa. Ele fez um orçamento melhor: R$ 20.000,00 já com proctologista incluso (ele foi indicação de uma médica daqui de Brasília que faz transvaginal com preparo intestinal, fiz esse exame com ela e ela me falou dele, então eu fui atrás). Mas ele também não me deu muitas garantias, mas o proctologista da equipe dele era muito bom e me disse que quando se faz uma boa limpeza, as chances de a doença voltar são mínimas e que ele ainda não tinha nenhum caso que tivesse voltado. Mas a gravidez… só por FIV, e com muita sorte para dar certo ou com muita fé em Deus, pois seria praticamente um milagre se eu engravidasse.

Passei mais um ano de angústia tomando anticoncepcional de uso contínuo, mas ainda sentia cólicas, mesmo sem menstruar, não como era antes, mas tinha dia que parecia que eu estava sendo cortada por uma serra elétrica na altura na pelve. E seguia num estado depressivo, fiz terapia, mas me recusei a ir a um psiquiatra, pois sabia que me passaria medicação controlada e isso eu não queria.

Até que em setembro de 2012 fiquei sabendo da existência do doutor Alysson Zanatta através de uma colega de trabalho, que é amiga da esposa dele. Mas eu não fui consultar-me com ele de início, pois já estava cansada de ir a médico. Ocorre que sempre tem alguém que conhece um médico que é o melhor do mundo, e nos indica e insiste para que nos consultemos com esse médico “melhor do mundo”, aí a gente vai lá, faz a consulta e....nada!!

Mas ela insistiu comigo, e me falou que ele tinha feito doutorado na área de endometriose, inclusive no intestino, então eu resolvi marcar uma consulta com ele (que aconteceu em novembro de 2012), afinal já tinha ido a tantos, não me custava muito ir a mais um. Só que, quando eu lhe mostrei meus exames, eu esperava aquela cara de espanto, de óooh, como a coisa está feia e blábláblá. Mas não, ele me olhou no fundo dos meus olhos e disse sorrindo: não se preocupe, depois da cirurgia você não sentirá mais dor, não precisará tomar qualquer remédio, nem anticoncepcional e conseguirá engravidar naturalmente!! Nesse momento, foi como se o céu se abrisse e Deus estivesse falando comigo. Eu saí do consultório maravilhada com todas as coisas que o doutor Alysson me disse, totalmente diferente do que eu já havia ouvido, visto e lido até então. Fiquei encantada com o doutor Alysson, ninguém me entendia tanto como ele: as dores, o psicológico, os problemas sócioafetivos, tudo em decorrência da endometriose. Confesso que não confiei muito na estória de não sentir dor sem remédio e engravidar naturalmente, mas ele foi tão atencioso, educado, gentil e, principalmente, tinha um discurso sobre a doença e seu tratamento totalmente diferente do que eu já havia escutado, que resolvi “pagar pra ver” e me decidi: é com ele que farei minha cirurgia e com ninguém mais.

Ele foi muito prestativo, todos os relatórios e justificativas que precisava para levar ao plano de saúde, ele fazia para mim, com a maior disposição e sempre me animando. O doutor Alysson é um médico fantástico, muito atencioso, paciente, responde prontamente a todos os e-mails.
Pedi ao plano de saúde que pagasse seus honorários, pois não havia outro médico na rede credenciada que tratasse a doença como ele. Foram uns cinco meses de burocracia e espera, até me consultei com uma médica indicada pelo plano de saúde, que disse que tiraria o meu útero em um ano caso eu não engravidasse. Voltei ao plano de saúde e falei que aquela louca não tocaria em mim de jeito nenhum. E a médica é superconceituada, é professora da UNB (Universidade de Brasília) de doutorado e foi professora de médicos renomados.

Teve até uma outra ginecologista certa vez, que disse que era para eu largar a nutricionista e pagar um psicólogo. Resultado: eu nunca mais voltei nela, pois ela era muito conceituada também, mas de endometriose ela não sabia nada, mas pensava que sabia.

Após os trâmites do pedido administrativo junto ao plano de saúde, finalmente em 24 de junho de 2013 eu fiz a minha cirurgia com o doutor Alysson. Iniciava ali minha nova vida! De fato eu tinha muitos focos de endometriose. Foi necessária a ressecção de cerca de 3 cm de intestino, devido á uma pequena lesão. Fora retiradas lesões de endometriose (principalmente atrás do útero), a trompa esquerda e o mioma uterino interno (submucoso). Toda a equipe cirúrgica era de ginecologistas, que fazem a ressecção da endometriose, onde quer que ela esteja. E isso que importa: saber retirar toda a doença da mulher independente da especialidade. Após a cirurgia, o doutor Alysson disse que era para eu levar a vida o mais normal possível, fazer tudo que eu não fazia por conta da doença, e que eu não precisaria mais tomar nenhum tipo de remédio – nem para dor e nem anticoncepcional. E assim aconteceu!

Sem precisar tomar remédios para dor, eu fiquei menos dopada e mais disposta, comecei a fazer academia e reeducação alimentar. Fiz também fisioterapia uroginecológica com biofeedback e eletroneuroestimulação, o que fez com que as dores na relação sexual cessassem. E sem tomar anticoncepcional, a libido foi voltando aos poucos. Sem dor na relação sexual e com mais libido, pense.. Agora é só alegria!

Após seis meses de cirurgia, em dezembro de 2013, o doutor Alysson me recomendou que eu engravidasse. Em fevereiro de 2014 tomei um susto quando fiz um teste de gravidez de farmácia e deu positivo. Estava com cinco semanas de gravidez. Mas infelizmente sofri um aborto espontâneo com seis semanas. Mas ainda assim, ficamos muito felizes, pois para quem só conseguiria engravidar TALVEZ por meio de FIV, segundo opinião de todos os médicos com quem me consultei antes do doutor Alysson, engravidar naturalmente foi motivo de muita alegria e esperança, pois outras formas estão descartadas.

Depois disso não tentamos mais, pois meu marido fez duas cirurgias em 2014, sendo que a segunda foi para retirar um câncer na tireóide, o que o levou a ter que fazer iodoterapia, e com isso, a médica nuclear nos recomendou engravidar somente após um ano da realização desse procedimento, por conta da radiação. Ele está bem, graças a Deus! E estamos confiantes, juntamente com o doutor Alysson, de que breve teremos mais uma boa notícia para contar! 

Agradeço a Deus por ter encontrado, depois de tanta via-sacra, um médico maravilhoso, paciente, humano, um verdadeiro anjo chamado doutor Alysson Zanatta. Esse eu indico de olhos fechados. E pode ter certeza que voltarei aqui para contar a segunda parte de minha história. E para quem sofreu como eu pelo descaso dos médicos, peço para desistirem. Sempre há de aparecer um médico em forma de anjo em nossa vida. Obrigada por lutar pela nossa causa, Carol!! Beijo carinhoso! Tatiana”.

6 comentários:

  1. Meu Deus que história de sofrimento e dor.mais sempre Deus está olhando por nos

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  2. Eu queria entender.O uso do anticoncepcional contínuo não é para evitar que apareçam novos focos?

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    1. Dirce, o doutor Alysson Zanatta respondeu sua dúvida abaixo. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

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  3. Também sou de Brasília e gostaria de saber onde você fez a fisioterapia uroginecológica com biofeedback e eletroneuroestimulação que mencionou no post. Também fiz a cirurgia, mas continuo sentindo as dores na relação sexual.

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    1. Mariana, pelo texto ela fez na clínica Pelvi, a que o doutor Alysson Zanatta atende. Para passar na fisio precisa de receituário médico. Marca uma consulta com o doutor e tira todas as suas dúvidas: 61-3045-0088 Beijo carinhoso! Caroline Salazar

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  4. Bom dia, prezada Dirce. Tomo a liberdade de responder sua pergunta. Infelizmente não há comprovações de que a pílula contínua possa evitar que surjam novos focos de endometriose. Isso acontece porque a endometriose profunda muito possivelmente não se origina da menstruação, como muitos pensam. Por outro lado, a medicação pode ajudar a controlar a dor, em maior ou menor grau, não mudando entretanto a doença em si.

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