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| imagem cedida por Free Digital Photos |
Com a vida moderna, a mulher passou a ocupar lugar de destaque no mercado de trabalho e começou a postergar o desejo de ter filhos. Infelizmente nós, mulheres, não somos como os homens, que pode ter filhos com qualquer idade. Infelizmente quando falam do nosso relógio biológico, não está somente a questão da idade pós 30 anos, mas a questão da qualidade e da quantidade de óvulos, que diminuem com o passar dos anos, tendo o auge do declínio da produção após 35 anos. Por isso se a mulher pretende ter filhos mais tarde, é muito importante conversar com o ginecologista sobre a Criopreservação dos óvulos. A ginecologista e especialista em endometriose doutora Graciela Morgado explica porque é importante e quando devemos conversar com nosso ginecologista sobre a saúde dos nossos óvulos. Você já fez algum exame para saber sobre sua reserva ovariana? Quem já fez cirurgias abertas, como a tipo cesárea, ou retirada de endometrioma, por exemplo, poderá ter uma reserva menor que aquelas que nunca fizeram essas cirurgias. Esse era o meu caso. Eu já tinha feito duas cirurgias abertas - uma para retirada do apêndice e uma laparotomia para retirada de cisto - e duas videolaparoscopias, e quando fiz o exame antimulleriano, aos 35 anos, minha reserva estava super baixa. Mesmo em cirurgias longe dos ovários poderá haver uma perda da reserva ovariana. Leia o texto e saiba importante saber e cuidar da reserva ovariana muito antes de ter filhos. Beijo carinhoso! Caroline Salazar
Por doutora Graciela Morgado
Edição: Caroline Salazar
Por que e quando devemos conversar com o ginecologista sobre a saúde de seus óvulos?
Já é sabido por todos nós que a
reserva ovariana diminui com a idade, especialmente depois de 35 anos. Calcula-se
que, no nascimento, o número total de óvulos varie entre 700 mil a 7 milhões.
Durante a infância, a maioria dos óvulos torna-se atróficos, ou seja, param seu
desenvolvimento. Na puberdade somente cerca de 400 mil estarão presentes, e
destes, menos de 500 serão ovulados.
Enquanto muitas mulheres optavam por
ter filhos mais tarde, a tecnologia de preservação de oócitos (óvulos) melhorou
e foi reconhecida como técnica não experimental em 2012 pela Sociedade
Americana de Medicina Reprodutiva.
Muitas mulheres que vão regularmente
ao ginecologista desconhecem o declínio da reserva ovariana com o avançar da
idade. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), um em cada
oito casais vão ter dificuldade em engravidar ou manter uma gravidez. Um
estudo realizado em 2014 biopsiaram 15.000 embriões e demostrou uma taxa
de 75 a 100% de embriões com aneuploidia (nota
da editora: uma alteração genética que leva ao número anormal dos
cromossomos, onde poderá haver potencial
riscos de síndromes, como a Síndrome de Down, por exemplo) em
mulheres com idade superior a 42 anos, em comparação com as mulheres entre 26 -
30 anos, onde de 20% a 27% dos embriões eram aneuplóides .
Em um esforço para entender melhor a
população de sexo feminino e os seus objetivos de planeamento familiar, o Centro
de Fertilização de Illinois, nos Estados Unidos, realizaram uma pesquisa
nacional online com 1.208 mulheres nulíparas (nota da editora: mulher
que nunca engravidou) e demonstrou-se:
- 51% das mulheres gostariam de ter filhos algum
dia;
- 89% das entrevistadas concordaram que a
orientação sobre a fertilidade feminina deveria ser mencionada em
consultas de rotina com o ginecologista;
- 52% das mulheres acima de 35 anos declararam que teria feito escolhas diferentes se soubessem sobre o declínio da fertilidade relacionada com a idade.
Portanto, é imprescindível para as
pacientes acima de 30 anos compartilharem a opção de preservação da
fertilidade (por meio da Criopreservação dos Oócitos) com seus ginecologistas,
além da necessidade destas pacientes de analisarem e amadurecem a ideia de suas
escolhas reprodutivas, mais cedo ou mais tarde.
As mulheres que realizam a preservação
da fertilidade através da Criopreservação de oócito têm menor chance de
aneuploidia, menor chance de abortamento e maior taxa de gravidez se utilizar
os seus óvulos congelados (com idade até 35 anos) do que realizar tratamento de
FIV em idade avançada (após os 37 anos, por exemplo).
O que é a Criopreservação de óvulos:
A mulher a submetida à estimulação ovariana por
meio de injeções subcutâneas (na barriga) com controle ultrassonográfico
do crescimento destes folículos. Dentro dos folículos encontram-se os óvulos.
Quando o crescimento folicular atinge um tamanho determinado, a mulher é
submetida à coleta destes óvulos sob anestesia. Estes óvulos são encaminhados
ao laboratório para congelamento rápido, isto é a criopreservação de óvulos.
O procedimento é indolor e todo o tratamento dura cerca de 14 dias.
Sobre a doutora Graciela Morgado Folador:
Ginecologista e obstetra, Graciela Morgado Folador tem Pós-graduação em Endometriose, em Cirurgia Minimamente Invasiva, em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida e Especialização em Vídeo-histeroscopia. É membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e da Advancing Minimally Invasive Gynecology Wordwide (AAGL). É médica-colaboradora do setor de Endometriose do Hospital das Clínicas de São Paulo, USP. Siga a fanpage da doutora Graciela.

