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No mês internacional da infertilidade, a doutora Graciela Morgado Folador preparou um texto exclusivo para o A Endometriose e Eu explicando porque a endometriose causa infertilidade. Um texto conciso e bem explicativo que vai sanar de vez suas dúvidas sobre o assunto. Um beijo carinhoso! Caroline Salazar
Por doutora Graciela Morgado
Edição: Caroline Salazar
Por doutora Graciela Morgado
Edição: Caroline Salazar
Endometriose e infertilidade: entenda
a relação da doença com a dificuldade para engravidar
Uma das principais causas de infertilidade entre as mulheres é a endometriose.
Estima-se que 47% das pacientes inférteis foram diagnosticadas com essa
patologia. Além disso, estima-se que atualmente ao menos 25% de todas as
mulheres aos 30 anos apresentam endometriose e, entre estas, 30% a 50% são inférteis.
A razão mais provável relacionada à diminuição da concepção refere-se ao
dano anatômico dos órgãos pélvicos, principalmente, em caso de doença avançada.
Outros fatores, como a possível deficiência de ovulação, alterações
inflamatórias que acontecem na pelve, além de falhas de implantação do embrião
e abortamentos precoces são frequentes em portadoras de endometriose.
Apesar de toda evidência de que a endometriose possa afetar o número de
óvulos produzidos, a qualidade dos embriões formados e a evolução da gestação,
vários estudos clínicos ainda não conseguiram relacionar o estágio da
endometriose aos resultados em ciclos de reprodução assistida.
Assim, quando avaliamos uma paciente com endometriose e infertilidade,
devemos levar em consideração a idade, a duração da infertilidade, a história
familiar, a presença de dor associada ao estadiamento da doença a fim de
formular uma melhor estratégia de tratamento.
Portanto, em mulheres submetidas a procedimento cirúrgico com
diagnóstico de doença estágios I (mínima) e II (leve) com tubas uterinas
pérvias, a excisão completa dos focos seguido de indução de ovulação com Coito
Programado - que consiste no uso de medicações para indução de ovulação
acompanhada de ultrassonografia transvaginal seriada para controle de ovulação,
isto é, medição dos folículos até que estes alcancem um tamanho de 20mm e após
isto programa-se a relação sexual, por isso o nome Coito Programado ou Namoro
Programado - e inseminação intrauterina (IIU) - que consiste no mesmo princípio do
Coito Programado, porém quando os folículos atingirem o tamanho de 20mm, é
realizado um preparo de sêmen no qual somente os espermatozoides móveis e
progressivos são inseminados no útero da paciente) devem ser considerados ,
principalmente em pacientes com idade inferior a 35 anos.
Nas pacientes com 35 anos ou mais, e que apresentem uma baixa resposta
ovulatória ao estímulo ou àquelas que têm tubas uterinas obstruídas, devem ser
preferencialmente tratadas por meio das técnicas de maior complexidade, como a Fertilização
in vitro (FIV) ou a Injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).
Já em mulheres com endometriose estágios III (moderada) ou IV (grave) a
FIV ou o ICSI (que consiste na micro-injeção de um único espermatozoide no
citoplasma do oócito-óvulo) devem ser indicadas como primeira linha de
tratamento complementar para a infertilidade após abordagem cirúrgica, por
fornecerem melhores taxas de sucesso.
Sobre a doutora Graciela Morgado
Folador:
Ginecologista e obstetra, Graciela
Morgado Folador tem Pós-graduação em Endometriose, em Cirurgia Minimamente Invasiva, em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida e Especialização
em Vídeo-histeroscopia. É membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana
(SBRH), da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e da Advancing Minimally
Invasive Gynecology Wordwide (AAGL). É médica-colaboradora do setor de
Endometriose do Hospital das Clínicas de São Paulo, USP. Siga a fanpage da doutora Graciela.

