O artigo de hoje é de grande importância para todas nós, endomulheres: aderências, o maldito grude que pode nos matar. Faz tempo que quero escrever sobre isso, já falei sobre a pelve congelada, mas eu sou a favor de além de falar a verdade sobre determinado assunto é preciso dar solução ao problema. Porque problemas nós temos de monte, não! Por isso, achei perfeito este artigo de um site inglês (ah, como sou agradecida a Deus por ter nascido numa família que me deu condição de muito estudo e conhecimento, e claro, por eu ter aproveitado todas as oportunidades). Meu grande problema com a endo não é tanto os focos, mas a aderência pélvica. Esse grude-grude como um chiclete quase me matou. E se não fosse a mão certeira, firme e especial do doutor Hélio Sato, talvez, eu não estaria mais aqui. Foi isso que ele me deu na minha primeira videolaparoscopiaem 2010: óbito. Pois eu já tinha órgãos sem funções dentro de mim por conta dessas malditas. Eu não quis nem perguntar quais. Faria diferença? Claro que não, pois sei que Deus me manteve viva por muitos anos. Somente agradeci ao nosso Pai pela ajuda. Realmente, eu tinha dor até para respirar, como disse o doutor Hélio. E nesse dia constatei que não era louca como muitos achavam.
Sabemos que onde os focos da doença se implantam causam
aderências, mas o meu grude foi por conta de duas cirurgias mal-feitas que
feitas na adolescência: uma de apêndice (com corte no abdômen) aos 13 anos e
uma laparotomia (nota da editora: cirurgia aberta, com corte, conhecida
mais como “cesárea”), para
retirar um endometrioma, mas na época fui diagnosticada com cisto no ovário!
Pois é, as cirurgias com cortes também causam aderências, por isso, elas não
são indicadas para quem tem endometriose. Eu vejo muitas mulheres com endo se
submetendo a esse tipo de cirurgia e eu já começo a rezar. No começo, elas até
irão ficar bem, claro, mas com o tempo, a dor vai voltar. A dor da
aderência é diferente, é aquela dor ardida que nem a própria morfina resolve. É
uma dor constante que nos enlouquece, porque dói para tudo, desde andar até
respirar. As aderências começam na própria cicatrização. Uma laparoscopia (nota
da editora: cirurgia minimamente invasiva e recomendada para endometriose,
onde é feito 3 pequenos orifícios no abdômen, dentre eles, no umbigo) também está sujeita a elas, mas num
menor grau.
O diferencial deste artigo é possíveis tratamentos que já estão em
testes nos Estados Unidos para prevenir as aderências. Os possíveis produtos
ainda estão em teste, mas se aprovados, eles poderão ser utilizados nos casos
de cirurgia com corte. Assim o risco de aderências, nesses casos, será muito
menor. Não é o máximo! Uma esperança para muitas endomulheres. Por isso,
eu sempre falo: tenha fé, seja perseverante e tenha muito esperança. Sei que
muitas estão sofrendo, vivem como se tivesse “queimando no inferno”´por conta
das dores, mas não desistam! Só espero que após a aprovação nos Estados Undos, não demore anos a fio para chegar ao Brasil, algum tratamento para o grude que pode matar qualquer pessoa. Porque qualquer pessoa que é submetida a uma cirurgia aberta, seja homem, idoso, mulher e ou criança, está sujeita a ter aderências. Espero que gostem do artigo. Beijo carinhoso!
Caroline Salazar
A endometriose e as aderências
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar
A forma mais eficaz de se obter o diagnóstico da endometriose é a
por meio da cirurgia. Grandes progressos foram feitos neste campo e
constantemente estão surgindo melhoramentos e novas técnicas. Junto com a
laparoscopia e a diatermia (nota da editora: método terapêutico que consiste na
elevação da temperatura no interior dos tecidos mediante o uso de radiação
eletromagnética, corrente elétrica ou ondas ultrassônicas), novos avanços estão
sendo feitos para minimizar a formação de aderências durante a cirurgia,
enquanto se trata a endometriose. Ao ser capaz de reduzir a formação de
aderências, vai existir uma maior chance de sucesso e maior chance de gestação
após a cirurgia.
Como as aderências se formam após a cirurgia para endometriose
A formação de aderências depende de múltiplos fatores. A
endometriose por si mesma pode provocar a formação de aderências, especialmente
em estágios avançados da doença. A quantidade de superfícies peritoneais que
ficam após a excisão pode servir como indicador para a probabilidade de
aderências que venham a ser formadas. O peritônio é o revestimento interno abdominal.
Trata-se de uma membrana transparente, de textura suave que reveste o abdômen e
continua sobre a superfície dos órgãos internos, formando uma bolsa contínua.
Nos casos de endometriose, essa bolsa está frequentemente coberta de
aderências. O uso de barreiras ajuda a reduzir o risco de formação de novas
aderências, formadas em consequência da cirurgia.
Quando o cirurgião separa aderências no abdômen originadas pela
endometriose, deve ter muito cuidado em não utilizar instrumentos que
danifiquem os tecidos. Prevenir a perda de sangue também é muito importante,
porque a presença de sangue aumenta as chances de formação de aderências. Se o
sangramento não puder ser evitado, deve ser realizada uma cauterização para
controlar o fluxo sanguíneo ao abdômen. Pode ser feita irrigação para remover o
excesso de sangue, e realizadas suturas para prevenir rejeição a corpos
estranhos no abdômen.
Novos produtos para prevenir aderências, incluindo barreiras
não-absorviveis
Estão disponíveis novos produtos para prevenir a formação de
aderências. Ao separar fisicamente os tecidos afetados durante o período de
cicatrização peritoneal – a cicatrização da membrana que reveste os órgãos
reprodutores. Agentes de barreira, usados para esse propósito específico,
incluem barreiras não-absorvíveis, absorviveis e fluídos. As barreiras
não-absorvíveis começaram sendo usadas em cirurgias cardíacas. Elas precisam
ser suturadas no local e não são dissolvem. Por esse fato, uma segunda cirurgia
será necessária para remover as suturas, e como tal, esse tipo de barreira não
é geralmente usada em cirurgia ginecológica.
Barreiras absorvíveis dão melhores resultados
As barreiras absorvíveis incluem Interceed e Seprafilm. Interceed
é uma malha derivada da celulose. É aplicada sobre o tecido danificado e não
requer sutura. Forma uma proteção gelatinosa em 8 horas e é absorvida em duas
semanas. Numerosos estudos revelam que existe uma redução de 50% na formação de
aderências com esse produto. A parte negativa da utilização do Interceed é que
ele requer a completa ausência de sangue. Se o sangramento não parar totalmente,
o risco de aderências aumenta. O Seprafilm se torna um gel em 24 horas após
aplicação e é absorvido em sete dias. Os estudos revelam que tem reduzido
eficazmente as aderências tanto em cirurgia nos intestinos como nos órgãos
reprodutores. A natureza rígida dessa barreira a tornou muito útil nas
laparotomias, mas não nas laparoscopias.
Fluídos absorvíveis – o melhor produto mais que vai demorar até
estar disponível
Os fluídos absorvíveis possuem muitas vantagens porque revestem
todas as superfícies, em oposição à cobertura limitada dos agentes de barreira.
Um novo produto chamado Sparygel está por enquanto em testes clínicos nos
Estados Unidos. É aplicado sob a forma de spay e forma um hidrogel. Gruda nos
tecidos em que foi aplicado e permanece intacto por cinco a sete dias antes de
iniciar o processo de degradação em que será facilmente absorvido e expelido
pelo corpo. Os estudos revelam que a incidência das aderências diminui cerca de
70% com o uso de Spraygel. Infelizmente, ainda vai demorar até que esteja
disponível nos Estados Unidos para a comercialização. Estas informações têm o
intuito de informar as mulheres acerca do processo cirúrgico, dotando-as da
capacidade de discutir com o seu cirurgião quais as possibilidades antes do
tratamento.
