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| Forma de endometriose no músculo do útero - a adenomiose |
No artigo
de hoje, o A Endometriose e Eu traz o depoimento da assistente
médica Summer Banks sobre sua endometriose. Este artigo vai tirar o mito das mentes ignorantes que pensam que
a endometriose não é nada, ou que é apenas uma gripe, ou uma dor de cabeça, como se existisse o
remédio certo na farmácia da esquina. Na verdade, o raciocínio é simples, se um
câncer invade os órgãos e vai comendo-os, para eliminar os tumores é preciso retirá-los, e muitas vezes, é preciso cortar esses órgãos. Com a endometriose é a mesma coisa. Raciocina comigo: onde a
endometriose invade, no caso os órgãos, é preciso tirar os focos, certo? Para eliminar esses focos é preciso cavoucá-los correto? Se os focos estão
superficiais, ok, serão mais fácil de tirá-los, se o cirurgião souber fazer isso, mas quando eles estão mais profundos, em casos mais severos, os médicos vão cavoucando,
cavoucando e chega uma hora que a única saída é cortar esses órgãos atingidos
pela doença. Em muitos casos é preciso retirar parcial ou a totalidade
deles. Então, por que acham que a endometriose é uma gripe, ou como uma
dor de cabeça? Pra mim a ignorância das pessoas parte do princípio que
basta fazer a histerectomia total com retirada
dos ovários é a solução para o problema. Em muitos casos sim, pode ser, mas em muitos outros não, pode ocorrer como aconteceu com a Summer, que mesmo após a histerectomia total seu
organismo continuou produzindo estrogênio, o alimento da doença.
Aí, somos obrigada a escutar a seguinte frase:
"Retira os órgãos reprodutores que você melhora!" Como se isso fosse
algo normal. Retirar os órgãos reprodutores femininos é mutilar uma mulher. O
que diferencia um homem de uma mulher, não é justamente os órgãos reprodutores? Aí eu pergunto: "Por acaso é normal falar para um homem: 'Retira seus
testículos.'" Pra mim retirar os ovários, o útero e as trompas de uma
mulher é a mesma coisa que retirar os testículos de um homem. Essa é a resposta
que dou quando alguém vem com essa frase horrenda para mim. Outro dia falei esta comparação para um amigo advogado, extremamente inteligente, e
ele disse que estou corretíssima. Portanto, como não basta eu falar, deixo aqui
um depoimento real, de uma endo mulher que além de portadora é da área de saúde. Summer
cursou enfermagem e é assistente médica. E já falamos aqui no blog, em outro
artigo traduzido, que já foi encontrado endometriose
num homem que teve câncer de próstata e que precisou fazer tratamento hormonal.Já falamos também sobre a síndrome dos ovários remanescentes, onde mesmo sem os ovários, a endo pode voltar sim. Eu acho que se a endo fosse mais comum em homens que em mulheres, com certeza
as autoridades já teriam tomado alguma providência. Ainda bem que pesquisa já
provou que a endo é uma das 10
doenças mais dolorosas do mundo. Por isso peço aos ignorantes antes
de chamar uma endomulher de fresca, de preguiçosa, de fraca se informem. As
endomulheres são as mais guerreiras deste planeta! Vamos acabar com esse preconceito acerca de nós, endomulheres? Inscreva-se para a Marcha Mundial para Endometriose, a Million Women March for Endometriosis, (inscrições aqui). Esta é nossa grande chance de nos unir a outros países, por enquanto 22 países estão participando e o Brasil está dentro. Afinal, a união faz a força e juntas somos mais fortes. Já pensou as 176 milhões de portadoras juntas num mesmo dia e numa só voz? Uma felicidade sem fim! E por falar em felicidade, vamos ser felizes, por favor! Beijo carinhoso! Caroline Salazar
A Endometriose pode matar!
Tradução: Jorge Francisco
Edição: Caroline Salazar
"Medicamente falando, a endometriose é uma forma
benigna de câncer, que afeta o útero e os órgãos reprodutores femininos.
Quando diagnosticados com endometriose, muitos pacientes são informados que a
doença provoca muita dor, mas que não coloca a vida em risco. Mas e se isso não
for verdade?
Descobri que tenho endometriose por acaso. Após perder
mais de 22 quilos, descobri uma massa estranha no meu abdômen. Essa massa foi
diagnosticado como sendo uma hérnia e mais tarde confirmado esse diagnóstico
através de T.A.C. (nota da editora: tomografia axial
computorizada). Mais tarde o cirurgião descobriu que essa massa, que
apresentava a dimensão de 2 bolas de golfe, seguramente não era hérnia coisa
nenhuma. Era na verdade um cisto endométrico e não estava junto a nenhum órgão
feminino. Após o diagnóstico, fui informada que essa forma de endometriose
poderia surgir em qualquer parte do corpo. Coração, pulmão, cérebro... vale
tudo para a minha forma de endometriose. Pequenos pedaços de tecido endometrial
podem viajar pelo corpo através da corrente sanguínea e se fixar em qualquer
parte do corpo. Com as minhas tomografias computadorizadas regulares, eu
poderia sobreviver com o meu útero intato e ainda ter mais filhos. Isso, pelo
menos, era o que o médico pensava.
Os anos se passaram e acabei engravidando de novo.
Nasceram gêmeos. A vida parecia maravilhosa. Mas quando os gêmeos fizeram um
ano, comecei a sentir dor no abdômen no lado contrário ao da cirurgia anterior.
Continuei fazendo as tomografias e não revelava qualquer problema. Finalmente
decidi fazer uma histerectomia total e acabar com a endometriose que tinha
evoluído para dores horríveis com sangramento constante. A histerectomia salvou
minha vida. A endometriose tinha surgido de novo na minha parede
abdominal. As tomografias computadorizadas não revelavam qualquer problema e os
médicos me falaram que a dor era apenas parte de mim (nota da editora: dores
psicológicas, como muitos nos dizem). Os médicos estavam errados. Após a
cirurgia, fui visitada por um médico, que entrou na sala parecendo que tinha
visto assombração. O resultado dos testes em meus órgãos reprodutores e algum
tecido cicatricial (onde a T.A.C. não tinha detectado nada) tinha voltado e os
resultados não eram animadores. Meu útero, trompas de falópio e ovários tinham
sido “comidos” pela adenomiose (endometriose no músculo do útero) e pela
endometriose. Mas o maior choque era o tecido cicatricial (nota da editora:
as aderências).
Quando o médico removeu uma massa grande de tecido
cicatricial, ele estava certo que não era nada de mais. Na verdade, ele achou
que estava apenas me fazendo um favor, removendo esse tecido que poderia causar
dor. Essa massa era afinal uma massa endometrial com o seu próprio fornecimento
sanguíneo. Essa forma viva de endometriose era totalmente autossuficiente, e
estava produzindo o seu próprio estrogêneo para continuar crescendo. Após
análise verificaram haver sinais da existência de sangramento por mais de uma
vez. As tomografias que eu fazia estavam erradas e esse cisto endometrial
poderia ter tirado minha vida. A
endometriose é um câncer benigno mortal. As mulheres deveriam saber os fatos
acerca da endometriose, independentemente do que os médicos falam. Endometriose
e células endometriais podem surgir no interior do músculo, coração,
pulmão, cérebro... A endometriose é uma doença muito perigosa e pode matar."
Summer Banks, assistente médica com quatro
anos de formação em enfermagem. Escritora sênior em sites e blogs com enfoque
na gravidez, saúde feminina, menopausa, dentre outros.
Fonte: Voices Yahoo

