segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

MATTHEW ROSSER: ENDOMETRIOS E ABORTO!

imagem cedida por Free Digital Photos

No artigo de hoje Matthew Rooser traz um tema que é muito discutido entre as portadoras de endometriose: o risco de aborto nas endomulheres. Sim, é verdade que as portadoras têm um risco aumentado de sofrer aborto espontâneo. É comprovado cientificamente que estamos num grupo que aumenta cerca de 30 a 35% em relação às não-portadoras no início da gravidez. Já para aquelas que seguiram em frente com a gestação, o risco cai para cerca de 17 a 20%. Porém, isso não significa que ter endometriose seja sinônimo de aborto. Vejo a preocupação latente das leitoras do blog e dos grupos de apoio em relação ao assunto. Estamos sim, num grupo de risco, mas não quer que toda portadora sofrerá com o aborto.

Toda mulher tem a chance de ter gravidez ectópica, ou seja, nas trompas. Para as não-portadoras esse número é de 1 a cada 100 mulheres, já para as portadoras esse número sobe para 3. Por que as portadoras tem chance maior de sofrer abortos? Apesar de ainda precisar de mais estudos para comprovar tal questão, pesquisadores da Dinamarca e o próprio cientista inglês Matthew Rooser descobriram mudanças nas células imunológicas do endométrio das portadoras, o que resulta em fraca aderência do embrião no endométrio. É função do endométrio fixar o embrião no útero. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


Por Matthew Rosser

Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar


Ultimamente tenho escutado muita coisa nas notícias sobre endometriose e aborto. Acompanho relatos de vários sites, os quais não indico aqui porque notei que a maioria está repleta de erros, sendo que o melhor resumo está aqui no site endometriosis.org. Não vou repetir muito que já foi escrito sobre pesquisa, mas irei tentar adicionar alguns pontos que considero interessantes. Em primeiro lugar, a endometriose e o aborto (ou qualquer complicação da gravidez, na verdade) são problemas sérios, e se prestarmos mais atenção a um dos assuntos que aos outros, os restantes acabam por ser alvo de atenção também.

Pelo fato de algumas portadoras lutarem para ficarem grávidas, é muito importante que tanto os pais como os profissionais de saúde conheçam as melhores formas de cuidarem das portadoras grávidas se elas constituírem um grupo de risco elevado.

Retirando rapidamente várias descobertas de estudos; um grupo avaliando os registros médicos de 5.375 não-portadoras entre 1981 e 2010, a partir de uma base de dados de todos os hospitais públicos na Escócia, descobriu que as portadoras possuem um risco acrescido de 76% de abortar. É aqui que eu quero fazer o primeiro reparo. Dificilmente algum desses relatórios nos sites deixa claro o que na realidade significam esses 76%, aumento do quê? Acontece que abortos são bem mais comuns do que eu achava, e a maioria ocorre durante os estágios iniciais da gravidez. Eles podem, inclusive, acontecer antes sequer que a mulher saiba que está grávida. Das mulheres que conseguem evoluir na gravidez, dependendo de quem é inquirido, o risco de aborto é em torno de 1 em 6 e 1 em cada 5, o que dá entre 17 e 20%. Então, o que isso faz com o acréscimo de 76% nas portadoras, o que isso significa na realidade?

Significa que o risco de aborto nas portadoras sobe para 30-35%. Para quem quiser olhar a matemática (estou certo que querem), o cálculo fica assim:





Também foi notório um aumento no risco de gravidez ectópica nas portadoras, um aumento de 2,7 vezes para ser preciso. A taxa de gravidez ectópica é muito menor que a de aborto, cerca de 1 em cada 100. Para portadoras o risco é elevado para 3 em cada 100, um aumento pequeno mas ainda assim importante.

Esse não é o único estudo sobre adversidades da gravidez a apresentar conclusões semelhantes. Um estudo publicado em 2014 feito na Dinamarca analisou os registros de 24.667 portadoras comparadas com 98.668 não-portadoras entre 1997 e 2009.

Esse estudo concluiu que o risco de portadoras aumentava para 24%, ou cerca de 1 em 4. Esse estudo também levantou uma questão interessante sobre adversidades da gravidez e o método de concepção. Por conta da subfertilidade (menor do que o normal) experimentada pelas portadoras, elas são mais prováveis de buscar tratamento de Reprodução Assistida (TRA), como a Fertilização In Vitro (FIV). Um estudo que revisou toda a pesquisa atual sobre esse tópico foi publicado em janeiro deste ano, e concluiu que para portadoras de grau I e II fazendo TRA as taxas de aborto eram semelhantes às das não-portadoras. Para as portadoras existe uma taxa de bebês nascidos vivos menor.

Uma análise mais aprofundada é necessária sobre esses dados para conseguir extrair alguma informação clinicamente relevante. Por exemplo, como já vimos, podem existir resultados diferentes de gravidez para mulheres com graus distintos de endometriose. Outra questão a clarificar seria se as aplicações de terapias hormonais específicas anteriores à concepção tiveram influência nos resultados obtidos.

Ao que parece então, as evidências disponíveis sugerem certamente que a endometriose está associada com o aumento de adversidades nos resultados da gravidez. Essa informação é muito necessária nas mãos de obstetras e parteiras, que podem monitorar cuidadosamente as portadoras grávidas e reagir rapidamente a quaisquer sinais de alerta que possam implicar perigo para a vida da portadora ou a do bebê.

Uma questão importante que se mantém é, porque razão as portadoras possuem esse risco aumentado? Não é suficiente simplesmente prestar mais atenção às portadoras, precisamos saber o que causa o problema e como corrigi-lo.

Vários estudos, incluindo a minha própria pesquisa, concluíram que o endométrio da portadora é diferente do da não-portadora em vários aspectos.

Sendo que o endométrio é o ponto de contato com o embrião em desenvolvimento, e a sua receptividade essencialmente define o destino do embrião, precisamos ter mais investigação sobre as alterações endometriais.

Alguns desses estudos verificaram mudanças nas células imunológicas do endométrio das portadoras, o que pode resultar em uma fraca aderência do embrião ao endométrio. Isso pode conduzir a uma redução na viabilidade do feto em desenvolvimento e um risco acrescido de aborto.

Sem dúvida precisamos de mais estudos para descobrir como o endométrio das portadoras difere do das não-portadoras, como essas diferenças afetam a função do endométrio e como podem ser corrigidas.


2 comentários:

  1. Infelizmente passei por esse drama no final de setembro. Não sei se a endometriose colaborou, se a idade (40 anos), se foi um problema com a qualidade dos óvulos ou se o fato de ter passado em 2013 por uma polipectomia tenha deixado o endométrio ruim. Eram 2 sacos gestacionais que não se desenvolveram como esperado e com 9 semanas tive um aborto espontâneo.

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  2. Eu tenho 33 anos com endrometriose profunda que pega bexiga reto intestino
    Vou operar pela segunda vez tomara que dê certo agora vai ser cirurgia robótica

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