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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O QUE AS BACTÉRIAS DO SEU INTESTINO TÊM A VER COM O INCHAÇO ABDOMINAL?



imagem cedida por Free Digital Photos

Dando continuidade ao texto barriga de endometriose: o inchaço abdominal que confunde com a gravidez, você sabe o que as bactérias do nosso intestino têm a ver com o inchaço e com o desconforto gastrointestinal que sentimos? Neste artigo, a doutora Danielle Cook aborda as bactérias do nosso intestino, fala das nocivas às benéficas. É o A Endometriose e Eu trazendo sempre conteúdo de qualidade e exclusivos para você saber mais sobre esta enigmática doença. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Por  doutora Danielle Cook

Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar


O que tem as bactérias do seu intestino têm a ver com aquele inchaço e desconforto gastrointestinal? 

Muita coisa!

Nós temos mais bactérias vivendo no intestino do que o corpo humano tem de células. Temos um equilíbrio entre bactérias benéficas e bactérias potencialmente patogênicas (aquelas danadas que podem causar doenças). Esse é na verdade um dos ecossistemas mais complexos que existe na natureza. É importante manter um equilíbrio saudável entre as bactérias no intestino.
Essas bactérias benéficas não estão lá apenas para curtir a viagem, mas ao invés disso, elas desempenham um papel crucial na nossa saúde. Por exemplo, elas estão envolvidas no processo de digestão da comida que ingerimos, produzindo vitaminas como K2 e biotina, convertendo o hormônio da tireoide na sua forma ativa, desintoxicando, reduzindo inflamação, reduzindo formas patogênicas de bactérias e produção de energia. Esses são apenas alguns dos papeis importantes que elas desempenham! Também temos fermentos e vírus lá. É importante manter o equilíbrio saudável desses micro-organismos em nosso intestino também.
A barriga de endometriose é mais um exemplo de um vasto leque de sintomas que as portadoras experimentam, e é um dos fatores que mais frequentemente são incompreendidos dessa doença. - Danielle Cook, RD, MS.

Os problemas gastrointestinais podem resultar de problemas bacteriológicos no intestino delgado e/ou grosso. A maioria das bactérias existe no intestino grosso. No intestino delgado também existem, mas em proporção muito menor.
Disbiose é uma doença em que ocorre um desiquilíbrio nas bactérias benéficas e as patogênicas (que podem causar doenças) no intestino. O crescimento anômalo de bactérias no intestino delgado (nota do tradutor: em inglês: SIBO)é uma doença em que as bactérias do intestino grosso podem migrar para o intestino delgado. Com isso, a abundância de bactérias no local errado é exposta aos alimentos ainda não digeridos, que acabam por devorar, produzindo grandes quantidades de gases (inchaço, dor e indigestão).
Fatores que podem alterar negativamente o equilíbrio bacteriológico e conduzir a essas doenças, incluem:

  • Antibióticos (com certos tipos de antibióticos pode demorar até 2 anos para o reequilíbrio saudável microbiótico ser atingido no seu intestino);
  • Estresse crônico;
  • Anti-inflamatórios não-esteroides;
  • Obstipação;
  • Dieta semelhante à tipica americana (rica em gorduras pouco saudáveis, carboidratos processados e açúcar, e pobre em fibras e vegetais);
  • Alergias alimentares e sensibilidades;
  • Um sistema imunológico deficiente;
  • Infecções intestinais (como excesso de fermentos) e parasitas;
  • Inflamação;
  • Funcionamento deficiente ou remoção da válvula ileocecal (válvula entre os intestinos delgado e grosso).

Existem vários sintomas comuns para a disbiose e SIBO. Poderá ter vários desses sintomas entre a seguinte lista:

  • Inchaço, arroto, azia, flatulência após a refeição;
  • Sensação de estômago cheio após a refeição;
  • Indigestão, diarreia, obstipação;
  • Reação sistemática após refeição (como dor de cabeça e nas articulações);
  • Náusea ou diarreia após toma de suplementos (especialmente multivitamínicos e vitamina B);
  • Unhas frágeis ou quebradiças;
  • Capilares dilatados na face e no nariz (para pessoas não-alcoólicas);
  • Deficiencia nos níveis de ferro;
  • Infecções intestinais crônicas, parasitas, fermento, bactérias patogênicas;
  • Fezes gordurosas;
  • Pele sensível a lesões;
  • Fadiga;
  • Amenorréia (ausência de menstruação);
  • Vaginismo crônico (irritação vaginal);
  • Dor pélvica.

A disbiose não é rara nas mulheres com endometriose. A inflamação intestinal associada à endometriose pode alterar o equilíbrio da microflora. Balley e Coe investigaram a microflora intestinal em macacos reso fêmea e descobriram um aumento da inflamação intestinal e decréscimo de lactobacilos aeróbica e bactérias gram negativas nos macacos com endometriose quando comparados com os que não apresentam a doença.

Um desiquilíbrio na microflora intestinal disbiose pode ter consequências negativas na saúde, incluindo digestão deficiente, má absorção dos nutrientes, acréscimo de inflamação e de infecções gastrointestinais. A microflora intestinal age como uma barreira para os patogênicos ao impedir que grudem e produz substâncias antibacterianas.

Problemas com o crescimento anômalo de bactérias no intestino delgado podem resultar nas sintomas gastrointestinais frequentes entre as portadoras. Estudos recentes demonstraram a presença de SIBO nas portadoras de endometriose.
Em um estudo, 40 em 50 portadoras com confirmação laparoscópica foram detetadas com SIBO. Isso precisa ser considerado como um fator contributivo para quando a mulher tem inchaço abdominal severo.

O intestino desempenha um papel importante na eliminação do estrogênio. Desintoxicação fase II no fígado (termo médico para o processo de eliminação de muitos hormônios incluindo o estrogênio) utiliza a conjugação de estrogênio com outros compostos para que eles possam ser excretados pela bílis. Se a flora intestinal não estiver equilibrada, certas bactérias segregam uma enzima chamada Beta-glucuronidase, que separa a molécula glicuronídeo do estrogênio, permitindo que o estrogênio seja reabsorvido em vez de excretado nas fezes.

Lactobacilo, uma bactéria saudável, diminui a atividade da Beta-glucuronidase. Se a atividade da Beta-glucuronidase aumenta, mais estrogênio será reabsorvido e potencialmente agravar a endometriose.

Você tem algum desses sintomas? Se a resposta for sim, eles podem estar sendo causados por algo mais do que apenas a inflamação da endometriose. Se tiver esses sintomas após uma cirurgia de excisão da endometriose de qualidade, a sua endometriose foi embora, mas os sintomas podem resultar de outras doenças como as mencionadas acima.

Alguns testes que podem ser realizados incluem um teste de hálito para medição dos níveis de hydrogênio/metano, uma análise das fezes por um laboratório como Genova Diagnostics, teste de ácido orgânico e teste para sensibilidades alimentares. Podem existir dietas terapeuticas que podem ser ajudar a gerir os sintomas, como a dieta de carboidratos específicos, a dieta FODMAP, a dieta microbiótica e a dieta Paleo Autoimune.

Não existe um tratamento único para todos os casos de disbiose Algumas dietas que ajudam com a disbiose podem agravar a SIBO. Um profissional qualificado pode ajudar a determinar quais os estudos e tratamentos que podem ser mais úteis. Alguns desses testes laboratoriais que podem ser relevantes podem ser realizados no nosso Laboratório de Testes Especializado no Vital Health Institute.

Nota do tradutor: Talvez possa estar interessado nesse vídeo caso entenda inglês. Pedimos desculpa por não ter tradução, mas não é possível traduzir tudo.



Fonte: Vital Health

quarta-feira, 9 de março de 2011

COMO SÃO AS FEZES DE QUEM TEM ENDOMETRIOSE??




Já faz um tempão que quero escrever sobre este assunto, mas sempre tenho algo na frente. Também é um assunto bem delicado, que faz parte de nossa intimidade. Preciso relatar o quanto às portadoras de endometriose sofrem quando vão evacuar. Infelizmente, a endometriose é uma doença muito mais complexa do que se pode imaginar. Só quem tem sabe o quanto é ela é cruel, maldita, maligna não só na invasão dos focos, mas por privar mulheres de terem as rédeas de sua vida. A doença traz muitas consequências desagradáveis a nós portadoras, não são só as dores na pelve, no abdômen, durante as relações sexuais, a infertilidade. Esses são algumas das principais sintomas, mas a endo mexe com todo nosso corpo. Quando leio alguma matéria sobre a doença, acho curioso quando leio a expressão: “... as mulheres têm dificuldades e dores ao evacuar, ao urinar, que podem ser ou não com sangue...”. Toda vez que eu leio essa frase, eu acho até engraçado. Penso eu: “Como os repórteres escrevem isso, mas até hoje, não vi nenhum perguntar: 'Como são essas dificuldades, o que vocês sentem de verdade? ’”. O que me chama atenção na profissão de repórter é o que me faz ainda mais querer ser repórter: é a curiosidade sobre determinado assunto. Eu sou muito curiosa e sempre quero fazer a pergunta que ninguém pensa em fazer. Como jornalista, repórter e portadora de endometriose, eu falo e desvendo o que, até então, ninguém perguntou: Como são as fezes, quais são as tais dificuldades que todo mundo fala, mas ninguém ousou em perguntar?

No meu primeiro dia de fisioterapia na Unifesp, logo após a avaliação, deram-me um questionário para preencher e, para minha surpresa, adivinha qual era o tema? Fezes. No começo achei esquisito, mas logo depois, a Ana Paula veio explicar do que tratava. Participei de uma pesquisa que a Unifesp estava fazendo sobre como são as fezes de uma portadora de endometriose. Eu já percebia há algum tempo que minhas fezes estavam esquisitas. A começar evacuava a maior parte do tempo como diarreia. Com o passar do tempo, percebi também que o odor, nossa esta terrível! Eu sei que nenhum cocô é cheiroso, mas as nossas fezes são muito mais fétidas, do que às de uma pessoa sem a doença. Até aí, tudo bem, todo cocô fede mesmo! Qual o problema? Aquilo que eu mencionei o que toda matéria tem, mas de forma incompleta. Que dificuldades são essas? E eu digo: e coloca dificuldade nisso, viu. Ficamos horas e horas no banheiro para não fazer quase nada. A dificuldade que todo mundo fala, na real, é que não conseguimos fazer mesmo. Aí, sai só um pouquinho. O pior é que não acreditamos nisso. É uma grande decepção. Mas o pior vem depois de tanto esforço, parece que fica tudo entalado dentro da gente e a sensação é horrível, muito horrível! Só sentindo mesmo. Parece que está tudo ali querendo sair, mas não sai. Elas podem ser acompanhadas de sangue, e também pode arder. E uma dor aguda na barriga. Agora, uma grande saia-justa é quando estamos em algum lugar, que não dá para fazer, que não tem banheiro, e dá aquela vontade, que não dá para segurar. Você precisa dar um jeito de ir a qualquer lugar. Nesse caso, a diarreia vem acompanhada de uma dor barriga.

Outro fator que chama a atenção é quanto ao formato das fezes. Isso é algo que nunca falam. Também eu tive de preencher na pesquisa de qual forma sai meu cocô. Na maioria das vezes, elas são disformes, não tem aquela forma certa de um cocô normal. Mas ela pode sair como bolinhas, ou então, bem fininha tipo uma tripinha. Mas sempre muito fétida. Outra coisa que me chama atenção é que muitas vezes, ao evacuar, também sinto muito enjoo. Não é nem ânsia, mas um enjoo esquisito. Raros sãos os momentos que uma portadora de endometriose sai satisfeita do vaso sanitário. Teoricamente, quando falam que isso é um dos sintomas, deveria ser sentido apenas no período menstrual, ou antes. Mas muitas de nós temos isso constantemente. Sem contar que é algo chato, sabe, dá vergonha de fazer cocô em qualquer lugar. Comecei a adotar um hábito de ter sempre uma caixa de fósforos na bolsa para disfarçar o cheiro. Além de todo este incômodo de evacuar, ainda tem a perda de fezes, já que alguns dos gazes que soltamos escapole e sai como fezes. Tem coisa pior do que acontecer isso no meio da rua? Minha dica é sair com uma calcinha extra. Se em todos os nossos gazes tiver de ser feitos dentro de um vaso sanitário por conta das perdas... é melhor andar com um pinico pendurado no pescoço! Era só o que faltava, ainda muitos acham que não temos nada. Santa ignorância!

Agora, acho bem enigmático passar por tudo isso mesmo não tendo endometriose intestinal. É isso que me preocupa. Parece que a doença impregna em nosso corpo. Gruda e não quer soltar mais. Não é uma loucura? E é sempre bom consultar um coloproctologista para ver se está com ok. Quem não passa por isso, pode até achar engraçado, mas é muito sério e a doença também é séria e, por isso, tem de ser levada a sério pelos nossos governantes. Por isso que o A Endometriose e Eu luta pelo reconhecimento da doença como social e de saúde pública no Brasil. Além de ser uma situação muito desconfortável ainda passamos por cada saia-justa! As consequências que a doença traz a nós, portadoras, são imensuráveis. Só passando por isso para entender mesmo. Por isso digo somos as mulheres mais guerreiras deste universo. Portanto, informar é preciso! Beijos com carinho!!!