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terça-feira, 27 de junho de 2017

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR ALYSSON ZANATTA!!

Dando continuidade ao especial de infertilidade na coluna “Com a Palavra, o Especialista” deste mês de junho (leia a parte 1), o doutor Alysson Zanatta responde uma dúvida muito comum entre as portadoras, e até mesmo de muitos médicos: a gravidez trata a doença? Apesar de ser um dos grandes mitos da doença - já falamos muito sobre o assunto no A Endometriose e Eu, recomendo a leitura do texto do médico e cientista americano David Redwine “A gravidez é a cura para a endometriose?” traduzido em 2013 -, a gravidez infelizmente não cura e nem trata a endometriose. Há cerca de quatro anos começamos a desmistificar a doença no Brasil, e este assunto é de muita relevância. Aqui o doutor Alysson explica porque muitas endomulheres podem ter a sensação de “estarem curadas” durante e após a gravidez. Já a outra questão é sobre a diferença entre endometriose e adenomiose. Infelizmente, muitas endomulheres demoram a gestar e outras não conseguem por conta da adenomiose. Mas qual é a causa da adenomiose? É a mesma da endometriose? E qual seu tratamento? Compartilhe mais um texto exclusivo A Endometriose e Eu e espalhe a correta conscientização da endometriose. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

- Doutor Alysson escutamos muito de médicos, inclusive, quando são entrevistados em programas de tevê, que a gravidez é um tratamento para a endometriose, mas eu nunca entendi muito bem por quê? Como seria esse tratamento? Qual sua opinião sobre isso? Anônima

Doutor Alysson Zanatta: Gravidez não trata endometriose. Tratar no sentido de erradicar a doença, fazê-la desaparecer. É mais um dos vários mitos associados à endometriose.

O que acontece é que, durante a gravidez, os sintomas da endometriose podem desaparecer, e de fato, algumas mulheres não voltam mais a ter dor após a gestação (ou as tem em menor intensidade). Isso é erroneamente interpretado como tratamento da endometriose. As lesões continuam lá, exatamente como antes da gestação, porém às vezes podem causar menos dor.


E como a dor pode diminuir, surge à sensação de cura. Na verdade, a lesão estará menos inflamada, talvez decorrente das altas doses de progesterona que circulam no corpo da mulher durante a gestação.


A progesterona é antagonista do estrogênio. Reduz os efeitos do estrogênio. Como a lesão da endometriose é estimulada pelo estrogênio e fica inflamada sob sua ação, a progesterona age contrapondo-se ao estrogênio, diminuindo a inflamação e a dor. Entretanto, não há redução da lesão em si.

- Qual a diferença entre endometriose e adenomiose? Qual seria a causa delas e o tratamento mais indicada para cada uma delas?  Bruna Lane – Brasília – DF

Doutor Alysson Zanatta: Olá Bruna. Ambas estão correlacionadas, e talvez tenham a mesma origem. Endometriose refere-se à presença de lesões (nódulos, cistos e aderências) que contêm células parecidas com endométrio localizadas FORA do útero. Já a adenomiose refere-se também à presença de células semelhantes ao endométrio NA PAREDE MUSCULAR do útero, o miométrio.

Os sintomas (cólica menstrual, sangramento e dor durante a relação sexual) de ambas poderiam ser controlados, parcial ou totalmente, com medicações hormonais. A ressecção cirúrgica máxima dos focos de endometriose por laparoscopia é o tratamento mais efetivo para combater a dor da endometriose. Quanto à adenomiose, a única cirurgia possível é a histerectomia (retirada do útero), quando necessária.


Sobre o doutor Alysson Zanatta:
Graduado e com residência médica pela Universidade Estadual de Londrina, doutor Alysson Zanatta tem especializações em uroginecologia e cirurgia vaginal pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cirurgia laparoscópica pelo Hospital Pérola Byington de São Paulo e doutorado pela Universidade de São Paulo, USP. Suas principais áreas de atuação são a pesquisa e o tratamento da endometriose, com ênfase na cirurgia de remoção máxima da doença. Seus inter­esses são voltados para iniciativas que promovem a conscientização da população sobre a doença, como forma de tratar a doença adequadamente. É diretor da Clínica Pelvi Uroginecologia e Cirurgia Ginecológica em Brasília, no Distrito Federal, onde atende mulheres com endometriose, e ex-professor-adjunto de Ginecologia da Universidade de Brasília (UnB). (Acesse o currículo lattes do doutor Alysson Zanatta). 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR ALYSSON ZANATTA!!

Há muitos mitos que cercam a endometriose. Apesar de a endometriose ser a doença feminina que mais causa a infertilidade, ser portadora da enfermidade não significa que a mulher terá dificuldades para engravidar. Endometriose não é sinônimo de infertilidade. Já falamos sobre isso diversas vezes no A Endometriose e Eu, mas essa é uma das perguntas que mais recebo por email e também por mensagem. Aproveitando que junho é o mês internacional de conscientização da infertilidade, o doutor Alysson Zanatta vai tirar todas as suas dúvidas sobre esse assunto e vai falar também sobre um dos vários mitos que a doença tem: a gravidez é a cura para a endometriose? Já traduzimos um artigo do doutor David Redwine sobre o assunto, e agora chegou a vez do doutor Alysson te responder em “Com a Palavra, o Especialista”. Neste mês teremos um especial na coluna sobre os mitos da endometriose versus infertilidade. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

- Qual a possibilidade de engravidar quando a mulher tem endometriose? O doutor acha que pelo fato de a mulher ter endometriose já seja critério para realizar indução de ovulação para tentar engravidar mais rápido ou recomenda algum tempo de tentativas antes da indução? Se sim quanto tempo? Amanda Quevedo – São Paulo

Doutor Alysson Zanatta: Como vai Amanda, tudo bem? Metade das mulheres com endometriose pode engravidar. Esse índice pode ser maior ou menor de acordo com a idade da mulher, e se ela já teve outra gestação no passado. De fato, o fator que mais impacta as chances de gestação de uma mulher é a sua idade. Há uma queda natural do potencial reprodutivo a partir dos 35 anos, e essa queda se acentua bastante a partir dos 37 a 38 anos de idade.

Ter endometriose não significa necessidade de tratamento para engravidar, pois, como citado, até metade das mulheres engravida. O tempo de tentativa que um casal deve aguardar antes de procurar tratamento é dependente da idade da mulher, e se existe ou não algum outro fator que possa dificultar a gestação. Lembrando que consideramos um ano como o tempo normal que o casal pode demorar a engravidar. Muitas vezes, há uma falsa sensação de que, quando começamos a tentar engravidar, essa já irá ocorrer no início da tentativa. Poder ser que sim. Mas poder ser que demore um ano, o que ainda está dentro do normal. E pode ser que não ocorra, necessitando algum tipo de tratamento.

- Muitas mulheres dizem que ficaram curadas após a gravidez. Isso é verdade?  Se não porque elas têm essa sensação? Taís Moreira – Jaguariúna – SP

Doutor Alysson Zanatta: Olá Tais. De fato, algumas mulheres deixam de sentir dor após uma gestação, levando à sensação que tenham sido curadas. Infelizmente isso não é verdade. Dizer que a gestação cura a endometriose é um mito. O que acontece é que a endometriose pode deixar de causar dor, mas a lesão permanece no mesmo local. Algumas mulheres têm a felicidade de não mais sentirem dores, enquanto outras podem voltar a ter dor em algum momento da vida. 


Sobre o doutor Alysson Zanatta:
Graduado e com residência médica pela Universidade Estadual de Londrina, doutor Alysson Zanatta tem especializações em uroginecologia e cirurgia vaginal pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cirurgia laparoscópica pelo Hospital Pérola Byington de São Paulo e doutorado pela Universidade de São Paulo, USP. Suas principais áreas de atuação são a pesquisa e o tratamento da endometriose, com ênfase na cirurgia de remoção máxima da doença. Seus inter­esses são voltados para iniciativas que promovem a conscientização da população sobre a doença, como forma de tratar a doença adequadamente. É diretor da Clínica Pelvi Uroginecologia e Cirurgia Ginecológica em Brasília, no Distrito Federal, onde atende mulheres com endometriose, e ex-professor-adjunto de Ginecologia da Universidade de Brasília (UnB). (Acesse o currículo lattes do doutor Alysson Zanatta).