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segunda-feira, 13 de junho de 2016

"SAÚDE E BEM-ESTAR": O FORMATO E OS TIPOS DAS FEZES, A CONSTIPAÇÃO INTESTINAL E A POSIÇÃO CORRETA PARA EVACUAR!

Em 2011 escrevi despreteciosamente um texto sobre as fezes das portadoras intitulado "Como são as fezes das portadoras de endometriose". Nele falei sobre a minha dificuldade em evacuar, o formato e tudo que envolvia as minhas fezes. Este post audacioso rodou o mundo e ainda faz o maior sucesso. É o terceiro mais lido do blog! Praticamente todas as portadoras que leu se identificou com ele. A maioria disse que era como se eu tivesse colocado uma câmera no banheiro delas, de tão real que foram as minha palavras. Além das endomulheres, médicos de vários cantos do mundo também me parabenizaram pelo texto. Por conta do sucesso desse post e para tirar ainda mais dúvidas das leitoras convidei a fisioterapeuta Ana Paula Bispo para falar sobre a constipação intestinal (que afeta milhares de endomulheres), os formatos e os tipos de fezes, e também sobre a posição correta para evacuar. Você sabia que evacuar sentada está errado? Você sabia que segurar as fezes pode causar a constipação intestinal? Mais um conteúdo exclusivo que você só encontra no A Endometriose e Eu. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


Por doutora Ana Paula Bispo 
Edição: Caroline Salazar

A constipação intestinal crônica é definida como a presença de duas das seguintes queixas em no mínimo 25% das evacuações e por pelo menos 12 semanas nos últimos 12 meses:

         Esforço aumentado;
         Fezes em cíbalos (bolinhas) ou endurecidas;
        Sensação de esvaziamento incompleto (sensação de que ainda ficou fezes no reto);
         Sensação de obstrução ou bloqueio anorretal;
         Manobras digitais para facilitar;
         Menos que três evacuações por semana.

A constipação intestinal pode ser ocasionada por uma disfunção dos cólons ou de estruturas de região anorretal, retardo do trânsito no intestino grosso ocasionado por um distúrbio motor primário associado a várias doenças ou uso de alguns medicamentos, ou por transtorno da evacuação.

No transtorno da evacuação, a eliminação do conteúdo do intestino é inibida em consequência da hipertonia (tensão) do canal anal ou da incoordenação entre os músculos do assoalho pélvico e o músculo esfíncter anal interno (músculo do ânus de contração e relaxamento involuntário). Quando a permanência é muito prolongada do conteúdo intestinal na luz do reto, leva ao endurecimento das fezes e a dilatação do reto, que é também um transtorno da evacuação.

As pessoas que tem constipação intestinal possuem um formato de fezes diferentes daquelas que o intestino funciona corretamente. Uma escala médica foi desenvolvida para classificar os tipos de fezes, chamada de Escala de Bristol. Fezes no formato tipo 1 e tipo 2 são características de constipação intestinal. 

As pessoas que tem constipação intestinal possuem um formato de fezes diferentes daquelas que o intestino funciona corretamente. Uma escala médica foi desenvolvida para classificar os tipos de fezes, chamada de Escala de Bristol. Fezes no formato tipo 1 e tipo 2 são características de constipação intestinal.

Fonte: Blog Nutrição e assuntos diversos
Num estudo realizado em 2007 com mulheres com endometriose com comprometimento do trato gastrointestinal (TGI), foi constatado que 27,5% delas tinham constipação intestinal dentre outras queixas gastrointestinais.

Como evitar a constipação intestinal?

Não adiar a evacuação:

Uma das principais funções do intestino é a absorção de água e sais minerais. A água que existe no bolo alimentar vai sendo absorvida ao transitar pelo intestino, transformando esse bolo alimentar em fezes. Quando se evita evacuar (ou seja, "segurar"), as fezes ficam dentro do intestino por mais tempo do que deveria, ressecando mais do que o normal, dificultando a saída e mantendo as fezes por mais tempo na ampola retal (a porção final do reto que serve de depósito final para as fezes que serão evacuadas), tornando ainda mais difícil o ato evacuatório.

Portanto, reprimir o desejo de evacuar durante viagens, ou quando se está fora de casa, acaba sendo uma das maiores causas de constipação, especialmente entre as mulheres que, por vergonha, acabam desregulando o funcionamento intestinal natural.

Dieta adequada:

É necessária uma mudança nos hábitos alimentares de uma maneira global, inclusive, na ingestão de água. É de fundamental importância um acompanhamento com um nutricionista.

Evitar problemas que causam dor local:

Qualquer coisa que cause dor ou desconforto na região anal, como fissuras anais e hemorroidas, vão fazer com que a mulher tente evacuar o mínimo de vezes possível. E as fezes ficando mais tempo no intestino, vão ressacar mais, dificultando ainda mais a sua saída, causando mais dor e iniciando um ciclo vicioso onde evacuar torna-se cada vez mais doloroso e complicado.

Tratar a Incoordenação dos músculos do assoalho pélvico (MAP):

É comum encontrar mulheres cuja causa da constipação seja incoordenação muscular, ou seja, para evacuar, elas relaxam os esfíncteres anais, mas contraem os MAP (músculos do assoalho pélvico) dificultando ou até impossibilitando a evacuação.

Esse não relaxamento dos MAP, em especial, o músculo puborretal, é chamado de anismo. Conhecer e aprender a contrair e relaxar de maneira apropriada o músculo geralmente é suficiente para resolver o problema.

Posição correta para evacuar:

Nós nascemos para defecar agachados. Os seres humanos fizeram isso por muitos milênios, até a chegada dos banheiros modernos.

Quando você está sentada formando um ângulo de 90 graus entre o tronco e o quadril, o seu reto, que é por onde as fezes passam, fica “dobrado” porque o músculo puborretal não relaxa completamente. Quando você está agachada ou com um apoio nos pés, a angulação diminui, permitindo o relaxamento completo do puborretal e o esvaziamento completo do reto.

Fonte: Puraeco

Fonte: Hypescience
Portanto, quando for evacuar, sente com um apoio nos pés, tire a calcinha pelo menos de um dos pés (não pode ficar apoiada nos joelhos nem nos tornozelos), afaste levemente as pernas e incline o tronco levemente para frente, o suficiente para que os cotovelos possam ficar apoiados sobre os joelhos.

Procurar formas alternativas de proteção para evacuação é importante para quando o desejo evacuatório surgir fora de casa, como por exemplo, forros descartáveis para cobrir o assento do vaso sanitário.

A fisioterapia pélvica dispõe de vários recursos que podem auxiliar no tratamento da constipação intestinal crônica, são eles: biofeedback manométrico ou eletromiográfico que trata a incoordenação dos músculos do assoalho pélvico, balonete retal para treino evacuatório e massagem abdominal no sentido do trânsito colônico.

Sobre a fisioterapeuta Ana Paula Bispo:

Ana Paula Bispo é fisioterapeuta, atualmente faz doutorado em Urologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é mestre em Ginecologia pela Unifesp, mesma instituição que fez especialização em Reabilitação do Assoalho Pélvico, e docente do curso  de Pós Graduação de Fisioterapia em Uroginecologia da Universidade Estácio de Sá. Siga a fanpage da doutora Ana Paula Bispo.
                                     

domingo, 18 de maio de 2014

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA", DOUTOR HÉLIO SATO!!!


Em Com a palavra, o especialista", o doutor Hélio Sato responde duas questões que são dúvidas frequentes das leitoras. A primeira é em relação a menstruação àquelas que se submteram aos tratamentos com análogos de GnRH. Quanto tempo após induzir a menopausa, a menstruação volta? E a outra é um dos incômodos, que, a meu ver são alguns dos tantos sintomas que a maioria das portadoras tem: os temidos gases e as dolorosas cólicas, em especial, a intestinal. Mas, realmente, quando diz respeito às fezes das portadoras, nossa.... Qual portadora nunca passou apuros quando não estava em casa? 

Escrevi um artigo sobre "Como são as fezes de quem tem endometriose", e todas que leram se identificaram. O texto foi elogiado até mesmo por especialistas internacionais. O pior de tudo é que esses incômodos independem se a mulher tem ou não endometriose intestinal. As inflamações causadas pelos focos causam muitas dores, e ainda somando as aderências pélvicas, o grude grude dos órgãos, o movimento dos órgãos ainda mais difícil e doloroso. Ainda não encontrei nenhuma portadora que tem seu intestino ótimo, sem nenhum problema. Deixem seus comentários aqui. Ah, e a partir de hoje, a querida Ane vai começar a responder aos emails. Com o crescimento da demanda de trabalho, infelizmente, eu já não estava conseguindo respondê-los. Ela foi devidamente treinada e está apta a responder, só não vamos responder nenhum sobre medicamentos, pois cada organismo reage de um jeito. Um beijo carinhoso! Caroline Salazar


- Quanto tempo após tomar análogo de GnRH a menstruação retorna? Anônimo

Doutor Hélio Sato: O retorno é variável, principalmente, quando é aplicado o trimestral que pode ser entre 3 a 12 meses. Por esta razão, quando há demanda do uso da medicação e há um desejo de gravidez a curto prazo, prefere-se o uso do mensal, pois, por ser uma dose menor, o retorno da ovulação costuma-se ser mais rápido.

- Quem tem endometriose sofre muito com gases e cólicas? Eu sofro muito com esses problemas. O doutor pode nos explicar melhor sobre isso? E porque tantos gases, cólicas fortíssimas. Rosinéia Santos

Doutor Hélio Sato: A endometriose leva à uma atividade de inflamação nos órgãos acometidos e, esta inflamação, leva, na grande maioria das pacientes, à dor e pode também levar à alteração do funcionamento das estruturas como a tuba, ovário, etc..., especialmente, quando a endometriose atinge o intestino e ou está próximo dele pode levar à distensão gasosa do abdômen, consequentemente, às dores e aos gases.


Sobre o doutor Hélio Sato:

Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose e em laparoscopia. Tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP),  e foi corresponsável do Setor de Algia Pélvica e Endometriose da mesma instituição.



Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é coordenador de pesquisas da clinica de reprodução humana GERA e está à frente nas seguintes linhas de pesquisas: endometriose, biologia celular e molecular, cultura celular, polimorfismo gênico e reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato). 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

MINHA RECUPERAÇÃO PÓS-OPERATÓRIA!!!



É com muita alegria que escrevo este post! Há cinco dias, eu não sei o que é sentir dor. Gente, isso é incrível e inacreditável!! É como se eu voltasse no tempo e, há muito tempo, mais de 10 anos atrás. Sei que para muitos, para quem não sabe o que é sentir as terríveis dores das aderências pélvicas, jamais vai entender o que estou dizendo e, muito menos, a minha felicidade. Mesmo após minha primeira cirurgia, realizada em 26 de julho de 2010, eu continuei sentindo dores. Agora, após a minha segunda videolaparoscopia, realizada no último dia 1° de junho, passei a ter dias sem dores. Com isso, dias mais leves, dias mais felizes. Quando os amigos me ligam, àqueles que são mais próximos de mim, e que sabem como eu estava, eu fico até com certo receio de falar, mas eu estou me achando mesmo e falando aos quatro ventos. "Eu não sinto mais dores. Não dá para acreditar". Afinal, minhas últimas semanas foram de dores intensas, pois eu sentia dores para pisar e, até mesmo, para respirar. Ontem, terça-feira, dia 4, assisti, pela primeira vez, o DVD da minha última cirurgia. No sábado, ainda no hospital, o dr. Hélio Sato insistiu muito para eu assistir a gravação tanto dessa minha cirurgia quanto a de uma cirurgia de endo, onde não existem aderências, mas apenas os focos da doença. Eu até pensei em questioná-lo o porquê, mas depois pensei: "Sei que as cirurgias com muitas aderências, como as minhas duas, são muito mais delicadas, onde os cirurgiões têm de ser precisos para não perfurarem algum órgão, do que àquelas onde apenas existem focos". E eu digo: "Fui completamente dilacerada por dentro. O dr. Hélio e o dr. Roberto Hiroshi Ieiri são muito, mas muito competentes. Duas, ou melhor, quatro mãos  'santas' que vieram me salvar". Meus órgãos abdominais e pélvicos estavam num emaranhado só. Eu não soube distinguir os órgãos. Só consegui diferenciar o mioma. Por isso, eu acho um milagre eu estar sem nenhuma dor. Tudo bem, no dia seguinte da operação, sei que tomei tramadol, antes de operar, tomei doses e doses de antibióticos e anti-inflamatórios para ajudar durante e após a cirurgia. Mas, ontem, quando vi o vídeo tive muito dó de mim mesma. Eu não conseguia diferenciar qual órgão era cada um deles que estavam dentro de mim. Parecia que eles estavam num nó só, uma loucura! 

Minha recuperação pós-operatória está maravilhosa. Tenho evitado acessar o computador justamente para não correr o risco de a dor voltar. Conviver com esse medo é uma tortura, mas eu estou confiante e com muita fé de que terei uma trégua das dores. Sempre pedi muito a Deus, para que me desse esta alegria. Afinal, quero ajudar o maior número de mulheres possíveis, no Brasil e no exterior, mas, para isso, eu preciso melhorar. E não é que Ele (nosso Pai) atendeu aos meus pedidos! Não sinto nem os incômodos dos pontos. Eu já sabia da extrema competência dos meus anjos de azuis (cor da roupa que os médicos usam no centro cirúrgico), por isso, eu sempre os indico, mas, desta vez, o dr. Hélio me surpreendeu com sua mão leve e certeira. Porém, acima de suas capacidades, eu os indico também porque são honestam e são médicos que cumprem o juramento de Hipócrates, feito na colação de grau, como explicita a frase: "Prometo que ao exercer a arte de curar, me mostrarei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência..." Em outras palavras, eu os indico, assim como a Unifesp, por serem honestos, carinhosos, amorosos, por nos entendem, nos escutarem, sentem a nossa dor, a nossa alegria. Eu também não sinto as fortes dores nas pernas. Sabe aquela sensação de peso nas pernas, como se um trator tivesse passado em cima delas ou como se estivéssemos carregando um peso de 100 quilos com elas? Eu não sinto mais! Uma loucura, mas uma sensação de muita felicidade. Vez ou outra, eu ainda sinto meus músculos latejando, mas isso acontece esporadicamente. Mas, eu já sabia que a cirurgia não resolveria este meu problema muscular, que foi a minha grande consequência da endo, em especial, a dispareunia. A cirurgia foi tão perfeita que, desta vez, nem o meu umbigo está roxo. Na primeira, em poucos dias, ele já estava preto. Meu umbigo pode até ficar roxo ou preto, mas a sensação de "livre da dor" ou "pain free", como dizem minhas endosisters americanas e inglesas. O que vivo hoje é a melhor sensação e a mais completa alegria que tive nos últimos anos. Agora, eu quero reviver e viver tudo que deixei para trás. 

Outra mudança incrível que já percebi em meu corpo foi em relação às fezes. Elas estão incrivelmente sem odor, isso mesmo, sem nenhum odor e sem o mau cheiro de antes. Só quem tem endo é que sabe muito bem do que estou falando. Para mim, não era só as fortes dores que me incomodavam, mas o forte odor das fezes também. Era horrível ir ao banheiro evacuar. Em qualquer lugar que iria, tinha em mãos um fósforo ou um desodorante, claro. Sem contar que, num simples xixi, virava logo outra coisa. Algumas vezes também eu já estava perdendo cocô. Nem soltar gases eu podia mais. Quanto à forma, ainda não sei se está igual a de um cocô normal, mas isso deve ser questão de tempo. Porém, ele já não sai só como diarreia ou tão disforme como antes. Ainda não falei com o dr. Roberto Hiroshi sobre isso, pois quero esperar a biópsia primeiro para depois ligar e falar com ele. Bom, mas essa mudança merece um outro post. Afinal, o primeiro que escrevi sobre as fezes foi de grande sucesso e, por isso, quero dar continuidade a esse assunto. Meu retorno com o dr. Hélio é na próxima segunda, dia 11, ao meio-dia, dia que irei pegar a biópsia e retirar os pontos. Ou melhor, dia em que o dr. Hélio irá me ver e falar mais sobre a cirurgia, já que os pontos são àqueles que dissolvem sozinhos em nosso organismo. Mas ele vai ver se está tudo bem com minha cicatrização.  Foi tudo tão perfeito, que eu não sinto nem os incômodos do DIU de Mirena. Todo mundo me dizia que eu sentiria uma dorzinha, tipo cólica, pois é um corpo estranho em nosso útero. Porém, a minha insistência para colocá-lo nesta cirurgia, era algo que a minha intuição já me assegurava. Eu insisti tanto para colocar o Mirena com o dr. Hélio, porque já sentia que a colocação seri tão perfeita, que eu não sentiria nenhuma dor. Não posso escrever muito, mas prometo responder a todos os comentários carinhosos aos poucos. Só queria mesmo compartilhar a minha felicidade e dar notícias. Sei que todas ficarão felizes com esta minha novidade. Ah, e eu esqueci de falar. Na visita do dr. Hélio, no dia posterior a minha cirurgia, ele falou por algumas vezes, mais de duas: "Sua próxima cirurgia tem de ser um parto, Carol". Mas, como, se não tenho namorado. Pedi para ele exportar logo um sueco ou um holandês, claro, ahahaha. Beijos com carinho e um ótimo feriado!!


domingo, 6 de novembro de 2011

FITOTERÁPICOS AUXILIAM O FUNCIONAMENTO DO NOSSO INTESTINO!!

Há quase um mês, no dia 11 de outubro, voltei a endocrino e tive a notícia de que ela não poderia mais me receitar a sibutramina. O governo proibiu. Ok, sei que nenhum remédio é legal, e acho que devemos almejar um futuro melhor, mas acho que os políticos deveriam  parar de roubar o nosso dinheiro para depois dizer o que devemos ou não fazer. Como não poderei mudar esses políticos corruptos, cuido eu da minha saúde. Aí, perguntei: 'E, agora dra, como vou continuar o tratamento?'. Tudo bem que o meu organismo já estava acostumado com a sibutramina, pois não emagrecia mais como antes. A dra. me disse que receitaria ervas manipuladas. Logo falei que o meu intestino não funciona direito. Aliás, nunca funcionou. Só alguns dias após a cirurgia. Depois, voltou como antes. Tem noção do que é comer todos os dias, várias vezes ao dia, e ir apenas algumas vezes à semana ao banheiro? Horríííível!!!!

Dra. Regina me receitou a mistura das ervas pholia negra e cascara sagrada. O primeiro ajuda no emagrecimento, ajuda a ter uma digestão melhor, e o segundo, para que o meu intestino passe a funcionar direito. E não é que já percebi o efeito do remédio no intestino. Ainda bem! Porque ele é bem caro. A receita pede dois comprimidos ao dia. Um 30 minutos antes do almoço, e o outro 30 minutos antes do jantar. Cento e vinte cápsulas ao preço salgado de 260 reais. Uau! Agora, vou ao banheiro todos os dias, que caro para evacuar, mas ainda não evacuo como deveria. O sofrimento ainda é muito grande, não sai tudo como deveria, continuo com a sensação de que tem mais pra sair e não sai. O formato esquisito, meio despedaçado, disforme e o mau cheiro continuam. Até agora as ervas não foram tão milagrosas a esse ponto, mas não tem um mês que estou tomando. Em março, fiz um post sobre as fezes das portadoras de endo e foi um sucesso total. Até postei no face este link. Vale lembrar que qualquer remédio, inclusive, estes fitoterápicos que acabei de mencionar, só deve ser ingerido perante consulta e receita médicas.

Ah, e continuem votando no A Endometriose e Eu no Prêmio Top Blog Brasil. Para votar é fácil! É só entrar na página do blog http://aendometrioseeeu.blogspot.com, clicar no selo do Prêmio Top Blog Brasil, azul que está à direita piscando. Aí, você será redirecionado à página do prêmio, clica na seta votar e seleciona a sua opção de voto: ou por e-mail ou twitter. Se você selecionar por e-mail é necessário validar o voto em seu e-mail, clicando no link que estiver em sua caixa de entrada, pois você vai receber um e-mail do Top Blog pedindo a confirmação. É só clicar em cima do link e pronto! O seu voto foi validado. Se tiver e-mail e twitter pode votar com os dois.


Beijos com carinho!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

COMO SÃO AS FEZES DE QUEM TEM ENDOMETRIOSE??




Já faz um tempão que quero escrever sobre este assunto, mas sempre tenho algo na frente. Também é um assunto bem delicado, que faz parte de nossa intimidade. Preciso relatar o quanto às portadoras de endometriose sofrem quando vão evacuar. Infelizmente, a endometriose é uma doença muito mais complexa do que se pode imaginar. Só quem tem sabe o quanto é ela é cruel, maldita, maligna não só na invasão dos focos, mas por privar mulheres de terem as rédeas de sua vida. A doença traz muitas consequências desagradáveis a nós portadoras, não são só as dores na pelve, no abdômen, durante as relações sexuais, a infertilidade. Esses são algumas das principais sintomas, mas a endo mexe com todo nosso corpo. Quando leio alguma matéria sobre a doença, acho curioso quando leio a expressão: “... as mulheres têm dificuldades e dores ao evacuar, ao urinar, que podem ser ou não com sangue...”. Toda vez que eu leio essa frase, eu acho até engraçado. Penso eu: “Como os repórteres escrevem isso, mas até hoje, não vi nenhum perguntar: 'Como são essas dificuldades, o que vocês sentem de verdade? ’”. O que me chama atenção na profissão de repórter é o que me faz ainda mais querer ser repórter: é a curiosidade sobre determinado assunto. Eu sou muito curiosa e sempre quero fazer a pergunta que ninguém pensa em fazer. Como jornalista, repórter e portadora de endometriose, eu falo e desvendo o que, até então, ninguém perguntou: Como são as fezes, quais são as tais dificuldades que todo mundo fala, mas ninguém ousou em perguntar?

No meu primeiro dia de fisioterapia na Unifesp, logo após a avaliação, deram-me um questionário para preencher e, para minha surpresa, adivinha qual era o tema? Fezes. No começo achei esquisito, mas logo depois, a Ana Paula veio explicar do que tratava. Participei de uma pesquisa que a Unifesp estava fazendo sobre como são as fezes de uma portadora de endometriose. Eu já percebia há algum tempo que minhas fezes estavam esquisitas. A começar evacuava a maior parte do tempo como diarreia. Com o passar do tempo, percebi também que o odor, nossa esta terrível! Eu sei que nenhum cocô é cheiroso, mas as nossas fezes são muito mais fétidas, do que às de uma pessoa sem a doença. Até aí, tudo bem, todo cocô fede mesmo! Qual o problema? Aquilo que eu mencionei o que toda matéria tem, mas de forma incompleta. Que dificuldades são essas? E eu digo: e coloca dificuldade nisso, viu. Ficamos horas e horas no banheiro para não fazer quase nada. A dificuldade que todo mundo fala, na real, é que não conseguimos fazer mesmo. Aí, sai só um pouquinho. O pior é que não acreditamos nisso. É uma grande decepção. Mas o pior vem depois de tanto esforço, parece que fica tudo entalado dentro da gente e a sensação é horrível, muito horrível! Só sentindo mesmo. Parece que está tudo ali querendo sair, mas não sai. Elas podem ser acompanhadas de sangue, e também pode arder. E uma dor aguda na barriga. Agora, uma grande saia-justa é quando estamos em algum lugar, que não dá para fazer, que não tem banheiro, e dá aquela vontade, que não dá para segurar. Você precisa dar um jeito de ir a qualquer lugar. Nesse caso, a diarreia vem acompanhada de uma dor barriga.

Outro fator que chama a atenção é quanto ao formato das fezes. Isso é algo que nunca falam. Também eu tive de preencher na pesquisa de qual forma sai meu cocô. Na maioria das vezes, elas são disformes, não tem aquela forma certa de um cocô normal. Mas ela pode sair como bolinhas, ou então, bem fininha tipo uma tripinha. Mas sempre muito fétida. Outra coisa que me chama atenção é que muitas vezes, ao evacuar, também sinto muito enjoo. Não é nem ânsia, mas um enjoo esquisito. Raros sãos os momentos que uma portadora de endometriose sai satisfeita do vaso sanitário. Teoricamente, quando falam que isso é um dos sintomas, deveria ser sentido apenas no período menstrual, ou antes. Mas muitas de nós temos isso constantemente. Sem contar que é algo chato, sabe, dá vergonha de fazer cocô em qualquer lugar. Comecei a adotar um hábito de ter sempre uma caixa de fósforos na bolsa para disfarçar o cheiro. Além de todo este incômodo de evacuar, ainda tem a perda de fezes, já que alguns dos gazes que soltamos escapole e sai como fezes. Tem coisa pior do que acontecer isso no meio da rua? Minha dica é sair com uma calcinha extra. Se em todos os nossos gazes tiver de ser feitos dentro de um vaso sanitário por conta das perdas... é melhor andar com um pinico pendurado no pescoço! Era só o que faltava, ainda muitos acham que não temos nada. Santa ignorância!

Agora, acho bem enigmático passar por tudo isso mesmo não tendo endometriose intestinal. É isso que me preocupa. Parece que a doença impregna em nosso corpo. Gruda e não quer soltar mais. Não é uma loucura? E é sempre bom consultar um coloproctologista para ver se está com ok. Quem não passa por isso, pode até achar engraçado, mas é muito sério e a doença também é séria e, por isso, tem de ser levada a sério pelos nossos governantes. Por isso que o A Endometriose e Eu luta pelo reconhecimento da doença como social e de saúde pública no Brasil. Além de ser uma situação muito desconfortável ainda passamos por cada saia-justa! As consequências que a doença traz a nós, portadoras, são imensuráveis. Só passando por isso para entender mesmo. Por isso digo somos as mulheres mais guerreiras deste universo. Portanto, informar é preciso! Beijos com carinho!!!