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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A ENDOMETRIOSE PODE MATAR?!

Forma de endometriose no músculo do útero - a adenomiose
No artigo de hoje, o A Endometriose e Eu traz o depoimento da assistente médica Summer Banks sobre sua endometriose. Este artigo vai tirar o mito das mentes ignorantes que pensam que a endometriose não é nada, ou que é apenas uma gripe, ou uma dor de cabeça, como se existisse o remédio certo na farmácia da esquina. Na verdade, o raciocínio é simples, se um câncer invade os órgãos e vai comendo-os, para eliminar os tumores é preciso retirá-los, e muitas vezes, é preciso cortar esses órgãos. Com a endometriose é a mesma coisa. Raciocina comigo: onde a endometriose invade, no caso os órgãos, é preciso tirar os focos, certo? Para eliminar esses focos é preciso cavoucá-los correto? Se os focos estão superficiais, ok, serão mais fácil de tirá-los, se o cirurgião souber fazer isso, mas quando eles estão mais profundos, em casos mais severos, os médicos vão cavoucando, cavoucando e chega uma hora que a única saída é cortar esses órgãos atingidos pela doença. Em muitos casos é preciso retirar parcial ou a totalidade deles. Então, por que acham que a endometriose é uma gripe, ou como uma dor de cabeça?  Pra mim a ignorância das pessoas parte do princípio que basta fazer a histerectomia total com retirada dos ovários é a solução para o problema. Em muitos casos sim, pode ser, mas em muitos outros não, pode ocorrer como aconteceu com a Summer, que mesmo após a histerectomia total seu organismo continuou produzindo estrogênio, o alimento da doença. 

Aí, somos obrigada a escutar a seguinte frase: "Retira os órgãos reprodutores que você melhora!" Como se isso fosse algo normal. Retirar os órgãos reprodutores femininos é mutilar uma mulher. O que diferencia um homem de uma mulher, não é justamente os órgãos reprodutores? Aí eu pergunto: "Por acaso é normal falar para um homem: 'Retira seus testículos.'" Pra mim retirar os ovários, o útero e as trompas de uma mulher é a mesma coisa que retirar os testículos de um homem. Essa é a resposta que dou quando alguém vem com essa frase horrenda para mim. Outro dia falei esta comparação para um amigo advogado, extremamente inteligente, e ele disse que estou corretíssima. Portanto, como não basta eu falar, deixo aqui um depoimento real, de uma endo mulher que além de portadora é da área de saúde. Summer cursou enfermagem e é assistente médica. E já falamos aqui no blog, em outro artigo traduzido, que já foi encontrado endometriose num homem que teve câncer de próstata e que precisou fazer tratamento hormonal.Já falamos também sobre a síndrome dos ovários remanescentes, onde mesmo sem os ovários, a endo pode voltar sim. Eu acho que se a endo fosse mais comum em homens que em mulheres, com certeza as autoridades já teriam tomado alguma providência. Ainda bem que pesquisa já provou que a endo é uma das 10 doenças mais dolorosas do mundo. Por isso peço aos ignorantes antes de chamar uma endomulher de fresca, de preguiçosa, de fraca se informem. As endomulheres são as mais guerreiras deste planeta! Vamos acabar com esse preconceito acerca de nós, endomulheres? Inscreva-se para a Marcha Mundial para Endometriose, a Million Women March for Endometriosis, (inscrições aqui). Esta é nossa grande chance de nos unir a outros países, por enquanto 22 países estão participando e o Brasil está dentro. Afinal, a união faz a força e juntas somos mais fortes. Já pensou as 176 milhões de portadoras juntas num mesmo dia e numa só voz? Uma felicidade sem fim! E por falar em felicidade, vamos ser felizes, por favor! Beijo carinhoso! Caroline Salazar

A Endometriose pode matar! 


Tradução: Jorge Francisco
Edição: Caroline Salazar 

"Medicamente falando, a endometriose é uma forma benigna de câncer, que afeta o útero e os órgãos reprodutores femininos. Quando diagnosticados com endometriose, muitos pacientes são informados que a doença provoca muita dor, mas que não coloca a vida em risco. Mas e se isso não for verdade? 



Descobri que tenho endometriose por acaso. Após perder mais de 22 quilos, descobri uma massa estranha no meu abdômen. Essa massa foi diagnosticado como sendo uma hérnia e mais tarde confirmado esse diagnóstico através de T.A.C. (nota da editora: tomografia axial computorizada). Mais tarde o cirurgião descobriu que essa massa, que apresentava a dimensão de 2 bolas de golfe, seguramente não era hérnia coisa nenhuma. Era na verdade um cisto endométrico e não estava junto a nenhum órgão feminino. Após o diagnóstico, fui informada que essa forma de endometriose poderia surgir em qualquer parte do corpo. Coração, pulmão, cérebro... vale tudo para a minha forma de endometriose. Pequenos pedaços de tecido endometrial podem viajar pelo corpo através da corrente sanguínea e se fixar em qualquer parte do corpo. Com as minhas tomografias computadorizadas regulares, eu poderia sobreviver com o meu útero intato e ainda ter mais filhos. Isso, pelo menos, era o que o médico pensava.

Os anos se passaram e acabei engravidando de novo. Nasceram gêmeos. A vida parecia maravilhosa. Mas quando os gêmeos fizeram um ano, comecei a sentir dor no abdômen no lado contrário ao da cirurgia anterior. Continuei fazendo as tomografias e não revelava qualquer problema. Finalmente decidi fazer uma histerectomia total e acabar com a endometriose que tinha evoluído para dores horríveis com sangramento constante. A histerectomia salvou minha vida. A endometriose tinha surgido de novo na minha parede abdominal. As tomografias computadorizadas não revelavam qualquer problema e os médicos me falaram que a dor era apenas parte de mim (nota da editora: dores psicológicas, como muitos nos dizem). Os médicos estavam errados. Após a cirurgia, fui visitada por um médico, que entrou na sala parecendo que tinha visto assombração. O resultado dos testes em meus órgãos reprodutores e algum tecido cicatricial (onde a T.A.C. não tinha detectado nada) tinha voltado e os resultados não eram animadores. Meu útero, trompas de falópio e ovários tinham sido “comidos” pela adenomiose (endometriose no músculo do útero) e pela endometriose. Mas o maior choque era o tecido cicatricial (nota da editora: as aderências).

Quando o médico removeu uma massa grande de tecido cicatricial, ele estava certo que não era nada de mais. Na verdade, ele achou que estava apenas me fazendo um favor, removendo esse tecido que poderia causar dor. Essa massa era afinal uma massa endometrial com o seu próprio fornecimento sanguíneo. Essa forma viva de endometriose era totalmente autossuficiente, e estava produzindo o seu próprio estrogêneo para continuar crescendo. Após análise verificaram haver sinais da existência de sangramento por mais de uma vez. As tomografias que eu fazia estavam erradas e esse cisto endometrial poderia ter tirado minha vida. A endometriose é um câncer benigno mortal. As mulheres deveriam saber os fatos acerca da endometriose, independentemente do que os médicos falam. Endometriose e células endometriais podem surgir no interior do músculo, coração, pulmão, cérebro... A endometriose é uma doença muito perigosa e pode matar."


Summer Banks, assistente médica com quatro anos de formação em enfermagem. Escritora sênior em sites e blogs com enfoque na gravidez, saúde feminina, menopausa, dentre outros.

Fonte: Voices Yahoo