sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"SUPERANDO A ENDO INFERTILIDADE": EM BUSCA DO SONHO DE GIULIA - PARTE 3!!

imagem cedida por Free Digital Photos
Na terceira parte de "Em Busca do Sonho de Giulia",  nossa querida leitora conta o resultado de seus exames preparatórios para realizar a tão sonhada fertilização in vitro. O dia que seria um dos mais felizes de sua vida até aqui, ao levar seus exames para os médicos do Instituto de Ensino e Pesquisa em Medicina Reprodutiva de São Paulo, Giulia foi surpreendida pelo resultado ruim de um dos principais exames a ser feito para quem faz tratamento para engravidar: a biópsia do endométrio. Como já relatado aqui antes por Giulia, foi justamente este exame que a fez optar pelo local onde realizaria seu sonho da maternidade. Antes, ela e o marido foram a outras clínicas, mas nenhuma delas constava dentre os exames a serem feitos a averiguação do endométrio. Ele é muito importante para que haja  fixação do embrião no útero. Sem a biópsia do endométrio, Giulia talvez teria postergado ainda mais o grande sonho de sua vida. Ainda mais para quem tem endometriose. Por isso, pesquisar, conhecer o local e também ter contato com mulheres que já fizeram tratamento no lugar que você mais se interessou é fundamental. 

Para quem perdeu o primeiro e o segundo capítulos de "Em Busca do Sonho de Giulia", não deixe de ler. Às tentantes tenham fé e não desista de seus sonhos, mas controla a ansiedade. Aos poucos vamos tentar mudar o pensamento errôneo, a quem chamo de mentes ignorantes, sobre nós e a doença. É por isso que luto! E quero todas juntas!  E é para isso que a marcha Mundial contra a Endometriose será muito importante. Para isso, continue votando no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013 (clique aqui e dê seu voto). O primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza em compartilhar a votação entre seus amigos. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar 

Em Busca do Sonho de Giulia - parte 3:

“Treinar e alimentar minha paciência e fé. Foi assim que terminei a segunda parte de minha saga. Pois, então, terminado os exames, pensei que todos estariam perfeitos para já iniciarmos a fertilização in vitro. Mas, infelizmente, não foi isso que aconteceu. Marquei a consulta e, mais uma vez, meu marido se ausentou do trabalho para me acompanhar. Como os exames de sangue deram todos normais, pensei que já sairíamos de lá com o protocolo da fertilização. Neste dia, em especial, os casais que participam deste tratamento de baixo-custo estavam na recepção. Aí tem os mais otimistas, e aqueles que te desanimam total.

Porém, como disse antes, eu estava aprendendo a exercitar minha fé. E comecei a treinar meu ouvido para só escutar as histórias e comentários positivos. Chegou o tão esperado momento da consulta. A  tão esperada quinta-feira. Coração batendo forte! Entramos. Além dos médicos que nos atendem, os supervisores que dão suporte a eles, também estavam na sala. E a minha ansiedade não era à toa. Justamente, a biópsia do endométrio deu alterada. E é justamente esse o exame que falei anteriormente que é um dos diferenciais do IMSP, pois na clínica que fui antes não me pediram esse exame. Meu mundo desabou! Por que tudo tinha de ser tão difícil? Um dos supervisores veio falar comigo e com meu marido. 

Resultado? Micropólipos em toda parede do útero. Como ele conhecia meu médico, ele disse que iria ligar para ele, mas que eu teria de levar a biópsia do endométrio para ele ver. Sai de lá de arrasada, triste, aos prantos. Meu sofrimento parecia não ter fim!! Mas de uma coisa eu tive certeza absoluta: sai de lá confiando ainda mais na clínica que escolhi, pois esta foi a única (dentre todas que fui), que pediu este exame. Por mais que o resultado não foi o que eu gostaria, a biópsia do endométrio foi fundamental para não me fazer sofrer mais. Sem ele, eu iria fazer a FIV (saiba a diferença entre FIV e inseminação artificial),e não iria engravidar. Esse exame foi fundamental, pois descobriu o que poderia atrapalhar meu tão sonhado positivo (leia a dor do (s) beta (s) negativo (s) e a dor emocional de uma endo mulher). Com o passar dos dias fui me reerguendo novamente até a consulta com meu ginecologista. Estava ansiosa para saber qual seria o próximo passo diante desta situação. Apesar da tristeza, tenho fé e creio que tudo correrá bem. Torçam por mim! Beijo carinhoso!! Giulia."

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"A VIDA DE UMA ENDO MAMÃE": A 9ª E A 10ª SEMANAS E AINDA DICAS PRECIOSAS ÀS MAMÃES E AS ALTERAÇÕES NO CORPO DA GESTANTE!

Último ultrassom vaginal, a partir do próximo será o morfológico e o pélvico - foto do ultrassom de Tatiana Furiate cedida ao blog, proibida a reprodução 


No terceiro artigo de "A Vida de Uma Endo Mamãe", Tatiana fala sobre a nona e a décima semana de gravidez e ainda relata as alterações que o corpo da mamãe sofre neste período, além de dicas preciosas que só uma mamãe de terceira viagem pode dar. Para quem não leu, segue a apresentação da Tatiana contando sua incrível história da maternidade, mesmo tendo endometriose severa, e a primeira consulta de seu pré-natal. Nas últimas semanas, venho recebendo a notícia da gravidez de algumas leitoras. São as endo mamães!!! E eu pulo de alegria com a novidade. O duro foi guardar segredo da gravidez da Tatiana. E não pelo fato de eu não conseguir guardar segredo, porque isso eu sei, mas por ela ter uma endo mais grave, com focos e aderências, e, principalmente, por ter acompanhado o que ela passou recentemente. Por isso, eu queria contar aos quatro ventos que quem tem endo pode ter filhos sim. E quem tem endo severa também (o caso da Tati). Sabe por quê? Precisamos desmistificar algumas coisas que rondam a endometriose. Somente após tirar esses mitos é que passaremos a ser respeitadas pela sociedade, e, principalmente, pelos nossos governantes. Respeitadas de verdade, como merecemos e deveremos ser. 

Além do que já falamos no último artigo da coluna "A Vida de um Endo Marido", que é preciso tirar o estigma de "a doença da mulher moderna", é importante e essencial frisar que receber o diagnóstico de endometriose não significa que a mulher seja infértil. Precisamos mostrar que a endometriose tira a qualidade de vida da mulher e que causa muitas dores, dores que podem ser físicas e ou emocionas (no caso da infertilidade) e ou as duas. A única coisa que sei é que sou uma endo titia muito babona. Principalmente, quando acompanho toda a história, o sofrimento das minhas queridas leitoras, como o caso da Ana Paula N., que há pouco mais de um ano mantemos contato, e eu acompanhei todo processo de sua cirurgia, uma laparotomia de corte vertical onde ela teve de retirar 38 cm de seu intestino delgado e o ovário direito. Quando recebi a notícia de sua gravidez, eu pulei de alegria e fiquei muito emocionada, claro. 

Aí, minha curiosidade pós-euforia é querer saber logo o sexo e as opções de nome. Curiosa? Imagina, nem um pouco! Depois do positivo da Tatiana, foi a vez do da Juliana Souza (que já contamos sua história aqui e ela recebeu mais uma benção), do da Caroline (gravidez gemelar) e do da minha querida Ana Paula. Feliz com tanto endo sobrinhos! Feliz por saber que somos filhas de um Deus incrível que impera. Às tentantes tenha fé e não desista de seus sonhos, mas controla a ansiedade. Aos poucos vamos tentar mudar esse pensamento errôneo sobre nós e a doença. É por isso que luto! E quero todas juntas!  E é para isso que a marcha Mundial contra a Endometriose será muito importante. Para isso, continue votando no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013 (clique aqui e dê seu voto). O primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza em compartilhar a votação entre seus amigos. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar


A nona e a décima semanas, dicas preciosas às mamães e as alterações no corpo da gestante


Por Tatiana Furiate

Minhas últimas semanas têm sido uma correria só. Com dois filhos pequenos, esta gravidez já está sendo diferente das outras, a começar por isso.  Desta vez, tive de me ausentar do trabalho por ordem médica, mas podemos dizer que mãe e dona de casa trabalha sem parar. Como comecei a trabalhar cedo, não aguento ficar parada, e, como cozinho muito bem (modéstia parte), resolvi unir esse meu dom com o fato de ter de ficar em casa e inventei de fazer comida para quem não tem tempo ou para quem não sabe. O resultado? Muita encomenda.

Graças a Deus já acabou a fase crítica dos primeiros 3 meses, aquelas 12 semanas que temos de tomar cuidado, sabe, que todo mundo pede para manter segredo e só depois é que podemos contar. Estou na 13° semana. E o endo sobrinho de vocês esta cada vez maior e se desenvolvendo perfeitamente bem! Está tudo conforme o esperado. Ainda estou  na  fase  de  muita  azia,  enjoos e vômitos.  Como não tive esses sintomas em nenhuma outra gravidez, essa novidade está me deixando um pouco irritada. Também estou com muita alteração de humor. Às vezes choro, às vezes risada e noutras dou uma de louca em casa. Afinal, meus dois filhos estão na idade de bagunçar muito e tenho trabalhado no ritmo que estava antes, mas apenas em casa para cuidar do bebê e de mim.

Ainda nesta fase nos sentimos muito cansadas, devido à aceleração do nosso organismo, que está se adaptando a essa nova realidade.  Uma dica que dou para as endo mamães, se possível, cochile logo após o almoço. Cochilar, não dormir a tarde toda.  E as mamães que trabalham também podem dar uma rápida descansada no horário do almoço (faz muita diferença no decorrer do dia).  Ainda não estou liberada para pintar meu cabelo ou para fazer qualquer outra coisa diferente nele. Assim como nenhuma atividade física. Até segunda ordem parei de fazer Pilates.

Isso também mexe com nosso emocional, pois começamos a nos sentir um E.T., mas não podemos encanar. Afinal, essa fase é única e linda e devemos curtir cada momento e pensar no bem-estar do bebê.

9ª semana de gestação:

A partir desta semana, o bebê deixa de ser chamado de “embrião” e passa a ser chamado de “feto”. Em latim, “feto” quer dizer “jovem”. Ou usamos feto ou bebê, como cada um preferir. Nesta semana, ele já está medindo 2,5 cm, e podemos compará-lo a uma azeitona verde. Seus nervos e músculos já começam a se formar e os órgãos reprodutivos internos tornam-se os testículos se o bebê for do sexo masculino e ovários, se for menina.

Alterações em nosso corpo:

- Aumento de peso, que pode estar mais associado à retenção líquida, e não com guloseimas. Alguns dos incômodos nesta semana são a congestão nasal e sangramentos no nariz, o que é muito comum durante a gravidez. A dica é usar um vaporizador ou umidificador para ajudar a diminuir os sintomas.

- Cansaço, enjoo,tontura, muita vontade de fazer xixi e frequente, azia, indigestão, dores de cabeça e náuseas podem continuar a persistirem. 

10ª semana:

Nesta semana o  bebê poderá medir aproximadamente 3 cm e pode pesar cerca de 5 gramas. Ele se tornará mais ativo que nas semanas anteriores, porém, seus movimentos ainda serão leves, ou quase imperceptíveis. Pode até haver a movimentação de pernas e braços, mas só podemos ver esses membros por meio do ultrassom.  

O seu cérebro cresce muito rapidamente, em cerca de 250 mil novos neurônios por minuto. Além disso, após 10 semanas de gestação, os órgãos sexuais externos do bebê começam a se desenvolver. Porém, ainda é difícil distinguir se é menino ou menina. Ressalto aqui: como tenho uma menina e um menino, eu só irei saber o sexo no mesmo dia que vocês: no nascimento. Aliás, meu parto será transmitido  ao vivo aqui no blog, por um link que a Caroline vai passar para vocês (ela vai pegar lá na hora do nascimento). Vamos avisar todas vocês antes.

Alterações em nosso  corpo:

Nosso corpo, ainda sofre uma enxurrada de modificações, tanto físicas quanto emocionais. Um dos fenômenos que pode acontecer é a alteração de humor repentina.  Os sintomas como enjoos e náuseas podem desaparecer ou pelo menos diminuir a frequência. Além disso, com o aumento do nosso peso, os seios e quadris aumentarão e as roupas começarão a ficar apertadas.

É isso meninas, espero que tenham gostado!! Se alguém quiser saber sobre algum assunto específico na coluna, por favor, deixe aqui que abordaremos na coluna. Um beijo carinhoso!! 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"A VIDA DE UM ENDO MARIDO": REFLEXÕES DE SUA RECENTE PERDA E DO RÓTULO DE A DOENÇA SER CHAMADA DA MULHER MODERNA!

No artigo deste mês, Alexandre faz algumas reflexões a respeito da perda de sua companheira Tuxa. Companheira dele, e, principalmente, de sua esposa. Eu sei bem o que é ter esse amor e carinho no momento que estamos bem mal, e quase ninguém nos entende, apenas eles, nossos anjos de quatro patas. Que ela descanse em paz no reino do Senhor. Ele fala também sobe o rótulo de a doença ser chamada "da mulher moderna". Confesso que até repeti uma ou outra vez essa frase aí, mas quando você começa a ler, a pesquisar artigos internacionais sobe a doença, e quando você pensa no significado da frase, o que é ser "doença da mulher moderna", O cérebro pensante diz: "não, isso não faz sentido e muito menos lógica". Numa parte da matéria da revista Women's Health Brasil, a cientista social Gabriela fez muita gente refletir com o fato de tirar este estigma. Pois, se ser mulher moderna é trabalhar, ser independente, dentre outras coisas, e se isso foi uma conquista nossa, quer dizer que queremos ficar doentes? 

Agora, se pegarmos pela lógica, se a doença existe há milênios, muito antes de Cristo, como pode ser "a doença da mulher moderna?" Vamos falar mais sobre isso, mas se pensarmos que as primeiras teorias surgiram no século 19, sem contar as primeiras descrições dos sintomas, nesta época as mulheres não eram nada modernas, e muito menos independentes como hoje. Lutamos tanto para deixarmos de ser submissas para ficarmos independentes e isso quer dizer que queremos ficar doentes? Então, a partir deste raciocínio lógico, nada científico, já podemos parar de falar isso. Afinal, ter endometriose não é fácil. Somente uma portadora sabe as consequências da doença, que vão muito além das dores físicas e emocionais. Já falamos até das fezes que são diferentes. Eu, sinceramente, acho essa parte bem constrangedora. Sei que nem todas têm os sintomas isso, há uma parcela assintomática, e outras assintomáticas que se tornam sintomáticas com o tempo. 

Algumas dessas consequências irritam muito, como a insônia. Parecemos zumbi e mesmo estando deitadas, o sono não vem. Isso aí já é incompreensível para qualquer outra pessoa que não entende o que passamos. E as dores nas pernas!? Mesmo quem está com a doença controlada, ou seja, que estão livres das dores, quando anda um pouco, ou fica um tanto de pé, nossa parece que estamos carregando chumbo com elas. É mais um motivo que nos leva à fadiga, a irritação e etc, etc. E eu pergunto: "quem quer ter tudo isso e muito mais que a endometriose pode trazer à mulher?" Queremos ter essa praga de doença? Que nos judia e maltrata tanto? Que ser como um E.T. para todos? Ser incompreendidas, julgadas o tempo todo? Nããããão!!! Claro, que não! Aos poucos vamos tentar mudar esse pensamento errôneo sobre nós e a doença. É por isso que luto! E quero todas juntas!  E é para isso a marcha Mundial contra a Endometriose será muito importante. Para isso, continue votando no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013 (clique aqui e dê seu voto). O primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza em compartilhar a votação entre seus amigos. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

A suposta doença da mulher moderna
Por Alexandre Vaz 

Desculpem a ausência alongada, mas muita coisa acontece na vida das pessoas, a minha não é exceção. Nas várias coisas que tem acontecido, perdi minha grande amiga e companheira de 15 anos, minha cachorrinha Tuxa. Ela me acompanhou por muita coisa, foi uma força nas horas mais negras, e inclusive uma companheira que ficava do lado da minha esposa quando eu ia trabalhar, deixando ela morrendo de dor em casa. Se não fosse essa bichinha, minha esposa teria ficado sozinha. Com a Tuxa ela tinha uma companhia doce e meiga, algo onde direcionar bons sentimentos. Porque na endo tudo parece negro e ruim, é facílimo olhar para a vida como uma bosta sem sentido e permitir que o coração fique azedo. Por todas as alegrias que me deu, pela fidelidade que nos prestou, a Tuxa para sempre viverá em meu coração. Ela nos ensinou o que é amor incondicional e a perdoar sem reservas, através dos exemplos que nos deu ao longo dos anos. Para sempre serei grato a essa minha grande amiga.

Tem coisas que doem na gente, perder um amigo de longa data é uma delas. Injustiça seja de que forma for também dói. Quando a gente vê alguém que amamos sendo injustiçado e não consegue fazer grande coisa para evitar isso, aí piorou. E ainda tentam colocar rótulos numa doença que traz muito sofrimento às mulheres. Pelo menos para a maioria. 

A expressão “doença da mulher moderna” significa o quê exatamente? Que surgiu agora? E porque motivos? Tem gente que afirma que está relacionado com a necessidade de a mulher moderna ter uma carreira profissional e que por conta disso não engravida tão cedo como antes. Eu até poderia engolir essa, mas coloco uma questão: se é desse jeito que falam, então porque está a mulher sujeita a ter endometriose a partir da primeira menstruação? Tem quem fale que a gravidez cura a endo. Bom, se isso for verdade, então cada mulher terá de engravidar na faixa dos 10 - 13 anos de idade, jovens, muitas ainda brincam, outras estão na pré-adolescência, outras entrando nela. E olha que muitas menstruam até com menos idade. São crianças. Ter esse rótulo é como se falarmos que a mulher é egoísta que não está nem aí para a família, querer sua carreira acadêmica e profissional, mesmo colocando em risco sua saúde? 
É como se ela escolhessem sofrer. Não, não. Vejo o sofrimento de minha esposa e sei também como ela sofre quando as dores as impede de trabalhar.  

Mas tem mais, as pessoas falam do que não conhecem com muita facilidade. Usar uma expressão cruel que só pode pretender um retrocesso evolucional, condenando as mulheres a voltar para o tanque e o fogão, subjugadas ao domínio dos pais e depois do marido, é na minha opinião um ato criminoso. Se pelo menos fosse apoiada em fatos, ainda seria compreensível. Mas estudos realizados sobre o tema revelam que existem relatos sobre mulheres doentes com sintomas que se assemelham fortemente a endometriose já na Antiga Grécia e também no Antigo Egito. Evidentemente, é extremamente complicado provar se seria ou não a doença que hoje conhecemos como endometriose, mas especialistas renomados concordam que as semelhanças são imensas. Então, das duas uma; ou a doença não é da mulher moderna, ou as mulheres já são modernas faz 4500 anos. Se querem falar sobre uma doença que para muitos médicos ainda é um mistério em vários aspectos, pelo menos façam o favor de encher a cabeça com o conhecimento certo antes de encher a boca para falar.

Parece que as pessoas não pensam que usar essas expressões discriminatórias causa sofrimento nos visados. Discriminar pessoas por conta do tom de pele e orientação sexual são crimes punidos por lei. Mas é ridículo pensar que poderemos prever todas as situações discriminatórias no código penal. Isso nem deveria precisar de lei para punir alguém, é formação pessoal, educação e humanismo. Somente gente mal formada sente algum tipo de prazer em fazer os outros sofrerem. Quero ver um dia em que a filha de alguém que usa essa expressão tenha a doença diagnosticada em tenra idade. Vou escutar com muita atenção quando essa pessoa for questionada para descrever a doença.

Outra coisa que se fala por aí, a cura da endometriose. A endo não tem cura por enquanto, e nem existe nada que indique que a cura esteja para breve. Para as pessoas que afirmam que tem, que tenham a coragem de mostrar quem afirma isso, os dados concretos que provam que existem casos de cura efetiva. Porque se existe cura, essa informação precisa ser alvo de análise científica para comprovar sua veracidade. O mercado potencial para as pacientes de endo a nível mundial é gigante. As estimativas revelam 176 milhões de mulheres portadoras da doença e indicam que tanto para medicamentos como para quem consiga encontrar uma cura, implicam um negócio de bilhões de dólares. Nessas situações é muito fácil encontrar pessoas que buscam se aproveitar do desespero dos sofredores. 

Mas se por acaso alguém tiver conhecimento de uma cura real (admito que um dia surgirá, porque não poderá ter chegado já esse dia?), que partilhe essa informação para que os casos de sucesso possam ser analisados pelos especialistas e confirmada a sua veracidade, evitando assim burlas cruéis de quem não tem escrúpulo de tirar o dinheiro de quem passa necessidade e além de não resolver o problema talvez ainda o agrave. No meio do desespero as pessoas por vezes querem tanto acreditar que existe uma saída para o seu caso que ultrapassam a lógica e cometem algumas loucuras. Tenham cuidado, pois cair nas mãos de um burlão não resolve o seu problema e financeiramente o deixa mais longe ainda de um tratamento correto.

A melhor defesa é o conhecimento e para facilitar essa tarefa de recolha de informação credível e com fundamento cientifico, as pessoas que colaboram com esse blog passam horas tiradas às suas famílias e amigos, lendo artigos, buscando a internet, falando com especialistas, traduzindo artigos, relatando as suas experiências pessoais. Faça uso desse trabalho que ofertamos a quem precisa, e se achar que estamos no caminho certo, recomende-nos. E um último pedido, não perpetue a ignorância usando expressões discriminatórias sobre as portadoras de endo ou outra pessoa qualquer. Você até pode não ter recebido a melhor formação por parte da sua família (existem casos assim), mas tem cabeça para pensar e pode melhorar, basta querer. Abraço e até a próxima!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

"SUPERANDO A ENDO INFERTILIDADE": INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL OU FERTILIZAÇÃO IN VITRO? QUANDO FAZER UMA TÉCNICA OU A OUTRA?






Muitas pessoas que se deparam com a infertilidade, principalmente, as mulheres têm dúvidas sobre os tratamentos dela, em especial, entre a inseminação artificial e a fertilização in vitro?  Qual a diferença entre um e outro? Posso fazer inseminação? Ou é melhor partir para a fertilização in vitro? No texto de hoje, a "Superando a Endo Infertilidade" traz a diferença entre essas duas técnicas de reprodução assistida. Agora, se você tem mais dúvidas sobre infertilidade, não perca a oportunidade de esclarecê-la neste sábado, dia 23 de novembro, na palestra gratuita que o Instituto de Ensino em Pesquisa e Medicina Reprodutiva de São Paulo, referência em Pós-Graduação em Medicina Reprodutiva, promoverá em seu auditório das 10 às 11j. O Instituto fica num local de fácil acesso, das 10 às 11h, na rua Peixoto Gomide,  n° 515 – 1° andar,  no Trianon-MASPem São Paulo, próximo a estação do Trianon-MASP, em São Paulo. Últimos dias para se inscrever! Vagas limitadas! Ligue 11-3289-5209 ou acesse:  http://www.medicinareprodutiva.org/ 

Aproveite e ajude-nos a ter a endometriose reconhecida como uma doença social e de saúde pública? Entre na nossa campanha! Seja do bem "Vote pelo reconhecimento da endometriose como doença social e de saúde públicaVote no A Endometriose e Eu no prêmio TopBlog Brasil 2013. Clique aqui e dê seu voto: http://bit.ly/18wANh9. Passo a passo e mais informações:  http://bit.ly/1511wSV  Vote, compartilhe esta campanha entre seus amigos e ajude-nos a salvar vidas femininas! Conto com a ajuda de todos. Afinal, luto por uma causa e uma andorinha não faz verão sozinha! A união faz a força e juntos somos mais fortes. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Por doutor Joji Ueno

Inseminação Artificial:

É a técnica mais antiga de fertilização assistida e é indicada quando existe algum problema na entrada do útero (canal cervical) ou se há um pequeno comprometimento na qualidade do sêmen do companheiro. Ela induz à ovulação na mulher e realiza o preparo do sêmen em laboratório, colocando-o dentro da cavidade uterina, aumentando ainda mais as chances de gravidez.

Na prática, isso significa que, durante o período fértil, os espermatozoides são colocados dentro do seu útero por uma injeção. Um procedimento simples e, por isso, mais utilizado quando se verifica a presença do fator masculino leve ou infertilidade sem causa aparente.

Após a inseminação artificial, é importante que você evite, durante duas semanas, ficar estressada, praticar esportes e fazer viagens prolongadas. As horas de repouso diárias, na medida do possível, devem ser aumentadas.

Mas fique atenta: o seu estado emocional pode influenciar no processo da inseminação. Por isso, cabe ao ginecologista orientar a paciente para seja otimista com o tratamento!

Fertilização in vitro (FIV):

Popularmente conhecida como ‘bebê de proveta’, a Fertilização in vitro (FIV) é indicada para casais com problemas como alterações tubárias, endometriose, alterações no sêmen (quantidade/qualidade dos espermatozoides), idade materna avançada e falha de tratamentos mais simples, como coito programado e inseminação intrauterina.

Ao contrário da inseminação artificial, na FIV o ovo é fertilizado pelo esperma fora do útero da mulher, in vitro, em laboratório, e colocado em um ambiente que simula as trompas. Se o processo evoluir positivamente, os pré-embriões são transferidos para o útero da futura mamãe para desenvolver a gestação.

Para realizar o tratamento, o casal tem de passar por uma bateria de exames completa, o que exige um desgaste emocional de ambas as partes. Por isso, muitas vezes uma conversa e ou tratamento com um psicólogo pode ajudar o casal a lidar melhor com esse momento delicado e a controlar o nível emocional. Durante o tratamento será necessário diversas intervenções que poderão ser dolorosas e emocionalmente cansativas.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

DÚVIDAS SOBRE INFERTILIDADE? PALESTRA GRATUITA EM SÃO PAULO NESTE SÁBADO!! INSCREVA-SE, VAGAS LIMITADAS!





Você tem dúvida sobre infertilidade e não sabe a quem perguntar?  Este seu problema está com os dias contados. Neste sábado, dia 23 de novembro, o Instituto de Ensino em Pesquisa e Medicina Reprodutiva de São Paulo, referência em Pós-Graduação em Medicina Reprodutiva, promove  palestra  gratuita  sobre  infertilidade, das 10 às 11h, na rua Peixoto Gomide,  
515 – 1° andar,  no Trianon-MASPem São Paulo. Para participar basta fazer sua inscrição pelo telefone: 11-3289-5209. Vagas limitadas. Inscreva-se já e não perca esta oportunidade de sanar suas dúvidas. Mais informações acesse:  http://www.medicinareprodutiva.org/ 

Você sabia que a mulher e o homem têm a mesma porcentagem na infertilidade? Leia textos como a "Infertilidade e seus tratamentos", onde explicamos o que é a infertilidade e quais tratamentos fazer para realizar o tão sonhado desejo da maternidade, na  coluna  "Superando a Endo Infertilidade". Em breve mais um episódio da "Em Busca do Sonho de Giulia", veja o primeiro e o segundo episódios, e saiba como ela realizou seu sonho de ser mãe. 

Aproveite e ajude-nos a ter a endometriose reconhecida como uma doença social e de saúde pública? Entre na nossa campanha! Seja do bem "Vote pelo reconhecimento da endometriose como doença social e de saúde pública, Vote no A Endometriose e Eu no prêmio TopBlog Brasil 2013. Clique aqui e dê seu voto: http://bit.ly/18wANh9. Passo a passo e mais informações:  http://bit.ly/1511wSV  Vote, compartilhe esta campanha entre seus amigos e ajude-nos a salvar vidas femininas! Conto com a ajuda de todos. Afinal, luto por uma causa e uma andorinha não faz verão sozinha! A união faz a força e juntos somos mais fortes. Beijo carinhoso!!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ESTUDO REVELA: PESTICIDAS AGRÍCOLAS PROIBIDOS SÃO ASSOCIADOS À ENDOMETRIOSE!!

imagem cedida por Free Digital Photos

Já que está um burburinho em meio a nova pesquisa que saiu sobre pesticidas já proibidos versus endometriose. Um dos assuntos mais comentados do momento é sobre a nova pesquisa que saiu sobre a doença. Não é novidade que a maioria das mulheres tem a chamada menstruação retrógrada. Daí surge uma das prováveis teorias do surgimento da endometriose, a mais aceita. Porém, a questão que ainda não tem resposta conclusiva entre pesquisadores é: “Por que apenas uma porcentagem destas mulheres que tem menstruação retrógrada desenvolve endometriose?”. Se a maioria das mulheres tem a menstruação que reflui pelas trompas e não desce pelo canal da vagina, porque nem todas desenvolve a doença? A endometriose é a doença ginecológica mais estudada do mundo nas últimas décadas. Mais de 20 mil estudos já foram publicados e a doença ainda é difícil de explicar, já que não tem apenas um fator causador. Sabemos que além da genética (estudos apontam que quem tem parente de primeiro grau tem 7 vezes mais chances de desenvolver a doença), fatores imunológicos e também ambientais levam ao desenvolvimento da doença.

Já falamos aqui que o Bisfenol A, um dos principais componentes do plástico, causa cânceres e endometriose. Quase tudo que ingerimos hoje tem a presença de xenoestrogênios  (substâncias químicas que imitam o estrogênio em nosso corpo). Agora, além dele, cientistas descobriram outro vilão da endometriose: pesticidas agrícolas. De acordo com novo estudo publicado no jornal Environmental Health Perspectives, pesquisadores do Centro de Pesquisa de Câncer Fred  Hutchinson  - Fred Hutchinson Cancer Research Center em Seattle -, nos Estados Unidos, descobriram que mulheres com níveis mais altos de pesticidas no sangue também são mais propensas a ter endometriose. Alguns agrotóxicos agrícolas derivados, como o Mirex e o beta – hexaclorociclohexano - tidos como poluentes orgânicos persistentes (os POP’s) -,  contribuem para o desenvolvimento da endo, já que uma vez em contato com o corpo, ele imita a ação do estrogênio (hormônio que alimenta a doença). Este estudo colheu amostras de sangue de 248 mulheres portadoras da doença comprovada por cirurgia e 538 mulheres sem a doença. Os resultados da pesquisa mostraram que as mulheres que tiveram exposição superior aos dois pesticidas organoclorados citados mirex tiveram um aumento do risco de endometriose entre 30-70%. A exposição ao mirex aumenta em 50% o risco de as mulheres desenvolverem a endo e ao beta – hexaclorocicloexano de 30 a 70%.

A preocupação dos estudiosos é ter encontrado estas substâncias no sangue das mulheres mesmo os Estados Unidos tendo proibido o uso desses pesticidas há mais de três décadas. Isso mostra que ações do passado estão presentes nos dias atuais e estarão presentes em muitas décadas futuras. "O que despertou o nosso interesse é que estes produtos químicos são tão altamente persistentes e levam anos para se degradar no meio ambiente. Foram detectadas estas substâncias químicas no sangue das mulheres apesar de eles terem sido proibidos ou severamente restringidos nos Estados Unidos décadas atrás”, diz Kristen Upson , a principal autora do estudo de pós-doutorado do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental. “As substâncias químicas permanecem no ambiente e essas substâncias que foram utilizadas no passado têm efeitos na saúde da geração atual de mulheres em idade reprodutiva", afirmou a cientista.

O Mirex foi muito usado para controle de formigas-de-fogo, cupins e outros insetos e também como retardante de chama para plásticos, borrachas e materiais elétricos. Nos EUA foi proibido no fim da década de 1970 por ser muito persistente ao meio ambiente e altamente resistente à degradação química. As principais fontes de exposição humana a este pesticida estão nos peixes de águas contaminadas e também a exposição em locais onde foi usado este agrotóxico no passado. Já o beta-hexaclorociclohexano (beta – HCH) também foi proibido há mais de 30 anos nos EUA, mas ainda podem ser encontrados em águas, solos e também no ar e na ingestão de alimentos, todos contaminados. De acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças, o beta- HCH tem uma meia-vida de sete anos no corpo, já que ele é armazenado na gordura e pode ser encontrado em alguns produtos lácteos, alimentos gordos e peixes. Também pode ser encontrado em produtos para combater piolhos e também estão podem estar presentes em alguns xampus e loções.

No Brasil, eles só foram proibidos em 2005, após o país ser um dos 152 a assinar termo de proibição na Convenção de Estocolmo em 2001. Porém, a gente não sabe se realmente os agricultores pararam de usá-los no país. A pesquisa feita nos Estados Unidos comprovou que os males causados por esses pesticidas ainda estão presentes no ambiente e pode acumular-se na cadeia alimentar. A meu ver, o mais triste é saber a ação do próprio homem está deixando sua espécie mais e mais doente. A cada época irão surgir mais e mais doenças, e cada vez mais, doenças mais perigosas por conta da ganância e do egoísmo do ser humano. Uma pena que a maioria das pessoas não sabe, mas os hormônios, em especial, o estrogênio está presente em muitas coisas, até mesmo quando comemos algo que precisou de hormônios para acelerar o crescimento, como é o caso do frango, por exemplo. 

Aos desavisados, a endometriose é uma doença que causa dores incapacitantes nas mulheres, muitas vivem presas às suas camas, não conseguem nem andar, além de ser uma das doenças femininas que mais causa infertilidade e acomete mulheres na fase mais produtiva de suas vidas, seja no começo ou no término dos estudos, ou quando iniciando suas carreiras e ou começando seus relacionamentos amorosos e até mesmo suas famílias. Por isso a doença causa muito sofrimento e impactando a vida de 176 milhões de meninas e mulheres no mundo todo. Por isso, há 3 anos e 7 meses eu luto pelo reconhecimento da doença como social e de saúde pública no Brasil. Junte-se a mim e continue votando no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013. Entre na campanha, "Afinal, o blog foi o primeiro "Seja do Bem, vote pelo reconhecimento da endometriose como doença social e de saúde pública, Vote no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013". Conto com a ajuda de todos. Afinal, uma andorinha não faz verão sozinha! A união faz a força e juntos somos mais fortes. Beijo carinhoso!!!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

TODO DIA SETE MULHERES SÃO SUBMETIDAS À CIRURGIA PARA ENDOMETRIOSE EM HOSPITAIS PÚBLICOS NO ESTADO DE SÃO PAULO

imagem cedida por Free Digital Photos

Nesta semana, a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo divulgou um dado assustador: sete mulheres são submetidas à cirurgia de endometriose por dia nos hospitais públicos do estado. Isso mesmo! Em 2012 foram 2606 cirurgias em hospitais públicos no estado paulista. E o número só não foi maior por conta das greves, que ainda permeia uma ou outra especialidade. deste setor. Vou dar um exemplo. Uma cirurgia de uma leitora do blog, da Bahia, que veio a São Paulo em busca de tratamento, era para ter sido realizada entre outubro e novembro deste ano, num ambulatório público especializado em endo que indico. Porém, por conta da greve dos anestesistas, a cirurgia foi remarcada para fevereiro de 2014. Ela e o marido tiveram de mudar de estado por conta do tratamento. Ela está em São Paulo desde junho, quando foi pré-agendada a cirurgia. É rezar para não ter nenhuma greve até lá. 

Com certeza, se o setor público fosse valorizado pelos governantes, o número de cirurgias para endometriose seria muito maior que as 2606 cirurgias divulgadas na pesquisa. O que falta é política séria para esta doença que devasta tanto a vida de mais de 10 milhões de mulheres no país e 176 milhões no mundo.  E é para isso que eu luto. Porém, precisamos mostrar que a endometriose não é apenas a causadora de infertilidade. Precisamos mostrar que a endo destrói toda a vida de uma mulher. Agora, o grande problema também é que ainda não temos tantos médicos aptos a diagnosticar a doença, e muito menos os que sabem fazer a cirurgia por laparoscopia, a cirurgia indicada para endometriose, já que diminui a chance das aderências. É preciso começar a incentivar os estudantes de medicina a quererem se dedicar a esta especialidade. E ser um bom cirurgião em laparoscopia. Porém, antes de ser médico, é preciso ser um grande ser humano, principalmente, para se tornar um bom especialista em endo. Porque é a questão “humanidade” que está faltando em muitos especialistas que existem no Brasil. É preciso não só entender nossas dores, mas querer ajudar a mulher com endo, é preciso também entender o psicológico das endo mulheres. 

Precisamos mostrar o impacto que a doença causa em nossas vidas. A endo acomete as mulheres no período mais reprodutivo de suas vidas.  É quando estamos iniciando a vida acadêmica, ou terminando nossos estudos, quando estamos começando nossas carreiras, ou quando temos de pará-la abruptamente e dar um tempo para poder nos tratar (como aconteceu comigo! e aí esse fato causa uma revolta muito grande em nós), quando estamos construindo relacionamentos e ou iniciando a vida familiar. Ou seja, é uma doença destruidora no sentido literal da palavra. Principalmente, para quem tem como consequência a dispareunia, a dor durante o sexo. Além da dor forte da cólica, dores e sangramentos ao urinar e ou evacuar, não conseguimos ter relação sexual. Dói muito, em muitos casos passamos a ter aversão ao sexo! No caso da dispareunia profunda, como a que eu tive, ficamos também assexuadas. Ou seja, a endo é uma doença que causa muito sofrimento às mulheres. Um ano e meio atrás ouvi a seguinte frase da minha endocrinologista: “Enquanto a doença for relacionada somente à infertilidade, desculpe, Caroline, ela não será levada a sério". Ontem durante o Pilates ouvi a mesma coisa da minha companheira de aula.

E é justamente para isso que luto. É muito triste ver mulheres perderem seus órgãos, e engana-se quem acha que são “apenas” os reprodutores. Retirar esses órgãos femininos já é uma mutilação, é como o retirar o testículo de um homem, agora imagine quem tem de retirar pedaços de intestino, da bexiga, do diafragma e até mesmo do pulmão. Já contamos no blog histórias de leitoras que tiveram endo em órgãos distantes da pelve (endometriose pulmonar, endometriose diafragmática, veja mais testemunhos aqui). A doença é devastadora e muito triste e pode acometer qualquer órgão da mulher. Outra característica da doença é o fato de ela "pirar a mulher". A doença mexe tanto com a parte psicológica, que muitas de nós somos tidas como “malucas”, "bipolares" e até mesmo "esquizofrênicas". Muitas mulheres estão internadas em hospitais psiquiátricos por algum distúrbio, mas o que elas têm é simplesmente endometriose. Eu sei de um caso assim.

É por isso que eu luto vorazmente para mostrar que a endometriose não é uma doencinha, como muitos pensam. É preciso mostrar que a endometriose não é “a doença da mulher moderna”. Se ela existe antes mesmo de Cristo, como pode se dar isso, meu Deus? Se a teoria de Sampson foi descrita na década de 1920, como pode ser chamada de “a doença da mulher moderna?” Sinceramente, eu não entendo essas mentes ignorantes. Enquanto ela tiver esse estigma, com certeza, não seremos levadas a sério. Já foi comprovado que a endometriose é uma das 10 doenças mais dolorosas do mundo. A doença também é uma das causadoras de muitos suicídios entre as mulheres. Já relatamos o caso de uma americana no blog. Outra grande preocupação minha é quanto a abordagem que a mídia faz sobre a doença. A maioria das vezes errônea. E estou aqui para ajudar os jornalistas a entenderem o que de fato é a endo. E eu luto para tirar todos esses estigmas. Por isso, a Million Women March for Endometriosis, a Milhões de Mulheres Marchando contra a Endometriose, que até o momento acontecerá simultaneamente em 33 países no dia 13 de março de 2014, vai ser um marco em nossas vidas.

Simplesmente pelo fato de a marcha ter sido idealizada por um dos médicos e cientistas mais importantes do mundo, o doutor Camran Nezhat, o precursor da cirurgia de laparoscopia, e que revolucionou a medicina. Ele não está brincando quando diz que “não aguenta mais ver tantas meninas e mulheres sofrendo com essa doença”, e por isso resolveu reunir as 176 milhões de mulheres, suas famílias, amigos e quem mais quiser se juntar a nós. Fui eleita por ele e sua equipe, a capitã da Marcha no Brasil, e será um prazer ter todos conosco. Faça sua inscrição aqui e junte-se a nós na Marcha Brasileira, que agora acontecerá em todas as cidades do Brasil, já que nesta primeira edição seria inviável reunir todos em Brasília, como os Estados Unidos irão fazer. Eles vão reunir 1 milhão de pessoas em Washington D.C. Ah, e junte-se a mim para que a endometriose seja reconhecida como uma doença social e de saúde pública, entre na campanha "Seja do Bem, vote pelo reconhecimento da endometriose como doença social e de saúde pública, Vote no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013". Conto com a ajuda de todos. Uma andorinha não faz verão sozinha! A união faz a força e juntos somos mais fortes. Meu próximo artigo será dedicado aos jornalista. Porque, na boa, já somos tão humilhadas diariamente, senão for para abordar o tema com a seriedade que ele precisa ter, é melhor não fazer matérias sobre a doença. Beijo carinhoso!!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"SUPERANDO A ENDO INFERTILIDADE": FOLÍCULOS E ÓVULOS, OVULAÇÃO E PERÍODO FÉRTIL, COITO PROGRAMADO...





No texto de hoje, vamos entender como funciona o corpo feminino em relação à reprodução. Com quantos óvulos nascemos? Quanto anos a mulher tem de vida fértil? Quantos óvulos são consumidos em cada período fértil? Quanto tempo dura o processo de fertilização? O uso de anticoncepcionais previne a fertilidade feminina? Você sabe o que é coito programado? Se você tiver dúvidas sobre infertilidade não perca a palestra gratuita no próximo dia 23 de novembrodas 10h às 11h, no auditório do Instituto de Ensino em Pesquisa e Medicina Reprodutiva de São Paulona rua Peixoto Gomide,  515 – 1° andar,  no Trianon-MASPem São Paulo. O Instituto é referência em Pós-Graduação em Medicina Reprodutiva e oferece tratamento a baixo-custo. Para participar da paestra basta fazer sua inscrição pelo telefone: 11-3289-5209Vagas limitadas. Inscreva-se já! Mais informações:  http://www.medicinareprodutiva.org/.

E você já entrou na nossa campanha do prêmio TopBlog Brasil 2013? O primeiro turno foi prorrogado até o dia 25 de janeiro de 2014( veja também as mudanças na I Marcha Mundal contra a Endometriose (inscrições aqui). Se você ainda entrou na nossa campanha, não perca tempo, seja do bem e entre já, "Vote pelo reconhecimento da endometriose como doença social e de saúde pública, Vote no A Endometriose e Eu Entre no link e dê vote: http://bit.ly/18wANh9. Passo a passo e mais informações: http://bit.ly/1511wSV. Compartilhe esta campanha entre seus amigos e ajude-nos a salvar vidas femininas! Conto com o apoio de todos! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar


Por doutor Joji Ueno

Folículos e óvulos:

Na puberdade, a mulher tem 40 mil óvulos que serão “consumidos” em 400 ciclos menstruais ou 33 anos de idade reprodutiva. Assim, em média, há consumo de 1 mil oócitos (óvulos) por mês. De tal forma que, após os 35 anos de idade, vão restando muito poucos óvulos para garantir a fertilidade feminina. Além do que, vai diminuindo a qualidade e aumentado a possibilidade de alterações genéticas dos óvulos. Isso ocorre progressivamente, independentemente, do que a mulher possa fazer. A melhoria da qualidade de vida retarda as marcas dos anos, fazendo as mulheres modernas aparentarem menos idade do que tem. Mas, isso não diminui a velocidade da perda dos óvulos. Mesmo a administração de anticoncepcionais orais (ACO), que impedem a ovulação, não minimiza esse processo. Os ACO impedem que um folículo (contém um óvulo) cresça até a ovulação, mas não impedem que todos aqueles que iniciam o processo de crescimento parem o seu desenvolvimento e caminhem para a atresia (ficam inviáveis). Então, a mulher chega à menopausa (última menstruação) aos 48 anos e vários anos antes a sua fertilidade já estará comprometida. Algumas mulheres podem ter filhos naturalmente até depois dos 50 anos de idade, mas é fato raro. Muitas, já não conseguem ter filhos, mesmo recorrendo às tecnologias mais modernas aos 44 anos. Exceto, se recorrerem ao recebimento de óvulos de pacientes mais jovens. Uma maneira de se medir a reserva ovariana (quantidade de óvulos restantes) é com a dosagem sanguínea de um hormônio produzido nos ovários (hormônio anti-mulleriano – AMH).

Ovulação e período fértil:

Para que ocorra a gravidez é necessário que ocorra o encontro do óvulo com os espermatozoides de maneira natural ou artificial (Reprodução Assistida). A hipófise, que é uma glândula que fica na cabeça, produz um hormônio chamado FSH, que vai pela corrente sanguínea até os ovários e estimula o processo de desenvolvimento folicular no ovário. Assim, no começo da menstruação (primeiro dia do ciclo menstrual) os folículos vão crescendo sob ação desse hormônio. A partir do quinto dia, somente um óvulo vai crescer (dominância folicular) produzindo o hormônio feminino estradiol, que aumenta a produção de muco cervical do útero (parece uma clara de ovo). Quando o folículo atinge 20 a 26 mm ocorre um pico de outro hormônio, produzido pela hipófise, o LH. Assim, ocorre a ovulação no 14º dia do ciclo menstrual. Portanto, o período fértil da mulher é quando há abundância do muco cervical, que permite que os espermatozoides migrem com facilidade para o interior do útero e sofram alterações necessárias à fertilização.

Fertilização:

A fertilização é um processo que dura 24 horas. Começa com o contato do espermatozoide com o óvulo. Vários espermatozoides passam pelo muco cervical, passam pelo interior do útero e chegam às tubas. Com a ovulação, há possibilidade do encontro do óvulo com os espermatozoides. Isso geralmente ocorre no interior da tuba, formando o pré-embrião (PE). O PE pode parar na tuba causando a gravidez ectópica com todas as consequências desse evento patológico ou chegar no interior do útero, após o 21º dia do ciclo, implantando-se no endométrio. Assim, começa a produção do hormônio Beta hCG que pode ser dosado no sangue, mesmo antes do atraso menstrual, detectando a gravidez inicial.

Menstruação:

Após a ovulação, o ovário começa a produzir progesterona para preparar o endométrio para receber o PE. Caso o PE não chegue, 14 dias após a ovulação, a menstruação ocorre. Outras vezes, a ovulação não ocorre, atrasando a menstruação por dias ou meses. Esse é o caso das pacientes anovuladoras, cujo exemplo mais importante é a paciente com ovários policísticos (não ovulam).

Coito programado:

A gravidez pode ser atingida em casais que têm pequenas alterações que serão corrigidas com a orientação médica. Assim, pacientes que não produzem o folículo dominante, têm muco inadequado, não ovulam, têm produção deficiente de progesterona, podem ser medicadas e programar o dia da relação sexual para que a gravidez ocorra.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

MUDANÇAS NA MARCHA MUNDIAL E NO CALENDÁRIO DO TOPBLOG!!




O post de hoje será sobre mudanças!! Isso mesmo no plural! Mudança em todo o calendário do TopBlog Brasil e também na Marcha Mundial. No meio da tarde desta quinta-feira, dia 07, recebi email da equipe do prêmio TopBlog anunciando a prorrogação do primeiro turno até o dia 25 de janeiro. Ou seja, teremos mais dois meses e meio para continuar divulgando e compartilhando a campanha  "Seja do bem você também", vote no A Endometriose e Eu no TopBlog Brasil 2013Clique no link  (http://bit.ly/18wANh9) e dê seu voto. O segundo turno será apenas em 2014, de 10 de fevereiro a 10 de março. Sabe porque o A Endometriose e Eu merece seu voto? A Endometriose e Eu não é apenas o blog pioneiro em contar a vida de uma endomulher. Foi o primeiro que começou a reivindicar os direitos de uma portadora de endometriose. Foi o primeiro que deu voz às mulheres a mostrarem as diversas formas da doença, é o blog que educa, que conscientiza a sociedade brasileira, das portadoras às mulheres sem a doença, dos homens, companheiros das portadoras aos amigos. Em suma, foi o primeiro que começou a "gritar" aos quatro cantos do país que a doença precisa ser reconhecida como social e de saúde pública pelos nossos governantes. Que é preciso educar a sociedade para que todos passem a respeitar uma mulher com endo. Desde 2010, é o blog que traz informações de qualidade. Qualidade e veracidade de conteúdo nas mais diversas formas. É o blog que faz parcerias internacionais justamente para trazer em primeira mão as descobertas de cientistas do mundo todo. É o blog mais completo do mundo sobre a doença. É o blog que cria, que tem identidade própria e não copia nenhum outro.

Já a mudança na Milhões de Mulheres Marchando contra a Endometriose - Million Women March for Endometriosis - será quanto ao local da marcha. Por conta do sucesso da Marcha, que agora será realizada até o momento em 33 países, e para que o máximo de pessoas no Brasil esteja presente, iremos fazê-la em todas as cidades. Como o Brasil é muito extenso, seria algo inviável nesta primeira edição deslocar e manter todos em Brasília. Com isso, mais pessoas poderão marchar neste evento inédito que vai dar o que falar no mundo todo. A maioria das delegadas está à postos, porém, algumas serão trocadas, já que aceitaram o convite, mas após 3 meses do início do trabalho, elas não responderam nenhum email que enviei. Na verdade não há mal nenhum negar um convite que se recebe, mas eu acho bem mal não cumprir com o que se propõe. Se somos um time, ele precisa funcionar e ninguém está aqui para brincadeira de criança. Aceitei o convite para ser capitã da Marcha no Brasil porque vai de encontro com tudo que o blog pensa, e consequentemente, eu. Se antes de assumir este compromisso, eu já não tinha tempo nem para dormir, imagine agora. Mas nem por isso vou fazer um trabalho mediano. Nem pensar, sou perfeccionista ao extremo, por conta da minha criação e também por ter endo né. Eu sempre fui muito exigente comigo mesmo, daquelas que nunca tirava nota menor de 8.0, seja no colégio ou na faculdade. Portanto, qualquer compromisso que assumo é para funcionar e não para ficar empacado, como ficam as mulas. Isso me irritava quando pensava em subir em uma para andar, daí, eu desistia. 


Os Estados Unidos querem reunir 1 milhão pessoas em Washington D.C., a marcha americana continua lá, e Brasília será nossa principal concentração por ser sede do governo federal. Mas todas as cidades serão importantes. Os EUA já conseguiram o co-patrocínio da American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Agora que todos poderão marchar, não exite em preencher a Ficha de Inscrição da Marcha Brasileira
Em breve abriremos o grupo no face para todos os voluntários. Faltam menos de 120 dias para o dia 13 de março de 2014, e esta é a nossa chance de começar a mostrar que existimos, que somos muitas e que precisamos ser respeitadas e tratadas dignamente, a começar com médicos aptos a entender a doença e a mulher que tem a doença. Afinal, pagamos altos impostos e é preciso reverter o que pagamos em pelo menos saúde e educação. Quando os governantes brasileiros colocarem esses dois pontos como prioridade em seus governos, quem sabe começamos a subir os degraus rumo a um país que oferece o mínimo do básico à sua população. Beijo carinhoso!!