Eu jamais imaginei que ter endometriose acarretaria em sérias mudanças no meu dia a dia. Desde criança, fui acostumada a fazer inúmeras tarefas domésticas, mesmo com ajudante em casa. Durante os quase dois anos que fiquei desempregada, por conta do tratamento, era eu quem fazia estas tarefas. Confesso que adoro lavar um banheiro, cozinha, faxinar a casa. Como eu tinha muita dor antes da cirurgia, após a faxina era apenas mais uma ‘das minhas dores’. Quando se fala sobre a gravidade da doença, não é somente pelas dores, porque a doença tem um comportamento maligno, por ela ser crônica e progressiva, ou por conta da nossa pelve congelada. É pelo simples fato de a endometriose mudar toda a rotina da mulher. As simples tarefas do dia a dia, como limpar a casa, lavar o banheiro e a cozinha, são quase impossíveis de fazê-las. Digo quase impossível para não dizer inexecutável mesmo. É que nós teimamos em fazê-las, pois muitas pessoas ao nosso redor não entendem quando dizemos ‘não consigo mais limpar a casa, não consigo mais fazer isso e aquilo’. AÍ para não acharem que não queremos fazê-las, ou que estamos com preguiça, fazemos mesmo sabendo que depois pagaremos um alto preço por isso. O preço: as nossas terríveis dores. Ontem, sábado, aconteceu isto comigo. Fui teimar em lavar banheiro, limpar a cozinha e me ferrei. Resultado? Não consegui terminar de limpar toda a casa, só parte dela, de tanta dor que comecei a sentir. Tomei nimesulida e torsilax, mas nada. Estou até hoje com dor, em pleno domingão. Acho que vou tomar o meu último comprimido de tylex. Infelizmente, não conseguimos nem pegar muito peso. Como a doença é crônica e progressiva, não podemos fazer esses esforços. E não vou fazê-los mais. Não é o outro que manda fazer que vai sentir as nossas dores horrorosas. Aliás, eu gostaria muito que estas pessoas sentissem pelo menos, por um dia, ou seja, 24 horas as nossas dores. Eu tô fora, pois não posso arriscar meu futuro. Se eu continuar a fazer certos esforços, não só terei as consequências agora, como daqui a alguns bons anos. E aí, quem vai sofrer por mim? Ninguém... Isso mostra o quanto o ser humano é egoísta. Como disse a minha querida Lia, quando nos falamos esta semana, o ser humano é podre. Eu concordo com ela. Podre, egoísta, só pensa em dinheiro, é invejoso, pra mim, um nojo. Tal qual como aquele que não cumprimenta as pessoas, que decide por fim num namoro sem ouvir o outro, aquele que finge ser seu amigo, mas é falso, aquele que só olha pro próprio umbigo, aquele que não se coloca na pele do outro, etc. Beijos com carinho!!
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domingo, 13 de novembro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
O QUE SIGNIFICA O TERMO "PELVE CONGELADA"?
Quando passei a conhecer um pouco mais sobre a endometriose, muitas palavras, até então, desconhecidas foram agregadas em meu vocabulário. Um termo muito comum que escutamos entre as portadoras é a tal da “pelve congelada.” Confesso que eu também fiquei surpresa quando ouvi, pela primeira vez, esta palavra. A pelve congelada nada mais é do que as aderências entre os órgãos. Aderência? Outra esquisita, não?! Podemos relacionar a aderência como se fosse um chiclete grudado em nosso cabelo, que só sai ao cortar. Antes da minha cirurgia, a minha pelve estava congelada. O termo congelado é usado para designar que os órgãos abdominais (útero, ovários, trompas, intestino, etc) estão todos grudados, colados uns aos outros por uma membrana, o famoso “unidos venceremos”. Quem nunca ouviu esta expressão? As aderências são faixas anormais de tecidos cicatriciais que se formam na pelve. Com a pelve congelada, em muitos casos, não dá nem para saber onde começa e onde termina as aderências. O grude dos órgãos não tem tempo certo para acontecer. Depende do grau e dos focos. O certo mesmo é ter todos os órgãos da pelve soltos para que eles deslizem uns sobre os outros. Ter uma pelve congelada é muito perigoso. Durante a ovulação, por exemplo, que, teoricamente, deveria acontecer todos os meses, os ovários não estão livres para realizarem a movimentação necessária para que ocorra a ovulação. A pelve congelada causa muita dor na mulher. Até mesmo para quem tem os focos inativos. Era o meu caso. Mesmo sem ter focos ativos, eu morria de dor, o que foi confirmado pelo dr. Hélio após a cirurgia. Com a pelve congelada, quando há a aderência do intestino, o simples movimento fisiológico natural do órgão durante a progressão de gases e fezes torna-se extremamente doloroso. Imaginem morrer de dor em todas as evacuações, urinas e etc. E, como disse o dr. Hélio, no meu caso, eu tinha dor simplesmente pelo fato de respirar. Pois, para respirar, é realizamos o movimento abdominal. As aderências dos órgãos também causam muita dor durante a relação sexual. O mal da pelve congelada só pode ser tratado com a cirurgia. Só eu sei o que passei até chegar a minha operação. Mas, para cortar o mal pela raiz mesmo, só a cirurgia por videolaparoscopia. O tecido cicatricial, que causa as aderências, pode ser formado também no processo de cicatrização da cirurgia aberta, ou seja, a laparotomia, o vulgo corte de cesárea. Na cirurgia a laser, o risco de voltar é muito pequeno, mas não impossível. Para quem sente muita dor após ter feito a cirurgia é preciso averiguar o que está acontecendo. No meu retorno pós-cirurgia, a primeira pergunta que fiz foi: qual a chance de as aderências voltarem? Ouvi que, pela a de vídeo (que eu fiz) é mais ou menos 5%, enquanto a aberta é quase 80%. Entenderam a diferença? Portanto, conversar com o seu médico e esclarecer todas as dúvidas é muito importante. Aos poucos vou explicando sobre todos os termos esquisitos, que, nós portadoras de endometriose, temos que nos acostumar. Beijos com carinho!!
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