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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

COMO A DOR DA ENDOMETRIOSE AFETA O PSICOLÓGICO DE UMA MULHER?

imagem cedida por Free Digital Photos
Por Caroline Salazar
Edição: doutor Alysson Zanatta


Como a dor da endometriose afeta o psicológico de uma mulher?

Já falamos no blog sobre o perfil psicológico de uma portadora de endometriose escrito pela psicóloga Ana Rosa Detílio Mônaco, mas numa enquete na fanpage doblog muitas leitoras pediram para falar sobre como a endometriose afeta nosso emocional. Como portadora da doença e como aquela que sofreu 21 anos com as dores severas - 18 deles sem saber o que eu tinha - vou falar como é viver 24 horas do dia com dores. Eu vivi assim por muitos e muitos anos e é assim que vivem muitas das 10 milhões de portadoras brasileiras. E que dores são essas? Elas começam com uma cólica no período menstrual – podem ser como pontadas de facas, agulhadas, cortante, dilacerante - e vai aumentando, aumentando até chegar a tomar conta da nossa vida, mesmo nos dias fora da menstruação. Com o tempo vão surgindo outras dores, nas pernas, na lombar, até um momento em que tudo no nosso corpo dói. Dói para urinar, para evacuar, para transar, ou seja, nossa vida se transforma num pesadelo de dores. E aí quem tem dor sempre está com um semblante estranho, mais triste, e é aí que as pessoas que convivem conosco começam a perguntar: “Nossa o que você tem que está com esta cara?”.

Quando a mulher ainda não tem o diagnóstico, a gente fala o que: que estamos com dor, e como não sabemos de onde vem a dor tem momentos que pensamos que estamos loucas. Se tiver o diagnóstico somos sempre aquela que está com dores, que é fraca ao ponto de não aguentar uma cólica, que é preguiçosa e por aí vai... A outra pessoa não pensa que dentro daquela mulher que sofre tem um sentimento, que corre sangue, que é um ser humano. Como fica o nosso psicológico, o nosso estado emocional? Péssimo! E péssimo em vários sentidos, pois como a outra pessoa não sabe o que é viver com dores incapacitantes e acha que a endometriose é uma doença que se dá apenas quando a mulher está menstruada, recebemos desprezo e xingamentos. Acham que a doença é frescura, temos de temos de escutar baboseiras do tipo: engravida que passa, quando casar melhora, mulher tem de sofrer mesmo...

Sentir dores diariamente pode nos deixar em depressão. Aliada à incompreensão das pessoas também podem nos levar à depressão, e eu passei por isso. A endometriose é uma doença que afeta a mulher num todo. Muitas vezes não conseguimos levantar da cama. Ter dores por todo o corpo afeta nossa qualidade de vida, nos deixa muito nervosa, impaciente. Muitas endomulheres não conseguem viver sua vida profissional, muito menos a pessoal e isso é muito grave. Quem quer viver numa cama? Quem não quer trabalhar? Quem não quer estudar? Quem não quer namorar? Quem não quer sair com os amigos? Tudo isso, coisas comuns do nosso dia a dia, são roubadas pela endometriose.

Tudo isso mexe muito com nossa cabeça, muitas não têm mais ânimo para a vida e até pensam em morrer. Muitas chegam a cometer algo contra sua própria vida. É uma fase difícil e precisamos ser muito fortes para superar, mas acredite: você irá superar assim como superei. Em primeiro lugar acredite no que você sente e busque ajuda especializada. Não ouça terceiros, deixe-os falar, mas se escutar não alimente isso dentro de você. Sim, você tem um problema muito sério, em muitos casos não será na primeira cirurgia que você ficará sem dor, talvez, nem na segunda. Então, mesmo após a cirurgia você poderá continuar com dores. Retirar os ovários e o útero não significa que você ficará livre da doença. Se ficar algum foco no seu corpo, mesmo sem os ovários a doença poderá continuar e aumentar dentro do seu corpo.

Manter mente sã quando estamos diante da dor e da ignorância humana é muito difícil. Eu sei disso, mas se eu consegui você vai conseguir também. O meio estressante o qual uma endomulher vive também influência e muito em suas dores. Nosso estado emocional afeta muito a qualidade não só da nossa vida, mas das dores também. Sempre que possível procure fazer algo que te dê prazer.  Procure espairecer, mesmo que seja sozinha. Eu saía muito para caminhar sozinha, principalmente, quando vivia momentos de tensão, seja de dor ou de incompreensão das pessoas. Eu realmente aprendi a viver comigo mesma. Comigo e com Deus, pois saiba que Ele nunca nos desampara e que Ele vê tudo.

Outro fator muito importante é o médico especialista entender e tratar sua paciente como um todo, não apenas a doença ou o órgão afetado. Quantas e quantas vezes eu chorei no consultório do meu. Ninguém me entendia, eu parecia uma E.T. no mundo, mas ali eu tinha alguém que compreendia o que eu passava. Ter um profissional que te escute, que entenda seu sofrimento ajuda a melhorar nossa autoestima, o nosso psicológico e a entender melhor sobre a doença. Se você precisar de ajuda psicológica não hesite em procurar ajuda, mas ache um profissional que entenda sobre a doença.

Não é fácil viver com dores incapacitantes, postergar planos, ter um corpo inchado por conta das altas doses de medicamentos para conter as dores. Não é fácil viver e conviver com a endometriose. Por isso você, endomulher, tem de acreditar naquilo que você sente. Cada endometriose é de um jeito, cada organismo reage de um jeito, mas você tem de ser forte para reagir sobre a sua vida e não esmorecer até o fim da batalha. Quem vive com as dores da endometriose enfrenta uma guerra diariamente. Somos guerreiras por natureza. Acredite em você! Eu acredito em você. Beijo carinhoso!! 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

"SAÚDE E BEM-ESTAR": O PERFIL DA ENDOMULHER É DIFERENTE DAS DEMAIS? NOVA COLUNISTA NO BLOG!!

imagem cedida por Free Digital Photos

Hoje iniciamos mais uma parceria com o objetivo de esclarecer ainda mais sobre esta doença pouco conhecida que afeta cerca de 10 milhões de brasileiras e mais de 200 milhões de meninas e mulheres no mundo todo. Quem de nós já não foi chamada de louca por sentir dores, muitas delas inexplicáveis? Quem já não foi chamada de mole, de fraca, dentre muitos outros adjetivos de inferioridade por aqueles que não sabem o que é a doença? Pensando em tudo isso, e sempre à frente levando informações de qualidade, a psicóloga Ana Rosa Detilio Mônaco passa a ser nossa colunista mensal para esclarecer do âmbito da psicologia como a doença pode afetar nosso corpo e, principalmente, nossa mente. O mais interessante é que além de atender as endomulheres, Ana Rosa também tem endometriose, o que facilita seu entendimento sobre a doença. Faz uns 2 anos que namoro sua participação aqui no A Endometriose e Eu, desde que a conheci no programa “Papo de Mãe”. Quem persevera alcança. Agradeço à Ana Rosa por ter aceitado nosso convite. Nosso objetivo é que o A Endometriose e Eu continue a ser o blog mais completo do mundo sobre a doença. Em seu primeiro artigo, Ana Rosa traça o perfil da portadora e dá alguns recados essenciais às endomulheres. E às portadoras nunca se esqueçam que somos mulheres fortes, guerreiras, decididas, muitas vezes, pilares da família, vencedoras, perfeccionista e mil e uma utilidades! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Psicologia versus Endometriose: O perfil da endomulher é diferente das demais?

Por Ana Rosa Detilio Mônaco
Edição: Caroline Salazar

Pensar em psicologia e em endometriose é um desafio imenso, já que nos deparamos com um tema que aborda uma patologia que está contida em um diagnóstico médico. Porém, quando abordamos a endometriose questionando o olhar da psicologia, nos deparamos com a necessidade de analisar cada indivíduo frente sua singularidade. Por mais que atualmente tenhamos mais informações a respeito desta doença tão enigmática, também nos deparamos com as questões enigmáticas dos serem humanos. E aí temos  um lugar muito fértil para refletir.

Um estudo de 2002 (Low et Al) aponta que mulheres com endometriose apresentam um determinado perfil: elas têm nível de ansiedade aumentado em relação às outras, auto exigência, insegurança, mecanismos de defesa estruturais, portanto, são mais rígidas. Alta capacidade de controle e comando, intolerância as falhas humanas ou frente as frustrações, não contato com suas emoções e onipotência.

Fico um pouco apreensiva frente tais questões, pois desde que tal pesquisa veio à tona , sinto que de certa forma muitas mulheres com a doença se sentiram acolhidas, considerando que finalmente alguém as compreendeu depois de tanto tempo. Antes dessa pesquisa muitas se sentiram e ainda se sentem sozinhas nesta vivência. E falar do perfil psicológico de mulheres com esta doença pode significar para muitas um conhecimento muito além das questões físicas, algo que remete intimidade, já que falar de comportamento é algo que gira em torno de questões muito mais primitivas. Não tenho aqui a intenção de desmerecer tal estudo, e sim, prosseguir além dele.

Pois bem, aonde quero chegar é que saber como estas mulheres funcionam, como é seu perfil psicológico, não tem apresentado conforto para suas vidas frente aos sintomas que a endometriose pode apresentar. Pode apresentar? Sim, pois nem todas as mulheres com a doença apresentam sintomas que tiram sua qualidade de vida, algumas se deparam com a doença quando tentam engravidar sem sucesso ou ainda podem demorar muito mais para descobrir ou ainda nunca chegar a este conhecimento. Questiona-se também paralelamente a relação entre tal perfil e a intensidade da dor da portadora.

Penso que percorrer uma abordagem de acolhimento, respeito e compreensão da paciente com endometriose e seus sintomas independente da intensidade. O caminho mais indicado seria oferecer um ambiente de suporte para elas. E as pessoas mais próximas e envolvidas com as endomulheres são a família e, em especial, o companheiro quando há, e o médico especialista - o profissional que elas buscam quando necessitam de ajuda -, seja para esclarecimento quanto para orientações.  Atualmente sinto que traçar características, diagnósticos ou ainda perfis é uma realidade, principalmente, na área da saúde, pois se apresenta à falsa sensação de controle e conhecimento. Por este caminho estaríamos todas no mesmo “balaio” e assim seria mais fácil ter algo a oferecer. É claro que o conhecimento médico-cientifico é fundamental para termos noção do corpo humano. Aqui estou percorrendo outro caminho, este que a medicina não pode alcançar: os sentimentos.

Portanto, mulheres portadoras de endometriose, cuidem-se e não somente do corpo, cuidem de suas emoções, conheçam-se a si próprias e não sejam vulneráveis quando dizem que vocês têm determinado perfil, pois muito do que se engloba neste “perfil” pertence a própria condição humana e não somente em mulheres com endometriose. Sinto que acolher estas informações pode levá-las a culpa, pois o que teoricamente alimentaria a doença seria características da personalidade de tais mulheres, e eu conheço mulheres que passam muito longe do “perfil” que também sofrem com a endometriose.

Doença da mulher moderna (linkar artigo), como tem sido nomeada também nos culpa por termos deixado somente de cuidar da casa e da família e soa como um castigo por termos mudado de foco. Sei de mulheres com mais idade que dão sinais legítimos de ter tido endometriose e que eram donas de casa e não produziam por outro caminho.

A qualidade de vida pode, sim, fazer a diferença para todos, mas não nos livrará totalmente de estarmos expostos a problemas com a saúde. Portanto, mulheres, não se culpem pela doença e sim busquem forças para lutar contra ela, já que ela já é presente. E a saúde emocional é um passo fundamental para encontrar saídas e força para enfrentar esta batalha que é a convivência com a endometriose.

Sobre Ana Rosa Detilio Mônaco:

Há 17 anos atuando na área cínica, a doutora Ana Rosa foi residente e atuou como psicóloga hospitalar no Centro de Referência da Mulher no Hospital Pérola Byington, em São Paulo. É especialista em saúde, em psicoterapia breve e atua também em reprodução assistida. É professora convidada do Instituo Gerar e atende em seu consultório em São Paulo.  

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A PSICÓLOGA ANA ROSA DETÍLIO NO PROGRAMA ENDOMULHERES NESTA QUINTA, DIA 1°, ÀS 9H!!



Toda semana, o EndoMulheres traz um tema novo e de extrema importância para quem sofre com a endometriose. E nesta quinta-feira de feriado, dia 1°, o programa está imperdível! Quem nunca ouviu que as nossas dores são psicológicas? Que somos loucas e que estamos inventando dores? Que somos preguiçosas? Que somos viciadas em remédios? Que só sabenmos reclamar? Dentre muitas outras frases deselegantes e não verdadeiras, vamos dizer. Acho que quase 100% das portadoras já escutou algo do tipo que, para mim, zombar com a dor alheia é também um tipo de bullying. Convide seus familiares e amigos a assistirem a entrevista com a psicóloga Ana Rosa Detílio Mônaco. Portadora de endometriose, a doutora Ana Rosa vai tirar esses e todos os outros mitos em relação à doença quando falamos no psicólogo de uma endomulher. Eu me encantei com a Ana Rosa, e como ela aborda ao tema, desde o primeiro momento que a vi falar em 2012, quando partricipamos juntas do programa Papo de Mãe.



O logo do programa desenvolvido especialmente pela nossa querida designer, Monica


EndoMulheres é o primeiro programa do Brasil, e provavelmente, o primeiro do mundo especializado em endometriose. Além do mais, é o único voltado aos profissionais de saúde. Nosso lema é educar e conscientizar quem tem paixão por cuidar de nós. Todo dia, em horários diferentes, para você ter mais comodidade. Se você não pode assistir em nenhum horário, após serem hospedados na TV UOL, os programas estão armazenados também na coluna  Programa EndoMulheres, na aba superior. Veja os horários da semana na grade de programação. Todos os dias em horários diferentes. E, agora também, na coluna do programa que é hospedado na TV UOL aqui no blogAssista aqui todos os programas EndoMulheres! Um beijo carinhoso!!