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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA DOUTOR HÉLIO SATO!!

Nesta edição do “Com a palavra, o especialista”, o doutor Hélio Sato responde as perguntas das leitoras Viviane Guimarães, de São Paulo, capital, e Priscila Lisboa, de Criciúma, Santa Catarina. Gostei bastante das perguntas, pois as duas são dúvidas recorrentes entre muitos comentários do blog e também dos e-mails que recebo. É comum dúvidas em relação a tratamentos, ainda mais quando existe mais de um medicamento com o mesmo princípio ativo. Aí, que dá ainda mais nó em nossa cabeça. Por que seguir esse e não aquele tratamento? É bom lembrar que cada corpo reage de um jeito a cada tipo de tratamento. Até por isso não existe um único tratamento, uma única fórmula, um remédio certo, um milagre para a endo. Por isso hoje a coluna aborda a diferença entre o Mirena, o Allurene e o Cerazette? Bom, eu sou suspeita para falar, pois estou muito, mas muito bem com o Mirena, colocado durante minha segunda cirurgia. Sinceramente, eu recomendo este DIU. Se eu soubesse que eu teria uma vida que nunca tive antes, teria colocado-o em minha primeira cirurgia, em julho de 2010. Este tratamento é utilizado por especialistas no mundo inteiro, e eu questionei alguns desses médicos quando foi-me sugerido este tratamento, além de ser o melhor em custo-benefício. Aliás, no último dia 1° de novembro comemorei cinco meses de uma nova vida, de uma vida sem dores fortes. E isso tem sido uma alegria plena. Na verdade, a dor que sinto vez ou outra não chega nem aos pés das de antes. E como sou muito forte, para quem aguentou tanto, agora é fichinha! Já a outra pergunta é quanto à possibilidade de gravidez para quem têm endometriose em estágio inicial e quanto ao risco de uma gravidez ectópica

Ah, e lembrando que faltam apenas cinco dias para continuarem votando no blog, no segundo turno do Prêmio Top Blog Brasil 2012. Vote no A Endometriose e Eu na categoria saúde pessoal e ajude-nos no reconhecimento da doença como social e de saúde pública no Brasil. É o blog pioneiro não só em retratar a vida de uma portadora de endometriose e o primeiro a reivindicar os direitos de uma endomulher. Passo a passo aqui. Juntas somos mais fortes. Conto com vocês. E peço desculpas pelo ocorrido no ultimo sábado, dia 03, quando outro tema foi ao ar no programa "Ser Saudável", da TV Brasil. Segundo a Flávia, diretora de produção, o programa sobre psoríase foi adiado e, por isso alterou em uma semana o calendário inicial que ela havia me passado. Confesso que quando recebi os temas com as respectivas datas, fiquei meio receosa da data do dia 03 por conta do feriado de finados, no dia 02. Como muitos viajam, eu acho que poderia abranger um menor número de mulheres. O único pesar foi não ter me comunicado, mas ela ficou de confirmar tudo ainda hoje e, assim que souber, informo vocês. Já que está todo esse suspense, espero que esse programa seja esclarecedor. Beijos com carinho!!

1- Qual a diferença entre o Mirena, o Allurene o Cerazete? O que o Mirena e o Allurene fazem que o Cerazzete não faz? Viviane Guimarães - São Paulo - SP
Doutor Hélio Sato: As três opções de tratamentos são tipos de progesterona e, por serem sintéticas, recebem a denominação de progestogênios, que tem como ação principal, a inibição da multiplicação das células endometriais (as funcionais do útero), que são descamadas no período da menstruação e também participam na formação dos focos da endometriose. A principal diferença do Mirena® entre os outros dois citados é no modo que a progesterona é liberada. O dispositivo fica dentro útero e libera o levonorgestrel (um tipo de progesterona, vide figura abaixo). Com isso, sua ação fica centrada onde de fato interessa do ponto de vista terapêutico. Desse modo, conforme alguns estudos, esse tratamento alcança a eficácia na melhora da dor em torno de 90% a 95% das usuárias com endometriose. Já o Cerazette® é nome comercial do Desogestrel, mas, por ser administrada por via oral, além do seu efeito no endométrio, também pode ser percebida em outras partes do corpo como dor mamária, queda da libido e outros. E o Allurene® é o nome comercial do Dienogeste que é o mais novo progestogênio à disposição no Brasil e semelhantemente ao Cerazette®, é administrado por via oral e com efeitos próximos ao Cerazette®. Quanto à eficácia destas alternativas de modo genérico, os progestogênios de via oral melhoram a dor da endometriose em 80% a 90%, porém, cabe avaliar melhor o Allurene® comparando com outros progestogênios e não com os análogos de GnRH (Zoladex®, Lupron®, etc...), pois são classes distintas de medicação.


2 - Quais as chances de uma mulher com endometriose leve (inicial) engravidar? Existe a possibilidade de desenvolver uma gravidez ectópica?  Priscila Lisboa - Criciúma - Santa Catarina
Doutor Hélio Sato: As chances de gravidez de uma mulher com endometriose mínima (estádio clínico I) de modo genérico é próximo à de uma mulher sem endometriose, mas, o potencial reprodutivo deve contemplar outros parâmetros, faz saber, a idade materna, o espermograma, a reserva ovariana, funcionamento tubário, condição do útero, associação de outras doenças genéticas, trombofilias (predisposição à trombose), doenças autoimunes, etc.... Em relação à possibilidade de gravidez ectópica também é próxima de uma mulher sem endometriose, ou seja, 1% a 2%.


Sobre o dr. Hélio Sato:

Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose e em laparoscopia. Ele tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo. É pesquisador principal de projeto regular da FAPESP.

Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL (“American Society of Gynecology Laparoscopy”) e é membro associado da clinica GERA de reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato).