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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

MEU RELATO SOBRE A AMAMENTAÇÃO DA MINHA FILHA, BÁRBARA, E A AMAMENTAÇÃO PROLONGADA!

Foto tirada no dia 1° de agosto de 2016, no dia mundial da amamentação

Por Caroline Salazar

Aproveitando o gancho da Semana Mundial da Amamentação 2016 (SMAM) quero deixar meu relato sobre minha experiência de amamentar. Minha princesa completou no último dia 4 de agosto 1 ano e 5 meses e até hoje, mesmo já se alimentando de comida desde seu primeiro ano de vida, ela mama no peito durante o dia. São de duas a quatro mamadas, depende do dia. Optei por amamentar em livre demanda, então, até hoje ela escolhe quando quer mamar. Ela toma mamadeira com complemento só à noite, mas desde que teve uma infecção urinária em julho, ela tem refutado a mamadeira e só quer o peito. Como mamãe de primeira viagem, nunca imaginei que chegaria tão longe na amamentação. Sou muito grata a Deus e à minha princesa por estes 17 meses de doação de muito amor líquido. Felizmente não tive nenhuma dificuldade no início, como bico rachado ou sangrando, pega incorreta. Somente aos 15 dias de vida, ela deu uma mordida no bico direito. Doeu pra burro, mas a pomada Lansinoh foi a salvação. Graças a Deus desde a primeira hora de vida minha princesa teve a pega correta e sempre foi esfomeada.

Há quem fale que quem faz cesárea não consegue amamentar muito, que o leite demora para descer. Optei pelo parto cesárea e continuo amamentando até hoje. Por conta disso ainda não menstruei. Minha última menstruação foi antes de engravidar, no dia 15 de junho de 201. Estou dois anos sem a monstra! Como o doutor Hélio Sato já falou em sua coluna (leia aqui) quando amamentamos há a produção de prolactina, que inibe a produção de estrogênio, hormônio que estimula os sintomas da endometriose. A chupeta também não atrapalhou a amamentação por aqui. Não é fácil. Infelizmente quem amamenta ainda sofre por ter de escutar frases de pessoas ignorantes, tais como, “seu leite é fraco”, “seu bebê está chorando de fome”, “dá complemento que é melhor”, e comigo não foi diferente.

Como mamãe de primeira viagem, sem apoio em casa, me deixei levar pela onda de pessoas ignorantes (já falamos sobre pessoas com mentes ignorantes) e a Babi tomou seu primeiro complemento com 50 dias à noite. Confesso que fiquei com muito receio de ela largar o peito.  Já ouvi relatos sobre isso. Mas antes da mamadeira com leite artificial, eu sempre dava o peito. E foi assim até os cinco meses dela, quando ela passou a tomar apenas a mamadeira à noite. Às vezes bate a frustração de ter me deixado levar por essas pessoas, por ter acreditado no início que meu leite poderia ser fraco e que a Babi quando chorava era de fome, e por não ter amamentado exclusivamente durante os primeiros seis meses. Mas se era apenas uma mamadeira à noite, o dia todo era no peito e eu fazia das tripas ao coração para produzir leite, me sinto guerreira por ter conseguido e por manter a amamentação até hoje. E não sou menos mãe por não ter amamentado exclusivamente. Muitas não conseguem amamentar e são excelentes mães. Aliás, eu destaco três apoios importantes que tive: o da Denise, ex-babá da Babi, que me ajudava com ela duas vezes na semana, da minha irmã Isabella, nos fins de semana, e da minha mãe, que passou uns cinco meses fazendo canjica semanalmente para ajudar na minha produção de leite. Aliás, a melhor canjica do mundo. 

Se a intenção de quem me enchia o saco para dar leite artificial para ela era fazê-la desmamar, isso não aconteceu. Deus é realmente maravilhoso comigo. Ela é louca pelo seu mamá da mamãe. Antes do leite artificial, ela já tinha tomado poucas vezes meu leite na mamadeira. Se fui fraca? De forma alguma. Nesta época descobri que sou ainda mais forte do que sempre fui. Pois escutar essas frases em pleno puerpério quase que diariamente não é fácil, precisa ter uma sanidade mental muito boa e muito controle das emoções para não pirar ou explodir.

No começo , com tanto falatório, fiquei meio que na nóia de não produzir leite suficiente. Nas primeiras semanas durante o dia ela ficava o dia todo no peito. Era super exaustivo. À noite ela espaçava um pouco mais, era a cada três horas mais ou menos. Para ajudar na produção de leite comi muita canjica, bebia muita, muita água, litros de água por dia e tomei e ainda tomo o Chá da Mamãe, da Weleda, e chá de erva-doce. Claro que a melhor coisa para aumentar a produção é o estimulo do bebê com a pega correta. Por isso não fique brava se seu bebê fica o dia todo no peito, isso ajuda a estimular a produção do leite, e hoje sei que também pode ser salto de desenvolvimento. No meu começo eu não sabia disso. Depois descobri que bebês choram, em especial, recém-nascidos, mas não necessariamente por estarem com fome. Pode ser frio, o tal salto de desenvolvimento, por estarem num local sem o aconchego do útero, ou simplesmente porque querem colo, o aconchego e sentir o cheiro da mãe. 

Mas como sou forte e enfrento tudo de cabeça erguida, mantive a fé e persisti no melhor alimento que meu corpo pode produzir para a minha filha. Não foi fácil. Não é fácil amamentar em livre demanda, pois temos de ficar disponível aos nossos filhos. Mas como trabalho em casa, até hoje estou disponível e este é o nosso melhor momento. Hoje em dia quem opta pela amamentação prolongada, como o meu caso, sofre preconceitos. Perguntam até quando a Bárbara vai mamar e minha resposta é: “Até quando ela quiser”. Cada dia ela gosta mais do peito, é impressionante. 

Tive tudo para dar errado na amamentação. Por isso agradeço muito a Deus pela oportunidade de dar amor líquido à minha filha até hoje. Não sei se é sorte. Talvez por nunca ter desistido, por não deixá-la tomar muito complemento, por não ter me entregado, por gostar e por querer amamentar. Por insistir e persistir. E por ter tido e ainda ter muita paciência. Mas paciência, força de vontade, tranquilidade e disponibilidade são palavras-chaves para sucesso na amamentação. Não é fácil, ainda não posso sair e ficar o dia todo fora, mas optei por isso e é mais uma fase que vai passar e que sentirei saudades. Por isso aproveito todos os nossos momentos juntas e amamentar é um momento que só eu posso dar a ela. E eu sigo feliz e ela também. Ela faz a maior festa quando quer mamá. 


Se eu puder dar um conselho para às mamães, em especial, às de primeira viagem: siga seu instinto, sua intuição e não escute as pessoas em sua volta. Li muito e sei que nosso leite não é fraco. Deus é maravilhoso e deu à mulher a possibilidade dela produzir o alimento de seu filho. A Bárbara não largou o peito e nem meu leite diminuiu antes da introdução alimentar porque era raro ela tomar complemento durante o dia. Mas pelo que li a maioria dos bebês vai largando aos poucos. Talvez tenha sido uma mistura de sorte, de persistência, de fé, de perseverar e não desistir. Por isso eu falo: persistem, tenham fé e não desistam. Um beijo carinhoso!

OBS: Eu estou sem as dores da endometriose desde junho de 2012, quando fiz minha segunda e última videolaparoscopia. Por isso eu não tive nenhuma dor, nenhuma cólica durante a gravidez e nem mesmo após o parto. Mesmo com o parto cesárea, não tive nenhuma dor, já levantei logo depois que sai da sala de recuperação, já queria tomar banho sozinha (mas as enfermeiras não deixaram), não andei curvada, não tive nenhum problema. Meu corte foi colado, pontos apenas um em cada ponta. Ficou perfeita minha cirurgia, o doutor Hélio Sato arrasou, mais uma vez. 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR HÉLIO SATO!!

Em mais uma "Com a Palavra, o Especialista", o doutor Hélio Sato fala sobre a cirurgia de returada de endometrioma durante a gestação e também porque algumas mulheres sentem cólicas durante a amamentação. Graças a Deus eu não tive nenhuma dor na minha gestação e muito menos na amamentação. Eu ainda amamento minha filha de 1 ano e três meses e sou muito grata por ainda viver esse momento especial entre mãe e filho. Todos aqueles problemas que muitas mulheres relatam no início da amamentação eu não tive. Minha princesa teve a pega correta logo de primeira e meus seios nunca racharam, nunca sangraram. Agradeço muito a Deus por me presentear com esta dádiva. Mas para quem não consegue amamentar, você não é menos mãe por isso. O mais importante é o amor e a forma como você trata seu filho. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


 Perdi o ovário esquerdo, fiz FIV e estou esperando gêmeas, estou de cinco meses. Tenho sentido muitas dores e descobri que se trata de um enorme endometrioma no ovário direito. Vou precisar operar grávida, pois as dores estão cada dia pior e insuportáveis. O doutor já teve algum caso parecido? É possível operar e continuar a gravidez normalmente? Anônima

Doutor Hélio Sato:  Via de regra, durante a gravidez os implantes de endometriose ficam inativos pela alta quantidade de progesterona que é produzida inicialmente pelo ovário e posteriormente pela placenta. Assim, sugiro reavaliar se de fato o cisto é um endometrioma e também se a dor é causada pelo cisto. E, tenta-se todas as alternativas anteriormente à intervenção cirúrgica durante a gravidez. Porém, se eventualmente o cisto estiver em crescimento ou outras possibilidades da dor forem descartadas, pode-se partir para a cirurgia que neste fase, normalmente, é feita com corte. Pois, em decorrência do grande volume do útero limita a laparoscopia.

– Quando amamentei minha filha eu quase não tinha leite e morria de dor por conta da endometriose, eu sentia muita, muita cólica. O que tem a ver a amamentação com a cólica? Luciane Cunha - Paquistão

Doutor Hélio Sato:  O estímulo dos mamilos durante a amamentação libera a ocitocina, hormônio produzido pelo hipotálamo (estrutura do cérebro) que tem como função contrair células musculares que estão em tornam dos ductos que transportam o leite do fundo da mama para o mamilo. Porém, esta ação, também, ocorre no músculo uterino e deste modo, ocorrem contrações vigorosas que levam às cólicas durante a amamentação. E, este fenômeno auxilia no controle do sangramento após o parto.

Sobre o doutor Hélio Sato: 

Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose, em laparoscopia e em reprodução humana. Tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e foi corresponsável do Setor de Algia Pélvica e Endometriose da mesma instituição. 

Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é coordenador de pesquisas da clínica de reprodução humana GERA e está à frente nas seguintes linhas de pesquisas: endometriose, biologia celular e molecular, cultura celular, polimorfismo gênico e reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato). 


sábado, 18 de outubro de 2014

"A VIDA DE UMA ENDOMAMÃE": A VIDA QUATRO MESES APÓS O PARTO E A ENDOMETRIOSE DANDO AS CARAS!!

Imagem cedida por Free Digital Photos

Aos poucos nossa endomamãe vai voltando à ativa aqui no blog. Quatro meses após o nascimento de sua caçula, além de falar de Hadassa e dar alguns alertas às mamães, Tatiana nos fala de um possível retorno de sua endo. Isso quebra o mito de que a gravidez cura a endometriose. Já abordamos esse tema aqui na coluna do Dr David Redwine - A gravidez cura a endometriose? Não podemos esquecer que durante a gravidez as mulheres podem melhorar seus sintomas, mas depois... não significa que continuarão assim. Muitas continuam boas, mas outras não. Não, a gravidez não cura a endometriose. Precisamos ficar atentas aos sinais que nosso corpo apresenta. No meu caso, eu estava ótima antes da gravidez e assim continuo. Em breve vou contar a segunda parte. Vamos torcer e rezar para que tudo dê certo à nossa endomamãe. Beijo com carinho! Caroline Salazar

Por Tatiana Furiate

Olá minhas queridas! Que saudades de escrever no nosso cantinho! Mas confesso que minha vida está uma verdadeira loucura. A Hadassa está linda, ótima, crescendo cada vez mais. Já chegamos ao 4° mês de vida. Seu peso está de quase 8 quilos e ela está medindo cerca de 70 cm. Ela já faz gracinhas, dando gargalhadas para os irmãos, uma linda princesa. A fase mais complicada já passou. Júlia e Arthur aproveitam para brincar com ela e, assim, ela vem se desenvolvendo muito rápido. Ela já consegue virar sozinha na cama, acredita?! Não posso mais deixá-la nem um minuto se quer sozinha e dar aquele pulo na cozinha, por exemplo. Quando volto, ela não está no mesmo lugar. Nós, mamães de bebês, precisamos ficar atentas às atitudes deles, para que não ocorra nenhum acidente. É nessa fase que eles podem cair da cama ou do sofá, por exemplo. Por isso toda atenção é pouco. 

Minha rotina anda muito, mas muito corrida. Não é fácil liderar uma equipe de cinco pessoas diariamente. Não é fácil ter três filhos, cada um com necessidades diferentes. Cuidar da casa mais as crianças requer muito jogo de cintura. Mães e donas de casa precisam ser muito valorizadas. É a profissão que vale ouro no mercado. No pouco tempo livre que me sobra curto a família e também estou aproveitando para fazer cursos. Já fiz o de drenagem linfática especial para gravidinhas. Quero me dedicar a elas. 

Infelizmente, acho que a endo está dando as caras novamente. Após o nascimento da Hadassa, já tive duas infecções urinárias, muitas cólicas e desconforto urinário. O sangramento está pouco, pois tomo Cerazette de uso contínuo e, além disso, amamento exclusivamente minha pequena. 

A amamentação é um momento mágico e de uma intimidade maravilhosa entre mãe e filho. É um vínculo único que temos com nosso pequeno desde quando eles saíram de dentro de nós. Esse assunto também vale um post. Além desse laço afetivo, a amamentação tem para nós, portadoras de endometriose, outro grande benefício. Enquanto amamentamos ficamos livres da menstruação. Vou arrumar um tempo para ir ao urologista, especialista em endometriose do Trato Urinário. Ser portadora não é uma tarefa fácil! E ser portadora e mãe, então, é muito mais complicado, pois não podemos jamais deixar as dores tomar conta de nós, principalmente, àquelas que cuidam da casa e da família todos os dias. Existe uma galerinha que depende de mim, fora as mães que auxilio no grupo de gestante.

No próximo post vou falar um pouco mais com as mamães. Quero abordar alguns assuntos relacionado à maternidade. E, claro, vou dando notícias sobre minha investigação de um possível foco de endometriose na parte urinária. Não poderia terminar essa postagem sem parabenizar minha grande amiga Caroline Salazar, pela chegada da Babi, confesso meninas que foi difícil manter segredo durante as primeiras 12 semanas, que é o tempo ideal para divulgar uma gravidez.

Acompanhei tudo sempre torcendo e orando por vocês. Bárbara seja bem-vinda. Sua endotitia já te ama. Beijo carinhoso.  

terça-feira, 4 de junho de 2013

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR HÉLIO SATO!!!

Após um texto de amor, que tal esclarecer dúvidas de quem faz o A Endometriose e Eu, o blog mais lido do mundo sobre endometriose? Quando falo isso, fico muito emocionada. Aos poucos comecei a ver países estrangeiros acessando o blog, que atingiu seu ápice com a citação na novela "Insensato Coração", da Rede Globo, em 2011, onde brasileiras mundo afora descobriram esse cantinho especial. Aos poucos, as estrangeiras foram chegando. E a emoção de ver os acessos internacionais aumentando foi ainda mais forte, porque jamais imaginei que meu filhote, "agora nosso", seria conhecido no mundo todo. Um blog brasileiro falando de endometriose com reconhecimento internacional e que tem 2 mil acessos por dia? Nem nos meus mais loucos sonhos! Mas fui surpreendida pelo destino! Prova disso é a pergunta da nossa endoirmã Angélica, de Macau, na China, cidade a 60 km de Hong Kong. Quando ela enviou sua dúvida, pensei: "Será que é verdade." Aí, ela respondeu: "Sou macaense sim." Até 1999, Macau era uma colônia de Portugal, e foi administrada pelos portugueses durante 400 anos, mas desde 1999 passou a fazer parte da República Popular da China e é considerada a Las Vegas do Oriente, pelo grande número de cassinos. 

Ela tem um filho de pouco mais de um ano e quer saber se durante a amamentação, a endometriose pode voltar. Agradeço muito o contato e a pergunta dela, pois vai elucidar a dúvida de algumas que estão amamentando ou perto de ter seus filhos, bem como das futuras endomamães. A outra pergunta é a que não quer calar: qual a diferença entre o Qlaira e o Allurene? "Com a Palavra, o Especialista", o doutor Hélio Sato. Quem quiser tirar suas dúvidas, é só deixar a pergunta neste artigo, e não no facebook, ou também pode enviá-la por email com o título "Com a Palavra o Especialista". Assim facilita distingui-los, já que a demanda de emails está muito, muito grande. Por favor, peço que deixe nome, sobrenome, a cidade, o estado e o país. Àquelas que preferem a privacidade, deixem apenas as iniciais. A coluna está imperdível! Beijo carinhoso!

- Gostaria muito de saber se há reincidência da endometriose durante a amamentação? Meu filho tem um ano e mama muito pouco, a minha menstruação voltou e já sinto de novo algumas dores. Além da endometriose tenho SOP (síndrome dos ovários policísticos) e já foi constatado pela minha ginecologista um cisto de ovários. Foi-me recomendado a parar com a amamentação, mas meu filho não aceita outros líquidos, somente meu leite. O que faço? Pode ser a endometriose voltando? A.C., Macau, China

Doutor Hélio Sato: Dificilmente a endometriose irá se reativar na fase de aleitamento materno exclusivo, ou seja, sem complementos alimentares, pois, nesta fase a prolactina (hormônio que estimula a produção de leite) inibe a liberação de estrogênios que estimulam a endometriose. Porém, o retorno da menstruação demonstra que se reiniciou a produção de estrogênios. Deste modo, sugiro a utilização de progestogênios para o controle da endometriose. Mas convém a avaliação do médico para a escolha da medicação. Quanto aos cistos ovarianos existem diversos tipos, para alguns não há necessidade de retirada já em outros se sugere a retirada. Se for SOP, o uso da medicação auxiliá-la na redução dos cistos.

- Qual a diferença entre o Qlaira que tem 3mg de dienogeste (nos 17comprimidos amarelo-claro, os únicos que tomo), enquanto o Allurene tem 2mg de dienogeste. Qual a diferença entre os dois remédios, já que o Qlaira é extremamente mais barato que o Allurene e ainda tem mais Dienogeste?  Rakel Rechwan

Doutor Hélio Sato: Do ponto de vista de composição farmacológica, o Qlaira e o Allurene são semelhantes, com exceção da dosagem como relatado pela leitora e a adição do estrogênio no Qlaira. Em termos de ação clínica, infelizmente, não há nenhum estudo controlado que compare o Allurene com qualquer outra medicação que contenha progestogênio no tratamento da endometriose. Na teoria, a ação deve ser muito próxima dado que ambas são progestogênios. Porém, na bula, o Allurene está descrito como medicação para endometriose e nas outras composições não há esta descrição. Assim, dado a força da bula muitas pacientes tem utilizado o Allurene para o tratamento de endometriose, apesar do custo.

Quanto à ação anticoncepcional do Allurene, apesar de não estar descrito na bula, genericamente, os progestogênios inibem a ovulação e desregulam o endométrio, tornando-o pouco receptivo para receber a gestação. Porém, devido à força da bula demanda-se a associação de outros métodos anticoncepcionais de barreira. Assim, não se deve utilizar outros anticoncepcionais orais, injetáveis ou “pachts” (adesivos) hormonais com o Allurene.

Sobre o doutor Hélio Sato:


Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose e em laparoscopia. Ele tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo. É pesquisador principal de projeto regular da FAPESP.

Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é membro associado da clinica GERA de reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato).