domingo, 26 de junho de 2016

ENDOMETRIOSE E INFERTILIDADE: ENTENDA A RELAÇÃO DA DOENÇA COM A DIFICULDADE DE ENGRAVIDAR

imagem cedida por Free Digital Photos

No mês internacional da infertilidade, a doutora Graciela Morgado Folador preparou um texto exclusivo para o A Endometriose e Eu explicando porque a endometriose causa infertilidade. Um texto conciso e bem explicativo que vai sanar de vez suas dúvidas sobre o assunto. Um beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por doutora Graciela Morgado
Edição: Caroline Salazar

Endometriose e infertilidade: entenda a relação da doença com a dificuldade para engravidar



Uma das principais causas de infertilidade entre as mulheres é a endometriose. Estima-se que 47% das pacientes inférteis foram diagnosticadas com essa patologia. Além disso, estima-se que atualmente ao menos 25% de todas as mulheres aos 30 anos apresentam endometriose e, entre estas, 30% a 50% são inférteis.

A razão mais provável relacionada à diminuição da concepção refere-se ao dano anatômico dos órgãos pélvicos, principalmente, em caso de doença avançada. Outros fatores, como a possível deficiência de ovulação, alterações inflamatórias que acontecem na pelve, além de falhas de implantação do embrião e abortamentos precoces são frequentes em portadoras de endometriose.

Apesar de toda evidência de que a endometriose possa afetar o número de óvulos produzidos, a qualidade dos embriões formados e a evolução da gestação, vários estudos clínicos ainda não conseguiram relacionar o estágio da endometriose aos resultados em ciclos de reprodução assistida.

Assim, quando avaliamos uma paciente com endometriose e infertilidade, devemos levar em consideração a idade, a duração da infertilidade, a história familiar, a presença de dor associada ao estadiamento da doença a fim de formular uma melhor estratégia de tratamento.

Portanto, em mulheres submetidas a procedimento cirúrgico com diagnóstico de doença estágios I (mínima) e II (leve) com tubas uterinas pérvias, a excisão completa dos focos seguido de indução de ovulação com Coito Programado - que consiste no uso de medicações para indução de ovulação acompanhada de ultrassonografia transvaginal seriada para controle de ovulação, isto é, medição dos folículos até que estes alcancem um tamanho de 20mm e após isto programa-se a relação sexual, por isso o nome Coito Programado ou Namoro Programado -  e inseminação intrauterina  (IIU) - que consiste no mesmo princípio do Coito Programado, porém quando os folículos atingirem o tamanho de 20mm, é realizado um preparo de sêmen no qual somente os espermatozoides móveis e progressivos são inseminados no útero da paciente) devem ser considerados , principalmente em pacientes com idade inferior a 35 anos.

Nas pacientes com 35 anos ou mais, e que apresentem uma baixa resposta ovulatória ao estímulo ou àquelas que têm tubas uterinas obstruídas, devem ser preferencialmente tratadas por meio das técnicas de maior complexidade, como a Fertilização in vitro (FIV) ou a Injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).

Já em mulheres com endometriose estágios III (moderada) ou IV (grave) a FIV ou o ICSI (que consiste na micro-injeção de um único espermatozoide no citoplasma do oócito-óvulo) devem ser indicadas como primeira linha de tratamento complementar para a infertilidade após abordagem cirúrgica, por fornecerem melhores taxas de sucesso.

Sobre a doutora Graciela Morgado Folador:


Ginecologista e obstetra, Graciela Morgado Folador tem Pós-graduação em Endometriose, em Cirurgia Minimamente Invasiva, em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida e Especialização em Vídeo-histeroscopia. É membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e da Advancing Minimally Invasive Gynecology Wordwide (AAGL). É médica-colaboradora do setor de Endometriose do Hospital das Clínicas de São Paulo, USP. Siga a fanpage da doutora Graciela

2 comentários:

  1. Extremamente explicativo! Obrigada Caroline por mais uma postagem maravilhosamente informativa. Tenho 21 anos e sou portadora de Endometriose, e não sabia muito sobre a parte da infertilidade. Foi muito útil!
    Beijos e abraços!

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  2. Eu estou no processo de FIV, tenho 8 embriões crio preservados, porém , sinto muitas dores, devido a endometriose profunda. Já fui em diversos médicos e nenhum quer me operar, comecei a tomar o prymogina e as dores só aumentam. Quero muito que tudo de certo. Mas, meu corpo não está colaborando. Não sei como sustentar uma possível gravidez com tantas dores, apesar do meu médico acreditar que isso vai passar com um positivo.

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